Thursday, 28 May 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma 'Imitação' Sem Inspiração

 Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui por diversas vezes falámos das variavelmente icónicas colecções de cromos e outros brindes em papel oferecidos com o Bollycao, o lendário pão com chocolate trans-geracional que, em finais do século XX, tinha como principal ponto de interesse, precisamente, os seus brindes; e, de entre estes, talvez o mais icónico de sempre tenha sido a colecção 'Tous', uma série de cromos em que um simpático 'bicharoco' verde-lima interpretava visualmente os estados de espírito descritos no cartaz que sempre segurava. Lançados em finais dos anos 80, mas com 'sequela' em princípios dos 90, estes cromos marcaram a 'intersecção' entre as gerações 'X' e 'millennial', tornando-se num dos grandes brindes promocionais do Portugal da época, ao lado dos 'Pega-Monstros', Tazos e Matutolas da rival Matutano e dos 'bonequinhos' dos ovosKinder. Não é, pois, de admirar que, mais de meia década após a série original, o Bollycao tenha tentado um conceito muito semelhante, desta vez com o incentivo adicional de um concurso acoplado; nascia, assim, a colecção 'Tás', lançada algures há trinta anos, na primeira metade do ano de 1996.


(Crédito das fotos: OLX)

Como o próprio nome indica, esta nova série mais não fazia do que repetir o conceito dos clássicos 'Tous' mas, desta, vez, de uma perspectiva de 'terceira pessoa', em que cada acção era ditada, não pelo próprio personagem, mas por uma espécie de 'narrador' invisível. A substituir o 'Tou' surgia, agora, um ser redondo, avermelhado e com picos, que o faziam assemelhar-se à tradicional imagem de um vírus patente nos desenhos animados ou materiais didácticos da época – talvez não tão simpático quanto o seu antecessor, mas ainda assim visualmente apelativo o quanto baste para atrair o público-alvo.

O principal factor de interesse da colecção para esse mesmo público-alvo era, no entanto, o concurso que lhe estava associado, em que os jovens se podiam habilitar a ganhar consolas PlayStation (o 'Santo Graal' dos prémios da época, tendo substituído nesse papel a Mega Drive), bicicletas de montanha ou (mais provavelmente) 't-shirts' alusivas à colecção. Qualquer que fosse o prémio, no entanto, obtê-lo não se afirmava tarefa fácil, já que era necessário encontrar um cromo com o texto 'Tás Com Sorte' e, (presumivelmente) enviá-lo para a Panrico em troca do prémio em causa (infelizmente, os detalhes de como obter o prémio em si perdem-se no tempo); nada que impedisse as crianças da época de tentar, devendo esta iniciativa ter resultado num aumento de vendas do produto naquela Primavera e Verão de 1996.

No entanto, e ao contrário da mítica inspiração, a colecção 'Tás' não ficaria particularmente na memória dos portugueses da faixa etária a que se destinava, tendo o 'isco' dos prémios resultado a curto-prazo, mas não disfarçado a falta de originalidade da série (ainda que a arte dos cromos fosse bastante bem conseguida). Vale, ainda assim, a pena recordar mais uma das muitas colecções com que o Bollycao assegurava vendas durante a sua 'década áurea', numa altura em que se celebram trinta anos sobre o lançamento da série em causa.

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