Wednesday, 31 December 2025

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos de (Des)Acordo Ortográfico

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


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A grafia e ortografia é, ao mesmo tempo, um dos elementos divisores e aglutinadores dos chamados Países de Língua Oficial Portuguesa, bastando pensar no manifestamente diferente Português do Brasil para perceber como um mesmo idioma pode dar origem a línguas, na prática, tão diferentes. Daí a importância de haver, entre todas as nações que têm o Português como língua franca, alguma espécie de consenso, o qual é atingido, via de regra, mediante a ratificação de um acordo ortográfico. Foi, precisamente, isso que se passou há pouco mais de trinta e cinco anos, a 16 de Dezembro de 1990, quando os PALOP assinaram o documento que estabelecia, definitivamente, a grafia da língua portuguesa para as décadas seguintes; e porque, na última Quarta de Quase Tudo, deixámos passar em branco essa data, nada melhor que ratificar agora esse erro, e terminar o ano de 2025 a relembrar a carta que ditou a forma como escrevemos desde então.


Inicialmente ratificado por Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe (embora, curiosamente, não por Macau ou Timor-Leste, que se juntaria ao grupo apenas uma década e meia depois, em 2004), o acordo tinha como fim declarado acabar com a supramencionada disparidade entre as grafias do Português europeu e do Brasil - missão, à data de publicação deste 'post', apenas parcialmente conseguida. De facto, mais do que unir as grafias, o acordo contribuiu apenas para as dividir ainda mais, não tendo as suas normas sido adoptadas em nenhum dos países assinantes e continuando a suscitar controvérsia junto de quem aprendera a escrever o Português da forma anterior, a via como 'correcta' (ou, segundo o novo acordo, 'correta') e desaprovava da aproximação ao brasileiro, com o desaparecimento da letra 'c' como apoio à letra 't', por exemplo.


O resultado é que, à década de 2020, o documento continua por assinar, e as suas regras alvo de acesa discussão, sobretudo devido aos efeitos que se têm feito sentir a nível do Português 'de Portugal'. Prova de que chegar a acordo e assinar um papel não são, de todo, sinónimo de 'missão cumprida' no que toca a trâmites legais de complexidade elevade e âmbito internacional, e que (antes pelo contrário) é bem possível que os mesmos demorem três décadas ou mais a serem implementados - se o chegarem a ser...

Tuesday, 30 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Uma Noite de Ano Novo Atípica

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A programação dos canais portugueses na noite de 31 de Dezembro tende a centrar-se, normalmente, em torno das celebrações de Ano Novo, com os respectivos preparativos a ocuparem várias horas de emissão antes do evento em si ter início. O primeiro 'réveillon' do século XXI, no entanto, ficava marcado pela triunfal conclusão do maior fenómenos de audiências de sempre em Portugal, cujo episódio final retirava quase todo o protagonismo aos habituais foguetes e programas de variedades de Herman José, captando e retendo a atenção da grande maioria da população portuguesa durante, pelo menos, umas horas da noite de 31 de Dezembro de 2000.



Falamos, claro, da primeira edição do 'Big Brother', que dominara grande partes das conversas sobre televisão desde a sua estreia a 3 de Setembro, e de cujo grande vencedor se ficaria, nessa noite, finalmente a saber o nome. Os três 'candidatos' finalistas - já depois da eliminação de favoritos do grande público como o futuro deputado Telmo, o intempestivo Marco, a sua futura mulher Marta e a 'vítima' do mesmo, Sónia- eram a sensata Susana, a jovem Célia (à data com apenas dezoito anos de idade, a mais nova da casa) e o homem que se tornara uma espécie de 'mascote' ou 'bichinho de peluche' da maioria dos espectadores do programa, o pedreiro Zé Maria. Eram estes os três nomes que se perfilavam, nessa noite, diante de Teresa Guilherme, para saber em quem o público votara como grande vencedor da quantia de vinte mil 'contos' (equivalentes hoje a cem mil euros) e de um carro novo.


Do resultado, reza a História da televisão portuguesa: conforme se previa, o humilde e espontâneo 'trolha' de Barrancos sairia mesmo vencedor, numa efeméride que o marcaria para o resto da vida, e que levaria, eventualmente, a um final trágico para a mesma. A 31 de Dezembro, no entanto, tal desfecho ainda estava muito longe de poder ser previsto, e Zé Maria era todo sorrisos ao receber o prémio das mãos de Teresa Guilherme, 'derretendo' nesse momento os corações daqueles que o haviam apoiado, e mesmo de muitos outros que apoiavam os seus adversários, ou que nem ligavam muito ao 'Big Brother'. Na verdade, naquela noite, até mesmo esses acompanharam o que se passava no estúdio da TVI, numa emissão que aglutinou audiências como poucas outras conseguiram na História da televisão nacional, e que pôs cobro a um fenómeno que não mais se repetiria no contexto da mesma. Razão mais que suficiente, portanto, para revisitarmos aquele último episódio, em vésperas de se completar um exacto quarto de século sobre a sua transmissão em directo, naquela que foi uma das noites de Ano Novo mais atípicas da televisão em Portugal.

Monday, 29 December 2025

Segundas de Sucessos: O CD do 'Big Brother' - Um Sucesso Quase Inevitável

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


No Portugal de meados de 90 e inícios de 2000, qualquer fenómeno cultural servia como pretexto para o lançamento de um disco tematizado, fosse com as músicas que formavam a banda sonora do programa em causa, fosse com músicas (mais ou menos vagamente) relacionadas ao tema da mesma. É deste último caso que tratamos no 'post' de hoje, em vésperas de aniversário da final do programa a que o disco é alusivo.


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Falamos, é claro, do duplo-CD oficial da primeira série do 'Big Brother', publicado pela BMG algures no último quarto do ano 2000 (na mesma altura em que o programa da TVI captava audiências recorde um pouco por todo o País) e cujo alinhamento trazia músicas e grupos - presumivelmente - favorecidos pela dezena e meia de concorrentes participantes naquela primeira e histórica 'casa'. Ficava, assim, explicada a disparidade de estilos do lançamento, que faria corar um qualquer volume da série Now! com a sua mistura do rock alternativo radiofónico de Guano Apes, HIM e Lit com a pop comercial de Westlife, Five e Pink, os ritmos brasileiros de Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury ou Fábio Júnior, o pop-rock bem português de uns Delfins, Pólo Norte ou Sara Tavares ou até a 'europop' de Lou Bega - uma autêntica 'salgalhada' de estilos que, apesar de bem típica das compilações da época, acabava por não 'apontar' a nenhum público, já que cada sector melómano apenas encontrava 'meia dúzia' de músicas para o seu gosto.


Apesar deste ecletismo exacerbado e exagerado, no entanto, o disco era bem sucedido na sua tentativa de apresentar (e representar) a diversidade dos diferentes concorrentes da casa através do seu gosto musical, e terá representado compra obrigatória para os milhões de fãs do programa de Norte a Sul do território, sendo um daqueles lançamentos em que o próprio nome na capa já assegurava, por si mesmo, um alto volume de vendas. Razão mais que suficiente para o recordamos, em vésperas da data que mudou para sempre a vida de um dos indivíduos cujo gosto musical nele se encontra representado.

Saturday, 27 December 2025

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Cinco Grandes Presentes de Natal dos Anos 90

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Os anos 90 foram pródigos em produtos e brinquedos que 'toda a gente queria', e que, se encontrados debaixo da árvore de Natal, eram motivo para reacções alucinantes. Nas linhas abaixo, recordamos apenas cinco dos mais icónicos, sem nenhuma ordem em particular.


