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Thursday, 25 June 2026

Quintas No Quiosque: Trinta e Um Ano de Um 'Esteio' da Imprensa Tecnológica Nacional

 Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por várias vezes abordámos a enorme variedade de revistas especializadas existente nas bancas e quiosques portugueses durante o período de maior florescimento da imprensa nacional, nas décadas de 80, 90 e 2000; e, enquanto 'nicho' de interesse para um número crescente de leitores á época, a informática não podia, claro, ficar de fora desta equação. De facto, existiam não uma, mas duas revistas de referência nesse campo durante o período em causa: a PCGuia, de que já falámos nestas páginas, e a publicação que abordamos neste 'post', e sobre cujo número inaugural se celebram este mês exactos trinta e um anos.

Nascida como publicação 'paralela' à também popular revista 'Exame', a 'Exame Informática' surgia pela primeira vez nas bancas em Junho de 1995, a tempo de 'navegar' (passe a expressão) aquele que talvez fosse o período mais excitante da história da informática – o da transição do Windows 3.1 para o mais intuitivo Windows 95, e do surgimento da primeira versão primitiva e rudimentar da Internet 'de massas'. E a verdade é que a revista em causa fazia um excelente trabalho, conseguindo explicar os termos e especificações técnicas inerentes ao seu campo de especialização de uma forma simples e fácil de entender, permitindo-lhe assim a luta 'taco a taco' com a supracitada PC Guia.

Foi, aliás, também da rival que a 'Exame Informática' 'tirou' a ideia de agregar CD-ROM (mais tarde DVD-ROM) com programas e 'demos' a cada um dos seus números, tendo-se esse tornado (como no caso da concorrente) um dos principais motivos de interesse para o público-alvo, sempre sedento de novidades naquele tempo em que tudo parecia possível. Daí para a criação de um 'site', a evolução foi natural, e não demorou até o público poder consultar os conteúdos da revista também 'online'; seguiu-se a criação de uma gala para atribuição de prémios no campo da informática (uma espécie de Globos de Ouro tecnológicos) e de um programa televisivo, em parceria com a SIC, numa ascensão em flecha pouco comum para uma publicação escrita na década de 2000.

De facto, a 'Exame Informática' viria a provar-se 'dura de matar', continuando a ser lançados novos números muito depois de a maioria das publicações físicas se ter tornado exclusivamente digital, e de outras tantas (incluindo a concorrente directa) terem desaparecido; poeticamente, a revista 'morreria' a escassas semanas de completar trinta anos, tendo a última edição ido às bancas em Maio de 1995. Agora, um ano depois, cabe-nos prestar homenagem àquele que foi um dos dois 'pilares' da imprensa tecnológica nacional durante três décadas, tendo mantido informados muitos adeptos da informática que, decerto, ainda hoje lhe sentem a falta. É a eles que dedicamos estas linhas de 'aniversário' de uma publicação que não chegou a entrar na sua terceira década de vida, mas que, durante a sua existência, almejou mais do que a esmagadora maioria das suas congéneres.

Thursday, 14 May 2026

Quintas no Quiosque: A 'Grande' Referência da 'Reportagem' Em Portugal

 

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O jornalismo de investigação sempre foi um dos 'ex-libris' da imprensa portuguesa, com a maioria dos principais profissionais de informação nacionais a poderem orgulhar-se de, pelo menos, uma reportagem 'a fundo' de enorme qualidade. Não é, pois, de admirar que, nas décadas de 80 e 90, tivesse existido primeiro um programa e, mais tarde, uma publicação tematizada em torno deste tipo de jornalismo; é desta última que falamos nesta Quinta no Quiosque.


Inicialmente activa por um período de apenas seis meses, em meados dos anos 80, a revista Grande Reportagem viria a gozar de uma 'segunda vida' (ou segundo fôlego, se preferirmos) já nos últimos meses daquela década, quando o director José Barata Feyo e o seu principal colaborador (e eventual sucessor) Miguel Sousa Tavares 'ressuscitavam' a revista, já sem o contributo de nomes como Rui Araújo ou Joaquim Furtado, mas com substitutos mais do que à altura, como António Lobo Antunes ou Agostinho da Silva. O resultado era uma revista de referência no campo do jornalismo de investigação, a qual (sem quaisquer surpresas) gozaria de mais de uma década e meia de publicação contínua, naquele que era um paradigma diametralmente oposto ao vivido durante a primeira 'tentativa' de Barata Feyo e companhia.

Este percurso não foi, no entanto, livre de percalços, tendo a Grande Reportagem passado, durante os seus últimos cinco anos de vida, por quatro editoras diferentes, indo das Publicações Dom Quixote (sua 'casa' durante onze anos) a parte da Press Mundo, até acabar como suplemento de Sábado dos jornais do grupo Notícias, sob a égide da Controlinveste, em 2005; nada que beliscasse a reputação da revista como publicação de referência, mas sem dúvida um obstáculo à estabilidade vivida nos tempos da Dom Quixote. É, pois, admirável que, por meio a todo este sobressalto, a Grande Reportagem tenha conseguido manter o mesmo nível de qualidade e interesse para aficionados do jornalismo de investigação, e consolidado a nomeada que já possuía dentro do meio, e que a torna temática natural para esta nossa rubrica dedicada a publicações de relevo no Portugal de finais do século XX.

