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Monday, 27 April 2026

Segundas de Séries: Vinte e Oito Anos de 'Camilo na Prisão' - 'Sentenciado' A Fazer Rir Os Portugueses

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quando se fala de grandes nomes da comédia televisiva contemporânea em Portugal, Camilo de Oliveira surge logo a seguir a luminárias como Herman José, Vítor de Sousa e Raul Solnado, sendo talvez menos 'intemporal' que estes, mas tendo gozado de um extenso período de fama e sucesso durante as décadas de 90 e 2000, quando era quase impossível evitar ver pelo menos um excerto ou 'spot' publicitário de uma das suas inúmeras séries. Um desses muitos veículos para o humor brejeiro e abertamente popular do actor estreava no seu canal de sempre, a SIC, há exactos vinte e oito anos; é sobre essa série que nos debruçaremos nas próximas linhas.

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Com um título o mais auto-explicativo possível, 'Camilo na Prisão' levava ao ar o seu primeiro episódio logo a seguir ao feriado nacional de Abril do ano de 1998, e trazia o titular Camilo no papel de um ladrão que, após um incidente de destruição em cadeia ao volante de um camião roubado, é sentenciado a cinco anos de prisão; claro está, no entanto, que esta premissa servia meramente como desculpa para as habituais peripécias típicas das séries do actor, um daqueles nomes que interpreta sempre uma variante de si próprio, mas de quem também é esperado que asism seja. Nesse capítulo, Camilo volta a não desiludir nestas suas 'férias' atrás das grades, bem coadjuvado por nomes como Henrique Viana ou Carlos César – o que, no entanto, não impede que esta produção seja apenas 'mais uma' na autêntica 'linha de produção' que Camilo e a SIC operavam durante o período em causa, 'debitando' uma temporada de uma dúzia de episódios antes de 'passar a outra'.

Ainda assim, quanto mais não seja pela efeméride da data de estreia (a 26 de Abril, tendo este 'post' falhado o vigésimo-oitavo aniversário por apenas vinte e quatro horas) vale a pena recordar este esforço relativamente 'menor' de um homem que, durante um período de cerca de cinco a dez anos em torno da viragem do Milénio, fazia consistentemente rir tanto a demografia-alvo deste 'blog' como os seus familiares mais velhos, agregando gerações como apenas os verdadeiros 'grandes' sabem fazer.

Thursday, 26 March 2026

Quartas aos Quadradinhos: A Carreira de Luís Diferr, Nome 'de Culto' da BD Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Março de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Como deverá ter ficado bem patente no 'post' sobre as aventuras de Jim Del Monaco, a BD franco-belga dos anos 50 a 80 era fonte de inspiração para a maioria dos ilustradores e criadores de BD nacionais. No entanto, apesar de fortemente influenciados pelo estilo, poucos há que possam, efectivamente, reclamar um papel colaborativo com uma das suas inspirações; uma dessas (poucas) excepções é Luís Diferr, o recém-malogrado desenhista que, durante a última década do século XX, chegou a colaborar com o editor dos álbuns póstumos do popular herói franco-belga Alix, para além de ter lançado duas séries (num total de quatro álbuns) em nome próprio, e tido direito a extensa exposição no icónico Festival de Banda Desenhada da Amadora, em 1992.


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Nascido em Angola em 1956, Diferr licenciou-se em Arquitectura, tendo chegado a exercer funções como professor de Geometria Descritiva, mas era na BD que residia a sua verdadeira paixão, a qual se ia traduzindo numa enorme diversidade de ilustrações, 'tirinhas' e pranchas 'espalhadas' por um sem-número de fanzines e outras publicações de finais dos anos 80 e inícios de 90. Seria, no entanto, apenas em Março de 1991 (há exactos trinta anos) que o sonho se tornaria realidade, com a edição do primeiro volume completo da autoria de Diferr, no caso a primeira de duas aventuras do cosmopolita Herb Krox, 'O Homem de Neanderthal', cuja continuação, 'Os Deuses de Altair - I', sairia apenas sete anos depois, já depois do lançamento de 'O Lago Iluminado', primeira e única aventura de Drakar, o Minossauro, criada em parceria com o argumentista José Abrantes.


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As duas aventuras de Herb Krox, editadas em extremos opostos dos anos 90.


Após este ponto, a carreira de Diferr entraria em ciclo descendente, não obstante o aparecimento, em 2002, de dois novos personagens, no contexto de um volume de homenagem a Vasco Granja, e o lançamento do mais importante projecto do autor, um volume sobre Portugal inserido na colecção 'As Viagens de Lois', idealizada por Jacques Martin (criador de Alix) nos anos anteriores ao seu falecimento, em 2011. O próprio Diferr viria a deixar-nos em 2025, sem nunca ter atingido grande notoriedade no contexto da BD nacional ou internacional, mas tendo almejado um merecido estatuto de culto, conseguido também, em parte, pela sua actividade enquanto 'blogger', que manteria até 2016; já a este 'blog' (que não é seu) interessa, sobretudo, assinalar os trinta e cinco anos da publicação do álbum que daria início a esse percurso, e o colocaria pela primeira vez no 'radar' dos bedéfilos portugueses, e que serve como 'desculpa' para a breve retrospectiva de carreira levada a cabo nestas linhas.

Sunday, 15 February 2026

Domingo Desportivo: Portugal Nas Olimpíadas de Inverno dos Anos 90 - O Início de Um Precedente Discreto

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


No presente momento sócio-cultural internacional, o grande tópico de debate e interesse a nível desportivo são as Olimpíadas de Inverno; e, embora os desportos na neve e no gelo não sejam uma área em que Portugal tenha grande tradição ou expressão (por razões óbvias), a verdade é que o nosso País não tem deixado, ao longo dos anos, de enviar atletas a esta competição, os quais, apesar de nunca favoritos e ainda menos medalhados, não deixam, ainda assim, de ter tido o privilégio de representar Portugal a nível olímpico, sendo por isso merecedores de destaque. Os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo dois dos três eventos realizados nessa década contado com participação portuguesa, por muito discreta e nominal que a mesma tenha sido.


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De facto, após falharem por completo a presença na Olimpíada de 1992, Portugal lograva pela primeira vez enviar um representante à prova no ano de 1994 – Georges Mendes, que competia na categoria de esqui alpino e que viajava sozinho para a Noruega. Já quatro anos depois, no Japão, o número de atletas nacionais via-se duplicado, com representantes de ambos os sexos – a também porta-bandeira Mafalda Pereira (primeira mulher portuguesa a participar na prova) no esqui 'freestyle' e Fausto Marreiros na patinagem de fundo, modalidade em que a holandesa Jutta Leerdam acaba de estabelecer novo recorde, poucos dias antes da publicação deste 'post'.


Nenhum dos dois atletas se classificaria na respectiva prova, com Mafalda a terminar fora dos vinte primeiros (tendo, ainda assim, logrado a melhor classificação de sempre para o nosso País numa Olimpíada de Inverno, conforme se pode ler na imagem que ilustra este 'post'), e Fausto a nem sequer almejar entrar nos trinta melhores .Ainda assim, e conforme acima referimos, a mera possibilidade de representar o País a nível Olímpico (por muito pouca que tenha sido a glória) é, por si só, suficiente para colocar estes dois atletas (e Georges Mendes antes deles) no panteão de grandes nomes do desporto português, tendo os mesmos superado o 'ponto máximo' a que chegam a maioria dos desportistas, e estabelecido um precedente para Portugal no tocante a participações nas Olimpíadas de Inverno; razão mais que suficiente para merecerem ser recordados ao lado de outros olimpianos nacionais, e para lhes dedicarmos estas breves linhas, por ocasião de mais uma edição do certame que os notabilizou.

Tuesday, 13 January 2026

Segundas de Sucessos / Terças Tecnológicas: Quando a Codemasters 'Deu Música' Aos Seus Fãs

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.


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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.


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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

Wednesday, 19 November 2025

Quartas de Quase Tudo: Os Dinossauros 'Aqui À Porta'

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Em 1998, a chamada 'dinomania' já se havia esvaído um pouco, tanto em Portugal como no resto do Mundo – afinal, 'Parque Jurássico' (o grande catalista do interesse de toda uma geração por dinossauros, e responsável por um aumento significativo na venda de réplicas em borracha daqueles animais) tinha estreado há já quase meia década, o que, em 'anos de criança', o tornava praticamente num 'fóssil' igual aos que retratava. No entanto, justamente quando o interesse pelos gigantes pré-históricos começava a esmorecer, duas descobertas fascinantes, feitas em pleno solo português, vieram relançar o fascínio pelas criaturas em causa.


