Showing posts with label 1991. Show all posts
Showing posts with label 1991. Show all posts

Monday, 14 September 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Printemps - Um 'Luxo' de Loja

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 11 e Sábado, 12 de Setembro de 2026.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

O final dos anos 80 e inícios dos 90 foi uma época áurea para o surgimento em Portugal de cadeias internacionais, que aproveitavam a maior abertura do País para o Mundo (resultante da adesão à CEE, em 1985) para o incluírem nos seus esforços de expansão internacional. Uma dessas cadeias juntava-se aos vários outros exemplos desta tendência há pouco mais de trinta e cinco anos (em Maio de 1991, pouco depois da sua assimilação ao grupo Pinault-Printemps-Redoute), assentando 'arraiais' no local por excelência para este tipo de lojas à época - o icónico CascaiShopping, nos arredores de Cascais, na Grande Lisboa, onde rapidamente se tornaria loja de referência e motivo para visita.

Com foco tanto em moda como em decoração e naquilo a que se viria a chamar 'lifestyle', a Printemps afigurava-se perfeita para o público daquela zona, sempre atento a novas tendências e com gostos sofisticados aliados a algum poder de compra – precisamente a demografia a que a cadeia francesa ainda hoje aponta. Assim, não é de admirar que a loja (que, ao contrário do que é habitual, permaneceria única em Portugal) lograsse prosperar durante toda a década final do século XX, vindo a fechar apenas já perto do dealbar do Novo Milénio, numa altura em que o CascaiShopping perdera a sua 'aura', derivado da abertura, em Lisboa e Porto, de novasgrandes superfícies comerciais.

Ainda assim, durante os quase exactos oito anos que passou em Portugal, a Printemps foi capaz de marcar época junto da sua demografia-alvo, afirmando-se como mais uma das lojas que certa parcela da geração 'millennial' portuguesa (embora não toda) guarda com afeição na sua memória colectiva, e merecendo portanto plenamente este destaque nas páginas do nosso blog.

Monday, 27 July 2026

Domingo Desportivo: Trinta e Cinco Anos de Um Torneio Algo 'Esquecido'

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 26 de Julho de 2026.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Em inícios dos anos 90, o basquetebol ainda era um desporto de expressão mais do que modesta em Portugal, pese embora a popularidade de Carlos Lisboa – e se as equipas sénior masculinas pouca atenção atraíam, as equipas jovens ou femininas eram praticamente 'invisíveis' no contexto mediático e cultural português da época. Não deixa, pois, de ser surpreendente que o nosso País tenha sido o escolhido para acolher os campeonatos europeus de basquetebol jovem femininos de 1991, especificamente na categoria de sub-16, os quais tiveram lugar há exactos trinta e cinco anos, entre os dias 20 e 28 de Julho de 1991. Mais surpreendente ainda, no entanto, foi o facto de este torneio se ter realizado, não num dos grandes centros urbanos nacionais, mas em pequenas povoações do distrito de Aveiro, com os jogos a serem disputados em recintos das freguesias de Estarreja, Anadia e Travassô e Óis da Riberia, naquele que terá, quase certamente, sido o evento mais emocionante e de maior âmbito alguma vez realizado naquelas localidades até à data (e talvez mesmo até aos dias de hoje).

No total, foram doze as selecções naciomais a disputar o campeonato em causa, tendo as mesmas sido divididas em dois grupos de seis equipas, das quais as duas primeiras se qualificavam para as meias-finais. Infelizmente, a reduzida expressão do basquetebol jovem (e feminino) no nosso País levou a que a prestação de Portugal fosse menos do que brilhante, tendo a equipa nacional sido última classificada do Grupo A, ganho pelas equipas que viriam a disputar a final, Jugoslávia e União Soviética, tendo esta última acabado por levar para casa o seu oitavo e último título na modalidade, poucos meses antes da sua dissolução definitiva. Quanto a Portugal, tinha de contentar-se com o último lugar da competição, após ter sido derrotada pela Holanda no 'play-off' do nono lugar, e pela Roménia no 'jogo dos últimos classificados'.

Ainda assim, e apesar da pobre imagem do basquetebol juvenil e feminino que terá deixado aos países participantes (e da nula expressão mediática que adquiriu, sobretudo por comparação com o Mundial de Esperanças em futebol masculino, ocorrido semanas antes) este evento terá, sem dúvida, tido grande significado não só para as jovens participantes como também para as pequenas e normalmente pacatas povoações rurais que, de súbito, viam 'aterrar' nas suas calmas ruelas turistas e atletas de todo o Mundo, o que terá quase certamente contribuído para a micro-economia local. Assim, afigura-se mais do que justo dar-lhe destaque nestas nossas páginas, no fim-de-semana em que se completam exactos trinta e cinco anos sobre as suas meias-finais.


Thursday, 2 July 2026

Quartas Aos Quadradinhos: Trinta e Cinco Anos de Um Híbrido Curioso

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 01 de Julho de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Numa altura em que se disputa ainda um dos Mundiais de Futebol menos convencionais de sempre, nada melhor do que recordar uma edição subordinada ao desporto-rei, que celebra este ano um aniversário marcante (o dos trinta e cinco anos) e cujo conceito e formato a tornam 'exemplar único' entre os volumes de banda desenhada editados em Portugal: 'Manual do Futebol Moderno', uma obra originalmente assinada por dois italianos e que era lançada em solo nacional algures em 1991, pela mão da desconhecida Sport Publi. E a verdade é que basta ver um par de painéis desta obra para perceber que não se trata de um álbum de banda desenhada convencional, apostando, em vez disso, num formato híbrido entre 'livro aos quadradinhos' e verdadeiro manual instrutivo de como jogar futebol.



De facto, as duzentas e vinte páginas deste álbum apresentam, essencialmente, uma 'revisão' dos fundamentos do futebol, com ênfase nos aspectos técnicos (como postura para o remate ou posição dos dedos ao defender) servindo os desenhos como apoio visual ao que é dito no texto; no entanto, a presença de balões de fala (nos quais está inserido o referido texto) qualifica o álbum de Bruno Pizzul e Giuliano Giovetti como uma banda desenhada, e é nessa categoria que surge na maioria das (poucas) listagens disponíveis na Internet moderna. E apesar de ser duvidoso que este álbum tenha ensinado seja quem fôr a tornar-se melhor futebolista (pelo menos por si só, já que a base do futebol, como de qualquer desporto, é a prática) o mesmo não deixa de ser uma curiosidade interessante no panorama dos 'quadradinhos' nacionais de finais do século XX, cuja relevância temática o torna tema perfeito para estas breves linhas em tempo de Mundial.

Wednesday, 1 July 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de Um Programa Com 'Arte'

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 30 de Junho de 2026.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Apesar do forte investimento na educação verificado em Portugal durante os anos 80 e 90 – cujas medidas incluíram a extensão da escolaridade obrigatória para nove anos e a chegada a Portugal da Universidade Aberta – era ainda difícil para muitos jovens dessa época conseguirem entrar na faculdade, um feito que demoraria ainda mais uma década a tornar-se 'globalizado'; esses mesmos jovens eram, consequentemente, encorajados a procurar avenidas profissionais alternativas, acabando muitos por optar por cursos técnicos, e por enveredar por ramos ligados à prestação de serviços. Fazia, assim, todo o sentido que a RTP procurasse, no período de Verão de há exactos trinta e cinco anos, oferecer a esse numeroso contingente de finalistas do secundário um programa que lhes permitisse saber mais sobre algumas das mais populares vocações profissionais da época.

