Friday, 28 February 2025

Quintas ao Quilo: O Leite do Dia e Em Garrafas de Vidro - Resquícios Desaparecidos do Comércio Local

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Embora, hoje em dia, tal possa parecer difícil de imaginar, até há relativamente pouco tempo, o leite UHT em embalagem Tetrapak estava longe de ser a norma em Portugal – antes pelo contrário. De facto, já à entrada dos anos 90, continuava a ser relativamente comum adquirir o lacticínio-mor em dois outros tipos de embalagem: por um lado, a garrafa de vidro (ainda hoje vigente, embora com bastante menos expressão, e restrita essencialmente ao leite com chocolate da UCAL) e o chamado 'leite do dia', comercializado em sacos semelhantes aos que, hoje em dia, podem ser vislumbrados ao lado da máquina de café num qualquer estabelecimento da Starbucks. É destas duas formas (quase) desaparecidas de comercializar leite que falaremos nas próximas linhas.


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Uma visão típica dos anos 80 e 90, mas totalmente desaparecida um terço de século depois.


Considerados, à época, mais saudáveis do que o leite UHT (embora também bastante mais perecíveis, o que pode ajudar a explicar o seu desaparecimento) estes dois tipos de leite não tendiam a figurar nas prateleiras dos habituais supermercados e hipermercados, sendo um dos resquícios do tempo em que o comércio era sobretudo local, e em que os lacticínios eram adquiridos na leitaria, ou directamente ao leiteiro; e embora, em finais do século XX, os segundos fossem já raros, as primeiras continuavam a existir, e a vender as duas formas de leite embalado, as quais, por sua vez, continuavam a ir ao encontro das necessidades de uma clientela fiel. Mais tarde, o leite do dia chegaria mesmo às grandes cadeias retalhistas, embora o seu tempo de vida nas prateleiras das mesmas viesse a ser reduzido, talvez pela supracitada perecibilidade, que obrigava a 'rodar' 'stock' com muito mais frequência do que no caso do leite UHT, famoso pelas suas longas datas de validade.


Curiosamente, fora de Portugal, continua a ser comercializado leite fresco (ou, pelo menos, não-UHT), sendo mesmo a principal forma de consumir o lacticínio em países como o Reino Unido. Em terras ibéricas, no entanto (ou, pelo menos, lusitanas), a versão ultra-pasteurizada e disponivel em embalagem de cartão ganhou mesmo vantagem sobre as alternativas, tornando-se sinónima com o produto em causa e relegando-as para a memória remota de quem foi criança antes do final do século e Milénio passados, 'fadadas' a serem recordadas apenas ocasionalmente, em páginas de 'sites' como este 'blog' nostálgico...

Thursday, 27 February 2025

Quartas aos Quadradinhos: 'Especial Pateta' (1995) - Apenas Mais Uma Série da Disney da Abril-Controljornal...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui por diversas vezes falámos da enorme latitude que a hegemonia da Abril-Controljornal sobre o mercado da banda desenhada 'de quiosque' em Portugal lhe permitia. Com a sua principal competição a vir do estrangeiro – nomeadamente do Brasil – a editora responsável pelas revistas Disney e Marvel tinha amplas oportunidades para experimentar os mais diversos conceitos sem, com isso, arriscar perder o seu espaço dentro do referido mercado. A série de que falamos hoje é apenas mais uma dessas tentativas, desta feita tematizada e coerente, mas com uma designação tão genérica quanto confusa, e abertamente baseada em OUTRA série de publicações Disney da mesma editora.


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Os três únicos vestígios da revista restantes na Internet.


De facto, a colecção de volumes conhecida como 'Especial Pateta' é totalmente separada do icónico 'Disney Especial', surgindo, em vez disso, sob a designação 'Hiper Disney', talvez pelo número avultado de páginas. No entanto, os números desta série estão longe de ser apenas variantes do normal Hiper Disney, centrando-se em vez disso em torno de um personagem específico – o eterno coadjuvante de Mickey nas páginas da Abril – o que os aproxima mais de um...Disney Especial!


Confusões à parte, no entanto, o que a (pelo menos) dúzia de títulos publicados há cerca de trinta anos oferece é, precisamente, aquilo que promete: uma selecção de alguns dos melhores momentos de Pateta enquanto personagem principal ou de relevo, divididas entre as habituais histórias mais clássicas e a vertente mais moderna, representada por tramas criadas no Brasil ou em Itália. Para além do generoso tamanho do volume – perfeito para ser lido numa viagem mais longa ou numa tranquila tarde de fim-de-semana – pouco mais há a dizer sobre aquela que é, para todos os efeitos, apenas 'mais uma' das muitas colecções lançadas pela Abril nesta época, mas que decerto não terá deixado de agradar aos fãs da personagem em foco (entre os quais se contava, na altura, o autor deste 'blog', que teria decerto apreciado esta colecção). Nada de essencial ou revolucionário, mas ainda assim uma colecção de revistas de BD bem conseguida, que, três décadas após o seu último volume, merecia ser mais lembrada pelos fãs dos 'quadradinhos' Disney em Portugal.

Wednesday, 26 February 2025

Terças Tecnológicas: 'Super Smash Bros.' (1999) - Lutas Bem 'Animadas'

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Hoje em dia, é uma das mais conceituadas séries de jogos de luta, e presença obrigatória nos catálogos de títulos dos detentores de consolas da Nintendo; há pouco mais de vinte e cinco anos atrás, no entanto, pouco mais era do que um conceito algo peculiar, e longe do impacto e atractividade imediatos que o seu nome acarreta hoje em dia. Falamos de 'Super Smash Bros.', cujo primeiro título saía na Europa há pouco mais de um quarto de século, mesmo a tempo de integrar as listas de prendas de Natal dos afortunados detentores de uma Nintendo 64 – os quais, em Portugal, perfaziam números pouco expressivos (ou não fosse a consola da Nintendo famosa pelo preço astronomicamente exorbitante dos seus cartuchos, por comparação com as congéneres 'movidas' a CD, nomeadamente a PlayStation) mas ainda assim suficientes para garantir o sucesso do jogo.


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E a verdade é que, embora forçosamente menos 'polida' que as sucessoras, esta primeira edição da então novíssima franquia da Nintendo estabelecia uma base perfeita para a mesma, oferecendo uma selecção das mais famosas mascotes da companhia à época (de Mario e companhia a Link, Donkey Kong, Samus Aran, Fox McCloud ou Pikachu) cada qual com as suas características, armas e ataques típicos, com as quais travar batalhas em regime 'todos contra todos', de índole mais 'animada' do que num jogo de luta 'a sério' (com os gráficos e jogabilidade a reflectirem a estética colorida e ideologia 'familiar' da Nintendo) mas, por isso mesmo, ainda mais divertidas e viciantes. E, graças às então únicas capacidades multi-jogador da consola, estes duelos eram passíveis de serem desfrutados na companhia de amigos, uma característica que se viria mesmo a tornar o principal atractivo não só deste primeiro capítulo como também das sequelas.


