Qualquer
jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e
nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas,
exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam
sucesso entre as crianças daquela época.
Quando
se pensa na cena radiofónica e musical do Verão de 1996 em Portugal
(e, para dizer a verdade, um pouco por todo o Mundo) vem
imediatamente à cabeça uma série de movimentos ainda hoje
relevantes e instantaneamente reconhecíveis, até mesmo por quem
ainda não era nascido quando todos os imitavam. Sim, a época
estival de há exactos trinta anos foi o ponto alto – cultural e
socialmente – da icónica dança da 'Macarena' e, por arrasto, da
música a que a mesma estava associada.
O
que poucos sabiam à época – e talvez nem mesmo saibam agora – é
que a versão da 'Macarena' ao som da qual toda uma geração dançou
não é a original, nem mesmo a primeira remistura; trata-se, isso
sim, da segunda revisão da música, que adiciona letras em inglês e
a famosa coreografia àquilo que era, originalmente, um tema de pura
música latina, conduzido por guitarras flamencas e com um ritmo
lento e contemplativo – precisamente o oposto da versão que
'rebentou' à escala mundial anos depois, e cujo impacto cultural
pode ser resumido pela imagem de políticos norte-americanos a
executar os inconfundíveis movimentos de braços durante um
congresso, frente a inúmeras câmaras de televisão.
E
a verdade é que, sem a adição dessa sequência de gestos, é
possível que o sucesso de 'Macarena' tivesse ficado confinado apenas
a Espanha ou, quanto muito, à Península Ibérica – ainda que uma
versão 'falsa' tivesse já penetrado em solo canadiano, executada
não pelos intérpretes originais, Los Del Rio, mas por Los
Del...Mar. A coreografia, e a 'febre' gerada pela mesma, asseguraram,
no entanto, a maior longevidade da música, que continuava a ser
ouvida (e dançada) mais de um ano e meio após o seu lançamento,
quase chegando também a ser o tema do Verão de 1997 – um feito
notável numa era em que os 'hits' radiofónicos tinham, normalmente,
um 'tempo de vida' de apenas alguns meses. Por isso, e por ainda hoje
ser um dos grandes identificadores culturais da geração
'Millennial' e da ponta final do século XX, a 'Macarena', e
respectiva dança, não podiam passar em claro nas páginas deste
'blog' nostálgico, numa altura em que se celebram os trinta anos do
seu 'pico' de relevância e popularidade em Portugal. E de certeza
que, só de ler estas linhas, haverá já gente a executar a
coreografia, em plena sala ou quarto, ao som silencioso da música
que toca na sua cabeça...
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos
bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser
criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes
e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Uma das primeiras Quintas de Quinquilharia deste
'blog' lidou com os Matutazos, talvez a maior febre de recreio entre
a geração 'millennial' lusitana, sobretudo a metade mais velha, que
tinha cerca de dez anos quando o referido jogo tomou de assalto os
pátios de escolas de Norte a Sul do País. Tendo em conta este
sucesso meteórico e avassalador, não é de estranhar que, meia
década depois, a Matutano tenha procurado repetir a 'proeza', e dar
à segunda 'vaga' de 'millennials' a sua própria versão da
'Tazomania'; e, conhecendo o 'modus operandi' da marca nacional de
batatas fritas, também é tudo menos surpreendente que a mesma se
tenha voltado a alicerçar numa propriedade 'da moda', e que, por si
só, quase garantia o sucesso. Estava dado o mote para, há exactos
vinte e cinco anos, surgirem nas batatas os 'dignos sucessores' dos
Matutazos originais – os Pokétazos.
Sim, depois de 'Barbie', 'Taz-Mania' e 'Tiny Toons'
(além de colecções 'menos oficiais' alusivas aos Power Rangers ou
ao filme 'O Rei Leão') cabia aos Pokémon da geração original, bem
como aos seus treinadores, a tarefa de 'dar a cara' pelas novas
séries de Matutazos, das quais sairiam nada menos que sete (!) entre
2001 e 2002, a começar nos dez Pokémon Master Tazos e a culminar
nos doze 'Pokémon Tazos League' – embora, na verdade, a única
diferença estivesse no grafismo, sendo que as mecânicas de jogo se
mantinham inalteradas relativamente não só a cada uma das colecções
anteriores, como à série original de 1995.
Infelizmente, apesar do historial de sucesso, e da
licença apelativa, os Pokétazos nunca lograram sequer chegar perto
dos níveis de sucesso da colecção original – talvez pela
relativa falta de originalidade, ou talvez por os 'millennials' da
'segunda vaga' estarem mais entretidos com o jogo de cartas de
Pikachu e companhia, ou com os novíssimos jogos de segunda geração,
acabados de sair para o Game Boy Color. Tal não dissuadiria, no
entanto, a Matutano, que, ao longo dos vinte anos seguintes (até
deixar, definitivamente, de haver brindes nas batatas fritas)
tentaria, esporadicamente, 'reanimar' o conceito, sempre com sucesso
irrisório, provando o velho adágio da Kellogg's de que 'o original
é sempre o melhor': ainda assim, a primeira dessas tentativas não
deixou de ter mérito, e afirmou-se como uma das últimas 'grandes'
promoções de uma era de 'marketing' alimentar de foco
infanto-juvenil que, sem que ninguém ainda o soubesse, caminhava a
passos largos para o fim.
Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.
A programação dos canais portugueses na noite de 31 de Dezembro tende a centrar-se, normalmente, em torno das celebrações de Ano Novo, com os respectivos preparativos a ocuparem várias horas de emissão antes do evento em si ter início. O primeiro 'réveillon' do século XXI, no entanto, ficava marcado pela triunfal conclusão do maior fenómenos de audiências de sempre em Portugal, cujo episódio final retirava quase todo o protagonismo aos habituais foguetes e programas de variedades de HermanJosé, captando e retendo a atenção da grande maioria da população portuguesa durante, pelo menos, umas horas da noite de 31 de Dezembro de 2000.
Falamos, claro, da primeira edição do 'Big Brother', que dominara grande partes das conversas sobre televisão desde a sua estreia a 3 de Setembro, e de cujo grande vencedor se ficaria, nessa noite, finalmente a saber o nome. Os três 'candidatos' finalistas - já depois da eliminação de favoritos do grande público como o futuro deputado Telmo, o intempestivo Marco, a sua futura mulher Marta e a 'vítima' do mesmo, Sónia- eram a sensata Susana, a jovem Célia (à data com apenas dezoito anos de idade, a mais nova da casa) e o homem que se tornara uma espécie de 'mascote' ou 'bichinho de peluche' da maioria dos espectadores do programa, o pedreiro Zé Maria. Eram estes os três nomes que se perfilavam, nessa noite, diante de Teresa Guilherme, para saber em quem o público votara como grande vencedor da quantia de vinte mil 'contos' (equivalentes hoje a cem mil euros) e de um carro novo.