Estreado a 29 de Junho de 1991 – mesmo a tempo de apanhar os alunos do décimo-segundo ano no período de final das aulas, em que os mesmos necessitavam de começar a planear o seu futuro imediato – 'A Arte dos Ofícios' iria ao ar uma vez por semana durante a quase totalidade das 'férias grandes', com o último episódio a ser transmitido a 31 de Agosto. Ao todo,foram dez as profissões abordadas no programa apresentado por Maria João Silva, num leque que abrangeu desde os ofícios mais intensivos, como a mecânica, marcenaria ou construção civil, aos mais especializados, como técnico de medicina dentária ou audio-visuais. Existiu mesmo um episódio dedicado aos profissionais de bailado, a única profissão que se pode considerar destoar um pouco da lista, mas uma com que muitas jovens da época (e não só) sonhavam. Cada um destes ofícios era abordado de forma prática e factual, com entrevistas a profissionais do meio e informação passível de ser utilizada pelos espectadores caso escolhessem enveredar pelo ramo abordado naquele episódio; o objectivo era, declaradamente, apresentar estas profissões a quem nelas pudesse estar interessado, pelo que uma abordagem informativa se afigurava essencial.

Um conceito ímpar à época, mas declaradamente 'do seu tempo'; hoje em dia, com a Internet e o YouTube, ter na grelha televisiva um programa como este não faria qualquer sentido. Ainda assim, esta iniciativa da RTP terá, sem dúvida, ajudado e informado muitos jovens da época, justificando-se assim plenamente esta homenagem, um dia depois de se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua emissão de estreia.

Wednesday, 24 June 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Inauguração da Ponte de S. João

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Ao contrário de Lisboa, conhecida por ter tido, durante décadas, apenas uma ponte a atravessar o rio que a banha (pelo menos até à construção de uma segunda, em finais dos anos 90) o Porto sempre foi conhecido pela sua multitude de passadiços sobre o Rio Douro, dos quais o mais famoso é ainda hoje a Ponte D. Maria Pia, projectada por ninguém menos do que Gustave Eiffel; há exactos trinta e cinco anos, no dia de S. João do ano de 1991, esse número ver-se-ia acrescido de ainda mais uma unidade, com a inauguração da nova ponte ferroviária, que levava, também ela, o nome do santo padroeiro da Invicta.

Com origens que remontavam ao início do século XX, a Ponte de S. João era concebida para servir como a nova ponte ferroviária entre as estações de Campanhã, no Porto, e Santa Apolónia, em Lisboa, servindo assim a chamada Linha do Norte. Até àquele dia 24 de Junho de 1991, essa função havia sido desempenhada pela 'irmã' mais 'famosa' (a Ponte de D. Maria Pia) mas a nova travessia oferecia melhor integridade estrutural (tendo sido desenhada de raiz para a função em causa) e permitia ao já centenário 'quase-monumento' que substituía gozar de uma merecida 'reforma'.

Era, no entanto, no desenho que a Ponte de S. João mais diferia das congéneres pré-existentes, já que se tornava a primeira (e, ainda hoje, única) ponte sobre o Douro a não ter construção em arco, sendo feita quase exclusivamente de linhas a direito, que facilitavam o uso de estruturas reforçadas e especialmente concebidas para aguentar grandes cargas de peso (como é o caso dos comboios). E a verdade é que essa opção estrutural serviu (e bem) a infra-estrutura em causa durante as duas décadas seguintes, tendo a mesma apenas sido alvo de manutenção já em 2020. Está previsto, aliás, que o muito esperado serviço de alta velocidade passe também ele por esta ponte, o que ajuda a mostrar a confiança que os portuenses continuam a depositar na mais recente travessia sobre o Rio Douro, exactos trinta e cinco anos após a sua inauguração oficial.

Tuesday, 23 June 2026

Terças Tecnológicas: Um Aniversário 'Duplo' de Uma Mascote Icónica

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Um dos principais aspectos que permitiu à SEGA competir taco-a-taco com a Nintendo foi a decisão de abandonar aquela que, inicialmente, iria ser a mascote da marca (Alex Kidd) em favor do protagonista que, logo desde o seu primeiro jogo, conquistou os corações do público jovem um pouco por todo o Mundo – Sonic, o porco-espinho super-rápido e de atitude 'radical' que viria a inspirar um sem-número de 'clones' durante toda a década de 90, e que ainda hoje disputa com Super Mario o título de melhor de sempre, numa espécie de duelo Ronaldo/Messi em versão interactiva. Nada melhor, pois, do que dedicarmos um 'post' ao mais famoso personagem animal da História dos videojogos, numa semana em que, curiosamente, o mesmo celebra um duplo aniversário marcante.


Era, efectivamente, a 21 de Junho de 1991 que saía na Europa o primeiro 'Sonic The Hedgehog', um dos mais influentes e icónicos jogos de plataformas de sempre, e cuja inclusão com a própria consola que representava (a Mega Drive) ajudou a 'catapultar' as vendas daquele que era, já de si, um sistema bastante entusiasmante. De facto, o primeiro jogo de Mega Drive da maioria dos jovens europeus ter-se-à, na altura, dividido entre 'Sonic' e a não menos ubíqua ou icónica compilação 'Mega Games I', que trazia 'Italia '90', 'Hang-On' e 'Columns' num só cartucho.

Quanto ao jogo em si, pouco há a dizer – tanto a jogabilidade como a banda-sonora, o protagonista ou mesmo o vilão Dr. Robotnik dispensam apresentações, sendo difícil encontrar alguém das gerações 'X' ou 'millennial', com interesse por videojogos, que não tenha jogado pelo menos um nível deste título. Mais – tal como o seu sucessor, o primeiro 'Sonic' continua a 'aguentar-se' surpreendentemente bem trinta e cinco anos depois, e a inspirar 'remakes', novas versões (quer oficiais, quer criadas pelos fãs) e a jogabilidade e grafismo de jogos oficiais posteriores, como 'Sonic Advance' ou 'Sonic Rush'. É, pois, com naturalidade que o referido jogo 'conquista' o seu espaço oficial neste 'blog', curiosamente, já depois de termos falado da primeira sequela.

Não é apenas o título original de 'Sonic' a ter direito a celebração especial nesta penúltima semana de Julho de 2026, no entanto; um outro título da série celebra, também ele, o seu quarto de século, tendo sido propositadamente lançado para coincidir com os dez anos do lançamento americano de 'Sonic The Hedgehog'. E ainda que, na Europa, essa sincronização não seja perfeita – já que o jogo saía no Velho Continente dois dias antes de nos Estados Unidos – não deixa, ainda assim, de ser lícito 'juntar' os dois aniversários, e celebrar também aqui os vinte e cinco anos de 'Sonic Adventure 2'.

