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Tuesday, 22 September 2026

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o panorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos – Jorge Palma, vitimado por um ataque de coração na sua casa em Lisboa, pouco mais de dois meses após ter celebrado o seu septuagésimo-sexto aniversário.

Ainda que associado sobretudo à cena musical portuguesa dos anos 80, em que viveu o seu período de maior sucesso, o cantautor lisboeta (nasceu na Penha de França) teve, ainda assim, papel preponderante no 'boom' do pop-rock nacional que se prolongou até finais da época seguinte, na qual participou enquanto membro do super-grupo RioGrande e, mais tarde, da 'continuação', denominada Cabeças No Ar. Ainda antes, em inícios da década, foi peça fulcral na criação e abertura do Johnny Guitar, principal bar de 'rock' da Lisboa da época, no qual actuava frequentemente com o seu outro super-grupo, Palma's Gang, fundado juntamente com elementos dos Xutos e Pontapés e Rádio Macau. Pelo meio, logrou manter o ascendente na carreira a solo, tendo o seu trajecto nos anos 90 sido coroado com uma série de exibições no recinto da Expo '98, hoje Parque das Nações. O sucesso prolongar-se-ia, aliás, até aos dias que correm, datando o último álbum de 2023, e tendo Palma sempre sido merecedor do mesmo respeito que lhe vem sendo demonstrado nas horas desde a sua morte. Que descanse em paz.

Monday, 27 July 2026

Segundas de Sucessos: Em Memória de Luís Represas (1956-2026)

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Há pouco menos de uma semana, o panorama da música portuguesa viu-se, infelizmente, deprivado de mais um dos seus grandes nomes – um músico conhecido tanto da Geração X como dos 'millennials', embora por razões diferentes, e cujo contributo para o panorama musical nacional é absolutamente inegável. Falamos de Luís Represas, o cantautor de quem já aqui anteriormente falámos 'de passagem' mas a quem nunca prestámos verdadeiramente homenagem – algo que fazemos agora, como forma de assinalar o seu falecimento, aos apenas sessenta e nove anos de idade.

Membro da geração 'construtora' do pop-rock português moderno, e contemporâneo de nomes como Tim ou Jorge Palma, além de membro fundador dos seminais Trovante, Luís Represas deixaria a sua marca de forma algo mais abertamente 'comercial' que estes, sabendo sempre envolver as suas mensagens muitas vezes contestatárias em 'embalagens' musicais acessíveis e prontas para o 'airplay' radiofónico, sempre com a sua característica e distintiva voz como elemento principal. Tendo em conta este aspecto da sua música, não deixa de ser curioso que o seu segundo maior sucesso tenha surgido em forma de dueto, no caso com o congénere cubano Pablo Milanés, com quem grava a imortal e arrepiante 'Feiticeira', demonstração cabal do poder vocal de ambos os intérpretes, e que, juntamente com o hino de solidariedade com Timor-Leste, 'Ai Timor', constitui a música mais conhecida da carreira do arista.

Com nome estabelecido ainda antes da gravação do primeiro álbum a solo, não era difícil a Luís Represas notabilizar-se no meio musical português, tendo o cantautor rapidamente adquirido um estatuto que lhe permitia apresentar programas na RTP ('A Música DosOutros', do qual já aqui anteriormente falámos), ser convidado para interpretar missas em ambiente solene, gravar retrospectivas de carreira com orquestras sinfónicas, compôr 'jingles' para campanhas de solidariedade (a contagiante 'Quero Uma Casa Deste Tamanho', gravada para uma iniciativa da Swatch em 2002) ou mesmo escrever um livro infantil! Isto, claro, além dos nove álbuns de originais e inúmeras colaborações com músicos de relevo dos PALOPS que efectuou ao longo das suas três décadas de carreira a solo, que chegaram abruptamente ao fim no passado dia 22 de Julho, menos de dois anos após o lançamento daquele que acabaria por ser o seu registo de despedida, 'MIRAGEM'. Que descanse em paz.

Tuesday, 14 July 2026

Terças de TV: Os Trinta e Um Anos do Primeiro 'Reality Show' de Um Cantor

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No início dos anos 90, quando os 'talk shows' eram um género ainda relativamente inexplorado na televisão portuguesa, não era de todo invulgar ou estranho ver ser dado a uma personalidade de outro campo do entretenimento o seu próprio 'tempo de antena' enquanto anfitrião de um programa de entrevistas e variedades; o próprio Herman José fazia, nesta altura, a transição para esse género, ao mesmo tempo que Fátima Lopes cimentava os trâmites do que viria a ser o padrão do mesmo para as três décadas seguintes. Em meio a tudo isto, e ainda antes de Marco Paulo se aventurar nesta área, um outro cantor popular tomava as rédeas da sua própria emissão homónima, cujo primeiro episódio estreava há quase exactos trinta e um anos (a 13 de Julho de 1995).


Falamos de Roberto Leal, o luso-brasileiro que fez carreira algures entre a música romântica e o género 'pimba', 'derretendo' os corações de boa parte de Portugal durante as décadas de 80 e 90, e que, em 1995, se encontrava ainda suficientemente 'em alta' para a proposta em causa não ser tão arriscada como se poderia esperar – até por o foco ser, naturalmente, colocado na música, com os convidados a inserirem-se quase totalmente nesse campo. O formato, esse, era o habitual, com entrevistas um-para-um e, em cada programa, até dois interlúdios musicais, a cargo de um dos três convidados – os quais, para crédito da RTP, não se inseriam todos no género popular comercial, havendo lugar a artistas de fado e grupos de música tradicional, entre outros.

A verdade, no entanto, é que, apesar do 'nome sonante' ao leme, e do gabarito dos convidados, 'Roberto Leal' (o programa) nunca conseguiu captar a sua audiência, talvez pela disparidade entre o meio musical do apresentador e o dos convidados, muitos deles surpreendentemente 'eruditos' para o tipo de emissão em causa, e quiçá desfasados do que o público fã de Leal procurava ver; ou talvez o interesse por este tipo de programa, simplesmente, não fosse muito. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que a experiência 'Roberto Leal' durou escassos três meses no ar, datando a última emissão de 19 de Outubro; não se pode, no entanto, culpar a RTP, que via num programa deste tipo todos os ingredientes para o sucesso, o qual, infelizmente, acabaria por nunca se materializar. Ainda assim, vale a pena recordar esta espécie de 'ensaio geral' para o posterior programa de Marco Paulo, menos de vinte e quatro horas após se terem assinalado os trinta e um anos da sua primeira emissão.

