A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
Ao longo desta rubrica, temos vindo a falar de publicações oficiais que, de uma forma ou de outra e com maior ou menor impacto, ajudaram a fomentar a 'cena' portuguesa de banda desenhada no seu período áureo dos anos 80 e 90; no entanto, existia, durante o mesmo período, toda uma outra categoria de revistas tão ou mais seminais para o crescimento da BD portuguesa, mas que se movimentavam em meandros mais obscuros, sendo, via de regra, lançadas por amadores sem qualquer tipo de estrutura editorial e, como tal, com ciclos de vida normalmente curtos.
Capa da 'Mesinha de Cabeceira', uma das muitas fanzines da época em causa.
Falamos, claro está, das 'fanzines', tipo de publicação partilhado com o mundo da música, mas que, no caso da BD, funcionava de forma ligeiramente diferente e, discutivelmente, mais eficaz. Isto porque, enquanto que as 'fanzines' de música divulgavam indirectamente as bandas e artistas incluídos nas suas páginas – através de críticas ou entrevistas – revistas como a Boom!!!, Banda Desejada, Shock, Mesinha de Cabeceira e outras do mesmo género permitiam aos artistas 'apresentar-se' em primeira pessoa directamente ao público-alvo, através de páginas e histórias de sua autoria, eliminando assim o intermediário necessário no caso das fanzines musicais, ou dedicadas a outro tipo de criação artística ou cultural. E a verdade é que este método se afirmava mais do que benéfico para os artistas envolvidos (alguns, inclusivamente, internacionais) tendo o circuito de 'fanzines' de BD ajudado a lançar nomes tão sonantes da BD lusitana como José Carlos Fernandes, hoje o mais aclamado autor nacional de sempre.
Apesar das suas limitações, portanto, é fácil perceber o quão importante foi o papel das 'fanzines' de BD não só na divulgação de novos artistas do meio como também no colmatar de uma lacuna no então vibrante mercado nacional de periódicos; como tal, é também com naturalidade que esta categoria de publicação faz por merecer uma menção na rubrica dedicada aos 'quadradinhos' nacionais da época em que floresceram nos meandros limítrofes e marginais da criação artística portuguesa.

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