NOTA: Este post é
respeitante a Domingo, 13 de Setembro de 2026.
Aos
Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais
acontecimentos e personalidade do desporto da década.
Apesar da maior representatividade de que gozou nos
últimos anos, o futebol feminino foi – ao contrário de outras
modalidades, como o voleibol – parente muito distante e algo
ignorado do congénere masculino, com muitos países a demorarem
décadas a 'abraçar' o desporto-rei 'de saias'. Um desses países
foi Portugal, onde o mais antigo campeonatos nacional feminino desta
modalidade – a Taça Nacional Sénior - completa este ano apenas
três décadas de vida.
Hoje segundo escalão do FutFem nacional, a Taça
Sénior começou por ser a única competição disputada em Portugal,
estatuto que manteria durante quase duas décadas, até à criação
do Campeonato Nacional, em 2013-14. Assim, quem nos anos 90 e 2000
quisesse ver a 'nata' do futebol feminino mais não tinha do que
escolher entre um dos doze jogos semanais, embora a visualização do
mesmo fora do próprio estado se pudesse revelar complicada, dada a
falta de cobertura.
Logo desde os primeiros campeonatos, ficou claro
quem seria a equipa hegemónica dessa primeira meia-década, com o
GCD Del Negro a conquistar 'sem espinhas' os quatro primeiros
campeonatos da modalidade alguma vez disputados em Portugal;
curiosamente, no entanto, essa agremiação concederia, no final da
década, a hegemonia ao Benfica, ganhando apenas mais dois títulos
até aos dias de hoje (os quais fazem dela, ainda assim, a equipa
mais condecorada da competição.) Seriam, pois, as 'águias' a
dominar os anos 2000, sagrando-se tetracampeões e ganhando um total
de cinco campeonatos durante esse período, antes de a fasquia
competitiva nivelar e deixar de haver claros favoritos.
Hoje em dia, tal como referimos, a Taça Nacional
Sénior cedeu o protagonismo ao Campeonato Nacional de Futebol
Feminino; os amantes de 'longa data' da modalidade não esquecerão,
no entanto, esta pioneira prova, hoje relegada para 'segunda
divisão', mas sem a qual o desporto-rei no feminino talvez nunca
tivesse chegado a desabrochar em Portugal.
NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-feira, 31 de Julho de 2026.
Os
anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção
de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas,
recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Já
aqui anteriormente falámos do absoluto 'estado de graça' de que Jim
Carrey gozava entre as crianças dos anos 90 (em Portugal e não só)
graças a êxitos de bilheteira como 'Doidos À Solta', 'A Máscara',
'Batman Para Sempre' ou 'O Mentiroso Compulsivo'; assim, não é de
surpreender que até filmes ligeiramente mais 'sombrios' (pelo menos
a nível do conceito) acabassem por entrar na consciência colectiva
juvenil, e por atrair às salas de cinema espectadores bem mais novos
do que talvez fosse esperado. É o caso, por exemplo, do filme,
estreado há pouco mais de trinta anos nos cinemas portugueses, a que as próximas linhas dizem respeito.
Chegado
a Portugal a 19 de Julho de 1996, 'O Melga' ('The Cable Guy' no
original) traz Carrey no papel de um técnico de TV Cabo que, ao ser
chamado a casa de um cliente (interpretado por Matthew Broderick, que
havia sido Ferris Bueller e viria a ser o Inspector Engenhocas) se
torna obcecado por ele, tentando por todos os meios conquistar a sua
amizade – incluindo de formas altamente questionáveis. Uma
premissa bem ao estilo 'comédia negra', algo distante do habitual
material tanto de Carrey como do aqui realizador Ben Stiller, mas que
– por ter o 'Máscara' num dos papéis principais – terá
certamente sido visto por muitas crianças e jovens da altura durante
a sua estadia nos ecrãs portugueses.
Infelizmente,
'O Melga' não logrou ter a longevidade dos outros êxitos de Carrey,
fazendo hoje parte de um 'lote' de filmes representativos daquela era
da carreira do actor, quando era exclusivamente um comediante capaz
de expressões elásticas, e ainda não se havia consagrado como
actor mais 'sério'. Ainda assim, o tom mais 'sombrio' e adulto (com referências a
doenças mentais, como a que acomete o próprio personagem de Carrey)
talvez faça deste filme uma boa Sessão de Sexta para fãs do actor
entretanto 'crescidos' e em processo de revisitação da infância e
juventude, que talvez encontrem, depois de adultos, toda uma nova
dimensão naquilo que, há trinta anos, parecia apenas mais uma
comédia tresloucada com o 'selo' Jim Carrey.
A
banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e
jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns
dos títulos e séries mais marcantes lançados em território
nacional.
A
vastidão de banda desenhada de qualidade presente no mercado
português de finais do século XX e inícios do seguinte poderia
levar qualquer jovem da altura a esquecer que, como qualquer
movimento artístico, o florescimento dos 'quadradinhos' em Portugal
teve, forçosamente, de ter um ponto de partida. Felizmente, em
meados da década, várias editoras fizeram sua a missão de celebrar
e divulgar estes pioneiros para uma nova geração, através de
álbuns como 'O Mosquito – 60 Anos' (de que falámos na última
Quarta aos Quadradinhos) e o tomo de que falamos esta semana, que
resgata o trabalho do 'pai' da BD nacional, Rafael Bordalo Pinheiro.
Bem
conhecido pelo seu trabalho como caricaturista, e como criador do Zé
Povinho (o estereótipo do português de classe trabalhadora da
época), Bordalo deixou também, no entanto, a sua marca na sociedade
portuguesa de finais do século XIX como criador de banda desenhada,
publicada em formato de 'tiras' no jornal 'O Comércio do Porto
Illustrado' ao longo de mais de uma década, entre 1892 e 1904. Eram
essas bandas desenhadas que o álbum publicado em 1996 pela editora
Aventura Gráfica, e simplesmente intitulado 'Bandas Desenhadas de
Rafael Bordalo Pinheiro', reunía e apresentava, um século depois,
às novas gerações.