Do resultado, reza a História da televisão portuguesa: conforme se previa, o humilde e espontâneo 'trolha' de Barrancos sairia mesmo vencedor, numa efeméride que o marcaria para o resto da vida, e que levaria, eventualmente, a um final trágico para a mesma. A 31 de Dezembro, no entanto, tal desfecho ainda estava muito longe de poder ser previsto, e Zé Maria era todo sorrisos ao receber o prémio das mãos de Teresa Guilherme, 'derretendo' nesse momento os corações daqueles que o haviam apoiado, e mesmo de muitos outros que apoiavam os seus adversários, ou que nem ligavam muito ao 'Big Brother'. Na verdade, naquela noite, até mesmo esses acompanharam o que se passava no estúdio da TVI, numa emissão que aglutinou audiências como poucas outras conseguiram na História da televisão nacional, e que pôs cobro a um fenómeno que não mais se repetiria no contexto da mesma. Razão mais que suficiente, portanto, para revisitarmos aquele último episódio, em vésperas de se completar um exacto quarto de século sobre a sua transmissão em directo, naquela que foi uma das noites de Ano Novo mais atípicas da televisão em Portugal.
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 26 de Julho e Domingo, 27 de Julho de 2025.
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.
Num já remoto 'post' neste nosso blog, recordámos as actividades extra-curriculares, as quais acabavam por contar tanto como Saídas de Sábado (ou até Sábados aos Saltos) como como Domingos Desportivos. A disciplina específica sobre a qual nos debruçamos nesta publicação dupla não fugia a essa regra, sendo uma das mais populares entre os jovens da época e tendo conseguido, ainda que de forma efémera, escapar do seu 'nicho' habitual e encontrar um público mais globalizado.
Falamos da equitação, desporto habitualmente associado ao sexo feminino e aos estratos sociais mais altos (e com precedentes que justificam esse estereótipo) mas que, na primeira metade dos anos 90, encantou e fascinou crianças e jovens de ambos os sexos e dos mais diversos estratos sociais, de Norte a Sul de Portugal. Talvez pela divulgação de espaços como o picadeiro do Campo Grande, em Lisboa, talvez pelo fascínio exercido por todo e qualquer animal junto da criança comum, ou talvez apenas pelo sempre infalível 'efeito passa-palavra' no recreio, a verdade é que as aulas de equitação viram, durante este período, gerar-se um influxo de interesse nos seus serviços, com muitos meninos e meninas a quererem aprender a andar a cavalo – ainda que, em muitos casos, esse interesse acabasse por ser de pouca duração, sendo poucos os que continuavam a prática da disciplina a longo-prazo.
Talvez por isso a equitação tenha sido incapaz de reter o estatuto de actividade extra-curricular 'mainstream' de que gozou durante aqueles anos, tendo rapidamente regressado à qualidade de desporto 'de nicho', com interesse para, e ao alcance de, apenas alguns. Quem viveu aqueles anos em que o desporto em causa era tão popular quanto a dança ou o 'karaté', no entanto, certamente recordará a inveja sentida ao ouvir os colegas falar das aulas de equitação, e a vontade exacerbada de se juntar a eles. É a esses (entre os quais se contava o autor deste blog, ainda em idade de instrução primária) que dedicamos as breves linhas que compõem mais este 'post' duplo do Anos 90.
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 5 de Abril de 2025.
Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
De entre as muitas novas preocupações sociais a surgir durante as duas últimas décadas do século XX, a da vida saudável e perda de peso fica apenas atrás da ecologia como uma das mais relevantes no Mundo ocidental. Apesar de não ser nada de novo, estando presente na referida sociedade desde pelo menos há meio século a esse ponto, a preocupação com estar em forma, desenvolver músculos ou partes do físico, ou ainda perder peso ganhou novos contornos durante os anos 80 e 90, tendo simultaneamente ganho uma representação 'visível' e tangível, com o aparecimento dos ginásios e a difusão em massa de disciplinas como a aeróbica.
De facto, foi precisamente nesses últimos anos do Segundo Milénio que se deu a génese do movimento pró-exercício físico que hoje permeia as vidas da quase totalidade dos cidadãos ocidentais. E se, ao contrário do que ocorre actualmente, os ginásios estavam, sobretudo, reservados aos culturistas e praticantes de desportos de combate, as 'donas de casa', profissionais de colarinho branco e outros sectores menos activos da sociedade encontraram na prática da referida actividade a sua forma de garantir a manutenção da tão importante 'linha'. Como consequência, verificou-se durante o período em causa um enorme aumento do número de aulas de aeróbica e 'step' oferecidos pelos supracitados ginásios, além do aparecimento de cassettes VHS que permitiam realizar o equivalente a uma sessão no conforto do lar.
Por sua vez, esta junção de factores resultou, inevitavelmente, na difusão da aeróbica a outros sectores da sociedade, não tardando a disciplina em causa a permear, por exemplo, o currículo das aulas de Educação Física do ensino preparatório e secundário, onde veio a encontrar toda uma nova demografia-alvo de jovens prontas (e, por vezes, também prontos) a emular os exercícios que viam as mães fazer no clube local ou em frente à televisão – ainda que, muitas vezes, num mero arremedo, mais próximo de uma brincadeira de faz-de-conta durante um Sábado aos Saltos do que de qualquer tipo de exercício sério. Ainda assim, esta actividade não deixava de constituir uma maneira de as crianças e jovens se manterem activos, ainda que talvez não a mais acertada ou apropriada para a faixa etária em causa.
Como todas as 'manias' e 'febres' da sociedade ocidental, no entanto, também a aeróbica acabou por ser alvo de mutação, ainda que sem nunca ter desaparecido completamente.; em vez disso, a modalidade dividiu-se em diversas disciplinas, as quais ainda hoje podem ser vistas no horário ou lista de aulas do ginásio mais próximo. Quem viveu a 'febre' original da aeróbica, no entanto, certamente reconhecerá nestas divisões apenas o espírito da rotina de exercícios que pôs milhões de mulheres (e também muitos homens) num estúdio de musculação ou em frente à televisão, em 'leggings' e perneiras, a agitar freneticamente os braços durante meia hora de cada vez...
NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 12 de Fevereiro e Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2025.
