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Saturday, 30 May 2026

Saídas ao Sábado: As Lojas de Fotografia - 'Vítimas' do Avanço Tecnológico

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui por diversas vezes abordámos tipos de estabelecimentos comerciais que, nas duas décadas e meia desde o início do Novo Milénio, se tornaram obsoletos e acabaram por ficar à beira da extinção, senão mesmo por desaparecer por completo; e enquanto que muitos destes foram, simplesmente, substituídos pelas cada vez mais ubíquas grandes superfícies, outros casos houve em que a obsolescência se deveu ao desaparecimento do tipo de produto em que se especializavam. É de um destes casos, familiar a muitos jovens de finais do século XX, que falamos nesta Saída de Sábado.


Intimamente ligados à popularidade das máquinas fotográficas de rolo, não é, pois, de espantar que, com o advento da tecnologia digital neste tipo de aparelho, os estúdios e lojas de fotografia tenham acabado por, mais ou menos discretamente, desaparecer das ruas portuguesas. Aqui e ali, sobra ainda uma ou outra loja deste tipo, mas o foco, hoje em dia, está declaradamente na vertente mais técnica, com o público-alvo a ser constituído na sua quase totalidade por entusiastas da fotografia 'à moda antiga' ou profissionais do ramo; a loja que muitos portugueses conheceram em criança, onde se iam revelar os rolos de imagens da vida quotidiana ou tirar o 'retrato' para o cartão da escola, Cartão Jovem ou para ocasiões especiais, encontra-se inexoravelmente extinta, substituída pela conveniência, primeiro, de um cabo de transferência e um CD de instalação no computador e, mais tarde, da tecnologia 'Bluetooth' e facilidade de armazenagem de imagens na 'Cloud', que tornavam os serviços oferecidos por este tipo de estabelecimento redundantes.

Para quem viveu a época áurea da fotografia 'caseira' analógica, no entanto, aqueles estabelecimentos com frontispícios patrocinados pela Fujifilm e Kodak representaram parte integrante das memórias de infância e adolescência (até por terem directamente contribuído para a sua preservação), tendo constituído, à época, uma Saída de Sábado menos frequente do que outras que aqui abordámos, mas tão ou mais entusiasmante...

Thursday, 30 April 2026

Quintas ao Quilo: A Curta Vida de Um 'Mix' Perfeito

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de, hoje em dia, os nomes mais sinónimos com bolachas de chocolate (ou com pepitas de chocolate) em Portugal serem duas marcas estrangeiras – as americanas Maryland e Chips Ahoy! - quem anda agora por volta da meia-idade recordará a existência, em tempos de uma concorrente séria a qualquer das duas, de fabrico cem por cento nacional, e que fazia as delícias dos jovens nos anos da viragem de Milénio, com as suas três variedade de chocolate e uma quarta, a clássica (e, na opinião do autor deste blog, a melhor) que rivalizava em textura e sabor com os melhores períodos de ambas as marcas estrangeiras. Falamos, claro está, das não-tão-misteriosamente desaparecidas Chipmix, da Triunfo, às quais dedicaremos as próximas linhas.

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A gama original (e clássica) das Chipmix.

Surgidas no mercado nacional ainda em finais do século XX, o sucesso destas bolachas entre o público infanto-juvenil foi quase imediato, muito graças aos atributos acima delineados; variedade (além da bolacha 'branca' com pepitas de chocolate, havia variantes com e sem recheio, de chocolate branco ou escuro), qualidade uniforme, e uma excelente relação preço-qualidade, com a produção nacional a permitir manter o dispêndio relativamente baixo e, ao mesmo tempo, oferecer pacotes maiores do que os das concorrentes estrangeiras. Não é, pois, de admirar que, para os jovens da altura, estas fossem AS bolachas de referência dentro do seu sector, ainda que as Maryland fossem também bastante apreciadas.