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Previsivelmente, este conjunto de características, juntamente com os cuidados aspectos técnicos típicos da Nintendo, garantiram a 'Super Smash Bros.' uma recepção positiva e calorosa tanto por parte do público como da crítica especializada, transformando-o rapidamente num dos últimos sucessos de vendas da consola de 64 bits, e iniciando aquela que viria a ser uma das mais bem-sucedidas franquias da companhia japonesa na década seguinte; razões mais que suficientes, portanto, para lhe darmos destaque nestas nossas páginas dedicadas a recordar os melhores jogos da última década do século XX.

Monday, 24 February 2025

Segundas de Séries: Trinta Anos de 'Babylon 5', o 'Romance Televisionado' Que Marcou Época

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


A ficção científica era, sem dúvida, um dos géneros mais em alta no tocante a conteúdos televisivos norte-americanos, com séries como 'Ficheiros Secretos', 'Stargate SG-1', 'Star Trek Deep Space Nine' e a reimaginada 'Battlestar Galactica' a fazerem as delícias dos aficionados do histórico género. A estas, havia ainda que juntar uma quinta, estreada há quase exactos trinta e dois anos nos seus EUA de origem, e chegada a Portugal dois anos depois (contados praticamente ao dia), o que faz com que celebre, por estes dias, as três décadas sobre a sua estreia nacional.


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Falamos de 'Babylon 5', a inovadora 'obra literária televisionada' saída da imaginação de J. Michael Straczynski, que mais tarde utilizaria o sucesso desta série como impulsionador de uma carreira que inclui, até à data, guiões para filmes e enredos para a Marvel Comics, entre outras conquistas. Tudo começou, no entanto, na estação espacial homónima deste programa, onde se desenrolou, durante cinco temporadas (mais uma longa-metragem final), a história previamente imaginada por Straczynski, que desafiou todas as convenções televisivas ao iniciar a série já com um ponto final definido, limitando-se depois a fazer 'mover' a acção em direcção a essa conclusão. Esta abordagem, diametralmente oposta ao habitual 'enredo da semana' e ao formato de 'pontas soltas' da maioria das séries, permitiu ao autor e à sua equipa engendrar histórias multi-facetadas para cada personagem, as quais podiam durar vários episódios, ou até transitar de uma temporada para outra, afectando não só a personagem em foco, mas também aqueles que a rodeavam e até o universo mais alargado da série.


E se, hoje em dia, tal estrutura constitui a norma, à época, Straczynski e 'Babylon 5' fizeram História, produzindo uma série diferente de qualquer outra vista até então, e que não podia deixar de granjear uma considerável base de fãs. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo o programa sido muito bem recebido aquando da sua chegada à TVI, onde fez parte da grelha de Domingo à tarde na fase em que a estação era, ainda, conhecida como 'a Quatro', acompanhando-a na transição para o canal que hoje conhecemos. E apesar de o planeado 'regresso', em 2021, nunca se ter concretizado, a série tem, ainda assim, História e credenciais suficientes (em Portugal e não só) para merecer que lhe dediquemos estas breves linhas, no mês em que completa trinta e dois anos de vida, e trinta sobre a sua estreia no nosso País

Sunday, 23 February 2025

Sábados aos Saltos/Domingo Desportivo: As Raquetes de Ténis de Brincar - Um Sucedâneo Mais Real do Que A Média

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 22 de Fevereiro de 2025.


NOTA: Por motivos de relevância, este Domingo será Desportivo.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Recentemente, falámos aqui dos conjuntos de 'bowling' e golfe de brincar; no entanto, essas estavam longe de ser as únicas tentativas de replicar desportos reais à escala infantil. De facto, não só existiam outros desportos visados por este tipo de prática, como os instrumentos veiculados para simular esses mesmos desportos nem sempre eram tão obviamente 'falsos' como nos casos acima citados, como vem comprovar o brinquedo que abordamos este fim-de-semana.


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Não que as raquetes de ténis de brinquedo tivessem alguma pretensão ao realismo; não se tratavam de verdadeiros instrumentos para a prática do desporto à escala reduzida, mas antes de réplicas em plástico relativamente leve, o mesmo se aplicando à bola ou 'volante' de 'badminton' com que tendiam a ser comercializadas. No entanto, não deixa também de ser verdade que, mesmo com estas limitações, estes conjuntos potenciavam uma experiência muito mais próxima do verdadeiro desporto que simulavam do que qualquer dos seus congéneres anteriormente abordados nestas páginas, sendo perfeitamente possível organizar um jogo de ténis durante um Domingo Desportivo em família ou entre amigos apenas com recurso às mesmas. Talvez por isso a sensação de brincar com estas raquetes fosse ainda mais gratificante do que em qualquer dos casos acima referidos, permitindo mesmo rever-se como 'às' do ténis mundial, ainda que apenas por breves instantes...


Tal como muitos dos outros brinquedos de que aqui vimos falando, também as raquetes em plástico se encontram, ainda, disponíveis no mercado, mas em larga medida remetidas para 'sites' grossistas, sendo menos frequente encontrá-las no contexto da vida real. Ainda assim, tal como os outros 'kits' de pseudo-desporto, este é um produto relativamente intemporal, e que quiçá faça ainda as delícias das crianças da nova 'Geração Alfa', no intervalo entre dois vídeos de YouTube ou 'posts' nas redes sociais, durante um Sábado aos Saltos de sol...

Saturday, 22 February 2025

Sextas com Style: Os Impermeáveis Dobráveis - Um Conceito Genial e Intemporal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Ainda hoje existem, agora num contexto mais técnico e desportivo, ligado à prática da caminhada e outras actividades de exterior; foi, no entanto, nos anos 80 e 90 que se popularizaram, então como um elemento de vestuário eminentemente prático, perfeito para 'enfiar' na carteira, mochila ou mala de férias em caso de chuva imprevista. Falamos, claro está, dos impermeáveis dobráveis em saco, parte integrante da infância e adolescência de duas gerações de portugueses, os quais, quiçá, agora os introduzam também às demografias mais jovens.


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Exemplo moderno do produto em casa.


Conceito tão genial como intemporal, estes impermeáveis nada mais eram do que plásticos finos, ao estilo 'tapa-vento', que, quando não a uso, podiam ser enrolados e colocados num 'saco' com alça, o qual, ao vestir, se transformava num bolso de practicidade algo prejudicada pela fita elástica no seu interior. Quando devidamente dobrados, no entanto, esta alça transformava-se de estorvo em elemento essencial, permitindo carregar o impermeável na mão ou até ao ombro ou à volta do pescoço à laia de carteira ou bolsa, reduzindo assim as probabilidades de o mesmo se perder – algo que as mães e pais da época não terão deixado de apreciar, especialmente aqueles cujos filhos tendiam a ser mais distraídos e deixar os mais diversos objectos para trás nos mais diversos locais, como era o caso do autor deste 'blog'.


