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Thursday, 25 June 2026

Quintas No Quiosque: Trinta e Um Ano de Um 'Esteio' da Imprensa Tecnológica Nacional

 Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por várias vezes abordámos a enorme variedade de revistas especializadas existente nas bancas e quiosques portugueses durante o período de maior florescimento da imprensa nacional, nas décadas de 80, 90 e 2000; e, enquanto 'nicho' de interesse para um número crescente de leitores á época, a informática não podia, claro, ficar de fora desta equação. De facto, existiam não uma, mas duas revistas de referência nesse campo durante o período em causa: a PCGuia, de que já falámos nestas páginas, e a publicação que abordamos neste 'post', e sobre cujo número inaugural se celebram este mês exactos trinta e um anos.

Nascida como publicação 'paralela' à também popular revista 'Exame', a 'Exame Informática' surgia pela primeira vez nas bancas em Junho de 1995, a tempo de 'navegar' (passe a expressão) aquele que talvez fosse o período mais excitante da história da informática – o da transição do Windows 3.1 para o mais intuitivo Windows 95, e do surgimento da primeira versão primitiva e rudimentar da Internet 'de massas'. E a verdade é que a revista em causa fazia um excelente trabalho, conseguindo explicar os termos e especificações técnicas inerentes ao seu campo de especialização de uma forma simples e fácil de entender, permitindo-lhe assim a luta 'taco a taco' com a supracitada PC Guia.

Foi, aliás, também da rival que a 'Exame Informática' 'tirou' a ideia de agregar CD-ROM (mais tarde DVD-ROM) com programas e 'demos' a cada um dos seus números, tendo-se esse tornado (como no caso da concorrente) um dos principais motivos de interesse para o público-alvo, sempre sedento de novidades naquele tempo em que tudo parecia possível. Daí para a criação de um 'site', a evolução foi natural, e não demorou até o público poder consultar os conteúdos da revista também 'online'; seguiu-se a criação de uma gala para atribuição de prémios no campo da informática (uma espécie de Globos de Ouro tecnológicos) e de um programa televisivo, em parceria com a SIC, numa ascensão em flecha pouco comum para uma publicação escrita na década de 2000.

De facto, a 'Exame Informática' viria a provar-se 'dura de matar', continuando a ser lançados novos números muito depois de a maioria das publicações físicas se ter tornado exclusivamente digital, e de outras tantas (incluindo a concorrente directa) terem desaparecido; poeticamente, a revista 'morreria' a escassas semanas de completar trinta anos, tendo a última edição ido às bancas em Maio de 1995. Agora, um ano depois, cabe-nos prestar homenagem àquele que foi um dos dois 'pilares' da imprensa tecnológica nacional durante três décadas, tendo mantido informados muitos adeptos da informática que, decerto, ainda hoje lhe sentem a falta. É a eles que dedicamos estas linhas de 'aniversário' de uma publicação que não chegou a entrar na sua terceira década de vida, mas que, durante a sua existência, almejou mais do que a esmagadora maioria das suas congéneres.

Tuesday, 12 May 2026

Segundas de Sucessos/Terças Tecnológicas: Magix Music Maker - Uma Opção 'Séria' Para Artistas De Música Digital

 

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 11 de Maio de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Já aqui anteriormente falámos de 'software' e jogos de consola centrados na criação de peças musicais de uma perspectiva semi-profissional, e utilizando alguns dos mesmos elementos que um verdadeiro artista de música electrónica teria à sua disposição; o programa de que falamos neste 'post' duplo leva esse conceito ainda mais longe, constituindo, para todos os efeitos, uma verdadeira ferramenta compositiva, e sendo até hoje extensamente utilizado por um sem-número de músicos amadores.


Ecrã da versão 3.0, lançada em 1997.

De facto, logo desde a sua criação em 1994, o Magix Music Maker destacou-se pela sua abordagem explicitamente técnica, que incluía opções de carregamento de ficheiros externos (para complementar a biblioteca interna de 'samples' e oferecer aos músicos amadores uma maior flexibilidade), instrumentação virtual, e ferramentas básicas de produção e mistura, as quais o ajudavam a posicionar-se como um verdadeiro recurso de criação, com pouco ou nenhum valor enquanto programa lúdico. Para quem tinha verdadeiro interesse na composição de música electrónica, no entanto (por oposição a apenas querer uma simulação para 'entreter', ao estilo do posterior 'Music') este programa rapidamente se afirmou como um valioso recurso, vindo eventualmente a servir de inspiração a 'softwares' como o GarageBand, que expandiam e aprimoravam aquilo que a Magix estabelecera uma década antes.