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Um dos fósseis encontrados na Lourinhã, no caso um ninho de ovos de crocodilo com vários milhões de anos.


Isto porque foi nesse ano que tiveram lugar dois acontecimentos paleontólogicos de relevo, ambos ligados à mesma faixa de areia na região Centro de Portugal. Isto porque não só era descoberto nesse ano, na praia de Paimogo, um ninho com centenas de ovos fossilizados de dinossauro (e, como se veio a revelar mais tarde, também de crocodilo) como também era oficialmente atributo estatuto de espécie distinta ao esqueleto encontrado naquele mesmo local mais de uma década e meia antes, ao qual era dado o nome de 'Lourinhanossaurus Antunesi', em honra do paleontólogo responsável pela sua descoberta.


De uma assentada, os fãs de dinossauros tinham, assim, dois eventos de monta para celebrar, ambos praticamente 'às portas' da capital portuguesa, fazendo com que os dinossauros parecessem mais próximos do que nunca, senão temporalmente, pelo menos geograficamente. Tal contribuiu, naturalmente, para reavivar o interesse de muitas crianças e jovens pela pré-história, e especificamente pelos animais em causa - embora nunca se tenha chegado a verificar uma segunda 'dinomania' – e, juntamente com a descoberta das gravuras rupestres de Foz Côa, entrou para a História paleontológica portuguesa como um dos maiores acontecimentos do campo na década de 90.


Ao contrário do que sucederia com Foz Côa, no entanto, só já numa fase bastante adiantada do Terceiro Milénio é que a Lourinhã conseguiria 'capitalizar' sobre a sua reputação como 'capital portuguesa dos dinossauros', com a abertura do Dinoparque, em 2018 – mais de duas décadas após os seus 'cinco minutos de fama' nos círculos paleontológicos, e na sociedade portuguesa em geral. Como diz o ditado, no entanto, 'mais vale tarde que nunca', e a localidade continua até hoje a ser associada aos fascinantes gigantes do princípio dos tempos, e a tirar dividendos das descobertas ali feitas nas décadas de 80 e 90, e que puseram pela primeira vez (e de forma bastante literal) os dinossauros no 'mapa' português...

Tuesday, 3 December 2024

Segundas de Séries: As Duas Adaptações Animadas de 'Luluzinha'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2024.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui anteriormente falámos de séries animadas que, apesar de visível e declaradamente produzidas no Japão, se destinavam sobretudo ao mercado ocidental, optando por isso por adaptar propriedades intelectuais europeias ou norte-americanas, muitas vezes em conjunção com países desses mesmos continentes. E se a maioria destas séries tinham por base trabalhos de literatura clássica, contos de fadas ou folclore, também já aqui fizemos menção a 'animes' adaptadas de filmes de sucesso, ou mesmo de histórias da Bíblia, chegando agora a altura de adicionar ainda mais uma fonte de inspiração a essa lista – no caso, as histórias de BD, que renderam pelo menos uma boa série animada deste teor durante os anos 90, curiosamente ambas com os mesmos protagonistas.


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Falamos da primeira de duas adaptações distintas de 'Luluzinha' (no original, 'Little Lulu') a menina de vestido e boina vermelhos criada pela 'cartoonista' Marge, e que a maioria das crianças e jovens portugueses da geração 'millennial' conhecerão através da sua versão brasileira, editada pela inevitável Abril Jovem e importada para a Península Ibérica juntamente com os seus restantes títulos durante as décadas de 80 e 90. Ao 'aterrar' em solo português no início da última década do século XX, a série em causa tinha já, portanto, a 'benesse' de se basear numa propriedade bem conhecida do seu público-alvo, já bem a par das personalidades e motivações de Luluzinha, Bolinha e os seus restantes amigos.



Não devendo ser confundida com as animações alusivas aos personagens criadas nos EUA nos anos 40, durante a 'era de ouro' da animação (e que também chegaram, ocasionalmente, a passar em Portugal) a primeira das duas séries japonesas (produzida em 1976, mas apenas exibida no nosso País mais de uma década e meia depois) traz o grupo de Marge em versão algo mais estilizada, tipicamente 'anime' – embora sem perder totalmente os traços da criadora - e em enredos não necessariamente tão fiéis ao material original, embora mantenham a mesma tónica de aventuras quotidianas típicas de crianças em idade de instrução primária e residentes num bairro sossegado. O principal destaque vai, no entanto, para o 'monstruoso' tema de abertura, uma daquelas 'malhas' que se aloja perpetuamente na memória, pronta a ser trauteada à mera menção da série, três décadas depois.


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Já relativamente à segunda série, desta feita produzida na América do Norte existem menos informações, tendo a mesma sido transmitida, novamente na RTP, em 1998, numa altura em que o panorama televisivo infanto-juvenil se alterara radicalmente, e em que Luluzinha enfrentava a concorrência, entre outros, de Doraemon, um adversário bem mais 'temível' que o antecessor Henbei, com quem Luluzinha disputara tempo de antena no início da década. Talvez por isso esta segunda 'iteração' da personagem de Marge em formato animado seja menos lembrada e mencionada por quem era da idade certa para ter assistido à série em causa; a primeira, no entanto, continua a deixar boas memórias (a maioria, provavelmente, do seu tema de abertura) a quem, como o autor deste 'blog', era já fã da personagem, e apreciou a oportunidade de ver as suas aventuras transpostas dos painéis estáticos de uma página de BD para o dinamismo do pequeno ecrã.

Thursday, 1 August 2024

Quintas no Quiosque: A Revista 'Telenovelas' - O 'Fóssil Vivo' da Imprensa Cor-de-Rosa Portuguesa

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui anteriormente falámos das revistas cor-de-rosa, ainda hoje o 'prazer secreto' de muitos portugueses e portuguesas, sobretudo das gerações mais velhas. Por muito popular que este mercado seja hoje em dia, no entanto, a sua dimensão, volume e espectro não se comparam com aqueles de que esse nicho da imprensa escrita gozava nos anos 80 e 90, quando a absurda 'saúde' do mesmo chegava a permitir criar publicações hiper-especializadas,focadas não apenas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais, mas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais de um único estilo de programa televisivo. É o caso da publicação que trazemos da nossa última visita ao Quiosque, a qual surpreendentemente, subsiste até aos dias de hoje, com o formato praticamente inalterado, tornando-a num exemplo cada vez mais raro de longevidade no contexto da imprensa escrita nacional.


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Fundada logo nas primeiras semanas do ano de 1998, a revista 'Telenovelas' era encabeçada pelo fundador José Rocha Vieira e pela malograda Teresa Pais, que havia anteriormente passado pela 'Élan' e pela 'Teenager', e deixava desde logo claro o seu propósito: divulgar não só as tramas dos episódios semanais de cada telenovela então em exibição em Portugal, mas também fofocas, curiosidades e efemérides sobre as estrelas das mesmas, além das habituais secções sobre beleza, moda, sexo, saúde e bem-estar. Um conceito que não podia deixar de agradar a uma certa 'fatia' de público nacional, para quem este tipo de programa constituía, a par dos 'talk-shows', o expoente máximo da televisão, pelo que não será de admirar que muitos elementos das gerações hoje na casa dos trinta a quarenta anos tenham crescido com vários números desta revista na mesa da sala lá de casa, em meio às 'TV Guia' e outras revistas semelhantes, ou folheado as mesmas durante uma visita ao médico ou ao cabeleireiro, entre um número antigo da 'Elle' ou 'Vogue' e outro da 'Casa Cláudia' ou 'Guia'.


Mais surpreendente é o facto de, conforme acima mencionado, a revista se ter mantido 'viva' até aos dias de hoje, sobrevivendo à 'purga' da imprensa escrita causada pelos 'media' digitais, não obstante várias mudanças de pessoal, e até de editora. Hoje sob a alçada do grupo Trust In News, que a adquiriu em 2018 ao grupo Impresa, a publicação em causa constitui, pois, um dos poucos exemplos de 'fósseis vivos' daquela era de ouro da imprensa 'cor-de-rosa' portuguesa, sendo merecedora de atenção por quem queira ter uma experiência o mais próxima possível do que era ler uma revista do seu tipo em finais do século XX e inícios do seguinte.

