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Friday, 10 July 2026

Sextas Com Style: Duas 'T-Shirts' Icónicas do Portugal da Viragem do Milénio

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 e 2000 em Portugal podem ser considerados uma época áurea no tocante às 't-shirts' gráficas, sobretudo no tocante a 'designs' com mensagens ligeiramente irreverentes, como as comercializadas pela Omni. NoFear ou Mad Bad - e qualquer português do sexo masculino que se encontrasse na adolescência ou em idade universitária nos anos da viragem do Milénio não poderá deixar de concordar que algumas das camisolas mais icónicas dessa época eram as que apresentavam 'listas' de diferentes códigos e expressões, a serem decifrados por quem se desse ao trabalho de ler a frente das respectivas. Destas, os expoentes máximos eram as 't-shirts' 'International Code: No Problem' (em que mãos enluvadas ao estilo desenho animado soletravam a respectiva expressão em linguagem gestual) e 'How Are You Feeling Today?', em que um boneco – conhecido ou 'genérico', dependendo das variantes – demonstrava os diferentes estados de espírito por que um ser vivo pode passar.



Do armário de juventude do autor deste 'blog' constava a primeira das duas t-shirts mostradas acima, precisamente na mesma cor e 'design'.

A razão pela qual estas duas 't-shirts' 'vestiram' tantos 'putos' da época é simples de perceber ao atentar no grafismo das mesmas, que se mostra cuidado, e com qualidade de 'banda desenhada' no tocante a detalhes e expressões; de igual modo, ao contrário de muitas das suas congéneres, nenhuma das camisolas era ofensiva ou controversa, agradando assim tanto ao público jovem mais irreverente quanto a outro que preferia exprimir a sua personalidade de forma menos agressiva. Não admira, pois, que qualquer das duas fosse tão prevalente, de Norte a Sul do País durante os primeiros anos do Novo Milénio, sendo bem provável que as fotografias que acima partilhamos tenham despertado memórias nostálgicas numa grande parcela dos leitores deste 'blog', e até, potencialmente, feito parte do seu guarda-roupa daqueles anos de adolescente...

Friday, 12 June 2026

Sextas Com Style: A Marca Mais 'Italiana' da Moda Portuguesa

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui em ocasiões passadas falámos de marcas de calças de ganga cem por cento nacionais e que, com a sua combinação da qualidade reconhecida ao nosso têxtil com uma abordagem descontraída e juvenil ao 'marketing' e publicidade, conseguiram alguma tracção entre o seu público-alvo; chega, agora, a hora de juntar mais um elemento a essa lista, e falar de uma marca surgida há exactos trinta e cinco anos, e que, surpreendentemente, logrou manter o seu renome e popularidade até aos dias de hoje.

Falamos da Tiffosi, um dos 'ramos' da empresa de vestuário Cofemel que, desde 1991, tem vindo a 'enganar' gerações de portugueses com o seu nome inspirado na palavra italiana para designar adeptos de Fórmula1. O que não engana, no entanto, é a qualidade das suas peças, seja das icónicas calças de ganga ou das 't-shirts' e 'sweatshirts' também comercializadas sob a mesma designação. Longe de serem artigos 'da moda', as peças da Tiffosi possuem, no entanto, uma qualidade intemporal que as torna atractivas para sucessivas gerações, cada uma das quais se encarrega, depois, de 'apresentar' a marca à seguinte (a Tiffosi fica apenas atrás da Zara no tocante a volumes de vendas no sector do vestuário infantil em Portugal), perpetuando um ciclo que se vem mantendo há já três décadas e meia, e que ajudou a colocar a Tiffosi entre as trezentas empresas mais bem-sucedidas em Portugal, bem como a projectar o nome da marca para o estrangeiro. No total, chegaram a ser setenta as lojas da Tiffosi distribuídas de Norte a Sul do País, muitas das quais se mantêm abertas até aos dias de hoje, agora sob a égide do Grupo Vila Nova, novo proprietário das marcas da Cofemel.

No cômputo geral, pode-se, portanto, considerar a Tiffosi como mais um dos muitos casos de sucesso empresarial no sector do retalho surgidos em Portugal durante a década de 90 - com a ressalva de, ao contrário de várias das suas congéneres (e à semelhança de outras tantas) esse bom desempenho se manter até aos dias de hoje, tornando a marca de 'jeans' pseudo-italiana numa das mais intemporais da actual moda jovem nacional.

Friday, 15 May 2026

Sextas Com Style: OMNI - A Marca Mais Irreverente Do Portugal 'Millennial'

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 são lembrados entre a geração que neles cresceu como a década em que a irreverência e a cultura jovem 'tomaram conta' da consciência popular, substituindo a abordagem 'sanitizada' da década anterior com uma dose de atitude 'radical', manifestada em áreas como a música, a programação televisiva, os videojogos, o 'design' gráfico e publicitário e, claro, a moda. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo os jovens da geração 'millennial' envergado orgulhosamente uma série de marcas mais ou menos 'radicais' - algumas delas, inclusivamente, de concepção cem por cento nacional, como é o caso da icónica etiqueta que recordamos nesta Sexta com Style.

É possível que muitos jovens da época não conhecessem o nome e logotipo da marca (ou que, em adultos, lhes falhe a já limitada memória) mas uma única menção dos 'slogans' impressos nas suas 't-shirts' e 'sweatshirts' ajudará, decerto, a desbloquear memórias de adolescente entretanto suprimidas: 'enquanto dás um peidinho, morre um golfinho', 'enquanto dás uma queca, morre uma alforreca', 'safas-te, ou é só beijinhos', 'só estou aqui porque não há ondas', são apenas alguns dos dichotes com que a OMNI se tornava a nova 'marca favorita' dos jovens dos anos 90 e inícios dos 2000.


Fundada ainda nos anos 80 por Eduardo Freitas, um surfista de Viana do Castelo, a OMNI (sigla para Objectos Modernos Não Identificados) era especialmente eficaz na tradução do verdadeiro vernáculo juvenil da época para um contexto comercial, sem com isso incorrer na habitual vertente 'embaraçosa' de qualquer marca que tente apelar ao seu público-alvo desta forma; pelo contrário, talvez pelo facto de o fundador ser, ele próprio, jovem e membro de uma sub-cultura 'radical', os 'slogans' semi-humorísticos da marca reflectiam a forma como a demografia em causa falava, tornando-os realistas e, como tal, apreciados como 'fixes' pelo público comprador.


