Showing posts with label rtp1. Show all posts
Showing posts with label rtp1. Show all posts

Wednesday, 16 September 2026

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos de Uma Série Diferente

 NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries 'episódicas', daquelas em que cada nova emissão traz um caso a resolver com urgência ao mesmo tempo que progride a narrativa alargada, não têm, historicamente, grande tradição em Portugal. O nosso País nunca teve, por exemplo, uma versão localizada de 'CSI' ou 'Serviço de Urgência' – o que não significa que tal tipo de programa nunca tenha sido tentado em solo nacional. De facto, no início do Novo Milénio, a RTP procurou colmatar esta lacuna e produzir uma série de advogados 'à portuguesa', seguindo o típico formato anglófono, mas com personagens e tramas adaptadas à realidade nacional. Surgia assim 'Segredo de Justiça', exibida pela primeira vez a 14 de Setembro de 2001 – precisamente um quarto de século antes da data prevista de publicação deste 'post'.


Ricardo Carriço como João Castello

Com um advogado recém-regressado do Brasil como personagem principal (João Castello, interpretado pelo então ainda 'em alta' Ricardo Carriço) a série segue uma estrutura que será familiar a qualquer adepto de ficção televisionada – em cada episódio, Ricardo defende uma nova vítima, enquanto no seu tempo livre prossegue a busca pelo pai, também advogado e misteriosamente desaparecido, narrativa transversal que alimentou os treze episódios exibidos entre meados de Setembro e o final do ano.

Infelizmente, tal como sucedia e sucede com tantas outras séries, também 'Segredo de Justiça' não foi além de uma temporada, talvez devido à forte concorrência de outros programas nacionais,com destaque para 'Anjo Selvagem', a icónica novela da TVI que completou vinte e cinco anos durante as férias do Anos 90, a 03 de Setembro. Ainda assim, vale recordar esta tentativa declarada de fazer algo de diferente no panorama televisivo português, quando também ela celebra um quarto de século sobre a sua estreia.

Tuesday, 8 September 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um Programa Vanguardista

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Hoje em dia, programas como 'Dancing On Ice' ou 'Dancing With The Stars' continuam a fazer sucesso, nos seus vários formatos localizados e internacionais, um pouco por todo o Mundo, Portugal incluído; nos primeiros anos do século XXI, no entanto, este estilo de programa encontrava-se, ainda, numa fase muito embrionária – o que torna ainda mais surpreendente descobrir uma criação original portuguesa em plena grelha de programação da RTP (talvez o canal mais inesperado no qual ver algo deste tipo) em pleno ano de 2001! Falamos de 'Danza Café', emissão dedicada às danças e estilos latinos que fazia a sua estreia nas noites da RTP há exactos vinte e cinco anos, a 9 de Setembro daquele ano.

A dupla de apresentadores.

Apresentado pela dupla Patrícia Bull e André Maia, o concurso em causa testava o conhecimento de danças latinas e de salão dos concorrentes, com cada par a dançar, primeiro, ao som de dois temas de um estilo previamente definido (interpretados ao vivo por uma banda) antes de, na verdadeira 'prova de fogo' de cada emissão, os dois melhores pares de cada 'eliminatória' verem testada a sua capacidade de improviso ao terem de reagir a um 'medley' de diversas músicas e estilos. Os grandes vencedores de cada episódio apuravam-se para a semi-final e, com sorte, para a finalíssima, onde seriam encontrados os grandes vencedores de toda a temporada.

Um formato que combinava vários elementos do agrado dos portugueses – concursos, danças latinas, danças de salão e pessoas 'bonitas' – e que, num dos canais privados, talvez tivesse ido ainda além dos quatro meses da primeira temporada. Na RTP, no entanto, ficou-se mesmo por aí esta primeira tentativa de criar um concurso de dança televisionado em horário nobre; ainda assim, quanto mais não seja pelo arrojo da ideia, não é demais celebrar com estas linhas os vinte e cinco anos de uma emissão que se pode, verdadeiramente, considerar vanguardista para a sua época.

Tuesday, 14 July 2026

Terças de TV: Os Trinta e Um Anos do Primeiro 'Reality Show' de Um Cantor

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No início dos anos 90, quando os 'talk shows' eram um género ainda relativamente inexplorado na televisão portuguesa, não era de todo invulgar ou estranho ver ser dado a uma personalidade de outro campo do entretenimento o seu próprio 'tempo de antena' enquanto anfitrião de um programa de entrevistas e variedades; o próprio Herman José fazia, nesta altura, a transição para esse género, ao mesmo tempo que Fátima Lopes cimentava os trâmites do que viria a ser o padrão do mesmo para as três décadas seguintes. Em meio a tudo isto, e ainda antes de Marco Paulo se aventurar nesta área, um outro cantor popular tomava as rédeas da sua própria emissão homónima, cujo primeiro episódio estreava há quase exactos trinta e um anos (a 13 de Julho de 1995).


Falamos de Roberto Leal, o luso-brasileiro que fez carreira algures entre a música romântica e o género 'pimba', 'derretendo' os corações de boa parte de Portugal durante as décadas de 80 e 90, e que, em 1995, se encontrava ainda suficientemente 'em alta' para a proposta em causa não ser tão arriscada como se poderia esperar – até por o foco ser, naturalmente, colocado na música, com os convidados a inserirem-se quase totalmente nesse campo. O formato, esse, era o habitual, com entrevistas um-para-um e, em cada programa, até dois interlúdios musicais, a cargo de um dos três convidados – os quais, para crédito da RTP, não se inseriam todos no género popular comercial, havendo lugar a artistas de fado e grupos de música tradicional, entre outros.

A verdade, no entanto, é que, apesar do 'nome sonante' ao leme, e do gabarito dos convidados, 'Roberto Leal' (o programa) nunca conseguiu captar a sua audiência, talvez pela disparidade entre o meio musical do apresentador e o dos convidados, muitos deles surpreendentemente 'eruditos' para o tipo de emissão em causa, e quiçá desfasados do que o público fã de Leal procurava ver; ou talvez o interesse por este tipo de programa, simplesmente, não fosse muito. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que a experiência 'Roberto Leal' durou escassos três meses no ar, datando a última emissão de 19 de Outubro; não se pode, no entanto, culpar a RTP, que via num programa deste tipo todos os ingredientes para o sucesso, o qual, infelizmente, acabaria por nunca se materializar. Ainda assim, vale a pena recordar esta espécie de 'ensaio geral' para o posterior programa de Marco Paulo, menos de vinte e quatro horas após se terem assinalado os trinta e um anos da sua primeira emissão.