Sequela directa para um dos mais conceituados e apreciados jogos com o porco-espinho como protagonista, 'Adventure 2' tem como principal destaque o facto de ter apresentado aos fãs da série Shadow, a versão 'radical' de Sonic, que viria a dividir opiniões durante as duas décadas seguintes. Desse jogo, no entanto, já falámos aquando do nosso artigo sobre o título original, pelo que fica apenas aqui a nota relativa ao aniversário dos vinte e cinco anos da sequela, e à (pouco) curiosa sincronização de datas com o 'primeiro antecessor' – esse sim, inédito nas nossas páginas. Parabéns, pois, a ambos, e ao seu protagonista, o qual se encontra numa fase algo 'apagada' mas que tem tudo para, a seu tempo, e com a equipa certa por detrás dos seus títulos contemporâneos, voltar à 'ribalta' que ocupou naqueles anos finais do século XX...

Monday, 22 June 2026

Segundas de Séries: Trinta e Cinco Anos de Uma Mini-Série Algo 'Periférica'

 NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Segunda será de Séries.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Desde sempre 'pano para mangas' no tocante à ficção, as tribulações sentimentais e sociais da juventude nunca deixam, ainda assim, de provar ser fonte quase inesgotável de inspiração para artistas e outros criativos, sendo inúmeras as séries icónicas baseadas, parcial ou totalmente, na experiência de ser adolescente. Em Portugal, os representantes máximos deste paradigma foram, claro, os incontornáveis 'Riscos' e 'Morangos Com Açúcar'; no entanto, estas estiveram longe de ser as únicas produções nacionais com a juventude como tema central, como o prova a mini-série que serve de tema ao presente 'post', composta por quatro histórias distintas e sem outra relação que não a presença de jovens, quer como protagonistas, quer coadjuvantes.

Com o primeiro dos oito episódios (dois para cada um dos quatro 'telefilmes') a ir ao ar há exactas três décadas e meia (a 22 de Junho de 1991) 'Corações Periféricos' contava com o contributo de nomes sonantes não só da representação (do elenco fazem parte Canto e Castro, Vítor Norte ou Alexandra Lencastre) como da música, com Carlos Tê e Rui Veloso a comporem e interpretarem a música da banda que protagoniza a primeira história, e Manuel João Vieira (então dos Ena Pá 2000, e mais tarde dos Irmãos Catita) a assumir um dos papéis principais da segunda. O resultado, como não podia deixar de ser, é de considerável qualidade, não deixando de ser curioso o facto de esta mini-série se encontrar algo Esquecida Pela Net, pelo menos por comparação às congéneres supracitadas.

Ainda assim, quem é fã de ficção televisiva nacional e procura algo um pouco fora da média dos programas deste tipo pode fazer bem pior do que recordar esta ambiciosa mini-série, disponível na íntegra nos Arquivos RTP, no exacto dia em que a mesma celebra os trinta e cinco anos da transmissão do seu primeiro episódio

Friday, 12 June 2026

Sextas Com Style: A Marca Mais 'Italiana' da Moda Portuguesa

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui em ocasiões passadas falámos de marcas de calças de ganga cem por cento nacionais e que, com a sua combinação da qualidade reconhecida ao nosso têxtil com uma abordagem descontraída e juvenil ao 'marketing' e publicidade, conseguiram alguma tracção entre o seu público-alvo; chega, agora, a hora de juntar mais um elemento a essa lista, e falar de uma marca surgida há exactos trinta e cinco anos, e que, surpreendentemente, logrou manter o seu renome e popularidade até aos dias de hoje.

Falamos da Tiffosi, um dos 'ramos' da empresa de vestuário Cofemel que, desde 1991, tem vindo a 'enganar' gerações de portugueses com o seu nome inspirado na palavra italiana para designar adeptos de Fórmula1. O que não engana, no entanto, é a qualidade das suas peças, seja das icónicas calças de ganga ou das 't-shirts' e 'sweatshirts' também comercializadas sob a mesma designação. Longe de serem artigos 'da moda', as peças da Tiffosi possuem, no entanto, uma qualidade intemporal que as torna atractivas para sucessivas gerações, cada uma das quais se encarrega, depois, de 'apresentar' a marca à seguinte (a Tiffosi fica apenas atrás da Zara no tocante a volumes de vendas no sector do vestuário infantil em Portugal), perpetuando um ciclo que se vem mantendo há já três décadas e meia, e que ajudou a colocar a Tiffosi entre as trezentas empresas mais bem-sucedidas em Portugal, bem como a projectar o nome da marca para o estrangeiro. No total, chegaram a ser setenta as lojas da Tiffosi distribuídas de Norte a Sul do País, muitas das quais se mantêm abertas até aos dias de hoje, agora sob a égide do Grupo Vila Nova, novo proprietário das marcas da Cofemel.

No cômputo geral, pode-se, portanto, considerar a Tiffosi como mais um dos muitos casos de sucesso empresarial no sector do retalho surgidos em Portugal durante a década de 90 - com a ressalva de, ao contrário de várias das suas congéneres (e à semelhança de outras tantas) esse bom desempenho se manter até aos dias de hoje, tornando a marca de 'jeans' pseudo-italiana numa das mais intemporais da actual moda jovem nacional.

Wednesday, 27 May 2026

Quartas de Quase Tudo: Os Trinta e Cinco Anos da 'Primeira' Paz em Angola

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Embora a geopolitica nacional dos anos 90 surja, na memória de quem viveu aquela época, quase monopolizada pela violenta guerra da independência de Timor-Leste, aquela ilha do Pacífico estava longe de ser o único território lusófono a enfrentar problemas internos; também Angola vivia, já desde a descolonização, um sangrento confronto entre o governo oficial do Movimento Popular Para a Libertação de Angola (MPLA) e as forças guerrilheiras da União Nacional para a Independência Total de Angola, ou UNITA (sigla que, aliás, ficaria para sempre gravada na mente de toda uma geração, talvez por fazer lembrar a de duas entidades diametralmente diferentes do partido guerrilheiro em todos os âmbitos, mas de acrónimos muito parecidos - a UNESCO e a UNICEF). Esta guerra civil, que se provara de difícil resolução durante a década anterior, chegaria, no entanto, a bom porto logo no início da década de 90 – concretamente, a 31 de Maio de 1991, quando representantes dos dois partidos angolanos assinavam, na Escola Superior de Hotelaria de Lisboa, na vila de Bicesse, perto do Estoril, os acordos com o mesmo nome, que oficializavam a paz em Angola.

Sob o olhar atento de testemunhas da Segunda Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM II) e do então Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação (e futuro Primeiro-Ministro) Durão Barroso, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e o líder rebelde Jonas Savimbi assinavam, um acordo qjue estipulava a realização das primeiras eleições multipartidárias da História daquele país lusófono, e integravam os exércitos guerrilheiros nas Forças Armadas oficiais angolanas, as quais receberiam formação das suas homólogas portuguesas. Estas directivas seriam, posteriormente, reforçadas por outro acordo, assinado em Angola – o Tratado de Lusaca.