Quem percebe alguma coisa de negócios, no entanto, sabe que as marcas multinacionais também presentes no mercado não poderiam deixar florescer esta concorrente potencialmente 'tomba-gigantes', pelo que foi sem surpresas (embora com enorme desilusão) que os fãs destas bolachas viram a Triunfo ser vendida a um grupo internacional (em 2004), o qual, por sua vez, foi assimilado pela 'gigante' Kraft Foods (produtora das...Chips Ahoy!) em 2006. A multinacional ainda tentou 'suavizar' esta transição, mantendo as Chipmix nas prateleiras até inícios da década de 2010, mas apesar das afirmações sobre ter mantido a 'Mesma Receita', a verdade é que essas últimas Chipmix já nada tinham a ver com a histórica bolacha de alguns anos antes – e não se tratava apenas de os paladares da demografia-alvo terem 'evoluído' ou envelhecido, mas antes de um acréscimo de açúcar e amolecer da consistência que destruía o 'equilíbrio perfeito' que tinha notabilizado as bolachas em causa no tempo da Triunfo. Foi, pois, sem surpresas que esta versão 'mutante' dos amados biscoitos desapareceu sem alarde das prateleiras, deixando poucas saudades mas, ao mesmo tempo, imensas...da receita original.

Apesar de vítima de manobras corporativas e do passar dos anos (a própria fábrica da Triunfo já pouco produz, tendo tido de ser 'salva' do encerramento em 2015) a gama original das Chipmix sobrevive na memória nostálgica colectiva da 'geração e meia' ('millennial' e primeira vaga da 'Z') que teve o privilégio de com elas privar na idade em que coisas como gosto e consistência de uma bolacha ainda se revestiam de importância primordial. É, pois, a eles que dedicamos esta breve recordação de uma das melhores bolachas alguma vez existentes no mercado português.

Saturday, 8 November 2025

Quintas ao Quilo: Os 'Outros' Iogurtes Líquidos dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 06 de Novembro de 2025.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Em edições anteriores desta rubrica, abordámos as duas tentativas da Danone de lançar uma bebida de iogurte líquida durante os anos 90 – tanto a bem-sucedida, e que dura até aos dias de hoje (o Dan'Up) como a mais obscura, e esquecida logo após a sua saída do mercado, no caso a B-Cool. Nada mais justo, portanto, do que analisarmos agora as propostas neste campo das duas grandes concorrentes da marca francesa durante esse período.


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Garrafas modernas de ambos os iogurtes.


Falamos do Yop, da Yoplait, e do Yoggi, da Longa Vida, precisamente os dois produtos a que a B-Cool e o Dan'Up procuravam retirar uma 'fatia' de mercado. Equivalentes em popularidade à época (sendo a escolha entre ambos, sobretudo, uma questão de preferência) ambos alimentaram toda uma geração no recreio da escola ou após actividades desportivas ou extra-curriculares, constituindo uma alternativa ou complemento portátil, relativamente saudável e bastante em conta aos típicos leite com chocolate, Bollycao, batatas fritas ou bolachas.


Embora ambos fossem precisamente o mesmo tipo de produto, não deixava, ainda assim, de haver diferenças entre eles, não só a nível dos sabores (onde o Yop se afirmava como mais 'esotérico', e o Yoggi mais tradicional e conservador) como da própria consistência, sendo a bebida da Longa Vida menos espessa, e 'descendo' assim melhor, deixando a vontade de tomar outra garrafa imediatamente a seguir à primeira. Já o Yop tendia a 'encher' ou satisfazer mais, com a sua textura algo mais espessa e sabor mais pronunciado. Conforme referimos acima, no entanto, a escolha entre uma marca ou outra tendia a ser uma questão de gosto (sendo que, lá por casa, o mesmo tendia sobretudo para o Yoggi, da Longa Vida.)