Monday, 13 July 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos do Verão da 'Macarena'

 Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quando se pensa na cena radiofónica e musical do Verão de 1996 em Portugal (e, para dizer a verdade, um pouco por todo o Mundo) vem imediatamente à cabeça uma série de movimentos ainda hoje relevantes e instantaneamente reconhecíveis, até mesmo por quem ainda não era nascido quando todos os imitavam. Sim, a época estival de há exactos trinta anos foi o ponto alto – cultural e socialmente – da icónica dança da 'Macarena' e, por arrasto, da música a que a mesma estava associada.

O que poucos sabiam à época – e talvez nem mesmo saibam agora – é que a versão da 'Macarena' ao som da qual toda uma geração dançou não é a original, nem mesmo a primeira remistura; trata-se, isso sim, da segunda revisão da música, que adiciona letras em inglês e a famosa coreografia àquilo que era, originalmente, um tema de pura música latina, conduzido por guitarras flamencas e com um ritmo lento e contemplativo – precisamente o oposto da versão que 'rebentou' à escala mundial anos depois, e cujo impacto cultural pode ser resumido pela imagem de políticos norte-americanos a executar os inconfundíveis movimentos de braços durante um congresso, frente a inúmeras câmaras de televisão.

E a verdade é que, sem a adição dessa sequência de gestos, é possível que o sucesso de 'Macarena' tivesse ficado confinado apenas a Espanha ou, quanto muito, à Península Ibérica – ainda que uma versão 'falsa' tivesse já penetrado em solo canadiano, executada não pelos intérpretes originais, Los Del Rio, mas por Los Del...Mar. A coreografia, e a 'febre' gerada pela mesma, asseguraram, no entanto, a maior longevidade da música, que continuava a ser ouvida (e dançada) mais de um ano e meio após o seu lançamento, quase chegando também a ser o tema do Verão de 1997 – um feito notável numa era em que os 'hits' radiofónicos tinham, normalmente, um 'tempo de vida' de apenas alguns meses. Por isso, e por ainda hoje ser um dos grandes identificadores culturais da geração 'Millennial' e da ponta final do século XX, a 'Macarena', e respectiva dança, não podiam passar em claro nas páginas deste 'blog' nostálgico, numa altura em que se celebram os trinta anos do seu 'pico' de relevância e popularidade em Portugal. E de certeza que, só de ler estas linhas, haverá já gente a executar a coreografia, em plena sala ou quarto, ao som silencioso da música que toca na sua cabeça...


Tuesday, 30 June 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos da Estreia de Uma Banda Tudo Menos 'Primitiva'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 29 de Junho de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A 'explosão' do pop-rock de atitude alternativa vivida em Portugal durante as décadas de 80 e 90 permitiu não só que bandas de teor mais radiofónico criassem 'hits' imortais que integrariam 'playlists' durante décadas, como também que propostas mais arrojadas e experimentais encontrassem o espaço de que necessitavam para explorar a sua sonoridade. Talvez o maior exemplo desta vertente – e uma das principais bandas experimentais da História da música portuguesa – fossem os Primitive Reason, banda multi-nacional da musicalmente fértil zona de Cascais, na Grande Lisboa, cuja ecléctica e assumida mistura de estilos fez com que causassem furor aquando do lançamento do seu álbum de estreia, que celebrou há cerca de seis semanas o seu trigésimo aniversário.

Formada em 1993 por três amigos de infância – um espanhol, um português e um britânico – e com a formação original composta também por um americano e um suíço, a banda destacou-se, desde logo, pela junção das várias influências dos seus membros num todo que poderia ser uma verdadeira 'salada de frutas' mas que, de algum modo, se afirmava coeso e apelativo. Partindo de uma base alicerçada no 'reggae' e 'ska', o quinteto adicionava-lhe doses substanciais de rock, punk e metal, bem como pitadas de 'jazz' e 'afro', criando um som distinto, inqualificável, e que não podia deixar de tornar o álbum de estreia, 'Alternative Prison' (lançado a 15 de Maio de 1996) num sucesso entre o público jovem consumidor de música, então composto sobretudo por membros da 'geração X', bem como junto da crítica, tendo mesmo sido premiado como Álbum do Ano pelo mítico jornal Blitz, então referência máxima da imprensa musical em Portugal. Temas como 'Seven-Fingered Friend' (o mais conhecido da banda, e muito lembrado também pelo seu 'videoclip') ajudavam a banda a estabelecer-se como uma das mais entusiasmantes da segunda vaga de 'pop rock' português moderno, e lançavam-nos para uma carreira que, apesar de alguns 'altos e baixos', lograria ultrapassar a marca das duas décadas.

A banda não tardou, aliás, em dar seguimento a este sucesso, com o segundo álbum, 'Tips & Shortcuts', que expandia ainda mais o leque de influências da banda (incluindo mesmo secções 'rappeadas') e que contava com uma produção muito superior à do primeiro álbum, a cargo da 'lenda' da produção discográfica nacional Marsten Bailey. Por entre tributos a NOFX e músicas cantadas pelo baterista, os Primitive Reason davam um enorme passo em frente, o qual, apesar de causar menos 'furor' que o primeiro, se afirmava tão ou mais importante para a progressão da banda.

Quando tudo parecia correr bem, no entanto, dá-se a inevitável convulsão: com a banda já radicada nos EUA, país de origem do saxofonista Mark Cain, o mesmo e outros dois membros (incluindo o vocalista Brian Jackson) abandonam a banda, deixando ao baixista Guillermo de Lara e ao baterista Jorge Felizardo o ónus de completar o terceiro álbum. Para seu crédito, o duo não desiste e, com ajuda de conhecidos da cena nova-iorquina, apresenta, em Julho de 2001, 'One Of Us', um álbum que, naturalmente, apresenta maior ênfase na vertente rock e punk do que os seus antecessores. Nos anos subsequentes, os dois elementos restantes viriam a reformular a banda, e prosseguiriam carreira, ainda que de forma bastante mais discreta, durante cerca de uma década e meia, lançando nesse período três álbuns, quatro EP's e uma colectânea, além de verem reeditados os seus dois primeiros registos.

É, pois, apenas em 2015 que se verifica a dissolução total da banda, a qual permanece extinta durante mais de dez anos antes de – por ocasião do supramencionado aniversário de 'Alternative Prison' – o trio original se juntar mais uma vez em palco, pela primeira vez desde 1998, para dois concertos comemorativos no festival Lisboa ao Vivo e no mítico Hard Club, no Porto. Fica, assim, aberta a porta para uma potencial reunião (ou, pelo menos, um reatar de carreira) para aquela que foi uma das bandas mais personalizadas e instantaneamente reconhecíveis da cena portuguesa de finais do século XX.