Sunday, 7 July 2024

Saídas ao Sábado: A Praça Sony - O Local Onde O Futebol Tomou Uma Nova Dimensão

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


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À entrada para a segunda metade dos anos 90, a experiência de 'ir ver a bola' num local público que não o estádio ainda se resumia, para muitas crianças e jovens nacionais, a uma deslocação a um café ou restaurante, onde a partida era, normalmente, transmitida na única televisão, para benefício da clientela pagante. Tudo isso viria a mudar, no entanto, quando Portugal viu a sua candidatura a anfitrião da última Feira Mundial do século XX ser bem sucedida, levando a que se iniciasse de imediato a construção de toda uma nova infra-estrutura em terrenos abandonados da zona ribeirinha lisboeta, de forma a albergar condignamente a exposição.


Do referido certame, bem como do espaço em que foi levada a cabo e de algumas das várias infra-estruturas que viria a legar em permanência à capital portuguesa, já aqui falámos em outras ocasiões; no entanto, nesses 'posts' anteriores, descurámos falar de uma localização que, embora representasse apenas uma pequena parte do que se viria posteriormente a chamar Parque das Nações, assumia enorme relevância aquando de eventos como Mundiais ou Europeus de futebol, proporcionando aos lisboetas (e não só) a possibilidade de assistir a jogos de forma nunca antes imaginada, numa experiência apenas comparável à chegada do IMAX a Portugal.


Isto porque a Praça Sony – ainda hoje um ponto de referência no recinto do Parque das Nações – tinha como principal motivo de interesse o ecrã LED gigante, onde eram transmitidas não só imagens dos concertos e eventos que ali iam tendo lugar, como também de transmissões televisivas, com destaque para os jogos do Mundial de França '98 e, mais tarde, do Euro 2000. Para um País para quem o futebol era, ainda, visto em grande parte através de televisões CRT de imagem fosca e muitas vezes mal sintonizada, e onde a Sport TV ainda mal acabava de se estabelecer, este novo paradigma 'caiu' como uma autêntica revelação, levando multidões ao recinto da Expo '98 a cada dia de jogo, para uma espécie de 'versão alargada' do velho ritual de 'ver a bola' no café. E se as décadas subsequentes viram surgir mais 'pontos de encontro' públicos onde ver as competições internacionais – a ponto de banalizar a existência de ecrãs LED em espaços exteriores – a verdade é que, sem a Praça Sony como pioneira e 'cobaia', talvez a presente situação nunca se tivesse chegado a verificar...


Seja como for, a verdade é que a icónica praça da Expo – onde ainda hoje são realizados eventos – fica no coração e na memória dos 'millennials' portugueses, sobretudo os lisboetas, como o local onde o futebol televisionado tomou toda uma nova dimensão, e a experiência de 'ver o jogo' em público deixou, para sempre, de ser a mesma...

Monday, 29 January 2024

Segundas de Sucessos: A Mega FM - Uma Rádio Verdadeiramente Alternativa

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Em tempos o meio de comunicação de massas por excelência, a rádio encontra-se, hoje em dia, desprovida da grande maioria do seu poder e influência na sociedade ocidental, tendo os mesmos passado, em definitivo, para o domínio das plataformas de 'streaming' e de 'download' digital. De facto, sensivelmente a meio da terceira década do século XXI, o 'media' anteriormente capaz de fazer disparar uma música para o topo das tabelas de vendas encontra-se relegada para uma posição de simples 'barulho de fundo' para viagens de carro ou dias de trabalho no escritório – sendo que, mesmo nesses contextos, acaba muitas vezes por ser suplantada por 'playlists' curadas ou por uma qualquer função aleatória do Spotify ou YouTube.


Em finais do século passado, no entanto, o paradigma era diametralmente oposto: com a Internet ainda demasiado incipiente para sequer sonhar com as potencialidades actuais, a rádio afirmava-se, ainda, como grande veiculadora de novos talentos musicais, e moldadora da opinião pública nesse campo. Portugal não era excepção a essa regra, antes pelo contrário - à entrada para o século XXI, continuavam a surgir novas estações para fazer frente às 'perenes' Antenas, TSF, RFM, Rádio Renascença ou Rádio Comercial, além da então todo-poderosa e mega-popular Rádio Cidade, a emissora por excelência para quem queria ouvir música pop ou electrónica, que chegou a ter direito a uma série de colectâneas campeãs de vendas no nosso País. Um desses 'novos talentos' fazia a sua estreia nas ondas FM há pouco mais de vinte e cinco anos, em Setembro de 1998, e viria a marcar a infância e adolescência de toda uma geração.


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O icónico logo oficial da emissora.


Falamos da Mega FM, icónica 'subsidiária' da Rádio Renascença que se destacava das restantes emissoras nacionais por se dirigir aberta e especificamente ao público jovem, De facto, toda a apresentação da estação, do logotipo aos apresentadores capazes de comunicar com a demografia-alvo 'ao seu nível', passando por uma selecção de músicas com grande ênfase no 'rock' alternativo, procurava desmarcar a nova emissora das suas contemporâneas, e posicioná-la como uma alternativa ao estilo mais 'convencional' das mesmas – uma estratégia que viria, mais tarde, a informar o nascimento de outro meio de comunicação icónico entre a juventude 'millennial', a ainda vigente (mas irreconhecível) SIC Radical.


Escusado será dizer que, como naquele caso, a estratégia resultou em cheio, tendo a Mega FM entrado no último ano do século XX como 'companheira' e banda sonora das sessões de estudo da maioria dos jovens portugueses, responsável por dar a conhecer à referida demografia bandas como The Offspring, Green Day, Blink-182, Wheatus, New Radicals, Limp Bizkit ou até Slipknot, que dificilmente teriam 'tempo de antena' nas rádios tradicionais. Até mesmo a metade mais convencionalmente 'radiofónica' da 'playlist' da 'Mega' apresentava nomes ligeiramente 'ao lado' do que se ouvia em outras emissoras da altura, com bandas como The Corrs, Sixpence None The Richer, Eagle-Eye Cherry, Lenny Kravitz, The Cranberries ou The Cardigans a não destoarem tanto quanto se poderia pensar ao lado das suas congéneres mais 'barulhentas'.


Ao longo dos anos, esta tendência manter-se-ia, com artistas como The Hives e Andrew WK a tomarem o lugar das bandas mais 'demissionárias' ou saídas de moda, sem no entanto desvirtuar a abordagem 'alternativa' da emissora, que continuava a conseguir cativar um público, muitas vezes, desprovido de opções às poucas músicas veiculadas pela maioria das estações. Quase a meio da primeira década do Novo Milénio, a 'Mega' era, ainda, uma potência no meio radiofónico português, e uma das grandes responsáveis por informar e moldar o gosto musical dos jovens lusitanos da época.


Como diz o ditado, no entanto, 'tudo o que é bom acaba', e o passar dos anos veria a Mega FM – como a SIC Radical – transformar-se numa emissora cada vez mais próxima das convenções vigentes, e ser suplantada, no campo 'alternativo', pela Best Rock FM, uma rádio de proposta e abordagem muito semelhantes. Assim, e apesar de ainda hoje existir – agora sob o nome Mega Hits FM – a emissora ficará, para grande parte da população nacional – para sempre ligada àqueles anos da viragem do Milénio, em que 'colou' ao rádio ou aparelhagem a última geração a ser verdadeiramente influenciada pelas ondas de FM, e lhes 'ensinou', ao longo de muitas sessões de estudo matinais ou vespertinas, de que bandas gostavam e que discos precisavam de comprar...

