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Sunday, 16 March 2025

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Luís Vidigal: De Elvas Para A Ribalta

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


O mundo do futebol profissional tende a dividir-se em dois tipos de jogador: os talentos natos, que se tornam estrelas e centram em si todas as atenções, e os mais utilitários, mas tão ou mais necessários para o bom funcionamento de uma equipa – os chamados jogadores de 'fato-macaco'. É de um dos mais famosos representantes nacionais deste segundo tipo – ainda hoje conhecido em 'praça pública' - que falaremos neste 'post', no fim-de-semana em que celebra cinquenta e três anos de idade.


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O jogador com algumas das camisolas que representou na carreira.


Filho 'do meio' de um quinteto de irmãos futebolistas (de um total de treze crianças!), José Luís da Cruz Vidigal viria mesmo a ter a carreira mais honrosa de entre os três, conseguindo elevar o seu futebol a um patamar que nem os dois irmãos mais velhos, Beto e Lito, nem os dois mais novos, Toni e Jorge, alguma vez viriam a almejar. Antes dos habituais 'saltos' que marcam o percurso de qualquer jogador promissor – primeiro para um 'grande' e, depois, para o estrangeiro – a trajectória do futuro internacional português, companheiro de Selecção dos membros da 'Geração de Ouro' no Euro 2000, desenrolava-se de forma exactamente análoga à dos irmãos, tendo tido início no modesto mas histórico O Elvas (do qual foi elemento-chave entre a estreia em 1992 e a saída em 1994, tendo realizado sessenta jogos) e continuado na periferia de Lisboa, novamente de amarelo e azul, embora desta feita num patamar mais alto, ao serviço do Estoril-Praia.


A estadia na Amoreira - sobre a qual se comemoram esta temporada exactas três décadas - duraria apenas uma época, mas daria ao jovem de vinte e um anos tempo mais que suficiente para explanar as suas qualidades, tendo deixado apontamentos suficientes ao longo dos vinte e sete jogos que realizou para justificar a chamada às Selecções Sub-21 e Sub-23 e suscitar o interesse de um dos 'grandes' da vizinha capital. No caso, seria o Sporting, recém-sagrado vencedor da Taça de Portugal, quem asseguraria a contratação do médio defensivo no Verão de 1995, no caso como elemento de 'apoio' a um plantel onde a sua posição estava assegurada por nada menos do que Emílio Peixe, Oceano e Carlos Xavier. E se esta concorrência 'de peso' poderia fazer crer que a estadia de Vidigal nos 'Leões' de Lisboa seria curta e inexpressiva, a verdade é que o jogador desafiou todas as expectativas, fazendo cinco épocas de leão ao peito e conseguindo mesmo afirmar-se como elemento importante dos plantéis por onde passou, numa fase que culminaria com a titularidade absoluta na época de 1999/2000, em que foi peça-chave na quebra do 'jejum' de dezoito anos do clube de Alvalade, com a conquista do Campeonato Nacional – proeza que, curiosamente, seria repetida pelo seu irmão mais novo dois anos depois!



Montagem dos melhores momentos de Vidigal no Sporting.


Como é evidente, o alto rendimento do jogador nessa época agudizou o interesse no seu perfil por parte de clubes estrangeiros, algo a que a participação na excelente campanha portuguesa no Euro 2000 veio ainda acrescer. Assim, foi sem surpresas que, nos primeiros meses do Novo Milénio, os adeptos leoninos viram o seu destruidor de jogo rumar a paragens mais apetecíveis, nomeadamente a Itália, país onde passaria os oito anos seguintes – representando sobretudo as cores do Nápoles e do Livorno, excepção feita a uma breve passagem pela Udinese - e onde acabaria mesmo por jogar durante mais um ano do que em Portugal, país ao qual só regressaria já em final de carreira, mas ainda a tempo de fazer dezassete jogos no escalão principal, com a camisola do Estrela da Amadora, fechando de forma honrosa uma bonita carreira.