A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Quem cresceu, parcial ou totalmente, na década de 80 e inícios de 90, certamente se lembrará deles: um casal de personagens de banda desenhada, com um certo 'travo' a Adão e Eva, cuja vida parecia consistir exclusivamente de uma série de actividades românticas estereotipadas, devidamente acompanhadas por texto mais ou menos 'lamechas'. De facto, os mesmos nunca eram vistos a discutir, ou sequer a levar a cabo tarefas normais da vida quotidiana de um casal convencional – tudo o que faziam e diziam parecia saído de um cartão especialmente concebido para oferecer à 'cara-metade' em ocasiões especiais; nada melhor, portanto, do que, à 'beira' da pseudo-festa romântica anual, recordar os últimos anos destes 'pombinhos' na ribalta.
Falamos, claro está, do anónimo casal protagonista dos painéis da série 'Amor É...' - aquela propriedade perpetuamente a meio caminho entre a genuína tira de banda desenhada e a criação exclusivamente dedicada ao 'merchandising', que tomou o Mundo ocidental de assalto durante um quarto de século após a sua criação em finais da década de 60. De facto, ainda que as situações criadas pela 'cartoonista' neo-zelandesa Kim Casali para o seu casal de protagonistas se destinassem inicialmente a sair em jornais, foi como ilustração para toda a espécie de 'quinquilharias' que grande parte do público-alvo tomou pela primeira vez contacto com os mesmos. De canecas a caixas de fósforos, autocolantes para automóveis, e um sem-número de outros pequenos objectos, os 'pombinhos' de Casali eram omnipresentes mesmo em países onde a BD não era publicada, e não existirá 'filho' dos anos 70 ou 80 que nunca tenha visto pelo menos um produto com a imagem dos dois numa qualquer situação extremadamente romântica. E apesar de a sua relevância se encontrar já em declínio na última década do Segundo Milénio, subsistiam ainda no Portugal dos anos 90 (e não só), consideráveis 'vestígios' da fase áurea da propriedade, tanto nas lojas (prontos a servirem de prenda de S. Valentim ou de aniversário de namoro ou casamento) como em muitos lares, Não poderíamos, portanto, deixar de, às portas do dia mais romântico do ano, recordar aquele que, para muitas crianças e jovens de finais do século passado, era o epítoma da imagética normalmente associada à referida data.
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Hoje em dia, o conceito de 'pacotes-mistério' – ou seja, embalagens opacas que prometem uma figura ou brinde da colecção a que são alusivas, mas não especificam qual, estando parte da emoção, precisamente, no mistério – é por demais popular entre as crianças e jovens das gerações 'Z' e 'Alfa'; no entanto, o referido sistema tem raízes bastante mais antigas do que se possa pensar, fazendo já sucesso junto das demografias 'X' e 'millennial'. De facto, uma das instâncias mais antigas desse tipo de fenómeno em Portugal remonta ao início dos anos 90, quando grande parte das crianças e jovens nacionais decidiram coleccionar porquinhos.
Alguns dos muitos porquinhos da colecção.
Sim, nos anos antes dos ovos Kinder popularizarem as colecções de 'bonequinhos' como brinde alimentar, já uma companhia havia procurado explorar esse mercado de forma mais tradicional, através do lançamento de uma colecção de porquinhos 'humanizados' (ainda que não antropomórficos) com as mais variadas temáticas, de bebés de touca ou babete a árbitros de futebol ou boxeadores, passando por porcos de fato (um dos quais fazia lembrar a icónica indumentária de Babar) ou porcas fêmeas de batom ou a fazer bailado, entre muitas outras figuras altamente coleccionáveis, e apelativas para ambos os sexos – embora, claro, houvesse sempre algumas consideradas demasiado femininas para os rapazes, ou vice-versa.
Escusado será dizer que o próprio conceito da linha, muito semelhante ao subjacente às cadernetas de cromos, não só fomentava como praticamente exigia a troca de figuras, de modo a completar ao máximo possível a colecção – um factor absolutamente necessário ao procurar criar uma 'febre de recreio'. E apesar de estes porquinhos não terem chegado ao nível de iconicidade e 'culto' de uns Tazos, Pega-Monstro ou Caveiras Luminosas – encontrando-se mesmo algo Esquecidos Pela Net – o volume que se pode encontrar para venda no OLX indicia que terá havido uma percentagem significativa de portugueses e portuguesas não só a coleccionar estas figuras à época do seu lançamento, como também a guardar a sua colecção de infância para propósitos nostálgicos; para esses, aqui fica mais uma lembrança daquela que foi uma das pioneiras do conceito de 'pacotes-mistério' em território nacional.
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
O conceito de grupos formados por familiares musicalmente inclinados não é, de todo, nova; de facto, desde o dealbar da música moderna que, de uma forma ou de outra, irmãos, irmãs, primos ou até pais e filhos se têm juntado para gravar, ou simplesmente interpretar ao vivo, temas do seu estilo favorito. Dos grupos vocais dos primórdios à sua evolução natural nas décadas de 70 e 80 – quando Jackson 5 e The Osmonds adaptavam o mesmo som de base a demografias diametralmente distintas – este tipo de banda tem sido uma das pedras basilares do mercado 'pop', tendo mesmo acabado por influenciar estilos mais enérgicos ou agressivos.
Assim, não é de surpreender que também os anos 90 tenham tido os seus diversos representantes deste estilo de grupo, na sua maioria constituídos por adolescentes do chamado 'Midwest' norte-americano – aquela longa faixa de vários estados no 'coração' do território onde pouco ou nada acontece de particularmente entusiasmante, e a vida se desdobra entre casa, a escola, a igreja e um ou outro ponto de encontro para os jovens da terra. Num ambiente como este, a música acaba por ser um dos poucos meios de 'agitar' um pouco o quotidiano, e, dada a importância da família na cultura maioritariamente cristã daquela parte do Mundo, é natural que dali saiam inúmeros grupos musicais de e para jovens, e que muitos deles sejam constituídos por familiares directos. Foi o caso, na última década do século XX, de colectivos como The Moffats, Kelly Family, e o grupo que lhes 'abriu as portas' à fama – um trio de 'meninos-bonitos' loiros, de cabelo comprido e vozes angelicais, mas capazes de compôr e interpretar os seus próprios temas, que, no Verão de 1997, gozaram de um insólito e até inesperado momento de fama, e conseguiram pôr boa parte do Mundo ocidental a entoar um refrão perfeitamente 'nonsense'.
A banda, tal como era à época.
