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Wednesday, 20 April 2022

Quartas de Quase Tudo: 'OH, ELLLLL-SAAAAA!'

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


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Quem foi jovem na viragem dos anos 90 para o século e milénio seguinte, certamente terá ainda programada, algures no seu ser, uma resposta inata, quase 'pavloviana', a uma determinada maneira de pronunciar as palavras 'Oh, Elsa' - nomeadamente, responder na mesma moeda, com precisamente a mesma entoação ao estilo cântico de futebol ('Oh Ellll-saaaaa!') e no máximo de volume que conseguir.


Isto porque, durante um determinado espaço de tempo entre o Verão de 1998 e finais da década, esse cântico foi omnipresente entre uma determinada camada da população portuguesa, afirmando-se como um daqueles 'memes' que antecedem a criação do próprio termo, e até da Internet 2.0. Durante aqueles 12 ou 18 meses, o grito foi entoado em pátios de escola, em transmissões em directo de jogos de futebol, em estádios, nos festivais de música de Verão onde tivera origem, por participantes em colónias de férias...enfim, onde houvesse 'malta jovem', aí se ouviria esse cântico, independentemente do contexto ou até sentido do mesmo naquela situação.


Mais curioso era que muitos dos que berravam a plenos pulmões pela Elsa nunca chegaram a saber de quem a mesma se tratava, ou de onde o grito surgira; muitos julgavam ter tido o mesmo origem num anúncio que passava na época (embora também esse simplesmente aproveitasse a febre) e para os restantes, era simplesmente uma coisa que se passara a fazer, que surgira de parte incerta e estava agora na moda. E a verdade é que mesmo a suposta origem do grito (alegadamente ideado como forma de um grupo de participantes no Festival do Sudoeste '98 localizarem uma amiga, chamada precisamente Elsa, e rapidamente tornado 'viral' entre os restantes campistas e, daí, para o resto do Mundo) pode não passar de uma 'lenda urbana'; na verdade, ninguém sabe ao certo a verdadeira origem do 'Oh Elsa' - com a possível excepção, claro, de quem o tenha criado.


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O Festival do Sudoeste, suposto local de origem do grito


Fosse qual fosse a sua origem, no entanto, uma coisa é certa - o cântico pegou, e durante mais tempo do que costuma ser regra para este tipo de coisa. Com o seu balanço ideal de potencial 'memético-viral', valor alto no 'irritómetro' e factor 'malta fixe', o grito passou, durante um breve mas marcante período, a constituir mais um elemento aglutinador e identificador da demografia jovem, que - ao contrário de outros - ultrapassava demarcações de 'tribos' ou níveis de popularidade, unindo toda a população nacional abaixo de uma certa idade num único e ensurdecedor clamor pela quase mítica Elsa, então (presume-se) já de há muito encontrada pelos seus colegas de festival, e para quem deverá ter sido no mínimo estranho ouvir, durante mais de um ano, metade do País utilizar o menor pretexto para berrar a plenos pulmões por ela...

Tuesday, 11 January 2022

Segundas de Sucesso: 'É O BICHO, É O BICHO, VOU TE DEVORAAAAR, CROCODILO EU SOOOOUUUU...´

NOTA: Este post diz respeito a Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2022.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


A música popular ou de baile portuguesa - vulgo 'música pimba' - teve nos anos 90 um dos seus períodos mais áureos. Isto porque, embora este tipo de música nunca perca verdadeiramente popularidade, foi nos anos 90 que se verificou a maior infiltração dos artistas e 'malhas' 'pimba' na consciência popular como um todo. Da música que deu nome ao género, da autoria de Emanuel, aos 'hinos' de Quim Barreiros e aos desafinanços de Zé Cabra, passando por 'hits' recuperados de artistas como Marco Paulo, Ágata ou José Malhoa, e até contribuições da nova geração do estilo, como o Bacalhau de Saul Ricardo ou o abecedário de Ana Malhoa, eram tantos e tão variados os exemplos de músicas do estilo no seio da cultura popular portuguesa que até o mais distraído desconhecedor de música contemporânea saberia, decerto, cantarolar pelo menos um par de temas do género.