Monday, 8 June 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos do Verão das 'Crianças' Italianas

 Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quando se fala de músicas icónicas para as gerações 'X' e 'millennial' portuguesas, é impossível não recordar os 'hits de Verão' que, anualmente, punham as crianças de Norte a Sul do País a dançar, e lançavam os respectivos autores para a 'ribalta' – pelo menos temporariamente, até serem substituídos pelo próximo artista ou grupo com uma batida dançável e um refrão cativante. Os exemplos são inúmeros, quase todos dentro do género do 'Europop' (Whigfield, Aqua, Vengaboys, Lou Bega, Las Ketchup) embora, aqui e ali, houvesse espaço a um ou outro 'intruso', fosse ele uma dança como a Macarena, um grupo como Spice Girls, Backstreet Boys, Santamaria ou Excesso, um grupo de comédia como os Mamonas Assassinas, Mercurioucromos ou Lunáticos, uma 'importação' brasileira como Iran Costa, Daniela Mercury ou Netinho, um grupo de 'rap' com um 'hit' acidental, um cantor romântico, um 'fusionista' jazz como PedroAbrunhosa ou um artista de pendor mais electrónico, como os Bomfunk MC's de 'Freestyler', os Eiffel 65 de 'Blue (Da-Ba-Dee)' ou o italiano que, há exactos trinta anos, lançava o disco que viria a conter o grande êxito do Verão de 1996.

Embora aquando do seu lançamento, a 07 de Junho de 1996, 'Dreamland' (álbum de estreia do DJ Roberto Contini, conhecido profissionalmente como Robert Miles) fosse já no seu terceiro single, a vasta maioria do público internacional (no qual se incluíam as crianças portuguesas) conhecia-o, apenas e só, pela primeira faixa do álbum, que havia também sido o seu primeiro single alguns meses antes. Ainda hoje, perguntar a qualquer elemento da última vaga da Geração X ou da primeira dos 'millennial' por 'Children' é activar uma daquelas memórias dormentes, pronta a ser desperta no momento certo; da boca dos mesmos sairá assim, quase certamente, uma aproximação honesta quanto-baste do icónico 'riff' de piano que guiava o único 'hit' do italiano, e ao som do qual todo o jovem lusitano terá dançado repetidas vezes naquele Verão de 1996.

Infelizmente, como sucedia com a maioria destes artistas (com honrosas excepções) Robert Miles era remetido ao esquecimento tão rapidamente como surgira, uma vez findo o Verão e, com ele, o apelo de 'Children'. À distância de trinta anos, no entanto, é inegável que se trata de um excelente exemplo do peculiar sub-género de electrónica que florescia no Sul da Europa à época, bem merecedora de uma rápida 'escutadela' de 'aniversário', a qual, sem dúvida, remeterá toda uma geração a dias de Verão passados à beira da piscina, com a 'malha' de Miles como banda-sonora...

Tuesday, 26 May 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Uma 'Selecção' Que Não Correspondeu Às 'Esperanças'...

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 25 de Maio de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Já aqui em ocasiões anteriores falámos dos vários programas de talentos surgidos na televisão portuguesa durante os anos 90 e 2000, e que ajudaram a criar o precedente para o posterior sucesso de conceitos como 'Ídolos' ou 'Factor X'; esta semana, em mais um 'post' duplo, recordamos outro dos pioneiros deste género de emissão, o qual, como muitos outros exemplos surgidos na 'senda' do sucesso de 'Chuva de Estrelas', nunca logrou ser tão conceituado ou recordado como este.



De facto, 'Selecção de Esperanças' (nome que 'brinca' com a designação dada à época à Selecção de futebol masculino sub-21) pode quase ser considerado como a resposta da RTP ao referido programa, já que – como aquele – se centra na demonstração de talentos vocais dos concorrentes de cada programa, cujas prestações são avaliadas por um júri especializado, num formato muito semelhante ao do programa da SIC. É, pois, incerto o motivo para a pouca projecção da 'Selecção' da RTP por oposição à 'Chuva' de audiências que a rival de Carnaxide conseguira com a sua versão do programa. Seja qual fôr o motivo, no entanto, a verdade é que 'Selecção de Esperanças' se encontra, hoje, algo 'Esquecido Pela Net', ainda que vários dos seus episódios constem ainda dos arquivos digitais da RTP, onde podem ser visualizados e recordados por quem, efectivamente, se recorde do breve período em que foram ao ar, a partir de Maio de 1995.

Talvez como consequência da falta de interesse do público em geral, a RTP não voltaria a produzir um programa deste tipo durante as décadas seguintes, deixando futuras tentativas para as concorrentes privadas, e re-entrando na 'arena' apenas já no Novo Milénio, desta vez com resultados bem mais satisfatórios. Quanto a 'Selecção de Esperanças', o seu principal legado é o de ter sido um dos pioneiros de um género então ainda embrionário na televisão portuguesa, o qual, tal como grande parte dos internacionais jovens de futebol, não logrou demonstrar o potencial que demonstrava aquando da sua estreia, há quase exactos trinta e seis anos...


Tuesday, 12 May 2026

Segundas de Sucessos/Terças Tecnológicas: Magix Music Maker - Uma Opção 'Séria' Para Artistas De Música Digital

 

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 11 de Maio de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Já aqui anteriormente falámos de 'software' e jogos de consola centrados na criação de peças musicais de uma perspectiva semi-profissional, e utilizando alguns dos mesmos elementos que um verdadeiro artista de música electrónica teria à sua disposição; o programa de que falamos neste 'post' duplo leva esse conceito ainda mais longe, constituindo, para todos os efeitos, uma verdadeira ferramenta compositiva, e sendo até hoje extensamente utilizado por um sem-número de músicos amadores.


Ecrã da versão 3.0, lançada em 1997.

De facto, logo desde a sua criação em 1994, o Magix Music Maker destacou-se pela sua abordagem explicitamente técnica, que incluía opções de carregamento de ficheiros externos (para complementar a biblioteca interna de 'samples' e oferecer aos músicos amadores uma maior flexibilidade), instrumentação virtual, e ferramentas básicas de produção e mistura, as quais o ajudavam a posicionar-se como um verdadeiro recurso de criação, com pouco ou nenhum valor enquanto programa lúdico. Para quem tinha verdadeiro interesse na composição de música electrónica, no entanto (por oposição a apenas querer uma simulação para 'entreter', ao estilo do posterior 'Music') este programa rapidamente se afirmou como um valioso recurso, vindo eventualmente a servir de inspiração a 'softwares' como o GarageBand, que expandiam e aprimoravam aquilo que a Magix estabelecera uma década antes.