Um dos mais memoráveis 'slogans' da marca.

Este facto, aliado ao logotipo de grafismo também ele ao estilo 'radical', ajudava a marca a estabelecer-se no mercado da moda jovem da época (tanto de 'surf' como mais generalista), não tardando a difundir-se entre os pátios de escola e universidade de Norte a Sul do País, criando um período de hegemonia de cerca de dez anos, que a tornou também nostálgica junto de quem tinha a idade apropriada durante os anos em causa. E apesar de esses anos já formarem parte de um passado distante – e de o próprio fundador ter tragicamente falecido em 2010 – a OMNI continua 'alojada' nos bancos de memória dessa mesma geração, pronta a ser recordada após um simples vislumbre de um dos slogans irreverentes e ligeiramente 'malcriados' que tantos, à época, mostraram orgulhosamente no peito ou nas costas das camisolas, ou em autocolantes no caderno ou 'dossier' da escola...


Friday, 30 January 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Trinta Anos de Uma Loja Com Apelo 'Natural'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente mencionámos o facto de os anos 80 e 90 terem sido palco de um enorme esforço de sensibilização para a ecologia, e para a importância de práticas como a reciclagem, a alimentação consciente, ou a utilização, sempre que possível, de materiais naturais no tocante a vestuário e calçado. Pois bem, uma cadeia de lojas ibérica decidiu, por volta da mesma altura, fazer deste conceito a temática central do seu modelo comercial, propondo artigos que – mesmo não sendo totalmente naturais, e ainda menos artesanais – seguiam ainda assim esse princípio, quer do ponto de vista da manufactura, quer de uma perspectiva mais estética.


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Falamos da espanhola Natura, fundada em 1992 e que viu a primeira loja internacional abrir em Portugal (concretamente na cidade do Porto) quatro anos depois, celebrando a mesma, este ano, as três décadas de existência. Facilmente reconhecível pelas enormes esculturas de ursos colocadas à entrada de cada loja (que quase pareciam ursos empalhados, tão elevado era o seu grau de realismo) e pelo cheiro a 'patchouli' proveniente do interior, os estabelecimentos da cadeia propunham uma enorme variedade não só de peças de roupa, mas também – sobretudo – de artigos decorativos e têxteis para o lar. Comum a toda esta diversidade de artigos era o 'design' rústico, quase parecendo, por vezes, feito à mão, e que se coadunava perfeitamente com a proposta da própria cadeia.


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A entrada de uma das lojas modernas da cadeia, com o icónico urso à entrada.


Curiosamente, apesar da estética e proposta reflectidas no próprio nome, a Natura optou, durante mais de duas décadas, por abrir as suas lojas exclusivamente em grandes superfícies comerciais, tendo a primeira loja 'de rua' da cadeia sido, inclusivamente, motivo de menção noticiosa aquando da sua abertura em Cascais, em 2017. Hoje em dia, a cadeia conta com quase seis dezenas de lojas em Portugal (quase todas, ainda, inseridas em 'shoppings' ou armazéns comerciais) iniciando a sua terceira década de existência no nosso País como uma das integrantes da restrita gama de estabelecimentos cujo próprio nome é garantia de vendas – razão mais que suficiente para celebrarmos, ainda que talvez prematuramente, a chegada desse marco para a cadeia espanhola.

Friday, 16 January 2026

Sextas Com Style: Os Pijamas de 'Olhinhos' - Uma 'Relíquia' Esquecida de Um Tempo Mais Inocente

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quem foi de uma certa idade durante o início e meados da década de 90 certamente passou muitas noites aconchegado na cama com um deles vestido – ainda que, hoje em dia, seja impossível encontrar sequer uma fotografia exemplificativa, tornando este num dos raros 'posts' sem imagens do Anos 90. Referimo-nos aos pijamas com 'olhos' de plástico e 'meias' para pôr nos pés, uma das peças infantis clássicas que se podiam encontrar em lojas de roupa ou lavores da 'velha guarda'.


Normalmente constituídos por uma camisola de manga comprida com a frente em branco liso, com o habitual desenho de um qualquer personagem 'fofinho', e o restante numa cor pastel (com o azul-bebé, o verde e o amarelo a serem as mais comuns), com calças compridas e elásticas a condizer, estes conjuntos destacavam-se por terem, no lugar dos olhos 'desenhados' do personagem, dois olhos de plástico - semelhantes aos dos Pirilampos Mágicos, por exemplo – que apresentavam algum grau de movimento, o que era desde logo suficiente para tornar este tipo de pijama mais cativante do que os seus congéneres mais 'normais'. Regra geral, estes conjuntos incluíam também meias pelo tornozelo, o que permitia às crianças manterem os pés aconchegados durante as noites mais frias, oferecendo um atractivo extra para os pais na altura da compra.


Sendo extremamente intrínsecos à cultura portuguesa de uma época remota, e não tendo, normalmente, ligações a qualquer propriedade licenciada (embora, na mesma época, abundassem os pijamas 'piratas', muitos deles disponíveis na mesma prateleira dos aqui abordados) não é de admirar que estes conjuntos tenham sido, hoje em dia, totalmente Esquecidos Pela Net. Quem os chegou a usar, no entanto, certamente recordará a 'excitação' dos olhinhos que mexiam, e as muitas noites passadas com eles vestidos, naqueles tempos mais inocentes da infância pré-digital...

Saturday, 20 December 2025

Sextas Com Style: As Indumentárias Natalícias no Portugal dos 'Noventa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Exemplo moderno de uma camisola típica da época.


