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Tuesday, 15 September 2026

Domingo Desportivo: Trinta Anos de Futebol Feminino Profissional em Portugal

 NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 13 de Setembro de 2026.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar da maior representatividade de que gozou nos últimos anos, o futebol feminino foi – ao contrário de outras modalidades, como o voleibol – parente muito distante e algo ignorado do congénere masculino, com muitos países a demorarem décadas a 'abraçar' o desporto-rei 'de saias'. Um desses países foi Portugal, onde o mais antigo campeonatos nacional feminino desta modalidade – a Taça Nacional Sénior - completa este ano apenas três décadas de vida.

Hoje segundo escalão do FutFem nacional, a Taça Sénior começou por ser a única competição disputada em Portugal, estatuto que manteria durante quase duas décadas, até à criação do Campeonato Nacional, em 2013-14. Assim, quem nos anos 90 e 2000 quisesse ver a 'nata' do futebol feminino mais não tinha do que escolher entre um dos doze jogos semanais, embora a visualização do mesmo fora do próprio estado se pudesse revelar complicada, dada a falta de cobertura.

Logo desde os primeiros campeonatos, ficou claro quem seria a equipa hegemónica dessa primeira meia-década, com o GCD Del Negro a conquistar 'sem espinhas' os quatro primeiros campeonatos da modalidade alguma vez disputados em Portugal; curiosamente, no entanto, essa agremiação concederia, no final da década, a hegemonia ao Benfica, ganhando apenas mais dois títulos até aos dias de hoje (os quais fazem dela, ainda assim, a equipa mais condecorada da competição.) Seriam, pois, as 'águias' a dominar os anos 2000, sagrando-se tetracampeões e ganhando um total de cinco campeonatos durante esse período, antes de a fasquia competitiva nivelar e deixar de haver claros favoritos.

Hoje em dia, tal como referimos, a Taça Nacional Sénior cedeu o protagonismo ao Campeonato Nacional de Futebol Feminino; os amantes de 'longa data' da modalidade não esquecerão, no entanto, esta pioneira prova, hoje relegada para 'segunda divisão', mas sem a qual o desporto-rei no feminino talvez nunca tivesse chegado a desabrochar em Portugal.

Sunday, 23 November 2025

Domingo Desportivo: Uma Contratação 'Tote'-almente Falhada

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


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À entrada para a época 1999/2000, o Benfica vivia uma das suas muitas revoluções da era Vale e Azevedo. Graeme Souness tinha acabado de ser despedido, após uma das piores épocas da História das 'águias', e para o seu lugar havia sido escolhido outro estrangeiro, o alemão Jupp Heynckes, que se via forçado a fazer 'omeletes sem ovos', e a montar uma equipa à sua imagem com um orçamento de transferências irrisório. Assim, as contratações mais sonantes da época (curiosamente, ambas de origem espanhola) chegariam, respectivamente, a custo zero (Chano) e por empréstimo (Tote). E se o primeiro conseguiu deixar marca na equipa 'encarnada', o segundo não chegaria a efectuar uma dúzia de aparições durante a única época que passou na Luz, sendo recordado hoje em dia mais pela peculiar alcunha do que por qualquer outra razão.


E a verdade é que Jorge López Marco tinha tudo para vingar em Portugal, já que havia sido formado num 'galáctico' Mundial, no caso o Real Madrid, e era presença constante nas suas equipas secundárias. No entanto, por alguma razão, o espanhol (então apenas com vinte anos) não convenceu Heynckes, tendo sido utilizado pouquíssimas vezes durante a temporada, ao longo da qual, 'tapado' por Nuno Gomes, ainda lograria marcar três golos. No entanto, seria na Segunda Divisão espanhola que verdadeiramente se afirmaria (já depois de se ter sagrado campeão da La Liga, tendo três aparições pelos 'blancos' sido suficientes para lhe garantir esse estatuto), tendo sido 'histórico' do modesto Hércules, pelo qual contabilizou quase duzentos jogos ao longo de seis temporadas, e pelo qual jogava quando 'pendurou as botas'.


Para os adeptos portugueses, no entanto, o nome do espanhol não passará de mais um daqueles que, ao serem mencionados, suscitam uma reacção do tipo 'eisssh, o Tote!', e vagas recordações do cromo na caderneta da Panini. Ainda assim, por pouco que tenha sido o seu impacto no futebol português, o avançado merece uma nota de parabéns no dia em que completa quarenta e sete anos de idade, e após uma carreira perfeitamente honrosa – apenas não na Primeira Divisão portuguesa...