- Consolas


TkZghvN25z7dxCK4YyM5dY-1200-80.jpgDo Game Boy (a 'preto e branco' ou a cores) à Mega Drive, Sega Saturn, Nintendo 64 ou DreamCast, passando pelas duas PlayStations ou apenas pela icónica 'família' de consolas piratas conhecidas como 'Family Game' era raro o Natal em que pelo menos uma consola não marcasse presença na lista de prendas desejadas - normalmente, a que mais recentemente chegara ao mercado, ou aquela para a qual eram lançados os jogos mais 'badalados'. E, como se pode constatar pela lista acima reproduzida, os anos 90 representaram um dos períodos áureos para o desenvolvimento de tecnologias interactivas caseiras, com muitos e bons sistemas a 'dividirem' a lealdade dos entusiastas de videojogos, tanto na época natalícia como em ocasiões como os anos.


- Tamagotchi


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Foi uma das 'febres de recreio' por excelência no período pós-Tazos e 'diabolos', e interrompeu inúmeras aulas da primária à faculdade com os inconfundíveis sinais sonoros de que o bichinho virtual se encontrava mal-disposto, ou de que era preciso limpar a área onde 'vivia'. Foi, também, substituto 'virtual' para um animal de estimação de 'carne e osso' para muitas crianças, portuguesas e não só - pelo menos até se acabarem as pilhas, ou até deixar de ser item obrigatório no recreio da escola. E apesar de, em Portugal, a 'febre' ter passado quase de um dia para o outro, o Tamagotchi e respectivos 'imitadores piratas' mantiveram-se como parte da cultura popular de outros países até aos dias que correm, tendo a franquia celebrado recentemente os seus vinte e cinco anos de existência.


- Furby


download (3).jpgA 'evolução natural' da 'febre' Tamagotchi, os Furbies não só serviam como animais de estimação 'virtuais' como também de peluches físicos - isto para além de falarem e se mexerem. Uma espécie de cruzamento entre um peluche 'normal', um Tamagotchi e um papagaio repetidor (outro brinquedo muito popular na mesma época) estes 'bicharocos' alienígenas apenas tinham contra si o facto de algumas crianças os acharem levemente perturbadores, ainda que estas se contassem apenas por minoria. Tal como os Tamagotchis, no entanto, o 'momento' dos Furbies passou de forma mais do que repentina, e, poucos anos após o seu 'auge', os mesmos eram já recordados apenas como uma 'tolice' nostálgica dos anos de infância dos 'millennials' portugueses e não só.


- Brinquedos 'Grandes'


438228047.jpgDa casa da Barbie até aos castelos do He-Man ou da LEGO, aos veículos de Action Man e GI Joe ou ao exemplo mais famoso - o icónico barco pirata da Playmobil - os acessórios e cenários de grandes dimensões ligados a franquias conhecidas eram, inevitavelmente, alvo de cobiça, embora os preços normalmente proibitivos os remetessem inevitavelmente para a categoria de desejos de Natal (ou anos). Ainda assim, para quem tivesse a sorte de receber um destes exemplares, estava garantida não só a diversão como também a capacidade de se 'gabar' e 'exibir' o novo brinquedo junto dos colegas da escola - uma oportunidade que nenhuma criança deixaria passar em branco, fosse à época ou nos dias que correm.


- Bicicletas, 'Skates', Trotinetes e Patins


images (2).jpgForam, durante décadas, o epítoma de presentes 'caros' e desejáveis, um paradigma que ainda se mantinha em finais do século XX, quando uma bicicleta BMX ou um par de patins em linha se encontrariam provavelmente perto do topo de uma lista de presentes de Natal. A natureza intemporal destes presentes, e o facto de se manterem relevantes durante múltiplos anos (pelo menos até deixarem de servir ao 'dono') tornava-os também investimentos inteligentes a longo prazo, fazendo com que fossem, se possível, ainda mais apetecíveis para a criança ou jovem médio, tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo.


Estes são, claro, apenas alguns dos muitos presentes icónicos cobiçados pelos jovens lusitanos das gerações 'X' e 'millennial', nascidos e crescidos naquela que talvez tenha sido uma das melhores épocas da História moderna para ser criança, dado o volume de produtos entusiasmantes para essa faixa etária disponíveis no mercado de então, prontos para figurar como 'figura de proa' de qualquer carta ao Pai Natal.

Friday, 26 December 2025

Sessão de Sexta; Vinte e Cinco Anos de Uma Comédia 'Do Pior'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Juntamente com Eddie Murphy, Jim Carrey e Robin Williams, Ben Stiller faz parte do grupo de 'grandes' actores cómicos de finais do século XX e inícios do seguinte; e embora o seu estilo de humor seja algo menos consensual que o dos actores supracitados, Stiller conta, ainda assim, com alguns êxitos inegáveis na sua filmografia. Um dos maiores encontra-se prestes a celebrar vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal - ocorrida a 28 de Dezembro de 2000 - tornando-o na escolha perfeita para aquela que é a última Sessão de Sexta do ano de 2025.


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Falamos, claro, de 'Um Sogro do Pior', o filme que revelava também ao Mundo os talentos cómicos do habitualmente sisudo Robert de Niro, o qual, talvez cansado de ser associado exclusivamente com filmes de 'gangsters', 'rouba' completamente a cena no papel do excêntrico e algo perturbador sogro do personagem de Stiller, do qual este deve conquistar a amizade. Como não poderia deixar de ser, este processo envolve um sem-número de peripécias mirabolantes e situações constrangedoras, que ameaçam constantemente o inevitável final feliz, e expõem os piores traços de personalidade de todos os membros da família, incluindo o próprio Stiller.


E ainda que nem todas estas 'trapalhadas' resultem em pleno, há no filme suficientes situações bem-conseguidas para fazer com que valha a pena investir no mesmo para uma Sessão de Sexta em família, talvez integrado numa 'maratona' com as inevitáveis sequelas, ainda que cada uma delas contribua para diluir cada vez mais a premissa, juntando novos personagens e insistindo no mesmo tipo de situações até estas deixarem de ter piada. O primeiro da série, no entanto, 'envelheceu' com alguma dignidade - pesem embora alguns 'excessos' típicos das comédias da época - merecendo bem ser revisitado por ocasião do vigésimo-quinto aniversário da sua estreia em Portugal.


Wednesday, 24 December 2025

Quartas aos Quadradinhos: O Natal Especial da Disney de 1994

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui em ocasiões anteriores falámos da série brasileira 'Natal Disney de Ouro', uma das muitas a chegarem do 'país irmão' graças à ligação da editora Abril ('magnata' dos quadradinhos Disney em Portugal) à ex-colónia lusitana. O que poucos saberão - a menos que tenham a referida revista ou a tenham descoberto, como nós, no indispensável 'website' I.N.D.U.C.K.S. - é que chegou também a existir uma 'versão portuguesa' desse mesmo conceito, intitulada 'Disney Natal', mas que não foi além de um único número, lançado em Novembro de 1994. E porque, no ano transacto, deixámos passar a oportunidade de assinalar o trigésimo aniversário da sua publicação, nada melhor do que rectificar agora esse erro - ainda que com mais de doze meses de atraso - e incluir a referida revista na nossa série de 'posts' natalícios para 2025.


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Não que o 'Disney Natal' português (lançado nas bancas, estranhamente, a 16 de Novembro) difira grandemente do seu congénere 'De Ouro' de além-mar; antes pelo contrário, já que a premissa é exactamente a mesma, passando por reunir algumas das principais histórias alusivas à época natalícia produzidas ao longo dos tempos - embora, sem surpresas, com particular incidência no período então contemporâneo, ou seja, o início da 'hegemonia' italiana que brevemente 'tomaria conta' das publicações Disney, em solo nacional e não só. Apesar de haver já algumas produções dessa leva, no entanto, a proposta é, aqui, ainda algo mais variada, com as mesmas a dividirem espaço, nas duzentas e sessenta páginas do volume, com muitas histórias clássicas criadas nos estúdios norte-americanos, numa proporção praticamente idêntica, e ainda algumas (menos) de outras proveniências. No total, eram quase uma dezena e meia de aventuras, com os mais diversos personagens (embora, claro, com destaque para os 'pesos-pesados', como Mickey, Pateta ou a família Pato) que faziam por justificar o 'avolumado' preço de quase setecentos escudos - quase o triplo do preço de uma revista comum da altura, e uma autêntica 'fortuna' para a grande maioria do público-alvo, para quem este livro quase representaria um 'presente de Natal adiantado'!