Ao contrário de tantos outros jogadores já aqui abordados, no entanto – e do próprio irmão mais velho – Luís Vidigal escolheu não fazer a transição para cargos técnicos após o fim de carreira; ao invés, o antigo médio-defensivo viria a manter-se relevante na opinião pública enquanto analista desportivo, cargo que ainda hoje desempenha, podendo ser ouvido semanalmente nas transmissões televisivas de jogos do campeonato e não só, tendo o legado futebolístico do seu clã sido deixado a cargo do sobrinho, André, filho do malogrado Beto. Uma nova etapa na carreira de um nome menos fulgurante, mas não menos importante, do que outros da sua geração, e bem merecedor deste destaque no seu fim-de-semana de aniversário. Parabéns, e que conte muitos.

Monday, 23 December 2024

Domingo Desportivo: O Sporting e a 'Maldição' do Natal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 22 de Dezembro de 2024.

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Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

 


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É piada recorrente entre adeptos de futebol portugueses até aos dias de hoje: o misterioso fenómeno que fazia com que as excelentes equipas do Sporting dos anos 90 e 2000 iniciassem cada nova temporada do Campeonato Nacional 'a todo o gás', mas perder fôlego (e terreno) a partir de meados de Dezembro, sagrando-se 'campeão de Natal'. mas acabando por soçobrar na segunda metade da época, e permitir a 'ultrapassagem' do grande rival Benfica ou do Futevol Clube do Porto (bem como, numa ocasião histórica, do Boavista). Agora, numa altura em que a 'maldição' parece estar, mais uma vez, em curso, a conjuntura afigura-se ideal para dedicarmos algumas linhas a essa estranha tendência.

 

Ao contrário do que é costume neste tipo de casos, esses consecutivos 'falhanços' dos 'Leões' de Lisboa não podem ser atribuidos a nenhum factor concreto, sendo normalmente derivados de uma conjunção da hegemonia dos rivais (sobretudo o Porto, que atravessava, em finais do século XX e inícios do seguinte, uma fase demolidora), quebras anímicas, plantéis inconsistentes, maus treinadores, jogos difíceis, erros de arbitragem e algum azar. Sejam quais forem os motivos, no entanto, a verdade é que, num período de mais de duas décadas, o Sporting CP apenas logrou conquistar dois títulos nacionais, não tendo sido mais do que 'campeáo de Inverno' nas restantes décadas. E se, nos últimos cinco anos, este paradigma parecia finalmente estar a reverter-se, a presente temporada indica que a 'maldição' não está, de todo, debelada, e que os adeptos mais recentes do clube de Alvalade podem estar prestes a viver uma situação análoga à experienciada pelos seus antecessores de finais do século XX...

 

Sunday, 19 May 2024

Domingo Desportivo: A Tragédia do Jamor (Em Memória de Rui Mendes 1960-1996)

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


O objectivo desta rubrica – tal como das restantes que compõem o blog – passa, normalmente, pela 'repescagem' de elementos e experiências positivas que faziam parte do Portugal dos anos 90 e inícios de 2000; no entanto, ocasionalmente, é também necessário recordar efemérides menos agradáveis, mas que deixaram ainda assim marca indelével na década em causa, bem como nas subsequentes, como foram o caso Aquaparque ou a tragédia de cariz desportivo que recordamos este Domingo, escassas vinte e quatro horas volvidas sobre o seu vigésimo-oitavo aniversário. Falamos, claro está, da morte de um adepto do Sporting como consequência da explosão de um artefacto pirotécnico, em pleno Estádio do Jamor, durante o 'derby' a contar para a final da Taça de Portugal entre os 'leões' e os rivais da Segunda Circular, a 18 de Maio de 1996.


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O momento da tragédia, captado pelas câmaras televisivas presentes no estádio.