Embora
o trabalho de recolha e divulgação fosse louvável, no entanto, o
estilo de banda desenhada praticado na época de Bordalo era (e é)
demasiado diferente para poder ser apreciado fora de contexto,
podendo parecer estranhamente 'chato' para leitores modernos (ainda
que a qualidade artística seja inegável). Talvez por isso não se
tenha ouvido falar mais extensamente desta obra da Aventura Gráfica,
quer à época da sua publicação, quer nas três décadas
subsequentes. Ainda assim, e conforme acima mencionámos, trata-se de
um esforço mais que louvável, e que bem merece esta nota por
alturas do trigésimo aniversário da sua publicação.
NOTA:
Por motivos de relevância temporal, esta Sexta, haverá Sessão, e a
próxima será com Style.
Os
anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção
de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas,
recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Os
filmes em que uma ou mais crianças estabelecem laços de amizade com
um animal fora do comum – que têm, posteriormente, de salvar de um
qualquer perigo – são um filão lucrativo desde o início da
História do cinema, e atravessavam em finais do século XX uma época
áurea, com clássicos infanto-juvenis como 'Libertem Willy', 'Voando
P'ra Casa', ou o filme de que falamos esta Sexta, poucos dias antes
de se celebrarem exactas três décadas sobre a sua estreia em
Portugal, e que, apesar de menos bem-sucedido que os seus pares, terá
ainda assim logrado entreter o público jovem da altura, e certamente
criado memórias nostálgicas no seio do mesmo.
Baseado
numa antiga série televisiva do mesmo nome, 'Flipper' aterrava nas
salas de cinema nacionais a 26 de Julho de 1996, trazendo como
principal atractivos um golfinho capaz de acrobacias mirabolantes –
chamariz imediato para qualquer criança – e a presença de Paul
Hogan, então ainda em alta graças ao sucesso dos filmes de
'Crocodilo Dundee'. Como inevitável presença 'jovem' ao lado do
veterano pseudo-australiano encontrava-se um dos mais promissores
jovens actores da época, já detentor de algum nome graças a filmes
como 'O Bom Filho' (ao lado de outra 'mini-estrela' da época,
MacaulayCulkin) ou 'Huckleberry Finn'. O seu nome? Elijah Wood,
ainda a pouco mais de meia década de se tornar nome conhecido de
toda a população cinéfila como protagonista principal de uma certa
trilogia de fantasia épica. Aqui, surge no papel do adolescente que,
ao lado do tio Hogan, tem de salvar as águas onde nada Flipper, o
golfinho, de poluição causada por residentes locais sem escrúpulos.
Uma
história já mais que 'batida' (e que parece saída de um episódio
de 'Capitão Planeta') mas que servia bem o propósito do filme – o
de criar uma 'cópia' de 'Libertem Willy' com um animal ligeiramente
mais simpático; e, nesse particular, não se pode dizer que o filme
seja de todo mal-conseguido. O problema é que, num mundo em que
'Libertem Willy' ia já na primeira sequela, torna-se ainda mais
aparente que 'Flipper' é apenas um 'seguidor' relativamente fiel,
razão pela qual talvez não tenha ficado na memória colectiva dos
'Millennials' portugueses (e do resto do Mundo) da mesma forma que os
filmes supracitados (além de passar bastante menos vezes na
televisão...) Ainda assim, é apenas justo lembrar aquela que é
mais uma boa produção infanto-juvenil da década de 90, no
fim-de-semana em que a mesma celebra os trinta anos da sua estreia em
Portugal.
NOTA:
Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 23 de Julho de 2026.
Todas
as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem
vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se
crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em
quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis
‘snacks’ daquela época.
Regra geral, apesar de a
Olá 'estrear' todos os anos vários novos
gelados, os mesmos tendem a ser relativamente 'padrão', com os
habituais sabores e texturas, apenas alicerçados em novos formatos e
conceitos. No entanto, há exactos trinta anos – no Verão de 1996
– a magnata dos gelados lançaria aquele que permanece, até hoje,
um dos mais originais gelados alguma vez comercializados em Portugal.
O cartaz da Olá de 1996, com o Chis na fila de baixo.
'Fadado'
a aparição única no icónico cartaz anual, o Chis estendia a sua
alusão a queijo para lá da mascote e da aparência do gelado
('esburacado' como uma fatia de queijo suíço) e procurava que o
mesmo evocasse, verdadeiramente, o sabor do queijo – algo que, à
primeira vista, parece impossível, mas que a companhia quase
conseguiu levar a cabo com este gelado. De facto, o sabor do Chis era
diferente do de qualquer outra guloseima gelada, e, aliado à textura
cremosa, fazia verdadeiramente pensar em queijo, algo que terá, sem
dúvida, 'afastado' tantos jovens portugueses do gelado quantos os
que atraiu (entre os quais se conta o autor deste 'blog', cuja
principal memória deste gelado foi a de o mesmo lhe ter derretido
nas mãos e na t-shirt.)
Foi,
pois, sem surpresas que o Chis se 'despediu' das arcas frigoríficas
nacionais no final da mesma estação em que fizera a sua estreia,
deixando a quem com ele conviveu uma vaga memória de um gelado
invulgar, e cuja existência será certamente difícil de acreditar
para quem não 'estava lá' naquele Verão de há três décadas
atrás. Para esses, fica acima a prova visual...
NOTA:
Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 22 de Julho de 2026.
Em
quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em
nenhum outro dia ou categoria do blog.
Numa
edição anterior desta rubrica, recordámos o Presidente da
República Portuguesa indigitado há três décadas atrás, Jorge
Sampaio, na altura para marcar o seu falecimento; agora, vários
meses depois, voltamos a fazer-lhe referência, desta vez no contexto
de uma efeméride única na democracia portuguesa, sobre a qual se
assinalam dentro de poucos dias exactos trinta anos.
Era,
efectivamente, a 27 de Julho de 1996 que, pela primeira e última vez
na História da política portuguesa, se fazia um pedido de
impedimento temporário a um Presidente da República. A razão para
tal requerimento era a segunda operação cardíaca de Jorge Sampaio
desde a sua tomada de posse, que levantava receios relativamente à
saúde do dirigente máximo português e levava a que o Tribunal
Constitucional apontasse o entretanto também já falecido António Almeida Santos, Presidente da
Assembleia da República, como substituto interino de Sampaio,
durante o período de recuperação deste último. E embora o
Presidente eleito viesse a recuperar, e liderar ainda o País durante
muitos e bons anos, os primeiros meses do seu mandato inicial não
deixam de ficar marcados por este acontecimento tão único quanto
insólito, que não podíamos deixar de recordar poucos dias antes de
sobre ele se assinalarem exactas três décadas.