Sunday, 8 June 2025

Domingos Desportivos: Lendas da I Divisão - O 'Outro' António Oliveira do Benfica

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Independentemente de quaisquer preferências clubísticas, há que reconhecer que o Sport Lisboa e Benfica teve, nos anos 80 e inícios de 90 (antes do início da década de hegemonia do Futebol Clube do Porto) uma série de grandes equipas, com nomes que se viriam a tornar símbolos do futebol em Portugal, e a estabelecer carreiras não menos honrosas em cargos técnicos após 'pendurarem as botas'. De facto, a profundidade dos plantéis dos 'encarnados' durante esta época fazia com que mesmo os jogadores menos 'notáveis' das equipas das águias lograssem atingir os píncaros do desporto-rei em Portugal, e estabelecer-se como nomes sonantes dos campeonatos nacionais até mesmo após o seu período áureo. É precisamente, esse o caso com o jogador de que falamos este Domingo, por ocasião do seu sexagésimo-sétimo aniversário, e que foi 'grande' não só do Benfica, como também de dois outros históricos do futebol nacional.


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Nascido na vila da Moita, na Margem Sul do Rio Tejo, e formado no 1º de Maio Sarilhense e no Rosairense, António Henriques Fonseca de Jesus Oliveira (conhecido apenas pelo seu último apelido) iniciou a carreira sénior no clube hoje conhecido como Fabril do Barreiro, que na altura (finais dos anos 70) adoptava a denominação de duas das principais unidades industriais da área. Ali jogaria por quatro anos, sempre como peça importante no seio da defensiva (ocupando a extinta posição de líbero) até almejar dar um 'salto' considerável – directamente para a então chamada Primeira Divisão nacional – ao ser contratado pelo Marítimo, em 1982.


Durou apenas uma época a primeira experiência de Oliveira no Arquipélago da Madeira, no entanto, já que, após uma boa época, o líbero era sondado e contratado pelo Benfica, subindo assim mais um patamar na sua carreira sénior. E a verdade é que, ao contrário do que é habitual, a camisola não 'pesou' ao defesa, que, ao longo dos seus quatro anos de águia ao peito, se viria a afirmar como peça importante (sendo titular quase indiscutível em duas das temporadas que passou na Luz) e a contribuir para dois títulos de campeão nacional, três Taças de Portugal e uma Supertaça.


Seria, também, durante esta fase da sua carreira que Oliveira lograria atingir a honra máxima, ao ser convocado para a Selecção Nacional portuguesa, primeiro para um particular frente ao Brasil, em Coimbra (no dia do seu vigésimo-quinto aniversário, portanto, há exactos quarenta e dois anos) e depois para disputar o Mundial de 1986, onde participaria em todos os apenas três jogos da equipa das Quinas. No total, o jogador viria ainda a somar mais cinco internacionalizações ao longo da sua carreira, a última das quais no âmbito da qualificação para o Mundial de Itália '90, já depois de ter deixado o Benfica para representar, novamente, os verderrubros insulares do Clube Sport Marítimo, aos quais regressaria em 1987, e com os quais veria, ainda, o dealbar da última década do século XX.


Haviam decorrido apenas alguns meses do ano de 1990, no entanto, quando Oliveira deixava pela última vez o Estádio dos Barreiros para rumar mais uma vez ao continente, desta vez a Aveiro, 'casa' da última equipa que viria a representar como profissional. Ao serviço do Beira-Mar, o libero (tornado defesa-central com a extinção táctica da posição) faria ainda quatro épocas, sempre como peça-chave quase indiscutível, antes de 'pendurar as botas' a nível profissional (representaria ainda, a nível amador, os veteranos de ainda outro histórico, o Clube Sport Campomaiorense, que, anos depois, viria a ser o adversário do Beira-Mar na final da Taça de Portugal de 1998-99) aos trinta e seis anos de idade,


Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos (incluindo um seu homónimo, também jogador do Benfica), 'este' António Oliveira não transitou, após a conclusão da carreira, para qualquer cargo técnico, preferindo ser lembrado apenas como esteio defensivo do Benfica numa das suas melhores épocas, e 'colega' mais discreto de Bobó, Chalana, Rui Águas, Bento, Silvino e outros nomes lendários das 'águias' lisboetas. Só esse estatuto, no entanto, já lhe outorga o estatuto de 'lenda' da Primeira Divisão, o qual é cimentado pelas suas passagens pelos outros dois clubes do principal escalão que representou, sempre de forma honrada e honrosa. Razão mais que suficiente, pois, para lhe dedicarmos esta 'prenda de anos', restando-nos desejar-lhe as maiores felicidades, e que conte ainda muitos mais anos felizes de vida.

Sunday, 10 November 2024

Domingo Desportivo: Sergei Ovchinnikov - O 'Agente Duplo' Que Veio do Frio

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Já aqui anteriormente falámos de alguns dos nomes constantes da restrita lista de desportistas que representaram dois ou mais clubes 'grandes' do futebol português durante os anos 90 e 2000. E se alguns destes - como Sergei Yuran, Kulkov, Edmilson, Mário Jardel, Drulovic, Zahovic, João Vieira Pinto ou Izmailov - almejariam fama e glória em ambos os emblemas em causa, no entanto, outros tantos seriam, numa fase inicial, 'ignorados', ou utilizados como opção de recurso, para depois virem finalmente a explanar o seu potencial num dos dois 'rivais' do seu primeiro clube. Foi o caso de nomes como Nuno Valente ou o jogador que celebramos hoje, no dia do seu quinquagésimo-quarto aniversário: o guarda-redes russo Sergei Ovchinnikov.