Curiosamente, enquanto o Yoggi 'soma e segue' no mercado nacional, o Yop, da Yoplait, desapareceu completamente das prateleiras portuguesas – e, mesmo no estrangeiro, é vendido apenas em garrafas de meio litro, não sendo já possível adquirir as icónicas 'garrafinhas individuais' que eram postas na mão dos 'X' e 'millennials' portugueses após a piscina, a equitação ou o treino de ginástica ou de artes marciais. Quem quiser reviver esses tempos, no entanto (ou continuá-los na geração seguinte) pode, ainda, encontrar as alternativas da Danone e Longa Vida no supermercado ou hipermercado mais próximo – talvez não exactamente igual, mas idêntico o suficiente para 'matar saudades'...

Friday, 28 February 2025

Quintas ao Quilo: O Leite do Dia e Em Garrafas de Vidro - Resquícios Desaparecidos do Comércio Local

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Embora, hoje em dia, tal possa parecer difícil de imaginar, até há relativamente pouco tempo, o leite UHT em embalagem Tetrapak estava longe de ser a norma em Portugal – antes pelo contrário. De facto, já à entrada dos anos 90, continuava a ser relativamente comum adquirir o lacticínio-mor em dois outros tipos de embalagem: por um lado, a garrafa de vidro (ainda hoje vigente, embora com bastante menos expressão, e restrita essencialmente ao leite com chocolate da UCAL) e o chamado 'leite do dia', comercializado em sacos semelhantes aos que, hoje em dia, podem ser vislumbrados ao lado da máquina de café num qualquer estabelecimento da Starbucks. É destas duas formas (quase) desaparecidas de comercializar leite que falaremos nas próximas linhas.


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Uma visão típica dos anos 80 e 90, mas totalmente desaparecida um terço de século depois.


Considerados, à época, mais saudáveis do que o leite UHT (embora também bastante mais perecíveis, o que pode ajudar a explicar o seu desaparecimento) estes dois tipos de leite não tendiam a figurar nas prateleiras dos habituais supermercados e hipermercados, sendo um dos resquícios do tempo em que o comércio era sobretudo local, e em que os lacticínios eram adquiridos na leitaria, ou directamente ao leiteiro; e embora, em finais do século XX, os segundos fossem já raros, as primeiras continuavam a existir, e a vender as duas formas de leite embalado, as quais, por sua vez, continuavam a ir ao encontro das necessidades de uma clientela fiel. Mais tarde, o leite do dia chegaria mesmo às grandes cadeias retalhistas, embora o seu tempo de vida nas prateleiras das mesmas viesse a ser reduzido, talvez pela supracitada perecibilidade, que obrigava a 'rodar' 'stock' com muito mais frequência do que no caso do leite UHT, famoso pelas suas longas datas de validade.


Curiosamente, fora de Portugal, continua a ser comercializado leite fresco (ou, pelo menos, não-UHT), sendo mesmo a principal forma de consumir o lacticínio em países como o Reino Unido. Em terras ibéricas, no entanto (ou, pelo menos, lusitanas), a versão ultra-pasteurizada e disponivel em embalagem de cartão ganhou mesmo vantagem sobre as alternativas, tornando-se sinónima com o produto em causa e relegando-as para a memória remota de quem foi criança antes do final do século e Milénio passados, 'fadadas' a serem recordadas apenas ocasionalmente, em páginas de 'sites' como este 'blog' nostálgico...

Friday, 20 December 2024

Quintas de Quinquilharia: Os Bonecos 'de Agarrar' - Ultrapassados, Mas Não Esquecidos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença constante na sociedade portuguesa dos anos 80 e inícios de 90, frequentemente vistos pendurados de retrovisores de carros (ao lado do tradicional ambientador de pinheiro), mochilas de estudantes, manípulos de janelas e até árvores de Natal – basicamente, qualquer superfície com largura e estabilidade suficientes para 'aguentar' a 'carga' extra. Falamos, claro está, dos bonecos 'de agarrar', uma das quinquilharias favoritas da juventude da época.