Saturday, 14 March 2026

Quintas no Quiosque: Trinta Anos de 'Casas' em Revista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Março de 2026.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Apesar de, normalmente, não ser um tema que se preste especialmente a toda uma publicação especializada, também o mercado imobiliário logrou, de alguma forma, encontrar o seu espaço no florescente mercado de periódicos do Portugal de finais do século XX, através de uma publicação que – em sentido contrário às mesmas tendências que vitimaram tantos outros títulos da época – logrou permanecer em actividade até aos dias que correm, ainda que, previsivelmente, já apenas em formato digital.


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(Crédito da imagem: CustoJusto)


Falamos da revista 'Casas de Portugal', cujo primeiro número completou há um par de meses exactos trinta anos. Surgida originalmente nas bancas nacionais em Janeiro de 1996, com periodicidade sensivelmente trimestral (apesar de alguns números saírem com apenas dois meses de intervalo, e outros cerca de quatro) a revista estabeleceu, logo desde esse primeiro número, o propósito declarado de oferecer artigos de interesse para agentes imobiliários e proprietários, em assuntos tão diversos quanto a decoração ou a maximização do espaço, por forma a garantir que os mesmos tinham as melhores probabilidades possíveis de vender ou alugar a sua propriedade. Em conjunção com esta vertente, cada número trazia ainda uma lista de casas, apartamentos e terrenos actualmente à venda, uma característica que se prestou admiravelmente à transição para o meio digital, sendo hoje um dos principais atractivos do 'site' da revista.


Uma publicação explicitamente especializada, portanto, mas que encontrou, ainda assim, uma demografia de interessados suficientemente vasta para lhe garantir três décadas de vida contínua – o que não deixa de fazer sentido, já que o imobiliário é um dos campos de negócio mais perenes e povoados no nosso País. Ainda assim, é admiravelmente raro para uma publicação deste tipo sobreviver trinta anos no seio da hoje moribunda imprensa nacional, justificando-se assim plenamente estas poucas linhas dedicadas a uma das poucas 'resistentes' que conseguiram tal façanha.

Thursday, 29 January 2026

Quintas no Quiosque: Preservar Uma 'Visão' de Futuro

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.


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Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.


Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.

Saturday, 26 July 2025

Quintas no Quiosque: As Revistas de Lavores - Um Elo Com O Passado Recente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 24 de Julho de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


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A principal representante nacional do género, à época


Qualquer mudança de paradigma ou mentalidade geracional não se faz de imediato, antes pelo contrário; tradicionalmente, verifica-se a continuidade de elos de ligação aos hábitos, interesses e tradições das gerações anteriores, por forma a não as alienar do 'novo normal', e a permitir-lhes, em vez disso, uma transição gradual para o novo modo de vida. O campo da imprensa escrita não é excepção a este respeito, o que explica o porquê de diversas publicações se manterem firmes geração após geração, mesmo depois de a sua relevância e impacto terem diminuído consideravelmente.


Nos anos 90 e 2000, o principal exemplo deste fenómeno eram as revistas de lavores, dirigidas sobretudo a uma população de mais idade, com interesse nas artes do bordado, 'crochet' ou ponto-de-cruz, e que encontravam na mesma a quase totalidade da sua audiência. Compostas, quase exclusivamente, por imagens de padrões, acompanhadas de instruções sobre como os tornar realidade, estas revistas eram, para 'leigos', tão ou mais inescrutáveis que qualquer outra publicação especializada e dedicada a um 'hobby'; para conhecedores do assunto, no entanto, as mesmas constituíam um recurso valioso, que ajudava à imaginação na hora de conceber novos padrões com os quais se entreter durante os dias, semanas ou mesmo meses subsequentes – razão mais que suficiente para a sua existência continuada, mesmo no auge da afirmação cultural da geração 'Millennial', cujo interesse por lavores era, e é, praticamente nulo.


Com o passar dos anos, o advento da 'Internet das Coisas' veio tornar estas publicações, como tantas outras, redundantes e obsoletas, já que é, hoje em dia, extremamente fácil conseguir padrões de bordado ou 'crochet' na Internet, e imprimi-los ou seguir as instruções no ecrã do computador ou telemóvel. Para quem prefere fazer as coisas 'à moda antiga', no entanto, é possível que estas revistas continuem a fazer sentido e a ter razão de ser, pelo que é possível que as continuemos a ver nas bancas nacionais durante ainda mais alguns anos.

Thursday, 12 June 2025

Quintas no Quiosque: A Revista Mais Misteriosa da Internet...Desvendada!

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Numa edição anterior desta rubrica, abordámos aquela que parecia ser a revista mais misteriosa da Internet, sobre a qual existia, apenas e tão sómente, uma foto num leilão do OLX. Por alturas desse 'post', procurámos especular sobre o que versaria a revista, e qual seria a sua origem e contexto, sem, no entanto, obtermos grandes resultados. Felizmente, o leitor nosso homónimo (e 'historiador' de serviço sempre que erramos ou não compreendemos algum detalhe) Pedro Serras, autor do blog Desumidificador, fez o favor de providenciar informação que nos permite, finalmente, contextualizar esta revista no panorama da imprensa juvenil nacional de finais do século passado. Assim, ainda que com vários meses de atraso (desculpa, 'outro' Pedro!) aqui ficam mais algumas linhas que resolvem, finalmente, o 'mistério' da revista 'Juvenil'.