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Ovchinnikov ao serviço do primeiro dos dois 'grandes' portugueses que representou...


Chegado a Portugal no defeso de Inverno de 1997-98, Ovchinnikov aterrava em Lisboa, para representar o Benfica, já com a 'tarimba' de nada menos do que seis épocas e meia como dono e senhor da baliza do Lokomotiv de Moscovo, à época um clube de razoável dimensão no contexto europeu, bem como de 'dono' da baliza da Selecção russa, com a qual disputara o Campeonato Europeu em Inglaterra, seis meses antes. Em Lisboa, no entanto, o guardião deparava-se com um problema 'bicudo' – nomeadamente, o facto de a baliza dos 'encarnados' estar entregue ao incontornável Michel Preud'Homme, que disputa com Schmeichel o título de melhor guarda-redes a actuar em Portugal na era moderna, e cuja longevidade entre os postes da Luz é ainda hoje lendária.


Na sua primeira época fora do eixo da Europa de Leste, Ovchinnikov não iria, pois, além das nove presenças com a camisola das 'águias' lisboetas, um número que se viria a duplicar na temporada seguinte, sem que, no entanto, o guardião internacional russo se lograsse estabelecer como primeira opção da equipa da capital. Foi, pois, com naturalidade que o internacional russo procurou outros 'vôos' na época seguinte, tendo a solução passado por dar um 'passo atrás' e assinar pelo histórico Alverca – curiosamente, à época, o principal satélite do clube de onde Ovchinnikov era oriundo.


E se, na maioria dos casos, uma decisão deste tipo significaria o fim de uma carreira ao mais alto nível, para Ovchinnikov, esta representou precisamente o contrário; seguindo a máxima de 'dar um passo atrás para dar dois à frente', o guardião russo iniciaria em Alverca a sua 'remontada', a qual o veria afirmar-se como primeira opção para a baliza dos ribatejanos e, após uma temporada a bom nível, ser sondado por outro 'grande' português, no caso o representante nortenho, por quem assinava no primeiro defeso de Verão do século XXI. E enquanto que, em Lisboa, Ovchinnikov se vira 'tapado' por um histórico indiscutível do clube, na Cidade Invicta, o jogador não teve quaisquer problemas em se afirmar como titular da baliza azul e branca, amealhando mais de sessenta e cinco presenças pelos portistas ao longo dos dezoito meses seguintes, e conquistando uma Taça de Portugal (frente ao Sporting) e uma Supertaça (frente ao Boavista). Em falta ficou, apenas, o campeonato, que seria ganho, pela segunda vez em três anos, pelo Sporting.


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...e do segundo.


Quando tudo parecia, finalmente, ir de vento em popa para Ovchinnikov em Portugal, no entanto, eis que surge uma proposta irrecusável para voltar à 'casa-mãe', em Moscovo. O guardião não hesitou, naturalmente, em tirar partido desta oportunidade, voltando assim a ocupar o lugar que deixara vago meia década antes, o qual não voltaria a largar durante as quatro épocas e meias seguintes, até à transferência para o rival Dínamo, onde se formara e iniciara a carreira sénior, em finais dos anos 80, mas onde, desta feita, não almejou mais do que a condição de suplente. (Curiosamente, se tivesse optado por ficar no Porto, o russo teria quiçá feito parte da equipa de José Mourinho que 'tomou de assalto' as competições europeias em meados da década de 2000.) Pelo meio, ficava ainda um 'reencontro' com os portugueses, no âmbito do Euro 2004, onde beneficiaria a Selecção do seu 'país adoptivo' ao jogar a bola com a mão fora da área, acção que lhe valeu a expulsão do jogo entre Rússia e Portugal, a contar para a fase de grupos do certame.


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O momento da expulsão frente a Portugal, no Euro 2004.


Para além desta atribulada mas honrosa carreira nos relvados, Ovchinnikov faz, ainda, parte da enorme lista de ex-jogadores que enveredam por cargos técnicos após 'pendurarem as botas'. No caso do guardião russo, há a assinalar passagens pelo 'seu' Lokomotiv (como treinador de guarda-redes), pelos Dínamos de Kiev (como assistente) e Minsk (como treinador principal), pela Selecção Nacional russa (onde foi, novamente, responsável pelo treino de guarda-redes) e, mais recentemente, pelo CSKA, onde ocupou a posição principal do banco durante nada menos do que seis temporadas, entre 2014 e 2020. Desde então, o ex-futebolista parece ter-se retirado dos 'palcos' do desporto-rei, presumivelmente para 'gozar' a reforma, tendo já deixado um considerável legado em duas frentes distintas, e o seu nome impresso na História do futebol não só do seu país natal, mas também de uma pequena nação no extremo exactamente oposto da Europa. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 15 September 2024