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Tematizadas tanto em torno de animais genéricos, como ursos, pandas ou cães, como de personagens da cultura pop da época, como ALF ou Snoopy, estes mistos de peluche, quinquilharia, enfeite e decoração logravam manter-se firmemente 'agarrados' a qualquer sitio onde fossem postos por intermédio de um mecanismo de mola, semelhante aos dos porta-moedas, situado nos braços dos bonecos. As mãos em plástico duro – por oposição ao peluche que cobria o resto do corpo da figura – forneciam, por sua vez, a estabilidade necessária, numa combinação mecânica tão simples como eficaz, e que dava a estas figuras a característica única que justificava a sua compra.


Curiosamente, apesar da popularidade de que gozavam, estes foram daqueles produtos que desapareceram por completo, aparentemente de um dia para o outro, e sem qualquer razão especial, tendo sido substituídos, em meados da década de 90, pelos porta-chaves com peluches na ponta, os quais sobreviveriam à passagem do Milénio às costas de muitos estudantes dos ensinos básico e secundário. Quanto aos peluches 'de agarrar', apesar de obsoletos, não deixaram de conquistar um lugar no coração de quem os chegou a possuir, e que certamente se divertiu 'à grande', em pequeno, a abrir e fechar o mecanismo de mola, ou a prender o seu boneco a diferentes lugares da casa. E quem sabe – talvez estes enfeites ainda estejam a tempo de voltar a estar 'na moda', quiçá em versões actualizadas para apelar à juventude do século XXI; resta esperar para ver...

Friday, 26 July 2024

Quintas de Quinquilharia: As Tatuagens Temporárias - Entusiasmantes, Mas Controversas...

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Julho de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram um dos brindes mais populares entre os jovens portugueses dos anos 90 e, apesar de estarem longe de ser consensuais junto dos pais, adornavam muitas vezes a pele da demografia em causa ao longo daqueles últimos anos do século XX, surgindo frequentemente em locais algo invulgares, como as costas da mão, onde podiam ser devidamente admiradas por pares invejosos. Falamos das tatuagens temporárias, uma categoria de quinquilharia que nunca retinha esse estatuto durante muito tempo, mas que não deixa, ainda assim, de ser elegível para esta categoria.


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Adquiríveis em folhas completas na tabacaria ou, frequentemente, como brindes de produtos alimentares (como no caso das tatuagens das Tartarugas Ninja oferecidas pela Panrico no auge da popularidade das mesmas) estes desenhos, normalmente consistentes de personagens populares entre a 'pequenada' ou desenhos e símbolos universalmente considerados 'fixes', eram transferidos da folha adesiva para a pele (ou para qualquer superfície onde se desejasse colocá-las, já que serviam 'função dupla' como uma espécie de autocolante) por meio da aplicação de uma esponja ou pano húmido no reverso da tatuagem, criando assim uma espécie de 'cópia-borrão' da mesma, que podia depois ser removida com água ou álcool quando a criança se 'fartasse' – algo que muitas pessoas certamente desejariam ser possível com tatuagens reais! A desvantagem – e principal razão da natureza polémica destes brindes junto dos adultos – prendia-se com o risco de doenças de pele resultantes do processo, como a urticária, o que fazia com que muitos pais proibíssem o uso deste tipo de tatuagem na pele dos filhos.


Quer se pertencesse a este último grupo ou à percentagem da demografia que orgulhosamente exibia o seu desenho de uma caveira ou Tartaruga Ninja no braço ou nas costas da mão, uma coisa é certa: as tatuagens temporárias marcaram época junto de toda uma geração, em Portugal e não só. E embora este tipo de brinde tenha caido em desuso no mais informado mundo de inícios do século XXI, não é por isso que passa a ter menos nostalgia para quem, há duas ou três décadas atrás, vibrava com a ideia de transferir o recém-adquirido padrão para o seu braço, e causar inveja aos amigos no pátio da escola, no dia seguinte...