Mesmo o próprio Music Maker lograria manter-se activo durante os trinta anos seguintes (a edição mais recente data de 2023) e teria, inclusivamente, direito a uma (algo incongruente) versão para PlayStation 2, que apenas ajudaria a ressalvar o destaque e a importância que o 'software' 'freemium' da Magix adquirira nos anos desde a concepção e lançamento da sua primeira versão; razão mais que suficiente, portanto, para lhe darmos o devido destaque nas páginas desta rubrica dedicada a relembrar os principais avanços tecnológicos e interactivos da última década do século XX...

Monday, 4 May 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um 'Teste' Relativamente Bem Sucedido

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 04 de Maio de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre as muitas novas tendências que vieram alterar a forma de fazer televisão um pouco por todo o Mundo em inícios do Novo Milénio, os concursos de talentos estiveram entre as que maior impacto tiveram, com o sucesso imediato dos vários formatos regionais e nacionais a tornar este género ainda mais viável do que antes, e a motivar a criação de inúmeras variantes do mesmo conceito. Portugal não foi excepção a esta regra, com dois programas nacionais de inícios dos anos 2000 a procurarem recriar o sucesso do 'pioneiro' 'Chuva de Estrelas'; e se um deles fica já fora do âmbito deste nosso 'blog' (pelo menos por agora), o segundo merece algumas linhas, poucos dias após se ter celebrado o quarto de século sobre a sua transmissão, em Abril de 2001.

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Versão localizada mas absolutamente fiel do conceito padronizado e replicado em diversos países do Mundo, o 'PopStars' português visava criar um grupo 'pop' inteiramente feminino, o que, por um lado, limitava o seu espectro no tocante a audições de aspirantes a artistas sem, no entanto, deixar de gerar as emoções e drama que os mais 'leigos' esperariam de um formato deste tipo. Para o efeito, foram levadas a cabo audições em quatro das principais cidades portuguesas (as 'duas capitais' e ainda Leiria e Coimbra) tendo mais de doze mil jovens entre os dezoito e os vinte e cinco anos tido oportunidade de mostrar os seus dotes vocais, com vista a integrar o grupo idealizado pelo projecto- tarefa que se revelava quase impossível, dado que apenas estavam disponíveis cinco vagas.

Curiosamente, das cinco finalistas, uma esteve em riscos de não integrar o programa, dado ser ainda menor de idade; felizmente para Liliana Almeida, o último dia de audições (em Lisboa) coincidia com o seu décimo-oitavo aniversário, permitindo-lhe realizar o seu sonho (ainda que 'à rasquinha') e juntar-se a Andrea Soares, Ana Rita Reis, Fátima Sousa e Kátia Moreira para formar as NonStop, que viriam a ter 'a' música daquele Verão, 'Ao Limite Eu Vou', retirada do seu primeiro álbum, gravado em questão de meses. Era o primeiro passo da bem-sucedida carreira daquela que era, para todos os efeitos, a versão lusitana de grupos como Hear'Say ou Eden's Crush, vencedoras das versões britânica e americana do programa, respectivamente, bem como uma digna sucessora de grupos como Excesso, D'Arrasar e Santamaria.

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Apesar do relativo sucesso do formato e do 'produto' final, no entanto, a localização portuguesa de 'PopStars' não iria além dessa única temporada, por contraste aos supracitados países, onde teria ainda várias e bem-sucedidas sequelas; a SIC teria, assim, de esperar ainda um par de anos para descobrir a sua verdadeira 'galinha dos ovos de ouro' no campo dos 'reality shows' musicais, que se mantém no ar até aos dias de hoje, vinte e três anos após a sua primeira emissão. Quanto a 'PopStars', apesar da sua curta vida, continua ainda hoje a ser lembrado (seja com nostalgia, ironia, ou ambas) por quem era de uma certa idade nos anos de viragem do século e Milénio, tornando mais que óbvia a sua inclusão nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico, um quarto de século após a sua breve mais memorável passagem pelas ondas aéreas portuguesas.

 

Monday, 20 April 2026

Segundas de Sucessos: Vinte Anos de Uma Estreia 'Fadada' Ao Sucesso

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


O fado (esse estilo de música tão parecido com tantos outros 'lamentos' musicais ao redor do Mundo, mas ainda assim diferente de todos eles) tem sido, ao longo dos últimos séculos, um dos principais elementos da identidade nacional, a ponto de ser um dos identificadores imediatos da 'Portugalidade' junto dos turistas. E se Amália Rodrigues continua a ser a maior referência do estilo (sobretudo junto dos sobreditos turistas) as últimas décadas têm visto outros nomes almejar um lugar na lista de 'grandes' do fado, ao lado da eterna diva e de 'companheiros' como Carlos do Carmo, tendo mesmo alguns deles conseguido cruzar a 'fronteira' radiofónica, através do uso de elementos de fado em contextos mais comerciais, bastando neste caso recordar artistas como Madredeus, Dulce Pontes, ou a cantora que serve de tema a este 'post', Mariza.


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Capa do álbum de estreia da cantora.


Com a sua ascendência luso-africana (a mãe é moçambicana, e a própria artista é natural de Lourenço Marques) e mistura de fado com estilos mais modernos, Mariza posicionava-se, desde logo, como uma espécie de 'Sara Tavares do fado' – e, como esta, viria a gozar de uma longa e decorada carreira, ainda hoje vigente, e que tinha o seu início 'oficial' há exactos vinte anos (a 21 de Abril de 2001) com o lançamento de 'Fado Em Mim', o primeiro registo de originais da cantora. Surgido quase dois anos após a revelação de Mariza ao mundo musical português, ao cantar num tributo póstumo a Amália Rodrigues transmitido em directo, o disco (inicialmente rejeitado por várias editoras dado tratar-se de uma artista inexperiente e desconhecida) viria a pulverizar quase de imediato quaisquer recordes vigentes de vendas para discos de fado, movendo mais de cem mil cópias na sua primeira semana, e eventualmente chegando às cento e quarenta mil após o seu lançamento internacional. Com a sua mistura de fado e outras sonoridades que a haviam influenciado – como a soul ou o jazz – Mariza mudava assim indelevelmente o panorama 'fadístico' nacional, revitalizando o estilo e abrindo caminho a sucessoras como Carminho.