Mesmo o próprio Music Maker lograria manter-se activo durante os trinta anos seguintes (a edição mais recente data de 2023) e teria, inclusivamente, direito a uma (algo incongruente) versão para PlayStation 2, que apenas ajudaria a ressalvar o destaque e a importância que o 'software' 'freemium' da Magix adquirira nos anos desde a concepção e lançamento da sua primeira versão; razão mais que suficiente, portanto, para lhe darmos o devido destaque nas páginas desta rubrica dedicada a relembrar os principais avanços tecnológicos e interactivos da última década do século XX...

Thursday, 29 June 2023

Quintas no Quiosque: A Revista 'PC Guia' - Três Décadas a Informa(tiza)r os Portugueses...

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


De entre todos os tipos de publicação disponíveis no mercado português durante a década de 90, as revistas de jogos e informática estavam entre as que mais interesse suscitavam ao público infanto-juvenil, a par das de banda desenhada, música, celebridades ou especificamente dirigidas a essa demografia: o sector masculino, em particular, era ávido consumidor deste tipo de periódico, o qual constituía, à época, o principal recurso para conhecer as novidades no campo tanto do 'software' (jogos e programas informáticos) como do 'hardware', ou seja, os próprios recursos técnicos e tecnológicos por detrás do desempenho de um computador ou consola. E se no primeiro caso as líderes de mercado eram a 'Mega Score' e a 'Bgamer', sem grandes hipóteses para a maioria da concorrência, no segundo, um único nome era incontornável no Portugal dos 90s: a PCGuia.


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Exemplar da revista com o grafismo original.


Fundada em 1995, e inicialmente vinculada ao grupo Cofina, a nova revista não tardou a afirmar-se como referência no sector dos periódicos tecnológicos, devido, sobretudo, ao facto de não haver à época em Portugal qualquer outra publicação nos seus moldes. De facto, muito mais do que uma simples 'revista de jogos', ou seguidora das tentativas simplistas de lançar uma 'revista de computadores' feitas até então, a 'PCGuia' procurava ser aquilo que o seu nome indicava – um guia para utilizadores informáticos, e para aqueles que procuravam iniciar-se nesse mundo, ou simplesmente melhorar os seus recursos dentro do mesmo.


Assim, o conteúdo da revista tendia a misturar os melhores elementos de uma 'ProTeste' (e de outras revistas especializadas da época) com os da referida 'Mega Score', apresentando testes sérios, sóbrios e detalhados a computadores, sistemas e programas (entre os quais, claro, alguns jogos) ao mesmo tempo que dava conta das últimas novidades e dos mais entusiasmantes avanços tecnológicos a esperar no futuro, tornando-se assim uma valiosa 'aliada' dos consumidores informáticos na hora de decidir em que investir o seu dinheiro – o que, numa época em que a tecnologia primava ainda por preços exorbitantes, a ajudava a destacar-se dos restantes periódicos do ramo.


A juntar aos conteúdos verdadeiramente úteis e de qualidade cuidada estava, ainda, o principal atractivo da 'PCGuia' para grande parte do público jovem nacional – o CD-ROM (mais tarde DVD) recheado de versões de teste ou gratuitas do mais variado tipo de programas, alguns dos quais do interesse activo desta demografia. Tal como acontecia com a 'Mega Score', 'Bgamer' e mais tarde a 'Player', esta adição era, muitas vezes, suficiente para justificar o preço de capa, já que os programas nela veiculados tendiam a ter bastante uso por parte dos compradores.


Esta combinação de conteúdos de qualidade com um 'brinde' apetecível terá, aliás, sido o principal factor por detrás do sucesso da revista, que – ao contrário do que acontece com muitas das publicações que aqui recordamos – continua a marcar presença nas bancas nacionais a cada mês, embora agora em versão '2.0', e já sem o apoio do grupo editorial lisboeta. Significa isto que a revista, nascida na era do Windows 95, marcou já presença em quatro décadas da vida quotidiana portuguesa, durante as quais ajudou três gerações a escolherem material informático, e viu o mundo da tecnologia progredir dos primeiros processadores Pentium para Inteligências Artificiais que escrevem livros por si mesmas, quase sem ajuda; há que esperar, portanto, que estes mesmos avanços tecnológicos não venham a ditar o fim desta já 'decana' publicação, como aconteceu com tantas das suas contemporâneas...