Acabou, no entanto, por durar pouco este entendimento, que seria dissoluto unilateralmente pela UNITA pouco mais de um ano depois, quando o partido de Savimbi repudiou os resultados das eleições presidenciais estipuladas pelos Acordos, lançando Angola para uma nova guerra civil, a qual apenas viria a terminar com a morte de Savimbi, em 2002. O sucessor, Paulo Lukamba Gato, provou-se bastante mais moderado, e acabaria mesmo por ratificar a paz definitiva através do Memorando de Entendimento do Luena, ainda nesse mesmo ano. Ainda assim, e apesar de em última instância se terem revelado um fracasso, os Acordos de Bicesse não deixaram de ser um dos mais importantes marcos da política externa portuguesa de finais do século XXI, e o esforço de Durão Barroso, da ONU e dos governos americano e russo (num raro momento de cooperação) merecem ser recordados, a poucos dias de se assinalarem os trinta e cinco anos da reunião em 'território neutro' entre a UNITA e o MPLA, para discutir um plano bem-intencionado, mas que acabaria por não 'dar certo'.

Friday, 27 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta e Cinco Anos de Um Brinde (Muito Pouco) 'Mágico'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Março de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.



Já aqui por diversas vezes mencionámos o facto de, numa era mais 'inocente' e ainda parca em 'truques' digitais, ser consideravelmente mais fácil intrigar, atrair e até maravilhar o público infanto-juvenil. Enquanto que, hoje em dia, o mesmo toma como garantida a existência de uma 'app' com jogos e passatempos, bastando para isso fazer 'scan' de um código QR, nos tempos de infância dos seus progenitores 'millennials' - há coisa de trinta e cinco anos - um objecto simples e quase banal podia ser tornado objecto de interesse e cobiça pura e simplesmente por ser retirado de uma caixa de cereais ou pacote de batatas fritas, e designado por um adjectivo como 'Mágico'. É o caso da 'Quinquilharia' a que dedicamos este 'post', veiculada nos pacotes de Cheerios da Nestlé algures durante o ano de 1991, e que, em quaisquer outras circunstâncias, dificilmente seria merecedora de mais do que um olhar 'de passagem' por parte do público-alvo.


De facto, a auto-designada 'Régua Mágica' mais não passava do que de uma vulgar régua lenticular, semelhante a outras tantas presentes nos estojos de crianças e adolescentes de Norte a Sul do País, na mesma altura; a única diferença eram, claro, os motivos promocionais alusivos aos cereais em causa, e o facto de figurar numa publicidade televisiva da época, o que, desde logo, ajudava a que o seu apelo disparasse em flecha. O referido interesse foi, no entanto, de curta duração, tendo as crianças da época (presumivelmente) visto o brinde pelo que ele era, e virado a atenção para outros prémios mais merecedores do seu tempo; prova disso é o facto de, hoje em dia, o referido anúncio (que encabeça este 'post') ser mesmo o único vestígio da existência desta oferta, para além da respectiva página no site Brindemania (onde a informação é tão parca quanto a veiculada nesta postagem). Ainda assim, nunca é demais relembrar um prémio que ilustra, cabalmente, a facilidade de 'vender' até o conceito menos interessante à juventude de finais do século XX, desde que acompanhado de uma campanha de 'marketing' suficientemente apelativa...

Thursday, 26 March 2026

Quartas aos Quadradinhos: A Carreira de Luís Diferr, Nome 'de Culto' da BD Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Março de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Como deverá ter ficado bem patente no 'post' sobre as aventuras de Jim Del Monaco, a BD franco-belga dos anos 50 a 80 era fonte de inspiração para a maioria dos ilustradores e criadores de BD nacionais. No entanto, apesar de fortemente influenciados pelo estilo, poucos há que possam, efectivamente, reclamar um papel colaborativo com uma das suas inspirações; uma dessas (poucas) excepções é Luís Diferr, o recém-malogrado desenhista que, durante a última década do século XX, chegou a colaborar com o editor dos álbuns póstumos do popular herói franco-belga Alix, para além de ter lançado duas séries (num total de quatro álbuns) em nome próprio, e tido direito a extensa exposição no icónico Festival de Banda Desenhada da Amadora, em 1992.


20250615_164509.jpg


Nascido em Angola em 1956, Diferr licenciou-se em Arquitectura, tendo chegado a exercer funções como professor de Geometria Descritiva, mas era na BD que residia a sua verdadeira paixão, a qual se ia traduzindo numa enorme diversidade de ilustrações, 'tirinhas' e pranchas 'espalhadas' por um sem-número de fanzines e outras publicações de finais dos anos 80 e inícios de 90. Seria, no entanto, apenas em Março de 1991 (há exactos trinta anos) que o sonho se tornaria realidade, com a edição do primeiro volume completo da autoria de Diferr, no caso a primeira de duas aventuras do cosmopolita Herb Krox, 'O Homem de Neanderthal', cuja continuação, 'Os Deuses de Altair - I', sairia apenas sete anos depois, já depois do lançamento de 'O Lago Iluminado', primeira e única aventura de Drakar, o Minossauro, criada em parceria com o argumentista José Abrantes.


hk1.jpgdiferr_deuses-de-altair.jpg


As duas aventuras de Herb Krox, editadas em extremos opostos dos anos 90.


Após este ponto, a carreira de Diferr entraria em ciclo descendente, não obstante o aparecimento, em 2002, de dois novos personagens, no contexto de um volume de homenagem a Vasco Granja, e o lançamento do mais importante projecto do autor, um volume sobre Portugal inserido na colecção 'As Viagens de Lois', idealizada por Jacques Martin (criador de Alix) nos anos anteriores ao seu falecimento, em 2011. O próprio Diferr viria a deixar-nos em 2025, sem nunca ter atingido grande notoriedade no contexto da BD nacional ou internacional, mas tendo almejado um merecido estatuto de culto, conseguido também, em parte, pela sua actividade enquanto 'blogger', que manteria até 2016; já a este 'blog' (que não é seu) interessa, sobretudo, assinalar os trinta e cinco anos da publicação do álbum que daria início a esse percurso, e o colocaria pela primeira vez no 'radar' dos bedéfilos portugueses, e que serve como 'desculpa' para a breve retrospectiva de carreira levada a cabo nestas linhas.

Wednesday, 25 March 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de 'Caças' Computorizadas

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 24 de Março de 2026.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A metade final dos anos 80 e primeira metade da década seguinte representou um dos melhores momentos da História da televisão nacional no que a concursos diz respeito, com diversos exemplos icónicos do género, que ainda hoje perduram na memória de quem tinha a idade certa para os ver, quer por si só, quer na companhia de familiares, em serões frente à televisão. De entre estes, não podiam, claro, faltar os dirigidos a um público mais jovem, entre os quais se contam também alguns perfeitamente lendários para quem os acompanhou à época, como 'Arca de Noé' ou 'Tal Pai, Tal Filho'; e apesar de aquele que abordamos neste 'post' não ter conseguido a mesma repercussão futura, é apenas justo recordá-lo, poucos dias antes de se completarem exactos trinta e cinco anos sobre a sua primeira emissão.


download (2).jpg


De facto, era à hora de almoço do dia 27 de Março de 1991 que 'Trevo da Sorte' era, oficialmente, substituído por um novo concurso, apresentado por Luís de Matos (mais conhecido pelas suas proezas como ilusionista no Espaço Mágico do 'Ponto de Encontro', mas que se revelava também um bom apresentador de televisão) e que tinha como principal ponto de interesse a utilização de um jogo electrónico como base para a prova, a qual era, ela própria, jogada frente, e com recurso a, computadores pessoais - um conceito, à época, mais do que inovador, e nunca antes visto na televisão nacional. A este atractivo mais 'óbvio' havia, ainda, a juntar o facto de, ao contrário da maioria dos concurso da época, 'Caça ao Tesouro' (não confundir com o programa homónimo lançado pela SIC três anos depois) ser de índole cem por cento nacional, tendo sido criada por um portuense, Álvaro de Magalhães.


download (3).jpg


O recurso a computadores como ferramenta-base para o jogo era absurdamente inovador para a época.