Tal era o sucesso do disco, de facto, que o mesmo seria relançado logo no ano seguinte, numa edição especial acrescida de um disco gravado ao vivo (e que causa alguma confusão nos meios cibernéticos quanto ao ano de lançamento do disco), voltando a almejar grande sucesso tanto junto do público nacional como internacional. Seria, pois, sem surpresas que a carreira de Mariza continuaria 'de vento em popa' ao longo das duas décadas seguintes, tendo-se a artista conseguido afirmar e posicionar como uma das 'porta-vozes' não só do fado como da 'Portugalidade' em geral (foi, aliás, dela um dos temas oficiais de apoio à Selecção Portuguesa aquando de uma competição internacional), posição que retém até hoje, quase exactas duas décadas após uma das estreias mais retumbantes da História da música portuguesa.

Tuesday, 13 January 2026

Segundas de Sucessos / Terças Tecnológicas: Quando a Codemasters 'Deu Música' Aos Seus Fãs

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.


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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.


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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

Monday, 1 December 2025

Segundas de Sucessos: Blind Zero - Três Décadas a Premir o 'Gatilho'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.


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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.


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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.


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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.


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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

Monday, 3 November 2025

Segundas de Sucessos: Camuta - Anatomia De Um Embuste

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Em 1989, o desconhecido grupo franco-brasileiro Kaoma inscrevia permanentemente o seu nome na lista de 'one-hit wonders' contemporâneos após o mega-sucesso da sua versão de uma música brasileira que, por sua vez, nada mais era que uma tradução ou localização (não autorizada!) de uma versão 'cover' da música 'Llorando Se Fue', do grupo boliviano Los Kjarkas. Ou seja, 'Lambada (Chorando Se Foi)' era, na sua base, uma versão de uma versão de uma versão do original de 1981! E porque poucas coisas com o nível de sucesso da referida música conseguem evitar o aparecimento de imitadores e 'cópias' fraudulentas, não tardou até que Portugal tivesse a sua própria versão do tema, a qual conseguia a proeza de ser uma 'cover' em quarto grau (!) da inspiração original dos Kaoma!


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Capa do primeiro álbum de 'Camuta'.


Tal facto está, no entanto, longe de ser a parte mais mirabolante da história de Camuta, que conseguiu a proeza de lançar três álbuns em inícios dos anos 90...sem nunca ter chegado a existir. Isto porque, por detrás do nome em causa escondia-se apenas um homem: Toy, figura mítica da música popular e 'pimba' portuguesa, recrutado pela Discossete para gravar 'às pressas' várias lambadas, com a voz disfarçada e cantando em 'brazuquês', como forma de capitalizar sobre o sucesso do original. E embora Toy surgisse ainda creditado, no interior do álbum, como autor de vários dos temas, a interpretação dos mesmos era atribuída ao fictício 'Camuta', uma designação sob a qual o cantor viria a lançar não só esse primeiro álbum, de 1989, mas um segundo (criativamente intitulado 'Lambada 2') no ano seguinte, e, em 1992, também um álbum de versões de músicas de telenovelas (como 'Tieta' ou 'Rainha da Sucata', que dava título ao disco) desta vez emulando a voz da lendária Fafá de Belém!


Um 'embuste' que, obviamente, apenas seria possível numa época da História bastante mais crédula e inocente, mas que, de algum modo, conseguiu permanecer intocado mesmo após o início da 'era da Internet', tendo sido o próprio Toy a assumir a farsa, primeiro em entrevista à revista VIP e, mais tarde, no fascinante documentário sobre o movimento 'pimba' produzido e exibido pela RTP. Só então quem, à época, tinha adquirido este álbum (provavelmente em 'cassette', num daqueles icónicos expositores existentes nas tabacarias, bombas de gasolina ou estações de serviço do Portugal dos anos 80 a 2000) ficou a saber ter em sua posse o equivalente a um disco 'pirata', (uma espécie de versão portuguesa dos grupos de Frank Farian ou Jonathan King) naquele que ainda hoje se afirma como um dos mais fascinantes 'truques' de 'marketing' da História da música portuguesa.


Monday, 6 October 2025

Segundas de Sucessos: Kussondulola - Trinta Anos de 'Danças'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


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Antes do kuduro, kizomba e outros géneros musicais afins, havia 'Danças no Huambo' – uma música que misturava 'reggae' aos referidos ritmos africanos, com letra contestatária e anti-colonial, mas que – numa daquelas ironias próprias do mundo das Artes – conseguiu pôr o povo colonizador criticado na música a dançar ao som dela ao longo de largos meses, e catapultar os seus autores (um trio angolano de nome impronunciável e ainda mais insoletrável) para um breve mas memorável período de mega-estrelato.



De facto, em conjunto com a sucessora 'Perigosa' (um tema bem mais de festa, cujo refrão pedia canto em uníssono e de mãos no ar, e que mostrava outra vertente da música do grupo) 'Danças no Huambo' foi o grande responsável pela disseminação, naquele Verão de 1995, do nome Kussondulola, o qual é, ainda hoje, associado quase exclusivamente a essas duas músicas. Isto porque, apesar dos largos anos de carreira (ainda hoje se encontram no activo) o trio centrado em torno do ex-futebolista Janelo da Costa não mais voltaria a almejar o sucesso que ambos os temas granjeavam ao seu álbum de estreia, o excelentemente intitulado ´Tá-se Bem´. Às 'costas' de 'Danças no Huambo' e 'Perigosa', Janelo e seus comparsas almejariam tocar em Vilar de Mouros, veriam o seu disco ser lançado também em Espanha, e saíriam os grandes vencedores do Prémio Revelação do mítico jornal 'Blitz' para aquele ano, distinção que lhes permitiria também figurar no CD 'Portugal ao Vivo', patrocinado e divulgado por essa mesma publicação.



O grande problema de ter um 'ano de estreia' repleto de conquistas, no entanto, é que é tão necessário quanto difícil ir de encontro às expectativas dos novos fãs angariados. E a verdade é que, para os Kussondolola, esse desiderato nunca foi totalmente conseguido, pesem embora os quatro álbuns (mais um 'boxset') que lançariam após 'Tá-se Bem' – o primeiro destes ainda na década de 90, em 1998, e com um título tão genial quanto o do seu antecessor. Apesar da fantástica designação, no entanto, 'Baza Não Baza' não lograria catapultar qualquer dos seus dois 'singles' para o nível estratosférico do seu antecessor, nem manter os Kussondolola como nome relevante no panorama musical português.