Ainda assim, para quem era fã dos personagens ou das publicações Disney da Abril, havia aqui material suficiente para passar uma bela noite de Consoada no sofá, embrenhado nas peripécias natalícias dos seus heróis favoritos, o que, por sua vez, levanta a questão do porquê de nunca ter havido uma segunda edição tematizada em torno do Natal (a menos que se conte a semelhante-mas-não-igual 'Disney Natal Especial', lançada três anos depois). Seja qual for o motivo, no entanto, a verdade é que este 'número único' adquire assim, ainda que involuntariamente, o estatuto de 'edição de coleccionador', merecendo assim uma menção na exacta época do ano em torno da qual se tematiza.

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos da 'Canção' de Natal de Júlio Isidro

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Dezembro de 2025.


NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Uma das coisas com que os portugueses aprenderam a contar ao longo dos Natais dos últimos trinta a quarenta anos é com o aparecimento, nos quatro canais, de produções especialmente criadas para servir de complemento aos tradicionais filmes de família, Sequim D'Ouro, Natal dos Hospitais e circo de Monte Carlo; e, apesar de ainda hoje se verificar, é inegável que esta tendência teve o seu auge no 'período de ouro' da televisão portuguesa, entre os anos 80 e 2000, período em que nasceram muitos dos melhores 'especiais de Natal' (e também de Ano Novo) da História do audiovisual nacional. Um desses programas - sobre o qual se completam exactos trinta e cinco anos à data original de criação deste 'post' - foi imaginado e apresentado por um ícone da televisão portuguesa, o incomparável Júlio Isidro, como forma de prestar homenagem à quadra através de um dos seus mais emblemáticos elementos - a música.


Transmitido pela RTP 1 a 23 de Dezembro de 1990, 'Cantar o Natal' oferece precisamente aquilo a que o título alude - uma série de números musicais com temática natalícia, interpretados por alguns convidados musicais de 'monta' como Vitorino e Dulce Pontes, unidos por segmentos de entrevista a estes e outros convidados, numa tentativa de recriar e reviver a noite de consoada de 1960 (então distante no tempo exactas três décadas), que servia de linha narrativa ao especial. O resultado era um programa 'ameno' e confortável, bem ao estilo não só de Isidro como da produção nacional da época em geral, perfeita para servir de 'ruído de fundo' a uma noite de Terça-feira em plenas férias do Natal.


No entanto, talvez este cariz declaradamente virado para o conforto do espectador tenha contribuído para que este especial fosse, em décadas posteriores, algo Esquecido Pela Net, já que o mesmo não rendia quaisquer momentos memoráveis, daqueles em que Herman José (por exemplo) era 'perito' nos seus especiais de Ano Novo. Ainda assim, na data em que se assinalam exactas três décadas e meia sobre a sua ida ao ar, vale bem a pena recordar um especial de cariz único no panorama televisivo nacional, e que terá decerto entretido um sem-número de pequenos 'X' e 'millennials' nacionais - ainda que os mesmos pouco ou nada o recordem; para quem desejar rectificar esse erro, o programa encontra-se disponível, em duas partes, nos arquivos da RTP, pronto a ser recordado por ocasião desta data marcante.

Tuesday, 23 December 2025

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos do 'Super' Presente Natalício da TVI

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


O dia de Natal não é normalmente, em Portugal, data privilegiada para a estreia de novas séries, sendo a programação televisiva da data tradicionalmente dominada por filmes infantis ou de família. Ainda assim, no primeiro Natal do século XXI, foi precisamente esta a data escolhida pela TVI para lançar uma nova série, a qual viria a gozar de considerável sucesso e a tornar-se aposta ganha pela estação de Queluz, que demonstrou que talvez houvesse algo a ganhar em romper com a tradição.


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O programa em causa era 'Super Pai', série nacional de cariz cómico que acompanhava as aventuras de um empresário viúvo 'às voltas' com a educação de três filhas, entre os oito e os dezassete anos, a qual deve balancear com as exigências da sua vida profissional como dono de um bem-sucedido grupo de empresas têxteis - uma situação com que muitos adultos se identificavam, vivida de forma fácil de simpatizar, e pouco 'lamechas', por Luís Esparteiro, e que garantia desde logo uma 'fatia' de audiências à nova proposta da TVI. 


Seria, no entanto, junto de uma outra demografia que 'Super Pai' encontraria o seu maior sucesso - no caso, o público jovem, que se 'revia' nas três travessas meninas e nas suas múltiplas formas de 'fazer a vida negra' ao pai, e que teria papel fulcral na longevidade da série, que permaneceria parte integrante da grelha da TVI durante os três anos seguintes. E embora o 'fim de ciclo' fosse inevitável - até pelo natural crescimento das jovens actrizes, em simultâneo com o próprio público - a série não deixaria de marcar larga parte da geração 'millennial' portuguesa, para quem seria, futuramente, lembrada como um dos grandes programas da sua juventude e adolescência, a par dos posteriores 'Morangos Com Açúcar', por exemplo; motivo mais que suficiente para lhe dedicarmos estas linhas, a poucos dias de se celebrarem os vinte e cinco anos sobre a sua chegada aos televisores nacionais.



 

Monday, 22 December 2025

Domingo Desportivo: Dois 'Grandes dos 'Pequenos'' Tão Iguais Quanto Diferentes

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Dezembro de 2025.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Apesar de jogadores gémeos não serem, de todo, um conceito desconhecido no futebol moderno, os mesmos tendem, grosso modo, a seguir percursos semelhantes em termos de expressividade, muitas vezes militando, inclusivamente, no mesmo clube ao mesmo tempo. Não é, no entanto, esse o caso de um dos dois jogadores que focamos esta semana, 'metade' de um par de gémeos futebolistas que completaram cinquenta e seis anos naquela que teria sido a data de publicação deste 'post', e que, apesar de terem ambos chegado a ter estatuto de 'Grandes dos 'Pequenos'' em emblemas históricos do futebol nacional, tiveram carreiras, de outro modo, bastante distintas. De facto, enquanto Jorge Neves fez o habitual 'périplo' pelas divisões inferiores até se estabelecer no Beira-Mar, onde passou sete épocas, já o irmão, Rui, dedicou dezassete dos seus dezoito anos como futebolista (e catorze dos quinze que passou como profissional) ao serviço de um clube então com presença constante nos campeonatos profissionais lusitanos, e onde assumiu contornos de figura mítica entre os adeptos.


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Os dois irmãos, com as camisolas com que se notabillizaram.


De facto, apesar de ter começado o percurso futebolístico no modesto Juventude Operária de Monte Abraão, Rui Miguel Leal das Neves ver-se-ia ligado ao Estrela da Amadora logo a partir dos seus dezasseis anos, quando ele e Jorge ingressavam na equipa de Juvenis. Três anos depois - no dealbar da década de 90 - chega a profissionalização, já com estatuto de figura de proa na equipa de Juniores, o que lhe permite uma transição para o plantel sénior mais célere que o habitual; de facto, Rui rapidamente se estabelece como elemento importante da equipa amadorense, apesar da tenra idade, participando em mais de duas dezenas de jogos logo nessa primeira época, e partilhando o relvado e balneários com nomes como Paulo Bento ou Dimas.


As temporadas seguintes apenas cimentariam o lugar de Neves na equipa, com o jogador a consolidar o lugar na linha defensiva, muito graças à capacidade de jogar em qualquer das duas alas, bem como à identificação com o próprio clube. Durante esse período, participaria na histórica edição da Taça de Portugal que veria os tricolores erguer o único troféu da sua história, em 1989-90 - e em virtude da qual se estrearia nas competições europeias, ainda antes de completar vinte e um anos - veria o seu clube descer de divisão uma época depois e voltar a subir na seguinte, e conseguiria as primeiras internacionalizações, ao serviço da equipa de sub-21. Por comparação, na mesma altura, o 'mano' Jorge representaria emblemas menores, como Marinhense, Fafe e Fanhões.