Em
Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais
marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção
real.
Já
aqui por várias vezes falámos da era de ouro que a comédia
televisiva portuguesa atravessava na segunda metade dos anos 90,
sendo muitas e boas as opções disponíveis para fãs de humor. Há
quase exactos trinta anos (a 15 de Julho de 1996) a oferta neste
campo tornava-se ainda mais vasta, com a estreia na SIC de mais uma
das dezenas de séries humorísticas com elencos consagrados e
premissas prometedoras que, apesar de acabarem por não passar de uma
única temporada, chegavam ainda assim a conseguir entreter quem as
sintonizava.
Falamos,
neste caso, de 'Sai da Minha Vida', proposta encabeçada por Miguel Guilherme e RitaBlanco, no papel de um casal divorciado (décadas
antes de 'serem casados' em 'Conta-me Como Foi') cujas desavenças e
peripécias servem de 'motor' para os catorze episódios exibidos.
Como coadjuvantes – e como era apanágio deste tipo de emissão –
surgem uma série de nomes de 'luxo' do humor português da época,
como RitaSalema, Luís Aleluia (a poucos meses de se 'transformar'
no icónico 'Tonecas') e Adriano Luz, os quais ajudam a configurar
uma proposta bem típica do período televisivo português em causa,
e que, sem ser tão lembrado como outros programas da mesma época
(como o referido 'Tonecas' ou 'Malucos do Riso') merece, ainda assim,
uma breve 'chamada' nas páginas deste nosso blog, uma semana após
se completarem três décadas sobre a sua primeira emissão.
NOTA:
Este 'post' é parcialmente respeitante a
Quarta-feira, 16 de Julho de 2026.
Em
quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em
nenhum outro dia ou categoria do blog.
Os
anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só
dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de
interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos
mais marcantes dentro desse espectro.
Apesar
de nesta rubrica nos focarmos no 'boom' da banda desenhada em
Portugal em finais do século
XX, a verdade é que o meio tinha já, à época, uma tradição
secular no nosso País, tendo naturalmente 'descendido' das populares
caricaturas de jornal ainda nos tempos da monarquia. A primeira
grande 'expansão', no entanto, deu-se já no primeiro quarto do
século passado, quando as 'histórias aos quadradinhos'
verdadeiramente se popularizaram entre a juventude, dando azo a toda
uma série de publicações especializadas, não só em Portugal como
um pouco por todo o Mundo. E, de entre os periódicos nacionais deste
campo, um deles ganhou destaque suficiente para motivar a publicação
de um álbum comemorativo dos sessenta anos sobre o seu aparecimento:
'O Mosquito', jornal que – entre outros – acolheu trabalhos de
Eduardo Teixeira Coelho (nome sinónimo com a publicação) e JoséRuy, que começou como leitor (com apenas cinco anos) e terminou como
colaborador, naquele que talvez seja o melhor atestado à longevidade
da revista.
Editado
por Carlos Costa e publicado algures em 1996 pelas Edições Época
de Ouro, responsáveis por uma série de outros álbuns no mesmo
período, 'O Mosquito – 60º Aniversário' é precisamente aquilo
que se poderia esperar de uma edição deste tipo – uma compilação
de algumas das melhores BD's publicadas durante o tempo de vida do
jornal, em luxuosa edição de 'capa dura', capaz de satisfazer não
só os saudosos leitores do periódico durante o seu tempo de vida
como também de captar o interesse da então nova geração, a fim de
lhe apresentar heróis e autores de banda desenhada clássicos mas
que lhe eram, até então, desconhecidos. Não admira, pois, que se
trate hoje de uma edição rara, vendida por valores exorbitantes por
alfarrabistas – e, como tal, bem merecedora de destaque nestas
nossas páginas, no ano em que completa trinta anos de existência, e
em que o periódico que a inspirou completaria noventa...
Qualquer
jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e
nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas,
exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam
sucesso entre as crianças daquela época.
Quando
se pensa na cena radiofónica e musical do Verão de 1996 em Portugal
(e, para dizer a verdade, um pouco por todo o Mundo) vem
imediatamente à cabeça uma série de movimentos ainda hoje
relevantes e instantaneamente reconhecíveis, até mesmo por quem
ainda não era nascido quando todos os imitavam. Sim, a época
estival de há exactos trinta anos foi o ponto alto – cultural e
socialmente – da icónica dança da 'Macarena' e, por arrasto, da
música a que a mesma estava associada.
O
que poucos sabiam à época – e talvez nem mesmo saibam agora – é
que a versão da 'Macarena' ao som da qual toda uma geração dançou
não é a original, nem mesmo a primeira remistura; trata-se, isso
sim, da segunda revisão da música, que adiciona letras em inglês e
a famosa coreografia àquilo que era, originalmente, um tema de pura
música latina, conduzido por guitarras flamencas e com um ritmo
lento e contemplativo – precisamente o oposto da versão que
'rebentou' à escala mundial anos depois, e cujo impacto cultural
pode ser resumido pela imagem de políticos norte-americanos a
executar os inconfundíveis movimentos de braços durante um
congresso, frente a inúmeras câmaras de televisão.
E
a verdade é que, sem a adição dessa sequência de gestos, é
possível que o sucesso de 'Macarena' tivesse ficado confinado apenas
a Espanha ou, quanto muito, à Península Ibérica – ainda que uma
versão 'falsa' tivesse já penetrado em solo canadiano, executada
não pelos intérpretes originais, Los Del Rio, mas por Los
Del...Mar. A coreografia, e a 'febre' gerada pela mesma, asseguraram,
no entanto, a maior longevidade da música, que continuava a ser
ouvida (e dançada) mais de um ano e meio após o seu lançamento,
quase chegando também a ser o tema do Verão de 1997 – um feito
notável numa era em que os 'hits' radiofónicos tinham, normalmente,
um 'tempo de vida' de apenas alguns meses. Por isso, e por ainda hoje
ser um dos grandes identificadores culturais da geração
'Millennial' e da ponta final do século XX, a 'Macarena', e
respectiva dança, não podiam passar em claro nas páginas deste
'blog' nostálgico, numa altura em que se celebram os trinta anos do
seu 'pico' de relevância e popularidade em Portugal. E de certeza
que, só de ler estas linhas, haverá já gente a executar a
coreografia, em plena sala ou quarto, ao som silencioso da música
que toca na sua cabeça...