Wednesday, 1 July 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de Um Programa Com 'Arte'

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 30 de Junho de 2026.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Apesar do forte investimento na educação verificado em Portugal durante os anos 80 e 90 – cujas medidas incluíram a extensão da escolaridade obrigatória para nove anos e a chegada a Portugal da Universidade Aberta – era ainda difícil para muitos jovens dessa época conseguirem entrar na faculdade, um feito que demoraria ainda mais uma década a tornar-se 'globalizado'; esses mesmos jovens eram, consequentemente, encorajados a procurar avenidas profissionais alternativas, acabando muitos por optar por cursos técnicos, e por enveredar por ramos ligados à prestação de serviços. Fazia, assim, todo o sentido que a RTP procurasse, no período de Verão de há exactos trinta e cinco anos, oferecer a esse numeroso contingente de finalistas do secundário um programa que lhes permitisse saber mais sobre algumas das mais populares vocações profissionais da época.

Estreado a 29 de Junho de 1991 – mesmo a tempo de apanhar os alunos do décimo-segundo ano no período de final das aulas, em que os mesmos necessitavam de começar a planear o seu futuro imediato – 'A Arte dos Ofícios' iria ao ar uma vez por semana durante a quase totalidade das 'férias grandes', com o último episódio a ser transmitido a 31 de Agosto. Ao todo,foram dez as profissões abordadas no programa apresentado por Maria João Silva, num leque que abrangeu desde os ofícios mais intensivos, como a mecânica, marcenaria ou construção civil, aos mais especializados, como técnico de medicina dentária ou audio-visuais. Existiu mesmo um episódio dedicado aos profissionais de bailado, a única profissão que se pode considerar destoar um pouco da lista, mas uma com que muitas jovens da época (e não só) sonhavam. Cada um destes ofícios era abordado de forma prática e factual, com entrevistas a profissionais do meio e informação passível de ser utilizada pelos espectadores caso escolhessem enveredar pelo ramo abordado naquele episódio; o objectivo era, declaradamente, apresentar estas profissões a quem nelas pudesse estar interessado, pelo que uma abordagem informativa se afigurava essencial.

Um conceito ímpar à época, mas declaradamente 'do seu tempo'; hoje em dia, com a Internet e o YouTube, ter na grelha televisiva um programa como este não faria qualquer sentido. Ainda assim, esta iniciativa da RTP terá, sem dúvida, ajudado e informado muitos jovens da época, justificando-se assim plenamente esta homenagem, um dia depois de se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua emissão de estreia.

Monday, 22 June 2026

Segundas de Séries: Trinta e Cinco Anos de Uma Mini-Série Algo 'Periférica'

 NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Segunda será de Séries.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Desde sempre 'pano para mangas' no tocante à ficção, as tribulações sentimentais e sociais da juventude nunca deixam, ainda assim, de provar ser fonte quase inesgotável de inspiração para artistas e outros criativos, sendo inúmeras as séries icónicas baseadas, parcial ou totalmente, na experiência de ser adolescente. Em Portugal, os representantes máximos deste paradigma foram, claro, os incontornáveis 'Riscos' e 'Morangos Com Açúcar'; no entanto, estas estiveram longe de ser as únicas produções nacionais com a juventude como tema central, como o prova a mini-série que serve de tema ao presente 'post', composta por quatro histórias distintas e sem outra relação que não a presença de jovens, quer como protagonistas, quer coadjuvantes.

Com o primeiro dos oito episódios (dois para cada um dos quatro 'telefilmes') a ir ao ar há exactas três décadas e meia (a 22 de Junho de 1991) 'Corações Periféricos' contava com o contributo de nomes sonantes não só da representação (do elenco fazem parte Canto e Castro, Vítor Norte ou Alexandra Lencastre) como da música, com Carlos Tê e Rui Veloso a comporem e interpretarem a música da banda que protagoniza a primeira história, e Manuel João Vieira (então dos Ena Pá 2000, e mais tarde dos Irmãos Catita) a assumir um dos papéis principais da segunda. O resultado, como não podia deixar de ser, é de considerável qualidade, não deixando de ser curioso o facto de esta mini-série se encontrar algo Esquecida Pela Net, pelo menos por comparação às congéneres supracitadas.

Ainda assim, quem é fã de ficção televisiva nacional e procura algo um pouco fora da média dos programas deste tipo pode fazer bem pior do que recordar esta ambiciosa mini-série, disponível na íntegra nos Arquivos RTP, no exacto dia em que a mesma celebra os trinta e cinco anos da transmissão do seu primeiro episódio

Tuesday, 16 June 2026

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um 'Crime' Não Exactamente 'Perfeito'...

NOTA: Por motivos de relevância temporal dos 'posts' desta e da próxima semana, esta Terça será de TV, e a próxima Tecnológica.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre todos os tipos de personagens de ficção, os espiões e ladrões de alto nível estão entre aqueles que melhor conseguem manter um apelo intemporal, e agradar às sucessivas gerações nascidas e crescidas desde o advento da rádio e televisão. Não é, pois, de admirar que um concurso que permitisse aos seus concorrentes 'encarnar' este tipo de indivíduo fosse considerado com 'pernas para andar' no Portugal de inícios dos anos 2000; nascia assim 'O Crime Perfeito', veiculado pela RTP há quase exactos vinte e cinco anos, a partir de 19 de Junho de 2001.


