Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Foi uma das primeiras grandes notícias do ano que acabara de começar, e rapidamente se tornou tema para referências satíricas não só no dia-a-dia, como também por parte de comediantes e até músicos, provando mais uma vez o inegável talento português para 'brincar com coisas sérias'. E a verdade é que, piadas à parte, foi uma situação bastante séria aquela que se viveu, logo de manhãzinha cedo, nos estúdios da RTP, em Lisboa, no dia 04 de Janeiro de 2001, quando um funcionário se barricou com a família numa das casas de banho do edifício de Entrecampos, alegando ter uma bomba pronta a activar se não fosse ouvido.

O momento da rendição de Subtil, após oito horas barricado na casa de banho da RTP.
Foi dessa forma tudo menos subtil que Manuel Subtil conseguiu 'ser notícia', e penetrou o imaginário português da época, tornando-se o seu tom desesperado e algumas das suas palavras alvos de 'chacota' - ainda que, de engraçada, a situação nada tivesse, já que o catalista das acções de Subtil era uma tragédia pessoal, alegando o mesmo ter perdido tudo e pedindo uma indemnização à RTP. Foram necessárias oito horas - e a intervenção de psicólogos, especialistas e das forças especiais da PSP – para dissuadir Subtil do seu propósito, tendo o mesmo acabado por se render, cerca das quatro da tarde, e sido recebido em apoteose pelos 'mirones' que acompanhavam, da rua, o desenrolar dos acontecimentos.
Uma situação que podia ter acabado tragicamente – e criado um mártir – mas que, em vez disso, se tornou numa 'lenda urbana' do Portugal de inícios do século XXI, tendo até sido tema de uma música do grupo 'punk' Acromaníacos. Quanto a Manuel Subtil, regressou a casa, onde logrou voltar a ser anónimo – embora seja de suspeitar que os vizinhos não o tenham deixado esquecer o incidente que, por breves horas de um frio dia na primeira semana do ano de 2001 – fizeram dele o homem mais falado de todo o País...
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