Saturday, 26 March 2022

Saídas ao Sábado: A Ida À Biblioteca

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


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Não são todas as crianças que gostam de ler, mas para aquelas que gostam, uma ida à biblioteca é (ou era) uma Saída de Sábado tão válida quanto uma ida ao jardim ou ao parque infantil. Aquelas prateleiras atrás de prateleiras, cheias de segredos, aventuras, surpresas e mistérios prestes a serem revelados (quer 'in loco', quer mais tarde, com calma, em casa) conseguiam, no contexto certo, surtir o mesmo efeito de um corredor de hipermercado ou loja de brinquedos – até porque, para quem tem apetência para a leitura, os livros acabam por quase ser brinquedos...


Até mesmo quem não era muito de leituras, no entanto, tinha na biblioteca (quer municipal, quer de bairro ou até no contexto da escola) motivos de algum interesse, fossem os computadores de uso (quase) livre – durante muito tempo, a única forma de acesso à Internet para muitos jovens portugueses – fossem as pequenas, mas honestas, secções de filmes e CD's de música, onde se podia, com sorte, descobrir um novo filme para ver numa sexta à noite (sem que para isso fosse necessário ir ao videoclube) ou um álbum nunca antes ouvido de um artista favorito. Muitas bibliotecas tinham, ainda, arquivos de revistas de interesse cultural e científico, pelo que quem gostava de passar uma tarde a folhear volumes desse tipo acabava também, muitas vezes, por se inscrever para um cartão na biblioteca local.


Em suma, na sua essência, as bibliotecas (as quais existiam, e continuam a existir, na maioria das povoações portuguesas acima de um certo tamanho) serviam como um repositório de informação gratuita e acessível a qualquer instante – um papel que a então incipiente Internet estava ainda a algumas décadas de vir a desempenhar. Num mundo em que o Google não só existe, como é quase sinónimo com pesquisas de todos os tipos – e em que a maioria dos lares portugueses tem pelo menos um dispositivo capaz de aceder à Internet – este tipo de estabelecimento encontra-se, a par dos videoclubes e salões de jogos, numa rápida e inexorável espiral rumo à obsolescência, subsistindo hoje muito à custa de um público mais envelhecido e tradicionalista, bem como de eventos temporários, como exposições. Quem, nas décadas a que este blog remete, gostava de ler, de filmes ou de descobrir novos artistas musicais, no entanto, não esquecerá o papel e a influência que a 'sua' biblioteca, por muito humilde que fosse, desempenhou no cultivar desse gosto durante os seus anos de infância – razão mais que suficiente para que lhe sejam dedicadas estas breves linhas...

Wednesday, 23 March 2022

Terças Tecnológicas: Os Portáteis Educativos dos Anos 90

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 22 de Março de 2022.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Qualquer criança tem, tradicionalmente, tendência para imitar os interesses, hábitos e maneirismos dos adultos que o rodeiam; assim, não é de surpreender que uma tão grande porção dos produtos dirigidos a um público jovem disponíveis no mercado, em qualquer época da História, sejam réplicas miniaturizadas de elementos da vida quotidiana adulta. Dos tradicionais e intemporais carrinhos e utensílios de cozinha aos entretanto extintos cigarros de chocolate, são inúmeros os exemplos deste fenómeno através dos tempos, sendo que, nos anos 90, o mesmo se manifestou em ainda mais uma vertente, no caso a tecnológica.


De facto, o rápido e bem documentado progresso das novas tecnologias ao longo da última década do século XX só podia resultar no aparecimento de versões em miniatura, de brincar, de alguns dos principais aparelhos utilizados pelos adultos durante esse período – especificamente, os telemóveis e os computadores portáteis. E se, hoje, ambos esses aparelhos são de fácil e quase ilimitado acesso para a maioria dos membros da demografia infanto-juvenil, nos anos 90, os mesmos estavam restritos às versões 'artificiais' para si concebidas, e disponíveis na secção de brinquedos electrónicos da maioria das lojas.


Mas enquanto os telemóveis de brincar se pautavam pela simplicidade extrema – consistindo as 'entranhas' da maioria dos mesmos de uma simples placa de som, com quatro ou cinco efeitos, que continua a ser utilizada até aos dias de hoje, mudando apenas o aspecto exterior do brinquedo – já os computadores para crianças se afirmavam substancialmente mais interessantes no contexto tecnológico da altura, fazendo uso da limitada tecnologia portátil para criar um produto suficientemente bem concebido para singrar até aos dias de hoje.