Tuesday, 24 October 2023

Terças Tecnológicas: Vinte e Cinco Anos de 'MediEvil', Um Clássico Menor da PlayStation

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


De entre as muitas consolas disponíveis nos anos 90, é mais ou menos consensual que a Mega Drive e a PlayStation tiveram as melhores listas de títulos disponíveis, com um mero vislumbre de alguns dos principais lançamentos para ambas a ser suficiente para fazer 'cair o queixo' a qualquer fã de jogos nostálgicos. Curiosamente, apesar de serem máquinas totalmente distintas, de gerações diferentes, e potencialmente até dirigidas a públicos distintos, ambas as consolas tiveram como pontos altos do seu catálogo uma série de jogos de plataformas, esse género imorredouro e perenemente popular, cuja transição para 3D apenas ajudou a aumentar o seu apelo junto do público-alvo; e se a Mega Drive tinha Sonic, 'Castle of Illusion' e 'O Rei Leão', a PlayStation contava com títulos como 'Crash Bandicoot', 'Spyro the Dragon', 'Croc', 'Gex: Enter the Gecko', 'Klonoa: Door to Phantomile', e o jogo de que falamos hoje, que completou há duas semanas (mais concretamente a 8 de Outubro) vinte e cinco anos desde o seu lançamento no mercado europeu. E por, nessa data, nos termos 'distraído' a falar de órgãos electrónicos, procuramos aqui rectificar essa 'gaffe', e dar algum 'tempo de antena' a um título que chegou a gozar de algum 'culto' entre os detentores da consola da Sony, sendo considerado apenas ligeiramente abaixo dos grandes clássicos do género na consola, como 'Ape Escape' e o binómio Crash/Spyro acima mencionado.


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Falamos de 'MediEvil', uma criação do estúdio da Sony em Cambridge, Inglaterra, que tirava muita inspiração das velhas lendas medievais daquele país e as aplicava a um formato algures entre as plataformas puras e duras e o combate 3D. A homenagem começava no personagem principal, o esqueleto reanimado de um cavaleiro medieval, Sir Daniel Fortesque, que deve travar a investida de um exército 'zombie' liderado por um mago que se pensava ter sido derrotado na mesma batalha em que o protagonista perdera a vida.


Está dado o mote para uma série de níveis de 'espadeiradas' a zombies em ambientes apropriadamente escuros e desolados, que não deixam antever os níveis de humor aplicados tanto aos gráficos como ao guião do jogo, e que o ajudam a destacar da concorrência, e a concretizar a promessa de cruzar 'Ghosts'n'Goblins', o lendário jogo de plataformas 8-bits da Capcom, com o ambiente do não menos icónico 'O Estranho Mundo de Jack', de Tim Burton. Esta mistura provou ser 'explosiva', e 'MediEvil' não tardou a ser integrado na série 'Platinum', que comemorava 400.000 cópias vendidas, e a ter direito a uma sequela. Surgido no mercado na primeira Primavera do Novo Milénio, 'MediEvil 2' oferecia, previsivelmente, mais do mesmo, mas expandido – a receita perfeita para qualquer boa sequela.


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Desta vez, Sir Dan viaja meio milénio no tempo, surgindo em plena Londres do período vitoriano, onde se avizinha mais um ataque com exércitos zombie, por parte de ainda outro feiticeiro maléfico, indicando que este seria um plano comum entre os magos medievais do universo do jogo. O que se segue é uma experiência em tudo semelhante à do primeiro jogo, e criticada precisamente por esse motivo, tanto pela imprensa como pelos fãs; ainda assim, e apesar dessas reacções menos positivas, 'MediEvil 2' teve um bom desempenho no mercado, não chegando a atingir os níveis de sucesso do original, mas afirmando-se ainda assim como um dos melhores e mais bem-sucedidos títulos do 'ocaso' da PlayStation original.


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O 'remake' moderno do jogo, lançado em 2019.


À distância de um quarto de século, é fácil ver 'MediEvil' e a respectiva sequela como os jogos extremamente 'do seu tempo' que são, tanto a nível gráfico como de jogabilidade; ainda assim, se os nada menos que DOIS 'remakes' modernos do jogo (para a Playstation Portable em 2005, e para a PlayStation 4 em 2019) e respectiva versão para telemóveis Android for algo a ter em conta, os 'gamers' ainda não se fartaram de Sir Dan Fortesque, continuando a haver mercado para mais aventuras do cavaleiro morto-vivo criado há vinte e cinco anos por um grupo de programadores bem humorados da cidade inglesa de Cambridge, e que quase se tornou ícone da consola em que surgiu...


Friday, 20 October 2023

Sessão de Sexta: 'Halloween H20: O Regresso', ou, Como Salvar Uma Franquia de Terror

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Embora, em Portugal, seja tradição 'importada' – e recente – o Halloween tem, para países como os Estados Unidos, um significado especial, traduzido na iconografia própria (e, para muitos jovens americanos, altamente nostálgica), em rituais como o 'Doces ou Travessuras' (o famoso 'trick or treat') e a criação de disfarces ligados ao terror e, claro, na escolha de filmes próprios para a época, os quais se tendem a dividir em duas grandes categorias: as comédias familiares como 'Hocus Pocus' e 'A Família Addams' (muitas delas passadas, precisamente, na também chamada Noite das Bruxas) e os filmes de terror, de entre os quais se destaca a franquia que leva o mesmo nome da própria celebração, e que, em finais dos anos 70, revelou ao Mundo uma jovem chamada Jamie Lee Curtis.


Tal como sucedeu a todas as outras franquias de terror da mesma época, no entanto, os anos seguintes viram o seu vilão (o verdadeiramente sinistro Michael Myers, que perde apenas para o Leatherface de 'O Massacre da Serra Eléctrica' como assassino mais assustador do cinema de terror) ser muito 'mal tratado', numa série de sequelas de qualidade decrescente que contribuíram para retirar a Michael uma parte significativa da sua mística. Ainda assim, e ao contrário do que aconteceu com os contemporâneos Jason Voorhees e Freddie Krueger, viria a ser lançada a Michael uma 'corda de salvação', sob a forma de um novo capítulo, comemorativo dos vinte anos dos seus primeiros ataques, e com execução bastante mais cuidada em relação aos filmes anteriores da franquia.


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O DVD nacional do filme


Chamava-se 'Halloween H20: O Regresso', estreou nos cinemas norte-americanos há quase exactos vinte e cinco anos (mesmo a tempo do Halloween) e, apesar de apenas ter chegado ao nosso País em Março (!!!) do ano seguinte, constitui a Sessão de Sexta perfeita para a altura do ano que se aproxima - como, aliás, já demos a entender quando o incluímos, juntamente com alguns dos filmes acima referidos, na nossa Sessão de Sexta Especial de Halloween, há quase exactos dois anos; aproveitamos, agora, nova aproximação da referida data para lhe dedicarmos algumas linhas mais alargadas e específicas, por alturas de um 'aniversário' marcante para qualquer obra mediática.


Como o próprio título dá a entender, 'H20' (não confundir com H2O) tem lugar vinte anos após o original, ou seja, no ano de 1998. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), irmã do assassino mascarado e única vítima a ter sobrevivido a repetidos ataques por parte do mesmo, descobre que não consegue escapar ao seu passado quando o irmão a descobre na pequena cidade californiana onde reside sob um nome falso, e prontamente enceta nova tentativa de acabar com a sua vida de uma vez por todas. Na 'linha de mira' do assassino estão também o filho adolescente de Strode, John (interpretado pelo jovem galã da altura, Josh Hartnett) que organiza com os amigos uma festa de Halloween particular longe dos adultos e de outros jovens, tornando-se assim alvos fáceis para Myers, e Will Brennan, companheiro de Laurie que, juntamente com a mesma e com um segurança da escola, tenta proteger os jovens do tresloucado assassino, para quem os mesmos seriam, de outra forma, alvos fáceis.


Uma receita sem muito de inovador, e que recorre mesmo a alguns (senão a todos) os clichés dos chamados 'slasher movies', mas cujo segredo reside em saber precisamente o que o público de filmes como 'Sei O Que Fizeste No Verão Passado' espera e pretende de uma obra deste tipo, e oferecer, precisamente, isso, sem o tipo de tentativas de inovação ou experimentação que haviam morto, aos poucos, as franquias concorrentes 'Pesadelo em Elm Street' e 'Sexta-Feira 13'. Ao contrário de muitos dos filmes de ambas, 'Halloween H20: O Regresso' é, só e apenas, o que apregoa ser: uma revisão e actualização do conceito do original de John Carpenter, já longe da qualidade do mesmo, mas ainda assim criado com assumido respeito e apreço pelas bases por ele estabelecidas. Assim, e embora não suplante (e ainda menos substitua) o mesmo, este primeiro reviver de uma franquia ainda hoje vive merece bem o investimento de menos de hora e meia por parte dos entusiastas do terror 'pop', seja como parte de uma 'maratona' mais alargada de todos os títulos da série, seja por si mesmo, como 'refeição rápida' para saciar a vontade de apanhar uns 'sustos' frente ao ecrã na noite de Sexta-feira de Halloween.