Filhos de um músico de Tulsa, Oklahoma, no Sul dos Estados Unidos, Isaac, Taylor e Zac Hanson iniciaram-se nas lides musicais ainda em idade de instrução primária, interpretando temas 'a capella' e versões de temas clássicos de rock'n'roll. Nessa primeira fase, todos os três rapazes tocavam piano, mas a evolução musical dos irmãos rapidamente viu Isaac encarregar-se da guitarra e o pequeno Zac, então com pouco mais de seis anos, gravitar para a bateria. Surgem então as primeiras gravações oficiais, dois álbuns independentes lançados localmente em 1994 e 1996, o segundo dos quais continha uma versão embriónica daquele que viria a ser o maior sucesso do trio, do qual tirava também o nome. Os seus contactos dentro da indústria musical permitiam também aos 'manos' tocar no festival South by Southwest, um conceituado evento de música alternativa, onde acabariam por ser descobertos por um agente, que rapidamente os começa a apresentar a editoras discográficas. Após várias 'negas' da parte de executivos que os viam como pouco mais do que uma curiosidade, a Mercury decide apostar no grupo, lançando, em 1997, o seu primeiro álbum distribuído a nível global, 'Middle of Nowhere'.
A capa do álbum que catapultaria a banda para o estrelato.
E se a capa amarelo-canário do disco e a tenra idade dos intérpretes poderiam levar a pensar numa literal 'boy-band' ou grupo declaradamente infantil, os irmãos Hanson surpreendiam com um álbum de sonoridade adulta, alicerçado num 'pop-rock' com toques e 'tiques' 'country' - ou não fossem os rapazes do sul dos EUA – pronto para a rotação nas rádios alternativas norte-americanas. Ou melhor, era esta a sonoridade de onze das doze músicas do disco (treze, na versão em CD); a outra era uma 'cançoneta' pop-rock que escondia uma temática surpreendentemente adulta (o fluxo de relações interpessoais efémeras vivido por qualquer ser humano) por detrás de um refrão feito de sons desconexos e improvisos vocais, que deixava a nu a tenra idade dos integrantes. Uma candidata improvável a 'single' e mega-sucesso, talvez – mas seria precisamente nisso que se viria a tornar aquando do seu lançamento mundial, sobre o qual se celebraram na semana transacta (concretamente a 15 de Abril) exactos vinte e sete anos.
De facto, contra todas as probabilidades, 'MMMBop' 'cairia no gosto' da geração contemporânea dos três irmãos – então com dezasseis, catorze e onze anos – e 'tomaria de assalto' as ondas radiofónicas mundiais no Verão de 1997, durante o qual eram poucos os jovens que não conhecessem (e cantarolassem) aquela sequência de sons incrivelmente 'viciante' que compunha o refrão da música. Esperassem-no ou não, os 'manos' Hanson eram agora mega-estrelas em 'miniatura' ao nível do que tinha sido, anos antes, um Macaulay Culkin, com direito a presenças em programas de televisão como 'The Weird Al Show', 'Melrose Place' e 'Space Ghost: Coast to Coast', da Hanna-Barbera, e a turnês mundiais repletas de jovens da sua idade prontos a entoar com eles o famoso estribilho.
O 'single' de 'MMMBop'.
A 'sede' por novo material por parte desta mesma base de fãs viria também a justificar a reedição de um dos álbuns independentes do grupo, agora renomeado 'Three Car Garage', e do inevitável disco de Natal, 'Snowed In', no espaço de poucos meses! Esse mesmo espaço de um ano (entre 1997 e 1998) veria, também, os irmãos figurarem entre os artistas mais novos de sempre a serem nomeados para um Grammy, e lançarem no mercado a sua biografia oficial – de jovens que, recorde-se, ainda não haviam saído da adolescência - ou, num dos casos, sequer ENTRADO na mesma! A popularidade do grupo assumia, assim, contornos de 'febre' – e, como qualquer febre (física ou social), também esta não demoraria a passar.
O segundo álbum do grupo já não almejaria o mesmo sucesso da estreia.
De facto, no espaço que mediou entre o sucesso vindo do 'meio do nada' e o disco seguinte do grupo, 'This Time Around', de 2000, Isaac, Taylor e Zac amadureceram, assumiram um visual mais roqueiro – a condizer com a nova sonoridade em que apostavam – e perdiam o 'factor fofura' que os fizera dar nas vistas três anos antes. Em conjunção com a absorção da Mercury pela Def Jam – da qual resultava um menor orçamento promocional – esta mudança precipitou o declínio de popularidade do trio, que se viu obrigado a financiar a turnê desse segundo álbum por conta própria, e teve de se contentar com audiências bem mais modestas.
Os Hanson nos dias de hoje.
Este típico ciclo de 'ascensão e queda' não desmotivou, no entanto, o grupo, que – entre a organização de acções filantrópicas e retiros para músicos - prosseguiu a carreira nessa vertente mais discreta, lançando um novo álbum imperetrivelmente a cada três anos durante toda a primeira década do Novo Milénio, até 2013, data em que se verificou um maior hiato, que seria quebrado em 2017, com uma turnê orquestrada comemorativa dos vinte anos de 'Middle of Nowhere' e novo disco de Natal. Quatro anos depois, surge o sétimo disco de originais, rapidamente precedido do oitavo (e, até agora último) lançado em 2022, já depois de os irmãos se terem visto envolvidos em controvérsias derivadas das suas posições conservadoras, sobretudo no tocante às vacinas e restrições aplicadas aquando da pandemia de COVID-19. O típico final algo 'deprimente' para artistas que, na mente de toda uma geração, serão para sempre aqueles adolescentes loiros e de cabelos compridos a divertirem-se à grande no lendário videoclip de um dos maiores sucessos do pop-rock noventista, capaz de fazer qualquer 'millennial' regredir à infância ou adolescência durante três minutos e meio...
NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 16 de Março de 2024.
Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.
´ A época da 'viragem' para o Novo Milénio e entrada no mesmo viu nascer entre os jovens portugueses um fascínio considerável, ainda que temporário, pelas artes circenses. O lendário 'Diabolo', presença inescapável nos recreios lusitanos durante mais de um ano em finais dos 'noventas', servia como 'porta de entrada' para todo um 'universo' de truques e habilidades centrados em torno do equilíbrio e habilidade. Do bastão (que se perfilava inicialmente como o sucessor natural do 'Diabolo', embora tenha ficado muito longe de atingir o mesmo nível de sucesso globalizado) às bolas de malabarismo, passando ainda por outras vertentes menos conhecidas, foram muitas as artes 'saltimbancas' a transpôr a barreira do 'mainstream' e a fascinar os adolescentes portugueses durante este período.