O apresentador e actor Afonso Vilela

A premissa do programa, algo mais complexa do que o habitual em concursos de horário nobre, propunha a cada grupo de três participantes tentar infiltrar-se nas chamadas 'Torres Gemini' (um nome que adquiriria uma conotação totalmente diferente meros dias após a final do programa, quando seria cometido um tipo completamente diferente de crime envolvendo torres gémeas) e desactivar os seus sistemas de segurança, por forma a perpetrar aquilo que o título insinua. Para tal, os concorrentes tinham de enfrentar uma série de provas e desafios, todas com um tempo-limite de três minutos e margem para dois erros, após os quais soava um alarme e o concorrente em causa era eliminado daquela prova, devendo passar à próxima. Os três melhores concorrentes no cômputo geral passavam, depois, a uma grande final (disputada no dia 8 de Setembro) onde estava em jogo um prémio de quase quatro milhões de escudos – cerca de vinte mil euros actuais. Esta última emissão pode, aliás, ser recordada na íntegra no YouTube, por cortesia de um dos concorrentes, Marco Amaral.


A finalíssima do concurso, transmitida a 8 de Setembro de 2001.

Apesar de não ser aparente, à primeira vista, a razão para o seu falhanço – talvez o conceito fosse demasiado complexo ou dispendioso, ou as provas demasiado rebuscadas – a verdade é que a ambiciosa tentativa da RTP de basear um concurso no filme com Grace Jones não foi além de uma única temporada, encontrando-se hoje, mesmo, algo Esquecido Pela Net. Numa altura em que se celebram os vinte e cinco anos sobre a primeira emissão do programa em causa, no entanto, nunca é demais recordar um conceito que tinha tudo para vingar, mas acabou por passar despercebido por entre a 'mutação' televisiva de inícios do século XXI em Portugal.


Monday, 15 June 2026

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos de Um Retrato Fiel de Uma 'Vida' Desaparecida

 Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por diversas vezes falámos de séries de ficção nacionais dos anos 90, um período em que esse mercado em particular vivia uma era de ouro – a qual se viria, com naturalidade, a estender até inícios da década de 2000, como bem o prova o programa sobre o qual nos debruçamos esta Segunda-feira, quase exactos vinte e cinco anos após a sua estreia, a 16 de Junho de 2001.

Tendo por detrás uma equipa técnica de luxo – com José Jorge Letria e Guilherme Leite na equipa de argumentistas, e uma banda-sonora composta pelo ícone Vitorino – 'Estação da Minha Vida' partia, desde logo, de uma posição vantajosa, que era ainda reforçada pelo tema, praticamente irresistível para a maioria dos espectadores nacionais, da vida bucólica e 'mansa' de uma aldeia do interior a braços com os desafios da modernização – nomeadamente, a temida 'actualização' da titular estação de comboios, a qual serve também de lar ao chefe dos comboios, Horácio (interpretado pelo próprio Guilherme Leite), e à sua mulher. É, pois, em torno deste conflito central que se desenrolam os treze episódios da série, os quais, claro está, deixam também espaço a outros enredos, conflitos, paixonetas e outros elementos inerentes à condição humana.

Apesar da qualidade dos intervenientes e do tema 'feito à medida' para conquistar corações, no entanto, 'Estação da Minha Vida' não logrou ir além de uma única temporada de treze episódios, que se traduziu em pouco mais de seis semanas de emissões diárias nas noites da RTP1. O vigésimo-quinto aniversário da primeira dessas treze meias-horas talvez seja, no entanto, o pretexto ideal para revisitar e reavaliar esta série – quanto mais não seja para recordar uma sociedade rural portuguesa em vias de extinção, retrata através da 'lente' dramática e levemente cómica de Letria, Guilherme Leite e seus restantes 'comparsas'...

Tuesday, 9 June 2026

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos da Primeira Noite de 'Sorte Grande'

 Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Uma das mais peculiares e, ao mesmo tempo, perenes facetas da televisão portuguesa da era pré-Internet (e dos primeiros anos de difusão da mesma) eram os programas destinados, apenas e só, a dar a conhecer o resultado das lotarias nacionais. Do mais famoso destes – o 'Toto-Sorteio', que colocava grande parte da juventude da altura transfixa frente ao televisor a ver rodar as 'bolinhas' com os números – já aqui falámos numa ocasião anterior; no entanto, vários anos após o mesmo deixar de ir ao ar, a RTP viria a 'ressuscitar' o formato para divulgar os números de um outro sorteio, num programa que fazia a sua estreia nas ondas televisivas nacionais há quase exactos vinte e cinco anos.


Era, efectivamente, a 11 de Junho de 2001 que 'Sorte Grande' surgia, pela primeira vez, nos ecrãs nacionais. Apresentado pela veterana Serenella Andrade – uma daquelas caras, à época, sempre bem-vindas na sala de estar do português médio – o programa apresentava um formato muito semelhante ao do seu antecessor, sendo o foco quase exclusivamente colocado nos números da Lotaria Nacional e do Loto 2, com muito poucos 'adornos'. Por ser relativo a um dos jogos com maior participação em Portugal, não é, tão-pouco, de admirar que o programa tenha gozado de relativa longevidade, passando quase dois anos no ar até ser integrado como um dos segmentos do 'Passa Palavra', de Nicolau Breyner, a partir de Abril de 2003.

Tão-pouco surpreende o facto de os programas de lotaria, com praticamente o mesmo formato, terem continuado a ser produzidos até à presente década; o misto de interesse humano com um conceito relativamente simples e de baixos custos de produção faz deste tipo de emissão ideal como 'tapa-buracos' na grelha televisiva da emissora estadual, apesar de o estatuto central de que a mesma se revestia até inícios do século XXI se encontrar já fortemente diluído. Quanto a 'Sorte Grande', foi um digno sucessor de 'Toto-Sorteio', e justifica plenamente uma breve menção, quando faltam apenas dois dias para se celebrar o quarto de século sobre a sua primeira emissão.