Saturday, 9 September 2023

Saídas ao Sábado: O Oceanário

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui falámos, por alturas do vigésimo-quinto aniversário da EXPO '98, de alguns dos edifícios com que a mesma contribuiu, à guisa de legado, para a malha urbana lisboeta. De uma gare centralizada (a Estação do Oriente) a uma nova ponte sobre o Tejo (a Vasco da Gama), passando por uma sala de concertos - que adquire nova designação a cada poucos anos, mas que será para sempre conhecida, informalmente, como o 'Pavilhão Atlântico' – o segundo maior 'shopping' lisboeta (também designado Vasco da Gama) e até a área circundante a todas estas infra-estruturas, o chamado Parque das Nações, local privilegiado para uma Saída de Sábado em dia de sol. E caso o tempo decida não 'colaborar' – como vem sendo o caso neste mês de Setembro de 2023 – o Parque oferece uma excelente alternativa a uma tarde passada no hipermercado, dentro de uma sala de cinema ou 'enfiado' por entre as lojas do centro comercial: uma singela estrutura conhecida como Oceanário de Lisboa.


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O espaço na actualidade.


Originalmente denominada Pavilhão dos Oceanos, durante a própria exposição, o espaço hoje conhecido como Oceanário destacou-se, desde logo, pela sua traça arquitectónica, semelhante à de uma aeronave projectada sobre uma baía artificial no Rio Tejo, e que não tardaria a conquistar os corações dos especialistas do ramo, tendo, ainda nesse ano de 1998, obtido uma menção honrosa para o Prémio Valbom de Arquitectura. O apelo do segundo maior aquário ibérico ia, no entanto, muito além do seu 'design', tendo o mesmo ano de 1998 visto o espaço granjear dois prémios relativos aos seus méritos científicos, o primeiro atribuído pela prestigiada revista Time, e o segundo obtido na cidade de Nápoles, em Itália – ambos, aliás,bem merecidos, já que o Oceanário proporcionava uma experiência muito além das oferecidas por infra-estruturas semelhantes, não só em Portugal, mas em toda a Europa.


De facto, a experiência de visitar este espaço era, para qualquer 'puto' português noventista, habituado ao 'velhinho' Aquário Vasco da Gama, absolutamente estonteante, já que permitia passear entre, e por baixo, dos peixes do aquário central, dando a sensação de estar, verdadeiramente, no fundo do oceano, com tubarões e raias a passarem a poucos centímetros dos visitantes. Também de enorme interesse para qualquer jovem da época eram as duas lontras-marinhas residentes no espaço, já que este era um animal, à época, pouco frequente em cativeiro, e que possuía as doses exactas de charme e comportamentos únicos para cativar qualquer pequeno entusiasta de animais. Talvez por isso, aquando da morte das lontras originais, Eusébio e Amália, o Oceanário tenha 'repescado' as duas crias das mesmas, denominadas Micas e Maré (ambas entretanto também já falecidas), do Jardim Zoológico de Roterdão, para que as mesmas dessem continuidade ao legado iniciado pelos seus progenitores.


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As lontras eram, à época, a principal atracção do Oceanário.


E se estas duas atracções – juntamente com três outros aquários adjacentes, tematizados a diferentes regiões do Mundo, e cerca de duas dezenas e meia de aquários mais pequenos – constituíam a 'espinha dorsal' do Oceanário original, uma visita ao espaço nos dias que correm oferece ainda muito mais que ver, já que o mesmo foi expandido já na segunda década do Novo Milénio, tendo sido construído um novo edifício, denominado 'Edifício do Mar'; pouco depois, em 2015, o Oceanário foi concessionado por trinta anos a uma subsidiária do Grupo Jerónimo Martins, que ainda chegou a tempo de recolher os dividendos das duas nomeações consecutivas como 'Melhor Aquário da Europa' por parte do site de viagens TripAdvisor, em 2015 e 2016. Desde então, o Oceanário tem seguido de vento em popa e, sob os auspícios da mascote oficial 'Vasco' (substituto do Gil) continuado a afirmar-se como um dos melhores espaços da sua índole na Europa, justificando tanto (ou mais) a visita hoje como há pouco mais de um quarto de século, quando constituía um dos destaques da excepcional Exposição Mundial de Lisboa.

Tuesday, 22 August 2023

Terças de TV - 'Férias Grandes': A Ideia Certa Na Época (do Ano) Errada

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Os chamados 'programas de Verão' - aquelas transmissões, normalmente ao vivo e a partir de pequenas povoações do Portugal rural, que combinam números musicais e de comédia com entrevistas, concursos e interacções com o público - são, normalmente, o único tipo de programa que o cidadão Português moderno consegue ser 'persuadido' a ver, pelo seu carácter leve, a permitir 'desligar os neurónios', como é apanágio da estação. E apesar de a RTP não ser, de todo, alheia a este tipo de conteúdo, há um exacto quarto de século, a emissora estatal decidiu apostar em algo um pouco diferente (e mais culto) do que vinha sendo proposto pelas 'concorrentes' privadas - nomeadamente, um programa de entrevistas ambientado, não no habitual estúdio de gravação, mas nas praias de eleição de cada convidado.


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Apresentado por Margarida Pinto Correia, 'Férias Grandes' (cujo título sugeria, erroneamente, algo um pouco mais juvenil) contabilizou um total de oito episódios, cada um dedicado a um único entrevistado, sendo os mesmos retirados de um meio um pouco mais 'erudito' do que o habitual para um programa estival. De facto, o único nome 'expectável' neste contexto talvez fosse o da comediante popular (e popular comediante) Ana Bola; de resto, os convidados iam de músicos ligados ao pop-rock nacional, como Luís Represas, Rui Reininho e José Cid, ao maestro António Vitorino de Almeida, Fátima Lopes (a estilista, não a apresentadora sua homónima, estrela da 'concorrente' de Carnaxide na mesma época), Eugénia Melo e Castro ou Rosa Lobato Faria. Cada um destes nomes partilhava com a apresentadora, ao longo do episódio, memórias da sua praia favorita (actual ou de infância) à mistura com outros temas relevantes, num formato com um público-alvo muito definido e que, provavelmente, não teria a televisão ligada para o presenciar.


Assim, não é de admirar que 'Férias Grandes' não tenha voltado para uma segunda época estival, estando hoje largamente ausente da memória colectiva nacional sobre o final do século XX - o que não deixa de ser uma pena, já que, em qualquer outra época do ano, o formato tinha tudo para resultar, encontrar a sua audiência, e ir além da mão-cheia e meia de episódios. Tal e como foi lançado, no entanto, o programa de Margarida Pinto Correia constitui, um quarto de século após a sua estreia, uma mera 'nota de rodapé' na História dos Verões televisivos portugueses, bem como um caso de estudo sobre as razões pelas quais não é boa ideia lançar um programa de índole cultural em plena época alta...

Friday, 30 June 2023

Sessão de Sexta: 'A Espada Mágica' (1998) - Uma 'Cópia' de Qualidade

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Apesar de ser a rainha inquestionável das longas-metragens infantis dos anos 90, a Disney não deixava de ter, na ponta final do século XX, 'concorrência' à altura neste campo – nomeadamente, da parte da Amblin Entertainment, de Spielberg e Don Bluth (sua concorrnte desde a década transacta), da recém-criada Dreamworks (que 'agitava as águas' com o excelente 'O Príncipe do Egipto'), e da Warner Brothers, que fazia por essa altura as suas primeiras tentativas de se estabelecer como criadora de filmes animados de grande orçamento. E apesar de este desiderato não ter sido inteiramente bem sucedido (no Novo Milénio, a companhia seria conhecida, sobretudo, com produtora de filmes animados com os super-heróis da DC, destinados ao mercado de vídeo e DVD) a divisão de animação da Warner não deixou de produzir pelo menos duas longas-metragens de considerável sucesso junto do público alvo. Da primeira, 'Space Jam', já aqui falámos anteriormente; agora, num fim-de-semana em que se assinalam os vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, chega a altura de dedicarmos algumas linhas à outra.


