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Saturday, 16 May 2026

Saídas ao Sábado (ou Quinta): O Dia da Espiga - Uma Tradição Outrora Entusiasmante

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de já não significar tanto hoje em dia – sendo as celebrações sobretudo nominais, e relativamente restritas às gerações mais velhas – o Dia da Espiga era, em finais do século XX, ainda motivo de relativo entusiasmo para as gerações mais jovens. Isto porque aquela Quinta-feira, exactos quarenta dias depois da Páscoa, também conhecida como Quinta-feira de Ascensão acarretava consigo a tradição de (para alguns) fazer o ramo de 'espigas' ou (para outros, mais 'citadinos') o comprar a uma das muitas vendedoras ambulantes que se deslocavam da província aos centros urbanos com o seu cesto cheio de espigas, normalmente de trigo, mas que também podiam ser de flores (sobretudo malmequeres, margaridas ou papoilas), de alecrim, ou até de ramos de oliveira ou videira – tendo cada tipo o seu significado benfazejo distinto, embora este passasse um pouco 'ao lado' dos jovens mais urbanos, que apenas gostavam de levar para casa aquele objecto decorativo.

Embora o lado mais 'campestre' desta equação se mantenha até aos dias de hoje, no entanto, a verdade é que, nos centros urbanos, a tradição já quase perdeu o significado, tendo as 'senhoras da espiga' praticamente desaparecido das ruas das cidades, e o dia passado a ser 'apenas mais um' para a maioria dos cidadãos das mesmas; ainda assim, no rescaldo de mais uma 'Quinta-feira da Espiga', não deixa de ser relevante recordar os tempos em que este dia suscitava entusiasmo entre as crianças e jovens de Norte a Sul de Portugal.

Sunday, 5 January 2025

Saídas ao Sábado: As Janeiras - Uma Tradição Intemporal e Ainda Bem Viva

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 4 de Janeiro de 2025.
 
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


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De todas as tradições natalícias portuguesas que, pouco a pouco, vão desaparecendo, uma das que mais cuidadosamente vai sendo conservada é a prática das Janeiras. Celebrizada pela música 'Natal dos Simples', gravada por José Afonso ainda nos anos 60 e incluída no seu disco 'Cantares do Andarilho', esta tradição vê grupos de amigos ou vizinhos juntarem-se para, acompanhados por instrumentos, irem de porta em porta na sua área de residência, cantando canções típicas da época para celebrar o nascimento de Jesus, e pedindo contribuições, geralmente sob a forma de sobras de comida ou dinheiro - essencialmente, uma versão portuguesa dos 'carols' norte-americanos, mas praticada mais tarde, na primeira semana de Janeiro, por oposição aos dias antecedentes ao Natal.


Ao contrário de muitas práticas e costumes tradicionais - natalícios e não só - que vão gradualmente desaparecendo, as Janeiras são ainda cantadas em muitas zonas do País, e parte integrante das tradições natalícias de muitas autarquias, associações, grupos e escolas de Norte a Sul de Portugal. São, aliás, estes esforços que mantêm a prática em causa viva na consciência popular, mesmo em áreas onde a mesma não é tradicionalmente praticada, e será graças a eles que as actuais gerações 'Z' e 'Alfa' lusitanas terão pelo menos uma Saída de Sábado para partilhar com os mais velhos a cada novo início de ano.

Saturday, 16 November 2024

Sábados aos Saltos: As Colheitas e Vindimas - Obrigações Que Criavam Experiências

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


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Os meses finais de cada ano ficam, no Portugal rural, marcados por duas tradições anuais, ambas com vasta e reconhecida História, e ambas ligadas à colheita e tratamento de frutos: por um lado, as vindimas, e, por outro, a apanha da castanha. E se, hoje em dia, ambas as actividades recorrem a uma forte componente mecânica, há trinta anos, as duas envolviam ainda uma parcela muito mais significativa de trabalho manual, para a qual os membros mais jovens de cada família produtora não deixavam de contribuir. Não é, pois, de surpreender que grande parte dos 'millennials' portugueses nascidos ou criados fora dos ambientes citadinos retenham memórias nostálgicas ligadas a estes dois rituais anuais, e ao papel que eles próprios desempenhavam nas mesmas.