Tuesday, 31 March 2026

Terças de TV: Trinta Anos de 'Alta Voltagem' - A Primeira 'Faísca' de Rui Unas

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Os anos 90 e 2000 são, objectivamente, a era de ouro para 'magazines' televisivos dirigidos ao público jovem na televisão portuguesa. Dos imortais e icónicos 'Caderno Diário' e 'Curto Circuito' a 'Lentes de Contacto', 'Portugal Radical', 'Templo dos Jogos' ou 'Dá-lhe Gás', são inúmeros os exemplos de programas deste género que marcaram época entre o seu público-alvo. A esta lista, há agora que juntar um programa que celebra por estes dias os exactos trinta anos sobre a sua estreia na televisão estatal nacional.


download (1).jpg


Falamos de 'Alta Voltagem', um programa de variedades para jovens bem típico da época em causa, constituído por reportagens, entrevistas e segmentos sobre os mais diversos assuntos relevantes e de interesse para a demografia a que se destinava, apresentados de forma leve e ligeira mas, ao mesmo tempo, com mérito e rigor jornalístico, revestindo-se assim de carácter informativo e pedagógico. Uma fórmula, à época, inovadora, mas que, hoje em dia, fica na memória sobretudo graças à identidade do apresentador que 'ligava' e introduzia os diversos segmentos: nada menos do que Rui Unas, co-criador do programa e futuro nome de vulto do sector da informação juvenil, nomeadamente através da sua participação na encarnação original do supracitado 'Curto Circuito', ao lado de Fernando Alvim. De facto, 'Alta Voltagem' - curiosamente, também com um nome tematizado em torno da electricidade - quase pode ser considerado um 'ensaio' para o programa que viria a encabeçar pouco mais de um par de anos depois, na SIC, e constitui, hoje em dia, uma daquelas curiosidades que permitem conhecer os 'primeiros passos' de um futuro famoso.


À parte isso, no entanto, 'Alta Voltagem' não deixa de ser um bom exemplo - ainda que algo 'genérico' - do que eram os programas informativos infanto-juvenis portugueses de finais do século XX - tanto assim que se viria a manter no ar durante cerca de um ano e meio, até finais de 1997, e a dar azo a vários outros programas da mesma índole, fazendo, assim, por merecer uma nota recordativa no mês em que se completam exactas três décadas sobre a sua primeira emissão.


Wednesday, 25 March 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de 'Caças' Computorizadas

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 24 de Março de 2026.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A metade final dos anos 80 e primeira metade da década seguinte representou um dos melhores momentos da História da televisão nacional no que a concursos diz respeito, com diversos exemplos icónicos do género, que ainda hoje perduram na memória de quem tinha a idade certa para os ver, quer por si só, quer na companhia de familiares, em serões frente à televisão. De entre estes, não podiam, claro, faltar os dirigidos a um público mais jovem, entre os quais se contam também alguns perfeitamente lendários para quem os acompanhou à época, como 'Arca de Noé' ou 'Tal Pai, Tal Filho'; e apesar de aquele que abordamos neste 'post' não ter conseguido a mesma repercussão futura, é apenas justo recordá-lo, poucos dias antes de se completarem exactos trinta e cinco anos sobre a sua primeira emissão.


download (2).jpg


De facto, era à hora de almoço do dia 27 de Março de 1991 que 'Trevo da Sorte' era, oficialmente, substituído por um novo concurso, apresentado por Luís de Matos (mais conhecido pelas suas proezas como ilusionista no Espaço Mágico do 'Ponto de Encontro', mas que se revelava também um bom apresentador de televisão) e que tinha como principal ponto de interesse a utilização de um jogo electrónico como base para a prova, a qual era, ela própria, jogada frente, e com recurso a, computadores pessoais - um conceito, à época, mais do que inovador, e nunca antes visto na televisão nacional. A este atractivo mais 'óbvio' havia, ainda, a juntar o facto de, ao contrário da maioria dos concurso da época, 'Caça ao Tesouro' (não confundir com o programa homónimo lançado pela SIC três anos depois) ser de índole cem por cento nacional, tendo sido criada por um portuense, Álvaro de Magalhães.


download (3).jpg


O recurso a computadores como ferramenta-base para o jogo era absurdamente inovador para a época.


Razões mais que suficientes, pois, para os espectadores sintonizarem a RTP e acompanharem as tentativas das duas equipas concorrentes em cada programa de 'navegar' o mapa do tesouro virtual, com recurso a dados igualmente computorizados, e procurarem a arca com o 'tesouro' de meio milhão de 'contos' (uma fortuna à altura) ou o prémio-surpresa, oferecido por uma sereia, enquanto tentam evitar um encontro com o pirata, que os fará retornar à casa de partida.


download (4).jpg


O mapa do tesouro, sobre o qual se desenrolava o jogo.


Um conceito que unia elementos dos jogos de tabuleiro, dos videojogos e do formato de concurso mais tradicional, que não podia deixar de apelar ao público mais jovem (o mesmo que hoje, depois de adulto, lerá este 'blog') e que justifica plenamente que se dediquem algumas linhas a este algo esquecido programa, na semana em que se completam trinta anos sobre a sua primeira 'ida ao ar'.

Monday, 19 January 2026

Segundas de Séries: 'Roseira Brava' - O Lado Dramático do Alentejo

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Quis o destino que, num curioso acaso, a primeira semana do ano visse estrearem no mesmo canal nacional – a RTP 1 – com distância de exactos cinco anos, duas séries com o Alentejo como pano de fundo. A primeira era 'Alentejo Sem Lei', de 1991, um 'western spaghetti' à portuguesa (portanto, 'western açorda', como lhe chamou José Diogo Quintela no famoso segmento) com pretensões históricas, mas que sucumbia aos parcos recursos técnicos; a segunda, que trazia um registo mais sério e contemporâneo, era a telenovela portuguesa 'Roseira Brava', estreada há quase exactos trinta anos, e que abordaremos nas próximas linhas.



Gravada durante um período de cinco meses (entre Fevereiro e Julho) numa verdadeira aldeia alentejana (bem como nos estúdios da Nicolau Breyner Produções, em Vialonga) 'Roseira Brava' foi submetida a um atraso que a veria estrear apenas no ano seguinte, mesmo a tempo de competir com 'Explode Coração', na rival SIC. E se bem a produção nacional tenha (talvez inevitavelmente) perdido a 'guerra' de audiências para a congénere 'canarinha', o certo é que 'Roseira Brava' teve, ainda assim, um bom desempenho, conseguindo cativar números suficientes de audiência para justificar e cimentar a aposta da RTP em telenovelas de produção nacional.