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E a verdade é que, com estas informações, a falta de informações e obscuridade da revista se tornam fáceis de explicar. Isto porque a 'Juvenil' era uma publicação nos mesmos moldes da 'Nosso Amiguinho', isto é, ligada a um grupo religioso (no caso, os Salesianos) e adquirível apenas por assinatura no seio da própria instituição. A diferença, em relação à congénere brasileira, prendia-se não só com a longevidade (tendo sido fundada ainda em finais da década de 60, e publicada ininterruptamente em formato físico durante quase cinquenta anos, até 2016, altura em que passou a ter presença apenas digital) mas também com a faixa etária a que se destinava, e que fica bem patente no título da própria revista; isto porque, se a 'Nosso Amiguinho' era declaradamente direccionada a crianças em idade de instrução primária, a 'Juvenil' apontava ao público pré-adolescente (entre os 11 e os 14 anos), havendo por isso uma maior preocupação em esclarecer dúvidas relativas a essa etapa da vida humana, e em prestar auxílio, ainda que remoto e impessoal, a quem a atravessava.


Para 'aliviar' estas temáticas mais sérias, a revista trazia ainda os habituais passatempos, páginas de anedotas e saúde, horóscopos, traduções de letras de músicas dos 'tops', secções de correio, e uma peça de teatro para ler ou encenar, se assim se desejasse, aproximando-a assim de publicações homólogas do mercado laico, como a 'Super Jovem', e garantindo o engajamento do seu público-alvo, por muito assumidamente restrito que o mesmo fosse. Sob este formato, a revista foi capaz de deixar marca em, pelo menos, três gerações de adolescentes, sendo mesmo possível que pais e filhos da mesma família tenham, ambos, lido a revista durante o seu tempo de juventude; um feito notável, e que torna esta já não tão misteriosa revista ainda mais merecedora do destaque nestas nossas páginas. Resta, pois, deixar mais uma vez os nossos agradecimentos ao Pedro, sem o qual esta 'continuação' não teria sido possível, e a 'Juvenil' teria continuado tão misteriosa e causadora de perplexidade como antes...

Thursday, 10 April 2025

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Crash', Uma Experiência Louvável Mas Falhada

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 9 de Abril de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Nas últimas duas décadas do século XX, o mercado da banda desenhada em Portugal dividia-se em duas grandes categorias: por um lado, os 'quadradinhos' de quiosque da Disney, Marvel, Turma da Mônica e afins e, por outro, os álbuns encadernados, domínio quase exclusivo dos autores franco-belgas clássicos. De quando em vez, no entanto, um ou outro trabalho mais independente procurava 'furar' esta duologia, fosse ele um álbum ou série de álbuns assinados por um autor emergente ou, como no caso de que aqui falaremos, uma revista destinada a pôr em relevo múltiplos nomes da cena. Era, exactamente, essa a proposta da Crash, um periódico totalmente independente lançado pelas Publicações Totais que, apesar do nome algo 'duvidoso', conseguiram levar às bancas um produto com alguma qualidade, cujo primeiro número celebra este mês trinta anos de vida.


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Com foco particular na fantasia e ficção científica (géneros com larga e colorida história em países como os EUA e o Reino Unido, mas pouquíssima expressão em Portugal) a Crash era um projecto de Miguel Jorge, nome já com algum percurso no Mundo das artes gráficas nacionais, após ter colaborado com a revista especializada Art Nove. Apesar do envolvimento deste nome de relevo, no entanto, esta nova publicação – com periodicidade mensal e um custo de capa de trezentos escudos, a média para a época – situava-se no limiar entre revista profissional e 'fanzine' (como é classificada nos poucos 'sites' que a relembram), sendo a sua ética e missão editorias derivadas destas últimas.


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De facto, mais do que fazer dinheiro, Miguel Jorge e companhia procuravam dar a conhecer arte – o que pode explicar a pouca expressão que a revista teve, sendo mesmo incerto se terá passado do primeiro número, o único sobre o qual se conseguem ainda encontrar informações. Um caso, talvez, de, como se diz, de boas intenções estar o Inferno cheio – o que não deixa de ser uma pena, já que o objectivo dos editores tinha mérito evidente, e, caso tivesse resultado, a revista em causa poderia ter servido como muito necessária plataforma de lançamento para uma série de artistas gráficos de nicho que haviam tido o 'azar' de nascer e viver em Portugal. Sobram, pois, as referidas intenções, que poderão não ter sido suficientes para 'salvar' a 'Crash', mas a tornam digna de menção por ocasião dos trinta anos do seu primeiro (e talvez único) número.