As
saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida
de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma
regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados
alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90
recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e
momentos.
Já
aqui, em tempos, falámos do aparecimento dos primeiros hipermercados
em Portugal, os quais vieram revolucionar por completo a forma de
fazer compras no País, influenciando directamente as abordagens
estratégicas, preçários e até horários das lojas mais
tradicionais, subitamente ameaçadas por estes novos competidores. E,
há cerca de trinta anos (em 1996) essa situação apenas se agravou
ainda mais, quando um dos 'gigantes' das grandes superfícies, o
GrupoSonae, decidiu criar uma solução de comércio de proximidade,
para rivalizar com cadeias de supermercados locais estabelecidas,
nomeadamente o Pingo Doce, o Minipreço e o espanhol Dia. Nascia
assim o Modelo Bonjour, que se valia da denominação já existente
desde os anos 80 como forma de diferenciar as suas lojas do 'primo'
de maiores dimensões – uma distinção que se manteria em vigor
durante os primeiros quinze anos de vida da cadeia, tantos quantos
leva a actual designação de Continente Bom Dia.
E
a verdade é que, apesar da prevalência das referidas cadeias nos
bairros e povoações portuguesas, o Modelo Bonjour não tardou a
afirmar-se como uma 'terceira opção' bem válida, com preços
competitivos e uma boa selecção de produtos – embora, claro,
menor que a dos supermercados da 'cadeia-mãe' Continente. Assim, na
mesma altura em que o Pingo Doce lançava a sua própria grande
superfície – o histórico e entretanto malogrado Feira Nova – o
Grupo Sonae fazia o 'caminho inverso' com ainda maior sucesso,
provando-se capaz de 'cavar' um lugar para si próprio no mercado de
proximidade, onde ainda hoje se mantém, quase exactas três décadas
após a abertura da primeira loja, ainda e sempre desejando aos seus
clientes um 'Bom Dia', agora em bom Português...
Trazer
milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta
faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal
Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da
juventude daquela época.
Entre
os muitos aspectos capazes de fascinar as demografias mais jovens, os
truques de magia sempre gozaram de um estatuto relativamente elevado.
Até o mais simples dos truques ou ilusões de óptica é capaz de
deleitar uma criança ou jovem, e a perene popularidade das caixas demagia entre as gerações pré-digitais comprovava que, para os
jovens daquele tempo, ser capaz de 'enganar', eles próprios, os
amigos ou familiares revestia-se também de alguma importância. Não
é, pois, de admirar que, quando uma companhia alimentar decidiu
oferecer uma Quinquilharia baseada numa simples ilusão de óptica, o
público-alvo tenha aderido com relativo entusiasmo, criando um dos
mais bizarros produtos promocionais de finais do século XX.
Falamos
da caixa Magic Pop da Chupa Chups, uma simples 'gaveta' com fundo
falso onde se podia guardar um chupa-chupa e, com algumas 'palavras
mágicas' e recurso ao referido alçapão, fazê-lo desaparecer e
reaparecer ante os olhos estupefactos dos pares; um truque de uma
simplicidade extrema, mas cujo mero conceito (e a respectiva
associação a um campo invulgar, como o dos produtos alimentares) o
tornava, por si só, meritório da atenção da demografia
infanto-juvenil da época. E apesar do impacto relativamente curto
que esta atracção teve aquando da sua chegada a Portugal há cerca
de trinta anos, algures em 1996, a verdade é que se tratou de uma
promoção original e diferenciada dos habituais cromos ou bugigangas
de cartão oferecidas nas batatasfritas ou no Bollycao, o que lhe
outorga um merecido lugar nesta rubrica dedicada aos melhores brindes
oferecidos por produtos portugueses em finais do século XX e inícios
do seguinte.
A
década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais
mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século
XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às
terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a
aterrar em terras lusitanas.
Na última
Sessão de Sexta, falámos dos dois primeiros filmes da série 'Toy Story', que apresentou ao Mundo a companhia de animação Pixar, hoje
uma das maiores do panorama cinematográfico infanto-juvenil; e
porque nenhum filme infantil que se preze passa sem artigos de
'merchandising' a si alusivos (incluindo, claro está, videojogos
oficiais) nada melhor do que nos debruçarmos agora sobre os títulos
electrónicos interactivos relacionados a cada uma dessas duas
longas-metragens.
Comecemos,
pois, por analisar o jogo oficial do primeiro 'Toy Story', lançado
no mercado europeu há quase exactos trinta anos – no Verão de
1996 – para as consolas líderes de mercado da altura: Mega Drive,
Super Nintendo e Game Boy (tendo a versão para Windows ficado do
outro lado do oceano). E apesar de desenvolvidas por companhias
diferentes – Tiertex para o título portátil, Disney Interactive
para o de Windows, e Traveller's Tales para os outros dois – todas
as versões se inseriam, grosso-modo, nos mesmos moldes de jogo de
plataformas bem típico da época, com o protagonista Woody a
atravessar níveis horizontais, da esquerda para a direita, usando o
seu cordão de fala para atordoar inimigos e ascender a áreas fora
do alcance, e ocasionalmente conduzindo o carro telecomandado de Andy
ou percorrendo a labiríntica máquina de garra para salvar os
pequenos extra-terrestres nela residentes, a caminho do confronto
final com um 'inimigo-chefe'. Nada que destacasse o jogo de dezenas
de outros disponíveis para as consolas da altura – não fossem os
gráficos com efeito 3D (apesar de bidimensionais) e a utilização
de modelos e animações do próprio filme, que revestem o título da
qualidade e riqueza de detalhes típica dos jogos da Disneyda época.