E o facto é que, concorrência directa à parte, a produção em causa não tinha como não 'dar certo'; afinal, marcavam presença nas suas fileiras todos os 'suspeitos do costume' da televisão portuguesa da época – de Rogério Samora a Canto e Castro, José Raposo, Luís Esparteiro, Margarida Carpinteiro, Nuno Homem de Sá, Rita Salema, Virgílio Castelo, José Martinho e mesmo Simone de Oliveira, na sua estreia no mundo das telenovelas – os quais ajudavam a dar alguma dignidade ao habitual enredo cheio de reviravoltas, drama e relações interpessoais complexas e problemáticas, bem típico do género em causa. No total, foram cento e trinta episódios (os quais, curiosamente, demoraram praticamente tanto tempo a exibir como a filmar, tendo a rodagem tido lugar de Fevereiro a Julho de 1995 e a novela em si sido exibida de Janeiro a Junho do ano seguinte) que cimentavam a validade da RTP como produtora de telenovelas portuguesas naqueles anos anteriores à eventual hegemonia da TVI nesse capítulo, e que, como tal, merecem bem ser recordados neste espaço, cerca de dez dias depois de se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia em televisão.



O primeiro episódio da novela, exibido a 08 de Janeiro de 1996


 

Wednesday, 24 December 2025

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos da 'Canção' de Natal de Júlio Isidro

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Dezembro de 2025.


NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


download (1).jpg


Uma das coisas com que os portugueses aprenderam a contar ao longo dos Natais dos últimos trinta a quarenta anos é com o aparecimento, nos quatro canais, de produções especialmente criadas para servir de complemento aos tradicionais filmes de família, Sequim D'Ouro, Natal dos Hospitais e circo de Monte Carlo; e, apesar de ainda hoje se verificar, é inegável que esta tendência teve o seu auge no 'período de ouro' da televisão portuguesa, entre os anos 80 e 2000, período em que nasceram muitos dos melhores 'especiais de Natal' (e também de Ano Novo) da História do audiovisual nacional. Um desses programas - sobre o qual se completam exactos trinta e cinco anos à data original de criação deste 'post' - foi imaginado e apresentado por um ícone da televisão portuguesa, o incomparável Júlio Isidro, como forma de prestar homenagem à quadra através de um dos seus mais emblemáticos elementos - a música.


Transmitido pela RTP 1 a 23 de Dezembro de 1990, 'Cantar o Natal' oferece precisamente aquilo a que o título alude - uma série de números musicais com temática natalícia, interpretados por alguns convidados musicais de 'monta' como Vitorino e Dulce Pontes, unidos por segmentos de entrevista a estes e outros convidados, numa tentativa de recriar e reviver a noite de consoada de 1960 (então distante no tempo exactas três décadas), que servia de linha narrativa ao especial. O resultado era um programa 'ameno' e confortável, bem ao estilo não só de Isidro como da produção nacional da época em geral, perfeita para servir de 'ruído de fundo' a uma noite de Terça-feira em plenas férias do Natal.


No entanto, talvez este cariz declaradamente virado para o conforto do espectador tenha contribuído para que este especial fosse, em décadas posteriores, algo Esquecido Pela Net, já que o mesmo não rendia quaisquer momentos memoráveis, daqueles em que Herman José (por exemplo) era 'perito' nos seus especiais de Ano Novo. Ainda assim, na data em que se assinalam exactas três décadas e meia sobre a sua ida ao ar, vale bem a pena recordar um especial de cariz único no panorama televisivo nacional, e que terá decerto entretido um sem-número de pequenos 'X' e 'millennials' nacionais - ainda que os mesmos pouco ou nada o recordem; para quem desejar rectificar esse erro, o programa encontra-se disponível, em duas partes, nos arquivos da RTP, pronto a ser recordado por ocasião desta data marcante.

Wednesday, 17 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um Programa Pleno de Espírito Natalício

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui em outra quadra natalícia falámos da iniciativa 'Querido Pai Natal', desenvolvida pelos CTT a partir dos anos 90, como forma de alimentar a fantasia das crianças portuguesas relativamente ao 'bom velhinho'; pois bem, já ao 'cair do pano' do século XX, a RTP levaria ainda mais longe esse conceito, transformando-o numa emissão televisiva em que uma parte da demografia em causa era surpreendida com o seu pedido de Natal em frente às câmaras.


22726949_sZFJ5.png


Com apresentação de Guilherme Leite (então em alta devido ao sucesso de 'Cromos de Portugal' e sobretudo o perene 'Malucos do Riso'), o programa homónimo da iniciativa (estreado há quase exactos vinte e cinco anos, a 14 de Dezembro de 2000) via o apresentador, uma equipa técnica e o Pai Natal (ou seja, um actor disfarçado) visitar diversas escolas de Norte a Sul do País, e distribuir entre os alunos das mesmas algumas das prendas mencionadas nas suas cartas para o Pólo Norte, para que as suas férias de Natal começassem da melhor maneira. Um conceito simples, mas perfeito para a época em causa (pleno como era de boas intenções e espírito natalício) e impossível de criticar com qualquer tipo de cinicismo - o que talvez explique a sua longevidade, já que o formato foi 'repescado' durante os sete natais seguintes, tendo desaparecido apenas após a quadra de 2007, por razões que não ficam claras com os poucos dados ainda disponíveis 'online' sobre o programa.


Ainda assim, quem quiser 'ver por si mesmo' do que constava o programa (ou simplesmente recordá-lo) pode fazê-lo mediante os três episódios ainda constantes dos Arquivos RTP, único vestígio mais 'tangível' da existência de uma emissão surpreendentemente Esquecida Pela Net, e intemporal o suficiente para poder perfeitamente ter tido continuidade nos anos subsequentes.