Domingo Desportivo: Em Memória de Sven-Goran Eriksson (1948-2024) - Um Cavalheiro No Brutal Mundo do Futebol

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


No futebol, como em qualquer ramo profissional, existem figuras incontornáveis, de que qualquer adepto, de qualquer época da História, terá pelo menos ouvido falar. A grande maioria delas são, logicamente, jogadores; no entanto, existem também pelo Mundo fora muitos e variados exemplos de personalidades que, sem terem brilhado dentro de campo, se destacaram com louvor do 'outro lado' das quatro linhas, como técnicos ou treinadores. Uma dessas figuras – uma das maiores, ao nível de um Alex Ferguson – foi um simpático e invariavelmente educado sueco que, em meio a uma carreira nada menos que ilustre, acabou por 'tocar' também os adeptos portugueses com a sua cortesia e carisma. Falamos, claro, de Sven-Goran Eriksson, três vezes campeão nacional pelos encarnados do Benfica, cuja morte devida a cancro do pâncreas, há cerca de três semanas, deixou um vazio pronunciado nos meandros do desporto-rei. Este Domingo Desportivo não poderia, pois, deixar de constituir um epitáfio a um dos grandes nomes da História do futebol, através de uma retrospectiva da sua breve mas marcante passagem por Portugal.


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Um jovem Eriksson com duas outras lendas do Benfica, Toni e Eusébio.


Chegado ao Benfica já com louros de campeão sueco e vencedor da Taça da Suécia e Taça UEFA ao serviço do Gotemburgo. Em Portugal, os excelentes auspícios deixados por esse início de carreira técnica – após discreta carreira dentro das quatro linhas, nos anos 60 e 70 – vir-se-iam não só a confirmar como a ampliar, com Eriksson a levar o Benfica ao bi-campeonato nas suas duas épocas como técnico, em 1982-83 e 1983-84, tendo também assegurado a Taça de Portugal na primeira das duas, na qual atingiu ainda os quartos de final da então chamada Taça das Taças.


Era, pois, em glória que o treinador sueco saía para Itália, no defeso de Verão do ano de 1984, naquela que acabaria por ser a mais discreta fase da sua carreira, com passagens 'sem história' por Roma e Fiorentina a culminarem no regresso a Portugal, onde o seu antigo clube o acolheu de braços abertos, radiante por poder novamente contar com tão histórica figura no comando. E a verdade é que, nesta segunda passagem pelos campeonatos nacionais, Eriksson voltou a ser feliz, adicionando mais um título de campeão ao seu currículo, em 1990-91, além da Supertaça conquistada no ano anterior. Uma última época menos bem conseguida não manchava a reputação do treinador, que, no final da temporada 1991-92, rumava novamente a Itália, desta vez para uma experiência algo mais positiva, com conquistas várias ao serviço da Sampdoria e Lazio, com quem se sagraria campeão italiano nos primeiros meses do Novo Milénio. Daí, o percurso do treinador levá-lo-ia a Inglaterra, onde também chegou a ser ídolo - dando mesmo a cara e nome a um 'clone' de Championship Manager lançado para PC e PlayStation - e depois à China, país onde viria a encerrar a carreira em 2017, ao serviço do Shenzen.


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Com antigos colegas e jogadores durante uma homenagem no Estádio da Luz.


Apesar de nunca ter voltado a Portugal, no entanto, o sueco nunca deixou de ser calorosamente recordado pelos adeptos nacionais – sobretudo, mas não apenas, do Benfica – pelo seu conhecimento táctico, espírito de vitória, desportivismo e cordialidade, e por ser um 'gentleman' 'à moda antiga' – aspectos que vão já escasseando (e que fazem falta) não só no desporto-rei como na sociedade em geral. Que descanse em paz.

Sunday, 19 May 2024

Domingo Desportivo: A Tragédia do Jamor (Em Memória de Rui Mendes 1960-1996)

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


O objectivo desta rubrica – tal como das restantes que compõem o blog – passa, normalmente, pela 'repescagem' de elementos e experiências positivas que faziam parte do Portugal dos anos 90 e inícios de 2000; no entanto, ocasionalmente, é também necessário recordar efemérides menos agradáveis, mas que deixaram ainda assim marca indelével na década em causa, bem como nas subsequentes, como foram o caso Aquaparque ou a tragédia de cariz desportivo que recordamos este Domingo, escassas vinte e quatro horas volvidas sobre o seu vigésimo-oitavo aniversário. Falamos, claro está, da morte de um adepto do Sporting como consequência da explosão de um artefacto pirotécnico, em pleno Estádio do Jamor, durante o 'derby' a contar para a final da Taça de Portugal entre os 'leões' e os rivais da Segunda Circular, a 18 de Maio de 1996.