Apesar de os 'pullovers' de Natal não serem uma tradição portuguesa (antes pelo contrário, já que continuam a confundir a maioria dos emigrantes lusitanos em países onde efectivamente existem) tal não significa que não houvesse, em finais do século XX, uma 'indumentária-tipo' para a época festiva em Portugal. De facto, uma mera semana antes dos excessos de brilhantes e lantejoulas do 'réveillon', a maioria das famílias portuguesas era vista dentro de 'pullovers' ou vestidos tricotados felpudos, normalmente com motivos como flocos de neve, renas ou cenários invernais, e quiçá com um ou outro 'pompom' ou brilhante aplicado em sítios estratégicos. No caso das crianças (e não só) estas camisolas podiam, até, ser obra de um familiar com apetência para o 'tricot', sendo por isso únicas, exclusivas e difíceis de imitar para quem não tivesse o padrão – o que, dependendo da perspectiva, podia ser uma vantagem ou um defeito.


Fosse qual fosse o caso, no entanto, o certo é que, mesmo sem 'camisolas feias' de Natal, os portugueses de finais do século XX não deixavam de ter roupas especialmente 'guardadas' para uma Sexta com Style em período natalício, aquando do jantar em família, da missa, da tradicional ida ao circo de Natal, ou mesmo da festa de Natal da paróquia ou da empresa...


 

Saturday, 22 February 2025

Sextas com Style: Os Impermeáveis Dobráveis - Um Conceito Genial e Intemporal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Ainda hoje existem, agora num contexto mais técnico e desportivo, ligado à prática da caminhada e outras actividades de exterior; foi, no entanto, nos anos 80 e 90 que se popularizaram, então como um elemento de vestuário eminentemente prático, perfeito para 'enfiar' na carteira, mochila ou mala de férias em caso de chuva imprevista. Falamos, claro está, dos impermeáveis dobráveis em saco, parte integrante da infância e adolescência de duas gerações de portugueses, os quais, quiçá, agora os introduzam também às demografias mais jovens.


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Exemplo moderno do produto em casa.


Conceito tão genial como intemporal, estes impermeáveis nada mais eram do que plásticos finos, ao estilo 'tapa-vento', que, quando não a uso, podiam ser enrolados e colocados num 'saco' com alça, o qual, ao vestir, se transformava num bolso de practicidade algo prejudicada pela fita elástica no seu interior. Quando devidamente dobrados, no entanto, esta alça transformava-se de estorvo em elemento essencial, permitindo carregar o impermeável na mão ou até ao ombro ou à volta do pescoço à laia de carteira ou bolsa, reduzindo assim as probabilidades de o mesmo se perder – algo que as mães e pais da época não terão deixado de apreciar, especialmente aqueles cujos filhos tendiam a ser mais distraídos e deixar os mais diversos objectos para trás nos mais diversos locais, como era o caso do autor deste 'blog'.


Tal como referimos no início deste texto, os impermeáveis com elástico ainda existem, ainda mais pequenos e compactos (após dobrados) do que o eram em finais do século XX, e hoje com uma conotação mais 'séria' e adulta. Restam poucas dúvidas, no entanto, de que existam em Portugal (e não só) grande quantidade de crianças e jovens que continuam a 'encontrar' esta peça de vestuário nos respectivos 'carregos' da escola ou treino desportivo sempre que o tempo está ameno, mas a 'ameaçar' chuva...

Sunday, 3 November 2024

Sextas com Style: As Marcas Esquecidas dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 01 de Novembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 90 e 2000 em Portugal ficaram, mais do que qualquer das décadas precedentes, marcada pela divisão e estratificação da juventude em 'tribos urbanas', de forma semelhante ao que ia acontecendo um pouco por todo o Mundo. E de entre as muitas sub-culturas juvenis a surgirem no nosso País nesse período, um grupo em particular (ou classe social, pois era disso que se tratava) dividia opiniões entre os restantes 'mortais', havendo tanto quem os desprezasse como quem quisesse ser como eles: os chamados 'betos', denominação ainda hoje aplicada a jovens bem apresentados, de classe média-alta e provenientes de famílias endinheiradas. E se, hoje, este grupo se vai cada vez mais 'assimilando' em termos de estilo e postura, nos anos da viragem de milénio, passava-se precisamente o oposto, havendo um esforço concertado por parte dos 'betos' para se destacaram da restante 'maralha', sobretudo no tocante ao vestuário, onde prevaleciam camisas de marcas como Sacoor e Amarras (artigo genuíno, ao contrário do que sucedia com a maioria dos restantes jovens, que as adquiriam na feira), t-shirts Quebramar, 'sweats' da Gap ou Gant, 'pullovers' em tons pastel e, claro, os icónicos sapatos eternamente associados com esta demografia – os 'velas'.


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De facto, apesar de não serem propriedade exclusiva dos 'betos' (muitos jovens do sexo masculino tinham na gaveta um par, para ocasiões que exigissem algum apuro adicional no vestuário) era mesmo com estes que o referido calçado era mais vezes conotado, por fazer parte integrante da indumentária-padrão de um membro do grupo em causa, normalmente combinado com uns calções e pólo, e vestido sem meias. Já quem não fosse 'betinho', mas quisesse ou precisasse de vestir uns sapatos deste tipo, combiná-los-ia com umas calças de ganga de bom corte (ou calças semi-formais, embora não de fato) e um pólo ou camisa – o tipo de indumentária utilizado para eventos familiares, por exemplo. E se, tal como sucede com a maioria das peças em análise nesta secção, também os 'velas' acabaram por dar lugar a outras variantes do mesmo tipo de calçado – nomeadamente os 'moccassins' – é também inegável que, para toda uma geração de portugueses, os mesmos se afirmaram como parte icónica do processo de auto-descoberta típico da juventude, mais do que justificando a sua presença nesta secção.

Saturday, 27 July 2024

Sextas Com Style: A Amarras

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 26 de Julho de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


A natureza cíclica da moda tende a ser apercebida, sobretudo, de um contexto mais técnico, centrado em aspectos ligados à manufactura, como estilos, padrões, cortes e têxteis; no entanto, uma outra vertente deste paradigma prende-se com as marcas em si, as quais podem, no espaço de poucos anos, ir dos píncaros da popularidade ao quase total esquecimento, seja por falta de visibilidade ou, simplesmente, por as suas peças darem lugar, nas prateleiras e expositores das lojas, a artigos das suas 'sucessoras'. A marca de que falamos neste 'post' foi vítima de ambas essas situações, e, embora nunca tenha desaparecido totalmente do mercado, é hoje associada sobretudo com épocas passadas, nomeadamente com os últimos vinte anos do século XX. Falamos da Amarras, a marca pan-ibérica (as peças são criadas em Espanha mas fabricadas em Portugal) que, a partir do início dos anos 80, trouxe o mundo dos desportos náuticos para o domínio popular, através, principalmente, da sua icónica linha de 'sweat-shirts', as quais, para determinadas demografias, estão ao mesmo nível das camisas da Sacoor, das t-shirts da Quebramar ou das 'sweats' da No Fear.