Não foram, no entanto, apenas as artes em si a exercer tal atracção sobre a juventude lusitana: o próprio modo de vida dos artistas foi, durante alguns anos, idealizado e posto num pedestal por grande parte da referida demografia, que se apressou a adoptar, total ou parcialmente, a sua estética e valores. Motivados e inspirados pelos cada vez mais estrangeiros da sua idade que visitavam Portugal à época, os jovens da época rapidamente adoptaram os penteados exóticos, sacolas de sarja e roupas largas e debotadas em tecidos de pano cru, criando assim um estilo associado com a prática das artes circenses e com a frequência de locais elevados ao estatuto de 'mecas', como o Chapitô, em Lisboa, o principal espaço dedicado ao ensino e formação deste tipo de competência.
Em anos subsequentes, à medida que as gerações 'X' e 'millennial' davam progressivamente lugar aos 'Z' e 'Alfa', o fascínio pelas artes circenses reduziu-se consideravelmente, tendo a maioria dos 'saltimbancos' do início do século desaparecido das ruas das zonas turísticas onde tendiam a exibir as suas habilidades; e, com a crescente tendência para a digitalização das brincadeiras por oposição à aquisição de competências físicas, afigura-se pouco provável que tal situação volte a ocorrer. Ainda assim, quem viveu aquele momento muito particular na cultura portuguesa moderna certamente se lembrará do fascínio que o estilo de vida 'saltimbanco' gerava, e terá mesmo tido vontade de ir à arrecadação, sótão ou prateleira buscar o bastão ou as bolas de malabarismo, e verificar se ainda retém a memória muscular de outros tempos...
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.
O cinema de terror foi, a par do de acção, um dos que mais cedo cativou, e mais fortemente marcou, a geração nascida e crescida entre os anos 80 e o Novo Milénio, muito graças à quantidade e qualidade de filmes com que os dois géneros contribuíram para o panorama cinematográfico daquelas décadas. No caso do cinema de terror, além do factor 'cool' que partilhava com os heróis de acção, havia ainda o atractivo adicional do 'fruto proibido', que fazia muitas crianças e jovens (em Portugal e não só) ficar acordado até tarde, ou programar o VHS, para acompanhar os actos de vingança de Jason Voorhees, Michael Myers e Freddie Krueger, as 'brincadeiras' de Chucky, o Boneco Diabólico, ou simplesmente uma das muitas histórias de fantasmas, fenómenos paranormais e casas assombradas que potenciavam, na mesma época, o retumbante sucesso da série 'Ficheiros Secretos'.
Não foi, assim, de surpreender que este interesse dos jovens pelos filmes de 'meter medo' principiasse, rapidamente, a ser explorado para fins comerciais, com vários produtos dirigidos a crianças a contarem com a imagem de um dos ícones oitentistas do género, ou ainda dos mais clássicos monstros da Universal, que serviam inclusivamente de inspiração para uma popular linha de mini-figuras, que contava mesmo com um desenho animado e jogo de computador próprios. Em meio a tudo isto, um autor infanto-juvenil norte-americano viu no paradigma vigente a oportunidade perfeita de explanar a sua ideia de escrever uma série de contos de terror explicitamente dirigidos a um público mais jovem, no caso em idade primária ou secundária; o resultado foi uma colecção que, em meados dos anos 90, colocaria até os leitores mais relutantes de nariz colado às páginas, marcando assim toda uma geração.
O icónico primeiro volume da colecção, oferecido em conjunto com a revista 'Super Jovem',
Falamos da colecção 'Arrepios', de R. L. Stine, cujo aparecimento em solo lusitano se insere confortavelmente em duas categorias do nosso blog; isto porque, apesar de se tratar de uma colecção de livros (que entraria normalmente nas Quartas de Quase Tudo), os volumes eram vendidos, sobretudo, em bancas de jornais e papelarias, tornando-os também candidatos às Quintas no Quiosque. A icónica série de Stine consegue, assim, o feito de ser tema do primeiro 'post' híbrido de dois dias diferentes da História do Portugal Anos 90, valendo o presente texto pelos dias 1 e 2 de Novembro de 2023 – uma altura, aliás, bastante apropriada para falar de livros centrados no sobrenatural, espíritos e monstros, e que, muito antes de o Halloween ser oficialmente importado e adoptado como festa em Portugal, já causava calafrios (ou, bem, 'Arrepios') nas então crianças nacionais.
Isto porque, apesar de algo básicos pelos padrões de uma demografia que já 'devorava' 'Uma Aventura', 'Viagens no Tempo', 'O Clube das Chaves' ou as obras de Alice Vieira, estes livros conseguiam, dentro da sua 'fórmula', criar uma atmosfera bastante eficaz para as suas histórias, a maioria das quais se baseava em medos primários do público-alvo, como monstros, mutantes, bonecos assassinos, casas assombradas, predadores terrestres ou aquáticos, ou ainda os inevitáveis 'zombies'. E se é certo que nem todos os livros acertavam no 'alvo' ('O Feitiço do Relógio de Cuco' tem mais de comédia involuntária do que de arrepiante experiência de terror) os que atingiam este fim prestavam-se a releituras sucessivas, e tornavam-se assunto de discussão no recreio da escola, algo a que muito poucas colecções além das supracitadas conseguiam almejar.
Grande parte do sucesso dos primeiros vinte volumes da colecção em Portugal pode, no entanto, ser também atribuído ao modelo de venda escolhido pela Abril/Controljornal, que aproveitava a sua hegemonia no campo dos periódicos infantis para lançar 'Arrepios' nas bancas, e a um preço bastante convidativo para as carteiras dos jovens da altura, custando cada livro pouco mais do que uma bandadesenhada das mais 'grossas'. A oferta do primeiros volume da colecção na compra da revista 'Super Jovem' (também da editora) ajudou a difundir ainda mais a nova colecção junto do público-alvo, havendo decerto muito poucas crianças daquela época que não tenham tido, pelo menos, este livro na sua estante. As 'letras grandes', linguagem simples e histórias apelativas (apesar dos finais estilo 'Scooby-Doo' e invariavelmente desapontantes) encarregavam-se do resto, tornando 'Arrepios' numa das mais bem sucedidas séries de livros entre quem não gostava de ler.