O
mesmo, aliás, se pode dizer de 'Toy Story 2 – Buzz Lightyear to
the Rescue', um jogo de aventura e plataformas 3D em tudo típico do
mercado da sua época (foi lançado na Europa no ano 2000) mas que
cativa pela qualidade dos gráficos, animações e sonoplastia, que
remetem ao ambiente da franquia cinematográfica. Lançado, mais uma
vez, para as consolas 'topo de gama' da época (PlayStation, Nintendo64 e Dreamcast) bem como, por razões desconhecidas, para
computadores Macintosh (apesar de a versão Windows ter, mais uma
vez, ficado restrita ao mercado norte-americano) o jogo é, como o
seu predecessor, emblemático de uma 'era de ouro' para os jogos de
video da Disney, a qual lançava, nos anos finais do Segundo Milénjo
e inícios do seguinte, uma série de jogos de aventura licenciados
capazes de 'encher as medidas' aos jogadores mais novos. De referir
que este título teve, também, a inevitável e obrigatória versão
'portátil', para Game Boy Color, a qual – sem qualquer surpresa –
tomava a forma de um jogo de plataformas 3D típico do 'hardware' em
causa.
Apesar
de não 'rebentarem a escala' nem surpreenderem por aí além,
portanto, os jogos alusivos aos dois primeiros filmes da saga 'Toy
Story' afirmam-se, ainda assim, como excelentes exemplos do seu tipo
de videojogo, merecendo um lugar tanto na memória nostálgica dos
jovens da época (portugueses e não só) como nas páginas deste
'blog', poucos dias após termos feito menção aos filmes que os
inspiraram, e numa altura em que se prevê a sua inclusão numa
compilação a ser lançada para as consolas de nova geração –
prova cabal do lugar que ambos conseguiram conquistar na cultura
popular nos anos desde o seu lançamento.
NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 03 de Julho de 2026.
Os
anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção
de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas,
recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Ainda
que as franquias animadas com diversos capítulos não sejam nada de
novo, sobretudo desde o início do Terceiro Milénio, é ainda assim
incomum encontrar uma que leve já três décadas, sempre com o mesmo
grau de sucesso. 'Em Busca do Vale Encantado', por exemplo,
encontra-se desde há muito remetido para o mercado do vídeo, o
mesmo sucedendo com 'Alfa e Ómega'; séries como 'O Panda do
Kung-Fu', 'Como Treinar o Seu Dragão' ou 'Gru, O Mal-Disposto', por
outro lado são significativamente mais recentes, deixando apenas
'Shrek' como o único verdadeiro concorrente da franquia a que
dedicamos este 'post', e cujo quinto capítulo faz actualmente
sucesso nas bilheteiras mundiais. Altura ideal, portanto, para
recordar os humildes inícios de um 'cowboy' e de um astronauta que,
nos mais de trinta anos desde a sua estreia, cimentaram merecidamente
um lugar no imaginário infanto-juvenil mundial.
Produzido
em 1995 e estreado em Portugal na Primavera do ano seguinte, 'Toy
Story – Os Rivais' marcava não só a estreia em longa-metragem da
californiana Pixar – até então produtora de 'spots' publicitários
e curtas-metragens – como também uma autêntica revolução no
mercado da animação, à época ainda dominado por filmes de
produção totalmente artesanal e que, do dia para a noite, via
surgir nas salas de cinema uma obra totalmente criada por computador.
Mais – ao contrário do que se poderia esperar, o filme não se
fazia valer do factor 'novidade', apresentando uma história cuidada
e que nada perderia caso a animação fosse 'feita à mão'.
Com
personagens memoráveis – não só os protagonistas Woody e Buzz
como os restantes brinquedos 'vivos' do quarto do pequeno Andy –
diálogos hilariantes (potenciados, em Portugal, por uma das melhores
dobragens alguma vez produzidas num estúdio nacional) e os
inevitáveis momentos emocionais, o primeiro 'Toy Story' não podia
deixar de ser um sucesso entre a 'pequenada', e foi sem surpresas que
a aventura dos dois 'parceiros melindrados' se tornou um dos grandes
sucessos não só da sua época de estreia, mas do próprio catálogo
da Disney, então em plena fase hegemónica de 'Renascença',
justificando assim os esforços da Pixar e tornando o nome da
companhia sinónimo de animação por computador de qualidade. E
ainda que, hoje em dia, a animação 3D comece a parecer algo
antiquada, o filme afirma-se ainda suficientemente cativante para
justificar uma Sessão de Sexta, quer como parte de uma maratona,
quer apenas emparelhado com a sua primeira sequela, amplamente
considerada uma das melhores de todos os tempos.
De
facto, 'Toy Story 2: Em Busca de Woody' – terceiro filme da Pixar,
após o algo mais fraco 'Uma Vida de Insecto' – consegue a proeza
de ombrear com o seu antecessor, levando ao expoente máximo a
fórmula 'mais do mesmo, mas maior e melhor'. Aquilo que poderia
apenas ser uma 'cópia' do primeiro filme com os papéis trocados –
com Buzz a ter, desta feita, de salvar Woody – atreve-se, pelo
contrário, a explorar novas dimensões do 'mundo' de Toy Story,
introduzindo novas personagens (o que se viria a tornar um dos
esteios da série) e tornando a aventura dos brinquedos
significativamente mais ampla que a do primeiro filme, com mais cenas
de exterior, muito mais acção, e um tema musical que muitos
consideram ainda melhor do que 'Sou Teu Amigo, Sim'. Como tal, foi
novamente sem surpresas que o filme 'arrasou' nas bilheteiras
nacionais aquando da sua estreia em Fevereiro de 2000, inscrevendo
mais um nome naquela que viria a ser uma longa lista de sucessos para
a Disney-Pixar.