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Invariavelmente de cariz educativo, e programados com jogos de treino da gramática ou matemática, estes pseudo-portáteis (muitos deles fabricados pela especialista em tecnologias educativas Lexibook) surgiam no mercado em duas variantes distintas; a primeira, mais prevalente nos dias que correm, fazia uso de cores garridas ou personagens licenciados para atrair o público-alvo, afirmando-se declaradamente como um brinquedo, ao passo que a segunda tentava emular mais de perto os 'notebooks' verdadeiros, com as diferenças mais evidentes a surgirem quando se levantava a tampa. Isto porque, no sítio onde um portátil genuíno teria o ecrã, estes produtos contavam com um LCD, dentro do qual se produziam as limitadas animações e efeitos sonoros de cada jogo. Nos restantes aspectos, no entanto, ambos os tipos de computador infantil ficavam bastante próximos dos equivalentes mais 'crescidos', contando mesmo com um teclado 'a sério', e até, muitas vezes, com um rato, de funcionamento muito semelhante aos verdadeiros.


Apesar de todos estes factores de atracção, o sucesso ou não destas máquinas junto de um membro do público-alvo estava, em grande parte, dependente da apetência do mesmo para conteúdos declaradamente educativos: quem gostasse de jogos que incorporassem o treino da língua portuguesa ou matemática, sem por isso deixarem de ser desafiantes, teria num destes portáteis horas de entretenimento garantido, enquanto que quem não tivesse paciência para tal estilo de programa, pouco proveito dele tiraria.


Ainda assim, parece ter havido suficientes exemplos do primeiro tipo de jovem para justificar a continuidade destes computadores no mercado, sendo fabricadas variantes dos mesmos até aos dias que correm – um facto que não deixa de ser surpreendente, dado que, com o advento dos Magalhães e, mais tarde, a globalização de telemóveis, 'tablets' e consolas que servem como sistemas de entretenimento completos, este tipo de brinquedo se afirma, hoje, como completamente obsoleto. Para a época em que foi criado, no entanto, o mesmo afirmava-se como nada menos que revolucionário, e terá decerto havido muito quem, à época, decidisse que valia a pena 'aturar' um bocado de português ou matemática, como contrapartida de poder ter o seu próprio computador pessoal...

Tuesday, 14 December 2021

Terças Tecnológicas: As Placas Gráficas dos Anos 90

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Nvidia GeForce. Creative 3DFx Voodoo. AMD Radeon. Qualquer jovem com interesse em jogos de computador nos anos 90 conhecia de cor estes nomes, e provavelmente saberia recitar de cabeça as especificações técnicas, prós e contras de cada um dos produtos que os mesmos identificavam.


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As principais marcas de placas gráficas dos anos 90


Quem já nasceu na era dos computadores super-turbinados, capazes de lidar com tudo de programas de realidade virtual para baixo, nunca chegará a perceber a importância e o impacto que ter a placa gráfica 'certa' podia ter na vida de um 'gamer' de finais do século XX e inícios do XXI. Naquela época, não chegava ter um Pentium – era necessário assegurar que os componentes instalados dentro do mesmo eram os correctos para correr os nossos jogos favoritos, caso contrário a experiência resultaria, inevitavelmente, em frustração. Mais – a maioria dos jogos não era compatível com QUALQUER placa gráfica, mas apenas com certos modelos, o que obrigava o comprador a escolhas, por vezes, difíceis – entre dois dos jogos 'da moda', por exemplo.


Este factor de exclusividade levou, também, a que despoletasse uma espécie de 'guerrilha' entre os adeptos das diferentes placas, ao estilo da que opusera os fãs da Sega e da Nintendo, ou que viria a opôr os entusiastas de Xbox e Playstation; quem gostava da Nvidia, morria por ela, enquanto um fã de Creative 3DFx defendia a sua 'amada' com unhas e dentes, e por aí fora. No entanto, esta era uma guerra que nenhuma das placas precisava realmente de ganhar, já que as três gozavam de excelentes volumes de vendas à época (embora um pouco menos no caso da Radeon); a questão prendia-se, exclusivamente, com preferências pessoais – e para essas, não havia 'remédio'.