No Verão de 1993, dá-se o inusitado - após uma época em que apenas participara de oito partidas, Rui Neves deixa o Estrela da Amadora para rumar ao Gil Vicente. E apesar de a temporada única ao serviço dos gilistas ter sido bem sucedida, tendo Neves participado em quase todas as partidas do clube nesse campeonato (ou talvez por essa razão) a 'casa-mãe' não tardaria a chamar de volta o 'filho pródigo', para não mais o deixar partir - no total, seriam mais dez as épocas de Rui Neves na Reboleira, sempre como peça-chave do plantel, do qual apenas se desvincularia ao 'pendurar as botas', aos já trinta e quatro anos, em finais da época de 2003/2004, quando contava já com o estatuto de 'lenda' do clube. Pelo meio, ficavam as memórias de um sétimo lugar, uma despromoção, e um histórico golo que garantiria a permanência dos amadorenses na antiga Primeira Divisão, logo no primeiro ano após o seu regresso - apenas alguns dos momentos que fariam desta 'metade' dos gémeos Neves a verdadeira definição de um 'Grande dos 'Pequenos''.


Ao mesmo tempo, um pouco mais a Norte, o irmão gémeo fazia também por merecer esta designação (embora em menor escala) encontrando finalmente uma 'casa' em Aveiro, onde passaria sete épocas e disputaria mais de cento e sessenta jogos e onde, curiosamente, venceria exactamente o mesmo troféu do que o irmão, em circunstâncias muito semelhantes - nomeadamente, numa final entre dois 'históricos' de menor dimensão, que o seu clube acabaria por vencer (no caso, a de 1998-99) e que lhe permitiria a estreia, ainda que fugaz, nas competições europeias.


Para Jorge, no entanto, a 'caminhada' profissional ainda englobaria paragens em Chaves e no modesto São Marcos, onde penduraria as botas três anos depois do irmão, e a um nível consideravelmente mais modesto, tendo depois, ao contrário deste, enveredado pela carreira de treinador. Ainda assim, pelo seu contributo prolongado para um 'histórico' do futebol português, Jorge acaba por merecer tanto o epíteto de 'Grande dos 'Pequenos' como o irmão, bem como o seu lugar ao lado do mesmo naquele que acaba por se saldar como a primeira edição 'dupla' desta rubrica. Parabéns, e que contem ainda muitos.

Sunday, 21 December 2025

Saídas ao Sábado: Os Pais Natais Animatrónicos - Uma Decoração Fascinante e Aterrorizante

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 20 de Dezembro de 2025.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Para qualquer criança, independentemente da época em que vive, um passeio às lojas sumptuosamente decoradas e pejadas de sugestões de presentes constitui um dos pontos altos da época natalícia. No entanto, para a geração nascida e crescida durante as últimas décadas do século XX, esta experiência poderá ter sido algo prejudicada (ou melhorada, dependendo do ponto de vista) por uma decoração em particular, ainda hoje vista em alguns estabelecimentos, apesar de com bastante menos frequência: os Pais Natais animatrónicos.


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Exemplos modernos da decoração em causa.


Do tamanho e dimensões aproximadas de uma criança pequena - o que apenas aumentava o 'factor susto' - e movimentos necessariamente robóticos, rígidos e abruptos, estes 'bonecos' eram presença frequente nas lojas da época, e o efeito que criavam (aquele que hoje conhecemos por 'uncanny valley', mas que, à época, ainda não tinha denominação) criava na maioria das crianças uma dualidade entre o medo e o fascínio que, ao mesmo tempo, as atraía e repelia quanto aos mesmos. E ainda que seja de duvidar que estas figuras algo 'toscas' suscitem a mesma reacção nas gerações actuais - habituadas a 'sustos' bastante maiores nos meios digitais - o facto é que as mesmas marcaram a geração hoje na casa dos vinte e muitos a quarenta e muitos anos, para quem faziam tanta parte do Natal como qualquer outra decoração ou iluminação de rua.

Saturday, 20 December 2025

Sextas Com Style: As Indumentárias Natalícias no Portugal dos 'Noventa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Exemplo moderno de uma camisola típica da época.


Apesar de os 'pullovers' de Natal não serem uma tradição portuguesa (antes pelo contrário, já que continuam a confundir a maioria dos emigrantes lusitanos em países onde efectivamente existem) tal não significa que não houvesse, em finais do século XX, uma 'indumentária-tipo' para a época festiva em Portugal. De facto, uma mera semana antes dos excessos de brilhantes e lantejoulas do 'réveillon', a maioria das famílias portuguesas era vista dentro de 'pullovers' ou vestidos tricotados felpudos, normalmente com motivos como flocos de neve, renas ou cenários invernais, e quiçá com um ou outro 'pompom' ou brilhante aplicado em sítios estratégicos. No caso das crianças (e não só) estas camisolas podiam, até, ser obra de um familiar com apetência para o 'tricot', sendo por isso únicas, exclusivas e difíceis de imitar para quem não tivesse o padrão – o que, dependendo da perspectiva, podia ser uma vantagem ou um defeito.


Fosse qual fosse o caso, no entanto, o certo é que, mesmo sem 'camisolas feias' de Natal, os portugueses de finais do século XX não deixavam de ter roupas especialmente 'guardadas' para uma Sexta com Style em período natalício, aquando do jantar em família, da missa, da tradicional ida ao circo de Natal, ou mesmo da festa de Natal da paróquia ou da empresa...


 

Thursday, 18 December 2025

Quartas de Quase Tudo / Quintas ao Quilo: Vinte e Cinco Anos do Programa Que 'Ensinou' Portugal a Comer

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


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A última década do século XX sobressai, à distância de trinta anos, como uma era de sensibilização para diversos assuntos até então relativamente ignorados e menosprezados, mas aos quais era importante – quase indispensável – começar a dar mais atenção. E, entre assuntos algo mais 'sérios' e impressionantes para a juventude da época (como as drogas, a SIDA, a fome em África ou os direitos das minorias) existiam também outros mais 'corriqueiros', com escala e impacto significativamente menores, mas que afectavam mais directamente o quotidiano das crianças e jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. Era o caso, por exemplo, da ecologia, ou do tópico que abordamos neste 'post' duplo, a nutrição infantil.


De facto, enquanto Jamie Oliver se preparava para revolucionar o sistema de refeições escolares inglês, em Portugal, era a Nestlé quem fazia por que, no País, houvesse Crianças Mais Saudáveis. Era este o nome dado ao programa desenvolvido pela produtora alimentar multinacional, em parceria com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, e lançado em Julho de 2000, com o intuito de sensibilizar crianças em idade pré-escolar e primária (concretamente entre os três e os dez anos) quanto à importância de uma alimentação equilibrada e saudável, através de uma série de iniciativas, eventos e desafios lúdico-didácticos levados a cabo em, e junto de, escolas de Norte a Sul do País – o que também teria qualificado esta iniciativa, potencialmente, para uma Saída de Sábado.


E o mínimo que se pode dizer é que a iniciativa se saldou num retumbante sucesso, dado facto de ter acabado de celebrar os seus vinte e cinco anos, no caso com um evento na sede da própria Nestlé, com a participação da turma vencedora do desafio deste ano. Um aniversário marcante para uma iniciativa meritória, e que, espera-se, continue por muitos anos a melhorar os hábitos alimentares de gerações vindouras, com o apoio daquelas (entretanto 'crescidas') que ajudou a 'aprender a comer'...

