Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Alguns dos cromos da colecção (crédito da foto: Brindemania / Delfim Alexandre).
Em plena 'era de ouro' dos brindes em produtos alimentares – em que várias companhias se digladiavam para oferecer a próxima 'febre' de recreio nos seus pacotes de cereais, batatas fritas, iogurtes ou bolos vários – os produtos da Panrico destacavam-se por, apesar de mais discretos que alguns dos da 'concorrência', serem consistentes, e consistentemente bem recebidos e apreciados pelo seu público-alvo. De facto, apesar de nunca se desviarem muito das colecções de cromos e outras quinquilharias em papel, os brindes do Bollycao e das Donettes eram, invariavelmente, motivo de interesse para as crianças e jovens portuguesas de finais do século XX, que se regozijavam em coleccionar e trocar os cromos dos 'Tous', desdobráveis do Dragon Ball Z, as cartas dos Bollykaos ou as icónicas 'Janelas Mágicas'. Em meio a estas memoráveis promoções, no entanto, houve, claro está, outras que passaram mais despercebidas, não deixando grande marca nas gerações 'X' e 'millennial' lusitanas. É o caso daquela que abordamos neste 'post', levada a cabo há coisa de trinta anos – nos primeiros meses do ano de 1996 – e que, hoje em dia, apenas é lembrada em sites como a Brindemania, de onde sai a imagem que ilustra este 'post'.
Talvez o insucesso da colecção 'Isto...' (uma óbvia alusão à mais famosa colecção de sempre do Bollykao, os icónicos 'Tous...') se devesse à falta de foco temático da mesma. De facto, enquanto a maioria das outras gamas promocionais tinham algum tipo de fio condutor, 'Isto...' era tão vago quanto o próprio título, indo as imagens nos cromos desde os animais selvagens até objectos ou imagens mais caricaturadas – uma abordagem que resultava para certas gamas de Tazos, por exemplo, mas que, aqui, apenas denota uma certa falta de critério ao realizar a colecção, o que talvez a tenha ajudado a tornar menos memorável do que outras suas contemporâneas (à laia de comparação, na mesma altura, a Matutano propunha as icónicas Matutolas).
Assim, o principal motivo para coleccionar os cromos prendia-se mesmo com um daqueles concursos tão clássicos da época, com probabilidades efémeras, mas não impossíveis, de ganhar o grande prémio, e que constituíam razão suficiente para comprar mais e mais produto, na esperança de ver sair o cromo premiado. No caso do 'Isto...', o prémio em causa eram uns patins em linha, um dos tipos de objecto mais cobiçados de finais do século XX, e que a promoção apregoava dar às centenas, despertando a cobiça de qualquer 'puto' daquele período. Conquanto seja possível que os vencedores de tal concurso recordem com afeição a promoção, no entanto (por motivos óbvios) para os restantes 'X' e 'millennials' portugueses esta terá sido uma colecção que passou muito mais despercebida do que a maioria das outras do Bollycao ou produtos semelhantes, não sendo hoje, quase exactamente trinta anos depois, mais que uma 'nota de rodapé' na História dos brindes promocionais em Portugal.
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