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Capa do lançamento em DVD do filme.


Lançado nas salas de cinema lusitanas a 3 de Julho de 1998, 'A Espada Mágica' ('Quest for Camelot', no original) não disfarça as suas intenções de rivalizar com a Disney, que, nesse mesmo ano, lançaria o fabuloso épico de guerra 'Mulan'; pelo contrário, das personagens à história, formato musical e até ambientação, tudo neste filme é uma tentativa declarada de replicar a fórmula que, à época, tantos dividendos vinha rendendo à multi-nacional californiana. Senão veja-se: a trama segue uma humilde jovem camponesa da Inglaterra Arturiana, Kayley, que sonha ser cavaleira, mas encontra resistência por parte da sua família e comunidade, até um ataque à quinta da sua família por parte de um Cavaleiro da Távola Redonda renegado lhe dar a oportunidade de se tornar a heroína que sempre sonhou ser, e salvar não só a sua família, como todo o reino, tendo como aliados um eremita cego residente na floresta e um dragão de duas cabeças com as vozes de um elemento dos Monty Python e do Senhor Cabeça-de-Batata de 'Toy Story'. Junte-se a isto a presença de um vilão totalmente 'angular', cuja silhueta lembra tanto Radcliffe, de 'Pocahontas', como Jafar e até Frollo, e que conta com os habituais asseclas de teor cómico, e os vários interlúdios musicais (incluindo, claro, um logo na abertura do filme) e 'A Espada Mágica' quase podia fazer parte da lista de sucessos do chamado 'Renascimento Disney'.


Verdade seja dita, no entanto, esta 'cópia' é feita de forma bastante bem sucedida, ficando longe das produções barateiras que, no mesmo período, 'inundavam' o mercado caseiro com variações sobre os temas dos filmes da companhia do Rato Mickey, como forma de facturar sem grande esforço; pelo contrário, o orçamento disponível para este filme é evidente em todos os aspectos do mesmo, com um elenco original repleto de celebridades, personagens e canções cuidadas e memoráveis e até o uso ocasional de tecnologia CGI, como na cena inicial em torno da Távola Redonda.


A única pecha do filme acaba, assim, por ser o seu carácter declaradamente derivativo, o qual ajudou, ainda assim, a atrair às salas de cinema o público familiar (numa época em que era quase obrigatório ir ver cada novo filme de animação lançado em sala) mas rendeu postumamente ao filme o escárnio da Internet, para quem 'A Espada Mágica' se tornou - a par de 'As Aventuras de Zack e Chrysta na Floresta Tropical', outro filme que aqui terá paulatinamente o seu espaço – um dos alvos de crítica mais fáceis de toda a cultura nostálgica.


Quem não tenha tanto interesse em dissecar cada minúcia de um filme para criar interesse e provocar risos, no entanto, certamente achará que não era caso para tanto; 'A Espada Mágica' era, e continua a ser, um filme infantil perfeitamente aceitável (até acima da média) e envelheceu apenas um pouco menos bem do que os clássicos intemporais sugeridos na mesma época pela Disney. Como tal, aos vinte e cinco anos da sua estreia em Portugal, a grande aposta da Warner Brothers para fazer frente à 'casa' do Rato Mickey merece bem o mesmo tipo de homenagem que, logo nos primórdios deste nosso 'blog', prestámos aos referidos filmes, continuando a constituir uma excelente adição à ´rotação' de filmes infantis de qualquer lar de família nacional.


Tuesday, 20 June 2023

Terças Tecnológicas: Os Videojogos dos Teletubbies

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Já aqui por diversas vezes referimos uma das 'regras de ouro' do marketing para um público infanto-juvenil – nomeadamente, que qualquer propriedade intelectual popular junto deste público surgida após o advento dos computadores e consolas caseiros terá, forçosamente, pelo menos uma adaptação electrónica. Os dois jogos de que falamos hoje são o exemplo 'acabado' dos limites a que essa máxima se aplica, já que versam sobre um programa destinado a um público abaixo dos cinco anos.


Sim, tal como as séries para crianças e jovens mais velhos, também os 'Teletubbies' tiveram direito a 'software' próprio, com nada menos do que dois títulos lançados enquanto a série esteve no ar; e se o aparecimento dos mesmos no PC não é surpreendente (estava-se, afinal de contas, em plena era dos 'Centros de Actividades' e 'Estúdios de Impressão') já o surgimento do primeiro dos dois jogos na PlayStation causa alguma estranheza – pelo menos até nos lembrarmos que a 'biblioteca' de títulos da consola incluía também jogos dos Tweenies, por exemplo.


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O primeiro jogo chegou a sair para a PlayStation original.


Ainda assim, 'Play With The Teletubbies' ('Brinca Com os Teletubbies') é um jogo atípico para uma consola, sendo mais focado na exploração ao estilo 'point-and-click', um género bem mais adequado a um interface com teclas e um rato do que com botões. O objectivo do jogo passa por explorar o planeta dos Teletubbies, interagindo com os diversos objectos do cenário para, assim, desencadear jogos e actividades que vão desde um jogo de escondidas até objectos para mover, poemas, vídeos e outras tarefas que apelam à interactividade inerente às crianças muito pequenas; essencialmente, trata-se de um 'Centro de Actividades' algo básico, mas simultaneamente ajustado ao público a que se destina, o qual terá, sem dúvida, vibrado com a oportunidade de interagir com os personagens e cenários da série.


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Capa do segundo jogo, este exclusivo para PC.


E porque em 'fórmula vencedora não se mexe', 'Favourite Games' ('Jogos Favoritos'), lançado em 1999 (agora apenas para PC) oferecia mais do mesmo, embora de forma mais estruturada e menos exploratória. Eram cinco os 'jogos favoritos' dos Teletubbies, indo desde uma tarefa de culinária a outra de ginástica, passando por uma brincadeira em que os 'Tubbies rebolavam colina abaixo, com que grande parte do público-alvo certamente se terá identificado. Estranhamente, em tratando-se de uma sequela, este era um jogo ainda menos ambicioso que o original, e que, anos depois, seria o tipo de coisa que se poria num 'website', por oposição a vender comercialmente.


Esse foi, aliás, o destino dos Teletubbies no seu terceiro e último jogo, lançado já para os sistemas Android e Apple, e intitulado 'Teletubbies: My First App'. Tratava-se de uma aplicação que 'resgatava' algumas das actividades incluídas nos dois jogos, juntando-as a outras inéditas, num total de cinco; quem espera poder brincar com os Teletubbies no seu telemóvel ou 'tablet' vai, no entanto, ficar desapontado, já que a 'app' foi descontinuada em 2015, sem razão aparente.


Em suma, os jogos dos Teletubbies acabavam por ser tão simplistas quanto a própria série, e capazes de agradar estritamente ao seu público-alvo, pelo que não admira que pouco se ouça falar deles um quarto de século após o lançamento; ainda assim, no que toca à comercialização de franquias para crianças, a BBC tinha a lição bem estudada, e ambos estes títulos terão, certamente, rendido os devidos dividendos. Quanto à questão de as crianças pequenas deverem ou não interagir com videojogos, essa, será melhor debatida noutro tipo de ambiente mais 'formal' do que um 'blog' sobre nostalgia na Internet...

Thursday, 8 June 2023

Quintas no Quiosque: Vinte e Cinco Anos de 'Super Interessante'

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A natural curiosidade e espírito inquisitivo inerentes à maioria das crianças e jovens tendem a fazer de campos como a ciência e a tecnologia pontos de interesse durante a fase de desenvolvimento e maturação do ser humano moderno, independentemente da sua proveniência ou da época em que tenha vivido. Assim, não é de espantar que uma publicação dedicada a transmitir informações sobre os últimos desenvolvimentos neste campo, de forma simples, compreensível e atractiva, tenha captado a atenção das faixas demográficas mais novas aquando do seu aparecimento, no dealbar da era da Internet.