Infelizmente, a Abril cometeu o erro de saturar o mercado com cada vez mais livros da colecção, além da série-irmã que oferecia uma experiência estilo 'Aventuras Fantásticas' e de outra série de R. L. Stine, 'A Babysitter', sobre uma azarada adolescente que vê todos os seus trabalhos de ama-seca transformarem-se numa perseguição por parte de um tarado ou psicopata. Apesar da relação com 'Arrepios', nenhuma destas colecções (ou até mesmo os livros subsequentes da própria série) conseguiram o mesmo sucesso dos primeiros volumes, não conseguindo crescer com o público-alvo nem tão-pouco competir com o baluarte da literatura infanto-juvenil em Portugal que era (e é) 'Uma Aventura'. Assim, foi sem surpresas que a colecção 'saiu de fininho' de 'cena' ainda antes do Novo Milénio, deixando como legado os volumes arrumados nas estantes do quarto de muitas crianças e uma série televisiva relativamente bem-sucedida, exibida no espaço 'Buereré' da SIC, nas manhãs de fim-de-semana; é possível, no entanto, que esta situação mude, e que o recente (e bem-sucedido) filme com Jack Black venha a suscitar o interesse da Geração Z pelos livros que adornavam a estante dos pais quando estes tinham pouco mais ou menos a mesma idade. Enquanto não assistimos a um ressurgir de 'Arrepios', no entanto, fica a recordação de uma série de livros que acabou por marcar época, e que, apesar dos evidentes defeitos e falhas, merece bem um lugar (duplo!) nestas nossas páginas nostálgicas.
NOTA: Este 'post' foi inspirado pelo vídeo da ZombiTV, que nos recordou destas e de outras 'quinquilharias' lançadas pela Matutano durante a sua fase áurea nos anos 90.
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Os brindes das batatas fritas, cereais, Bollycao ou até iogurtes estiveram entre os aspectos mais marcantes da infância da geração nascida e crescida nas décadas de 80 e 90. Dos brindes dos ovos Kinder (que aqui terão o seu momento) aos pioneiros 'Tous' e 'Janelas Mágicas' do Bollycao a promoções lendárias como a dos Pega-Monstros, a dos Tazos, a das Matutolas ou a das Caveiras Luminosas (todas da Matutano) ou ainda o jogo dos Bollykaos, foram inúmeras as 'quinquilharias' que encheram os bolsos e o coração dos 'putos' daquela época, e que ainda hoje são recordadas com afeição e nostalgia por essa mesma demografia, pelos momentos divertidos que lhes proporcionaram.
No entanto, nem todos os brindes desse período da História são recordados apenas por serem 'tralhas giras' para trazer no bolso ou na mochila. Existiu, também, outro tipo de prémio, que se pautou sobretudo pela novidade e diferença em relação ás estratégias adoptadas pela 'concorrência' – e, em final dos anos 90 (mais concretamente em 1998) a Matutano lançou aquele que se tornaria o principal exemplo deste género de brinde: o jogo do '24'.
E a verdade é que a 'febre' em torno desta promoção em particular é difícil de explicar, já que um jogo que propõe a realização de operações matemáticas (mesmo em troca de prémios) não seria, à primeira vista, o mais apelativo para a população infanto-juvenil; o '24', no entanto, superou todas as expectativas, cativando a imaginação (e desafiando a inteligência) da mesma geração de jovens portugueses que, anos mais tarde, embarcaria na 'onda' do Sudoku.
O conceito do jogo da Matutano é, aliás, bastante semelhante ao do popular 'puzzle' numérico, passando o objectivo por conseguir obter um resultado igual a '24' com os quatro algarismos contidos em cada cartão; para isso, era permitido a cada jogador utilizar qualquer das quatro operações matemáticas, devendo o mesmo depois explicar o seu raciocínio. Um exercício que, até então, parecia mais adequado às aulas de Matemática do que ao recreio, mas que, surpreendentemente, conseguiu tracção entre a demografia-alvo de alunos do segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico, talvez por apelar à vertente competitiva e 'exibicionista' própria dessa idade – afinal, quem não gosta de se gabar que é mais esperto que os amigos, e de o conseguir depois provar cabalmente?
Exemplo de um dos cartões do jogo.
Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que o jogo do '24' rapidamente se tornou um 'aliado' dos professores de Matemática, que conseguiam fazer dele uma aula tão produtiva quanto divertida, que ajudava efectivamente os alunos a praticar o cálculo mental e consolidar conceitos como o das fracções – uma frase que, certamente, poucos esperariam ler no contexto de um brinde das batatas fritas!
Como havia sucedido com todas as outras 'febres' efémeras, no entanto, também o tempo do jogo do '24' chegou ao fim, assim que a Matutano engendrou e lançou a promoção seguinte. Ainda assim, quem foi da idade certa naqueles idos de 1998 certamente terá memórias de tentar resolver as 'contas' que saíam nas batatas, e de assim aprender Matemática sem nunca suspeitar de nada – um feito que apenas vem comprovar o génio desta icónica promoção da Matutano, e o poder influenciador que a companhia tinha entre os jovens daquela época.
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
E depois de termos já falado da série animada e dos jogos de vídeo baseados na popular série de livros infantis 'Onde Está o Wally?', nada mais natural do que dedicarmos algumas linhas aos volumes que deram início a uma das mais curiosas 'febres'infanto-juvenis dos anos 90.
Corria o ano de 1987 quando o ilustrador inglês Martin Handford logrou, finalmente, dar vida à ideia que tivera há já alguns anos a essa parte: a de criar um livro (ou série de livros) infantis cujo conceito principal fosse a procura de um único personagem em meio a uma cena propositalmente hiper-povoada, e cheia de pequenas 'distracções' e armadilhas para enganar o leitor e, assim, aumentar a diversão. O objecto da procura, esse, era um personagem criado pelo próprio Handford – um jovem de óculos e roupa listrada, equipado 'à explorador', a que o autor chamou Wally (ou, para as edições americanas, Waldo.)
O volume que começou a 'febre'.
Tinha assim, através de um singelo livro de capa azul-clara (ela própria uma cena onde procurar o protagonista) aquilo que viria a transformar-se numa das mais populares obras literárias da década, dando origem a uma série de volumes de conceito e realização cada vez mais complexa; não só as imagens se tornavam ainda mais movimentadas (ao ponto de o primeiro volume parecer quase um 'tutorial' para as suas próprias sequelas) como também surgiam novos personagens para serem descobertos pelo leitor – primeiro o sábio Barba-Branca, e mais tarde a namorada e cão de Wally, bem como o seu rival Odlaw, conhecido em Português pelo memorável nome de Estranho-À-Lei.
