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Sunday, 21 June 2026

Saídas de Sábado/Domingo Desportivo: A 'Resposta' Nortenha Ao Estoril Open

NOTA: Por motivos de relevância temporal, trocaremos ambas as categorias deste fim de semana com as do próximo.

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 20 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

No último post duplo de fim-de-semana, celebrámos os trinta e cinco anos do Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, de que Portugal foi anfitrião, e que celebrava o seu aniversário no próprio dia da publicação. Para darmos atenção e ênfase a essa competição, no entanto, fomos forçados a pôr de parte uma outra, realizada no mesmo período alguns anos mais tarde, e que celebra igualmente um aniversário marcante neste ano de 2026; chega, pois, agora a hora de corrigirmos essa situação e falarmos das duas únicas edições do torneio de ténis conhecido como Porto Open ou Maia Open.


O Complexo Desportivo da Maia, onde o torneio se desenrolou.

'Resposta' nortenha ao Estoril Open, o Porto Open realizou-se em meados do mês de Junho dos anos de 1995 e 1996, tendo tido lugar, respectivamente, entre os dias 12 e 18 e entre os dias 10 e 16. Jogado, como o seu congénere sulista, em 'courts' exteriores com piso de terra batida (no caso, os do Complexo de Ténis da Maia) o torneio em causa dava aos fãs de ténis do Norte do País a ocasião de efectuarem uma Saída de Sábado para ver de perto alguns dos seus ídolos, bem como outros tenistas de um pouco por todo o Mundo. E se a edição de 1995 via os participantes espanhóis efectuar uma 'razia', disputando os títulos individual e de pares entre si e não dando hipótese a qualquer outra nação, o segundo e último (sobre o qual se acabam de completar trinta anos) foi bastante mais equilibrado neste aspecto, com tenistas argentinos e australianos nas duas finais, e uma dupla portuguesa (Emanuel Couto e Bernardo Mota) como campeã da sua categoria, naquele que era o primeiro título da carreira de ambos os tenistas.

Infelizmente, não existem na Internet actual informações sobre o porquê de este torneio ter sido retirado do 'tour' ATP após apenas dois anos, pelo que apenas podemos especular quanto ao seu precoce desaparecimento; pelo menos durante aqueles dois anos em meados da década de 90, no entanto, os entusiastas de ténis portugueses tiveram, não apenas uma, mas duas oportunidades de ver ao vivo o seu desporto favorito, e alguns dos seus melhores executantes.

Saturday, 2 May 2026

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: As Origens do Estoril Open

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Domingo, 3 de Maio de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

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O tradicional local de realização do certame, junto ao Estádio Nacional, na Linha de Cascais.

Para os fãs lusitanos de outros desportos que não apenas o futebol, o Estoril Open perde apenas para o Grande Prémio de Portugal na categoria de evento mais importanto do ano em Portugal. Isto porque o referido torneio faz parte do circuito ATP, sendo o representante oficial do País no mesmo, o que o coloca ao mesmo nível de Wimbledon ou Roland Garros, ainda que apenas em teoria, já que estes continuam a ser mais conhecidos. Ainda assim, o evento realizado no Jamor continua a atrair as atenções da maioria dos fãs nacionais de ténis, tal como o vem fazendo anualmente ao longo de já mais de trinta e cinco anos, com interrupções apenas em 2020 (devido à pandemia de COVID) e no ano passado (2025), pausa aproveitada para mudar o mês de realização para Julho, por oposição à tradicional data de Abril.

Foi, de facto, em 1990 que João Lagos organizou a primeira edição do torneio do qual continuaria a ser director de operações durante o quarto de século seguinte, e que desde logo encontrava 'casa' própria no complexo desportivo adjacente ao Estádio Nacional do Jamor, nos arredores de Lisboa – localização que, coincidentalmente, apenas viria a abandonar quando o referido João Lagos deixou a organização, em 2014. Durante os anos 90, portanto, os fãs de ténis, tanto 'ferrenhos' como mais casuais – habituaram-se a associar o evento com o local em causa, que – à semelhança das congéneres inglesa e francesa – adoptou a denominação, não do complexo desportivo, mas da área em que o mesmo se situava, a qual ainda hoje retém, apesar da mudança de local (realizando-se hoje em 'courts' da zona de Cascais).