Estavam decorridos apenas dez minutos da partida quando, como forma de celebrar o golo inaugural marcado por Mauro Airez, um membro da claque organizada benfiquista 'No Name Boys' lança um 'very light', um tipo de foguete já então proibido por lei em áreas habitadas. Não contente com essa violação da lei, Hugo Inácio decidiu fazer 'pontaria', não para o ar, mas para a bancada Sul do estádio, onde se encontravam os adeptos do Sporting, num gesto deliberado que terminaria com a morte de Rui Mendes, de trinta e seis anos.Um crime de assassinato que deveria ter feito parar o jogo, mas ao qual não foi dada, no momento, a devida importância, tendo a partida continuado, com eventual resultado de 3-1 a favor do Benfica, e respectiva consagração como vencedor da competição – uma decisão que causou, e continua a causar, polémica, sobretudo entre adeptos dos 'leões' que sentem que a perda da vida de Mendes foi trivializada pelo prosseguimento da partida.


De facto, só mais tarde a FPF viria a mostrar solidariedade para com a família do adepto falecido, doando dez por cento da receita bruta de um jogo da Selecção Nacional para ajudar às despesas da mesma, já depois de o Sporting ter custeado na íntegra o funeral. Já Hugo Inácio viria a ser detido e a cumprir quatro anos de prisão, naquela que foi a primeira de muitas passagens do adepto pela prisão em anos subsequentes – pena que parecia pouca para o crime de homicídio qualificado, num desfecho que, novamente, revoltaria os sportinguistas. Quanto aos adeptos rivais, os mesmos incorporariam, a partir desse dia, um novo som à sua panóplia de cantos e palavras de ordem – um assobio a simular um foguete, ainda hoje ouvido em qualquer partida frente ao Sporting, numa 'picardia' de inequívoco mau gosto, que trivializa ainda mais uma tragédia perfeitamente evitável, e dá a entender que os No Name Boys tiveram orgulho no sucedido – uma ideia quase grotesca de tão revoltante.


Aquele que muitos consideram, justificadamente, o dia mais negro do desporto português acabou, ainda assim, por ter alguns (pequenos) efeitos positivos, nomeadamente a imposição de controlos muito mais restritos sobre a pirotecnia no contexto de jogos dos campeonatos portugueses, por forma a assegurar que tal situação nunca mais se repetisse; há, ainda, que ressalvar o facto de o ataque em causa ter vitimado apenas um adepto, e adulto. numa bancada onde se encontravam inúmeras crianças, podendo a acção deliberada do elemento da claque benfiquista ter tido um desfecho ainda muito pior. No entanto, a verdade é que nenhum destes factos ajudará a trazer de volta à vida Rui Mendes, mártir de uma paixão que, por vezes, assume contornos bem negros. Que continue a descansar em paz, e que nunca seja esquecido.


Sunday, 21 April 2024

Domingos Desportivos: Saber - Discrição Competente

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Em qualquer colectivo desportivo, seja uma equipa de futebol ou de qualquer outra modalidade, existem, inevitavelmente, dois tipos de jogadores: os que se destacam pela técnica e talento inato, e fazem a diferença a ponto de rapidamente serem cobiçados por outros clubes, e os chamados elementos 'de equipa', 'de plantel' ou 'de balneário', que, sem chegarem aos níveis de qualidade das mega-estrelas, mantêm um padrão consistente, e acabam por cumprir sempre que solicitados. A equipa do Sporting que quebrou o jejum de dezoito anos, nos últimos meses do Segundo Milénio e primeiros do seguinte, não era excepção a esta regra, e para cada André Cruz, Acosta ou Jardel havia um jogador mais discreto, mas não menos importante na forma de jogar da equipa. Um desses jogadores - que até viria mesmo a perder o lugar, durante essa época, para um concorrente 'fora de série' chegado em Janeiro – era um defesa-esquerdo internacional marroquino, então com vinte e cinco anos, e que chega este Domingo, dia 21 de Abril, ao exacto dobro dessa idade.