Wednesday, 28 May 2025

Terças de TV: 'Só Números', O Sucessor Falhado de 'Quem Quer Ser Milionário'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 27 de Maio de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui por diversas vezes mencionámos os anos 80 e especialmente 90 como sendo a 'época áurea' para os concursos televisivos, com diversos formatos estrangeiros a serem adaptados e outros tantos criados de raiz, resultando numa oferta tão variada quanto apelativa, à qual já dedicámos diversos 'posts' no passado. Este paradigma não foi, no entanto, exclusivo daqueles últimos anos do século XX; por alturas da viragem do Milénio, o mesmo continuava ainda bem vivo, como o prova o tema deste 'post', estreado há quase exactos vinte e cinco anos (a 29 de Maio de 2000) no principal canal nacional.


download.jpeg


E a verdade é que 'Só Números' tinha, desde logo, uma missão espinhosa: a de substituir, nas noites de Segunda-feira da RTP, o mega-sucesso 'Quem Quer Ser Milionário', com o carismático Carlos Cruz. Para tentar levar a cabo este ambicioso objectivo, o concurso 'armava-se' de uma proposta verdadeiramente original, embora com potencial para 'alienar' as audiências mais jovens. Isto porque a premissa do concurso apresentado por Miguel Dias tinha por base – como o próprio título indicava – respostas inteiramente compostas por números, devendo os concorrentes (dez, no total) tentar aproximar-se, tanto quanto possível, da resposta correcta, sendo o vencedor aquele que mais próximo ficasse. O prémio final era o habitual automóvel, 'presente' máximo de pelo menos noventa e cinco por cento dos concursos 'para adultos' da televisão portuguesa da época.


Um conceito original o suficiente para ancorar um programa deste tipo, mas que acabou por não ser suficiente para manter 'Só Números' à tona, tendo o concurso concluído as suas emissões ainda antes do final do primeiro ano do Novo Milénio, e ficado muito longe dos níveis de audiências, repercussão e memorabilidade do seu antecessor. Ainda assim, e apesar de ter constituído uma aposta falhada, não deixa de ser de valor recordar este concurso, apenas um par de dias antes de se completar um exacto quarto de século sobre a sua primeira emissão.

Wednesday, 19 February 2025

Terças de TV: 'Cromos de Portugal' (1999) - Em Fórmula Que Resulta, Não Se Mexe...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui anteriormente falámos dos programas de 'Apanhados' como um dos formatos de maior sucesso no panorama televisivo nacional de finais do século XX. Fosse em situações cuidadosamente 'criadas' por comediantes 'à paisana', fosse no mais orgânico e natural estilo de 'vídeo caseiro', o público telespectador nacional parecia não se cansar de presenciar a vergonha alheia, e de rir das situações mais ou menos embaraçosas em que pessoas como eles se encontravam frente a câmaras de televisão. Assim, não é de estranhar que, nos últimos meses do século XX e do Segundo Milénio, a RTP tenha querido, mais uma vez, capitalizar no formato que tantas alegrias lhe trouxera em anos anteriores, através de um programa que aliava a tradicional e bem-sucedida fórmula dos 'Apanhados' a um apresentador carismático e capaz, por si só, de cativar potenciais interessados a sintonizarem a emissão em causa.


download (3).jpeg


Surgem assim, algures em 1999, os 'Cromos de Portugal', programas de cerca de uma hora em que Guilherme Leite – à época bastante em alta – servia de 'anfitrião' a três rábulas de 'apanhados', nos moldes já bem conhecidos da audiência-alvo, e expectáveis em programas deste tipo. O sucesso, esse, foi também o expectável, partindo o programa para um ciclo de vida de respeitáveis dois anos - um de cada 'lado' da viragem do Milénio - que provavam que o público português continuava a nutrir apetência por este formato, sempre que o mesmo fosse apresentado de forma apelativa e bem executada. Mesmo não tendo tido o sucesso dos seus antecessores (exibidos quando o formato era, ainda, relativamente novo e original) nem sendo o 'expoente máximo' do género em causa, 'Cromos de Portugal' merece ainda assim, portanto, destaque nestas páginas, como mais um exemplo de que a repetição de uma fórmula de sucesso nem sempre é sinónimo de 'fadiga' por parte da audiência-alvo. E quem quiser comprovar por si mesmo pode fazê-lo no bom e velho YouTube, onde um utilizador fez o 'favor' de adicionar toda a primeira temporada do programa numa só 'playlist', perfeita para uma sessão de 'visionamento compulsivo' daquelas que estão tão na moda hoje em dia...

Tuesday, 3 December 2024

Segundas de Séries: As Duas Adaptações Animadas de 'Luluzinha'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2024.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui anteriormente falámos de séries animadas que, apesar de visível e declaradamente produzidas no Japão, se destinavam sobretudo ao mercado ocidental, optando por isso por adaptar propriedades intelectuais europeias ou norte-americanas, muitas vezes em conjunção com países desses mesmos continentes. E se a maioria destas séries tinham por base trabalhos de literatura clássica, contos de fadas ou folclore, também já aqui fizemos menção a 'animes' adaptadas de filmes de sucesso, ou mesmo de histórias da Bíblia, chegando agora a altura de adicionar ainda mais uma fonte de inspiração a essa lista – no caso, as histórias de BD, que renderam pelo menos uma boa série animada deste teor durante os anos 90, curiosamente ambas com os mesmos protagonistas.


download (1).jpg


Falamos da primeira de duas adaptações distintas de 'Luluzinha' (no original, 'Little Lulu') a menina de vestido e boina vermelhos criada pela 'cartoonista' Marge, e que a maioria das crianças e jovens portugueses da geração 'millennial' conhecerão através da sua versão brasileira, editada pela inevitável Abril Jovem e importada para a Península Ibérica juntamente com os seus restantes títulos durante as décadas de 80 e 90. Ao 'aterrar' em solo português no início da última década do século XX, a série em causa tinha já, portanto, a 'benesse' de se basear numa propriedade bem conhecida do seu público-alvo, já bem a par das personalidades e motivações de Luluzinha, Bolinha e os seus restantes amigos.



