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Tuesday, 29 November 2022

Terça de TV: 'Os Donos do Jogo'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A influência do futebol na sociedade portuguesa (e sobretudo entre o sector masculino) sempre foi, e continua a ser, famosamente transversal, afectando desde grelhas de programação televisiva ao funcionamento de negócios e estabelecimentos. O segmento mais jovem da referida demografia não é, de todo, excepção – pelo contrário, as crianças, adolescentes e jovens adultos encontram-se entre os mais fervorosos seguidores e adeptos do 'desporto-rei'.


Assim, não é, de todo, de estranhar que, em meados dos anos 90, um executivo de televisão tenha tido a ideia de incorporar o futebol, e os eternos 'despiques' que provoca mesmo entre os melhores amigos, num formato televisivo de cariz competitivo e dirigido a um público jovem – e ainda menos que o mesmo se tenha revelado um enorme sucesso entre os mesmos durante o período em que esteve no ar, já que reunia dois dos seus elementos favoritos: o futebol e a competição intelectual.


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O programa em causa, que levava o título de 'Os Donos da Bola', faria a sua estreia na SIC algures em 1994, captando as audiências da hora do almoço e conseguindo alguma tracção entre o segmento a que se destinava pelo bom e velho método do 'passa-palavra', ainda hoje uma das principais medidas do sucesso de QUALQUER produto ou serviço junto do público jovem.


Encabeçado por um jovem que, alguns anos mais tarde, se transformaria num dos nomes de referência da programação de entretenimento em Portugal - e, ainda mais tarde, em verdadeiro profissional do desporto-rei - de nome Jorge Gabriel, o concurso propunha um 'derby' entre dois concorrentes – cada um representando o seu clube de eleição - que procuravam 'marcar golos' um ao outro através da resposta correcta a perguntas sobre o mundo do futebol, sendo o progresso de cada um mostrado mediante uma (hoje rudimentar, mas à época entusiasmante) simulação computorizada. Começando 'de trás', na hoje chamada 'fase de construção', era objectivo de cada um dos jogadores conseguir avançar o mais possível campo afora, correspondendo cada resposta correcta a um passo (ou 'passe') em frente no 'relvado' virtual. A complicação advinha do facto de as respostas irem aumentando de dificuldade à medida que a 'bola' progredia, tornando-se francamente difíceis no sector mais atacante – uma mecânica que, ainda que de forma básica, acabava por reflectir o cariz do próprio futebol enquanto desporto.



Exemplo do conceito do jogo 'em acção'.


Uma fórmula, no cômputo geral, até bastante simples, mas por isso mesmo bem eficaz, que permitiu ao concurso ficar no ar durante três anos e mais de 600 emissões - vindo finalmente a ser cancelado algures em 1997 – e que chegou mesmo a suscitar uma tentativa de transladação do conceito para um formato caseiro, estilo 'jogo de tabuleiro', embora neste caso sem grande sucesso – ao que parecia, os jovens preferiam ver dois concorrentes 'espalhar-se ao comprido' na resposta a perguntas sobre desporto, do que correrem eles mesmos esse risco. Ainda assim, e apesar deste ligeiro 'soluço' a nível comercial, 'Os Donos da Bola' foi um programa que, na sua época, deu que falar, encontrou e reteve a sua audiência e implementou satisfatoriamente um conceito novo, único e original, não se podendo, por isso, considerar nada menos do que um retumbante sucesso (mais um de entre muitos à época) para a ainda jovem mas já bem estabelecida estação de Carnaxide.

Wednesday, 24 August 2022

Terças de TV: Dá-lhe Gás! - Um Programa de Verão para a 'Malta Jovem'

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 23 de Agosto de 2022.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


O conceito de 'programa de Verão' traz, normalmente, à memória imagens de apresentadores saltitantes e artificialmente entusiasmados e artistas 'pimba' fazendo 'playback' dos seus mais recentes êxitos. Trata-se de uma fórmula com décadas de existência e que, pelo sucesso que sempre vem acarretando, dificlmente é ou virá a ser alvo de grandes alterações - de facto, o mais provável é que qualquer português que ligue a televisão durante uma tarde de fim-de-semana deste mesmo Verão de 2022 dê de caras com um exemplo deste tipo de programa, que nem a pandemia de COVID-19 conseguiu travar, muito menos 'matar'.


Apesar de o ditado popular rezar que 'em equipa que ganha, não se mexe', no entanto, foi precisamente isso que a SIC decidiu fazer durante alguns Verões do fim do Segundo Milénio e inícios do Terceiro: criar um programa de Verão que interessasse activa e directamente ao público infanto-juvenil, especificamente ao segmento pré-adolescente e adolescente. O resultado foi o Dá-lhe Gás!, um formato centrado na realização de jogos e provas físicas de cariz competitivo e com banda sonora composta por artistas 'da moda', que viria a almejar sucesso suficiente para justificar a realização de precisamente cem programas, divididos ao longo de sete Verões.