Friday, 19 July 2024

Quintas ao Quilo: O Cornetto Clássico

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 18 de Julho de 2024.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Já aqui em diversas ocasiões tivemos ensejo de falar dos váios gelados que a Olá faz, periodicamente, regressar ao seu icónico cartaz - uma tendência que, nos últimos anos, se vem tornando quase numa tradição anual. Tanto assim é, de facto, que para este Verão de 2024, a magnata multi-nacional das guloseimas congeladas fez 'voltar à vida' não apenas um, mas dois dos seus mais reconhecíveis e saudosos produtos de épocas passadas: o Fizz Limão, ao qual já dedicámos aqui algumas linhas, e o Cornetto Clássico, gelado que havia desaparecido da lista de escolhas da marca sem que se percebesse muito bem porquê.


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De facto, tal como o Super Maxi ou o próprio Fizz, o clássico Cornetto de nata faz parte de uma lista restrita de gelados que nenhum português imaginaria alguma vez desaparecerem do cartaz, mas que acabaram mesmo por dar lugar, de forma permanente, a alternativas mais interessantes. Quem, quando jovem, teve o referido gelado como uma das 'escolhas seguras' do cartaz da Olá – daquelas previsíveis, mas sempre satisfatórias – não esqueceu o velho 'cone', gerando uma procura que terá, agora, convencido finalmente a Olá a (re)adicioná-lo à gama cada vez mais vasta de Cornettos em oferta. Que seja, pois, bem-vindo de volta, e que as vendas justifiquem a permanência no cartaz num futuro próximo.


 

Thursday, 27 June 2024

Quartas de Quase Tudo: Os Mealheiros

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 26 de Junho de 2024.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Numa altura em que o dinheiro se torna cada vez mais digital e virtual – havendo mesmo quem se oponha explícita e abertamente ao pagamento em notas ou moedas – e em que os cartões Multibanco surgem na vida dos jovens em idades cada vez mais novas, o conceito de um recipiente onde se depositavam, religiosa e afanosamente, os 'trocos' que compunham a mesada ou semanada, ou as notas maiores recebidas nos anos e Natal, pode parecer perfeitamente obsoleto, e até algo pitoresco. E, no entanto, tal objecto fez parte integrante da infância e adolescência de qualquer português integrante da geração 'millennial' ou de qualquer das anteriores, perfilando-se muitas vezes como um 'baú do tesouro' ou até como o 'salvador da Pátria' em momentos de maior 'aperto' financeiro.


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Um modelo bem típico - em todos os sentidos.


Falamos, é claro, do mealheiro (ou 'cofre'), eternamente simbolizado na cultura popular sob a forma de um porquinho, mas que, para os jovens portugueses de finais do século XX, tinha uma aparência substancialmente diferente, normalmente oval ou cilíndrica, e decorada a toda a volta com motivos que iam desde padrões 'da moda' a personagens de banda desenhada e filmes, ou até logotipos de bandas ou clubes desportivos - curiosamente, foi apenas nos últimos anos que o 'porquinho mealheiro' propriamente dito penetrou na sociedade portuguesa, através de uma série de cofres 'de autor', cada um decorado consoante um determinado tema. De igual modo, ninguém no seu 'perfeito juízo' pensaria em partir o mealheiro, como tantas vezes se vê em filmes ou livros: isto porque, além de serem feitos de lata (e, como tal, manifestamente difíceis de quebrar) estes mealheiros tinham, regra geral, tampas removíveis, bastando aplicar pressão no sítio certo para que as mesmas saltassem e permitissem acesso aos conteúdos do cofre, anulando assim a necessidade de recorrer a medidas drásticas. Até mesmo a outra variante popular de mealheiros – estes, sim, de gesso, e esculpidos em forma de animais ou figuras humanas caricaturadas – possuía uma pequena tampa em borracha, extremamente fácil de levantar, tornando assim redundante o habitual martelo utilizado por inúmeros personagens de ficção para aceder às suas economias. Um toque manifestamente prático, e que maximizava a funcionalidade destes mealheiros, os quais seria um 'crime' partir, dada a sua função dupla como atraentes objectos de decoração para a prateleira do quarto – um propósito no qual os mealheiros mais 'tradicionais' também não se saíam, diga-se, nada mal...


