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Friday, 7 February 2025

Quintas ao Quilo: As Marcas Desaparecidas de Queijo em Triângulos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Hoje em dia, o queijo em triângulos e embalado numa caixa de papel acartonado redondo é quase sinónimo com uma só marca, a internacionalmente famosa Vaca Que Ri (ou La Vache Qui Rit, ou The Laughing Cow). Nos anos 90, no entanto, esse mercado era, em Portugal, ainda surpreendentemente concorrido, com competição renhida entre pelo menos três marcas, duas das quais entretanto desaparecidas ou vítimas de perda significativa de visibilidade; é precisamente a elas que iremos dedicar as próximas linhas.


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Caixa internacional do queijo Tigre, menos bonita do que a portuguesa.


Das duas, a mais famosa era, sem dúvida, a Tigre, memorável pela sua fantástica embalagem, que exibia o felino homónimo, em toda a sua majestade, a caminhar por cima do logotipo, sobre um fundo amarelo. Deixando de parte o facto de os tigres serem exclusivamente carnívoros (e, como tal, não comerem queijo) era uma imagem marcante, que deixava a qualquer criança ou jovem a vontade de provar aquele produto (o qual, uma vez experimentado, se revelava um gosto adquirido, pelo menos para o gosto do autor deste blog à época). E apesar de a Tigre ser, como a Vaca Que Ri, uma marca internacional (com origem na Suíça) a mesma será, por muitos portugueses das gerações 'X', 'millennial' e anteriores, identificada sobretudo com a vivência portuguesa de finais do século XX, altura em que marcava forte presença nas arcas frigoríficas de supermercados, hipermercados e mercearias de bairro, ao lado da outra marca a que este 'post' faz alusão.


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Embalagem moderna do queijo em triângulos Eru.


Falamos da Eru, a resposta holandesa à suíça Tigre, e que, apesar de menos expressiva em termos de impacto comercial, não deixava de constituir uma alternativa para quem procurava um queijo em triângulos de sabor menos forte e intenso (era, por exemplo, a preferência deste autor, quando era jovem). O que poucos decerto saberão é que, ao contrário da Tigre, a Eru ainda hoje existe, embora a sua presença no mercado português seja, actualmente, praticamente nula – pelo menos no tocante ao queijo em triângulos, já que alguns dos seus outros produtos podem ainda ser encontrados em cadeias comerciais nacionais.


Ainda assim, e apesar da capacidade de sobrevivência de pelo menos uma das suas concorrentes, não há como negar a Vaca Que Ri como grande vencedora da 'guerra' comercial do queijo em triângulos, sendo a mesma praticamente opção única para quem queira degustar este produto no Portugal dos anos 2020. Quem viveu décadas e séculos passados, no entanto, certamente se recordará da variedade de escolhas oferecida pelo mercado português da época no respeitante a este tipo de alimento, e talvez tenha mesmo sentido alguma vontade de voltar a provar um daqueles queijos da sua infância, hoje infelizmente desaparecidos para sempre...


 

Tuesday, 13 July 2021

Terças Tecnológicas: Os Jogos LCD

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


 Já aqui falámos – no post sobre o Game Boy, por exemplo, ou no da Polly Pocket – dos jogos LCD da Tiger Electronics/Concentra. Nos anos 90, estas estranhas mas ainda assim cativantes maquinetas eram quase omnipresentes em lojas de brinquedos ou de eletrónica, constituindo mesmo a principal alternativa para jogatinas portáteis para quem não tinha um Game Boy (que, à época, era ainda muita gente).


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O facto de estes jogos não terem – nem serem – nada de especial era, pois, algo que escapava ao miúdo português médio; tudo o que nos interessava era que se podia jogar aqueles jogos na rua, e que a grande maioria deles era licenciada e alusiva às propriedades mais populares da época (só faltou mesmo um LCD de Dragon Ball Z para a Concentra acertar na ‘mouche’ quanto ao que interessava à juventude portuguesa.) Esta combinação era suficiente para tornar estes jogos sucessos de vendas entre o público-alvo, e assegurar que os mesmos continuavam a ser produzidos (e actualizados) até pelo menos ao início da década seguinte.


E no entanto, como atrás referimos, estes jogos eram, na sua maioria, simplistas ao máximo; a maioria deles consistia, tão somente, de uma série de ‘frames’ em diferentes posições e níveis do ecrã, os quais eram, normalmente, todos visíveis quando se ligava a máquina, e eram subsequentemente activados pela pressão dos botões ou das setas direccionais. Muitos dos jogos centravam-se, pois, em alinhar ou desviar o ‘boneco’ controlado pelo jogador do que quer que estivesse a passar-se no ecrã – normalmente, objectos a cair, inimigos a evitar, bónus para apanhar, ou mesmo, no caso dos jogos de luta, um adversário para atacar. E assim, com mecânicas simples, se fazia um arremedo dos jogos, programas e filmes mais populares da época, de Sonic a Virtua Fighter, passando pelo golfe (!) com Tiger Woods e sem esquecer quase todos os filmes animados da Disney.


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'Virtua Fighter'? Será que este também é em 3D?  (Reacção do miúdo médio de 1995 ao ver isto à venda)


A verdade é que, como se pode ver pela lista acima, a Tiger (fabricante dos jogos, sendo a Concentra a distribuidora) fazia muito com pouco, conseguindo tornar estes jogos diversificados q.b. para nem se notar que, em essência, as bases de todos eram muito semelhantes. E precisamente porque pareciam todos diferentes, estes jogos vendiam bem, qualquer que fosse o tema (embora, na verdade, também não fossem nada baratos, antes pelo contrário.) Numa época em que o Game Boy era, ainda, apenas para quem podia, e ‘jogos portáteis’ eram aqueles tabuleiros de xadrez minúsculos, não é de admirar que estas máquinas tenham feito escola.


Hoje em dia, os LCD ainda andam por aí, embora muito diminuídos quer em reputação, quer em qualidade. Sem o atractivo das licenças oficiais, e após as duas décadas de maior evolução tecnológica da história, os jogos deste tipo são, hoje, praticamente peça de museu, ficando relegada, na sua maior parte, àquelas imitações baratas da PSP ou Game Boy vendidas por sites como o Alibaba. Ainda assim, o regresso deste tipo de máquinas, pela mão da própria Tiger, em 2020, faz-nos ter esperança no que toca ao futuro desta tecnologia, e justifica a recordação nesta nossa rubrica tecnológica – afinal, quem é que em pequeno não teve, ou pelo menos usou, uma máquina destas?



Exemplo de jogabilidade de alguns destes jogos,.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...