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Fundada em 1978, no Bairro de Salamanca, em Madrid, Espanha (onde ainda hoje possui a sua loja principal) a Amarras logrou, durante os vinte anos seguintes, espalhar o seu símbolo por países tão distintos como o México, os EUA e, claro, Portugal, onde a concessão da manufactura das peças ajudava a facilitar a entrada e dispersão no mercado. E se a ligação à vela e ao remo conotava, de imediato, a marca com a infame sub-classe dos 'betinhos', a verdade é que nem por isso as peças da Amarras deixavam de ser desejáveis e cobiçadas de forma transversal pelas demografias jovens das gerações 'X' e 'millennial', para quem o símbolo da marca detinha alguma atractividade, ainda que sem chegar ao patamar das concorrentes acima citadas.


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A icónica 'sweatshirt' da marca, imutável até aos dias de hoje.


Nada dura para sempre, no entanto, e foi com naturalidade que o 'ciclo' da Amarras enquanto marca notável e popular se encerrou, dando lugar, ao longo dos primeiros anos do Novo Milénio, a novas 'grifes' prontas a conquistar tanto o mercado ibérico quanto o mundial. Para uma certa parcela da sociedade portuguesa, no entanto, aquelas cordas entrançadas com as letras em Arial Bold por baixo ficarão, para sempre, ligadas a 'sweat-shirts' propositalmente largas envergadas durante encontros com amigos ao fim de um dia de praia – o tipo de memória que nenhum ciclo de popularidade poderá, jamais, apagar, e que garante a esta e outras marcas um lugar permanente no coração dos 'trintões' e 'quarentões' portugueses dos dias que correm.

Saturday, 15 June 2024

Sextas Com Style: Trinta Anos de Salsa Jeans, Mais Uma História de Sucesso na Manufactura Têxtil Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 de Junho de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


O paradigma português de finais dos anos 80 e inícios da década seguinte – em que as importações eram ainda caras e difíceis de levar a cabo, e o mercado era consequentemente voltado, sobretudo, para o interior – criou condições ideais para o surgimento e rápida expansão de 'alternativas nacionais' aos mais populares produtos internacionais; e apesar de algum do sucesso de que estas companhias gozaram se dever, precisamente, à falta de alternativas, a verdade é que marcas como a Sanjo, a Parfois ou a Monte Campo se destacavam, também, por exibirem os elevados padrões de qualidade por que a manufactura portuguesa era (e continua a ser) conhecida, os quais lhes viriam a garantir o sucesso a longo prazo.


O mesmo se passava com a marca de que falamos neste 'post', a qual – tal como as duas congéneres e contemporâneas acima referidas – logrou manter-se activa e relevante, em maior ou menor medida, desde a sua criação até aos dias de hoje, e tornar-se nome de referência no sub-sector em que se insere. Falamos da Salsa, o grande nome português no mercado das gangas, sobre cuja criação se celebram este ano exactas três décadas, ao longo das quais a marca soube não só manter a sua posição no seio do mercado nacional como também levar a cabo um processo de expansão internacional que a viu penetrar em cerca de três dezenas e meia de países um pouco por todo o Mundo.


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Fundada no Norte do País, concretamente em Vila Nova de Famalicão, algures em 1994, a Salsa nasce a partir da iniciativa de três irmãos, António, Filipe e Beatriz Vila Nova, então donos de um negócio de tinturaria e limpeza a seco bastante reputado a nível local. Não contentes em limitar-se a esse nicho de mercado, os três familiares procuraram expandir o seu raio de acção ao campo da manufactura e distribuição de vestuário, concretamente calças de ganga. Pouco tempo depois, surgia pela primeira vez no mercado português o nome que rapidamente se tornaria quase tão popular quanto concorrentes internacionais como a Charro e a Guess, perfilando-se numa 'segunda linha' apenas atrás de grandes marcas como a Levi's ou Wrangler. A este rápido aumento de popularidade não terão estado alheios os preços algo mais acessíveis e atractivos dos 'jeans' da Salsa relativamente aos das suas principais concorrentes, em grande parte possibilitados pela manufactura local, por oposição ao 'outsourcing' levado a cabo pelas marcas internacionais.


Face a este franco e célere crescimento, não é de surpreender que, poucos anos após o seu aparecimento, a Salsa tivesse já direito a loja própria, no caso na zona do País de onde era oriunda (o Grande Porto), concretamente no NorteShopping, principal centro comercial daquela região. Não demoraria mais do que alguns meses, no entanto, até o número de lojas da marca em Portugal triplicar, com a Salsa a chegar aos outros dois grandes centros urbanos nacionais, Lisboa (com uma loja no então ainda recente 'shopping' Vasco da Gama, construído e inaugurado no âmbito da Expo '98, no ano anterior) e Braga (com abertura no Braga Parque).


A relativa popularidade destes três primeiros pontos de venda serviria, aliás, como mote para uma declarada tentativa de expansão nos primeiros anos do Terceiro Milénio, que veria a Salsa penetrar em mercados não só europeus (da inevitável Espanha à Irlanda, Bélgica, Luxemburgo, Croácia ou Malta) como também internacionais, incluindo alguns, à época, ainda emergentes, como o Qatar ou os Emiratos Árabes Unidos. O sucesso desta empreitada despertaria, por sua vez, o interesse do ubíquo Grupo Sonae, que, já na segunda década do século XXI, se tornaria dono de metade do capital da marca (então já da propriedade quase exclusiva de Filipe Vila Nova, detentor de 85% da empresa que fundara com os irmãos), avançando eventualmente para a aquisição total da mesma, já em 2020 – um sinal inequívoco de que, apesar de já não ter a expressão de que gozou outrora, a marca nacional por excelência no mercado das calças de ganga se mantém firme tanto dentro do mesmo como a nível internacional, onde continua a personificar a máxima de que 'o que é nacional é bom'...