Fosse apenas a apanhar, fosse a pôr as mãos (e pés) 'na massa' ao ajudar a pisar as uvas, eram muitas as formas como os jovens agricultores de finais do século XX podiam contribuir para o processo de recolher e preparar uvas, castanhas ou mesmo outros frutos de época, prestando assim auxílio aos pais e avós, e ajudando a reduzir os volumes de trabalho dos mesmos. E apesar de, na época em causa, a prática de não enviar os filhos para a escola de modo a participarem nestes processos fosse já muito menos frequente do que em gerações anteriores, não será surpreendente que muitos dos visados por este 'post' tenham mesmo deixado, ocasionalmente, a educação de parte durante estes e outros períodos do ano, em que a necessidade de colher o sustento falava mais alto. Mais do que apenas uma obrigação, no entanto, estas actividades ajudavam também a reforçar os laços familiares, e faziam com que os mais pequenos se sentissem membros úteis e produtivos do agregado, quase como se fossem versões em miniatura dos adultos – algo capaz de encher qualquer jovem de orgulho, independentemente da geração ou contexto social.


Infelizmente, a crescente mecanização e contratação de mão-de-obra externa tem, lentamente, vindo a acabar com tais rituais para as famílias rurais portuguesas; no entanto, quem ainda teve ensejo de neles participar certamente não hesitará em transmitir aos filhos, por via oral, as experiências que vivenciou em criança ou adolescente, preservando assim a memória destas importantes tradições sócio-económicas do quotidiano rural português para as gerações vindouras.

Thursday, 11 January 2024

Quintas ao Quilo: O Regresso dos Brindes do Bolo-Rei

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Na primeira quadra natalícia deste 'blog', recordámos os brindes (e fava) do bolo-rei, tradição bem-amada de gerações de crianças e jovens portugueses que, já no século XXI, foi descontinuada, alegadamente por razões de saúde pública. Pois bem, o facto é que a interdição de 'esconder' esses dois elementos no bolo-rei parece, na quadra que ora finda, ter sido levantada, dado terem sido vários os registos de brindes e favas registados em bolos-rei comercializados, especificamente, pela cadeia de supermercados Pingo Doce.


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Brindes no mesmo estilo dos oferecidos nos bolos do Pingo Doce.


De facto, embora não fosse o caso com todas as confecções deste tipo disponibilizadas pela cadeia em causa, uma parte significativa dos bolos-rei vendidos pelo Grupo Jerónimo Martins nas Festas de 2023 parecem ter incluído tanto uma fava como uma pequena figura de um rei mago – a qual, apesar de longe da glória dos brindes de outros tempos, não deixou ainda assim de ser uma surpresa agradável para quem não esperava pelo regresso desta tradição.


De ressalvar que, ao contrário do que acontecia nos anos 90, ambos os elementos surgiam devidamente embrulhados em plástico, reduzindo o risco de engolimento acidental e correspondente asfixia – ainda que exista na Internet um registo de uma ocorrência em que os mesmos vinham 'à solta' dentro do bolo, quase causando um incidente deste tipo. Controvérsias à parte, é bom ver o regresso de uma tradição natalícia nostálgica para várias gerações de portugueses, e pronta a criar memórias a muitas outras; assim, e apesar de já passado o Dia de Reis, não podíamos deixar de assinalar esta efeméride, a qual se espera que não tenha sido pontual, e se venha a verificar novamente em Natais futuros.

Saturday, 30 December 2023

Saídas ao Sábado: Os Espectáculos de Fogo de Artifício

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


De entre todas as tradições de Ano Novo, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, os espectáculos de fogo de artifício (ou 'foguetes') estão entre os mais clássicos e emblemáticos. Nos anos 90 do século passado, a situação não era, de todo, diferente, e 'ver os foguetes' era já uma tradição de infância não apenas para a geração 'millennial', como também para as suas duas antecessoras. E porque, no nosso post sobre as passagens de ano daquela época, apenas dedicámos algumas linhas a esta pedra basilar de qualquer 'reveillon' nacional, nada melhor do que fazer dela tema central da nossa última Saída de Sábado de 2023.


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Nos anos 90, como agora, a maioria dos centros urbanos portugueses organizavam, pelo menos, um espectáculo de fogos de artifício, normalmente numa localização centralizada, onde o mesmo pudesse ser visto a alguma distância em redor; Lisboa, por exemplo, tinha-os geralmente junto ao Rio Tejo e na Alameda, espaços amplos e onde os 'foguetes' conseguiam deslumbrar os habitantes de vários bairros em redor, mesmo que estes não se encontrassem no local do evento - paradigma também aplicado em cidades como o Porto e Braga. Assim, para muitos jovens da época (e, ainda mais, dos dias que correm) nem sequer era preciso sair de casa para ver o espectáculo de luzes, sendo que, da varanda do prédio, apenas se ficava a perder a vertente sonora, em particular o acompanhamento musical que tendia a acompanhar os foguetes propriamente ditos. E mesmo quem não tivesse, da sua janela ou presencialmente, acesso a um destes espectáculos, podia ver excertos do mesmo na televisão, onde a maioria dos canais se dedicava já na altura a mostrar os fogos de artifício nas principais localidades do Continente e Ilhas.