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Apresentado por um trio constituído por Jorge Gabriel, Raquel Prates e Catarina Pereira - todos, à época, nomes 'em alta' no segmento 'jovem' da televisão portuguesa - o concurso reunia concorrentes de escolas de todo o País, que disputavam entre si uma série de eventos de cariz físico e desportivo, muitos deles de índole 'radical', ou não fossem aqueles os anos de maior sucesso e interesse por desportos extremos em Portugal; o ambiente de entusiasmo e animação era, conforme já referimos, auxiliado pela música escolhida pela produção, que consistia de 'hits' electro-pop tão conhecidos e icónicos para a época como 'Follow The Leader', 'Blue (Da Ba Dee)', 'Ooh La La La' ou 'Samba de Janeiro' - todos, aliás presentes no alinhamento da colectânea em CD alusiva ao programa, lançada no ano 2000, um ano depois da estreia do mesmo, e durante a sua fase de maior sucesso.


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Capa do CD alusivo à banda sonora do programa, lançado em 2000


A fórmula, no entanto, provaria ter ainda 'pernas' para se aguentar nada menos do que mais seis anos, vindo o programa a terminar apenas no Verão de 2006, quando o panorama televisivo nacional já começava, definitivamente, a distanciar-se do paradigma de finais dos anos 90, e a demografia que acompanhara o programa durante os anos anteriores perdia gradualmente o interesse no mesmo; ainda assim, essa mesma demografia não terá, decerto, deixado de criar memórias nostálgicas de tardes de Verão passadas em frente à televisão, acompanhando os esforços de outros jovens da sua idade e, certamente, desejando poder tomar parte numa edição futura do programa...



Emissão completa do programa, que, embora sem música, permite ver a estrutura e formato do mesmo.

Tuesday, 25 May 2021

Terças de TV: PONHA! PONHA! PONHA!

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Uma imagem vale mais do que 200 e tal palavras


‘Ponha, ponha, ponha!!! AAAAAAIIII!!!’


Esta frase – que se tornou um ‘meme’ décadas antes de esse conceito ter sido oficialmente inventado – é, ainda hoje, a primeira coisa que vem à memória quando se fala do programa abordado neste post, a ponto de haver quem já nem se lembre do nome, mas ainda se lembre do homem careca, sentado de olhos fechados, aos gritos, enquanto lhe eram postas iguanas na calva.


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Esse homem chamava-se João Muge, e o programa, Agora ou Nunca – um conceito que, à época, até foi bastante popular, sobretudo devido à enérgica apresentação de Jorge Gabriel, mas que hoje tem como único legado esse famoso ‘clip’ e a respectiva citação, incessantemente repetida por esse país afora naqueles idos de 1997.


Baseado, como quase todos os programas nacionais à época, num formato estrangeiro (neste caso, alemão), o programa tinha uma ideia-base simples, que consistia tão somente em ajudar os concorrentes a ultrapassar as suas maiores fobias, através do comprovado método de as expor, em directo, a uma audiência de milhões de portugueses. Uma espécie de sessão de terapia televisionada, em que a maioria das fobias oscilava entre o inusitado e o ridículo, expondo, por isso, os seus detentores ao ridículo, como foi o caso com o Sr. João Muge e as suas iguanas.


Mesmo assim, a maioria dos participantes não se parecia importar grandemente com as ‘figuras’ que ia fazer para a televisão, até porque havia uma inevitável recompensa em dinheiro à espera de quem fosse ‘valente’ o suficiente para enfrentar os seus medos – e os risos da audiência. No caso de João Muge, 225 contos foram a soma recebida em troco da exposição ao ridículo no programa e (ainda que ninguém o antevisse na altura) da entrada no imaginário humorístico popular, com a sua ‘catchphrase’ a virar dichote de recreio, e Herman José – então a atravessar um momento alto da sua carreira – a satirizar a participação de Muge no programa da SIC com uma rábula na sua ultra-popular ‘Enciclopédia’. Estava, assim, criado um 'meme' que perdurou tanto que, literalmente décadas mais tarde, o próprio Jorge Gabriel viria a recriar o momento no programa '5 Para a Meia-Noite' - desta vez, tendo ele próprio a iguana na cabeça...


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O Jorge também não parece gostar lá muito da situação...


Do restante programa, restam muito poucas recordações, pelo menos para quem não foi espectador fiel ou tenha uma memória acima da média (ou ambos.) Comparados com a performance digna de um Óscar de João Muge, os restantes desafios (e respectivos ‘freakouts’) não eram, nem de longe, tão memoráveis, ainda que alguns tivessem tudo para o ser (como a pobre concorrente que, para enfrentar o seu medo de montanhas-russas, se deslocou, não até à Feira Popular de Lisboa, ou na Bracalândia minhota, mas…a Inglaterra.) Assim, vão valendo os gritos de um careca com iguanas na cabeça (e um blog nostálgico de um gajo trintão) para impedir que este tesourinho deprimente caia, de vez, no esquecimento. E para que a memória perdure, aqui fica o registo desse momento lendário da televisão portuguesa...



Vá, força - digam lá 'a frase'. Vocês sabem que não vão resistir...

Tuesday, 20 April 2021

Terças de TV: O Big Show SIC

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


E se nos dois posts anteriores falámos dos mais célebres programas ‘de auditório’ para crianças, na publicação de hoje vamos falar daquele que foi talvez o mais célebre representante ‘para adultos’ do género durante os anos 90.