A partir desse ponto, o trajecto do grupo far-se-ia estritamente para uma base de fãs leal, mas significativamente menor do que três anos antes – a mesma que acolheria de braços abertos 'O Amor É...Bué', de 2001 (que continuava a comprovar o 'jeito' do grupo para nomear os seus álbuns), o 'ao vivo' 'Vive! Tens De Viver', no ano seguinte, a colectânea 'Cumué?', em 2004, e 'Survivor', de 2005, disco que contava com colaborações do calibre de Vitorino, Kalú, os 'dois Ruis' - Reininho e Veloso - Miguel Ângelo ou Sara Tavares, entre outros. Esta panóplia de convidados não foi, ainda assim, suficiente para voltar a pôr o trio no 'mapa' melómano português, e Janelo e seus colegas vir-se-iam a despedir das lides discográficas com um último álbum, 'Guerrilheiro', de 2006, seguido de um 'boxset' com músicas inéditar e ao vivo, em jeito de resumo de carreira, lançado em 2007.


Desde então, o grupo tem feito parte do circuito de música ao vivo português, 'animando' palcos de Norte a Sul do País com a sua sonoridade 'afro-reggae' bem contagiante e apelativa – não podendo, claro, faltar em cada concerto qualquer dos dois grandes sucessos que puseram Portugal a 'desbundar' há já trinta anos atrás...

Tuesday, 22 July 2025

Segundas de Sucessos / Terças de TV: 'Pop-Off', O 'Top +'' do Pop-Rock Nacional

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


No tocante a programas de música e telediscos no Portugal dos anos 90, a referência imediata (e praticamente única) para a maioria dos 'millennials' nacionais será o icónico 'Top +', o mais próximo a que a televisão lusa da altura chegava do estilo de programação de uma MTV, cuja reputação atravessava, à época, o oceano, fazendo muitos jovens sonhar com algo equivalente mas falado e criado em Português. No entanto, nessa mesma época, a própria RTP veiculava um segundo magazine sobre música, hoje mais esquecido, mas que, à época, representou uma importante mudança de paradigma na grelha audiovisual do Portugal pré-SIC e TVI.


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Tratava-se do 'Pop-Off', da autoria de José de Freitas, à época figura de proa nos esforços de representação do 'pop-rock' português nos 'media', e que decidia, com este formato, deitar ele próprio 'mãos à obra'. Não é, pois, de estranhar que este programa se destaque do 'irmão' do 'Canal 1' pelo seu foco exclusivo na cena portuguesa, à época num dos seus muitos períodos de florescimento. As habituais bandas internacionais que dominavam os 'tops' (incluindo o '+') eram, assim, substituídas tanto por 'suspeitos do costume' como Xutos & Pontapés, Delfins, GNR, Resistência ou Madredeus como por novas sensações do movimento, como LX-90 ou Sitiados. Eram, no total, cerca de vinte e cinco minutos diários dedicados a telediscos, reportagens e notícias sobre música portuguesa, com a apresentadora Sofia Morais a servir de elo de ligação entre os diferentes segmentos que perfaziam o programa.


Um formato que tinha tudo para agradar ao público-alvo e que, sem surpresas, viria a reter um lugar na grelha de programação do 'Canal Dois' durante dois anos - período que até parece pouco, tendo em conta a relevância da temática e a excelente execução técnica do programa, sobretudo se se tiver em conta a duração substancialmente mais considerável do contemporâneo dedicado aos 'tops' internacionais. O curto ciclo de vida não impediu, no entanto, que 'Pop-Off' conquistasse um lugar tanto no coração dos melómanos da época como na própria história dos programas musicais na televisão portuguesa, tornando praticamente obrigatórias estas poucas linhas a ele dedicadas neste nosso 'blog' dedicado, precisamente, a recordar esses e outros aspectos da sociedade portuguesa de outros tempos.





 


 


 


 


 

Tuesday, 24 June 2025

Segundas de Sucessos: Um Duo de Vozes 'Angelicais'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-Feira, 23 de Junho de 2025.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui, anteriormente, falámos dos Excesso e D'Arrasar, duas das principais 'boy bands' portuguesas; no entanto, aquando desse 'post', deixámos de fora outros dois grandes nomes da música popular vocal da altura – os Millennium (a terceira grande 'boy band' nacional) e a dupla constituída pelos irmãos Rosado (Nélson e Sérgio) sob a denominação Anjos. Numa altura em que estes últimos voltam a estar na ribalta, devido a um processo jurídico movido contra a humorista Joana Marques, nada melhor do que dedicar algumas linhas àquela que continua a ser uma das grandes referências do seu nicho no nosso País.


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Nascidos na Margem Sul do Tejo mas com raízes alentejanas, os irmãos Rosado desde cedo principiaram a seguir o seu sonho, tendo ingressado na Academia de Música ao completarem sete anos, e dado o seu primeiro espectáculo pago quando o mais velho dos dois, Nélson, contava apenas doze anos, e o irmão apenas oito. Por essa actuação – a primeira de muitas – receberam quinze mil escudos, uma autêntica 'fortuna' para 'putos' dos anos 80, e que servia como uma espécie de antevisão do que o futuro reservava aos dois.


Ainda assim, os futuros Anjos não 'embandeiravam em arco', e continuavam a conciliar a música com a escola e o futebol, sem, no entanto, deixarem de 'agarrar' qualquer oportunidade que surgisse para mostrarem o seu talento. Foi esta abordagem que lhes permitiu, já no final da adolescência, em 1996, participar no programa 'Lugar Aos Mais Novos', da Rádio Renascença e, no ano seguinte, na 'Casa dos Artistas' da RTP, saindo vencedores de ambos – mais um augúrio auspicioso para o que esperava os irmãos a breve trecho.



Após este sucesso enquanto dupla, Nélson e Sérgio ingressaram nos Sétimo Céu, uma tentativa de 'concorrente' a Excesso e D'Arrasar que não deu certo, durando menos de um ano. Longe de se deixarem desanimar, os dois irmãos viram este percalço como uma oportunidade para, mais uma vez, trabalharem como dupla, dando oficialmente e definitivamente início ao percurso dos Anjos no panorama musical português, corriam os últimos meses do Segundo Milénio. Era a convite de uma produtora nacional que a nova dupla – cujo nome remetia a uma 'alcunha' dada aos jovens pela sua avó – surgia na 'cena' popular nacional, e seria também, quiçá, essa ligação a permitir aos irmãos gravar o primeiro álbum, 'Ficarei', logo nesse ano de 1999, estabelecendo desde logo a sua fórmula assente na 'pop' romântica, com ênfase nas vozes dos dois integrantes. Ainda antes do final do Milénio (embora já nas últimas semanas do mesmo) o álbum viria a ser relançado com uma música adicional – o mega-sucesso de Natal 'Noite Branca', em que Sérgio e Nélson Rosado surgiam em dueto com a cantora Susana.