Tal como referimos no início deste texto, os impermeáveis com elástico ainda existem, ainda mais pequenos e compactos (após dobrados) do que o eram em finais do século XX, e hoje com uma conotação mais 'séria' e adulta. Restam poucas dúvidas, no entanto, de que existam em Portugal (e não só) grande quantidade de crianças e jovens que continuam a 'encontrar' esta peça de vestuário nos respectivos 'carregos' da escola ou treino desportivo sempre que o tempo está ameno, mas a 'ameaçar' chuva...

Friday, 21 February 2025

Quartas de Quase Tudo/Quintas no Quiosque: Os Livros de Autocolantes - Um Passatempo Verdadeiramente Intemporal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 19 e Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Podiam vir da livraria ou da tabacaria ou quiosque, e ser mais focados em conteúdos educacionais ou oferecer um pouco mais de diversão pura e dura; em qualquer dos casos, constituíam um ponto alto no dia de qualquer criança, sendo capazes de proporcionar várias horas divertidas após um dia de escola, ou mesmo durante um fim-de-semana. Falamos, claro está, dos livros com autocolantes, uma daquelas diversões intemporais e transversais a, pelo menos, as últimas três gerações, da qual falaremos em mais um 'post' duplo no Anos 90.


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Exemplo moderno do conceito em causa.


Diferentes das tradicionais cadernetas de cromos por não fomentarem o aspecto social ou coleccionista (sendo, na maioria dos casos, auto-contidos) estes livros funcionavam, no entanto, num contexto algo semelhante, oferecendo aos jovens leitores cenários e temas sobre os quais aplicar os autocolantes fornecidos em conjunto com o livro, os quais diziam, por sua vez, respeito a esse tema. Assim, um livro sobre animais teria provavelmente como fundo de página um cenário natural ou um jardim zoológico sobre os quais colar os autocolantes de 'bicharada', outro sobre viagens poderia ter estradas, portos ou aeroportos nos quais colocar carros, barcos ou aviões, ou focar-se em destinos como a praia ou o campo, cada qual com o seu grupo de autocolantes decorativos. As crianças eram, assim, incentivadas a relacionar elementos entre si de modo a que fizessem sentido, dando à experiência um aspecto didáctico que complementava a diversão inerente a um destes tomos – afinal, qual é a criança que não gosta de aplicar autocolantes aos mais diversos sítios?


Talvez por este misto de simplicidade, didatismo e apelo directo aos gostos do público-alvo, os livros com autocolantes mantêm-se 'em alta' entre as camadas mais jovens da população até aos dias de hoje, sendo ainda relativamente fáceis de encontrar nos mesmos meios que os vendiam algures há três décadas – um paradigma que, ao contrário da maioria dos que aqui vimos relembrando, não se prevê que mude num futuro próximo. Afinal, por muito avançado que seja no momento presente, o meio digital não é, ainda, capaz de reproduzir a sensação única de destacar um autocolante da respectiva folha e, com ele, 'embelezar' o cenário proposto na página, e que já há vários minutos vem 'puxando' pela imaginação...

Wednesday, 19 February 2025

Terças de TV: 'Cromos de Portugal' (1999) - Em Fórmula Que Resulta, Não Se Mexe...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui anteriormente falámos dos programas de 'Apanhados' como um dos formatos de maior sucesso no panorama televisivo nacional de finais do século XX. Fosse em situações cuidadosamente 'criadas' por comediantes 'à paisana', fosse no mais orgânico e natural estilo de 'vídeo caseiro', o público telespectador nacional parecia não se cansar de presenciar a vergonha alheia, e de rir das situações mais ou menos embaraçosas em que pessoas como eles se encontravam frente a câmaras de televisão. Assim, não é de estranhar que, nos últimos meses do século XX e do Segundo Milénio, a RTP tenha querido, mais uma vez, capitalizar no formato que tantas alegrias lhe trouxera em anos anteriores, através de um programa que aliava a tradicional e bem-sucedida fórmula dos 'Apanhados' a um apresentador carismático e capaz, por si só, de cativar potenciais interessados a sintonizarem a emissão em causa.


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Surgem assim, algures em 1999, os 'Cromos de Portugal', programas de cerca de uma hora em que Guilherme Leite – à época bastante em alta – servia de 'anfitrião' a três rábulas de 'apanhados', nos moldes já bem conhecidos da audiência-alvo, e expectáveis em programas deste tipo. O sucesso, esse, foi também o expectável, partindo o programa para um ciclo de vida de respeitáveis dois anos - um de cada 'lado' da viragem do Milénio - que provavam que o público português continuava a nutrir apetência por este formato, sempre que o mesmo fosse apresentado de forma apelativa e bem executada. Mesmo não tendo tido o sucesso dos seus antecessores (exibidos quando o formato era, ainda, relativamente novo e original) nem sendo o 'expoente máximo' do género em causa, 'Cromos de Portugal' merece ainda assim, portanto, destaque nestas páginas, como mais um exemplo de que a repetição de uma fórmula de sucesso nem sempre é sinónimo de 'fadiga' por parte da audiência-alvo. E quem quiser comprovar por si mesmo pode fazê-lo no bom e velho YouTube, onde um utilizador fez o 'favor' de adicionar toda a primeira temporada do programa numa só 'playlist', perfeita para uma sessão de 'visionamento compulsivo' daquelas que estão tão na moda hoje em dia...

Tuesday, 18 February 2025

Segundas de Séries: As Sequelas de 'Já Tocou!' - Tentativas Falhadas de Repetir Uma Fórmula de Sucesso

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Uma das primeiras séries a que dedicámos espaço nesta rubrica foi 'Já Tocou!', uma das emissões favoritas das crianças e jovens, em Portugal e não só, no início dos anos 90; nada mais justo, portanto, do que falarmos agora das suas duas sequelas, no mês em que uma delas completa trinta anos sobre a sua estreia nacional, e a outra trinta e um.