Fosse qual fosse a 'variante' preferida, no entanto, não haverá nos dias que correm português na casa dos trinta ou mais anos que não tenha, na infância, guardado as suas (parcas) economias em formato físico, num mealheiro, quiçá sonhando com o dia em que teria o suficiente para adquirir os patins em linha ou a consola há tanto desejados. Pena é, apenas, que o avanço tecnológico tenha negado também esta experiência à Geração Z, ficando assim a mesma restrita exclusivamente ao domínio nostálgico das gerações mais velhas, e a páginas como a deste 'blog' nostálgico, onde não deixa, ainda assim, de receber a devida (e merecida) homenagem.

Wednesday, 20 March 2024

Quartas de Quase Tudo: Os 'Cabeças de Relva' - Uma Tradição Primaveril Perdida

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A Primavera é, tradicionalmente, a estação associada à germinação e crescimento de plantas, já que, apesar de ser possível manter vasos dentro de casa durante todo o ano, é normalmente no período entre Março e Junho que a natureza cria e desenvolve novos rebentos. Não é, pois, de surpreender que fosse também nestes meses que as crianças e jovens portugueses se entretivessem com a sua própria versão 'caseira' desse mesmo processo, regando e vendo desenvolver-se o 'cabelo' ou 'pelagem' dos chamados 'cabeças de relva'.


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O 'antes e depois' dos icónicos bonecos.


Conhecidos nos países anglófonos como 'chia pets' - dada a variante de sementes normalmente contida no seu interior - este tipo de 'personagens' eram, normalmente, criados a partir de invólucros de serapilhaira, ou outro material semelhante, recheados de terra, na qual eram inseridas as referidas sementes que, quando regadas, desencadeavam o seu ciclo de crescimento natural, brotando gradualmente da terra na vertical, num efeito muito semelhante ao do cabelo humano; bastava, pois, desenhar ou colar um par de olhos e um nariz 'de batata' a uma destas 'bolas' para criar uma figura vagamente humanóide, à qual nascia, em tempo real, 'cabelo' verde, para gáudio dos seus proprietários.


De facto, a relação extremamente favorável entre o nível de cuidados necessários (poucos) e a recompensa (rápida e apelativa) tornou estes 'cabeças-de-relva' numa verdadeira febre anual entre as crianças e jovens, sobretudo se ainda estivessem em idade de se impressionar com tais coisas. E apesar de, nas décadas subsequentes, o apelo destas 'criaturas' se ter significativamente reduzido - a ponto de ser, hoje em dia, quase impossível encontrar um à venda - quem alguma vez fez crescer 'cabelo' na 'cabeça' de um deles certamente terá memórias nostálgicas e agradáveis desta experiência primaveril, tornando-a bem merecedora de ser recordada na altura em que tem início mais uma 'estação das plantas'.

Wednesday, 6 March 2024

Quartas de Quase Tudo: Os Cheques

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


No passar do dia-a-dia pode, por vezes, ser difícil discernir o quanto tomamos por garantido na sociedade actual. De facto, é frequentemente necessário 'retroceder' no tempo para reparar na quantidade de pequenos elementos do quotidiano que caíram, quase sem se dar por isso, no desuso ou obsolescência, e que se foram, aos poucos, 'extinguindo' da vida do cidadão urbano ou suburbano comum. Dos cartões de impulsos, cabines e listas telefónicas aos calendários, catálogos (de Natal e não só) e até 'guias oficiais' e livros de 'truques e dicas' para jogos de computador, são inúmeros os objectos e serviços em tempos considerados indispensáveis que, hoje, mal se vislumbram no quotidiano ocidental. Desse grupo faz, também, parte o conceito que abordamos esta Quarta-feira, e que apenas constituirá memória para a faixa de leitores deste blog de maior idade: o cheque.