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Em acção pelo Sporting


Falamos de Abdelilah Saber, contratado dois anos antes ao seu primeiro clube, o local Wydad Athletic Club, de Casablanca, onde se estreara na equipa principal com apenas dezanove anos, e pelo qual realizara mais de uma centena de jogos, deixando indicações suficientes para lhe permitirem esse primeiro 'salto' para a Europa, no defeso de Inverno da época 1996/97, para integrar o Sporting de Octávio Machado. E se aqueles primeiros meses até correram de forma positiva, rapidamente o que parecia ser um sonho, se revelaria um pesadelo, já que o Sporting entraria em fluxo, ocasionando a famosa época dos quatro treinadores, durante a qual Saber trabalharia, no espaço de poucos meses, com Octávio, o seu adjunto Vital, o italiano Vicente Cantatore e, finalmente, José Couceiro, o nome que voltaria a trazer estabilidade ao Sporting.


Para o jovem marroquino, no entanto, este autêntico 'vendaval' pouco ajudava à sua adaptação a uma nova realidade e às distintas filosofias dos diferentes treinadores, causando alguns problemas de afirmação durante as temporada 97/98. Uma vez ultrapassado esse obstáculo, no entanto, Saber seria finalmente capaz de 'agarrar' a titularidade do lado direito da defesa, partindo para uma segunda temporada completa a bom nível, que o veria cimentar o seu lugar não só no plantel do Sporting mas também no da Selecção Nacional marroquina, que representava no Mundial de França '98, e pela qual conseguiria nesta fase o seu primeiro e único golo, num amigável frente ao Senegal que terminaria, precisamente, com um resultado de 1-0.


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Ao serviço da Selecção Nacional marroquina.


Esse momento de forma manter-se-ia, aliás, durante o que restava do século XX, sendo apenas já nos primeiros dias do Novo Milénio que o lateral perderia o estatuto de titular que a tanto custo conquistara, passando a actuar como suplente de um dos reforços de Janeiro – um brasileiro de nome César Prates, que os sportinguistas ainda hoje recordam com carinho pelas suas prestações ao serviço do clube e, sobretudo, pela forma letal como batia livres, muitos deles traduzidos em golos. Subitamente sem espaço no clube que representava há já três épocas, Saber viu por bem aceitar a proposta que lhe chegava de Itália, para um empréstimo ao Nápoles. Após uns primeiros meses bem sucedidos, no entanto, a proposta tornou-se permanente, encerrando o ciclo do marroquino no Sporting, que duraria quase exactamente quatro anos e se saldaria em cerca de seis dezenas de jogos.


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Com a camisola do Turim.


O resto da (surpreendentemente curta) carreira de Saber seria passado na Série B italiana, primeiro com duas temporadas em bom plano ao serviço do Nápoles, por quem contabilizaria quase cinquenta jogos, e depois com uma última como segunda linha do Turim; nesse mesmo Verão, com apenas trinta anos, o antigo internacional marroquino daria por encerrada a carreira como futebolista profissional, efectuando a inevitável transição para cargos técnicos, a qual o levaria de volta ao seu Marrocos local para treinar o Union Ait Melloui, clube formado poucos anos antes, em 1999.


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No Turim, onde faria a última época como profissional.


Seguir-se-iam períodos como treinador adjunto e interino do clube que o vira despontar para o futebol, o Wydad Casablanca, e onde ainda hoje actua como adjunto técnico – cargo, aliás, que combina com a personalidade consistente, competente e discreta que revelou durante o tempo nos relvados, e que o tornou elemento acarinhado, ainda que não idolatrado, dos plantéis do Sporting de finais do Segundo Milénio. Parabéns, e que conte muitos mais.

Sunday, 4 June 2023

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Ricardo 'Coração de Leão'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Apesar de a maioria dos 'símbolos' de um clube (em qualquer modalidade) serem, tradicionalmente, oriundos das camadas de formação do mesmo, tal nem sempre é o caso; por vezes, surgem jogadores contratados de fora, já em idade sénior, mas que, ao deixarem o respectivo clube, o levam na boca e no coração, permanecendo para sempre adeptos do mesmo, e por vezes até surgindo ligados à estrutura. Os anos 90 não foram excepção neste aspecto, antes pelo contrário; só nos três 'grandes', existiam vários exemplos deste fenómeno, entre eles nomes tão icónicos como Aloísio, Nuno Gomes, João Vieira Pinto, Ivaylo Yordanov, Alberto Acosta, Krasimir Balakov e o jogador de que falamos hoje, um membro da Geração de Ouro que, apesar de até hoje merecer o apelido 'Coração de Leão', não iniciou a sua carreira nas 'escolinhas' de Alvalade, tendo chegado ao Sporting Clube de Portugal já 'homem feito', mas ainda mais do que a tempo de se tornar um ídolo e referência dentro do clube.