Friday, 24 May 2024

Sextas com Style: As Sapatilhas de Ginástica

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre as actividades extra-curriculares disponíveis no Portugal de finais do século XX, a ginástica infantil ocupava, para grande parte da população, lugar de destaque. Ainda mais do que o 'ballet', equitação, natação, futebol ou artes marciais, era esta actividade unissexo e de claros benefícios tanto físicos como sociais que atraía muitos pais, e que rapidamente se tornava parte do quotidiano de inúmeras crianças pré-adolescentes. E quem, na infância, tenha frequentado mais do que uma única aula de ginástica, certamente se lembrará vivamente de se deslocar à loja de desporto mais próxima para adquirir as indispensáveis sapatilhas brancas ou pretas.


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De aspecto e 'design' algures entre as alpercatas, os sapatos de 'ballet' e os futuros 'best-sellers' da Vans, estas peças de calçado ofereciam muito pouco no tocante a moda ou 'style' – não se pondo sequer a hipótese de serem usadas para lá das quatro paredes do estúdio ou ginásio – mas, desde que compradas no tamanho certo (o que nem sempre era adquirido) ofereciam o conforto e mobilidade necessária para os pinos, rodas e cambalhotas da ginástica, ao mesmo tempo que ofereciam alguma protecção – embora não muita, como sem dúvida asseverará qualquer pessoa que tenha colocado mal um pé com elas vestidas.


Quando aliadas ao facto de estas peças de calçado serem infinitamente resistentes, recusando-se a 'morrer' mesmo após meses ou anos de uso semi-intensivo, estas qualidades faziam com que as sapatilhas de ginástica valessem bem o seu dinheiro – e continuem a valer, já que este tipo de sapato está longe de ter desaparecido do Portugal contemporâneo, ainda que a sua presença no mesmo seja significativamente mais reduzida do que outrora, devido à queda de popularidade da ginástica infantil em relação a outras modalidades. Ainda assim, quem tenha filhos com apetência para os saltos e cambalhotas certamente já terá dado por si a comprar pelo menos um par de sapatos deste tipo e, quiçá, a recordar um tempo em que os 'papéis' eram invertidos, e as sapatilhas eram para si...

Friday, 10 May 2024

Sextas com Style: A Colecção de T-Shirts do Carrefour (1995-96)

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, numa edição passada, falámos das icónicas colecções de t-shirts licenciadas da Zara de finais dos anos 90 e inícios de 2000, com temas que iam dos desenhos animados aos logotipos de bandas, e que 'vestiram' toda uma geração durante vários anos consecutivos. No entanto, ainda antes de a marca espanhola se estabelecer como a principal influenciadora da moda infanto-juvenil no tocante a camisolas de manga curta, já uma outra companhia estrangeira recém-chegada a Portugal se havia aventurado em algo semelhante, com considerável sucesso.


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Uma das mais icónicas t-shirts da linha em causa trazia os populares personagens da MTV, Beavis e Butt-Head.


Falamos do hipermercado Carrefour, o qual, em meados da década de 90, apresentou uma colecção de t-shirts para crianças e jovens capaz de cativar o seu público-alvo de forma semelhante ao que aconteceria com as da Zara, anos depois. Em comum com estas, a colecção do Carrefour tinha as licenças, entre as quais se contavam a marca de motocicletas Yamaha e o então mega-popular duo de bonecos 'metaleiros' da MTV, Beavis e Butt-Head, que 'davam a cara' numa das mais icónicas e memoráveis camisolas da linha. Ao contrário do que seria de esperar, no entanto, esta colecção não se alicerçava apenas nas licenças – pelo contrário, outra das mais bem-conseguidas t-shirts da gama trazia um tubarão estilo 'cartoon', que não destoaria numa camisola da No Fear ou Maui and Sons, mas que não pertencia a nenhuma das duas.


Estes 'designs' cuidados, aliados ao preço bastante mais convidativo do que o de uma t-shirt equivalente com logotipo de uma marca, tornaram natural o sucesso da linha do Carrefour entre o público-alvo, e até entre os 'mais crescidos', sendo bastante frequente ver miúdos e graúdos vestidos com camisolas da colecção por volta de 1995-96. Assim, e apesar de menos lembradas que as suas congéneres da Zara, estas camisolas não deixam, ainda assim, de merecer a nossa homenagem, já que, durante o seu breve apogeu, permitiram a muitos jovens portugueses iniciarem o fim-de-semana em grande Style...

Saturday, 6 January 2024

Sextas com Style: As Pantufas de Animal

NOTA: Este post é respeitante a Sexta, 04 de Janeiro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 80 e 90 foram palco de uma maior diversificação no tocante a calçado infanto-juvenil, e mesmo mais adulto. Sem terem abandonado todos os modelos clássicos de décadas anteriores – como as botas ou os ténis – os fabricantes de calçado nacionais e internacionais principiaram a injectar uma maior dose de originalidade nos seus sapatos, dando azo a peças tão icónicas quanto os famosos Converse da bandeira americana. No entanto, nem todas as mudanças e inovações tinham esse nível de mediatismo – pelo contrário, muitas surgiam sem grande 'alarido', mas acabavam por se tornar parte integrante do guarda-fatos da maioria dos jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.


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pantufa_infantil_pimpolho_antiderrapante_monstrinhDois exemplos bem típicos do tipo de calçado em causa.


Um dos melhores exemplos dessa tendência, e que continua a ser encontrado em sapatarias e lojas por esse Portugal fora até aos dias de hoje, são as pantufas de 'patas' ou de 'animais', talvez uma das mais famosas peças de vestuário 'de casa' junto da geração 'millennial', e que continua a reter um charme considerável até aos dias de hoje. Isto porque, por mais idade que se tenha, a ideia de meter os pés numas enormes patas de felino (ou cabeças de cão, ou qualquer que seja o motivo que as pantufas tentam emular) nunca deixa de ser apelativo, o que explica o porquê de serem, até hoje, lançados modelos actualizados deste tipo de sapato, e invariavelmente em tamanhos para adultos – bem como o facto de se verem, ainda, muitos 'crescidos' de ambos os sexos andarem com pantufas destas em casa durante os meses de Inverno.