Wednesday, 17 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um Programa Pleno de Espírito Natalício

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui em outra quadra natalícia falámos da iniciativa 'Querido Pai Natal', desenvolvida pelos CTT a partir dos anos 90, como forma de alimentar a fantasia das crianças portuguesas relativamente ao 'bom velhinho'; pois bem, já ao 'cair do pano' do século XX, a RTP levaria ainda mais longe esse conceito, transformando-o numa emissão televisiva em que uma parte da demografia em causa era surpreendida com o seu pedido de Natal em frente às câmaras.


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Com apresentação de Guilherme Leite (então em alta devido ao sucesso de 'Cromos de Portugal' e sobretudo o perene 'Malucos do Riso'), o programa homónimo da iniciativa (estreado há quase exactos vinte e cinco anos, a 14 de Dezembro de 2000) via o apresentador, uma equipa técnica e o Pai Natal (ou seja, um actor disfarçado) visitar diversas escolas de Norte a Sul do País, e distribuir entre os alunos das mesmas algumas das prendas mencionadas nas suas cartas para o Pólo Norte, para que as suas férias de Natal começassem da melhor maneira. Um conceito simples, mas perfeito para a época em causa (pleno como era de boas intenções e espírito natalício) e impossível de criticar com qualquer tipo de cinicismo - o que talvez explique a sua longevidade, já que o formato foi 'repescado' durante os sete natais seguintes, tendo desaparecido apenas após a quadra de 2007, por razões que não ficam claras com os poucos dados ainda disponíveis 'online' sobre o programa.


Ainda assim, quem quiser 'ver por si mesmo' do que constava o programa (ou simplesmente recordá-lo) pode fazê-lo mediante os três episódios ainda constantes dos Arquivos RTP, único vestígio mais 'tangível' da existência de uma emissão surpreendentemente Esquecida Pela Net, e intemporal o suficiente para poder perfeitamente ter tido continuidade nos anos subsequentes.

Tuesday, 16 December 2025

Segundas de Sucessos: O Disco de 'Pokémon' - Um 'Caça-Níqueis' 'Mais Que Perfeito'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2000.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Embora não seja, normalmente, uma das pedras basilares de uma franquia infanto-juvenil de sucesso, o álbum musical tão-pouco é presença rara neste tipo de esforço de 'marketing', antes pelo contrário - se o 'franchise' fôr suficientemente bem-sucedido, nem mesmo é preciso que as músicas contidas no lançamento sejam temáticas, como o prova 'Dragon Ball Z – Vivam Os Meus Amigos', álbum lançado no auge da maior febre de recreio de sempre em Portugal e que contém um total de zero músicas alusivas ao 'anime' em que nominalmente se baseia. Felizmente, o disco de que falamos nesta Segunda de Sucessos opta pela abordagem oposta – e mais honesta – oferecendo precisamente aquilo que promete, e conseguindo assim a lealdade de um público-alvo que pouco ou nada mais exige.


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Falamos de 'Pokémon – Vamos Apanhá-los Todos!', a tradução-localização em Português para '2 B A Master', o primeiro álbum de músicas do 'anime' de 'Pokémon' – o qual, como qualquer pessoa que tenha visto o referido programa atestará, dispunha de uma banda-sonora instantaneamente apelativa, e composta por várias músicas que se tornaram icónicas entre a demografia-alvo. E, em mais uma mostra de inteligência e sabedoria no que toca a 'marketing' para um público jovem, todos esses temas se encontram inseridos na versão completa deste álbum, com a versão em 'cassette' a focar-se apenas nos mais populares e conhecidos, como o lendário genérico de abertura ou o não menos memorável 'PokéRap', todos traduzidos em 'bom Português' e interpretados pelos mesmos artistas da série, como André Maia ou Henrique Feist.


Uma proposta nada menos que irrecusável para o público-alvo, portanto, e que desde logo garantia lugar a 'Pokémon – Vamos Apanhá-los Todos!' num número considerável de lares portugueses, onde seria presença assídua no gira-discos ou leitor de CD e cassette durante um período mais ou menos alargado, até passar a ser uma daquelas recordações vagamente embaraçosas da infância, a exemplo dos discos d''Os Patinhos', 'Buereré' ou 'Batatoon'. Não faltará, assim, entre os nossos leitores quem se recorde de ter tido este álbum ou cassette na infância, no auge da 'Pokémania' em Portugal; e, apesar de não ter sido esse o caso lá por casa (sendo o autor deste 'blog' já demasiado 'crescido' para algo do género), fica ainda assim neste 'post' a breve homenagem a este álbum saído há pouco mais de um quarto de século, pouco antes de o segundo filme da franquia baseda na série de jogos da Nintendo chegar aos cinemas nacionais, e que terá sem dúvida marcado a infância de inúmeros 'millennials' portugueses, os quais talvez ainda hoje saibam de cor todas as músicas. Para esses, fica abaixo o álbum completo, para que possam 'matar' as devidas saudades...


https://on.soundcloud.com/nDlBtbyF7RPPnENXre


 

Monday, 15 December 2025

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os Carros Telecomandados 'Todo-O-Terreno' - A 'Evolução Máxima' de Um Conceito Apelativo

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 13 e Domingo, 14 de Dezembro de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


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O Rebound, o exemplo mais conhecido deste tipo de brinquedo.


Numa já distante edição desta rubrica falámos dos carros telecomandados, uma daquelas prendas de Natal ou anos que nenhum rapaz (nem muitas raparigas) de finais do século XX desdenharia. No entanto, como sucede com tantos outros tipos de produtos, nem todos os carros a pilhas disponíveis no mercado gozavam do mesmo estatuto junto do público-alvo; e, nesse aspecto, existia uma sub-categoria que facilmente se destacava das restantes, e se tornava alvo de entusiásticas 'marcas' nos catálogos de Natal da época – os carros 'todo-o-terreno'.


Não pretendemos, com este termo, falar apenas de carros com rodas mais grossas ou reforçadas; antes, procuramos lembrar um tipo muito específico de veículo teleguiado, capaz de subir obstáculos naturais e até de se virar sobre si próprio sem cair, graças às enormes rodas que ocupavam ambas as laterais do seu 'chassis', num formato mais tarde popularizado pelos veículos do jogo 'Rollcage', da Psygnosis - uma descrição já de si auto-explicativa, não sendo preciso entrar em maiores detalhes sobre a razão para estes veículos fazerem as delícias de qualquer pré-adolescente com gosto por este tipo de brinquedo. E a verdade é que eram vários os exemplos de carros teleguiados com esta configuração importados para o mercado nacional pela icónica Concentra, com destaque para o Tyco Rebound, o mais popular exemplo do género, e que ilustra este 'post'.


Tal como sucedeu com os seus congéneres, no entanto, também os 'quinze minutos' destes carros se escoariam, levados na 'enxurrada' digital da viragem do Milénio. Quem viveu aqueles tempos mais inocentes na idade correcta, no entanto, certamente recordará ter tido – ou desesperadamente querido – um destes 'todo-o-terreno', tão capazes de proporcionar um Domingo Divertido como de participar nas aventuras de um Sábado aos Saltos...

Sunday, 14 December 2025

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um Fim-de-Semana de 'Extremos'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Já aqui numa outra ocasião falámos de um fim-de-semana em que, no espaço de dois dias, em dois anos separados, estrearam em Portugal vários filmes que formariam parte da nostalgia cultural da geração 'millennial'; agora, chega a altura de recordar o dia, há exactos vinte e cinco anos, em que se passou algo de semelhante, ainda que de forma algo mais 'extremada'. Isto porque os dois filmes chegados às salas de cinema portuguesas no dia 14 de Dezembro de 2000 tinham interesse para os pólos diametralmente opostos da demografia nascida entre inícios dos anos 80 e meados dos 90, com um deles a ser mais relevante para a parcela mais jovem da mesma, e o outro para a mais 'colada' à Geração X, além de para os próprios elementos da mesma.