Razões mais que suficientes, pois, para os espectadores sintonizarem a RTP e acompanharem as tentativas das duas equipas concorrentes em cada programa de 'navegar' o mapa do tesouro virtual, com recurso a dados igualmente computorizados, e procurarem a arca com o 'tesouro' de meio milhão de 'contos' (uma fortuna à altura) ou o prémio-surpresa, oferecido por uma sereia, enquanto tentam evitar um encontro com o pirata, que os fará retornar à casa de partida.


download (4).jpg


O mapa do tesouro, sobre o qual se desenrolava o jogo.


Um conceito que unia elementos dos jogos de tabuleiro, dos videojogos e do formato de concurso mais tradicional, que não podia deixar de apelar ao público mais jovem (o mesmo que hoje, depois de adulto, lerá este 'blog') e que justifica plenamente que se dediquem algumas linhas a este algo esquecido programa, na semana em que se completam trinta anos sobre a sua primeira 'ida ao ar'.

Friday, 13 March 2026

Quartas de Quase Tudo: Dez Anos, Três Mandatos, Dois Presidentes

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Março de 2026.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A cada cinco anos, repetem-se, em Portugal, dois rituais, sempre em datas muito próximas: em meados de Janeiro, elege-se um Presidente da República (ou renomeia-se o existente) e, perto de dois meses depois, o mesmo é oficialmente indigitado em funções. Foi, precisamente, esta última cerimónia que teve lugar na passada Terça-feira, com a entrada oficial no cargo de António José Seguro, sucessor de um Presidente icónico, memorável e com enorme aceitação entre os Portugueses – uma situação extremamente semelhante à vivida, há exactos trinta anos, por Jorge Sampaio.


768877.jfif


O momento da transferência de poderes, em 1996.


De facto, ao assumir a cadeira máxima da política portuguesa, a 13 de Março de 1996, Sampaio tinha pela frente a missão de igualar o trabalho de Mário Soares, cujo segundo termo (obtido por maioria absoluta) tivera início pouco mais de cinco anos antes, a 9 de Março de 1991, e decorrera de forma relativamente calma a nível sócio-económico, graças, em parte, às capacidades de liderança de Soares, ainda hoje justamente recordado como um dos mais icónicos Presidentes da República dos tempos modernos, Tão consensual era o demissionário, aliás, que o referido segundo mandato conseguiu a rara proeza de reunir o consenso dos dois extremos da política nacional, com Soares a ser apoiado tanto pelo PS como pelo PSD.


E porque tentar equiparar-se a tão icónica personalidade era praticamente impossível, que Sampaio logrou, à sua maneira mais discreta, continuar a orientar o País naquele que foi um primeiro mandato bastante calmo, pesem embora alguns sustos a nível da saúde, e que lhe viria a outorgar a confiança para garantir um segundo, sem sequer necessitar de recurso a segunda volta; ao contrário do primeiro, no entanto, este segundo termo ficou marcado, entre outros problemas, pelo desastre de Entre-os-Rios, ocorrido apenas dois dias depois da tomada de posse oficial de Sampaio.


No cômputo geral, no entanto, este foi, também ele, um mandato sem grande 'história', estando o País ainda longe de imaginar o que lhe sucederia, em termos económicos, meros anos depois. Talvez por isso – e pelo carisma e capacidade de liderança dos Presidentes da República de antanho – haja uma parcela tão elevada da população portuguesa desejosa de poder regressar aos simples e descomplicados anos imediatamente anteriores à viragem do Milénio.

Sunday, 1 March 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Trinta e Cinco Anos de Uma Pioneira do 'Fast Fashion'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 e Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Numa era em que o 'fast fashion' e as cadeias de centro comercial se confundem com o próprio mercado da moda e vestuário em geral, pode parecer difícil acreditar (ou recordar) que, há meras três décadas, o conceito de roupas de qualidade mediana, vendidas a preços acessíveis e numa perspectiva mais 'descartável' e de menor durabilidade era conceito inaudito em Portugal. No entanto, se considerarmos a tradição têxtil e comercial do País, tal facto revela-se tudo menos surpreendente, já que, em finais do século XX, os comerciantes de vestuário lusitanos apostavam ainda na comprovada qualidade dos seus artigos como principal diferencial de vendas, indo ao encontro do que os próprios clientes da época procuravam e valorizavam no tocante a peças de roupa. No início daquela última década do século XX, no entanto, entraria no mercado português uma das primeiras cadeias a começar a mudar este paradigma, e que, contra todas as expectativas e tendências, continua até hoje a marcar presença em território nacional, três décadas e meia após a abertura da primeira loja e largos anos depois do desaparecimento de muitas das suas contemporâneas.


C&A_logo.svg.png


Falamos da holandesa C&A (iniciais dos dois irmãos fundadores, Clement e August) a qual, em 1991, se aventurava pela primeira vez no mercado luso, já depois de se ter estabelecido um pouco por toda a Europa, e ao mesmo tempo que expandia o negócio para diversas outras partes do Mundo. A primeira loja em Portugal surgiria no icónico (embora entretanto algo 'esquecido') CascaiShopping - à época uma 'porta de entrada' no mercado português para diversas multinacionais, e que veria também surgir, poucos anos depois, o primeiro McDonald's em território nacional – base a partir da qual a marca expandiria horizontes, chegando a ter quase três dezenas de lojas um pouco por todo o País, tal como sucedia em outras partes da Europa e do Mundo.Cascais-10.jpegVisual actual da primeira loja da cadeia em Portugal, no CascaiShopping.


Tal como aconteceria nesses ercados, no entanto, também a C&A portuguesa sofreria uma contracção, embora não tão séria ou impactante quanto no país vizinho, por exemplo; apesar dessa forçada redução no número de lojas, no entanto (derivada de mudanças ao nível do mercado de vestuário, entre outras condicionantes) a cadeia logrou manter a presença no sector, contando hoje ainda com mais de duas dezenas e meia de lojas, incluindo várias em grandes superfícies de monta, como o 'shopping' Vasco da Gama, em Lisboa. Por quanto mais tempo durará esta 'missão de sobrevivência', apenas o tempo dirá; nos entrementes, no entanto, é legítimo celebrar a marca de três décadas e meia de actividade de uma loja que, sem nunca constar entre as grandes aglutinadoras de público, foi ainda assim pioneira do vestuário mais 'em conta' em território nacional, e logrou manter-se 'à tona' por entre os diversos tumultos do sector, e estabelecer-se definitivamente num mercado, à época, pouco convidativo para o produto que oferecia.