Sim, esse mesmo, o Big Show SIC -  uma espécie de versão ‘para gente grande’ do Buereré, concebido pelo mesmo criador do programa de Ana Malhoa, Ediberto Lima. Neste, não havia desenhos animados (o que faz sentido, dado o programa não ser dirigido a um público infanto-juvenil) mas havia concursos, rábulas e atuações dos mais variados artistas de música popular portuguesa – a chamada música ‘pimba’, da qual já falamos noutro post deste blog – os quais eram frequentemente ignorados pelas estações de televisão devido à sua conotação com o ‘popularucho’. Ao resolver remediar esta situação e dar a estes artistas um palco para brilhar, Ediberto acabou por criar um dos mais bem-sucedidos programas de variedades da década, e o programa-estandarte da estação de Carnaxide durante os próximos seis anos.


O formato do Big Show SIC recriava diretamente o de produções análogas da terra-natal de Ediberto Lima, como o Domingão do Faustão ou o Caldeirão do Huck – ou seja, misturava performances musicais com passatempos e segmentos de humor, tudo apresentado por um mestre de cerimónias carismático e capaz de apelar a um vasto segmento da população. No caso português, o papel de Fausto Silva, Gugu Liberato ou Luciano Huck coube a João Baião, um (até então) ator de variedades que abraçou a nova carreira com gosto, tornando-se presença marcante das tardes portuguesas com o seu estilo de apresentação frenético e energético, ao mais puro estilo ‘coelhinho da Duracell depois de dez abatanados’. As suas frases feitas, dichotes e piadas, bem como as suas características ‘corridinhas’ pelo cenário, conferiam uma dose extra de charme e personalidade, tornando memorável aquilo que, de outro modo, seria apenas mais um programa de variedades mediano.



A 'corda' de João Baião era tanta, que às vezes até caía...


Para ajudar a ‘animar as hostes’, Baião contava com o apoio do DJ Pantaleão – autor da famosa frase ‘AI! EU TÔ MALUCOOOOO!’ – Alfredo Martins, o ‘Gaio’, e o Macaco Hadrianno, um homem num fato de gorila cuja função era transportar os participantes menos talentosos de um segmento musical para fora do estúdio…às suas costas. Este último viria, mais tarde, a renovar a sua fama entre a miudagem, ao ser ‘emprestado’ ao Buereré de Ana Malhoa que, famosamente, lhe dedicaria uma canção no primeiro disco de músicas retiradas do programa infantil.


Na fase de declínio do Big Show SIC – já na década de 2000 – este pequeno mas marcante lote de coadjuvantes ver-se-ia acrescido de mais um nome – o ratinho Topo Gigio, uma criação da TV italiana já com várias décadas de vida (e algum ‘merchandising’ à venda em Portugal) e que faria assim o seu regresso à televisão portuguesa, vinte anos após o programa que o celebrizou, apresentado por António Semedo.



Vídeo promocional alusivo à estreia de Topo Gigio no Big Show SIC


A sua adição não foi, ainda assim, suficiente para salvar o programa, que ainda conseguiria segurar-se por mais de um ano no novo milénio, antes de se despedir do público das tardes portuguesas, em Março de 2001. Por esta altura, o programa já não contava com a apresentação de João Baião, tendo como apresentadores, primeiro, Jorge Gabriel e, mais tarde, José Figueiras – nomes carismáticos, mas que não faziam esquecer aquele que se havia tornado um verdadeiro símbolo do programa (Baião revelou recentemente, em entrevista ao Canal Q, que ainda hoje é abordado na rua por fãs do Big Show SIC, que lhe perguntam sobre um possível regresso do programa.)




O Big Show SIC pós-Baião, nas variantes Jorge Gabriel e José Figueiras, respetivamente


Em suma, durante os seus seis anos de vida, o Big Show SIC logrou tornar-se um clássico da televisão portuguesa, e ficar na memória de milhões de telespectadores de Norte a Sul do País – entre os quais muitas crianças e jovens. Embora não fosse diretamente dirigido ao público mais novo, o horário do programa permitia a grande parte deste segmento assistir ao mesmo à chegada da escola, cimentando assim a sua popularidade entre os grupos etários mais baixos. A receita baseada em humor simples e popular, excitantes concursos e atuações de artistas de variedades também ajudava a tornar o programa atrativo para os mais novos, que só sentiam mesmo a falta dos desenhos animados que caracterizavam o programa-irmão do Big Show que lhes era, esse sim, dirigido - o Buereré.


E vocês? Viam o Big Show? Que memórias têm dele? Por aqui, confessamos ser este o primeiro post do blog cujo foco não faz, diretamente, parte das nossas memórias infantis – cá por casa, era programa que não se via. Ainda assim, muitos colegas na escola não perdiam uma emissão, e o Big Show era frequentemente motivo de conversa no recreio. Também era assim convosco? Partilhem as vossas memórias nos comentários!


E pronto, agora já podem ir fazer o chichizinho e tomar um cafezinho! Até à próxima!


 


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...