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Começando por esta última, 'Já Tocou! Na Faculdade' ('Saved By The Bell: The College Years' no original) segue à risca a premissa definida no título, acompanhando o já familiar grupo de protagonistas (com duas adições femininas à mistura, nos lugares de Jessie e Lisa da série anterior) em novas aventuras em ambiente universitário. E lá porque embarcaram nesta nova fase da sua vida académica e pessoal, não significa que os mesmos tenham deixado de se envolver em toda a espécie de peripécias, semelhantes às que viviam na série original, com 'namoricos', esquemas, desentendimentos, 'partidas', lições sobre companheirismo, amizade e espírito de grupo e, claro, muitos dichotes à partida. E se a 'vítima' principal do grupo, Mr. Belding, foi finalmente deixado em paz para gerir a sua escola secundária, esta série introduz uma nova antagonista, a Reitora McMann, que rapidamente se vê na 'mira' de Zack, Slater, Screech, Kelly e das duas novas amigas, Leslie e Alex, em tramas bastante próximas às do 'Já Tocou!' original.


Apesar das semelhanças, no entanto, 'Já Tocou! Na Faculdade' (que substituiu directamente o original na grelha da TVI em Fevereiro de 1994) nunca almejou, pelo menos em Portugal, o mesmo nível de impacto ou sucesso, passando relativamente despercebido, mesmo a quem era fã confesso do original. Talvez por o tema da faculdade ser algo mais 'distante' do que o da anterior escola secundária, talvez por algum 'cansaço' da fórmula ou talvez por o público-alvo ter passado à próxima nova 'febre' televisiva, a verdade é que esta continuação de 'Já Tocou!' teve 'vida curta' na televisão portuguesa, desaparecendo da grelha da 'Quatro' ao fim de apenas um ano, para dar lugar à sua sucessora, e segunda 'sequela' do original, 'Já Tocou! Os Caloiros'.


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Estreada há exactos trinta anos, em Fevereiro de 1995, esta nova série trazia, como o nome original indicava, a nova turma ('The New Class') da Secundária de Bayside, a qual prometia envolver-se em tantos 'sarilhos' quanto os seus predecessores. À cabeça deste novo grupo estava Scott Erickson, interpretado por Robert Sutherland Telfer, um aluno transferido de uma escola rival e que tomava o lugar do lendário Zack Morris como principal 'atormentador' do director Belding (ainda interpretado por Dennis Haskins) e interlocutor com a audiência. Ao lado do protagonista estavam Barton Wyzell, o 'novo Screech' (intepretado por Isaac Lidsky) e Tommy DeLuca, ou 'Tommy D' (Jonathan Angel) o 'atleta de serviço' e 'novo Slater'; os três faziam-se ainda acompanhar da 'crânia' Megan Jones (Bianca Lawson) e da sua neurótica amiga Vicki Needleman (Bonnie Russavage), bem como da popular Lindsay Warner (Natalia Cigliuti), que formavam o obrigatório 'contingente feminino' e serviam de contraponto mais sério às peripécias dos rapazes.


Como se pode facilmente aferir pelo parágrafo anterior, 'Os Caloiros' nada fazia ou experimentava de novo, sendo, pelo contrário, uma réplica quase 'um para um' do original; e se isto explica a sua quase inexistente repercussão em Portugal (ainda menor do que 'Na Faculdade', e a léguas da série de origem) mais difícil é perceber como e porque teve direito a nada menos do que sete temporadas nos seus EUA originais, batendo o recorde das duas séries anteriores! Apesar deste facto, no entanto, a presença nostálgica da 'nova turma' de 'Caloiros' é praticamente nula, ao passo que Zack, Slater, Screech, Kelly, Jessie e Lisa continuam a dominar o imaginário de quem cresceu a acompanhar as suas aventuras – um testamento à afirmação feita pela Kellogg's relativamente aos seus Corn Flakes, que postula que 'o original é sempre o melhor'.


Ainda assim, no mês em que ambas as continuações dessa primeira série celebram aniversários sobre a sua estreia nacional, nada se perde em recordar aquelas que acabaram por redundar em duas tentativas falhadas de voltar a capturar o sucesso de uma série que soube, como poucas outras, fazer uso do 'momento' cultural e social à sua época de estreia para cativar e reter um público-alvo que, por alturas destas duas continuações, já há muito tinha crescido, amadurecido e 'abalado para outras paragens'...

Sunday, 16 February 2025

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Dimas, O 'Coadjuvante de Luxo' da 'Geração de Ouro'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Quando se fala na Geração de Ouro do futebol nacional, a memória tende a relembrar fantasistas como Luís Figo, Rui Costa ou João Vieira Pinto, ou esteios defensivos como Paulo Sousa ou a dupla Fernando Couto e Jorge Costa: no entanto, como qualquer outra equipa, a referida Selecção contava também com uma série de 'coadjuvantes', cujo papel era mais discreto, mas não menos importante nas dinâmicas e organização da equipa. É, precisamente, a um desses jogadores – dono de uma carreira mais do que honrosa, mas significativamente menos lembrado que os seus colegas - que dedicaremos este Domingo Desportivo, no dia em que completa cinquenta e seis anos de idade.


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O jogador ao serviço de Portugal no Euro 2000.


Nascido em Joanesburgo, na África do Sul, Dimas Manuel Marques Teixeira – vulgarmente conhecido apenas pelo seu primeiro nome próprio – voltaria ainda criança a Portugal, onde viria a explorar mais a fundo a sua apetência por futebol. E a verdade é que, apesar de um começo relativamente tardio – tinha já dezasseis anos quando iniciou a formação – o futuro internacional português foi ainda mais do que a tempo de transformar esse gosto numa carreira internacional, vivendo o sonho de muitos jovens ao estrear-se, aos dezoito anos, pela histórica Académica de Coimbra, onde fizera os seus dois únicos anos de formação. Curiosamente (ou talvez não) a tenra idade não impediu que Dimas se afirmasse como peça-chave do plantel dos Estudantes durante as três épocas que ali passou, sendo que apenas na última realizaria menos de trinta jogos, compensando este facto com um recorde de golos que vigoraria durante toda a sua carreira, marcando sete. Ao serviço da histórica agremiação, o defesa conseguiria ainda as primeiras internacionalizações jovens, representando a selecção Sub-21 por duas vezes e a Sub-23 por três.


Esta preponderância, aliada às boas exibições tanto no primeiro escalão como no secundário, após descida, não poderia deixar de atrair o interesse de outros emblemas, e, no início da época de 1990/91, Dimas faria a primeira de muitas transferências na sua carreira, mudando-se para os arredores de Lisboa para representar o Estrela da Amadora, finalista derrotado da Taça de Portugal poucas semanas antes. Ali, continuou a confirmar as boas indicações que deixara no seu clube de origem, com duas épocas em grande nível, sendo 'totalista' na primeira, com trinta e oito presenças, e peça importante na segunda, em que almejou vinte e oito. Sete golos no total das duas épocas (apenas menos um do que marcara em três épocas em Coimbra) punham o corolário nesta fase da carreira do jogador, que rapidamente se viu a rumar a ainda mais um histórico do futebol português, desta feita localizado mais a Norte.


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Com a camisola do Vitória SC.