Tal como tantos outros produtos de que aqui falamos, também as placas gráficas pareceram, de um ano para o outro, perder a importância que em tempos haviam tido na estrutura de qualquer PC, e sobretudo de uma máquina dedicada a correr jogos, muito graças ao facto de os computadores terem, finalmente, 'ultrapassado', em termos tecnológicos, até os jogos e programas mais exigentes, fazendo com que os famosos 'Requisitos Mínimos' deixassem de ter tanta importância para os compradores de 'software'. Hoje em dia, qualquer PC corre qualquer jogo, e apenas os programas mais notoriamente 'devoradores' de recursos (olá, Teams. Olá, Adobe Suite.) causarão qualquer tipo de incómodo até ao mais básico dos portáteis; de facto, a situação inverteu-se, estando a dificuldade, actualmente, em correr jogos e emuladores ANTIGOS, que requerem o auxílio de programas como o DOSBox. Quem viveu aqueles anos 90, no entanto, não deverá deixar de sentir um friozinho na espinha de cada vez que põe a correr um 'software' novo pela primeira vez – não se vá dar o caso de o programa cair e aparecer uma daquelas caixinhas de texto a informar que a placa gráfica não é compatível...

Tuesday, 19 October 2021

Terças Tecnológicas: Os Emuladores

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


NOTA: Este post é dedicado à malta dos emuladores da Escola Filipa de Lencastre, 1997-99: Paulo Melo, Bruno 'Icster', Nuno 'Screech' e Samuel. Se por acaso estiverem a ler, este é pelos velhos tempos.


Há exactamente duas semanas, na última edição desta rubrica, recordámos os mais populares motores de pesquisa dos anos 90; ora, um dos principais usos para o qual esses mesmos motores de pesquisa eram aplicados pelos jovens portugueses era a busca por emuladores – programas que permitiam jogar jogos originalmente concebidos para consolas no computador, por intermédio de um processo que fazia com que um PC caseiro se julgasse uma Mega Drive ou Game Boy (daí o nome 'emulador', proveniente de 'emular', ou 'imitar' algo.)


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Um dos primeiros emuladores lançados na década de 90, o NESTicle


Embora hoje em dia sejam corriqueiros ao ponto de virem incluídos com a maioria dos produtos tecnológicos de baixa gama oriundos da China, nos anos 90, os emuladores surgiam ainda envoltos numa aura de mistério, com os repetidos avisos quanto à ilegalidade do processo em si a darem a estes programas uma vertente 'marota' perfeitamente irresistível para toda uma geração de jovens criados à base de Duke Nukem, filmes de acção e música alternativa de cariz agressivo e rebelde. Não é, pois, de espantar que a demografia mais dada a jogos em geral não tivesse tardado a adoptar esta nova tecnologia como sua, havendo certamente muito quem tivesse instalado um ou outro destes programas nos computadores da escola para jogar nos intervalos ou 'furos' (por aqui, foi exactamente esse o caso...)


Os próprios nomes dos primeiros emuladores serão, certamente, nostálgicos para quem 'esteve lá' naquela época; do NESticle (retratado acima) ao Genecyst (aqui logo abaixo), não havia interessado neste campo que não soubesse de cor quais os melhores emuladores a 'sacar', e quais as melhores segundas e terceiras escolhas; no nosso grupo de amigos, por exemplo, havia todo um 'ranking' de programas, que qualquer membro do grupo saberia recitar de cor até, pelo menos, à quarta ou quinta casa...


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Um ecrã que certamente despertará a nostalgia de muitos jovens de finais dos 90s...


Outro elemento memorável da 'caça' aos emuladores em finais dos anos 90 eram os 'sites' aonde se podiam adquirir estes misteriosos programas (bem como os próprios ficheiros dos jogos em si, conhecidos como ROMs); isto porque, enquanto alguns tinham já um aspecto minimamente profissional (profissional para finais dos anos 90, entenda-se) outros eram, claramente, projectos pessoais, em que um qualquer internauta – provavelmente da mesma idade daqueles que acediam ao seu portal – partilhava a meia-dúzia de jogos que havia conseguido converter em ROM, listando cada um deles em letras rosa-choque contra fundo verde-alface, e acompanhados de comentários como 'este é o jogo favorito da minha irmã mais nova' (exemplo real). Símbolos (tal como a própria vaga original de emuladores) de uma Internet bem mais inocente e cativante que a actual, mas que, infelizmente, nunca mais voltará – o que não impede que seja lembrada nas páginas de 'blogs' como este...


Quanto aos emuladores propriamente ditos, conforme já referimos, os mesmos são hoje corriqueiros e de fácil acesso, tendo por isso perdido grande parte da sua mística; no entanto, quem fez parte da vaga original de 'nerds' que corriam para um cybercafé durante um 'furo' da escola para conversar no mIRC e jogar 'Dragon Ball Z' para Mega Drive num computador Pentium 90 sabe o quão apaixonante essa experiência podia ser – e, certamente, terá esboçado um sorriso ao começar a ler este post...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...