Thursday, 13 March 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: A VERDADEIRA Revista Mais Misteriosa da Internet

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 13 de Março de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes abordámos produtos, programas e publicações do Portugal dos 'noventa' que, por uma razão ou outra, foram Esquecidos Pela Net, transformando-se naquilo a que normalmente se chama 'lost media' e ficando, assim, algo arredados da memória nostálgica das gerações que então cresciam e amadureciam. No entanto, grosso modo, até o mais obscuro desses produtos possibilita a escrita de algumas linhas a seu respeito, seja através de recordações e memórias pessoais, seja pelos (poucos) recursos que ainda o recordam nos meandros cibernéticos; tal não é o caso, no entanto, com a publicação de que falamos neste 'post' duplo do Anos 90, e que consegue a proeza de ser o primeiríssimo tópico a deixar o autor deste 'blog' totalmente perplexo.


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De facto, é possível que nos tenhamos precipitado ao rotular a revista 'Ultra Som' como a mais misteriosa da Internet, já que, apesar da falta de dados ou números digitalizados da mesma, era pelo menos possível discernir do que tratava pelas pistas contextuais oferecidas pela única capa disponível na Net. No caso da revista agora em análise, no entanto, nem isso é viável, já que tanto o título impossivelmente genérico como as capas mostradas no leilão OLX (mesma fonte da 'Ultra Som') não permitem mais do que uma conjectura. E se o termo 'Juvenil' utilizado como título infere a quem a revista se dirige, as capas ora desenhadas, ora feitas de colagens fotográficas não deixam claro se a mesma deve ser inserida nas Quartas aos Quadradinhos, Quintas no Quiosque, ou mesmo em ambas, à laia de uma 'Super Jovem' (publicação com a qual parece ter maiores semelhanças). Pedimos, pois, aos nossos leitores que saibam alguma coisa sobre esta revista (alô, homónimo sabe-tudo!) que nos deixem alguma pista sobre a natureza da dita-cuja; nos entrementes, no entanto, tem mesmo de ficar por aqui esta análise sobre mais um elemento ultra-Esquecido Pela Net do Portugal de finais do século XX.

Thursday, 1 August 2024

Quintas no Quiosque: A Revista 'Telenovelas' - O 'Fóssil Vivo' da Imprensa Cor-de-Rosa Portuguesa

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui anteriormente falámos das revistas cor-de-rosa, ainda hoje o 'prazer secreto' de muitos portugueses e portuguesas, sobretudo das gerações mais velhas. Por muito popular que este mercado seja hoje em dia, no entanto, a sua dimensão, volume e espectro não se comparam com aqueles de que esse nicho da imprensa escrita gozava nos anos 80 e 90, quando a absurda 'saúde' do mesmo chegava a permitir criar publicações hiper-especializadas,focadas não apenas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais, mas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais de um único estilo de programa televisivo. É o caso da publicação que trazemos da nossa última visita ao Quiosque, a qual surpreendentemente, subsiste até aos dias de hoje, com o formato praticamente inalterado, tornando-a num exemplo cada vez mais raro de longevidade no contexto da imprensa escrita nacional.


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Fundada logo nas primeiras semanas do ano de 1998, a revista 'Telenovelas' era encabeçada pelo fundador José Rocha Vieira e pela malograda Teresa Pais, que havia anteriormente passado pela 'Élan' e pela 'Teenager', e deixava desde logo claro o seu propósito: divulgar não só as tramas dos episódios semanais de cada telenovela então em exibição em Portugal, mas também fofocas, curiosidades e efemérides sobre as estrelas das mesmas, além das habituais secções sobre beleza, moda, sexo, saúde e bem-estar. Um conceito que não podia deixar de agradar a uma certa 'fatia' de público nacional, para quem este tipo de programa constituía, a par dos 'talk-shows', o expoente máximo da televisão, pelo que não será de admirar que muitos elementos das gerações hoje na casa dos trinta a quarenta anos tenham crescido com vários números desta revista na mesa da sala lá de casa, em meio às 'TV Guia' e outras revistas semelhantes, ou folheado as mesmas durante uma visita ao médico ou ao cabeleireiro, entre um número antigo da 'Elle' ou 'Vogue' e outro da 'Casa Cláudia' ou 'Guia'.


Mais surpreendente é o facto de, conforme acima mencionado, a revista se ter mantido 'viva' até aos dias de hoje, sobrevivendo à 'purga' da imprensa escrita causada pelos 'media' digitais, não obstante várias mudanças de pessoal, e até de editora. Hoje sob a alçada do grupo Trust In News, que a adquiriu em 2018 ao grupo Impresa, a publicação em causa constitui, pois, um dos poucos exemplos de 'fósseis vivos' daquela era de ouro da imprensa 'cor-de-rosa' portuguesa, sendo merecedora de atenção por quem queira ter uma experiência o mais próxima possível do que era ler uma revista do seu tipo em finais do século XX e inícios do seguinte.

Thursday, 25 January 2024

Quintas no Quiosque: '20 Anos' - Uma Alternativa Falhada

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


As décadas de 90 e 2000 representaram, possivelmente, o auge da imprensa infanto-juvenil em Portugal. Entre as inúmeras revistas aos quadradinhos e a profusão de publicações especializadas nos mais diversos ramos, difícil era encontrar uma criança ou jovem da altura que não comprasse pelo menos um dos muitos títulos disponíveis. De igual forma, o mercado mais 'adulto' viu também surgirem, durante este período, publicações como a Visão, a Sábado ou o menos duradouro mas não menos icónico 24 Horas, a juntar à panóplia de revistas e jornais estabelecidos já existentes, um panorama que, infelizmente, se alterou diametralmente nos últimos anos.