De facto, a época de 1992/93 via Dimas surgir como nova adição ao plantel do Vitória de Guimarães, responsável por revelar para o futebol muitos e bons executantes, e onde o lateral-esquerdo somaria e seguiria na sua carreira, realizando mais duas épocas como titular quase indiscutível no flanco esquerdo, embora agora com menor veia goleadora, almejando apenas um golo no decurso dos dois anos que passou na Cidade-Berço. Ainda assim, nesta fase da carreira, e com apenas vinte e quatro anos, Dimas era já, mais do que uma promessa, uma certeza do futebol nacional da época, pelo que o 'salto' para um grande era já mais do que expectável – salto esse que viria a acontecer há pouco mais de trinta anos, no início da época de 1994, quando Dimas regressava a Lisboa, desta vez para equipar de vermelho, ao serviço do Benfica.


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No primeiro dos dois rivais da Segunda Circular que representou...


Em termos de notoriedade, o lateral-esquerdo atingiu aqui o ponto alto da sua carreira, sendo pedra basilar da equipa durante as duas temporadas e meia que ali passou (como, aliás, já vinha sendo seu apanágio) e completando quase uma centena de partidas de águia ao peito, durante as quais almejou cinco golos. Terá sido nesta fase do percurso de Dimas que o adepto 'comum', menos atento a equipas que não os três 'grandes', terá tomado conhecimento do lateral-esquerdo, não só pelas suas prestações no Campeonato Nacional da I Divisão como também pela presença na Selecção Nacional AA, com a qual disputou tanto a fase de apuramento para o Euro '96 como o próprio certame, sendo primeira opção para o 'seu' lado da defesa durante todo o torneio. Não é, pois, de admirar que, na temporada seguinte, o lateral tenha sido alvo de interesse internacional, e dado com naturalidade o segundo 'salto' do percurso de qualquer futebolista; o destino era Itália, onde Dimas iria representar o mais lendário clube da sua carreira – a Juventus.


E se a 'aventura' internacional tende a não correr bem a muitos futebolistas, tal não foi o caso com Dimas, que, apesar de nunca conseguir a titularidade absoluta como sucedera nos seus outros clubes, conseguiu ainda assim realizar mais de quatro dezenas de jogos com a camisola listrada da 'Vecchia Signora' antes de rumar à Turquia, para representar o Fenerbahce, enquanto jogador do qual voltaria a representar Portugal no seu segundo torneio internacional, o memorável Euro 2000, onde seria novamente titular na esquerda. Um ano e meio e menos de três dezenas de jogos depois, o lateral rumaria à Bélgica, onde jogaria durante seis meses, contabilizando treze aparições pelo Standard de Liège, antes de rumar novamente a Portugal, e a Lisboa, desta vez para jogar do outro lado da Segunda Circular, no grande rival do seu antigo clube.


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...e no segundo.


Se Dimas esperava relançar a carreira no Sporting recém-coroado Campeão Nacional após jejum de quase duas décadas, no entanto, tal plano saiu gorado após o defesa contrair uma lesão no joelho, que o levaria a perder definitivamente a luta pela ala esquerda com o colega de Selecção Rui Jorge. Ainda assim, duas partidas na sua segunda época (antes de rumar por empréstimo ao Marselha, onde realizaria apenas mais quatro) foram suficientes para dar a Dimas o título de campeão nacional, apesar do papel irrisório que desempenhara nessa conquista. Seria com essa conquista quase 'oferecida' que, no final da época de 2001/2002, Dimas encerraria uma carreira honrosa, que inscrevia o seu nome na lista dos maiores jogadores portugueses de sempre a nível interno.


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No breve período como treinador-adjunto.


Tal como muitos outro nomes que relembramos nestas páginas, no entanto, não terminava aí a carreira do agora ex-lateral no Mundo do futebol, já que Dimas tentaria uma transição para a carreira de adjunto, ao lado de José Morais. No entanto, a mesma não duraria mais do que uma época no Barnsley (que terminou com o duo despedido após despromoção) e dois períodos de poucos meses nos ucranianos do Karpaty Lviv e no Jeonbuk, da Coreia do Sul. Assim, é sobretudo pela sua capacidade física, disponibilidade e ritmo de jogo enquanto jogador de campo que o ex-internacional continua a ser lembrado, e é pela sua preponderância nessa capacidade que merece esta homenagem aquando do seu aniversário. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Saturday, 15 February 2025

Sessão de Sexta/Saídas ao Sábado: A Era de Ouro do Romance Cinematográfico

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Independentemente da era ou geração, a Sessão de Sexta com a cara-metade – seja no sofá ou numa sala de cinema – continua a ser uma das opções mais populares para passar a noite de S. Valentim; e, naturalmente, dado o contexto, os filmes de romance contam-se, inevitavelmente, entre os mais populares e frequentemente escolhidos pelos casais aquando desta data e situação. Os anos da 'viragem' do século XX para o XXI não eram, de todo, excepção a esta regra, pelo que não deixava de ser fortuito que as décadas de 90 e 2000 vissem o género em causa – sobretudo na sua vertente mais leve e voltada para a comédia – viver uma verdadeira 'era de ouro', oferecendo muitas e boas opções a 'pombinhos' de todas as idades para uma Sessão de Sexta pintada de 'cor-de-rosa' e 'vermelho-coração'.


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Apenas alguns dos inúmeros filmes de romance produzidos durante os anos 90.


De facto, é dos anos 90 e – sobretudo – 2000 que emanam muitos dos maiores clássicos tanto do romance mais sério como da chamada comédia romântica. É esta a época, por exemplo, de 'Titanic', 'Antes do Amanhecer', 'Ghost – O Outro Lado da Vida', 'As Pontes de Madison County', 'A Paixão de Shakespeare' ou 'O Guarda-Costas', mas também de 'Enquanto Dormias', 'Nunca Fui Beijada', 'Notting Hill', 'Quatro Casamentos e Um Funeral', 'O Casamento do Meu Melhor Amigo', 'Dez Coisas Que Odeio Em Ti', 'Ela É Demais', 'Miss Detective' e, claro, daquele que ainda hoje é um dos exemplos mais sinónimos com o género, 'Um Sonho de Mulher', estreado logo nos primeiros meses da década de 90 e que serviu como inspiração para quase tudo o que se lhe seguiu. Eram os anos áureos de 'meninos bonitos' como Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Tom Cruise, Keanu Reeves, ou Freddie Prinze Jr., e de galãs mais maduros e sofisticados como Matthew McConnaughey, Richard Gere, Robert Redford ou Kevin Costner, os quais contracenavam com 'meninas do lado' como Meg Ryan, Kate Hudson, Julia Roberts, Sandra Bullock ou Jennifer Lopez em filmes fáceis de identificar pelos cartazes cheios de letras cor-de-rosa com fontes arredondadas, fundos de cor pastel e fotos dos protagonistas numa pose que dava muitas pistas sobre a sua relação – normalmente abraçados ou, em filmes mais irreverentes, costas com costas, imitando a icónica pose de Gere e Roberts no supracitado 'Um Sonho de Mulher'. Um indicador óbvio e fácil para namorados de visita ao videoclube ou cinema local, em busca de uma película com a qual 'matar' duas horas.