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No primeiro caso inseria-se 'Pokémon 2: O Poder Único' (mais conhecido como 'Pokémonn 2000'), o segundo filme baseado no icónico 'anime' baseado no mega-sucesso da Nintendo, então ainda a gozar os dividendos dos jogos lançados dois anos antes para o Game Boy original (bem como da posterior 'Edição Amarela') enquanto os fãs esperavam ansiosamente pela saída da 'segunda geração', daí a alguns meses, já em exclusivo para o sucessor Game Boy Color. Nos entrementes, os muitos entusiastas da franquia podiam ficar a conhecer um dos novos Pokémon: Lugia, o plesiossauro que ajuda os heróis a salvar os três pássaros lendários (Zapdos, Moltres e Articuno) das mãos de um coleccionador mal intencionado. Nada que sequer beliscasse o impacto do primeiro filme (onde era revelado o segredo do famoso 'Pokémon número 151', MewTwo) mas ainda assim entusiasmante para os pequenos 'Pokémaníacos', sobretudo pela oportunidade de ver pela primeira vez um dos novos espécimes que integrariam os futuros 'Gold' e 'Silver'.


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Já o segundo filme de que falaremos nesta Sessão de Sexta tinha interesse por motivos totalmente distintos – nomeadamente, por trazer uma das 'musas' do cinema de então naquele que talvez fosse o seu 'pico' de forma, e num dos seus papéis mais icónicos. De facto, 'Sedutora Endiabrada' sabia qual o seu ponto forte, e não procurava 'vender-se' como mais nada que não uma comédia vagamente erótica que servia de 'desculpa' para ver Elizabeth Hurley numa série de roupas sensuais, do icónico biquíni vermelho-carmim a vestidos, fatos de vinil, 'blazers' ou uniformes de 'menina da escola' e chefe de claque. Como coadjuvante, a estonteante morena tinha um Brendan Fraser cujo habitual ar esgazeado, desta vez, talvez não fosse totalmente representado, e que serve bem o seu propósito como o 'totó' que a diaba de Hurley utiliza como 'brinquedo' privativo – embora, claro, tudo acabe em bem, com o personagem de Fraser a aprender uma importante lição e a conseguir, finalmente, encontrar a felicidade. Um filme que, naturalmente, se viria a tornar também um 'clássico' do mercado de vídeo e DVD, e que terá feito parte da adolescência de muitos portugueses (e não só) de uma certa idade.



Em suma, dois filmes quase exactamente opostos a nível de conceito, proposta, motivos de interesse e demografia-alvo, mas que não deixaram, ambos, de integrar a consciência colectiva (e, mais tarde, nostálgica) da 'sua' geração, justificando portanto esta recordação 'colectiva', no fim-de-semana em que se completa um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal.

Saturday, 13 December 2025

Quartas aos Quadradinhos / Quintas no Quiosque: O 'Cronista' da Banda Desenhada Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 10 e Quinta-Feira, 11 de Dezembro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por várias vezes no passado recordámos autores de banda desenhada nacionais cujas carreiras lhes outorgaram maior ou menor grau de sucesso quer a nível nacional, quer internacional; agora, chega a vez de juntar a essa lista um criador cujo trabalho foi feito sobretudo 'nas sombras', mas sem o qual muitos dos nomes já aqui falados talvez nunca tivessem conseguido fazer despontar a sua carreira.


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Falamos de Carlos Alberto Gonçalves, fundador e presidente do Clube Português de Banda Desenhada (cujo boletim também chefiou nos primeiros anos) que, ao mesmo tempo, exercia também funções no Correio da Manhã, tornando esta Quarta aos Quadradinhos também numa Quinta no Quiosque. E a verdade é que esta associação a um periódico de referência foi altamente benéfica para a BD portuguesa como um todo, já que, ao longo das quase duas décadas que passou naquele órgão de comunicação, Gonçalves esforçou-se por dar a conhecer nomes da cena, através de entrevistas e peças especializadas, tendo-lhes assim oferecido um 'palco' mais alargado e, potencialmente, novos leitores e seguidores, o que justifica a afirmação feita no parágrafo inicial deste texto. Este 'serviço de utilidade pública' estendia-se, aliás, também ao Diário Popular e à revista 'História', onde o jornalista e artista chegou a publicar uma série de artigos alusivos à História da banda desenhada em Portugal, e outra referente ao papel das mulheres na mesma.


Nem só de divulgação se ocupava Carlos Gonçalves, no entanto, já que o mesmo chegaria, ele próprio, a editar uma 'fanzine' nos anos de viragem do Milénio, ainda que esta não tenha passado dos oito números. Além disso, o seu nome surge frequentemente ligado a festivais e concursos de BD nacionais, normalmente na qualidade de organizador ou júri, posição em que pode fazer uso dos seus vastos conhecimentos e experiência no campo para aconselhar e criticar construtivamente jovens artistas – no fundo, uma extensão natural do trabalho que vem desenvolvendo desde os inícios de carreira, e que lhe vale o título de 'cronista' da banda desenhada nacional.

Tuesday, 9 December 2025

Terças Tecnológicas: Vinte e Cinco Anos de 'Assassínios a Soldo'

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


O final dos anos 90 foi palco de uma alteração fundamental no panorama dos jogos de vídeo, com os gráficos em 3D a tornarem-se a norma vigente (apesar de já existirem, de uma forma ou outra, há mais de uma década) e a permitirem às companhias programadoras fazer uso de uma série de novas possibilidades, e oferecer, por esse meio, uma experiência interactiva mais realista do que nunca. E um dos géneros que mais proveito tirou deste novo paradigma foi o da acção em terceira pessoa, onde a perspectiva tridimensional por detrás do protagonista se tornou a 'vista-padrão', dando origem a todo um novo sub-género repleto de franquias ainda hoje clássicas.


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Uma dessas séries, cujo jogo inicial celebrou há menos de uma semana e meia o seu vigésimo-quinto aniversário, foi 'Hitman', cujos jogos misturam acção e tiros com uma vertente mais estratégica e de infiltração, uma mistura que a referida saga é parcialmente responsável por popularizar em inícios da década de 2000. Vestindo a pele do misterioso Agente 47 (um clone geneticamente modificado e treinado para o combate cuja cabeça rapada, fato escuro e gravata vermelha são o centro da iconografia da série) o jogador é convidado a completar uma série de missões de assassinato de figuras-chave do submundo do crime, declaradamente inspiradas na filmografia de John Woo. Para completar tal desiderato, será necessário saber balancear na perfeição os elementos de infiltração com os momentos de maior proactividade, tendo a primeira vertente claro ascendente sobre a segunda – 'Hitman: Codename 47' é muito mais um jogo de 'stealth' do que de acção em terceira pessoa.


Curiosamente, esta abordagem acaba mesmo por ser uma 'faca de dois gumes' para o jogo – se, por um lado, a jogabilidade era relativamente original para a altura (numa espécie de fusão de 'Metal Gear Solid' com 'Tomb Raider') a dificuldade das missões era elevada, e o foco na evasão afastava o público mais imediatista e que só queria 'dar uns tiros'. Nada, no entanto, que impedisse 'Hitman: Codename 47' de se afirmar como um sucesso, vendendo mais de meio milhão de unidades na década seguinte, e dando azo a nada menos que oito sequelas, além de várias antologias e dos habituais jogos móveis e portáteis – um legado que, aliás, parece ainda estar para durar, datando o último jogo da série de há apenas dois anos. Tudo indica, portanto, que 'Hitman' continuará a afirmar-se como uma das grandes franquias de jogos de evasão e acção em terceira pessoa do século XXI, o que torna ainda mais temporã esta breve recordação do seu primeiro capítulo (um dos primeiros grandes lançamentos interactivos do Novo Milénio) por alturas do seu vigésimo-quinto aniversário.