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(Crédito da foto: OLX)


Numa era em que basta segurar o telemóvel em frente a um terminal de pagamento, ou pressionar meia dúzia de vezes o ecrã, para pagar quase todas as despesas diárias, a ideia de ter de preencher meticulosamente um pedaço de papel, escrevendo por extenso (!) a quantia pretendida, apenas para poder obter dinheiro ou efectuar uma transacção pode parecer absurdamente obsoleta; e, no entanto, quem alguma vez acompanhou os 'mais velhos' ao banco terá bem presente todos os elementos do processo: o 'molho' de folhas unidas, quase como se fossem rifas, a bonita carteira ou estojo onde as mesmas eram, invariavelmente, guardadas, as diferentes secções preenchidas com 'letra bonita', para que fossem perceptíveis, e o fascínio de ver uma dessas folhinhas transformar-se em notas e moedas, ou numa forma de pagamento. Terá mesmo havido, certamente, quem pedisse aos referidos adultos que os deixassem ajudar a preencher o referido documento, embora este fosse um risco que a maioria das pessoas responsáveis não estavam dispostos a correr...


Tal como muitos dos elementos acima mencionados – e outros de que vimos falando nestas páginas – o uso de cheques é uma experiência com que a Geração Z jamais terá contacto, e que poderá até ter dificuldade em perceber; para quem com eles conviveu, no entanto, a ideia de que aqueles 'papelinhos' com o logotipo e timbre do banco puderam, em tempos, ser utilizados como moeda-corrente não pode deixar de constituir um exemplo 'acabado' do quanto a sociedade ocidental evoluiu nos últimos trinta anos.

Thursday, 7 September 2023

Quintas ao Quilo: As Bolachas Belinhas

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Hoje em dia, quando se fala em bolachas cobertas de chocolate, a mente da maioria dos portugueses vira-se, quase de imediato, para as Oreos (chegadas a Portugal em 1995, e que aqui terão, paulatinamente, o seu espaço) ou para as não menos icónicas Belgas de chocolate; para a geração nascida e crescida nos anos 80 e inícios de 90, no entanto, a referência a este tipo de bolachas evoca um outro nome, tão icónico como saudoso – o das Belinhas.


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A única imagem das Belinhas disponível na Internet.


Fabricadas pela hoje desaparecida Aliança e vendidas num icónico pacote vermelho e prateado, as Belinhas consistiam, basicamente, de um misto entre 'wafer' e bolacha Maria recoberto de cacau, criando uma dicotomia que, como qualquer criança atestará, resulta sempre extremamente bem. Talvez por isso estas bolachas fossem das mais populares e cobiçadas nos recreios lusos dos anos 80 e inícios da década seguinte, onde a sua designação se tornou, inclusivamente, num sinónimo de 'calão' para o bom e velho 'calduço', neste caso acompanhado da expressão 'toma lá Belinhas!º


O aspecto pelo qual estas bolachas eram mais conhecidas, e se tornaram icónicas, era o facto de as bolachas das pontas gozarem, regra geral, de uma cobertura de cacau mais densa e espessa, que as tornava preferidas em relação às suas congéneres do meio do pacote, normalmente mais parcas nesse particular. Assim, qualquer criança ou jovem confrontado com um pacote de Belinhas não hesitaria a escolher uma das da ponta – até porque, se não o fizesse, alguém o faria por si...