Estava dado o mote para (à data deste 'post') duas décadas e meia de carreira, nem sempre com tanto sucesso como naqueles primórdios, mas sempre com uma audiência cativa e pronta a 'apadrinhar' cada novo lançamento da dupla, o último dos quais remete já a 2022. Ainda assim, os Anjos continuam a usufruir de fama suficiente para serem convidados a cantar o hino nacional no início de eventos – privilégio que está na base do actual processo movido a Joana Marques, e que se vai, desde Julho de 2024, 'arrastando' em tribunal. Qualquer que seja o resultado do mesmo, no entanto, o impacto dos Anjos no panorama da música romântica em português está estabelecido, e dificilmente poderá ser negado, merecendo-lhes o destaque nesta nossa rubrica dedicada a artistas musicais nostálgicos.

Monday, 12 May 2025

Segundas de Sucessos: General D - Do Céu Ao Inferno, De Pés No Chão

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Qualquer melómano velho o suficiente para ter tido interesse em música em inícios dos anos 90 não hesitará em apontar essa época como a era do nascimento do 'rap' e 'hip-hop' em Portugal, pelo menos no que ao 'mainstream' diz respeito. De facto, a primeira metade da última década do século XX marcava o momento em que o estilo musical nascido e popularizado do outro lado do Oceano Atlântico na década anterior extravasava a presença maioritariamente 'clandestina' que marcava nos bairros periféricos das grandes cidades, e 'explodia' nos ouvidos de toda uma geração de jovens prontos a receberem e assimilarem aquelas palavras de ordem e crítica social em ritmo sincopado. O culminar desta ascensão do chamado 'hip-hop tuga' seria, claro, a colectânea 'Rapública', lançada em 1994 e que popularizaria nomes como Black Company ou o produtor, Boss AC; no entanto, logo nos primeiros meses da década, já um grupo de jovens da mesma zona na Margem Sul do rio Tejo se havia aventurado na organização do primeiro festival de 'rap' nacional. Entre eles, encontrava-se um MC em ascensão, e que em breve viria a deixar a sua marca no panorama do 'rap' nacional: o moçambicano Sergio Matsinhe, mais conhecido pelo 'nome de guerra' General D.


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Membro fundador dos supracitados Black Company (embora já não fosse a tempo de desfrutar dos benefícios trazidos pelo mega-sucesso 'Nadar') e envolvido em inúmeros outros projectos da cena à época, General D destacava-se pela 'africanidade' que injectava no seu 'rap'/'hip-hop', fosse no aspecto musical, fosse na grafia das letras ou mesmo na forma como as interpretava. Esta vertente algo mais original do que a média, bem como mais flexível e versátil, não tardou a colocá-lo no 'radar' de artistas mais comerciais, tendo a primeira gravação do jovem MC sido como convidado num tema dos Pop Dell'Arte, em 1990. Ainda antes de qualquer registo próprio, D surge também como um dos compositores e intérpretes da banda sonora de 'Até Amanhã, Mário', de 1993, um dos poucos filmes portugueses da época a granjear atenção por parte do público.


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Com tal nível de exposição mediática, o surgimento de registos próprios era inevitável, e, em 1994, General D lança mesmo o seu primeiro EP, o provocatoriamente intitulado 'PortuKKKal É Um Erro'. Esta denominação, aliada às letras críticas do racismo vigente na sociedade portuguesa, caíram como uma 'pedrada no charco' da bem-comportada cena musical nacional, e valeram a D a presença em muitas plataformas de debate público, para discutir os problemas vividos por imigrantes, retornados e seus descendentes no Portugal daquela época.


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Longe de 'descansar sobre os louros', no entanto, General D voltava ao 'ataque' menos de um ano depois, desta vez com um longa-duração, em conjunto com o grupo Os Karapinhas. O título 'Pé Na Tchôn, Karapinha Na Céu' deixa desde logo bem evidente a filosofia e atitude perante a vida de General D, embora se afirme como algo introspectivo e humilde face à barragem de ácidos comentários tecidos pelo MC nas suas letras. Um registo cáustico, mesmo para os padrões do 'hip-hop', e que posicionava General D como um dos principais 'activistas' da cena nacional, bem mais engajado e combativo do que os muito mais explicitamente comerciais Da Weasel, ou mesmo do que a maioria dos nomes presentes em 'Rapública'. O vídeo de 'Black Magic Woman' (que, ao contrário do que se possa pensar, não constitui uma versão da música dos Fleetwood Mac) estava também em alta rotação nos programas de 'videoclips' nacionais, cimentando o estatuto de Boss AC como uma das grandes 'esperanças' do 'rap' nacional, uma reputação que apenas aumentaria com participações em temas de Cool Hipnoise e Ithaka.


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O passo final na evolução de D seria, no entanto, dado apenas dois anos depois, em 'Kanimambo', o segundo (e, até hoje, último) álbum do MC. Agora acompanhado por colaboradores de luxo, como António Chainho ou o congénere brasileiro Gabriel o Pensador, o General debitava mais uma série de temas cáusticos (embora também mais trabalhados) que lhe permitiam continuar a 'somar e seguir' na cena. Uma bem-sucedida 'tournée' por Portugal, Espanha e França parecia anunciar a 'explosão' definitiva de D, o qual, concluída a mesma, se deslocaria até à Jamaica para trabalhar com os renomados Sly and Robbie...


...e não voltaria a ser visto durante quase duas décadas.


De facto, seria apenas em 2014 que um jornalista seguiria o 'rasto' de Sergio Matsinhe, vindo a encontrá-lo em Londres. Em entrevista exclusiva, o MC revelava ter passado maus momentos tanto na capital britânica como nas ruas de Nova Iorque, vivendo uma existência muito distante dos dias de glória nos palcos nacionais. A entrevista, e respectiva capa, ajudavam o General a regressar à consciência popular dos melómanos nacionais, mesmo a tempo da reedição dos seus dois registos, em 2015. O regresso aos palcos, no entanto, dar-se-ia apenas quatro anos depois, num evento na Altice Arena que reunía muitos dos 'pais fundadores' do 'hip-hop tuga' – não só General D, como também Boss AC, Black Company ou Chullage, entre outros. Um final merecidamente apoteótico para uma carreira (e vida) que foi do Céu ao Inferno, sempre de pés no chão e carapinha no ar, e que continua, até hoje, a deixar a sua marca em todo um movimento musical.