Junta, esta 'pandilha' aventurava-se pelos mais diversos lugares, desde Hollywood à Lua, chegando mesmo a quebrar barreiras espácio-temporais que lhes permitiam viajar para outras eras da evolução humana – tudo, claro, em nome da criação de 'puzzles' visuais bem divertidos, recheados de deliciosos pormenores e, claro, várias áreas vermelhas e brancas, que apenas em segunda análise se revelavam não ser o protagonista. Uma fórmula simples, mas extremamente original e divertida, que tornou (merecidamente) Wally um sucesso entre a juventude da altura, dando mesmo azo a uma onda de 'imitadores', alguns deles protagonizados por personagens tão populares como Astérix; escusado será dizer que nenhum destes tomos teve uma fracção do sucesso do original, ou não nos ensinasse a Kellogg's que 'o original é sempre o melhor...'
O disfarce de Wally, uma escolha surpreendentemente popular em festas de Carnaval.
O próprio Wally teve, claro, também direito aos seus próprios produtos licenciados, que iam desde os 'puzzles' (dos verdadeiros, aqueles de peças) aos já referidos videojogos; ainda hoje, no entanto, o 'item' referente ao personagem mais popular entre o seu público-alvo são as réplicas carnavalescas da sua fatiota característica, uma escolha frequente mesmo em festas de Carnaval de adultos - prova cabal do impacto que Wally teve naquela que foi, talvez, a última geração a interessar-se, verdadeiramente, por coisas que não envolviam ecrãs, e que obrigavam a puxar pela cabeça...
NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 16 de Agosto de 2022.
A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
A década de 90 viu muitas crianças solitárias, impedidas por qualquer motivo de ter animais de estimação, virarem-se para as mascotes virtuais como alternativa 'de compromisso'; e após o estatuto de 'febre' mundial conseguido pelos Tamagotchis, em meados da década, era de esperar que fosse apenas uma questão de tempo até alguém desenvolver uma versão mais sofisticada e avançada dos 'bichinhos' LCD aprisionados num ovo.
Esse alguém acabou por ser a Hasbro, que, no Natal de 1998, apresentava o novo 'presente topo de lista' para toda uma demografia um pouco por todo o Mundo: o Furby, uma espécie de versão 'física' do Tamagotchi, que além de poder ser tocado, agarrado e acariciado, como qualquer bom peluche, se encontrava ainda dotado de um (à época) impressionante vocabulário, que lhe permitia manter 'conversas', ainda que básicas, com os seus 'donos' - algo corriqueiro na era da inteligência artificial, mas que, em finais do século XX, era suficiente para elevar este brinquedo acima da maioria das alternativas disponíveis no mercado.
Assim, não foi de todo de admirar que os Furbys se tivessem posicionado entre os produtos mais cobiçado dos catálogos de Natal daquele ano, e 'voado' das prateleiras de supermercados e hipermercados naquele mês de Dezembro, tanto em Portugal (onde o brinquedo era distribuído pela inevitável Concentra) como um pouco por todo o Mundo - isto apesar da aparência, movimentos e voz algo inquietantes do boneco, que quase chegava a parecer uma versão menos benévola de um Mogwai, a adorável criatura que dá origem aos titulares diabretes no clássico dos anos 80, 'Gremlins'. Nada, no entanto, que dissuadisse o público-alvo, que fez da obtenção de um Furby a sua principal missão naquele Inverno de finais do milénio.
Com toda essa procura e sucesso, tão-pouco surpreendeu o lançamento, menos de um ano depois, de uma versão mais pequena, mas ainda mais evoluída do brinquedo - no caso, os intitulados 'Furby Babies', que além das frases do seu 'irmão mais velho', traziam também maneiras alternativas de interacção com as crianças, como 'segredos' e jogos interactivos. Apesar da recepção menos entusiasta do que a dos originais - até pela perda do 'factor novidade' - esta segunda vaga de Furbies foi, ainda assim, suficientemente bem sucedida para justificar a continuidade da linha, que veria serem lançadas novas versões do bicharoco em 2001 (os 'Furby Friends', que transformavam o mesmo em figuras da cultura 'pop', como Yoda, E.T. ou o próprio Gizmo), e por diversas outras vezes ao longo das duas décadas seguintes - cada uma das quais adicionando novas funcionalidades às originais, como pernas que se moviam, permitindo ao brinquedo dançar, olhos LCD ou compatibilidade com 'apps' para telemóvel.
Tal como sucedera com o Tamagotchi, no entanto, nenhuma destas versões tornou a chegar sequer perto do estatuto almejado pelos originais, que continuam a afirmar-se como uma das mais peculiares, mas também mais memoráveis 'invenções' dos fabricantes de brinquedos de finais do século XX - bem como um daqueles brinquedos (como o 'antecessor' Tamagotchi) de que quem tinha se gabava, e que quem não tinha, queria por força ter...
Nuno Markl recorda o Furby numa das edições de aniversário da sua rubrica na Rádio Comercial.
Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.
Os anos 90 foram pródigos em 'febres' no que toca a brincadeiras de exterior. De várias delas, já aqui falámos, como foi o caso com as bicicletas BMX, o skate, os patins em linha ou o 'diabolo'; no entanto, existiu durante essa década outra moda que, embora mais discreta e menos declaradamente 'datada' do que as acima mencionadas, não deixa de estar ligada ao período em causa: o pingue-pongue.
O 'kit' essencial do entusiasta de pingue-pongue dos anos 90
Sim, os anos 90 foram a época em que muitas crianças e jovens de Norte a Sul de Portugal descobriram a beleza desse jogo simples, mas que se pode tornar estupidamente competitivo, chamado ténis de mesa – e em que, encorajados pela difusão em larga escala dos acessórios necessários, se dedicaram à prática do mesmo, sobretudo nos intervalos das aulas. Aproveitando o facto de a maioria das escolas básicas e secundárias do País terem qualquer tipo de instalação ou equipamento para a prática do pingue-pongue, os referidos jovens (na sua maioria, do sexo masculino) trataram de adicionar uma ou duas raquetes e outras tantas bolas à sua lista de 'materiais indispensáveis' a colocar na mochila todas as manhãs.