Em meio a toda esta oferta, no entanto, uma demografia ficava um pouco esquecida – a dos jovens mais velhos, já saídos da adolescência, mas a quem a abordagem mais política dos títulos supramencionados ainda não interessava particularmente. Foi com esse mercado em mente que surgiu, já em finais da década, uma publicação centrada na transmissão e debate de temas de interesse para a juventude, mas sob uma perspectiva mais evoluída, e com toques de humor e sarcasmo à mistura; e embora a mesma não tenha vingado, 'sobrevivendo' apenas durante cerca de um ano, há ainda assim que reconhecer o esforço dos envolvidos, entre os quais se contam nomes sonantes do humor lusitano, ligados às miticas Produções Fictícias.


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A original francesa que informava a 'versão' nacional.


Falamos da revista '20 Anos', a localização em português da revista francesa do mesmo nome, e um daqueles títulos completamente Esquecidos Pela Net que só tem teve contacto directo relembra, não havendo dela qualquer registo fotográfico digitalizado, nem tão-pouco os habituais leilões do OLX. Neste caso, devemos as (poucas) informações que temos ao Pedro Serra, que, apesar de fora da demografia-alvo, tinha acesso às revistas através da irmã mais velha (por aqui, a irmã era mais nova, sendo o autor também demasiado jovem para ter interesse na referida publicação). É, pois, graças ao relato em primeira mão do nosso homónimo e leitor assíduo que ficamos a saber que a '20 Anos' não se focava apenas num tema, propondo uma gama abrangente de conteúdos, sendo o denominador comum a irreverência e o humor. O próprio Pedro refere as 'tirinhas' de banda desenhada e os famosos 'testes de personalidade' tão típicos da época como os grandes destaques, tendo estes últimos a particularidade de serem redigidos por dois ex-alunos de Comunicação Social da Universidade Católica, de seus nomes Miguel Góis e Ricardo Araújo Pereira...


É também o Pedro quem sugere que a curta vida da revista se terá devido à dificuldade em encontrar a sua audiência, o que se afigura peculiar, dado serem, à época, muito poucas as publicações que 'fizessem a ponte' entre o universo das Super Pop, Bravo, Ragazza ou Super Jovem e os periódicos mais adultos, pelo menos de uma perspectiva generalista; por outras palavras, em teoria, pareceria haver mercado para uma 'versão jovem' de algo como a revista 'Guia', que parecia ser a proposta da '20 Anos'. Sejam quais tenham sido as razões por detrás do seu 'falhanço', no entanto, a verdade é que haverá pouco quem recorde aquela que tentou ser uma publicação revolucionária para a sua época, mas acabou como apenas uma 'nota de rodapé' meio 'apagada' na História da melhor fase de sempre da imprensa periódica portuguesa...

Thursday, 29 June 2023

Quintas no Quiosque: A Revista 'PC Guia' - Três Décadas a Informa(tiza)r os Portugueses...

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


De entre todos os tipos de publicação disponíveis no mercado português durante a década de 90, as revistas de jogos e informática estavam entre as que mais interesse suscitavam ao público infanto-juvenil, a par das de banda desenhada, música, celebridades ou especificamente dirigidas a essa demografia: o sector masculino, em particular, era ávido consumidor deste tipo de periódico, o qual constituía, à época, o principal recurso para conhecer as novidades no campo tanto do 'software' (jogos e programas informáticos) como do 'hardware', ou seja, os próprios recursos técnicos e tecnológicos por detrás do desempenho de um computador ou consola. E se no primeiro caso as líderes de mercado eram a 'Mega Score' e a 'Bgamer', sem grandes hipóteses para a maioria da concorrência, no segundo, um único nome era incontornável no Portugal dos 90s: a PCGuia.


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Exemplar da revista com o grafismo original.


Fundada em 1995, e inicialmente vinculada ao grupo Cofina, a nova revista não tardou a afirmar-se como referência no sector dos periódicos tecnológicos, devido, sobretudo, ao facto de não haver à época em Portugal qualquer outra publicação nos seus moldes. De facto, muito mais do que uma simples 'revista de jogos', ou seguidora das tentativas simplistas de lançar uma 'revista de computadores' feitas até então, a 'PCGuia' procurava ser aquilo que o seu nome indicava – um guia para utilizadores informáticos, e para aqueles que procuravam iniciar-se nesse mundo, ou simplesmente melhorar os seus recursos dentro do mesmo.


Assim, o conteúdo da revista tendia a misturar os melhores elementos de uma 'ProTeste' (e de outras revistas especializadas da época) com os da referida 'Mega Score', apresentando testes sérios, sóbrios e detalhados a computadores, sistemas e programas (entre os quais, claro, alguns jogos) ao mesmo tempo que dava conta das últimas novidades e dos mais entusiasmantes avanços tecnológicos a esperar no futuro, tornando-se assim uma valiosa 'aliada' dos consumidores informáticos na hora de decidir em que investir o seu dinheiro – o que, numa época em que a tecnologia primava ainda por preços exorbitantes, a ajudava a destacar-se dos restantes periódicos do ramo.