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O momento da tragédia, captado pelas câmaras televisivas presentes no estádio.


Estavam decorridos apenas dez minutos da partida quando, como forma de celebrar o golo inaugural marcado por Mauro Airez, um membro da claque organizada benfiquista 'No Name Boys' lança um 'very light', um tipo de foguete já então proibido por lei em áreas habitadas. Não contente com essa violação da lei, Hugo Inácio decidiu fazer 'pontaria', não para o ar, mas para a bancada Sul do estádio, onde se encontravam os adeptos do Sporting, num gesto deliberado que terminaria com a morte de Rui Mendes, de trinta e seis anos.Um crime de assassinato que deveria ter feito parar o jogo, mas ao qual não foi dada, no momento, a devida importância, tendo a partida continuado, com eventual resultado de 3-1 a favor do Benfica, e respectiva consagração como vencedor da competição – uma decisão que causou, e continua a causar, polémica, sobretudo entre adeptos dos 'leões' que sentem que a perda da vida de Mendes foi trivializada pelo prosseguimento da partida.


De facto, só mais tarde a FPF viria a mostrar solidariedade para com a família do adepto falecido, doando dez por cento da receita bruta de um jogo da Selecção Nacional para ajudar às despesas da mesma, já depois de o Sporting ter custeado na íntegra o funeral. Já Hugo Inácio viria a ser detido e a cumprir quatro anos de prisão, naquela que foi a primeira de muitas passagens do adepto pela prisão em anos subsequentes – pena que parecia pouca para o crime de homicídio qualificado, num desfecho que, novamente, revoltaria os sportinguistas. Quanto aos adeptos rivais, os mesmos incorporariam, a partir desse dia, um novo som à sua panóplia de cantos e palavras de ordem – um assobio a simular um foguete, ainda hoje ouvido em qualquer partida frente ao Sporting, numa 'picardia' de inequívoco mau gosto, que trivializa ainda mais uma tragédia perfeitamente evitável, e dá a entender que os No Name Boys tiveram orgulho no sucedido – uma ideia quase grotesca de tão revoltante.


Aquele que muitos consideram, justificadamente, o dia mais negro do desporto português acabou, ainda assim, por ter alguns (pequenos) efeitos positivos, nomeadamente a imposição de controlos muito mais restritos sobre a pirotecnia no contexto de jogos dos campeonatos portugueses, por forma a assegurar que tal situação nunca mais se repetisse; há, ainda, que ressalvar o facto de o ataque em causa ter vitimado apenas um adepto, e adulto. numa bancada onde se encontravam inúmeras crianças, podendo a acção deliberada do elemento da claque benfiquista ter tido um desfecho ainda muito pior. No entanto, a verdade é que nenhum destes factos ajudará a trazer de volta à vida Rui Mendes, mártir de uma paixão que, por vezes, assume contornos bem negros. Que continue a descansar em paz, e que nunca seja esquecido.


Sunday, 1 October 2023

Domingo Desportivo: Kulkov, o 'Outro' Russo Vira-Casacas

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Apesar de pouco comum – e invariavelmente vista com desagrado por adeptos do clube 'lesado' – a transição directa jogadores entre 'grandes' portugueses não deixa, ainda assim, de ser uma realidade. Mesmo deixando de parte aqueles que regressam após uma aventura falhada no estrangeiro (como Simão Sabrosa, Quaresma ou Jardel, entre outros) não é difícil nomear jogadores que passam de um dos três principais emblemas portugueses para outro, por vezes apenas 'atravessando a estrada', outras enfrentando as três horas de viagem que ligam Lisboa ao Porto. Desse lote, já abordámos, nesta mesma rubrica, nomes como Zahovic, João Pinto ou Sergei Yuran; agora, e no rescaldo de mais um 'derby' entre Benfica e Porto, chega a altura de juntar mais um nome a essa lista, pertencente a um futebolista que representou, precisamente, esses dois clubes, durante as suas respectivas fases hegemónicas nos anos 90. Falamos de Vasili Sergeyevitch Kulkov, o 'tampão' russo que, ao lado dos conterrâneos Mostovoi e Yuran, foi figura maior do Benfica de inícios daquela década, antes de se juntar a este último na viagem para Norte, para se tornar mais um dos muitos defesas 'feios, porcos e maus' daquela fase do Futebol Clube do Porto.


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O jogador com as duas camisolas com que se notabilizou em Portugal.