Toda esta popularidade não foi, no entanto, suficiente para evitar que as Belinhas fossem retiradas do mercado algures na primeira metade dos anos 90, por motivos e sob circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, até por estas bolachas se contarem entre os muitos produtos da época hoje Esquecidos Pela Net. Esta saída de cena 'pela porta do cavalo' não significou, no entanto, a perda total de relevância das Belinhas entre as gerações 'X' e 'millennial' – antes pelo contrário, o desaparecimento das bolachas da Aliança das prateleiras dos supermercados apenas veio dar razão ao ditado que afirma que 'a ausência faz o amor aumentar', já que as mesmas estão entre os produtos mais saudosamente recordados por quem alguma vez as comeu. E depois de as contemporâneas 'Joaninhas', da Triunfo, terem mesmo acabado por ser relançadas no mercado (e com algum sucesso), quem sabe não serão as Belinhas as próximas a gozar de uma 'segunda vida', e a conquistar os corações de toda uma nova geração de pequenos consumidores?

Friday, 12 May 2023

Sextas com Style: As Botas Texanas

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Ter 'estilo' e parecer 'fixe' – seja junto dos amigos ou perante um potencial par romântico – sempre foi, e há de continuar a ser, um dos principais objectivos de qualquer criança ou jovem, independentemente da geração em que tenha crescido; a necessidade de afirmação e aceitação é parte integrante da conquista da identidade própria, e o aspecto fisico tem, quer se queira ou não, um papel preponderante nessa mesma jornada. E se, hoje em dia, as gerações mais jovens são bastante mais abertas à diferença e à procura de um estilo individual, a sua congénere dos anos 80, 90 e 2000 almejava precisamente ao oposto, procurando o máximo de padronização possível em termos de vestuário, calçado e apresentação em geral.


O resultado inevitável desta tendência foi uma sucessão de 'febres' ligadas a peças de roupa, cada uma mais cobiçada que a anterior pela então nova geração, das camisas da Sacoor às sweat-shirts da No Fear, Quebramar, Mad+Bad e GAP, passando pelas calças da Resina, blusões da Duffy ou t-shirts da Fiorucci. Como um dos principais elementos identificadores de qualquer estilo, o calçado não ficou, de todo, imune a este fenómeno, tendo sido também inúmeros os exemplos de sapatos altamente cobiçados por grande parte da juventude portuguesa, dos ténis pisa-e-brilha aos Airwalk, Redley e Converse, passando pelos botins, socas de plataforma, botas de biqueira de aço, e pelo tema desta Sexta com Style, as botas Texanas.


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Exemplo moderno deste tipo de peça.


Como o próprio nome dá a indicar, estas botas pretendiam emular o peculiar e emblemático estilo de calçado que continua, desde os tempos do lendário Velho Oeste, a ser utilizado pelos rancheiros da região do Texas, nos Estados Unidos: aquele tipo de bota de cano bem alto e biqueira pontiaguda, normalmente feita de pele de um qualquer animal, muitas vezes uma cobra ou crocodilo. Uma peça que, longe de ser 'para todos os gostos', tem alguns evidentes atractivos que a ajudaram a popularizar entre a juventude dos anos 90, pese embora o proibitivo preço as tornasse – para quem tinha a sorte de ter um par, claro – peças estritamente 'de festa', apenas utilizadas em ocasiões especiais, como uma ida à discoteca, e longe de se adequarem ao 'rame-rame' quotidiano da escola e dos encontros com amigos no café ou no jardim.


Tal como a maioria dos artigos que acima elencámos, também as botas Texanas acabaram, inevitavelmente, por ser 'levadas' na constante 'enxurrada' das tendências de moda, sendo já totalmente alheias à geração nascida em meados de 80, e que entrou na adolescência no final da década seguinte; os seus congéneres ligeiramente mais velhos, no entanto, certamente terão bastas memórias de tirar do armário e polir as suas Texanas, para poder 'fazer estilo' numa qualquer festa entre pares...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...