Não devendo ser confundida com as animações alusivas aos personagens criadas nos EUA nos anos 40, durante a 'era de ouro' da animação (e que também chegaram, ocasionalmente, a passar em Portugal) a primeira das duas séries japonesas (produzida em 1976, mas apenas exibida no nosso País mais de uma década e meia depois) traz o grupo de Marge em versão algo mais estilizada, tipicamente 'anime' – embora sem perder totalmente os traços da criadora - e em enredos não necessariamente tão fiéis ao material original, embora mantenham a mesma tónica de aventuras quotidianas típicas de crianças em idade de instrução primária e residentes num bairro sossegado. O principal destaque vai, no entanto, para o 'monstruoso' tema de abertura, uma daquelas 'malhas' que se aloja perpetuamente na memória, pronta a ser trauteada à mera menção da série, três décadas depois.


download.jpg


Já relativamente à segunda série, desta feita produzida na América do Norte existem menos informações, tendo a mesma sido transmitida, novamente na RTP, em 1998, numa altura em que o panorama televisivo infanto-juvenil se alterara radicalmente, e em que Luluzinha enfrentava a concorrência, entre outros, de Doraemon, um adversário bem mais 'temível' que o antecessor Henbei, com quem Luluzinha disputara tempo de antena no início da década. Talvez por isso esta segunda 'iteração' da personagem de Marge em formato animado seja menos lembrada e mencionada por quem era da idade certa para ter assistido à série em causa; a primeira, no entanto, continua a deixar boas memórias (a maioria, provavelmente, do seu tema de abertura) a quem, como o autor deste 'blog', era já fã da personagem, e apreciou a oportunidade de ver as suas aventuras transpostas dos painéis estáticos de uma página de BD para o dinamismo do pequeno ecrã.

Wednesday, 18 September 2024

Terças de TV: 'Com A Verdade M'Enganas' (1994) - A Típica Sequela Pouco Memorável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 17 de Setembro de 2024.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


download.jpeg


Já aqui anteriormente falámos do papel preponderante do humorista Herman José na televisão portuguesa de finais do século XX, tanto na sua vertente 'de origem' como na função por que foi mais conhecido durante a década de 90, a de apresentador de concursos vespertinos e, mais tarde, de 'talk shows'. De facto, a personalidade afável, bonacheirona e ligeiramente brejeira de Herman prestava-se maravilhosamente ao cargo de anfitrião deste tipo de programas, papel no qual várias gerações de espectadores nacionais o viram 'brilhar' , desde logo ao leme da mìtica adaptação portuguesa de 'Roda da Sorte'. Quando o referido programa atingiu a sua conclusão natural, no entanto, era necessário manter 'em alta' a 'estrelinha' de Herman, pelo que foi sem surpresas que os fãs do apresentador o viram regressar, alguns meses depois, com um novo formato, onde se fazia acompanhar dos seu 'cúmplices' - a 'voz' da 'Roda', Cândido Mota, e a icónica assistente, Ruth Rita.


download (1).jpeg


O 'trio maravilha' d''A Roda da Sorte' seguiria junto no novo formato.


Intitulado 'Com a Verdade M'Enganas', este novo concurso, estreado logo nos primeiros dias do ano de 1994, era, explicitamente, tematizado em torno de mentiras, equívocos e enganos, temas que inspiravam várias das provas a que os concorrentes se deviam submeter semanalmente, com destaque para aquela em que deveriam identificar a afirmação incorrecta sobre o parceiro, de entre as mencionadas pelo apresentador, e para aquelas em que deviam corrigir textos e letras de canções previamente lido, de forma correcta, por Cândido Mota. As restantes provas eram mais corriqueiras (ficando próximas do concurso que notabilizara Herman, com perguntas de cultura geral à mistura com leilões de letras) mas uma delas voltava a adicionar um toque de originalidade, consistindo basicamente de um 'jogo do sério', em que cada concorrente deveria fazer o outro rir. Tudo isto conduzia, claro está, ao 'puzzle' final, onde o desafio era decifrar uma palavra-chave, bem ao estilo da 'Roda'. A equipa vencedora levaria para casa uma soma em dinheiro que poderia ascender a 600 mil escudos, enquanto os perdedores não sairiam de 'mãos a abanar', tendo direito a uma 'bateria' de electrodomésticos - um prémio quase tão útil quanto o próprio dinheiro, e bastante mais prático!


Um formato, como se pode ver, bastante próximo do que celebrizara Herman enquanto animador de concursos, mas que, talvez por esse cariz pouco original, não almejou o mesmo sucesso, mantendo-se no ar durante um ano e meio, mas não suscitando hoje em dia o género de memórias associado ao seu antecessor. Ainda assim, no momento, 'Com a Verdade M'Enganas' foi uma maneira eficaz de manter Herman relevante e bem presente no quotidiano televisivo dos portugueses – algo que, como também já aqui documentámos, levaria mais tarde a certos desenvolvimentos importantes no panorama programático nacional, os quais não teriam sido possíveis sem este algo esquecido concurso, que merece assim um 'agradecimento' e pequena homenagem nas páginas deste nosso blog.



O último episódio do concurso, transmitido em Julho de 1995, exactos dezoito meses após a estreia do mesmo.

Wednesday, 7 August 2024

Terças de TV: As Olimpíadas na RTP

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 06 de Agosto de 2024.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Nos anos 90, como hoje em dia, a RTP era a grande veiculadora de eventos desportivos para as massas portuguesas – um paradigma que, aliás, apenas principiaria a ser quebrado aquando da repartição dos direitos de transmissão do Campeonato Europeu de Futebol de 2000, que veria, pela primeira vez, a SIC ter direito a mostrar alguns dos jogos de um certame internacional. Não é, pois, de admirar que a RTP tenha, também, sido a televisão 'oficial' das Olimpíadas noventistas em Portugal, fazendo chegar a lares nacionais e internacionais as proezas de atletas de todas as nacionalidades e especialidades - entre eles a representante lusa do atletismo, Fernanda Ribeiro, que, em 1996, estabeleceria em plena cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, um novo marco para a prova dos cem metros femininos, trazendo para 'casa' a primeira medalha de Ouro da História do Portugal olímpico, num momento a que muitos assistiram em directo, precisamente graças à televisão estatal. Abaixo deixamos esse momento ímpar na História olímpica portuguesa, ocorrido há quase exactamente vinte e oito anos, e que urge preservar para sempre como marco histórico do desporto nacional.