A juntar aos conteúdos verdadeiramente úteis e de qualidade cuidada estava, ainda, o principal atractivo da 'PCGuia' para grande parte do público jovem nacional – o CD-ROM (mais tarde DVD) recheado de versões de teste ou gratuitas do mais variado tipo de programas, alguns dos quais do interesse activo desta demografia. Tal como acontecia com a 'Mega Score', 'Bgamer' e mais tarde a 'Player', esta adição era, muitas vezes, suficiente para justificar o preço de capa, já que os programas nela veiculados tendiam a ter bastante uso por parte dos compradores.


Esta combinação de conteúdos de qualidade com um 'brinde' apetecível terá, aliás, sido o principal factor por detrás do sucesso da revista, que – ao contrário do que acontece com muitas das publicações que aqui recordamos – continua a marcar presença nas bancas nacionais a cada mês, embora agora em versão '2.0', e já sem o apoio do grupo editorial lisboeta. Significa isto que a revista, nascida na era do Windows 95, marcou já presença em quatro décadas da vida quotidiana portuguesa, durante as quais ajudou três gerações a escolherem material informático, e viu o mundo da tecnologia progredir dos primeiros processadores Pentium para Inteligências Artificiais que escrevem livros por si mesmas, quase sem ajuda; há que esperar, portanto, que estes mesmos avanços tecnológicos não venham a ditar o fim desta já 'decana' publicação, como aconteceu com tantas das suas contemporâneas...

Wednesday, 14 June 2023

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Correio Juvenil' do Clube Verbo

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui falámos, numa edição passada, de como os clubes de jovens por correspondência se popularizaram entre a juventude noventista. Da Sega e Nintendo ao grupo Auchan (através das mascotes Rik e Rok) passando pelo pioneiro Clube Amigos Disney e por um sem-fim de clubes de fãs de artistas sem afiliação corporativa, criados e geridos por jovens perfeitamente normais e anónimos, foram inúmeros os exemplos deste tipo de iniciativa surgidos durante as duas últimas décadas do século XX e primeira do seguinte.


O campo da literatura não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo sido nada menos do que duas as tentativas feitas nesse sentido por editoras populares entre a 'miudagem': o lendário Clube Caminho Fantástico, da Editorial Caminho – talvez o exemplo mais bem conseguido deste tipo de serviço – e o Clube Verbo, lançado pela editora homónima algures nos anos 80 e que, como o seu congénere, 'resistiu' até pelo menos à 'recta final' do século XX. Tal como sucedia com a maioria dos outros clubes deste tipo, cada um destes grupos tinha a sua revista própria, com passatempos, cartas e desenhos de leitores e – no caso do Correio Juvenil – também banda desenhada.


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Duas capas do suplemento, ambas alusivas à mesma história de Tintim


De facto, a revista veiculada pelo Clube Verbo destacava-se da 'concorrência' por se inserir no mesmo segmento de publicações 'oficiais' como 'Tintim', 'Spirou' e 'Selecções BD', bem como de suplementos vinculados a jornais e revistas, como o 'BDN' ou o suplemento juvenil do Expresso, ao reunir e editar em 'tranches' histórias de alguns dos autores mais clássicos do mundo da banda desenhada, com destaque para Hergé e Carl Barks, ilustrador principal da era de Ouro da BD da Disney, do qual foram veiculadas duas histórias entre os números 74 e 89, cada uma delas dividida em oito partes: do número 74 ao 81 foi editado 'O Sofá Expresso', de Donald e sobrinhos, e do 82 ao 89 'O Deus do Vulcão', com Mickey e Pateta. Os restantes (poucos) recursos actualmente existentes sobre esta revista mostram imagens de 'O Caranguejo das Tenazes de Ouro', aventura de Tintim passada no Médio Oriente, e sugerem terem sido publicadas histórias de outros autores franco-belgas menos conhecidos.


O facto, no entanto, é que o clube da Difusão Verbo foi um pouco 'Esquecido Pela Net', o que acaba por ser uma pena, já que parece tratar-se, como o Caminho Fantástico, de um exemplo particularmente bem conseguido do formato de clube de jovens por assinatura ou correspondência; cabe assim, como sempre, a este nosso 'blog' a função de recordar este clube, a sua revista, e as excelentes histórias nela publicadas, para que quem fez parte possa recordar, e quem não conhecia possa passar a estar a par...

Thursday, 8 June 2023

Quintas no Quiosque: Vinte e Cinco Anos de 'Super Interessante'

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A natural curiosidade e espírito inquisitivo inerentes à maioria das crianças e jovens tendem a fazer de campos como a ciência e a tecnologia pontos de interesse durante a fase de desenvolvimento e maturação do ser humano moderno, independentemente da sua proveniência ou da época em que tenha vivido. Assim, não é de espantar que uma publicação dedicada a transmitir informações sobre os últimos desenvolvimentos neste campo, de forma simples, compreensível e atractiva, tenha captado a atenção das faixas demográficas mais novas aquando do seu aparecimento, no dealbar da era da Internet.