O
que, efectivamente, surpreendeu foi o facto de os capítulos
seguintes da série (estreados em 2010 e 2019, respectivamente)
serem, também eles, filmes cuidados, sendo 'Toy Story 3',
inclusivamente, considerado tão bom ou melhor do que os seus dois
antecessores. E ainda que 'Toy Story 5' vá, para já, dividindo
opiniões, o impacto daquela que sempre foi a série-estandarte da
Pixar (e onde 'tudo começou' para a companhia) não parece dar
sinais de enfraquecer, podendo Woody, Buzz e companhia vir
potencialmente a fazer parte do imaginário infantil de quatro
gerações – algo de que poucas companhias àparte a própria
Disney se podem gabar. Oportunidade perfeita, pois, para recordar os
primórdios da série, e 'regressar' aos tempos da estreia do
original, em que a geração 'millennial' era da idade do
protagonista Andy e se debatia, ela própria, com a questão de qual
seria o seu brinquedo favorito...
NOTA: Por motivos
de relevância temporal, trocaremos ambas as
categorias deste fim de semana com as do próximo.
NOTA:
Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 20 de
Junhode
2026.
As
saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida
de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma
regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados
alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90
recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e
momentos.
Aos
Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais
acontecimentos e personalidade do desporto da década.
No
último post duplo de fim-de-semana, celebrámos os trinta e cinco
anos do Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, de que Portugal
foi anfitrião, e que celebrava o seu aniversário no próprio dia da
publicação. Para darmos atenção e ênfase a essa competição, no
entanto, fomos forçados a pôr de parte uma outra, realizada no
mesmo período alguns anos mais tarde, e que celebra igualmente um
aniversário marcante neste ano de 2026; chega, pois, agora a hora de
corrigirmos essa situação e falarmos das duas únicas edições do
torneio de ténis conhecido como Porto Open ou Maia Open.
O Complexo Desportivo da Maia, onde o torneio se desenrolou.
'Resposta'
nortenha ao Estoril Open, o Porto Open realizou-se em meados do mês
de Junho dos anos de 1995 e 1996, tendo tido lugar, respectivamente,
entre os dias 12 e 18 e entre os dias 10 e 16. Jogado, como
o seu congénere sulista, em 'courts'
exteriores com piso de terra batida (no caso, os do Complexo de Ténis
da Maia) o torneio em causa dava aos fãs de ténis do Norte do País
a ocasião de efectuarem uma Saída de Sábado para ver de perto
alguns dos seus ídolos, bem como outros tenistas de um pouco por
todo o Mundo. E se a edição de 1995 via os participantes espanhóis
efectuar uma 'razia', disputando os títulos individual e de pares
entre si e não dando hipótese a qualquer outra nação, o segundo e
último (sobre o qual se acabam de completar trinta anos) foi
bastante mais equilibrado neste aspecto, com tenistas argentinos e
australianos nas duas finais, e uma dupla portuguesa (Emanuel Couto e
Bernardo Mota) como campeã da sua categoria, naquele que era o
primeiro título da carreira de ambos os tenistas.
Infelizmente,
não existem na Internet actual informações sobre o porquê de este
torneio ter sido retirado do 'tour' ATP após apenas dois anos, pelo
que apenas podemos especular quanto ao seu precoce desaparecimento;
pelo menos durante aqueles dois anos em meados da década de 90, no
entanto, os entusiastas de ténis portugueses tiveram, não apenas
uma, mas duas oportunidades de ver ao vivo o seu desporto favorito, e
alguns dos seus melhores executantes.
Em
quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em
nenhum outro dia ou categoria do blog.
Apesar
de o seu 'ex-libris' ser a indústria têxtil e de calçado, Portugal
tem, ao longo das décadas, brilhado com relativo fulgor também em
outras áreas da manufactura, como é o caso do sector automóvel,
onde é ainda hoje um dos países de referência, não admirando,
portanto, que diversas marcas automóveis tenham eleito Portugal como
uma das suas bases de operações no que toca à linha de montagem de
veículos. Uma dessas marcas foi a Renault, cuja fábrica era uma das
principais agregadoras de emprego no altamente industrializado
distrito de Setúbal nos anos 80; no entanto, à entrada para a
última década do século XX, as instalações da fabricante
francesa encontravam-se em riscos de fechar, com a própria empresa
envolvida em litígio com o Estado e quase meia centena de postos de
trabalho em risco - uma situação que apenas se viria a resolver
mediante um acordo celebrado há quase exactas três décadas, após
mais de três anos de negociações.
Era,
de facto, apenas a 04 de Junho de 1996 que o Governo português e a
sede da Renault, em França, chegariam a acordo quanto ao futuro da
fábrica de Setúbal, mediante uma transacção que rendia ao Estado
onze milhões de 'contos' (ou onze mil milhões de escudos),
relativos à sua participação social na empresa francesa, e que via
a mesma ceder posse da fábrica por uma fracção do seu verdadeiro
custo, mediante o compromisso do Governo em retirar a queixa vigente
no Tribunal Internacional de Justiça. Do acordo fazia ainda parte
uma verba de três milhões de 'contos', destinada a precaver
quaisquer despedimentos resultantes do processo de venda da fábrica,
rendendo ao Estado português um total de mais de quinze mil milhões
de escudos e libertando-o, ao mesmo tempo, das responsabilidades para
com a construtora francesa.
Apesar
do bom termo das negociações, no entanto, este acordo não seria
suficiente para salvar a fábrica a longo prazo, acabando a mesma –
à falta de novos investidores, e face ao prejuízo em que vinha
operando – por fechar alguns anos depois, dando lugar à Sociedade
de Desenvolvimento da Indústria Automóvel (SODIA) que até hoje
ocupa as instalações. Ainda assim, nunca é demais recordar uma
acção positiva e proactiva do governo de António Guterres em prole
da indústria portuguesa, numa altura em que acabam de se celebrar
trinta anos sobre esta efeméride aparentemente menor, mas revestida
de alguma importância, da política portuguesa dos anos 90.
Qualquer
jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e
nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas,
exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam
sucesso entre as crianças daquela época.