Apesar da contínua actualização destes modelos ano após ano, no entanto, uma falha gritante continua por colmatar – nomeadamente o facto de estes sapatos terem solas de tecido, que se 'ensopam' ao mínimo contacto com uma superfície molhada e tornam o uso da pantufa extremamente desconfortável. Não fora esse pequeno mas significativo detalhe, e decerto estas pantufas teriam atingido estatuto ainda mais lendário, e feito parte do panteão dos calçados de 'elite' de finais do século XX e inícios do seguinte.

Friday, 24 November 2023

Sextas com Style: As Botas Panama Jack, 'Celebridades' Esquecidas do Mundo do Calçado

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, em diversas ocasiões, falámos de peças de calçado relevantes ou cobiçadas pela juventude portuguesa de finais do século XX, dos ténis Airwalk, Converse ou Redley às socas de plataforma, passando pelas botas Texanas, da Timberland ou Doc Martens, No entanto, existe ainda uma lacuna nesse elenco de sapatos e sapatilhas, o qual pretendemos, nesta edição da Sexta com Style, rectificar: chegou a altura de falar das botas Panama Jack.


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Exemplo moderno do modelo clássico da marca.


Tão populares e desejadas, em inícios dos anos 90, como qualquer dos calçados acima mencionados, as botas em causa afirmaram-se como uma espécie de antecessoras das posteriores Timberland e CAT, apresentando o mesmo tipo de 'design', algures entre uma bota 'de passeio' e um modelo mais 'todo-o-terreno'. Fabricadas, até aos dias de hoje, exclusivamente em Espanha (concretamente, na região de Albacete) não foi de todo de espantar que um dos primeiros países a acolher e popularizar estas botas (poucos anos após o seu aparecimento, ainda em finais da década de 80) tenha sido, precisamente, o 'outro' país ibérico, onde surgiam normalmente combinadas com calças de ganga da Levi's e camisas aos quadrados, sendo sobretudo associadas aos sectores mais 'bem-comportados' da juventude da época – ou seja, os chamados 'betinhos'. Ainda assim, a posse de umas botas desta marca não deixava de ser um sinal de estatuto entre esse grupo, tanto quanto outras peças de calçado o eram para as demais 'tribos urbanas'.


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O tradicional símbolo bordado da marca.


Tendo em conta essa popularidade, não deixa de ser surpreendente que as botas Panama Jack tenham, praticamente, desaparecido do panorama juvenil português no espaço de apenas alguns anos, a ponto de, por alturas do final da década, terem já sido totalmente suplantados pelas supracitadas sucessoras. Apesar dessa perda de preponderância, no entanto, a marca subsiste até aos dias de hoje, agora com um público mais 'de nicho', mas com 'designs' e qualidade sensivelmente iguais aos de outrora, permitindo a quem queira 'reviver' a sua juventude, pelo menos parcialmente, voltar a adquirir um par das botas que fizeram a sua felicidade em tempos idos de há três décadas atrás...

Friday, 10 November 2023

Sextas com Style: Os Jogos de Cama Infantis dos Anos 90

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de ficar apenas atrás da roupa interior e dos produtos de higiene na lista de posses pessoais mais íntimas, a roupa de cama é um elemento tão importante como qualquer outro para qualquer criança ou jovem, independentemente do período que habite – não só pelo prazer de se deitar entre os seus heróis (que contagia, inclusivamente, seres humanos mais velhos) mas também pela inevitável e irresistível vontade de mostrar os seus lençóis ou edredom com os 'bonecos da moda' a quaisquer amigos que possam eventualmente ser convidados lá para casa.


Os anos 90 não foram, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário, tendo-se limitado a dar continuidade à tendência, iniciada nas duas décadas anteriores, para a criação de roupa de cama e banho estampada com as principais propriedades intelectuais da época. No caso da última década do século XX, tal traduziu-se, essencialmente, no surgimento de lençóis, edredons e toalhas centrados em torno de personagens da Disney (fossem elas os tradicionais Mickey e Minnie ou as estrelas dos mais recentes filmes da companhia) ou de heróis tão ou mais populares, como as Tartarugas Ninja, os Power Rangers ou – mais tarde – os Pokémon.


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Algo muito semelhante a isto foi cobiçado lá por casa em inícios dos 90...


Escusado será dizer que quase todos estes produtos rapidamente se tornavam alvo de cobiça activa por parte do público-alvo, tendo quase garantido um alto volume de vendas, pelo menos enquanto cada uma das propriedades se mantivesse popular – um paradigma que, aliás, subsiste até aos dias de hoje, com alguns dos desenhos da época, inclusivamente, a resistir à passagem das 'modas', continuando a ser mais do que comum ver lençóis e edredons do Rei Leão, da Barbie ou do Homem-Aranha, entre outros.


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...e isto, certamente, também teria sido.


Qualquer 'millennial' que se preze saberá, no entanto, que não se limitava a esta vertente a roupa de cama infantil dos anos 90, sendo ainda mais comum ver jogos de cama estampados com carros, motas, ursinhos, coelhinhos ou simplesmente letras, alguns dos quais em elaborados desenhos que cobriam quase toda a superfície do lençol, enquanto outros surgiam mais pequenos e dispostos no tradicional mosaico que muita da referida geração associa, ainda hoje, à palavra 'lençol'. Fosse qual fosse a vertente vigente no respectivo quarto, no entanto (lá por casa, apostava-se, sobretudo, em padrões invulgares, embora os carros e o alfabeto também tenham marcado presença) a mesma formava parte importante da estética do quarto, contribuindo para dar à divisão o mesmo 'Style' que o seu dono ou dona tentava apresentar na vida quotidiana, fosse à Sexta ou em qualquer outro dia.

