Thursday, 14 May 2026

Quintas no Quiosque: A 'Grande' Referência da 'Reportagem' Em Portugal

 

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O jornalismo de investigação sempre foi um dos 'ex-libris' da imprensa portuguesa, com a maioria dos principais profissionais de informação nacionais a poderem orgulhar-se de, pelo menos, uma reportagem 'a fundo' de enorme qualidade. Não é, pois, de admirar que, nas décadas de 80 e 90, tivesse existido primeiro um programa e, mais tarde, uma publicação tematizada em torno deste tipo de jornalismo; é desta última que falamos nesta Quinta no Quiosque.


Inicialmente activa por um período de apenas seis meses, em meados dos anos 80, a revista Grande Reportagem viria a gozar de uma 'segunda vida' (ou segundo fôlego, se preferirmos) já nos últimos meses daquela década, quando o director José Barata Feyo e o seu principal colaborador (e eventual sucessor) Miguel Sousa Tavares 'ressuscitavam' a revista, já sem o contributo de nomes como Rui Araújo ou Joaquim Furtado, mas com substitutos mais do que à altura, como António Lobo Antunes ou Agostinho da Silva. O resultado era uma revista de referência no campo do jornalismo de investigação, a qual (sem quaisquer surpresas) gozaria de mais de uma década e meia de publicação contínua, naquele que era um paradigma diametralmente oposto ao vivido durante a primeira 'tentativa' de Barata Feyo e companhia.

Este percurso não foi, no entanto, livre de percalços, tendo a Grande Reportagem passado, durante os seus últimos cinco anos de vida, por quatro editoras diferentes, indo das Publicações Dom Quixote (sua 'casa' durante onze anos) a parte da Press Mundo, até acabar como suplemento de Sábado dos jornais do grupo Notícias, sob a égide da Controlinveste, em 2005; nada que beliscasse a reputação da revista como publicação de referência, mas sem dúvida um obstáculo à estabilidade vivida nos tempos da Dom Quixote. É, pois, admirável que, por meio a todo este sobressalto, a Grande Reportagem tenha conseguido manter o mesmo nível de qualidade e interesse para aficionados do jornalismo de investigação, e consolidado a nomeada que já possuía dentro do meio, e que a torna temática natural para esta nossa rubrica dedicada a publicações de relevo no Portugal de finais do século XX.

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