Escusado será dizer que, dado o estatuto e longevidade da prova, o ATP Estoril viu passar pelos seus 'courts', ao longo dos anos, a elite do ténis mundial – o que torna ainda mais valorosas as duas únicas vitórias de tenistas lusitanos verificadas no tempo de vida do certame, ambas já no Novo Milénio, com João Sousa a sagrar-se campeão da categoria individual em 2018 e Nuno Borges e Francisco Cabral a vencerem como dupla em 2022. Durante os anos 90, no entanto, o domínio era espanhol, com o país vizinho a arrecadar maior percentagem de vitórias em ambas as categorias, com 'concorrência' apenas da Áustria (em individuais) e dos EUA (nas provas de duplas da segunda metade da década).

Apesar desta hegemonia, no entanto, o certame nunca deixava de ser emocionante e de valer bem o investimento de tempo (e, por vezes, dinheiro) por parte dos entusiastas de ténis residentes em Portugal, que assim podiam ver de perto os seus 'ídolos' dentro da modalidade – paradigma que, aliás, se continua a verificar três décadas e meia depois, fazendo do ATP Estoril um evento impossível de ser ignorado por um 'blog' dedicado à década em que este evento se principiou a notabilizar dentro do mundo do ténis profissional.

Friday, 28 April 2023

Sextas com Style: Os Ténis da Redley

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


O calçado é, regra geral, uma das melhores formas de 'datar' uma determinada moda ou estilo, sendo ainda hoje um dos principais factores a ter em contar ao tentar emular um 'look' nostálgico; a simples visão de umas socas com sola de plataforma num 'look' feminino, por exemplo, já coloca o 'outfit' algures entre finais dos anos 90 e inícios do Novo Milénio, enquanto que uns Vans aos quadrados já remetem aos últimos anos da década de 2000. Portugal não foi excepção a esta regra, tendo a moda juvenil dos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte ficado marcados por toda uma panóplia de artigos de calçado, dos mais visualmente distintos (como os ténis All-Star com a bandeira americana ou inglesa) aos mais discretos, mas nem por isso menos cobiçados, como era o caso dos ténis da Redley.


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Oriunda do Brasil, a marca surgia em Portugal ligada ao sempre popular movimento 'surf' e 'bodyboard', associação essa que ajudava a elevar consideravelmente a reputação daquilo que eram, de outro modo, umas 'sapatilhas' de lona rasas, com sola branca e normalmente de cor única, e sem nada que as distinguisse de outros sapatos semelhantes; um daqueles casos, portanto, em que a marca, e respectivo posicionamento de mercado, 'falavam mais alto' do que a estética ou os factores distintivos do artigo em si – uma situação que continua, até hoje, a ser quase paradigmática entre as demografias mais jovens.


Fosse qual fosse o seu atractivo, a verdade é que os ténis e sapatilhas da Redley, fossem com os tradicionais atacadores ou simplesmente de enfiar no pé, rapidamente se tornaram quase 'obrigatórios' entre certos sectores da juventude portuguesa de fim de século, que as ostentava orgulhosamente para inveja dos familiares, colegas e amigos. Escusado será, também, dizer que este era um daqueles casos em que sapatos em tudo semelhantes, mas de marca genérica, e ainda imitações da marca, proliferavam no mercado, sem no entanto suscitarem grande interesse – já que, neste particular, a etiqueta era mesmo o único ponto de 'interesse',


Tal como tantas outras peças e marcas de que aqui falamos, também a Redley pareceu, de um dia para o outro, desaparecer do 'radar' dos jovens portugueses, levada na constante enxurrada das tendências de moda. Para quem, um dia, cobiçou um simples sapato de pano só porque o mesmo tinha a característica etiqueta vermelha, no entanto, este post terá decerto reavivado memórias nostálgicas de tempos que já lá vão – e, como tal, cumprido a sua missão de não deixar cair no esquecimento alguns dos mais marcantes factores da vida infanto-juvenil de finais do século XX.

