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Thursday, 23 July 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta Anos de um 'Susto' Para a Política Portuguesa

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 22 de Julho de 2026.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Numa edição anterior desta rubrica, recordámos o Presidente da República Portuguesa indigitado há três décadas atrás, Jorge Sampaio, na altura para marcar o seu falecimento; agora, vários meses depois, voltamos a fazer-lhe referência, desta vez no contexto de uma efeméride única na democracia portuguesa, sobre a qual se assinalam dentro de poucos dias exactos trinta anos.

Era, efectivamente, a 27 de Julho de 1996 que, pela primeira e última vez na História da política portuguesa, se fazia um pedido de impedimento temporário a um Presidente da República. A razão para tal requerimento era a segunda operação cardíaca de Jorge Sampaio desde a sua tomada de posse, que levantava receios relativamente à saúde do dirigente máximo português e levava a que o Tribunal Constitucional apontasse o entretanto também já falecido António Almeida Santos, Presidente da Assembleia da República, como substituto interino de Sampaio, durante o período de recuperação deste último. E embora o Presidente eleito viesse a recuperar, e liderar ainda o País durante muitos e bons anos, os primeiros meses do seu mandato inicial não deixam de ficar marcados por este acontecimento tão único quanto insólito, que não podíamos deixar de recordar poucos dias antes de sobre ele se assinalarem exactas três décadas.

Friday, 13 March 2026

Quartas de Quase Tudo: Dez Anos, Três Mandatos, Dois Presidentes

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Março de 2026.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A cada cinco anos, repetem-se, em Portugal, dois rituais, sempre em datas muito próximas: em meados de Janeiro, elege-se um Presidente da República (ou renomeia-se o existente) e, perto de dois meses depois, o mesmo é oficialmente indigitado em funções. Foi, precisamente, esta última cerimónia que teve lugar na passada Terça-feira, com a entrada oficial no cargo de António José Seguro, sucessor de um Presidente icónico, memorável e com enorme aceitação entre os Portugueses – uma situação extremamente semelhante à vivida, há exactos trinta anos, por Jorge Sampaio.


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O momento da transferência de poderes, em 1996.


De facto, ao assumir a cadeira máxima da política portuguesa, a 13 de Março de 1996, Sampaio tinha pela frente a missão de igualar o trabalho de Mário Soares, cujo segundo termo (obtido por maioria absoluta) tivera início pouco mais de cinco anos antes, a 9 de Março de 1991, e decorrera de forma relativamente calma a nível sócio-económico, graças, em parte, às capacidades de liderança de Soares, ainda hoje justamente recordado como um dos mais icónicos Presidentes da República dos tempos modernos, Tão consensual era o demissionário, aliás, que o referido segundo mandato conseguiu a rara proeza de reunir o consenso dos dois extremos da política nacional, com Soares a ser apoiado tanto pelo PS como pelo PSD.


E porque tentar equiparar-se a tão icónica personalidade era praticamente impossível, que Sampaio logrou, à sua maneira mais discreta, continuar a orientar o País naquele que foi um primeiro mandato bastante calmo, pesem embora alguns sustos a nível da saúde, e que lhe viria a outorgar a confiança para garantir um segundo, sem sequer necessitar de recurso a segunda volta; ao contrário do primeiro, no entanto, este segundo termo ficou marcado, entre outros problemas, pelo desastre de Entre-os-Rios, ocorrido apenas dois dias depois da tomada de posse oficial de Sampaio.


No cômputo geral, no entanto, este foi, também ele, um mandato sem grande 'história', estando o País ainda longe de imaginar o que lhe sucederia, em termos económicos, meros anos depois. Talvez por isso – e pelo carisma e capacidade de liderança dos Presidentes da República de antanho – haja uma parcela tão elevada da população portuguesa desejosa de poder regressar aos simples e descomplicados anos imediatamente anteriores à viragem do Milénio.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...