Ao contrário de muito do que se fala nestas páginas, a comédia romântica continua 'viva e de saúde', embora hoje mais frequentemente confinada a plataformas de 'streaming'. Quem quiser recordar a juventude, no entanto, pode ainda fazê-lo de forma relativamente fácil, bastando procurar um dos supracitados filmes (ou dos inúmeros outros exemplos disponíveis à época) e, através dele, recordar aquelas Sessões de Sexta e Saídas de Sábado românticas dos seus tempos de 'miúdo' – ou, em alternativa, criar novas memórias ao lado do actual parceiro, na noite mais propícia do ano para o fazer.


 

Friday, 14 February 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas de Quinquilharia: 'Amor É...' Sinónimo de Popularidade Astronómica

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 12 de Fevereiro e Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


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Quem cresceu, parcial ou totalmente, na década de 80 e inícios de 90, certamente se lembrará deles: um casal de personagens de banda desenhada, com um certo 'travo' a Adão e Eva, cuja vida parecia consistir exclusivamente de uma série de actividades românticas estereotipadas, devidamente acompanhadas por texto mais ou menos 'lamechas'. De facto, os mesmos nunca eram vistos a discutir, ou sequer a levar a cabo tarefas normais da vida quotidiana de um casal convencional – tudo o que faziam e diziam parecia saído de um cartão especialmente concebido para oferecer à 'cara-metade' em ocasiões especiais; nada melhor, portanto, do que, à 'beira' da pseudo-festa romântica anual, recordar os últimos anos destes 'pombinhos' na ribalta.


Falamos, claro está, do anónimo casal protagonista dos painéis da série 'Amor É...' - aquela propriedade perpetuamente a meio caminho entre a genuína tira de banda desenhada e a criação exclusivamente dedicada ao 'merchandising', que tomou o Mundo ocidental de assalto durante um quarto de século após a sua criação em finais da década de 60. De facto, ainda que as situações criadas pela 'cartoonista' neo-zelandesa Kim Casali para o seu casal de protagonistas se destinassem inicialmente a sair em jornais, foi como ilustração para toda a espécie de 'quinquilharias' que grande parte do público-alvo tomou pela primeira vez contacto com os mesmos. De canecas a caixas de fósforos, autocolantes para automóveis, e um sem-número de outros pequenos objectos, os 'pombinhos' de Casali eram omnipresentes mesmo em países onde a BD não era publicada, e não existirá 'filho' dos anos 70 ou 80 que nunca tenha visto pelo menos um produto com a imagem dos dois numa qualquer situação extremadamente romântica. E apesar de a sua relevância se encontrar já em declínio na última década do Segundo Milénio, subsistiam ainda no Portugal dos anos 90 (e não só), consideráveis 'vestígios' da fase áurea da propriedade, tanto nas lojas (prontos a servirem de prenda de S. Valentim ou de aniversário de namoro ou casamento) como em muitos lares, Não poderíamos, portanto, deixar de, às portas do dia mais romântico do ano, recordar aquele que, para muitas crianças e jovens de finais do século passado, era o epítoma da imagética normalmente associada à referida data.

Tuesday, 11 February 2025

Terças Tecnológicas: Trinta Anos de 'Puzzle Bobble' - O Pioneiro de Uma Nova 'Bolha' no Mundo dos Videojogos

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


O género 'rebenta-bolhas' – aquele em que o ecrã é cheio de bolhas suspensas e agrupadas por cores, e cabe ao jogador 'limpá-lo' lançando outras bolhas da mesma cor a partir da base do ecrã – é, hoje em dia, um dos mais populares, a par de 'Tetris' ou 'Candy Crush', para quem apenas pretende 'matar' alguns minutos durante o intervalo de almoço ou uma sessão de estudo, sem para isso ter de se 'embrenhar' num jogo mais 'a sério'. O que muitos dos que agora acedem a esse tipo de títulos nos seus 'browsers' ou telemóveis não saberão, no entanto, é que o mesmo tem já quase exactamente três décadas de existência, tendo sido concebido pela primeira vez pela companhia japonesa Taito, no Verão de 1994, e invadido o resto do Mundo no início do ano seguinte, após o seu lançamento global em Dezembro.


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Falamos, claro está, de 'Puzzle Bobble' – conhecido nas suas versões 'caseiras' como 'Bust-A-Move' – o lendariamente divertido e viciante jogo de arcada que viria a dar início a uma franquia que perdura até aos dias de hoje (o mais recente título data de 2023) com presença na esmagadora maioria das consolas desde a 'segunda geração' em diante, e que continua a granjear fãs com a sua jogabilidade simples, gráficos e animações coloridas e temas musicais memoráveis. E se essas inúmeras continuações apresentam inovações a nível da estrutura – permitindo, por exemplo, escolher diferentes 'rotas' rumo a um objectivo – ou elenco de personagens, o original continua a provar que uma experiência simples pode ser tão positiva quanto outra mais complexa, oferecendo uma progressão linear através de 99 níveis (mais uma batalha final contra um personagem-chefe), na companhia de dois personagens e de um único tema musical (só no centésimo nível se ouve um segundo), daqueles capazes de imediatamente se 'infiltrarem' no cérebro e lá montarem residência permanente.



Uma de apenas duas faixas musicais do primeiro jogo, que se ouve em 99 dos seus 100 níveis; felizmente, trata-se de um dos melhores temas da História dos jogos 'retro'.


Isto permite que o grande foco da experiência de jogar 'Bust-A-Move' seja mesmo na jogabilidade, a qual consegue a proeza de ser, ao mesmo tempo, fluida, convidativa, e enormemente frustrante, devido ao enorme acréscimo de dificuldade após os primeiros níveis. Nada, no entanto, que afaste o público-alvo, para quem a recompensante sensação de 'resolver' um nível particularmente complicado é motivação mais que suficiente para continuar a jogar e – no caso da versão 'Arcade' – gastar mais uns quantos 'trocos' na máquina, um dos grandes clássicos dos salões de jogos nacionais.