Saturday, 4 September 2021

Sextas com Style: Os Ténis Airwalk

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.


Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.


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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.


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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca


Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…


 

Friday, 11 June 2021

Sextas com Style: Os Ténis 'Pisa-E-Brilha'

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


E chegou, hoje, finalmente a hora de falar de uma ‘moda’ que ninguém em Portugal – excepto, aparentemente, o Google – parece ter esquecido.


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Sim, hoje vamos falar de um artigo que, sem nunca ter tido nenhuma daquelas denominações sonantes dadas por equipas de marketing, tem no entanto um nome coloquial globalmente aceite entre quem o usou: os ténis ‘pisa-e-brilha’.


O próprio nome já revela o principal ponto de interesse deste tipo de calçado: sempre que se dava um passo acima de determinado nível de força, o ténis emitia um efeito LED, a partir de uma peça de plástico colocadas perto do calcanhar. Um ‘truque’ simples, talvez, mas que, à época, nunca perdia o ‘cool effect’, não importa quantas vezes se visse ou activasse.


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A mecânica em acção


Como costuma acontecer com produtos ‘com truque’, os ténis ‘pisa-e-brilha’ não eram de nenhuma qualidade por aí além, nem particularmente bem acabados; até mesmo esteticamente, não passavam de ténis perfeitamente vulgares, normalmente brancos, e sem nada que os distinguisse de milhares de outros modelos ‘sem marca’ – a não ser, claro está, aquela luzinha mágica na zona dos calcanhares, que faziam toda a diferença, para além de subirem o preço de cada par…


Enfim, valessem ou não a pena do ponto de vista qualitativo-económico, a verdade é que não havia criança ali por meados dos anos 90 que não tivesse ou quisesse uns ténis ‘pisa-e-brilha’. Ainda mais do que os ténis com bonecos licenciados, este tipo de calçado era uma espécie de Santo Graal para quem não o tinha, e motivo de orgulho e gabarolice para quem tinha. E tudo isto, recorde-se, por causa de uma luzinha LED, daquelas que se encontram em qualquer boneco barato da ‘loja dos 300’, mas que fora do seu context normal e expectável, se tornavam instantaneamente mais ‘fixes’.


Tal como todas as restantes ‘modas’, no entanto, os ténis ‘pisa-e-brilha’ foram-se tornando progressivamente menos comuns à medida que a geração de 80 e inícios de 90 crescia, tendo mesmo acabado por ser substituídos pela nova ‘febre’ - os ténis com rodas, coqueluche das crianças do novo milénio. Recentemente, no entanto, este tipo de sapatos parece estar a viver uma espécie de renascer – só que, como é costume nos dias de hoje, de uma forma muito mais espalhafatosa e exagerada. Onde antes havia duas luzinhas na parte de trás da lateral do sapato, há hoje verdadeiros jogos de luzes, dignos de um carro ‘tunado’, e que fazem quem os veste parecer que vai participar de um vídeo de TikTok sobre Dance Dance Revolution – o que, aliás, talvez seja mesmo o objectivo.


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O 'pisa-e-brilha' adaptado à geração 'millennial'


(Note-se, ainda, que quando dizemos ‘parece’, estamos, como é óbvio, a falar das imagens disponíveis no Google – o mais provável é que, com os ténis na mão, o efeito continue pouco mais ou menos igual ao que era há um quarto de século atrás. No entanto, se as crianças de hoje em dia forem como as daquele tempo, isso não será certamente obstáculo a que a ‘febre’ dos ‘pisa-e-brilha’ se torne a instalar em Portugal…)

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...