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Falamos da 'Super Interessante', a adaptação portuguesa da revista brasileira do mesmo nome (também ela bastante famosa) surgida há quase exactamente um quarto de século (em Abril/Maio de 1998) pela mão de Carlos Madeira e do Grupo Impresa, um dos nomes maiores no campo do 'publishing' e dos periódicos em Portugal. Com grafismo e proposta editorial exactamente semelhantes ao da 'irmã mais velha', a revista trazia (e continua a trazer) mensalmente às bancas uma variedade de artigos focados, sobretudo, na ciência e tecnologia, mas cujo espectro se alargava a campos como o da sociedade, cultura e até natureza; no entanto, é inegável que foi o foco nas duas primeiras vertentes (à época menos exploradas nas bancas portuguesas) a principal razão do sucesso da revista, que celebra este ano a marca de vinte e cinco anos de publicação ininterrupta – um marco ainda mais impressionante tendo em conta o rápido declínio e extinção da imprensa escrita tradicional!


Mais - em relação aos primeiros exemplares impressos naquele já longínquo ano de 1998, a 'Super Interessante' actual difere apenas na casa editorial, que é agora a G+J Portugal, uma subsidiária da Motorpress anteriormente conhecida como All Media, e que tomou as rédeas da publicação em 2018. De resto, a proposta é exactamente a mesma, e – presumivelmente – continua a encontrar o seu público, prova de que, por vezes, não são necessárias grandes inovações ou truques de 'marketing' para fazer vingar uma publicação – basta uma linha editorial coerente e conteúdos de qualidade, como os que esta revista continua a oferecer aos seus leitores mês após mês.

Tuesday, 6 June 2023

Terças de TV: A RTP Internacional e RTP África

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A década de 90, e os primeiros anos da mesma em particular, representaram talvez o período de maior evolução dentro do panorama televisivo português. O dealbar de novas tecnologias, como a televisão por satélite e mais tarde por cabo, em conjunção com o aparecimento de não uma, mas duas emissoras privadas em anos consecutivos, resultou, por um lado, num duplicar, em poucos anos, do número de estações em sinal aberto a transmitir em Portugal e, por outro, em inúmeras possibilidades de expansão e exploração dos novos meios disponíveis por parte dessas mesmas emissoras.


A primeira a perceber o potencial destes novos recursos – até por o aparecimento das duas concorrentes privadas obrigar à procura de novas avenidas, sob pena de estagnação e obsolescência – foi a RTP, que, durante a última década do século XX, lançou não um, mas dois serviços que tiravam proveito das novas tecnologias disponíveis, um dos quais completa esta semana trinta e um anos de vida, enquanto que o segundo festejou no início deste ano, em Janeiro, o seu quarto de século de existência. Falamos da RTP Internacional e da RTP África, dois canais concebidos exclusivamente para transmissão no estrangeiro que representavam a primeira tentativa de expansão da RTP em quase duas décadas, desde o aparecimento dos dois canais insulares em meados dos anos 70.


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A primeira a surgir foi a RTP Internacional, no Dia de Portugal e das Comunidades do ano de 1992, com o objectivo de tirar partido das novas tecnologias de satélite para fazer chegar a sua emissão (inicialmente com apenas seis horas de duração) ao maior número possível de países estrangeiros, permitindo assim aos portugueses ali radicados manterem-se a par do que se ia passando no País; com o avançar das décadas (e da tecnologia televisiva) foi com naturalidade que este serviço transitou para a grelha da TV Cabo, onde permanece até hoje, agora com transmissão contínua durante vinte e quatro horas e conteúdos oriundos não só da televisão estatal como também das duas concorrentes, que fazem assim um esforço conjunto em prol dos emigrados nacionais.


Quase exactamente quatro anos e meio depois desta primeira expansão – a 7 de Janeiro de 1998 – a emissora estatal alarga a sua oferta a ainda mais um canal, este exclusivamente destinado a levar a sua programação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, e, como tal, baptizado com o óbvio nome de RTP África. Por comparação com a sua antecessora Internacional, o principal ponto a destacar relativamente a este canal – além do seu raio de influência significativamente mais reduzido – era o facto de, a par dos programas da RTP portuguesa, o mesmo apresentar também conteúdos originais, especificamente talhados para corresponder aos interesses do público africano – uma práctica que se mantém até hoje, com enorme sucesso, e que continua a representar o principal diferencial do canal, também ele ainda parte da grelha a cabo.


Os anos e décadas seguintes viriam, é claro, a trazer ainda mais escolha e ainda maiores inovações para benefício dos espectadores portugueses, a ponto de, hoje em dia, ser difícil imaginar que algum dia tivesse sido necessário afixar uma enorme antena à lateral de casa ou do prédio para ver, de forma distorcida, imagens de outros países; no entanto, os dois canais 'escondidos' lá bem no fundo da lista de canais da ZON e da Meo permanecem como símbolo e testemunho dos primeiros passos no sentido dessa expansão alguma vez dados em território nacional, nos tempos em que a tecnologia era mais limitada, mas a capacidade de inovação bastante mais desenvolvida.

Saturday, 27 May 2023

Saídas ao Sábado: Os 25 Anos da Expo '98

NOTA: Por motivos de relevância temática, este Sábado será de Saídas, e não de Saltos.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar da sua rica História de descobertas e desbravamento de Mundos, Portugal não se tem, em épocas mais recentes, notabilizado pela 'exportação' de talentos (à excepção de nomes óbvios como Cristiano Ronaldo ou Salvador Sobral) nem por quaisquer feitos particularmente notáveis no campo da inovação ou internacionalização. Uma das poucas excepções a este paradigma – senão mesmo a única – teve lugar há quase exactamente vinte e cinco anos, e conseguiu, durante três meses e meio entre o final da Primavera e o início do Verão, colocar os olhos do Mundo em Portugal – e também, naturalmente, atrair visitantes de todos os cantos do Mundo.


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Falamos, é claro, da Expo '98, que já há um ano aqui abordámos, aquando dos vinte e quatro anos da sua abertura, mas cujo vigésimo-quinto aniversário também não podíamos deixar de assinalar, até por se tratar de um daqueles números que, sem serem 'redondos', não deixam ainda assim de ser marcantes.


Inaugurada a 22 de Maio de 1998 – tendo, portanto, atingido o referido marco na passada Segunda-feira – a última exposição mundial do século gozou de enorme sucesso entre o público, não só dentro de portas como internacionalmente, tendo sido consensualmente considerado um certame bem organizado, e capaz de lidar com as inevitáveis filas que se formavam, diariamente, à saída de pavilhões como o de Macau (com a sua recriação de um jardim chinês), de Portugal, da Realidade Virtual (onde só os mais 'valentes', pacientes ou sortudos conseguiam entrar, tal era o tempo de espera) ou do Conhecimento, alojado na infra-estrutura mais tarde conhecida como Pavilhão Atlântico, MEO Arena, e (actualmente) Altice Arena.


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O Pavilhão da Realidade Virtual atraía as maiores filas, devido ao seu bem conseguido espectáculo audio-visual.


Estava aí, aliás, um dos grandes trunfos da Expo '98, nomeadamente em relação à sua antecessora, organizada pelo país vizinho seis anos antes – enquanto que a área delimitada para a exposição de Sevilha '92 se encontrava ainda, à época, ao abandono, a Expo portuguesa viria, após o encerramento do certame, a contribuir com inúmeras infra-estruturas para a malha urbana portuguesa, a esmagadora maioria das quais se encontra, ainda hoje, activa e a uso: além da Altice Arena, locais como a Gare do Oriente (e respectiva estação de Metro), o 'shopping' Vasco da Gama, o Oceanário ou o próprio espaço da exposição em si – hoje chamado Parque das Nações – fazem parte do quotidiano de qualquer lisboeta, num exemplo admirável (e raro) de integração urbana.


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A Gare do Oriente, um dos vários contributos da exposição para a malha urbana lisboeta.