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É, aliás, precisamente esta conjugação de factores que continua a assegurar o sucesso do jogo, e que motivou a criação, ainda no século XX, da primeira e mais famosa das suas sequelas. 'Bust-A-Move 2' (e as respectivas 'Arcade' e 'DX Edition') sairia no Verão de 1996 para PC, PlayStation e Sega Saturn, e dois anos depois para as consolas da Nintendo, e seguiria à risca a fórmula do 'mais e melhor', introduzindo muitas das inovações elencadas mais acima neste texto, bem como novos modos de jogo, sem nunca complicar demasiado o conceito da série ou perder a sua essência ou identidade. Talvez por isso a primeira sequela se tenha revelado um sucesso ainda mais retumbante do que o original, transformando-se num daqueles casos, como 'Street Fighter II', em que uma sequela se torna mais sinónima com uma franquia do que o jogo originário da mesma.


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Com dois sucessos consecutivos 'às costas', não é de admirar que a Taito tenha 'voltado à carga' pouco mais de um ano depois, com o terceiro título a ver pela primeira vez a luz do dia na Europa em 1996 (com o mercado doméstico a receber a primeira versão, para Saturn, um ano depois) e a quarta em 1997 (com a primeira versão 'caseira', para PlayStation, a chegar na Primavera de 1999, cerca de dezoito meses após o lançamento da máquina de arcada, e a última, a única a ser lançada para a 'azarada' Dreamcast, cerca de três anos depois).


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Apesar do relativo sucesso nas consolas, no entanto, nenhuma destas sequelas sequer figurou proeminentemente em qualquer salão de jogos nacional, continuando o original a ser 'rei' indisputado nesse ambiente – estatuto que, aliás, manteve até ao desaparecimento de tais espaços, já no século XXI, altura em que deixara já marca indelével nas memórias nostálgicas de duas gerações de portugueses. Razão mais que suficiente, portanto, para celebrarmos (ainda que já com cerca de dois meses de atraso) o trigésimo aniversário do icónico 'jogo das bolinhas', que tantas moedas tirou a tantos de nós nos tempos de infância e adolescência...

Sunday, 9 February 2025

Domingos Divertidos/Segundas de Sucessos: Os Gira-Discos de Brinquedo - O Primeiro Contacto Com Uma Futura Paixão

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


O gosto pela música é uma das características mais inatas do ser humano, revelando-se, muitas vezes, logo desde tenra idade; o mesmo se passa com a tendência para imitar os gestos e comportamentos dos adultos, que principia assim que a criança tem idade suficiente para estar ciente do que a rodeia, e tomar decisões conscientes. Assim, não é de surpreender que um dos muitos brinquedos de sucesso entre as crianças dos anos 80 e 90 tenha tido por base uma combinação destas duas vertentes com a tecnologia da época, com um resultado final que não poderia deixar de ser irresistível. Nada melhor, portanto, do que dedicar mais um 'post' duplo a esta 'pérola' algo esquecida de muitos Domingos Divertidos.


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Falamos do gira-discos de brincar da Fisher-Price, o qual emulava o principal método de reprodução musical da época pré-dispositivos portáteis, mas substituindo as frágeis circunferências de vinil estriado por algo bastante mais resistente e adequado a ser manuseado pela demografia-alvo do brinquedo – no caso, discos em plástico duro, cada um deles codificado com uma respectiva cor pastel, que permitia às crianças em idade de pré-literacia saber que música neles estava contida sem, para isso, precisar de decifrar qualquer rótulo. Os temas, esses, consistiam de uma selecção de temas de domínio público, alguns deles especificamente criados para um público infantil (como 'A Ponte de Londres') e outros apenas de cariz apelativo para o mesmo (como a valsa 'Danúbio Azul'). E, apesar da 'distorção' natural derivada dos limitados aspectos técnicos do produto, a verdade é que cada um destes temas era perfeitamente inteligível, e muito agradável de ser ouvido.


No restante, o brinquedo funcionava exactamente como uma versão simplificada de um verdadeiro leitor de LP's, com o disco a ter de ser inserido no prato, a agulha posta em contacto com o mesmo e a corda dada antes de a canção poder ser reproduzida – uma mecânica que obrigava a criança a despender esforços mentais e processuais, ao mesmo tempo que lhe dava a conhecer o funcionamento de um gira-discos de verdade, como o que os pais possivelmente teriam na sala de casa. Assim, não é de admirar que muitos Domingos Divertidos se tenham transformado em Segundas de Sucessos graças a este 'sucedâneo' infantil de um produto para adultos, e à meia-dúzia de 'singles' incluídos no mesmo, que terão ajudado muitas crianças (portuguesas e não só) a descobrir e nutrir o gosto pela música.


Infelizmente, a era do CD viria a tornar este tipo de brinquedo obsoleto, nunca tendo havido uma 'versão' do mesmo em formato de Discman ou 'tijolo'. Assim, é provável que apenas os mais velhos de entre os leitores deste blog – crescidos ainda na era do vinil – recordem este saudoso produto; para esses, no entanto, é bem possível que este 'post' tenha despoletado uma vaga de nostalgia, e um daqueles momentos de recordação da infância (e respectivas exclamações de surpresa e espanto) tão característicos da natureza humana...

Saturday, 8 February 2025

Sextas Com Style/Sábados aos Saltos: As Roupas 'Para Bater'- Uma Prática Com Os Dias Contados?

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Um dos primeiros diferenciais mencionados por quem tenha sido criança em finais do século XX, por comparação ao tempo presente, prende-se com a muito maior prevalência das brincadeiras de exterior, muitas das quais já abordadas ao longo do tempo de vida deste 'blog'. Embora as consolas e outros brinquedos tecnológicos já existissem, e fizessem parte da vida de muitas das crianças (em Portugal e não só), as mesmas tinham o seu 'tempo e espaço' na vida quotidiana da demografia em causa, sendo muitas vezes preteridas em favor de um Sábado aos Saltos com os amigos, na rua, jardim, parque infantil ou campo de futebol do bairro. E porque até no mais citadino dos ambientes estas brincadeiras implicavam um certo grau de sujidade, não era incomum ver, nos guarda-roupas das crianças da época, um conjunto de peças de roupa exclusivamente destinadas a serem utilizadas neste tipo de situação, ou seja, 'para bater'.


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Fossem 'jeans' ou jardineiras já algo coçados, ténis estalados ou rasgados ou 'sweatshirts' já quase sem cor, as vestimentas incluídas nesta categoria eram, invariavelmente, peças que os pais da criança não se importavam de ver ser 'destruídas' em jogos de futebol de rua em campos de terra batida, brincadeiras em parques infantis com chão de areia, 'aventuras' naturais em áreas de floresta, jogos tradicionais, idas à praia, colónias de férias e outras situações igualmente insalubres. Esta prática permitia, por sua vez, preservar as roupas mais novas ou em melhor estado, para que as mesmas pudessem ser usadas em Saídas ao Sábado mais urbanas ou formais, ou em eventos que requerissem um pouco mais de cuidado na apresentação.