Tal como a maioria das tradições de Ano Novo vigentes na época, esta foi uma vertente que pouco ou nada se alterou, continuando os fogos de artifício a fazer as delícias dos filhos, e até netos, das gerações que assistiram aos primeiros espectáculos deste tipo nos centros urbanos nacionais, nas últimas décadas do século passado...

Thursday, 29 December 2022

Quintas de Quinquilharia: Os Enfeites de Natal

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


E numa altura em que o Natal já passou, mas em que as decorações ainda têm mais duas ou três semanas de 'vida útil' antes de regressarem à caixa e ao armário ou sótão, nada melhor do que dedicar algumas linhas a esse que é, também, um dos elementos indispensáveis da experiência natalícia ocidental, incluindo a portuguesa.


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Com as tradicionais bolas coloridas, metalizadas ou com padrões como símbolo, os enfeites típicos de uma árvore de Natal estendem-se destas aos também populares sininhos, lacinhos e chocolates de pendurar, à indispensável estrela ou anjo para pôr no topo da árvore, ou ainda a decorações menos 'práticas' de carregar e guardar, como os não menos obrigatórios fios de luzes piscantes e guirlandas brancas ou prateadas. Apesar de apenas estes elementos típicos já ajudarem a criar uma árvore de belo efeito, no entanto, uma das características mais memoráveis da decoração do pinheiro de Natal (e respectivo elemento circundante) residia - e talvez ainda resida - nas possibilidades de improviso criativo, de que algumas crianças tiravam o máximo proveito, adicionando ao acervo de enfeites criações feitas à mão (muitas vezes na escola) ou ainda 'quinquilharias' que pouco tinham a ver com a época do ano, como os 'bonecos de agarrar', muito populares nos anos a que este 'blog' diz respeito. Longe de estragarem ou escamotearem o efeito, estes 'desvios' ajudavam a dar às respectivas árvores um toque de personalidade, que as distinguia dos pinheiros 'linha de montagem' existentes em outros lares.


Tal como acontece com o presépio, a decoração da árvore - e respectivo tipo de enfeites e 'quinquilharias' - foi dos rituais que menos inovações e mudanças sofreu ao longo dos anos, permanecendo, hoje em dia, quase imutável em relação ao vivenciado pela geração dos anos 90, ou até pela anterior; e, tal como sucede com a cena da Natividade, resta esperar que este paradigma se mantenha, para que pelo menos uma tradição pré-digital consiga continuar a passar, quase inalterada, de geração em geração...

Saturday, 12 November 2022

Saídas ao Sábado: A Festa do Magusto

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Esta sexta-feira, celebrou-se o feriado bem português do São Martinho, que fica marcado, de Norte a Sul do País, pelas tradicionais festas do magusto que em ambientes mais citadinos se resumem praticamente ao consumo de castanhas assadas (em tempos disponibilizadas pelos tradicionais vendedores de rua), mas que em povoações mais pequenas acarretam uma série de outros elementos que as tornam uma Saída de Sábado (ou antes, de qualquer dia em que se dê a festa) verdadeiramente memorável, para os mais novos e não só.


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Nos anos 90, não era diferente, sendo as celebrações do magusto desse período muito semelhantes às actuais, ou às de décadas passadas, sendo esta, felizmente, daquelas tradições imunes a quaisquer avanços sociais ou tecnológicos – até pelo seu carácter bem presencial, com as famílias (e, por vezes, até grupos maiores, sobretudo nas aldeias, onde se trata de uma festa comunitária) a reunirem-se à volta da mesa ou de uma fogueira para conviver, comer as referidas castanhas e beber bebidas típicas da época (neste caso, mais os adultos que as crianças, dado o teor alcoólico da maioria dos acompanhamentos líquidos ligados à festa, dos quais se destaca o vinho novo.) Em certas partes do País, o magusto fica ainda ligado a tradições localizadas, como o 'furar das adegas' praticado nas Beiras, ou a matança do porco minhota.


Todos estes elementos – aliados aos que cada bairro ou povoação não deixava de adicionar à sua própria celebração – tornavam (e tornam) a noite de S. Martinho marcante para quem era (é) jovem e impressionável, sobretudo em ambientes menos urbanizados, onde as tradições eram, e continuam a ser, observadas a rigor - sendo que, para os citadinos, a data era, sobretudo, memorável pela oportunidade que oferecia de comer castanhas assadas na escola, muitas vezes no exterior, na companhia dos colegas de turma. Motivos mais que suficientes, portanto, para recordamos esta festa nas nossas páginas, e (espera-se) provocarmos nostalgia em todos aqueles que, em pequenos, as viveram....

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...