Wednesday, 28 January 2026

Quartas de Quase Tudo: 'Irmãos Castanheira' - Uma Boa Premissa Num Mercado Saturado

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Há já muito tempo, quando esta rubrica e este 'blog' eram ainda relativamente novos, falámos de alguns dos mais marcantes livros e autores nacionais do período englobado pelo mesmo, ou seja, a infância e adolescência das gerações 'X' e 'millennial'. No entanto, apesar de as referidas listas serem relativamente compreensivas, acabaram inevitavelmente por ficar de fora alguns nomes e volumes menos 'imediatos' e emblemáticos da literatura infantil da altura, alguns deles, inclusivamente, bem conhecidos no campo das obras literárias para 'mais crescidos'. É de um desses nomes, recentemente falecido, e da respectiva colecção infantil que falamos neste 'post', sugerido pelo nosso leitor assíduo e 'quase-colaborador' Pedro Serra.


                            22027125._SY180_.jpg images (1).jfifimages.jfifimages (2).jfif


Os quatro volumes da colecção, por ordem de edição.


Falamos da também jornalista Clara Pinto Correia, falecida há cerca de seis semanas (em inícios de Dezembro) e que, há cerca de trinta e cinco anos (algures no ano de 1991), tentava a sua sorte no campo das colecções para crianças, com os quatro volumes das aventuras dos 'Irmãos Castanheira', um rapaz e uma rapariga que 'não são irmãos, mas parecem', já que partilham o mesmo nome (José e Maria José, ou o Zé e a Zé), apelido, prédio de residência, turma da escola e até equipa de remo – isto além de dois dos seus progenitores serem sócios de um negócio local, no caso um salão de beleza baptizado em honra dos protagonistas. A outra característica que ambos partilham é, claro, a propensão para 'tropeçar' em mistérios ao bom estilo 'Uma Aventura'/'Clube das Chaves', que formam a trama de 'Quem Tem Medo Compra Um Cão', 'A Canção dos Dinossauros', 'A Minha Alma Está Parva' e 'A Mulher Gorda'.


Uma premissa que, apesar de interessante, bem escrita, e com detalhes e personagens secundários cativantes (como a banda de música cabo-verdiana com o impagável e fabuloso nome de Dinhero Ca Tem, ou 'Não Há Dinheiro') travava uma batalha forçosamente desigual contra as grandes colecções da época (elencadas acima e a que há ainda a juntar 'Viagens No Tempo' e os clássicos de Enid Blyton, entre outros exemplos) bem como contra as obras de escritores como Alice Vieira, já mais estabelecidos junto do público-alvo. Assim, não é de admirar que a série de Pinto-Correia se tenha ficado pelos quatro volumes, os quais são (ou foram) ainda assim uma opção válida para quem já tenha lido tudo o resto que a literatura infantil portuguesa da época tivesse para oferecer. Quanto a Pinto-Correia, as suas contribuições para o jornalismo, literatura e educação nacionais encontram-se bem documentadas,e a sua morte, com apenas sessenta e cinco anos, representa uma perda de vulto para a cultura portuguesa. Que descanse em paz.

Thursday, 8 January 2026

Terças Tecnológicas: Trinta e Seis Anos de 'Magos e Guerreiros' de 8-Bits

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Como cenário eternamente popular junto de uma certa demografia mais introvertida e sedentária, não é de admirar que os mundos de fantasia de atmosfera medieval, repletos de heróis de espada e armadura, princesas e magos perversos, tenham desde sempre tido uma presença exacerbada na cultura popular, servindo de base a materiais literários, filmográficos, musicais e, claro, interactivos. De facto, a 'segunda vaga' de videojogos, iniciada em meados dos anos 80 e que dominou a década seguinte, tinha neste tipo de universo um dos seus temas mais recorrentes, a ponto de os mesmos se terem tornado um dos mais imediatos e reconhecíveis estereótipos daquela era dos jogos de computador e consola.


Uma das muitas séries a tirar partido da atmosfera muitas vezes chamada 'sword and sandal' (algo como 'espada e sandálias') era uma trilogia lançada para a Nintendo original (com um quarto capítulo 'paralelo' a surgir no Game Boy) e cujo primeiro capítulo era lançado na Europa há quase exactos trinta e seis anos, a 07 de Fevereiro de 1990. Falamos de 'Wizards & Warriors', um jogo de plataformas bem típico da época, originalmente lançado nos mercados NTSC três anos antes e que, no período subsequente, perdera o seu principal motivo de interesse – os aspectos técnicos 'à frente do seu tempo' para 1987, mas que, em 1990, constituíam já a norma vigente. O que restava era um título absolutamente característico da era em causa, sem nada que o distinguisse por aí além nem que lhe desse 'vantagem competitiva' sobre concorrentes de peso como 'Castlevania', e que parecia destinado a passar despercebido.


Wizards_and_Warriors_NES_cover.jpgWizards_&_Warriors.png


No entanto, o exterior algo mediano de 'Wizards & Warriors' escondia o envolvimento de dois futuros pesos-pesados da indústria: a Acclaim, que tinha no jogo o seu primeiro título como distribuidora, e a Rare, que tantas alegrias daria aos fãs das consolas da Nintendo nas décadas subsequentes. Dois nomes que, alguns anos depois, justificariam por si só a compra de qualquer título em que se envolvessem (especialmente juntas) e que tinham aqui um início algo 'humilde'.


Ironsword_cover.pngIronsword.png


O mesmo, aliás, pode ser dito da própria série 'Wizards & Warriors', que veria serem lançados mais três títulos na meia década após a saída do original. O primeiro destes seria o 'originalmente' intitulado 'Ironsword: Wizards & Warriors II', surgido menos de um ano após o original, e que se inseria no tipo de sequela 'mais do mesmo', com o herói Kuros a ter agora de reunir os quatro elementos naturais para derrotar o inimigo Malkil. Assim, e face à jogabilidade e ambientes muito semelhantes aos do antecessor, o destaque deste segundo capítulo vai mesmo para a presença, na capa, do 'galã' Fabio, bem conhecido como modelo de capa em romances 'de cordel' e que, aqui, faz a sua melhor imitação de Conan, O Bárbaro, numa capa que horrorizou os próprios criadores do jogo - cujo herói é, aliás, um cavaleiro medieval de armadura completa, e não um bárbaro musculado de tronco nu.


Wizards_&_Warriors_Chapter_X_-_The_Fortress_of_FeaWizards_&_Warriors_X_gameplay.png


O mesmo tema seria, infelizmente, mantido na capa do 'capítulo paralelo' 'Wizards & Warriors X: The Fortress of Fear' (sendo o X, neste caso, uma letra, e não um numeral romano indicador de oito capítulos 'perdidos' da saga), lançado em Novembro de 1990 em exclusivo para o Game Boy original. Como seria de esperar, este semi-'spin-off' mais não é do que uma versão simplificada e monocromática dos jogos principais, constituindo, como estes, um exemplo em tudo típico do que era a biblioteca de jogos da portátil da Nintendo à época, e sobre o qual pouco mais há a dizer.