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O jogador com a camisola com que se notabilizou.


Falamos de Ricardo Manuel Andrade e Silva Sá Pinto – normalmente conhecido apenas pelos seus dois últimos apelidos – aquele segundo avançado de fartas sobrancelhas e penteado à 'jogador da bola', tão conhecido pela sua raça dentro de campo como pelo seu feitio complicado, eternizado no infame murro ao então Seleccionador Nacional, Artur Jorge, a 26 de Março de 1997, que lhe valeu uma suspensão de um ano de jogos internacionais.


Muito antes disso, no entanto – muito antes, aliás, de qualquer tipo de actividade internacional – Ricardo 'Coração de Leão' era uma jovem estrela em ascensão, não no centro de Lisboa, mas sim da 'outra' capital portuguesa, onde despontara para o futebol enquanto membro da formação do Futebol Clube do Porto, onde ingressara com tenros dez anos, e se notabilizara ao serviço do histórico Salgueiros, emblema onde completaria a formação e faria as suas três primeiras épocas como sénior. Corriam os primeiros anos da década de 90 (concretamente, a época 1991/92) quando um talentoso adolescente surge pela primeira vez ao serviço dos alvirubros nortenhos, dando imediatamente nas vistas pela raça e talento muito acima da média para um jogador da então II Divisão de Honra. Na época seguinte, surge a oportunidade de explanar o seu futebol no escalão principal, onde se estreia a 30 de Agosto de 1992, como suplente num jogo contra o Farense, e menos de dois anos depois, já com créditos firmados no seio da sua equipa, Sá Pinto era já peça fulcral na Selecção Nacional Sub-21 que chegaria à final do Campeonato Europeu da categoria no Verão de 1994.


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O avançado ao serviço do Salgueiros.


Tão meteórica ascensão não podia, é claro, passar despercebida a um 'grande', e é sem surpresas que os adeptos do Salgueiros se despedem de Sá Pinto imediatamente após o supracitado torneio, altura em que o jovem, ainda com apenas 22 anos, ruma à capital para assinar pelo Sporting, onde virá a passar as próximas três épocas, afirmando-se como peça progressivamente mais e mais importante dentro do colectivo; logo naquela primeira época, por exemplo, ajuda o clube a conquistar a Taça de Portugal, e posteriormente a Supertaça, no início da temporada seguinte. No total, são mais de setenta e cinco os jogos realizados pelo avançado nessa sua primeira passagem pelos 'verdes e brancos', e vinte os golos marcados – números apenas ligeiramente aquém dos conseguidos no Salgueiros no período análogo, e que lhe valem, com naturalidade, a presença regular também no 'onze' da Selecção Nacional, pelo menos até ao supracitado 'desaire' com Artur Jorge.


Tal como acontecera no seu clube original, aliás, o papel determinante do avançado no seio da sua equipa voltaria a atrair atenções alheias no defeso de Verão de 1997 – desta feita, do estrangeiro, concretamente da vizinha Espanha, próximo destino do avançado, que assina pela Real Sociedad.


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Sá Pinto na Real Sociedad.


Depois de mais três épocas de alto nível no país vizinho (apesar dos apenas seis golos, um dos quais na estreia, o avançado consegue amealhar um total de setenta partidas, afirmando-se como peça importante também no colectivo espanhol) o dealbar do Novo Milénio veria Ricardo 'Coração de Leão' regressar à 'casa adoptiva', a tempo de voltar a ser herói; desta feita, seriam seis as épocas e quase cem os jogos realizados pelo raçudo internacional português, que contribuía com catorze golos para as conquistas dos 'Leões' neste período, entre as quais se contam mais duas Supertaças e, claro, o troféu de Campeão Nacional na época 2001/2002.


