Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.
Apesar de, nos primórdios dos campeonatos profissionais de futebol em Portugal, clubes como a Académica de Coimbra e o Belenenses terem logrado considerável sucesso, na 'era moderna', é dado quase adquirido que o campeão nacional será um dos 'três grandes' – Benfica,Sporting ou Porto. Essa escassez de oportunidades para emblemas mais 'pequenos' torna, no entanto, ainda mais surpreendente e meritória qualquer ocasião em que um outro clube primodivisionário consiga quebrar essa hegemonia 'a três' – algo que sucedeu pela última vez há exactos vinte e cinco anos, quando uma equipa do Boavista recheada de nomes conhecidos conseguia uma façanha ímpar na História do clube do Bessa, ao conquistar o título de campeão da época 2000/01, ultrapassando Benfica, FC Porto e o campeão em título, Sporting.
Apesar de surpreendente à época – sobretudo pela dimensão do clube – a conquista do Boavista faz bastante mais sentido uma vez analisado o plantel com que o emblema contava naquela temporada. Senão veja-se: os guarda-redes eram o histórico William e um jovem Ricardo (em breve destinado a mais altos vôos) e na equipa 'de campo' marcavam presença nomes como Rui Óscar, Rui Bento, Pedro Emanuel, Duda, Jorge Couto, Frechaut, o goleador Elpídio Silva (também ele prestes a dar um 'salto', no seu caso, maior que as pernas) e as 'lendas vivas' do clube Martelinho, Litos e Erwin Sánchez, além do futuro internacional português, jogador do Benfica e treinador do próprio Boavista, Petit; ao comando desta 'chuva de estrelas' estava, claro, o eterno 'timoneiro' axadrezado, Jaime Pacheco, nome que, no Portugal da época, rivalizava apenas com Paco Fortes no tocante a associações de longo prazo entre treinadores e um único emblema. Uma lista de nomes como já raramente se vê hoje em dia num clube fora dos quatro principais emblemas, e que permitia ao emblema do Bessa ter um plantel e 'onze' capazes de competir tanto com o seu 'rival' portuense como com os dois 'gigantes' da capital.
Infelizmente, a conquista do primeiro título nacional do Novo Milénio seria mesmo o auge da trajectória futebolística do Boavista, que dentro em breve se veria envolvido num escãndalo financeiro, e, dentro de poucas temporadas, militaria nos escalões amadores, totalmente falido, humilhado e longe da glória que experienciara no início do século. Felizmente, ao contrário de muitos outros 'históricos' na mesma situação (como o Felgueiras ou o Salgueiros) os axadrezados lograram alcançar novamente as divisões cimeiras do futebol nacional e, ainda que longe do fulgor de outrora, vão encontrando forma de 'sobreviver' entre percalços, revezes e dissabores, talvez sonhando, um dia, voltar a 'intrometer-se' na luta pelo título máximo nacional, como, contra todas as previsões, fez, no dia 18 de Maio de 2001, aquela que foi, por definição, a melhor equipa de toda a sua História.

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