Tuesday, 2 January 2024

Terças de TV: 'Crime Na Pensão Estrelinha' (1990) - O Primeiro 'Clássico' do Ano Novo Português

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


De todas as personalidades televisivas portuguesas, Herman José talvez tenha sido a que mais 'peles' encarnou ao longo das suas já cinco décadas de carreira. De humorista de 'vanguarda', o luso-alemão passou, em inícios da década de 90, a ícone dos concursos e entretenimento, ao mesmo tempo que, à margem destas duas facetas, continuava a cultivar uma terceira, que se lhes sobrepunha: a de 'cara' oficial das passagens de ano portuguesas.


De facto mesmo após as 'novatas' SIC e TVI terem tentado introduzir alternativas próprias para ter no ecrã aquando das doze badaladas, continuava a ser com Herman que os portugueses preferiam passar a meia-noite, fosse num formato mais típico - como as edições de fim-de-ano dos seus programas regulares - fosse através da vertente favorita do artista, ou seja, o humor puro e duro. Foi, aliás, neste último registo que o luso-alemão criou dois dos mais memoráveis especiais de fim-de-ano de sempre da TV portuguesa: 'Hermanias', em 1991/92, e, no ano anterior, o não menos memorável (bem como pioneiro) 'Crime Na Pensão Estrelinha'.


Crime-na-Pensao-Estrelinha.jpg


Concebido como paródia directa dos programas de detectives que continuam, até hoje, a fazer sucesso (ainda que seguindo os moldes vigentes na altura, estabelecidos por séries como 'Poirot'), o especial de duas horas e meia proposto pela RTP como acompanhamento do 'reveillon' de 1990/91 excedeu todas as expectativas, mantendo 'colada' ao ecrã uma parcela significativa da audiência televisiva portuguesa, e fazendo História no contexto dos especiais de fim-de-ano. Com o próprio Herman no papel de um óbvio 'boneco' de Hercule Poirot, o programa alternava a trama de mistério com 'sketches' humorísticos, bem ao estilo do que o seu criador fizera em 'O Tal Canal', na década transacta, e voltaria a fazer em 'Hermanias' e, mais tarde, 'Herman Enciclopédia'. O resultado foi uma emissão que, apesar do carácter híbrido e algo invulgar, resultou em cheio, tornando Herman na 'estrela' das passagens de ano' noventistas e criando, involuntariamente, o molde para o não menos mítico programa de 'reveillon' do ano seguinte.


crime-na-pensao-estrelinha-08.jpg


Herman como Hércules Pirô, detective e personagem principal do especial.


Infelizmente, as passagens de ano subsequentes investiriam em formatos bem mais clássicos e menos inovadores - não obstante o sucesso de que haviam gozado esta 'Pensão Estrelinha' e as 'Hermanias' de 91 - facto que, aliado à ligeira alteração de carreira de Herman, significaria que o humorista raramente voltaria a ter ensejo de explorar a sua veia puramente cómica no contexto dos programas de 'reveillon' da década de 90. Ainda assim, o humorista luso-alemão tirou o máximo proveito das oportunidades que teve, criando dois absolutos clássicos das passagens de ano das gerações 'X' e 'millennial', ainda hoje eminentemente 'visíveis' e lembrados por todos os que, naqueles idos de 90, se deixaram embrenhar, juntamente com o detective Hércules Pirô, no mistério de quem havia assassinado o dono da Pensão Estrelinha...


Tuesday, 22 August 2023

Terças de TV - 'Férias Grandes': A Ideia Certa Na Época (do Ano) Errada

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Os chamados 'programas de Verão' - aquelas transmissões, normalmente ao vivo e a partir de pequenas povoações do Portugal rural, que combinam números musicais e de comédia com entrevistas, concursos e interacções com o público - são, normalmente, o único tipo de programa que o cidadão Português moderno consegue ser 'persuadido' a ver, pelo seu carácter leve, a permitir 'desligar os neurónios', como é apanágio da estação. E apesar de a RTP não ser, de todo, alheia a este tipo de conteúdo, há um exacto quarto de século, a emissora estatal decidiu apostar em algo um pouco diferente (e mais culto) do que vinha sendo proposto pelas 'concorrentes' privadas - nomeadamente, um programa de entrevistas ambientado, não no habitual estúdio de gravação, mas nas praias de eleição de cada convidado.


13806_41220_74350.webp


Apresentado por Margarida Pinto Correia, 'Férias Grandes' (cujo título sugeria, erroneamente, algo um pouco mais juvenil) contabilizou um total de oito episódios, cada um dedicado a um único entrevistado, sendo os mesmos retirados de um meio um pouco mais 'erudito' do que o habitual para um programa estival. De facto, o único nome 'expectável' neste contexto talvez fosse o da comediante popular (e popular comediante) Ana Bola; de resto, os convidados iam de músicos ligados ao pop-rock nacional, como Luís Represas, Rui Reininho e José Cid, ao maestro António Vitorino de Almeida, Fátima Lopes (a estilista, não a apresentadora sua homónima, estrela da 'concorrente' de Carnaxide na mesma época), Eugénia Melo e Castro ou Rosa Lobato Faria. Cada um destes nomes partilhava com a apresentadora, ao longo do episódio, memórias da sua praia favorita (actual ou de infância) à mistura com outros temas relevantes, num formato com um público-alvo muito definido e que, provavelmente, não teria a televisão ligada para o presenciar.


Assim, não é de admirar que 'Férias Grandes' não tenha voltado para uma segunda época estival, estando hoje largamente ausente da memória colectiva nacional sobre o final do século XX - o que não deixa de ser uma pena, já que, em qualquer outra época do ano, o formato tinha tudo para resultar, encontrar a sua audiência, e ir além da mão-cheia e meia de episódios. Tal e como foi lançado, no entanto, o programa de Margarida Pinto Correia constitui, um quarto de século após a sua estreia, uma mera 'nota de rodapé' na História dos Verões televisivos portugueses, bem como um caso de estudo sobre as razões pelas quais não é boa ideia lançar um programa de índole cultural em plena época alta...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...