Aos
Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais
acontecimentos e personalidade do desporto da década.
Em
tempos, dedicámos uma edição desta rubrica ao mais bem-sucedidodos irmãos Vidigal, o quarteto de futebolistas que – em maior ou
menor grau – marcou o desporto-rei português durante a última
década do século XX e inícios do seguinte; nada mais justo,
portanto, que darmos hoje o foco ao outro nome que muitos adeptos
reconhecerão ainda hoje de imediato, e que celebra este
fim-de-semana cinquenta e sete anos.
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Formado,
tal como os irmãos, no clube da terra onde cresceu, O Elvas, Lito
Vidigal (ou apenas Lito) tardou, no entanto, mais do que Luís a 'dar o salto', tendo
ainda passado pelos modestos Fronteirense e Estrela de Portalegre
(bem como pela equipa sénior d'O Elvas) antes de finalmente 'dar o
salto' para palcos maiores, há quase exactos trinta e cinco anos,
quando assinou pelo Campomaiorense, então histórico da Primeira
Divisão portuguesa e a atravessar o seu período mais expressivo. E
o que é certo é que Lito Vidigal veio, sem dúvida, ajudar a esse
desiderato, tendo-se desde logo afirmado como peça fulcral da
equipa, estatuto que manteria nas suas duas primeiras épocas, vindo,
no entanto, a perder fulgor nas duas últimas, em que viu a sua
participação decair para cerca de metade, embora ainda tivesse sido
relativamente utilizado até à sua saída, em 1995, para reforçar
outro histórico nacional, o Belenenses.
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E
se em Campo Maior havia feito por merecer o título de 'Grande dos
Pequenos', seria no Restelo que Lito viria a cimentar esse estatuto.
No total, foram sete épocas com a Cruz de Cristo ao peito, das quais
apenas a primeira o veria como algo menos do que opção recorrente
no plantel, tendo participado em apenas onze jogos; nas restantes, o
número de partidas em que foi chamado a contribuir raramente caiu
abaixo das vinte, denotando um membro, senão indiscutível, pelo
menos importante no seio do plantel dos azuis lisboetas, que
partilhou com nomes como João Manuel Pinto (também seu colega no
Campomaiorense, e futuro 'grande' do FC Porto), Andrade, Pedro
Henriques, César Peixoto ou o hoje Professor, e também histórico
do clube, Neca. Foi, também, durante este período
que representou a selecção de Angola, pela qual somaria dezassete
internacionalizações entre 1996 e 2001.
Todos
os ciclos chegam, no entanto, inevitavelmente ao fim, e também Lito
Vidigal acabou, eventualmente, por deixar o clube com que se tornara
sinónimo. No entanto, a aventura seguinte – nos Açores, ao
serviço do Santa Clara – não lhe correria bem, tendo o defesa
somado apenas seis jogos pelos insulares antes de regressar a 'casa'
para terminar carreira onde a iniciara, em Elvas, na época 2003/2004
Num
caso que não deixa de ser curioso, no entanto, Lito
Vidigal notabilizar-se-ia mais como treinador do que como jogador,
sendo cara conhecida da Primeira Divisão nacional e tendo também
assumido o 'leme' de clubes em Chipre, na Grécia, em Israel e na
Líbia, além de orientar a selecção do seu país-natal na Taça
das Nações Africanas de 2012. Actualmente, orienta o Boavista,
naquela que continua a ser uma carreira tão ou mais honrosa do que a
conseguida enquanto jogador, e que – por nunca ter orientado um
'grande' nacional – lhe continua a valer o título de 'Grande dos
Pequenos', embora agora fora das quatro linhas. Parabéns, e que
conte ainda muitos.