Esse está, no entanto, longe de ter sido o único triunfo da Expo '98 - embora se afirme como o principal legado da mesma; a par da Fundação Gil e da respectiva Casa, situada no bairro de Alvalade, em Lisboa - a exposição em si oferecia muito que ver aos visitantes (ainda que a preços algo 'inflacionados') com atractivos que iam bem além dos cinco ou seis pavilhões 'da moda', e se estendiam a restaurantes tematizados aos diversos países (como o lendário restaurante americano, com as suas fatias de 'pizza' do comprimento de um antebraço) e a periódicos eventos, normalmente com lugar na Praça Sony, com o seu ecrã gigante (que servia, também, como um excelente ponto de referência a quem se procurasse orientar durante as visitas); de concertos à exibição de jogos do Mundial de França, foram muitos, e bem marcantes, os tipos de evento de que os visitantes da Expo puderam disfrutar, caso se encontrassem no recinto à data e hora certa, claro está.


No cômputo geral, foi um Verão inteiro de grande animação, em que o certame foi local de visita praticamente obrigatória, fosse com a família ou com a escola, e em que o tema dos oceanos e dos Descobrimentos foi utilizado para, sob o auspício do simpático Gil, mascote da exposição, e da namorada Docas (duas ondas antropomórficas cujos nomes evocam, precisamente, as viagens maritimas da época Renascentista portuguesa) promover a multi-culturalidade, a interacção com outras culturas, e ainda conceitos como a ecologia e a protecção dos recursos naturais.


A vinte e cinco anos de distância, além das memórias, fica a certeza de um momento áureo na História moderna portuguesa, que afirmou este País de brandos costumes à beira-mar plantado como tão bom organizador de eventos (ou melhor) que muitos dos seus congéneres de maior projecção internacional – uma fama que o País viria, aliás, a cimentar meia-dúzia de anos depois, já no Novo Milénio, aquando do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, um evento para o qual talvez não tivesse sido considerado não fosse o estrondoso sucesso do certame que ora completa um quarto de século. Por essas e outras razões, vale bem a pena recordar o evento que demorou a 'sair do chão', foi alvo de muitas piadas e chacota à época, mas conseguiu calar todas as dúvidas, e afirmar-se como um dos mais importantes momentos da História portuguesa contemporânea.


 

Tuesday, 16 May 2023

Terças de TV: 'Herman 98' - A 'Semente' de Algo Maior Para Herman José

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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O apresentador nos tempos do programa.


Quem cresceu entre a década de 80 e a actualidade certamente conhece bem o nome de Herman José. Inicialmente revelado como humorista, nos anos 70 e 80, o luso-alemão viria, na década seguinte, a viver um 'novo fôlego' na carreira enquanto apresentador de concursos televisivos – posição na qual a sua popularidade rivalizava com a de nomes como Carlos Cruz, António Sala ou Júlio Isidro – antes de regressar à comédia com a lendária 'Herman Enciclopédia', que o viria a apresentar a toda uma nova geração, demasiado nova para ter visto o especial de Fim de Ano transmitido pela RTP no último dia de 1991, tido a 'Roda da Sorte' como ruído de fundo das noites da sua infância, ou se interessar pelo 'Parabéns'. Pelo meio, no entanto, o humorista tentou ainda outro 'desvio' na carreira, menos antológico e bem-sucedido, mas que viria ainda assim a abrir novas possibilidades para a sua carreira.


Falamos de 'Herman 98', estreado há quase exactos vinte e cinco anos, em Maio de 1998, e que trazia Herman à cabeça de um formato 'talk show' com música e muito humor à mistura, nos moldes de programas como o 'Tonight Show' ou 'Late Night' norte-americanos. A acompanhar o luso-alemão nesta aventura estavam todos os suspeitos do costume, dos argumentistas das Produções Fictícias a actores como Maria Rueff e Vítor de Sousa, que davam, com Herman, vida aos diferentes 'sketches' encenados por entre as entrevistas a convidados e os esporádicos números musicais; e se este formato parece familiar, é porque se trata, precisamente, do mesmo adoptado em 'Cá Por Casa', o mais recente programa do humorista, actualmente em exibição na RTP.


De facto, reside precisamente aí o grande mérito de 'Herman 98' e da sua sequela do ano seguinte – nomeadamente, o de ter dado confiança a Herman José como apresentador de um formato (ligeiramente) mais sério que o habitual – sem, com isso, perder a personalidade muito própria que qualquer programa de Herman apresenta – servindo, assim, como inspiração para projectos futuros do humorista, a começar pelo acima mencionado. E apesar de, à época, o programa ter talvez parecido um pouco aborrecido para quem estava habituado a ver Herman a 'debitar' ininterruptamente piadas e dichotes dirigidos a concorrentes ou assistentes de palco, a verdade é que, à distância de um quarto de século, as qualidades do formato (e da forma como o mesmo foi executado) se tornam bem evidentes, tornando 'Herman 98' merecedor de algumas linhas de homenagem por altura do trigésimo aniversário da sua estreia em televisão.



Quem se atrever, pode ver acima três horas de Herman José...



...ou, para quem tenha menos tempo e paciência, aqui fica a actuação dos então popularíssimos Excesso no programa em causa.

Thursday, 11 May 2023

Quintas de Quinquilharia: Os Desdobráveis Dragon Ball Z da Panrico

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Qualquer cidadão nacional que tenha tido a sua infância e adolescência entre finais da década de 80 e inícios do Novo Milénio concederá, sem grandes hesitações nem celeumas, o título de 'rainha dos brindes' à Matutano. Com promoções tão memoráveis quanto a das Matutolas, das Caveiras Luminosas, dos Pega-Monstros e, claro, dos lendários Tazos, a companhia de batatas fritas foi responsável por ditar quase todas as 'febres de recreio' daquelas décadas. E dizemos 'quase' porque a Matutano teve, durante esse período, a concorrência constante de três outros tipos de produtos alimentícios: os ovos de chocolate da Kinder, com as suas tradicionais colecções de mini-figuras, os cereais da Kellogg's e Nestlé, e os produtos da panificadora Panrico, responsável por marcas tão populares quanto o Bollycao, os Donuts e as Donettes.


Esta última, em particular, viu várias das suas promoções tornarem-se êxitos entre as crianças e jovens da época, com particular destaque para as icónicas colecções da 'Janela Mágica', na década de 80, e dos 'Tous', no início da seguinte, e para o jogo dos BollyKaos, já nos últimos anos do Segundo Milénio. Pelo meio, no entanto, houve outras promoções que, embora menos memoráveis, não deixaram ainda assim de ter sucesso, sobretudo devido ao seu uso de propriedades licenciadas; destas, destaque para as tatuagens temporárias (as então chamadas 'Decalcomanias') das Tartarugas Ninja, e para o brinde de que falamos hoje – os desdobráveis do Dragon Ball Z.


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(Crédito da foto: OLX)


Oferecidos com os produtos da panificadora algures em 1998 (quando a 'febre' em torno do 'anime' de Akira Toriyama ainda não apresentava sinais de abrandar) os referidos brindes conseguiam a tão almejada união entre custos de produção baixos e grau de apelatividade relativamente alto. Tratavam-se de simples cromos em papel cartonado que eram apresentados dobrados e que, quando abertos, revelavam uma imagem do 'anime', regra geral um 'close-up' de um dos personagens; um conceito tão simples quanto cativante, mas que se via severamente afectado pela fragilidade do material, que começava a rasgar ao mínimo toque mais intenso. Assim, por muito entusiasmante que fosse desdobrar o brinde e ver a imagem na sua plenitude, o processo tornava-se também, inevitavelmente, frustrante, sendo necessário passar quase tanto tempo a tentar que o brinde não se desfizesse quando manuseado como a apreciar a própria imagem.


Por essas e outras razões, torna-se difícil, à distância de um quarto de século e num contexto social completamente distinto, perceber como algo tão 'mal-amanhado' e básico conseguiu entreter e até entusiasmar fosse quem fosse; na conjuntura do ano em que o brinde foi lançado, no entanto – com a 'febre' do Dragon Ball Z ainda ao rubro e as novas tecnologias ainda numa fase muito mais incipiente – estes quadrados de frágil cartolina eram mesmo capazes de proporcionar alguns minutos de lazer, após o consumo de um Bollycao, a mostrar aos amigos, familiares ou colegas de escola o cromo adquirido, e a admirar a imagem nele impressa. Um bom exemplo de como a sociedade mudou nas últimas três décadas, e que certamente trará memórias nostálgicas a quem alguma vez tentou (ou conseguiu!) coleccionar os quarenta desdobráveis da série, á base de muitas semanadas repetidamente gastas em 'calorias más' no café do bairro ou bar da escola.


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...