Monday, 8 December 2025

Segundas de Séries: Trinta e Três Anos de Uma Semana de 'Contos'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Em finais dos anos 80 e inícios dos 90, a televisão infantil portuguesa vivia um estado de graça, com uma série de excelentes produções dirigidas ao público mais jovem, quer na vertente mais dramática, quer a nível de concursos e programas de auditório, quer mesmo num formato mais 'híbrido', como no caso da icónica e lendária 'Rua Sésamo' – muitos deles com a participação de nomes de vulto no campo do entretenimento infantil, escrita, música, e mesmo pedagogia, dos dois 'Carlos Albertos' (Moniz e Vidal) a Alice Vieira, Ana Maria Magalhães (ambas as quais contribuíam para os 'bastidores' da referida 'Rua Sésamo') ou, como no caso a que se refere o presente 'post', José Jorge Letria. Não é, pois, de admirar que 'Os Contos do Mocho Sábio' retenha o mesmo nível de qualidade que tanto miúdos como graúdos já haviam aprendido a esperar de produções nacionais de cariz infanto-juvenil.


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O personagem titular, vivido por Francisco Cela.


Exibida ao longo de apenas uma semana há exactos trinta e três anos (entre 07 e 11 de Dezembro de 1992) 'Contos' é algo mais rudimentar do que a maioria das suas congéneres, apostando numa apresentação mais simples e minimalista (que 'esconde' parcialmente o baixo orçamento) e numa premissa mais próxima de uma peça de teatro do que de uma série com cenários ou enredos. De facto, cada episódio (cuja duração não excedia o quarto de hora) não requeria mais do que dois actores, um deles fixo (o próprio Mocho Sábio, 'vestido' por Francisco Cela) e o outro rotativo, responsável por interpretar a figura histórica ou folclórica que o personagem titular literalmente invocava, através das palavras mágicas 'Gatafunho, gafanhoto, sou direito e sou canhoto, venha de lá um herói, daqueles que eu já conheço, para ver se não me esqueço' (também parte da letra da música de abertura.)Era, assim, dado o mote para a chegada, literalmente por magia, de uma figura histórica (com letra minúscula) como Branca de Neve ou Pinóquio, ou Histórica (com maiúscula) como Marco Polo ou Cristóvão Colombo, com quem o Mocho conversava e trocava impressões, ajudando assim as crianças a conhecerem a sua história sem ter que recorrer a um reconto directo. Uma táctica engenhosa, que ajudava os pequenos espectadores a 'aprender a brincar', como os mesmos tanto gostam.


A ajudar a este desiderato estava um verdadeiro contingente de figuras de proa da televisão infantil nacional da época, como Alexandra Lencastre (então ainda conhecida como a Guiomar de 'Rua Sésamo') ou o referido Carlos Alberto Vidal, entre muitos outros, capazes de atrair quem já os conhecia de outros programas da altura, e de garantir uma alta fasquia no tocante à representação. Junte-se um tema com 'sabor' a Zeca Afonso ou Sérgio Godinho (mas cantado pelo próprio Francisco Cela, numa imitação quase perfeita deste último) e do qual muitos nem saberão que se lembravam até o ouvirem, e estavam reunidos os ingredientes para uma 'experiência' de sucesso para as férias de Natal de 1992.


Infelizmente, toda esta boa-vontade e preparação esbarrava num obstáculo de alguma monta: o fato do próprio Mocho Sábio, capaz de causar algum receio à maioria do público-alvo, pese embora a atitude e tom afáveis, quase paternalistas, que Cela imprimia à personagem. Talvez por isso (ou talvez por apenas ter passado na televisão durante uma única semana de um único ano) 'A Casa do Mocho Sábio' não tenha o mesmo nível de nostalgia associada do que a referida 'Rua Sésamo' ou o posterior 'O Jardim da Celeste'.


De referir que, segundo o Arquivo RTP, foram produzidos mais dois 'Contos do Mocho Sábio' posteriores a 1992: um logo no ano seguinte, em Junho, em que o Mocho Sábio conhecia o Patinho Feio, e outro na Primavera de 1995, em que o personagem interagia com uma rainha. Desconhece-se, infelizmente, a razão destes regressos não mais que 'esporádicos' à fórmula, que nunca chegou a ter uma segunda temporada; uma pena, já que (fatos 'arrepiantes' e baixos orçamentos à parte) se tratava de uma proposta válida e bem executada de entretenimento infantil, digna de ser celebrada exactos trinta e três anos após a sua estreia.

Sunday, 7 December 2025

Domingo Desportivo: Manuela Machado, a Heroína Discreta

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Ainda que Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro sejam os grandes nomes do atletismo português de finais do século XX, outros atletas houve que, sem serem tão mediáticos, não deixaram de fazer parte das mesmas comitivas Olímpicas dos três nomes acima citados, e de trazer glória ao País, senão nesses palcos, em outros apenas ligeiramente menos grandiosos. Foi o caso de uma maratonista cujo nome era bastante conhecido dos aficionados de desporto da época, mas se encontra hoje algo esquecido por comparação aos dos seus colegas mais 'famosos': Manuela Machado.


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Tal poderá ter algo a ver com o facto de a atleta natural de Viana do Castelo não se expôr tanto à cobertura mediática, preferindo participar em provas especializadas, por oposição a maratonas citadinas (embora tenha chegado a participar na Maratona de Lisboa, que viria mesmo a vencer, em 1993.) Assim, apesar da pouca expressão a nível Olímpico, a atleta reúne na sua década de carreira medalhas de ouro em dois Campeonatos Europeus de Atletismo (o de Helsínquia de 1994 e o de Budapeste em 1998, onde o colega de Selecção António Pinto viria a conseguir a mesma distinção na 'sua' categoria) e nos Campeonatos Mundiais da Suécia, em 1995, bem como medalhas de Prata em outros dois Mundiais, os da Alemanha de 1993 (sendo esta a sua primeira medalha conquistada) e os da Grécia de 1997. Só ficou mesmo a faltar a medalha Olímpica, à qual nunca esteve sequer próxima de almejar nas três provas da categoria em que participou, onde nunca passou do sétimo lugar, tendo inclusivamente assistido 'de trás' à vitória da colega de Selecção Fernanda Ribeiro nos Jogos de 1996.


Nada, no entanto, que belisque a digna carreira de uma atleta que, ainda que de forma mais discreta do que outros seus contemporâneos, não deixou ainda assim de contribuir para a forte presença portuguesa no campo do atletismo e da corrida durante as últimas décadas do século XX, merecendo ser lembrada a par dos referidos contemporâneos mais 'famosos' por qualquer entusiasta da modalidade.

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: A Marks & Spencer Em Portugal - Uma História Com Fim Desapontante

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 06 e Sábado, 07 de Dezembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar de a chegada de grandes cadeias internacionais a Portugal ser normalmente associada com a inauguração das primeiras grandes superfícies no País, a verdade é que, por essa altura (finais dos anos 90) já algumas companhias multinacionais haviam saído ou se preparavam para sair do território nacional, após décadas de exploração comercial no mesmo. Já aqui mencionámos os exemplos de duas companhias especializadas em material pré-natal – a Mothercare e a Chicco – mas outro exemplo, não menos famoso ainda que menos especializado, desistia também do retalho em Portugal por volta da mesma altura: o lendário Marks & Spencer.


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De facto, apenas a parcela mais velha dos leitores deste 'blog' recordará a presença da companhia britânica em Portugal – e, mesmo assim, apenas a porção que morasse perto de uma das apenas cinco lojas que a mesma explorava no País. Quem visitou um destes estabelecimentos, no entanto, certamente recordará a diversidade e combinação pouco habitual de produtos que a cadeia propunha – numa altura em que ainda era muito raro encontrar peças de roupa e géneros alimentares dentro da mesma loja, a Marks & Spencer utilizava esta abordagem para se destacar da concorrência e incentivar a visitas repetidas.