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Falamos da 'Super Interessante', a adaptação portuguesa da revista brasileira do mesmo nome (também ela bastante famosa) surgida há quase exactamente um quarto de século (em Abril/Maio de 1998) pela mão de Carlos Madeira e do Grupo Impresa, um dos nomes maiores no campo do 'publishing' e dos periódicos em Portugal. Com grafismo e proposta editorial exactamente semelhantes ao da 'irmã mais velha', a revista trazia (e continua a trazer) mensalmente às bancas uma variedade de artigos focados, sobretudo, na ciência e tecnologia, mas cujo espectro se alargava a campos como o da sociedade, cultura e até natureza; no entanto, é inegável que foi o foco nas duas primeiras vertentes (à época menos exploradas nas bancas portuguesas) a principal razão do sucesso da revista, que celebra este ano a marca de vinte e cinco anos de publicação ininterrupta – um marco ainda mais impressionante tendo em conta o rápido declínio e extinção da imprensa escrita tradicional!


Mais - em relação aos primeiros exemplares impressos naquele já longínquo ano de 1998, a 'Super Interessante' actual difere apenas na casa editorial, que é agora a G+J Portugal, uma subsidiária da Motorpress anteriormente conhecida como All Media, e que tomou as rédeas da publicação em 2018. De resto, a proposta é exactamente a mesma, e – presumivelmente – continua a encontrar o seu público, prova de que, por vezes, não são necessárias grandes inovações ou truques de 'marketing' para fazer vingar uma publicação – basta uma linha editorial coerente e conteúdos de qualidade, como os que esta revista continua a oferecer aos seus leitores mês após mês.

Thursday, 6 April 2023

Quintas no Quiosque: 'Tele Guia' - A 'Parente Esquecida' da TV Guia

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Uma edição anterior desta rubrica focou as revistas que misturavam notícias sobre televisão, 'fofocas' sobre artistas e celebridades e grelhas de programação, com destaque para títulos ainda hoje existentes, como a TV Guia e a TV 7 Dias; no entanto, à época, ficava de fora uma publicação muito semelhante, mas bem mais obscura, e por isso pouco lembrada por quem foi jovem ou mesmo leitor deste tipo de publicação em finais do século XX - a Tele Guia.


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(Crédito da foto: Fórum A Televisão)


Criada algures nos primeiros anos da década, esta revista seguia à risca a 'fórmula' que ia fazendo o sucesso das suas congéneres, apresentando variações sobre muitas das mais populares secções das mesmas, das notícias às entrevistas, passando pelos inevitáveis resumos de novelas e, claro, pela grelha de programação, elemento central de qualquer revista deste tipo. As (poucas) novidades ficavam por conta de secções como 'Um Dia Com...' um qualquer nome da televisão portuguesa, ou do 'anexo' contido no final da revista (e único aspecto verdadeiramente inovador da mesma) intitulado 'Mais Tele Guia', e que adoptava uma fórmula mais próxima de publicações como a 'Guia', com receitas, horóscopos, testes e conselhos sobre assuntos como a saúde e, claro, a beleza.


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O suplemento 'Mais Tele Guia' era talvez o aspecto mais inovador da revista. (Crédito da foto: Fórum A Televisão.)


Mesmo este ligeiro 'desvio' da norma não foi, no entanto, suficiente para tornar a 'Tele Guia' memorável, tendo-se a revista esvaído nas 'brumas do tempo', sem nunca ter conseguido almejar o sucesso (e ainda menos a longevidade) das suas congéneres - como o comprova a dificuldade em encontrar informações sobre este título na Internet actual (obrigado, fórum A Televisão!) Ainda assim, certamente haverá entre os nossos leitores quem tenha memória (ainda que vaga) da revista - e quem não tiver, ficará decerto a conhecer esta parte obscura, mas ainda assim válida, do mercado de revistas sobre televisão do Portugal dos anos 90.

Thursday, 16 March 2023

Quintas no Quiosque: A Revista 'Premiere' - Uma Experiência Editorial Bem-Sucedida

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A imprensa portuguesa dos anos 90 e 2000 albergava uma série de títulos especializados de produção cem por cento nacional e alusivos aos mais diversos temas, que nada ficavam a dever aos seus equivalentes internacionais; da música aos videojogos. banda desenhada, veículos, desportos radicais ou até defesa do consumidor eram inúmeras as instâncias deste tipo, que faziam as delícias não só dos mais jovens como do público em geral, com os seus elevados padrões de qualidade e clara paixão pelos campos e temas abordados.


Um meio em particular não tinha, durante esta década, direito à sua própria publicação especializada – o cinema. Apesar do enorme sucesso que a maioria dos 'grandes' filmes atingia no nosso País, tardava a surgir uma revista ou jornal exclusivamente àcerca deste meio que viesse suceder às publicações análogas existentes em décadas anteriores, tendo os leitores mais curiosos de se contentar com as críticas e secções sobre filmes incluídas nos jornais generalistas da época. Foi apenas já na ponta final da década de 90, a um escasso par de meses do século XXI e do Novo Milénio, que se verificou a primeira tentativa de criar uma publicação deste tipo, através da habitual adaptação de um modelo estangeiro; o resultado seria a mais bem sucedida  revista especializada sobre cinema e filmes a surgir em Portugal até à data.