Chegado a Portugal com vinte e cinco anos, durante o defeso de Verão da época 1991-92, ao mesmo tempo do que o supra-mencionado Yuran e um ano antes de Mostovoi, Kulkov contava já com créditos firmados em vários clubes da sua terra natal (entre eles o 'gigante' Spartak de Moscovo) Kulkov viria a passar as quatro temporadas seguintes em Portugal, primeiro como parte importante da equipa do Benfica – que ajudaria a passar às meias-finais da Taça dos Vencedores das Taças de 1994, com dois golos memoráveis frente ao Bayer Leverkusen, num mirabolante e histórico resultado final de 4-4 – e depois ao serviço do Porto, onde passaria apenas uma época, mas celebraria o título de campeão nacional que lhe escapara durante a estadia em Lisboa. No total, seriam cerca de cento e quinze jogos (quase oitenta dos quais ao serviço do Benfica), e quinze golos, que ajudariam a tornar o polivalente defensivo (tanto jogava a 'seis' como a central) num dos mais memoráveis nomes a jogar em Portugal na altura.


Após a bem-sucedida 'traição', semelhante à do conterrâneo Yuran, Kulkov voltaria a 'casa', para alinhar no 'seu' Spartak, onde ficaria até 1997, após uma tentativa falhada de empréstimo ao Millwall, de Inglaterra, onde passaria apenas seis meses sem nunca se conseguir adaptar. Seguir-se-iam duas épocas como parte importante do plantel do Zenit de S. Petersburgo e uma passagem perfeitamente anónima pelo Krilja Sovetov, antes de o ex-internacional russo (que somou um total de 42 presenças entre URSS, CIS e Rússia propriamente dita) decidir regressar ao seu 'outro' lar, rumando novamente a paragens lusitanas para alinhar num dos satélites do seu antigo clube, o Alverca, onde 'passa' o Milénio e consegue ainda honrosas vinte presenças. Em 2001, um breve regresso ao seu país natal, para representar o desconhecido Shatura, salda-se como a última aventura de Kulkov enquanto jogador profissional, tendo o russo pendurado as botas ainda nessa mesma época.


Tal como em tantos outros casos, no entanto, a reforma não significava o fim da ligação do russo ao desporto-rei, antes pelo contrário; apenas duas épocas depois, Kulkov regressaria a Portugal como adjunto da ex-lenda do Dínamo de Kiev Anatoliy Byshovets no Marítimo, vindo depois a desempenhar a mesma função em quatro outros clubes da sua terra natal: FC Khimki, Tom Tomsk, o histórico Lokomotiv de Moscovo e, claro, o 'seu' Spartak, aqui como adjunto da equipa B. Em 2013, surge a reforma definitiva, e Kulkov 'desaparece' do Mundo do futebol até 2020, quando a notícia do seu falecimento em consequência da pandemia de COVID-19 vem entristecer adeptos do Benfica, Porto e Spartak, os três clubes em que o russo mais fez história, numa carreira repleta de 'vaivéns' entre dois países completamente díspares, mas unidos pelo facto de terem acolhido o polivalente de farta 'melena' loura e tido oportunidade de o ver explanar as suas qualidades defensivas; e, caso ainda fosse vivo, poder-se-ia mesmo ponderar se Kulkov não teria estado, este fim-de-semana, 'colado' a uma qualquer transmissão internacional, a seguir atentamente o histórico confronto entre dois dos seus três principais clubes. Que descanse em paz.

Sunday, 21 May 2023

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Hugo Leal e Bruno Basto: Mesmo Aniversário, Carreiras Paralelas

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Por vezes, acontecem coincidências destas: duas pessoas (neste caso, dois jogadores) com o mesmo dia de aniversário partilham um local de trabalho (neste caso, dois clubes), criando uma efeméride interessante não só para aqueles que os rodeiam como também para quem os conheça fora do referido meio. É, precisamente, esse o caso com os dois jogadores de que falamos este Domingo, cujos caminhos se cruzaram não só nas camadas de formação do Benfica como, mais directamente, no histórico satélite do clube da Luz, o Futebol Clube de Alverca, durante a primeira metade da época 1997/98.


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A passagem pela Selecção foi apenas um dos muitos factores partilhados pelos dois jogadores


Falamos de Bruno Miguel Leite Basto, nascido neste dia em 1978, e de Hugo Miguel Ribeiro Leal, exactamente dois anos mais novo, e que celebra este fim-de-semana o seu quadragésimo-terceiro aniversário. Nascidos, respectivamente, em Lisboa e em Cascais, os dois jogadores viriam a ingressar no clube da Segunda Circular ainda ao nível de Infantis, tendo Hugo passado antes pelos mais 'locais' Alcabideche e Estoril,enquanto que Bruno teria mesmo em Benfica a sua primeira experiência futebolística. A partir daí, o percurso de formação dos dois é praticamente idêntico, apenas diferindo as posições, já que Basto actuava a defesa-esquerdo, enquanto que Hugo Leal era médio.