Quando
se fala de músicas icónicas para as gerações 'X' e 'millennial'
portuguesas, é impossível não recordar os 'hits de Verão' que,
anualmente, punham as crianças de Norte a Sul do País a dançar, e
lançavam os respectivos autores para a 'ribalta' – pelo menos
temporariamente, até serem substituídos pelo próximo artista ou
grupo com uma batida dançável e um refrão cativante. Os exemplos
são inúmeros, quase todos dentro do género do 'Europop'
(Whigfield, Aqua, Vengaboys, Lou Bega, Las Ketchup) embora, aqui e
ali, houvesse espaço a um ou outro 'intruso', fosse ele uma dança como a Macarena, um grupo
como Spice Girls, Backstreet Boys, Santamaria ou Excesso, um grupo de
comédia como os Mamonas Assassinas, Mercurioucromos ou Lunáticos,
uma 'importação' brasileira como Iran Costa, Daniela Mercury ou Netinho, um grupo de
'rap' com um 'hit' acidental, um cantor romântico, um 'fusionista' jazz como PedroAbrunhosa ou um artista de pendor mais electrónico, como os Bomfunk
MC's de 'Freestyler', os Eiffel 65 de 'Blue (Da-Ba-Dee)' ou o
italiano que, há exactos trinta anos, lançava o disco que viria a
conter o grande êxito do Verão de 1996.
Embora
aquando do seu lançamento, a 07 de Junho de 1996, 'Dreamland' (álbum
de estreia do DJ Roberto Contini, conhecido profissionalmente como
Robert Miles) fosse já no seu terceiro single, a vasta maioria do
público internacional (no qual se incluíam as crianças
portuguesas) conhecia-o, apenas e só, pela primeira faixa do álbum,
que havia também sido o seu primeiro single alguns meses antes.
Ainda hoje, perguntar a qualquer elemento da última vaga da Geração
X ou da primeira dos 'millennial' por 'Children' é activar uma
daquelas memórias dormentes, pronta a ser desperta no momento certo;
da boca dos mesmos sairá assim, quase certamente, uma aproximação
honesta quanto-baste do icónico 'riff' de piano que guiava o único
'hit' do italiano, e ao som do qual todo o jovem lusitano terá
dançado repetidas vezes naquele Verão de 1996.
Infelizmente,
como sucedia com a maioria destes artistas (com honrosas excepções)
Robert Miles era remetido ao esquecimento tão rapidamente como
surgira, uma vez findo o Verão e, com ele, o apelo de 'Children'. À
distância de trinta anos, no entanto, é inegável que se trata de
um excelente exemplo do peculiar sub-género de electrónica que
florescia no Sul da Europa à época, bem merecedora de uma rápida
'escutadela' de 'aniversário', a qual, sem dúvida, remeterá toda
uma geração a dias de Verão passados à beira da piscina, com a
'malha' de Miles como banda-sonora...
Em
Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais
marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção
real.
Uma
das formas que os quatro canais portugueses tinham, em finais do
século XX, para preencher espaços livres nas
suas grelhas era através da repetição de séries clássicas de
décadas passadas, dando assim a todo um novo público a oportunidade
de as conhecer e, potencialmente, as começar a seguir. E apesar de o
canal mais pródigo nesta estratégia ser a RTP2 – que preenchia,
invariavelmente, os seus inícios de noite da época com 'sitcoms'
clássicas dos anos 60 – as outras emissoras tão-pouco eram
avessas a esta prática, como o demonstra o facto de, em inícios de
Junho de 1996 (há quase exactos trinta anos, portanto) a TVI ter
dedicado um bloco dos seus próprios inícios de noite a 'Olho Vivo',
outro exemplo histórico e icónico do modelo de 'sitcom' americano,
da mesma época das da RTP2.
Foi
assim que toda uma nova geração de jovens ficou a conhecer o
azarado Smart, Maxwell Smart, Agente 86 de uma das muitas agências
que proliferavam na ficção da altura, obcecada com o género da
espionagem. A diferença é que o serviço secreto a que Smart
pertencia havia sido criado por Mel Brooks, o que garantia muitas
gargalhadas ao longo de três temporadas, com conceitos como o 'Cone
de Silêncio' (que funcionava até bem demais) e a tensão romântica
entre Smart e a parceira, a Agente 99, uma 'beldade' de botas altas e
vestido curto, bem ao estilo da época.
E
apesar das então quase três décadas entre a estreia da série nos
EUA e o seu regresso à TVI, a comédia de 'Olho Vivo' revelou-se
intemporal o suficiente para criar novos fãs, tendo o programa,
inclusivamente, sido repetido ainda alguns anos mais tarde, como
parte da grelha de um dos canais de 'Memória' da TV Cabo. Uma aposta
ganha pela estação de Queluz, portanto, que não só preenchia um
dos espaços da sua grelha como também 'recuperava' um clássico,
várias décadas depois, e o apresentava a todo um novo público,
menos habituado a este tipo de comédia, mas ainda assim pronto a ter
mais um programa para seguir naqueles inícios de noite frente à
televisão...
Trazer
milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta
faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal
Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da
juventude daquela época.
Já
aqui por diversas vezes falámos das variavelmente icónicas
colecçõesdecromos e outrosbrindesempapel oferecidos com o
Bollycao, o lendário pão com chocolate trans-geracional que, em
finais do século XX, tinha como principal ponto de interesse,
precisamente, os seus brindes; e, de entre estes, talvez o mais
icónico de sempre tenha sido a colecção 'Tous', uma série de
cromos em que um simpático 'bicharoco' verde-lima interpretava
visualmente os estados de espírito descritos no cartaz que sempre
segurava. Lançados em finais dos anos 80, mas com 'sequela' em
princípios dos 90, estes cromos marcaram a 'intersecção' entre as
gerações 'X' e 'millennial', tornando-se num dos grandes brindes
promocionais do Portugal da época, ao lado dos 'Pega-Monstros',
Tazos e Matutolas da rival Matutano e dos 'bonequinhos' dos ovosKinder. Não é, pois, de admirar que, mais de meia década após a
série original, o Bollycao tenha tentado um conceito muito
semelhante, desta vez com o incentivo adicional de um concurso
acoplado; nascia, assim, a colecção 'Tás', lançada algures há
trinta anos, na primeira metade do ano de 1996.
Como
o próprio nome indica, esta nova série mais não fazia do que
repetir o conceito dos clássicos 'Tous' mas, desta, vez, de uma
perspectiva de 'terceira pessoa', em que cada acção era ditada, não
pelo próprio personagem, mas por uma espécie de 'narrador'
invisível. A substituir o 'Tou' surgia, agora, um ser redondo,
avermelhado e com picos, que o faziam assemelhar-se à tradicional
imagem de um vírus patente nos desenhos animados ou materiais
didácticos da época – talvez não tão simpático quanto o seu
antecessor, mas ainda assim visualmente apelativo o quanto baste para
atrair o público-alvo.