Escusado será dizer que, como acontece com a maioria dos outros produtos de que aqui falamos, também as raquetes de pingue-pongue tinham a sua 'hierarquia' própria, havendo uma linha qualitativa definida entre as compradas nas lojas de desporto (mais pesadas, e com revestimento normalmente liso de um dos lados) e as disponíveis nas comuns lojas de brinquedos, ou até dos 'trezentos' (as quais eram significativamente mais leves, e tinham um revestimento rugoso em ambas as faces.) No entanto, sendo essas diferenças menos imediatamente aparentes do que em outros casos, tendia a não haver tanto o estigma do 'falso' entre os praticantes de pingue-pongue – até porque, melhores ou piores, todas as raquetes sofriam o mesmo fim, acabando invariavelmente desprovidas de 'capas' em pelo menos um dos lados, e provavelmente com a capa do outro já a 'pingar', a ameaçar destino idêntico dentro em breve. Não, no jogo de pingue-pongue, o facto de se ter ou não uma raquete de qualidade apenas afectava o próprio jogador, já que quanto mais pesada a raquete, mais precisão se conseguia ter no contacto com a bola.
E por falar em bolas, também estas variavam em qualidade, embora não tanto como as raquetes. As universalmente consideradas melhores entre a juventude da época eram cor-de-laranja vivo, enquanto que, entre as brancas, a qualidade era determinada pelo peso e pela facilidade com que 'amolgavam' (e se prestavam às subsequentes tentativas de 'desamolgar'.); ainda assim, por muita qualidade que as suas bolas de pingue-pongue tivessem, o jogador médio podia esperar perder, pelo menos, uma por semana, dependendo da frequência com que disputasse partidas.
Como a maioria das modas de que falamos nestas páginas, também a febre do pingue-pongue acabou por passar, ainda que este desporto continue a ser um passatempo extremamente popular nos intervalos das aulas, sobretudo entre crianças de uma certa idade; quem viveu a 'época áurea' nos anos 90, no entanto, e se recordar das multidões de 'mirones' que uma partida bem disputada atraía, certamente concordará que – ao contrário do imortal futebol de recreio e de rua – o ténis de mesa já não é o que foi durante esses anos...
NOTA: Este post diz respeito a Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2022.
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
A música popular ou de baile portuguesa - vulgo 'música pimba' - teve nos anos 90 um dos seus períodos mais áureos. Isto porque, embora este tipo de música nunca perca verdadeiramente popularidade, foi nos anos 90 que se verificou a maior infiltração dos artistas e 'malhas' 'pimba' na consciência popular como um todo. Da música que deu nome ao género, da autoria de Emanuel, aos 'hinos' de Quim Barreiros e aos desafinanços de Zé Cabra, passando por 'hits' recuperados de artistas como Marco Paulo, Ágata ou José Malhoa, e até contribuições da nova geração do estilo, como o Bacalhau de Saul Ricardo ou o abecedário de Ana Malhoa, eram tantos e tão variados os exemplos de músicas do estilo no seio da cultura popular portuguesa que até o mais distraído desconhecedor de música contemporânea saberia, decerto, cantarolar pelo menos um par de temas do género.
Toda esta popularidade levou, como não podia deixar de ser, a que surgisse toda uma nova vaga de artistas populares com material prontinho a gravar e adicionar ao filão, antes que este secasse; e escusado será dizer que muitos deles tiveram, precisamente, o grau de sucesso por que esperavam, deixando também eles a sua marca na cultura popular da época - basta lembrarmo-nos dos Excesso, por exemplo.
Um destes nomes, e talvez o maior responsável por ter apresentado a música 'pimba' a milhares de crianças e jovens, em meados dos anos 90, foi um DJ e radialista brasileiro radicado em Portugal, o qual, no Verão de 1995, conseguiu 'explodir' na cena musical popular portuguesa com uma versão de um tema que já havia sido um sucesso no Brasil, embora então na voz de outro artista.
O seu nome? Iran Costa, o 'cabeludo' brasileiro imortalizado como uma figura com dez metros de altura, debruçando-se qual Godzilla em 'greenscreen' sobre a cidade de Lisboa e alguns dos seus monumentos e locais mais marcantes, não para os destruir à patada, mas para realizar uma dança vagamente ridícula enquanto cantava um refrão daqueles tão 'pegajosos' que quem o ouviu na altura certamente ainda o sabe de cor até hoje.
Acima: o videoclip mais 90s de todos os tempos. Digno de um projecto de TIC do 10º ano...
Sim, falamos de 'O Bicho', o primeiro (e maior) de três mega-sucessos que o cantor conseguiria em terras lusitanas até ao final da década, e responsável máximo por cimentar o seu nome entre a criançada portuguesa. Quem tinha idade suficiente no Verão de 1995 para participar de 'febres' infanto-juvenis concerteza se lembrará de que não havia pátio de escola ou actividade extra-curricular em que alguém não ensaiasse algumas estrofes do refrão desta música, invariavelmente acompanhadas do seu melhor esforço em replicar os 'espasmos' de Iran no lendário vídeo partilhado acima. 'O Bicho' foi uma daquelas músicas que transcendeu o seu estatuto como obra musical e se tornou num fenómeno cultural, um daqueles 'memes' anteriores ao próprio conceito de 'memes' - e, como tal, alvo inevitável das atenções de uma geração sempre à procura de algo 'peganhento', cativante e passível de ser explorado, referenciado e repetido até ao limiar da irritação alheia.
Longe de adquirir o estatuto de 'one-hit wonder' comum à maioria dos criadores deste tipo de tema semi-cómico e parodiável, no entanto, Iran soube explorar a fama obtida por 'O Bicho', tendo utilizado a sua notoriedade no mundo musical português de finais de 90 para trazer para Portugal novas versões de uma série de sucessos 'made in Brasil', entre os quais se contava o seu segundo 'hit' em território nacional, 'É O Tchan' - uma música originalmente composta e gravada pelo grupo do mesmo nome, mas que, em Portugal, é quase sinónima com o cantor brasileiro.
Já em 1998, uns impressionantes três anos após os seu auge memético, o ex-radialista adicionaria ainda um terceiro sucesso à sua lista, na forma da irresistível 'Pimpolho', uma espécie de versão luso-brasileira dos temas com que, à época, faziam sucesso bandas como Vengaboys e Aqua (as quais, aliás, paulatinamente aqui revisitaremos em mais detalhe).
Hoje em dia, Iran Costa continua por aí, na activa - embora já, claro, sem a exposição e notoriedade de que gozava naqueles anos 90. Ainda assim, apesar de a sua presença mediática se ter consideravelmente dissipado desde os seus tempos áureos, a influência que o DJ, radialista e cantor brasileiro teve em toda uma geração de crianças e jovens foi inegável, como prova o facto de que dificilmente terá havido quem, ao ler este post e clicar nos vídeos que nele fomos partilhando, não tenha dado por si a cantarolar pelo menos um dos refrões - e quem sabe, desenterrado uns quantos passos de dança 'malaicos' da sua infância para acompanhar a 'performance'...