As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
Apesar de já não significar tanto hoje em dia – sendo as celebrações sobretudo nominais, e relativamente restritas às gerações mais velhas – o Dia da Espiga era, em finais do século XX, ainda motivo de relativo entusiasmo para as gerações mais jovens. Isto porque aquela Quinta-feira, exactos quarenta dias depois da Páscoa, também conhecida como Quinta-feira de Ascensão acarretava consigo a tradição de (para alguns) fazer o ramo de 'espigas' ou (para outros, mais 'citadinos') o comprar a uma das muitas vendedoras ambulantes que se deslocavam da província aos centros urbanos com o seu cesto cheio de espigas, normalmente de trigo, mas que também podiam ser de flores (sobretudo malmequeres, margaridas ou papoilas), de alecrim, ou até de ramos de oliveira ou videira – tendo cada tipo o seu significado benfazejo distinto, embora este passasse um pouco 'ao lado' dos jovens mais urbanos, que apenas gostavam de levar para casa aquele objecto decorativo.
Embora o lado mais 'campestre' desta equação se mantenha até aos dias de hoje, no entanto, a verdade é que, nos centros urbanos, a tradição já quase perdeu o significado, tendo as 'senhoras da espiga' praticamente desaparecido das ruas das cidades, e o dia passado a ser 'apenas mais um' para a maioria dos cidadãos das mesmas; ainda assim, no rescaldo de mais uma 'Quinta-feira da Espiga', não deixa de ser relevante recordar os tempos em que este dia suscitava entusiasmo entre as crianças e jovens de Norte a Sul de Portugal.

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