Feitos suficientes para, apesar de não ter acabado a carreira no Sporting (fez ainda uma época na Bélgica, ao serviço do Standard Liége), Sá Pinto merecer a consideração e o carinho dos adeptos leoninos, para os quais se tornou ídolo, e que – aquando da inevitável transição para o cargo de treinador, no início da década de 2010 – o receberam de braços abertos, ainda que a sua inexperiência na função o tenha impedido de alterar os destinos do clube do coração, então numa fase difícil em termos de resultados. Nada, no entanto, que tenha travado ou prejudicado a carreira de Ricardo enquanto treinador, que subsiste até hoje, contando já com passagens por clubes como o Red Star Belgrado, Belenenses, Sporting Clube de Braga, Gaziantep, Vasco da Gama, Moreirense e duas passagens pelo Atromitos, da Grécia, entre outros clubes de menor expressão.


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Sá Pinto o treinador.


Para quem seguia o Campeonato Nacional durante a última década do século XX, no entanto, não é aquele 'senhor' de 'fatinho' que o nome Sá Pinto invoca, mas sim o intratável segundo avançado que foi ídolo por onde passou, deu uma 'murraça' no Seleccionador Nacional por o ter deixado de fora de um jogo, e 'comia a relva' sempre que entrava em campo – fosse ao serviço do Salgueiros, aos dezanove anos, ainda como Cara (Des)conhecida do futebol português, ou do Standard Liége, aos trinta e quatro, enquanto internacional de créditos firmados. Uma figura inimitável, portanto, e que, pesem embora algumas controvérsias, se afirmou como exemplo de muitas das características que se pedem a um jogador de futebol de topo.

Sunday, 12 June 2022

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Pedro Barbosa

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


De entre os muitos nomes sonantes a alinhar pela equipa do Sporting Clube de Portugal durante as décadas de 90 e 2000, um em particular consegue a proeza de reunir o respeito e consenso dos adeptos e de, ao mesmo tempo, ser muito menos discutido ou mesmo mencionado do que a maioria dos seus colegas ao longo dos dez (!) anos que passou de leão ao peito, mesmo tendo-se sagrado campeão por duas vezes ao longo desse período, e envergado a braçadeira de capitão durante muitas dessas temporadas.


Falamos, é claro, de Pedro Alexandre dos Santos Barbosa – vulgarmente conhecido apenas pelo primeiro e último nome – o 'falso lento' de farripas sobre a testa que dinamizou a ala esquerda do ataque dos 'leões' durante uma das suas melhores fases, sem nunca parecer sair da 'primeira velocidade'. Um ícone do Sporting Clube de Portugal (onde, aliás, terminou carreira, vindo, em épocas subsequentes, a tornar-se director desportivo) o médio-esquerdo contabilizou, ao longo do seu tempo no clube lisboeta, mais de trezentos jogos, tendo contribuído com 41 golos e sido pedra basilar dos dois títulos conquistados pelo clube nos primeiros anos do novo milénio – uma marca que, aliada à genuína dedicação que sempre mostrou ao clube, lhe valeram o referido estatuto entre os adeptos.


O que muitos desses mesmos adeptos não saberão – ou não se lembrarão – é que, antes de chegar ao Sporting, Pedro Barbosa havia já sido peça basilar de outros dois clubes, um dos quais um 'histórico' da Primeira Divisão portuguesa. De facto, após completar a formação na Academia do Futebol Clube do Porto, o natural de Gondomar iniciaria a sua carreira sénior ao serviço do Freamunde, então na chamada II Divisão de Honra, clube pelo qual alinharia por duas épocas (de 1989 a 1991), totalizando 55 partidas e 13 golos.


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Pedro, como era então conhecido (terceiro a contar da esquerda na fila de cima) ao serviço do Freamunde


Números bem interessantes para um jovem nos seus primeiros anos de sénior, e que lhe valeriam, no inicio da época 1991/92, o 'salto' para a Primeira Divisão do futebol nacional, para representar o Vitória de Guimarães, pelo qual faria, com apenas vinte e um anos, o primeiro dos mais de cem jogos que contabilizaria pelo clube da cidade-berço ao longo de quatro épocas, marcando ainda vinte golos.