Essa semelhança estende-se também à primeira experiência sénior dos dois jogadores, tendo ambos sido emprestados ao satélite Alverca, famoso, na altura, por acolher jogadores como Deco (com quem ambos os jogadores se encontraram no Ribatejo) e, mais tarde, por ter revelado ao Mundo um tal de Pedro Mantorras. Mais velho, Bruno Basto vai primeiro, realizando no Ribatejo a época de 1996/97, durante a qual, previsivelmente,'pega de estaca', realizando mais de trinta e cinco partidos e contribuindo também com um golo; na época seguinte, junta-se-lhe o mais novo Hugo Leal, que – apesar da concorrência do prodigioso Deco – consegue, ainda assim, amealhar mais de duas dezenas presenças pelos ribatejanos, no decurso das quais marca três golos. Apenas os primeiros de entre esses jogos seriam, no entanto, realizados ao lado do colega das escolas benfiquistas, já que Bruno Basto impressionava suficientemente os responsáveis benfiquistas para ser integrado no plantel principal logo em Dezembro; no final da época, o mesmo sucederia com Hugo Leal, que voltaria, assim, a reencontrar o colega com quem partilhava o aniversário. no seio de um plantel sénior (e não deixa de ser curioso que, dos três jogadores, o único a não ser reintegrado tenha sido precisamente Deco...)


Também curioso é o facto de até mesmo as carreiras de Hugo Leal e Bruno Basto após saírem do Benfica terem sido semelhantes, pelo menos no imediato, já que ambos os jogadores saíram para se tornar ídolos em grandes equipas internacionais – Basto no Bordéus, onde foi parte importante da equipa durante as quatro primeiras épocas completas do Novo Milénio, e Hugo Leal no Atlético de Madrid, onde foi pedra basilar durante duas épocas antes de rumar, também ele, a França, para completar três épocas no Paris Saint-Germain, onde viria a reencontrar o seu antigo colega de equipa, agora na condição de adversário.


É neste ponto, no entanto,que os percursos dos dois jogadores finalmente divergem, com Basto a transitar de França para a Holanda para representar outro clube de grande expressão internacional, o Feyenoord, enquanto Leal regressa a Portugal como uma daquelas contratações de um 'grande' que custam a perceber, fazendo apenas dois jogos pelo Futebol Clube do Porto antes de rumar a outro 'histórico' do futebol nacional, a Académica. A partir daí, o percurso do jogador seria semelhante ao de tantos outros, com passagens por históricos da segunda linha do desporto-rei português, como Braga, Belenenses, Trofense e Vitória de Setúbal, e ainda um 'saltinho' a Espanha, para jogar no Salamanca, antes de terminar carreira no clube que o vira despontar para o futebol, o Estoril, onde penduraria as botas aos trinta e três anos. Já o retorno a Portugal de Basto seria mais protelado, tendo o defesa-esquerdo passado, ainda, pelo Saint-Étienne antes de, em 2006, surgir como suplente do Nacional da Madeira; a carreira, essa, acabaria na época seguinte, com apenas trinta anos, ao iserviço do Shinnik, do campeonato russo.


No geral, duas trajectórias mais do que honrosas – ambas, também, com passagem pelas Selecções Nacionais jovens, inclusivamente enquanto militavam no Alverca, e até pela Selecção A, embora apenas como solução de recurso – para dois homens que partilharam, durante as respectivas carreiras, muito mais do que apenas o dia de aniversário. Parabéns a ambos!

Sunday, 16 January 2022

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Rui Costa no Fafe

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Um dos maiores paradoxos do futebol, quer actualmente quer em décadas transactas, prende-se com o facto de, por vezes, jogadores que se revelam como talentos invulgares terem de passar incontáveis temporadas em situação de empréstimo durante os seus anos formativos. É claro que, por vezes, existem nomes que contrariam esta tendência, principalmente desde o dealbar do futebol moderno – basta lembrarmo-nos de Luís Figo, João Moutinho, Renato Sanches, Francisco Conceição ou, claro, Cristiano Ronaldo – mas, para cada um destes exemplos, continua a haver um sem-fim de nomes que deixam os adeptos a pensar em como é possível que os clubes não tenham visto, de imediato, o potencial dos jogadores – nomes como Deco, Miguel Veloso, João Palhinha, ou o homem de que falamos hoje, Rui Costa.


Produto das escolinhas do Benfica, e considerado pela lenda Eusébio como grande promessa para o futuro, Rui Manuel César Costa parecia, à entrada para a sua primeira época como sénior, no dealbar da década de 90, uma escolha natural para a promoção ao plantel principal do clube onde crescera para o futebol – especialmente tendo em conta que o médio tinha feito parte da Selecção portuguesa que havia conquistado o título de campeão mundial de sub-20, em Riade, no ano transacto. Terá, portanto, sido com alguma surpresa que os adeptos benfiquistas viram a jovem promessa de 18 anos rumar ao Grupo Desportivo de Fafe, num dos tais empréstimos por uma época que indicam que, apesar de o clube principal ainda contar com o jogador para o futuro, existem primeiro algumas arestas a lapidar.