Friday, 13 October 2023

Sextas com Style: Coronel Tapiocca - Duas Décadas de Aventuras

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Os anos 90 e 2000 representaram o auge do interesse da juventude portuguesa (e mundial) nos desportos radicais e, por arrasto, de aventura. E se o skate, patins em linha, BMX ou 'surf' eram já quase dados adquiridos no que tocava ao sector infantil e adolescente, já actividades como a escalada, o 'rappel' e o montanhismo poderiam parecer menos imediatamente óbvias, mas a verdade é que não deixaram, ainda assim, de cativar os jovens lusitanos, com alguma ajuda de filmes como 'Assalto Infernal' ou 'Missão: Impossível 2'. Este interesse não tardou, também, a estender-se ao parâmetro da moda, e não demorou muito até os coletes, mochilas, calças e bolsas de cintura ou a tiracolo em tons de caqui e verde-seco ombrearem com as grandes marcas de 'surf' e 'skate' no armário do adolescente português médio.


Parecia, pois, a oportunidade perfeita para estabelecer no nosso País uma nova cadeia de lojas, especificamente dedicada a vestuário deste tipo, e para esta finalidade – e foi precisamente o que fez a espanhola Coronel Tapiocca (com um 'C' a mais, para evitar problemas legais, ainda que a mascote fosse descaradamente idêntica à do militar do mesmo nome da série de BD franco-belga 'Tintim'), que se encontrava precisamente em processo de expansão internacional, após se ter estabelecido como líder de mercado no seu país de origem. Os astros alinhavam-se, assim, para criar as condições perfeitas para aquela que viria a ser uma relação comercial de cerca de duas décadas entre o 'imitador' do coronel amigo de Tintim e os adolescentes portugueses com interesse em desporto-aventura.


Isto porque a referida loja era, numa fase inicial, um dos poucos locais onde se podiam adquirir produtos de marcas que começavam rapidamente a penetrar no universo da moda juvenil mais 'generalista', nomeadamente a ainda hoje popular Camel Active, além da sua marca própria; assim, e apesar dos preços muitas vezes proibitivos dos referidos produtos, a Tapiocca não tardou a encontrar o 'seu' público, tarefa auxiliada pela localização estratégica das suas lojas, em locais de alguma afluência e com alta percentagem de jovens, como as Avenidas Novas, em Lisboa, a Baixa da mesma cidade, ou ainda a famosamente afluente zona de Cascais.


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A fachada da loja da Baixa de Lisboa manteve o logotipo durante algum tempo depois de fechar.


Apesar deste auspicioso início, no entanto, a história da Coronel Tapiocca em Portugal acaba como tantas outras: com um declínio do interesse do público-alvo na sua área de especialização, consequente redução do volume de negócios, e consequente falência e retirada do mercado nacional, no dealbar da década de 2010. Durante algum tempo, restou ainda um mural na Baixa para servir como testemunho da presença da marca no nosso País; mais de uma década volvida, no entanto, nada resta do legado do Coronel, excepto as memórias de quem por lá passou, admirou os atraentes mas proibitivos produtos expostos na montra, ou chegou mesmo a ser cliente – às quais se juntam, agora, algumas singelas linhas neste nosso 'blog' nostálgico, à laia de contraponto às notícias sobre a falência da cadeia que compunham, até agora, o único registo 'cibernáutico' da mesma...

Friday, 18 August 2023

Sextas com Style (de Verão): As Sandálias de Praia

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os Verões dos anos 80, 90 e 2000 eram, normalmente, sinónimos com uma série de elementos, dos gelados da Olá às visitas a parques aquáticos ou férias no Algarve. O mundo da moda tão-pouco ficava imune a este tipo de iconografia, e a cada nova época estival podia esperar ver-se nos pés dos portugueses um sapato de formato, configuração e propósito muito específicos: a clássica sandália de tiras em plástico.


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Clássico para muitos, trauma de infância para outros tantos, e símbolo do Verão de toda uma geração.


À época tão ou mais difundidas do que os chinelos em plástico, e ainda hoje sobreviventes em muitas lojas de praia, em quase todas as cores possíveis e imagináveis, estas sandálias serviam, sobretudo, o propósito de proteger os pés de impurezas e outros perigos que supostamente espreitavam tanto na areia da praia como à beira-mar, sendo, nomeadamente, recomendadas como 'escudo' contra as picadas do temível peixe-aranha. Para muitos pais de finais do século XX, no entanto, o propósito deste tipo de calçado era, sobretudo, prático, já que o mesmo era totalmente lavável e, como tal, fácil de limpar após cada ida à praia, bastando colocar o pé debaixo de qualquer chuveiro, fonte ou mangueira para lhe tirar a areia. Já muitas crianças tendiam a achar estas sandálias desconfortáveis, sobretudo devido às tiras em plástico - que queimavam e se colavam ao pé em tempo muito quente ou quando molhadas - e à fivela ajustável que, muitas vezes, deixava o sapato ou demasiado largo ou demasiado apertado, a ponto de deixar marca na pele.


Para quem conseguia ultrapassar estas pequenas inconveniências, no entanto - ou tinha a sorte de ter um pé a que o sapato coubesse sem grandes 'celeumas' - este tipo de calçado será, ainda hoje, um ícone do período de infância, talvez mesmo comprado para os respectivos filhos; para os restantes, constituirá algo mais próximo de um trauma. Seja qual for o caso, no entanto, poucos portugueses da geração 'millennial' negarão que as sandálias em causa constituem um ícone da moda estival do século XX, bem merecedor de figurar nesta nossa rubrica.

Friday, 9 June 2023

Sextas com Style: Os Casacos de Malha Compridos

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de os artigos de vestuário e acessórios lisos, ou de padrões mais discretos e menos declarados, serem universalmente considerados intemporais, tal nem sempre é verdade, já que o padrão está longe de ser o único factor que dita se uma peça está ou não 'na moda'; de facto, há também que considerar aspectos como o corte e o próprio 'design' da peça, que, como tudo o que respeita a moda, são cíclicos - as calças à boca de sino, por exemplo, estão neste momento a gozar de um regresso à 'berra', vinte a vinte e cinco anos depois de terem sido o supra-sumos da moda adolescente feminina.


Serve este ponto prévio para justificar a presença nestas páginas de um tipo de peça que muitos verão, certamente, como intemporal, mas que quem foi jovem (concretamente, adolescente) por alturas da viragem do Milénio certamente associará com aqueles anos de escola e auto-descoberta, seja por uma ter constado do seu próprio guarda-roupa, ou por a ter visto ser usada pelas colegas de turma ou de escola.