Toda esta popularidade levou, como não podia deixar de ser, a que surgisse toda uma nova vaga de artistas populares com material prontinho a gravar e adicionar ao filão, antes que este secasse; e escusado será dizer que muitos deles tiveram, precisamente, o grau de sucesso por que esperavam, deixando também eles a sua marca na cultura popular da época - basta lembrarmo-nos dos Excesso, por exemplo.


Um destes nomes, e talvez o maior responsável por ter apresentado a música 'pimba' a milhares de crianças e jovens, em meados dos anos 90, foi um DJ e radialista brasileiro radicado em Portugal, o qual, no Verão de 1995, conseguiu 'explodir' na cena musical popular portuguesa com uma versão de um tema que já havia sido um sucesso no Brasil, embora então na voz de outro artista.


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O seu nome? Iran Costa, o 'cabeludo' brasileiro imortalizado como uma figura com dez metros de altura, debruçando-se qual Godzilla em 'greenscreen' sobre a cidade de Lisboa e alguns dos seus monumentos e locais mais marcantes, não para os destruir à patada, mas para realizar uma dança vagamente ridícula enquanto cantava um refrão daqueles tão 'pegajosos' que quem o ouviu na altura certamente ainda o sabe de cor até hoje.



Acima: o videoclip mais 90s de todos os tempos. Digno de um projecto de TIC do 10º ano...


Sim, falamos de 'O Bicho', o primeiro (e maior) de três mega-sucessos que o cantor conseguiria em terras lusitanas até ao final da década, e responsável máximo por cimentar o seu nome entre a criançada portuguesa. Quem tinha idade suficiente no Verão de 1995 para participar de 'febres' infanto-juvenis concerteza se lembrará de que não havia pátio de escola ou actividade extra-curricular em que alguém não ensaiasse algumas estrofes do refrão desta música, invariavelmente acompanhadas do seu melhor esforço em replicar os 'espasmos' de Iran no lendário vídeo partilhado acima. 'O Bicho' foi uma daquelas músicas que transcendeu o seu estatuto como obra musical e se tornou num fenómeno cultural, um daqueles 'memes' anteriores ao próprio conceito de 'memes' - e, como tal, alvo inevitável das atenções de uma geração sempre à procura de algo 'peganhento', cativante e passível de ser explorado, referenciado e repetido até ao limiar da irritação alheia.


Longe de adquirir o estatuto de 'one-hit wonder' comum à maioria dos criadores deste tipo de tema semi-cómico e parodiável, no entanto, Iran soube explorar a fama obtida por 'O Bicho', tendo utilizado a sua notoriedade no mundo musical português de finais de 90 para trazer para Portugal novas versões de uma série de sucessos 'made in Brasil', entre os quais se contava o seu segundo 'hit' em território nacional, 'É O Tchan' - uma música originalmente composta e gravada pelo grupo do mesmo nome, mas que, em Portugal, é quase sinónima com o cantor brasileiro.



Já em 1998, uns impressionantes três anos após os seu auge memético, o ex-radialista adicionaria ainda um terceiro sucesso à sua lista, na forma da irresistível 'Pimpolho', uma espécie de versão luso-brasileira dos temas com que, à época, faziam sucesso bandas como Vengaboys e Aqua (as quais, aliás, paulatinamente aqui revisitaremos em mais detalhe).



Hoje em dia, Iran Costa continua por aí, na activa - embora já, claro, sem a exposição e notoriedade de que gozava naqueles anos 90. Ainda assim, apesar de a sua presença mediática se ter consideravelmente dissipado desde os seus tempos áureos, a influência que o DJ, radialista e cantor brasileiro teve em toda uma geração de crianças e jovens foi inegável, como prova o facto de que dificilmente terá havido quem, ao ler este post e clicar nos vídeos que nele fomos partilhando, não tenha dado por si a cantarolar pelo menos um dos refrões - e quem sabe, desenterrado uns quantos passos de dança 'malaicos' da sua infância para acompanhar a 'performance'...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...