Wizards_and_Warriors_III_NES_cover.jpgWizards_and_Warriors_III_2.png


Ainda assim, também este titulo faria sucesso suficiente para justificar um 'capítulo final' na saga, lançado novamente para Nintendo 8-bits em Janeiro de 1993 - praticamente três anos depois do surgimento do original no mercado europeu – e que apresenta, pela primeira vez, mudanças na jogabilidade, agora mais declaradamente focada na exploração não-linear, ao estilo de 'Metroid' ou do já mencionado 'Castlevania'. Esta alteração não seria, no entanto, bem recebida, já que era implementada em detrimento dos elementos de combate, tornando o jogo algo aborrecido para quem gostava do típico molde de atacar e matar inimigos sem maiores preocupações. E apesar de o fim deixar em aberto a possibilidade de novas aventuras para Kuros, o fim da Zippo Games (também conhecida como Rare Manchester, e que fecharia portas logo após a conclusão deste jogo) vinha mesmo pôr um ponto final na sua saga de jogos – o que talvez seja para melhor, já que este tipo de aventura teria os 'dias contados' um par de anos depois, quando o advento dos 32-bits viria revolucionar e alterar para sempre o mundo dos videojogos.


Wizards_&_Warriors_Cover.jpg


Curiosamente, no entanto 'Wizards & Warriors III: Kuros' Visions of Power' não representaria o último uso da denominação num contexto interactivo, já que em finais de 2000 (mais de uma década após o lançamento da primeira aventura do cavaleiro Kuros) um RPG em primeira pessoa 'repescaria' o título, ainda que esse fosse o único elo de ligação entre o novo título e a saga original da Acclaim e Rare. Ainda assim, é a esta que o nome fica indelevelmente ligado, apesar da pouca repercussão da mesma na cultura popular actual, exactos trinta anos após o seu início – um paradigma que, espera-se, este 'post' terá ajudado, pelo menos em parte, a rectificar...

Friday, 15 March 2024

Sextas com Style: A ModaLisboa - Estilo 'Capital'

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Um dos principais conceitos a dar entrada na cultura popular durante a última década do século XX foi o de 'super-modelo' – aquela profissional das 'passerelles' cujo estatuto, beleza e fama a colocavam num patamar acima das suas congéneres, tornando-a naquilo a que mais tarde se viria a chamar uma 'celebridade'. Nomes como Cindy Crawford, Claudia Schiffer ou Naomi Campbell eram tanto (ou mais) figuras públicas como modelos, e as suas vidas despertavam o interesse do público seguidor de publicações 'cor-de-rosa'...e não só. Assim, é natural que os espectáculos de beleza onde estas e outras beldades desfilavam se tenham, também, revestido de interesse adicional para o público generalista, e conseguido deixar os seus 'confins' de Paris, Nova Iorque, Londres e Milão para se espalhar um pouco por todo o Mundo. Portugal não seria excepção, e a primeira metade dos anos 90 veria surgirem em solo lusitano não um, mas dois eventos anuais subordinados a esta temática, um em cada uma das duas capitais do País. Do organizado mais a Norte falaremos em tempo; esta Sexta, dedicaremos alguma atenção ao de Lisboa, cuja edição de Primavera de 2024 se acaba de encerrar há poucos dias à altura da edição deste 'post'.


mlx.png


Surgida pela primeira vez como parte das Festas da Cidade, em 1990, foi, no entanto, no ano seguinte que a Moda Lisboa teve o seu arranque oficial, no formato ainda hoje utilizado, e que abrange uma série de eventos de moda realizados bi-anualmente (em Março e Outubro) ao longo de uma semana em espaços públicos, quase todos na popular e turística zona ribeirinha, tendo anos recentes visto mesmo o evento 'esticar-se' até à linha de Cascais. Em suma, um modelo em tudo semelhante ao que fazia sucesso nas grandes 'capitais da moda', e que dava aos fãs portugueses do estilismo uma oportunidade de se inteirarem das novas tendências, ou simplesmente de ver estonteantes modelos em desfile. Essa primeira edição teve, ainda, a particularidade de entrar na História como a primeira 'fashion week' fora dos grandes centros supramencionados, e de 'apresentar' Portugal ao Mundo da alta costura.


Infelizmente, não tardou até que a Moda Lisboa gerasse polémicas, e, em 1993, uma 'confusão' em torno de um convite ao estilista John Galliano levaria à suspensão do evento durante dois anos. Aquando do seu regresso, no entanto, a Moda Lisboa surgiria com ainda mais força do que tivera nas primeiras edições, e estabelecer-se-ia definitivamente como parte integrante do calendário cultural português. Desde então a esta parte, o evento apenas tem crescido, incorporando ora novas localizações para os desfiles (como o Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa) quer parcerias com o referido evento nortenho, e foi mesmo alvo de um documentário na RTP, aquando da quinquagésima edição, em 2020; e, a julgar pelo sucesso que cada novo evento continua a ter, parece improvável que este paradigma se altere num futuro próximo. Os adeptos da moda em Portugal podem, portanto, regozijar-se com o facto de o 'seu' evento anual continuar (quase) ininterrupto há (quase) três décadas, formando parte tão integral do calendário de eventos nacional como o Fantasporto ou os festivais de Verão, e fazendo-o sempre em grande 'estilo'...

Wednesday, 7 February 2024

Quartas de Quase Tudo / Quartas aos Quadradinhos: 'A Cozinha Com Astérix' - Receitas Irredutíveis...E Irresistíveis

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Já aqui em ocasiões passadas abordámos a popularidade da BD franco-belga no Portugal de finais do século XX, onde os álbuns editados (sobretudo) pela Meribérica-Liber perdiam apenas para os 'quadradinhos' da Disney e Turma da Mônica no coração das crianças e jovens; e, de todos os heróis francófonos a marcar presença nas livrarias do nosso País, o mais popular talvez fosse Astérix, o intrépido e corajoso herói gaulês que, com a ajuda da poção mágica do seu druida, assume a linha da frente na defesa da sua aldeia contra a ameaça de invasão romana. De facto, mesmo em finais da década de 90, o 'baixinho' de bigode de Goscinny e Uderzo continuava a justificar não só a criação de novos álbuns, filmes e videojogos alusivos às suas aventuras, como também de um parque temático (no seu Norte de França natal) de produtos licenciados mais insólitos, como o jogo de tabuleiro lançado pela Majora, a colecção de figuras em cartão disponibilizada numa promoção da Longa Vida, o sumo da Libby's ou o livro de culinária que serve como tema do 'post' 'quase duplo' desta Quarta-feira.


download (5).jpgD_NQ_NP_998288-MLB45659414394_042021-O.webp


Capa e contra-capa do livro.