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O médio ao serviço do Guimarães


As suas boas prestações, e a importância que assumia no jogo da equipa alvinegra, despertaram o interesse do 'grande' de Lisboa, que o contrataria no início da época de 1995/96...e o resto é história, já relatada no início deste 'post'; dez anos como titular quase indiscutivel do clube de Alvalade, ao longo dos quais conseguiria ainda contabilizar vinte e duas internacionalizações, embora apenas como 'coadjuvante' das verdadeiras 'estrelas' da Geração de Ouro em competições como o Euro 96 e o malfadado Mundial da Coreia/Japão, em 2002.


Em suma, apesar de o seu nome ficar indelevelmente ligado ao Sporting Clube de Portugal, até mesmo Pedro Barbosa chegou, em tempos, a ser uma 'Cara (Des)conhecida', apenas mais um jovem promissor que facilmente se poderia ter perdido nos meandros dos campeonatos profissionais da altura; o facto de ter conseguido (e merecido) atingir o auge de carreira de que desfrutou não deixa de ser um testamento, não só ao seu talento, mas à atitude consumadamente profissional que demonstrava, e que fez (e faz) dele um dos grandes nomes do futebol português moderno.

Thursday, 24 June 2021

Quartas de Quase Tudo: Especial Europeu - Os Matraquilhos

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 23 de Junho de 2021.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...


…como é o caso dos matraquilhos.


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Complemento perene de cafés, pastelarias e ‘tascas’ por esse Portugal afora, os matraquilhos não são um passatempo exclusivamente nacional (foram, aliás, inventados em Espanha, mais concretamente na Galiza) mas para quem seja mais desapercebido, quase pode parecer ser esse o caso. Afinal, ainda hoje, mais de três quartos de século após terem sido patenteados, os matraquilhos ou ‘matrecos’ marcam presença em estabelecimentos de refeições leves, acampamentos, colónias de férias, salões de jogos, e onde mais couber uma mesa.


E se muitos países estrangeiros se contentam com ter aquelas mesas básicas, com bonecos azuis sem feições a defrontar bonecos laranjas sem feições, nós portugueses não fazemos por menos – os nossos jogadores de mesa de ‘matrecos’ surgem, inevitavelmente, vestidos a rigor com os equipamentos do Sporting, Benfica ou Porto.


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Podia-se fazer uma 'jogatana' numa mesa destas? Podia, mas não era a mesma coisa...


De igual modo, enquanto no estrangeiro se vão popularizando as horríveis mesas modernas de plástico, em Portugal continuamos apegados às nossas históricas e maravilhosas criações em madeira, tão sólidas e resistentes como intemporais, sempre com aquele ar de quem já foi usado por gerações de jogadores, e estará lá para ser utilizada por várias gerações mais…


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Mesa de 'matrecos' que se preze simula um 'derby'. E quanto mais gastos os jogadores, melhor...


Enfim, apesar de serem de origem galega, os ‘matrecos’ foram-se, ao longo das suas décadas de existência no nosso país, transformando numa experiência bem ‘portuguesa’ – não só no aspecto e envolvência, como na própria forma de jogar (certos países, por exemplo, não respeitam a Regra Sagrada; no Reino Unido, as roletas não só valem, como são mais abusadas do que um Hadouken num jogo de Street Fighter.)


No entanto, a verdade é que este jogo tão simples quanto viciante – seja a dois ou, preferencialmente, a quatro jogadores – é popular o suficiente a nível internacional para justificar a existência, por exemplo, de (múltiplos!) videojogos de ‘simulação’; isto já sem contar, é claro, com as mesas em formato miniatura que todos nós queríamos ter no quarto nos idos de 90 (por aqui, havia uma, muito apreciada.) Enfim, um jogo intemporal, que atravessa gerações, e que, em tempos de euforia futebolística como os que se vivem nestas duas ou três semanas do Verão de 2021, merece bem a homenagem retrospectiva!

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...