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Foto de arquivo que mostra Rui Costa integrado no plantel do Fafe, aqui em treino (Crédito da foto: MaisFutebol)


E o mínimo que se pode dizer é que Rui Costa alisou definitivamente quaisquer 'cantos' pontiagudos que ainda pudessem existir durante a sua temporada na equipa nortenha em 1990-91, tendo-se afirmado como parte indiscutível da equipa (entre aulas de código e visitar ao clube de vídeo, foram 38 jogos, tendo o médio ainda contribuído com seis golos) e crescido o suficiente como futebolista para, aquando do seu regresso à casa-mãe (já com o título de Campeão Mundial de Sub-21, obtido novamente em Riade e no qual Rui Costa teve papel decisivo, ao marcar o 'penalty' que decidiu a final) ser integrado nos trabalhos da equipa principal, da qual apenas sairia para protagonizar uma das primeiras grandes transferências do futebol português moderno, ao rumar à Fiorentina, de Itália, em contra de 1 milhão e 200 mil escudos, o equivalente actual a seis milhões de euros. Pelo caminho ficavam uma Taça de Portugal, ganha ao Boavista por 5-2 em 1992/93, o título máximo de campeão nacional, obtido na época seguinte, sob o comando do não menos lendário Toni, e uma dupla de meio-campo ainda hoje tida pelos adeptos benfiquistas como uma das melhores de sempre, ao lado de João Vieira Pinto.


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De Fafe, Rui Costa 'voaria' para a ribalta do futebol mundial (Crédito da foto: FotoArte/MaisFutebol)


No futuro estava, claro, mais de uma década em Itália, ao serviço da Fiorentina e AC Milão, que lhe valeria a alcunha de 'Il Maestro', outros tantos anos como 'motor' de uma Selecção Portuguesa 'movida' a Geração de Ouro, e, finalmente, um regresso ao Benfica, que acolheu de braços abertos o seu filho pródigo e, após o término natural da carreira deste, o integrou nos quadros do clube que o formara para o futebol, onde ainda hoje milita. Prova concreta de que a previsão de Eusébio, quase quatro décadas antes, estava correcta, e de que Rui Costa era mesmo um dos 'especiais' do futebol moderno – mesmo que esse talento tenha, por uma época pelo menos, andado perdido nos 'batatais' da Segunda Divisão nacional de inícios dos anos 90...

Thursday, 24 June 2021

Quartas de Quase Tudo: Especial Europeu - Os Matraquilhos

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 23 de Junho de 2021.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...


…como é o caso dos matraquilhos.


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Complemento perene de cafés, pastelarias e ‘tascas’ por esse Portugal afora, os matraquilhos não são um passatempo exclusivamente nacional (foram, aliás, inventados em Espanha, mais concretamente na Galiza) mas para quem seja mais desapercebido, quase pode parecer ser esse o caso. Afinal, ainda hoje, mais de três quartos de século após terem sido patenteados, os matraquilhos ou ‘matrecos’ marcam presença em estabelecimentos de refeições leves, acampamentos, colónias de férias, salões de jogos, e onde mais couber uma mesa.


E se muitos países estrangeiros se contentam com ter aquelas mesas básicas, com bonecos azuis sem feições a defrontar bonecos laranjas sem feições, nós portugueses não fazemos por menos – os nossos jogadores de mesa de ‘matrecos’ surgem, inevitavelmente, vestidos a rigor com os equipamentos do Sporting, Benfica ou Porto.


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Podia-se fazer uma 'jogatana' numa mesa destas? Podia, mas não era a mesma coisa...


De igual modo, enquanto no estrangeiro se vão popularizando as horríveis mesas modernas de plástico, em Portugal continuamos apegados às nossas históricas e maravilhosas criações em madeira, tão sólidas e resistentes como intemporais, sempre com aquele ar de quem já foi usado por gerações de jogadores, e estará lá para ser utilizada por várias gerações mais…


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Mesa de 'matrecos' que se preze simula um 'derby'. E quanto mais gastos os jogadores, melhor...


Enfim, apesar de serem de origem galega, os ‘matrecos’ foram-se, ao longo das suas décadas de existência no nosso país, transformando numa experiência bem ‘portuguesa’ – não só no aspecto e envolvência, como na própria forma de jogar (certos países, por exemplo, não respeitam a Regra Sagrada; no Reino Unido, as roletas não só valem, como são mais abusadas do que um Hadouken num jogo de Street Fighter.)


No entanto, a verdade é que este jogo tão simples quanto viciante – seja a dois ou, preferencialmente, a quatro jogadores – é popular o suficiente a nível internacional para justificar a existência, por exemplo, de (múltiplos!) videojogos de ‘simulação’; isto já sem contar, é claro, com as mesas em formato miniatura que todos nós queríamos ter no quarto nos idos de 90 (por aqui, havia uma, muito apreciada.) Enfim, um jogo intemporal, que atravessa gerações, e que, em tempos de euforia futebolística como os que se vivem nestas duas ou três semanas do Verão de 2021, merece bem a homenagem retrospectiva!

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...