Não, não nos enganámos – Astérix viu mesmo ser lançado sob o seu nome, no ano de 1991, um livro de culinária para crianças, com o próprio e os seus conterrâneos da irredutível aldeia gaulesa presentes e em grande destaque não só na capa como em todas as páginas, prontos a servir de chamariz às crianças e jovens que avistassem o volume na prateleira da livraria do bairro. E a verdade é que, ao contrário de muitos produtos da época, o uso da licença é, neste caso, mais do que apenas superficial: 'A Cozinha Com Astérix' não se limita a utilizar os desenhos de Goscinny e Uderzo para se vender, havendo um claro esforço para capturar a atmosfera dos álbuns de Astérix nas suas páginas – cada uma das quais contém não só a receita (com o nome devidamente tematizado ao universo dos irredutíveis gauleses) como também cenas exclusivas com os personagens, e até painéis de banda desenhada que poderiam ter sido retirados directamente dos álbuns! O resultado é um livro visualmente espectacular, que até quem não tenha qualquer interesse em aprender a cozinhar quererá sem dúvida desfolhar.


download (6).jpgD_NQ_NP_647836-MLB48458265878_122021-O.webp


Exemplos das receitas e grafismo do livro (Crédito das fotos: Mercado Livre)


Infelizmente, e apesar de todo este esforço, 'A Cozinha Com Astérix' não utiliza todo o potencial de uma licença com cariz (pseudo)-histórico. Isto porque, apesar de os seus nomes e modos de apresentação evocarem o universo do personagem titular, as receitas contidas no livro são apenas pratos normais, fáceis de confeccionar e adequados à faixa etária alvo, mas sem qualquer relevância quer para o mundo em que Astérix habita, quer para a França de finais do século XX. Fica, assim, por aproveitar a oportunidade de apresentar aos jovens leitores pratos tradicionais da zona de França onde supostamente fica a aldeia gaulesa, juntando assim uma vertente histórica ao aspecto lúdico proporcionado pelo guerreiro loiro e seus amigos.


Ainda assim, e apesar desta 'falha', 'A Cozinha Com Astérix' é um volume bem merecedor de ser lido, que transcende o rótulo de simples curiosidade e apresenta conteúdos cuidados, com receitas que qualquer criança ou jovem com apetência para a cozinha se divertirá, sem dúvida, a fazer, e painéis de banda desenhada que o manterão interessado em meio às instruções de confecção; só é pena que o aspecto acima mencionado tenha sido negligenciado (ou, simplesmente, esquecido) ou poderíamos estar diante de um candidato ainda mais sério ao rótulo de melhor livro de receitas dos anos 90...

Tuesday, 2 January 2024

Terças de TV: 'Crime Na Pensão Estrelinha' (1990) - O Primeiro 'Clássico' do Ano Novo Português

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


De todas as personalidades televisivas portuguesas, Herman José talvez tenha sido a que mais 'peles' encarnou ao longo das suas já cinco décadas de carreira. De humorista de 'vanguarda', o luso-alemão passou, em inícios da década de 90, a ícone dos concursos e entretenimento, ao mesmo tempo que, à margem destas duas facetas, continuava a cultivar uma terceira, que se lhes sobrepunha: a de 'cara' oficial das passagens de ano portuguesas.


De facto mesmo após as 'novatas' SIC e TVI terem tentado introduzir alternativas próprias para ter no ecrã aquando das doze badaladas, continuava a ser com Herman que os portugueses preferiam passar a meia-noite, fosse num formato mais típico - como as edições de fim-de-ano dos seus programas regulares - fosse através da vertente favorita do artista, ou seja, o humor puro e duro. Foi, aliás, neste último registo que o luso-alemão criou dois dos mais memoráveis especiais de fim-de-ano de sempre da TV portuguesa: 'Hermanias', em 1991/92, e, no ano anterior, o não menos memorável (bem como pioneiro) 'Crime Na Pensão Estrelinha'.


Crime-na-Pensao-Estrelinha.jpg


Concebido como paródia directa dos programas de detectives que continuam, até hoje, a fazer sucesso (ainda que seguindo os moldes vigentes na altura, estabelecidos por séries como 'Poirot'), o especial de duas horas e meia proposto pela RTP como acompanhamento do 'reveillon' de 1990/91 excedeu todas as expectativas, mantendo 'colada' ao ecrã uma parcela significativa da audiência televisiva portuguesa, e fazendo História no contexto dos especiais de fim-de-ano. Com o próprio Herman no papel de um óbvio 'boneco' de Hercule Poirot, o programa alternava a trama de mistério com 'sketches' humorísticos, bem ao estilo do que o seu criador fizera em 'O Tal Canal', na década transacta, e voltaria a fazer em 'Hermanias' e, mais tarde, 'Herman Enciclopédia'. O resultado foi uma emissão que, apesar do carácter híbrido e algo invulgar, resultou em cheio, tornando Herman na 'estrela' das passagens de ano' noventistas e criando, involuntariamente, o molde para o não menos mítico programa de 'reveillon' do ano seguinte.


crime-na-pensao-estrelinha-08.jpg


Herman como Hércules Pirô, detective e personagem principal do especial.


Infelizmente, as passagens de ano subsequentes investiriam em formatos bem mais clássicos e menos inovadores - não obstante o sucesso de que haviam gozado esta 'Pensão Estrelinha' e as 'Hermanias' de 91 - facto que, aliado à ligeira alteração de carreira de Herman, significaria que o humorista raramente voltaria a ter ensejo de explorar a sua veia puramente cómica no contexto dos programas de 'reveillon' da década de 90. Ainda assim, o humorista luso-alemão tirou o máximo proveito das oportunidades que teve, criando dois absolutos clássicos das passagens de ano das gerações 'X' e 'millennial', ainda hoje eminentemente 'visíveis' e lembrados por todos os que, naqueles idos de 90, se deixaram embrenhar, juntamente com o detective Hércules Pirô, no mistério de quem havia assassinado o dono da Pensão Estrelinha...


Sunday, 5 November 2023

Domingos Divertidos: Pictionary Junior (1991) - Uma 'Segunda Linha' Bem Divertida

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Quando se fala em jogos de tabuleiro ou sociedade do 'período áureo' dos anos 80 e 90, vários nomes vêm à memória, dos clássicos Monopólio e Trivial Pursuit ao Quem É Quem e Operação, passando pelos mais 'elaborados', como o Mauzão, Crocodilo no Dentista ou Tragabolas. Já o Pictionary, um jogo cujo conceito gira em torno do desenho, surge um pouco mais atrás, sendo, curiosamente, mais conhecido em Portugal pela versão Júnior, lançada pela MB em 1991.


images.jpg


Em tudo semelhante ao jogo 'para adultos', embora com tópicos mais interessantes para a demografia-alvo, o Pictionary Junior propunha uma única alteração ao modelo de jogo, a saber, a introdução de um membro fixo de cada equipa como desenhista, por oposição à rotação do jogo para os mais 'graúdos'; de resto, o objectivo continuava a passar por adivinhar a palavra ou conceito que esse mesmo desenhista tentava retratar antes que o tempo da ampulheta se esgotasse, de modo a poder avançar no tabuleiro de jogo e completar a 'volta' necessária para ganhar. Escusado será dizer que esta fórmula dava azo a muitos momentos de 'nervosismo divertido', com os desenhistas a darem largas a todos os seus dotes enquanto os colegas de equipa tentam freneticamente adivinhar o que os seus rabiscos representam.


Apesar de mais conhecido (pelo menos no nosso País) do que a versão 'graúda', no entanto, o Pictionary não estava entre os jogos mais populares ou frequentes no quarto do jovem português médio da época; quem o tinha, no entanto, sabe o potencial que o jogo tinha para proporcionar uma tarde bem passada em 'jogatanas' com a família ou amigos, acabando por conquistar o direito a figurar nestas páginas ao lado dos seus contemporâneos mais 'famosos'.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...