O
principal factor de interesse da colecção para esse mesmo
público-alvo era, no entanto, o concurso que lhe estava associado,
em que os jovens se podiam habilitar a ganhar consolas PlayStation (o
'Santo Graal' dos prémios da época, tendo substituído nesse papel
a Mega Drive), bicicletas de montanha ou (mais provavelmente)
't-shirts' alusivas à colecção. Qualquer que fosse o prémio, no
entanto, obtê-lo não se afirmava tarefa fácil, já que era
necessário encontrar um cromo com o texto 'Tás Com Sorte' e,
(presumivelmente) enviá-lo para a Panrico em troca do prémio em
causa (infelizmente, os detalhes de como obter o prémio em si
perdem-se no tempo); nada que impedisse as crianças da época de
tentar, devendo esta iniciativa ter resultado num aumento de vendas
do produto naquela Primavera e Verão de 1996.
No entanto, e ao contrário da mítica inspiração,
a colecção 'Tás' não ficaria particularmente na memória dos
portugueses da faixa etária a que se destinava, tendo o 'isco' dos
prémios resultado a curto-prazo, mas não disfarçado a falta de
originalidade da série (ainda que a arte dos cromos fosse bastante
bem conseguida). Vale, ainda assim, a pena recordar mais uma das
muitas colecções com que o Bollycao assegurava vendas durante a sua
'década áurea', numa altura em que se celebram trinta anos sobre o
lançamento da série em causa.
Porque
nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças
portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá
destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante
aquela década.
Mesmo
em meados dos anos 90, a carreira de HermanJosé
já dispensava apresentações; com, à época, mais de uma década
de presença assídua na televisão e teatro portugueses (primeiro
como actorcómico e, mais tarde, também como apresentadordevariedades) o carismático luso-alemão era já 'companhia' apreciada
nas tardes da grande maioria dos portugueses. Não é, pois, de
admirar que, em 1996, aquela que até então havia sido a sua
emissora de sempre lhe decidisse prestar homenagem, sob a forma de um
programa retrospectivo da sua carreira, que se haveria de chamar
'Herman Total'.
Capa da compilação em VHS.
Estreado
há exactos trinta anos – em Maio de 1996 – 'Herman Total'
distinguia-se das habituais produções com o nome do humorista
associado pelo seu cariz documental. De facto, apesar de as rábulas
e 'sketches' de Herman marcarem presença (algo inevitável para um
programa associado ao humorista) as mesmas serviam propósitos
puramente 'de arquivo', surgindo entremeadas com entrevistas a
figuras ligadas a Herman e números musicais regravados por artistas
como Rui Veloso ou Pedro Abrunhosa, naquela que era uma tentativa
declarada (e bem sucedida) de homenagear o humorista luso-alemão
através de uma montagem dos seus melhores e mais icónicos momentos.
Os
esforços da RTP não se ficariam, no entanto, pela mera exibição
deste trabalho na sua grelha, sendo que, três anos depois (já ao
cair do pano do Segundo Milénio) a emissora, em parceria com a
Lusomundo, lançaria o programa em formato VHS, espalhado por um
total de quatro volumes, ajudando assim a preservar e eternizar
fisicamente a memória não só do trabalho, como da carreira do seu
protagonista até então. Quanto a Herman, a sua carreira
prosseguiria de vento em popa, podendo o mesmo ser, até hoje, visto
nos ecrãs nacionais, precisamente com o mesmo tipo de presença,
material e relação com o público-alvo que mantém há quase
cinquenta anos; oportunidade perfeita, talvez, para 'actualizar' a
homenagem de 1996 e, três décadas depois, efectivar uma segunda
série de 'Herman Total'?
Em
Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais
marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção
real.
A
comédia inglesa das décadas de 70 e 80 – a
chamada 'Britcom' – é ainda hoje tida como um dos melhores
exemplos de sempre de como escrever séries de humor para televisão,
não sendo, pois, de admirar que um sem-número de programas desse
movimento tenha servido de inspiração para adaptações localizadas
em outros países. Portugal não foi excepção nesse sentido, tendo
sido váriosos exemplos de 'Britcoms' 'aportuguesadas' a passar na
televisão portuguesa durante as décadas de 80 e 90 – como é o
caso da série que focamos esta Segunda-feira, quase exactos trinta
anos após a sua estreia na SIC.
Era,
de facto, a 17 de Maio de 1996 que pela primeira vez ia ao ar 'Pensão
Estrela', a versão lusitana da inglesa 'Rising Damp', sobre um grupo
de habitantes de uma pensão, e as peripécias em que os mesmos se
envolvem – um tema, curiosamente, já explorado em várias outras
sériesnacionais da mesma década, mas que continuava
a dar 'pano para mangas' no tocante a situações humorísticas. E,
como era apanágio das comédias televisivas da época, também esta
'Pensão' contava com uma lista de 'hóspedes' de luxo, tendo à
cabeça José Raposo (no papel do senhorio com o mesmo apelido) e
como inquilinos Ana Bustorff, Ângelo Torres e Marco Horácio, com
suporte a surgir da parte de veteranos como Adriano Luz, Carla
Andrino ou Helena Laureano, entre outros actores bem 'versados' na
arte de fazer rir.
Apesar
destes consideráveis argumentos, no entanto, 'Pensão Estrela'
acabou por não se afirmar tão memorável quanto outras séries do
mesmo tipo, tendo-se 'perdido' entre a vasta oferta da época e
encontrando-se, hoje, algo 'Esquecida Pela Net', com apenas a sinopse
e alguns dados técnicos a estarem disponíveis em páginas online
(e, por vezes, incorrectos, com uma fonte a apontar a série como
tendo passado em 1995) e nem sequer um breve trecho disponível no YouTube. Ainda assim, para fãs de comédias
situacionais que queiram ver um 'Fawlty Towers' à portuguesa, esta poderá
ser mais uma boa proposta para recordar numa tarde chuvosa em que
bata mais a 'nostalgia'...