Também motivo de destaque para quem, à época, era ainda menor de idade eram as colecções de roupa infantil, que estavam entre as primeiras a propôr peças com personagens licenciados, como os Looney Tunes, e cujo sentido estético e 'design' se afirmavam como extremamente apelativos para a demografia em causa, ainda que o preço proibitivo as tendesse a deixar no campo das 'obras de arte', admiradas e desejadas, mas não necessariamente adquiridas. O mesmo, aliás, se passava com os restantes produtos comercializados pela companhia, que se posicionava como uma loja algo mais 'fina' do que as mercearias ou supermercados convencionais, ou mesmo do que muitas lojas de roupa da época.


Infelizmente, e apesar da conjectura favorável, a Marks & Spencer não viria a terminar o Segundo Milénio em Portugal, tendo a sede britânica decidido retirar-se do mercado nacional poucos meses antes da chegada do ano 2000, após falhas no pagamento por parte da empresa que explorava as suas lojas em território nacional. Para quem chegou a visitar as mesmas, ficava a sensação de uma leve mas perceptível mudança no paradigma nacional, com a perda de uma cadeia que, apesar da presença discreta, chegou a ser icónica para uma parcela do público nacional da época.

Friday, 5 December 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Ímanes de Frigorífico - Uma Quinquilharia Plena de 'Magnetismo'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença assídua em frigoríficos, quadros brancos, candeeiros de secretária e outras superfícies aderentes ou metalizadas; por vezes, em simples formatos geométricos (normalmente círculos ou rectângulos) com o padrão impresso, outras cortados para se assemelharem a objectos ou mesmo formas humanas, e por vezes a segurar mensagens, notas ou panfletos, outras apenas como enfeite, já que 'ficavam bem' nos locais em causa. Falamos, claro, dos ímanes de frigorífico, os quais, apesar de ainda existentes, viveram sem dúvida o seu último período áureo na primeira década do século XXI.


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Variantes oferecidas nos cereais Kellogg's


De facto, a crescente digitalização de recursos veio tornar semi-obsoletos estes outrora super-populares objectos, hoje reduzidos a peças de colecção, recordações turísticas ou (muito ocasionalmente) suportes para o panfleto da pizzaria, até o mesmo ser utilizado ou deitado fora. É, pois, difícil a quem não viveu aqueles tempos mais simples perceber o quão entusiasmante era adicionar mais um ímane à colecção – fosse ele um brinde dos cereais, uma oferta no âmbito de uma qualquer campanha, ou apenas uma 'quinquilharia' comprada em férias ou na 'loja dos trezentos'. Quem era da idade certa durante o período em causa, no entanto, certamente se lembra de 'encher' o frigorífico de pequenas formas coloridas, algumas das quais serviam mesmo como brinquedos quando o tédio se ameaçava instalar, ou como objectos de coleccionismo; é a eles que dedicamos este 'post' tão simples quanto os próprios objectos a que se refere.

Wednesday, 3 December 2025

Quartas de Quase Tudo: Dois 'Gémeos' Nada Idênticos

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


O mês de Abril tem, tradicionalmente, fortes conotações políticas, dado ter marcado o início, há já mais de cinco décadas, da democracia moderna no País. Assim, não é de admirar que o quarto mês do primeiro ano do Terceiro Milénio tenha visto nascer o 'número que falta' de partidos políticos – isto é, dois. O que é, efectivamente, surpreendente é que esses dois partidos se tenham posicionado em extremos diametralmente opostos do espectro político nacional.


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De facto, enquanto que o Ruptura/FER (Frente Esquerda Revolucionária) se posicionava ainda mais à esquerda que o Partido Comunista – alicerçando-se em ideologias trotskistas – o Partido Nacional Renovador alinhava no 'pólo' oposto, tendo essencialmente sido o antecessor do Chega!, e primeiro partido 'oficial' de extrema-direita no País; quis o destino que ambos 'nascessem' a poucos dias de distância do adversário que passariam as duas décadas seguintes a opôr.


E se o PNR (mais tarde Ergue-te, sendo pioneiro da utilização de exclamações como nomes de partidos políticos) ganharia a notoriedade que um partido nos seus moldes inevitavelmente granjearia, o Ruptura/FER teve um percurso bem mais discreto, sendo o seu principal motivo de interesse o facto de alguns dos seus militantes terem contribuído para o crescimento do Bloco de Esquerda. No entanto, num verdadeiro exemplo de 'lebre e tartaruga', foi o partido de esquerda quem logrou sobreviver até aos dias de hoje, tendo-se independentizado do Bloco e assumido a designação Movimento Alternativa Socialista, ao passo que o PNR/Ergue-te sucumbia à sua própria incapacidade de apresentar relatórios e contas, vindo a extinguir-se em Junho de 2025 (quase exactamente um quarto de século após a sua fundação) na sequência de três falhas neste capítulo, deixando o Chega como partido monopolista no sector da extrema-direita. Histórias e destinos muito diferentes para dois 'gémeos' nada idênticos, representativos dos dois extremos mais 'radicais' da política portuguesa.

Tuesday, 2 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Uma Série 'Catita' e Injustamente Esquecida

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


No que toca a programas infantis de cariz ao mesmo tempo interactivo e remoto na televisão portuguesa de finais do século XX, vêm imediatamente à memória duas variantes: por um lado, os programas 'de auditório', como 'Batatoon' ou 'Buereré', em que as crianças ligavam para participar de passatempos e ganhar prémios, e, por outro, o lendário 'Hugo', em que era dada aos espectadores a possibilidade de assumir um papel menos passivo, e controlar activamente os acontecimentos mostrados no ecrã da televisão. E se este último é, ainda hoje, lembrado e 'reverenciado' por toda uma faixa demográfica que atingiu na 'altura certa', um outro programa semelhante, embora com a sua própria abordagem ao género, encontra-se, por sua vez, um pouco 'esquecido' pela 'sua' geração, um quarto de século após a sua estreia.


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Surgido pela primeira vez nos ecrãs nacionais em meados de Novembro de 2000, por intermédio da TVI, 'Rita Catita e o Ursinho Oops' aplicava o conceito de 'Hugo' a um contexto menos competitivo e mais narrativo, criando algo único e que não se tornaria a repetir na televisão portuguesa: essencialmente um desenho animado 'ao vivo', em que as falas eram gravadas (e, muitas vezes, improvisadas) no momento, para reflectir a conversa com a criança do outro lado da linha, ou os acontecimentos que a mesma despoletara. Assim, apesar de cada episódio ter, nominalmente, uma história, a mesma era vaga o suficiente para acomodar os 'imprevistos' da gravação ao vivo sem que, com isso, a coerência narrativa saísse prejudicada, permitindo às cianças liberdade para interagirem com os personagens titulares (e até com outras crianças que ligavam em simultâneo) conforme desejassem.


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A personagem principal e titular.


Apesar de o foco ser na história, no entanto, 'Rita Catita' adoptava também o elemento competitivo do seu antecessor em certas partes do programa, podendo as crianças testar a sua perícia e reflexos com um jogo de tiro ao alvo, por exemplo. Esta vertente ajudava, se possível, a dar ao programa ainda mais originalidade, fazendo dele uma experiência única na televisão portuguesa, senão mesmo mundial – o que torna ainda mais surpreendente o facto de a emissão ser tão pouco lembrada hoje em dia pela parcela mais nova da geração 'millennial', que teria sido o principal público-alvo da mesma naqueles primeiros meses do século XXI. Talvez a referida demografia não seja tão nostálgica quanto os seus antecessores, ou talvez o programa não tivesse sido marcante o suficiente, ou talvez se trate apenas de uma questão de tempo, e se venha a assistir, daqui a alguns anos, a uma vaga de nostalgia por 'Rita Catita'; seja como fôr, o referido programa não deixa, à data, de ser um dos mais injustamente Esquecidos Pela Net da História da televisão portuguesa, apresentando um conceito e execução verdadeiramente originais e distintos, que mereciam ter tido mais impacto na cultura popular infantil portuguesa da época em que foi transmitido.



O único 'clip' do programa ainda disponível na net.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...