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Falamos do casaco de malha tricotada, comprido (no mínimo, até aos joelhos) e, normalmente, de uma cor escura, como verde, castanho ou antracite, com um ligeiro jaspeado aqui e ali, peça fulcral e fundamental do estilo quotidiano de uma certa demografia mais virada para o chamado movimento 'alternativo', mas que encontrava também alguma tracção entre as chamadas 'betinhas', embora nesse caso, normalmente, em tons mais claros.


Ou seja, uma peça agregadora no que toca a 'tribos' urbanas jovens, mas não necessariamente intemporal, apesar de se terem visto vários regressos da mesma ao longo das duas décadas subsequentes. E apesar de, actualmente, a mesma se encontrar na fase negativa do ciclo (por outras palavras, 'fora de moda') não será, de todo, de admirar que essa situação mude nos anos ou até meses mais próximos – afinal, o ciclo da moda tem a duração média de duas décadas, o que coloca esta peça (entre outras) na 'linha da frente' para um triunfal regresso entre as demografias mais jovens. Até lá, no entanto, é mesmo a geração que os usou originalmente que vai mantendo 'vivos' estes casacos tão em voga no tempo em que a mesma andava na escola.


 

Friday, 17 March 2023

Sextas com Style: As Jardineiras

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Mesmo sendo um dos artigos de vestuário mais intemporais e universais alguma vez criados, as calças de ganga não são, ainda assim, imunes a flutuações e variações derivadas da moda – antes pelo contrário. Para além dos cortes, que mudam consoante as tendências da estação, também o próprio formato das calças 'entra e sai' de moda, sendo relativamente fácil identificar a era temporal de um par de 'jeans' apenas com base neste mesmo elemento. E se os finais da década de 90 e inícios da seguinte foram a era por excelência das calças largas e à boca de sino, os anos anteriores viram surgir e popularizar-se um outro tipo de 'jeans': as icónicas jardineiras.


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Ainda hoje utilizadas pelas suas demografias original (as crianças pequenas, os trabalhadores manuais e as mulheres grávidas) as jardineiras tornaram-se, nos anos 90, parte do 'estilo' de um outro sector da sociedade – nomeadamente, a das adolescentes do sexo feminino, que as incorporaram nos seus 'looks' mais casuais e desportivos, e fizeram delas um dos mais icónicos símbolos da moda dos anos 90, sendo que quem foi da idade certa durante a última década do século XX e primeiros anos do Novo Milénio certamente se lembrará de ter usado (ou visto as familiares ou colegas de turma usar) calças deste tipo, normalmente com uma das alças (ou até ambas) desabotoadas e a pender pelas costas abaixo, e combinadas com ténis All-Star, Airwalk ou até socas plataforma.


O atractivo deste tipo de calças era, aliás, óbvio, já que as mesmas aliavam a versatilidade à practicidade e conforto (visto muitos dos modelos serem 'largueirões', eliminando a principal razão de queixa de muitos relativamente às gangas), podendo ser usadas numa grande variedade de situações informais ou semi-informais sem nunca parecerem deslocadas ou de alguma forma impróprias – desde que o artigo em causa fosse de bom corte e estivesse bem tratado, bem entendido.


Tal como a maioria das outras modas que abordámos em edições passadas desta rubrica, também as jardineiras tiveram a sua época, sendo hoje codificadas como elemento de um estilo declaradamente 'vintage', e especificamente associado aos anos 90. A tendência cíclica da moda dita, no entanto, que estas icónicas calças de ganga venham, num futuro muito próximo, a estar novamente 'na moda', e a conquistar o coração de toda uma nova vaga de adolescentes; até lá, o espírito das jardineiras continuará a ser perpetuado pelos públicos para que foram originalmente concebidas...

Friday, 7 October 2022

Sextas com Style: 'Aquela' T-Shirt dos Anjinhos da Fiorucci

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Desde o início desta rubrica, temos vindo a recordar artigos que marcaram época na moda infanto-juvenil e adolescente dos anos 90, das bolsinhas para trocos às 'sweats' da Gap, Quebramar, No Fear e Mad = Bad, camisas da Sacoor, fatos de treino de cores berrantes (ou daqueles com calças às riscas), blusões da Duffy, ou simples meias brancas com raquetes, entre muitos outros.; esta semana, chega a vez de abordar um item que, apesar de mais esquecido do que qualquer dos atrás mencionados (ou de outros aos quais chegaremos, como as calças Levi's) não deixou, ainda assim, de fazer sucesso entre o público feminino português (adolescente e não só) da primeira metade da década.


AngelsTee_White_Product.jpgFalamos da clássica t-shirt dos dois 'anjinhos', lançada pela, até então, pouco expressiva marca italiana Fiorucci, e que teve sem dúvida papel preponderante na popularização da mesma junto das portuguesas, ainda que apenas temporariamente, já que, por alturas de meados da década, já ninguém vestia ou se lembrava desta peça. Ainda assim, apesar de significativamente menos intemporal do que qualquer dos artigos citados no início deste texto, esta camisola, cuja estampa se limitava a apresentar duas anjinhas querubins, uma loira e uma morena, por cima do nome da marca, não deixou de ter um impacto e popularidade consideráveis durante os seus 'cinco minutos de fama' – tanto assim que é possível, hoje em dia, encontrar diversas variações e variantes sobre o tema, tanto de responsabilidade da própria Fiorucci como, presumivelmente, de índole menos oficial (como se assume ser o caso daquela variação que mostra as duas anjinhas de óculos escuros, como que a tentar demonstrar a atitude 'radical' com a qual a última década do século XX é, ainda hoje, conotada.


E apesar de não haver muito mais a dizer sobre esta simples t-shirt de algodão estampada, hoje algo esquecida no contexto da moda portuguesa dos anos 90 (apesar de ainda ser comercializada em larga escala pela própria Fiorucci, talvez para tentar capitalizar sobre a actual propensão social para a nostalgia), a verdade é que a mesma acabou mesmo por marcar época entre certo segmento da sociedade portuguesa, merecendo por isso as breves linhas que lhe acabam de ser dedicadas.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...