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(Crédito da foto: OLX)


Baptizada Premiere e lançada pela primeira vez nas bancas em Novembro de 1999, pelo grupo editorial francês Hachette, esta publicação de aspecto e apresentação luxuosos (como convinha a uma revista sobre as estrelas de Hollywood) trazia todos os conteúdos expectáveis num título deste tipo, das críticas com o habitual sistema de classificação por estrelas a matérias sobre os grandes filmes em estreia, notícias sobre títulos ainda em promoção u entrevistas com actores em destaque naquele mês; no fundo, a mesma fórmula adoptada em outros campos por publicações como o Blitz, a Riff, e outras revistas e jornais subordinados a úm único tema.


Escusado será dizer que esta cuidada adição ao panorama editorial português se revelou um sucesso, com os cinéfilos do início do Milénio a apreciarem sobremaneira o preenchimento daquela que era uma lacuna considerável no mercado nacional. A Premiere não tardaria, por conseguinte, a estabelecer-se 'de pedra e cal' nas bancas lusitanas, onde marcaria presença mensalmente durante os oito anos seguintes, sempre com as últimas novidades sobre lançamentos ou projectos cinematográficos.


Tal como costuma suceder com este tipo de publicações, no entanto, também o ciclo da Premiere se viria a fechar – sendo, aliás, este o aspecto mais fascinante da trajectória da revista no nosso País. Isto porque a publicação em causa foi cancelada, não uma, mas DUAS vezes: a primeira série, da Hachette, seria interrompida em 2007, a quatro números de atingir a centésima edição, mas a revista seria 'repescada' menos de um ano depois, agora pela mão do grupo Multipublicações, tendo esta segunda série falhado 'por pouco' outra marca emblemática - no caso a das quarenta edições – aquando do cancelamento definitivo em 2012. E apesar de o término desta publicação poder parecer prematura ou até desavisada face à falta de alternativas no mercado, a verdade é que, à data da extinção da revista, o panorama da imprensa escrita se encontrava já em rápido declínio a nível mundial com muitos cinéfilos a procurarem opiniões sobre os seus filmes favoritos, não numa revista, mas em sites como o iMDB e o Rotten Tomatoes, o que acabava por afectar os volumes de vendas de títulos como a Premiere. Ainda assim, quase um quarto de século após o seu aparecimento, a revista em causa continua a constituir caso de louvor no mercado editorial português, e a saldar-se como uma experiência mais do que bem-sucedida - como o comprovam, aliás, os diversos títulos sobre cinema surgidos na sua esteira - e certamente nostálgica para quem se habituou a rumar à banca mensalmente para ler sobre os seus filmes e actores favoritos.

Thursday, 2 February 2023

Quintas no Quiosque: A Revista VIP

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


De entre as diversas categorias editoriais existentes no mercado português de periódicos de finais do século XX, a chamada 'imprensa cor-de-rosa' talvez fosse a mais bem sucedida (mérito que, aliás, mantém até aos dias de hoje): a sede do público nacional por 'fofocas', escândalos ou simples fotografias 'glamourosas' de celebridades de terceira linha parece, de facto, ser inesgotável e insaciável, permitindo a muitos dos títulos que as crianças e jovens dessa altura conheceram (da clássica 'TV Guia', que intercalava os 'mexericos' com conteúdo de cariz mais noticioso, à declaradamente 'cor-de-rosa' 'Caras') manterem-se no activo até aos dias de hoje, sobrevivendo 'a pulso' numa era em que tudo se torna cada vez mais digital.


Também inserida nesse grupo continua a estar uma publicação do Grupo Impala que completou no Verão passado um quarto de século sobre o seu lançamento, em Junho de 1997: a revista 'VIP'.


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De grafismo e conteúdo praticamente 'intercambiáveis' com a referida 'Caras', foi com naturalidade que esta publicação se posicionou, á época, como alternativa à mesma, senão mesmo rival declarada; também previsivelmente, esta estratégia resultou em cheio, passando uma 'tranche' do público-alvo da 'Caras' (e de outras revistas semelhantes, como a 'Nova Gente', 'Ana' ou 'Roda dos Milhões') a adquirir também mais esta publicação para juntar ao 'monte' a 'devorar' durante a semana seguinte.


A 'VIP' conseguiu, assim, não só afirmar-se no mercado periodista nacional, como também almejar um crescimento gradual, que se traduziu, anos mais tarde, na criação de títulos temáticos subordinados, à semelhança dos editados por revistas como a 'Activa' – ainda que, como naquele caso, a revista-mãe continue a ser a mais popular, conhecida e bem-sucedida. Mesmo sem estes 'spin-offs', no entanto, a 'VIP' seria, ainda assim, digna de admiração, pela longevidade de publicação e presença consistente na vida de muitos portugueses e portuguesas ao longo dos seus vinte e cinco anos – prova cabal de que, em tendência contrária ao da restante imprensa escrita, as revistas 'cor-de-rosa' continuam a gozar de enorme sucesso em território nacional.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...