Tuesday, 1 April 2025

Segundas de Sucessos / Terças de TV: Os Canais Musicais da TV Cabo - Novos Horizontes Para Os Melómanos 'Millennials'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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A chegada a Portugal da TV Cabo abriu novos horizontes aos quais o português médio não estava, de todo, habituado. Mesmo quem tinha televisão por satélite gozava de pouco mais do que alguns canais adicionais (e nem sempre com transmissão clara) enquanto que o novo serviço punha à disposição dos seus assinantes centenas de canais de uma só vez, todos (ou quase) com transmissão perfeita, e dentro dos mais diversos 'nichos' especializados. Para os espectadores mais jovens, em particular, isto representava uma amplitude consideravelmente maior no tocante a canais desportivos, de desenhos animados e, claro, de música, um dos mais perenes e intemporais interesses de qualquer criança ou adolescente.


E se os 'millennials' lusitanos haviam, até então, tido de se contentar apenas com o icónico 'Top +', a TV Cabo veio trazer-lhes a possibilidade de sintonizar canais de que, até então, apenas se ouvia falar em filmes ou programas de televisão estrangeiros, como a MTV e o VH1. De súbito, aquela parca 'horinha' semanal de 'videoclips' e êxitos de tabela transformava-se numa emissão praticamente perpétua, composta não só pelos vídeos 'da moda' como também por entrevistas a músicos e bandas, galas (como os icónicos MTV Video Music Awards, que mantiveram acordados pela noite dentro muitos jovens da época) notícias do foro musical, programas de curiosidades (como o 'Pop-Up Video' do VH1) documentários biográficos (como o lendário 'Behind The Music', do mesmo canal) e até conteúdos apenas tangencialmente ligados ao Mundo da música, os quais viriam, eventualmente, a 'tomar de assalto' a MTV, e a escorraçar os vídeos musicais pela qual a mesma se tornara conhecida.


Tal situação ainda estava, no entanto, a alguns anos de distância, pelo que os 'millennials' portugueses puderam, ainda, viver o 'auge' dos dois canais, a par da 'alternativa' nacional Sol Música (que já aqui teve o seu espaço) e do canal alemão VIVA, que permitia conhecer algumas das 'bizarrias' que iam fazendo sucesso na Europa Central. Um 'cardápio' com algo para todos os gostos, que não podia deixar de satisfazer os melómanos inveterados – mesmo faltando nele alguns 'ingredientes-chave', como o 'Headbangers' Ball', o programa de hard rock e heavy metal da MTV norte-americana, mas que não fazia parte da grelha da inglesa.


E se as constantes reestruturações de canais da TV Cabo vieram relegar estes canais de música para longe dos lugares de destaque que então ocupavam, a verdade é que pelo menos um – a MTV – 'resiste ainda e sempre ao invasor', qual Astérix dos canais musicais. Infelizmente, mesmo esse canal se encontra, hoje, muito desvirtuado, e quase irreconhecível para quem o conheceu nos anos 90 e 2000, quando – ao lado dos 'irmãos' nacionais e estrangeiros – constituiu um dos principais atractivos para se tornar assinante do novo e revolucionário serviço de televisão por cabo, e fez a alegria de milhares de jovens de Norte a Sul do País com as suas novidades áudio-visuais e culturais.

Tuesday, 4 March 2025

Segundas de Sucessos: 'F-F-F-FREESTYLER! ROCK THE MICROPHONE!'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 03 de Março de 2025.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


No que toca ao mundo da música, a Finlândia é normalmente associada, sobretudo, a sonoridades mais pesadas, inseridas no âmbito de géneros como o metal ou o rock gótico. Há quase exactos vinte e cinco anos, no entanto - nos meses da viragem do século e Milénio - o país escandinavo seria responsável por aquela que seria a grande música do primeiro Verão do século XXI, uma faixa de electrónica dançável que conseguia gerir perfeitamente as vertentes mais 'credível' e mais comercial, e que colocou a juventude do ano 2000, em Portugal e não só, a 'rappar' e a tentar inventar coreografias para acompanhar a batida.


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Falamos de 'Freestyler', o único êxito do duo conhecido como Bomfunk MC's, e que ajudou (e de que maneira!) a catapultar as vendas do álbum de estreia do mesmo, 'In Stereo', lançado no ano anterior. Com a sua mistura de hip-hop e batidas electrónicas, bem típica da época (sonicamente próxima de um Fatboy Slim, Prodigy ou mesmo dos momentos mais 'agitados' de uns Gorillaz) a música conquistou de imediato os corações de grande parte das gerações 'X' e 'millennial', passando desde logo a integrar a banda-sonora de muitos eventos e festas privadas levadas ao cabo ao longo dos seis a doze meses seguintes ao seu lançamento na Europa, em Fevereiro de 2000.



Esse sucesso levou, por sua vez, a que as referidas demografias descobrissem, também, 'malhas' como 'B-Boys Fly Girls' e 'Uprocking Beats', que, embora constituíssem meras variações da mesma fórmula, eram também dotadas de refrões suficientemente apelativos para 'ficarem na cabeça', sendo mesmo possível que alguns os tenham retido durante os vinte e cinco anos transactos.Infelizmente, o álbum caía na habitual armadilha de colocar todas as melhores músicas na frente, fazendo com que poucos chegassem alguma vez a passar de meio do álbum.


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Ainda assim, no entanto, as três músicas referidas teriam sido mais que suficientes para colocar os Bomfunk MC's no mapa; infelizmente, no entanto, tal não foi o caso, com os dois álbuns seguintes da dupla a passarem totalmente despercebidos no mercado europeu (ao ponto de poucos saberem que os mesmos existem), tendo o duo vindo a separar-se pouco depois do lançamento do terceiro LP, em 2005. Treze anos depois, no entanto, os Bomfunk voltavam à activa – e apesar de essa reunião não ter, até agora, rendido frutos, será talvez legítimo esperar que, a qualquer altura, o duo possa resumir a carreira do ponto em que a deixaram, com o lançamento de alguns 'singles' ou mesmo de um quarto álbum. Resta saber se o nome por si só chegará para reconquistar uma audiência para quem os finlandeses nada mais são do que uma recordação ligada a festas de Verão na infância e adolescência, e que provavelmente ainda hoje pensam que o jovem de 'rastas' que se passeava pelo vídeo oficial de 'Freestyler' – e que surgia na capa do 'single' - era um dos integrantes do grupo...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...