Ao contrário do que sucede com muitas tendências aqui abordadas, é de duvidar que a prática aqui exposta tenha desaparecido por completo; afinal, independentemente da geração, as crianças nunca deixarão de se sujar, e é bem possível que a demografia agora em idade de ter filhos pequenos tenha assimilado e adoptado este 'truque' empregue pelos seus pais quando eles próprios eram crianças. A verdade, no entanto, é que, com cada nova geração a tornar-se mais sedentária, existe cada vez menos necessidade de pôr de lado roupas exclusivamente 'para bater', tornando possível que também este hábito comum há apenas algumas dezenas de anos venha, num futuro muito próximo, a perder totalmente a sua relevância e preponderância, passando a constituir pouco mais do que uma memória preservada pela última geração a verdadeiramente ter por hábito passar Sábados aos Saltos a brincar na rua...

Friday, 7 February 2025

Quintas ao Quilo: As Marcas Desaparecidas de Queijo em Triângulos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Hoje em dia, o queijo em triângulos e embalado numa caixa de papel acartonado redondo é quase sinónimo com uma só marca, a internacionalmente famosa Vaca Que Ri (ou La Vache Qui Rit, ou The Laughing Cow). Nos anos 90, no entanto, esse mercado era, em Portugal, ainda surpreendentemente concorrido, com competição renhida entre pelo menos três marcas, duas das quais entretanto desaparecidas ou vítimas de perda significativa de visibilidade; é precisamente a elas que iremos dedicar as próximas linhas.


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Caixa internacional do queijo Tigre, menos bonita do que a portuguesa.


Das duas, a mais famosa era, sem dúvida, a Tigre, memorável pela sua fantástica embalagem, que exibia o felino homónimo, em toda a sua majestade, a caminhar por cima do logotipo, sobre um fundo amarelo. Deixando de parte o facto de os tigres serem exclusivamente carnívoros (e, como tal, não comerem queijo) era uma imagem marcante, que deixava a qualquer criança ou jovem a vontade de provar aquele produto (o qual, uma vez experimentado, se revelava um gosto adquirido, pelo menos para o gosto do autor deste blog à época). E apesar de a Tigre ser, como a Vaca Que Ri, uma marca internacional (com origem na Suíça) a mesma será, por muitos portugueses das gerações 'X', 'millennial' e anteriores, identificada sobretudo com a vivência portuguesa de finais do século XX, altura em que marcava forte presença nas arcas frigoríficas de supermercados, hipermercados e mercearias de bairro, ao lado da outra marca a que este 'post' faz alusão.


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Embalagem moderna do queijo em triângulos Eru.


Falamos da Eru, a resposta holandesa à suíça Tigre, e que, apesar de menos expressiva em termos de impacto comercial, não deixava de constituir uma alternativa para quem procurava um queijo em triângulos de sabor menos forte e intenso (era, por exemplo, a preferência deste autor, quando era jovem). O que poucos decerto saberão é que, ao contrário da Tigre, a Eru ainda hoje existe, embora a sua presença no mercado português seja, actualmente, praticamente nula – pelo menos no tocante ao queijo em triângulos, já que alguns dos seus outros produtos podem ainda ser encontrados em cadeias comerciais nacionais.


Ainda assim, e apesar da capacidade de sobrevivência de pelo menos uma das suas concorrentes, não há como negar a Vaca Que Ri como grande vencedora da 'guerra' comercial do queijo em triângulos, sendo a mesma praticamente opção única para quem queira degustar este produto no Portugal dos anos 2020. Quem viveu décadas e séculos passados, no entanto, certamente se recordará da variedade de escolhas oferecida pelo mercado português da época no respeitante a este tipo de alimento, e talvez tenha mesmo sentido alguma vontade de voltar a provar um daqueles queijos da sua infância, hoje infelizmente desaparecidos para sempre...


 

Wednesday, 5 February 2025

Quartas de Quase Tudo: Os Mapas Rodoviários - Elementos Indispensáveis Para Os Condutores da Era Pré-Digital

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Hoje em dia, descobrir a melhor trajectória rodoviária entre dois pontos implica, tão simplesmente, activar o GPS e acreditar que o mesmo vai ter em conta obstáculos como estradas sem saída ou cursos de água; em finais do século passado, no entanto (antes do advento de tais tecnologias) tal objectivo requeria o recurso a um elemento indispensável em qualquer veículo pessoal à época, e presença obrigatória em qualquer porta-luvas ou bolsa adjacente ao lugar do passageiro – o clássico mapa rodoviário.


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Oferecendo uma diagramação exacta das estradas, localidades e obstáculos naturais quer de todo um país, quer de apenas uma área restrita, estes mapas eram, regra geral, criados pelas instituições estatais ligadas ao trânsito rodoviário ou, em alternativa, por entidades privadas dentro do mesmo ramo (no caso nacional, o Automóvel Clube de Portugal) e tomavam a forma de um panfleto grosso, o qual se desdobrava infinitamente até se transformar numa gigantesca folha de tamanho A0, repleta de linhas e cores, e onde quaisquer dois pontos pareciam estar a apenas um 'saltinho' de distância um do outro. Não é, pois, de admirar que os mesmos constituíssem objectos de fascínio para as crianças da época, capazes de passar longos minutos a traçar, com o dedo, rotas desejadas ou imaginárias entre localidades, ou a tentar adivinhar por onde se desenrolaria a sua própria viagem daquele dia – pelo menos até o condutor ou o passageiro 'pendura' precisarem de consultar o mapa, e o mesmo ter de ser novamente cedido para desempenhar a sua funcionalidade primária. Pior, mesmo, era voltar a dobrar correctamente aquela 'imensidão' de folhas, acabando a maioria dos mapas rodoviários por ficar 'do avesso', com a parte das estradas para fora e a capa e contracapa escondidas no interior...


Conforme referimos no início deste texto, o aparecimento dos GPS (e, mais tarde, dos mapas na Internet) veio tornar obsoletas as versões em papel; no entanto, os mapas rodoviários nunca desapareceram completamente, pelo que é bem possível que, algures, uma família recorra ainda a um dos mesmos para se orientar durante uma Saída de Sábado ou viagem de férias, e que, no banco de trás, as crianças da mesma se entretenham a tentar traçar o caminho até ao seu ponto de chegada, tal como faziam os seus pais quando tinham a mesma idade...

Tuesday, 4 February 2025

Terças de TV: 'Gugu Dadá' - Um Concurso Infantil Diferente

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui anteriormente nos referimos aos anos 90 como a 'era de ouro' dos concursos televisivos em Portugal, com um cada vez maior número de programas deste género a fazer 'concorrência' aos velhos sobreviventes de décadas transactas; e a verdade é que, destes, uma parcela significativa era directa e explicitamente dirigida a um público infanto-juvenil, procurando explorar a apetência por actividades competitivas típica daquela demografia. E se este novo 'nicho' apenas deu azo a um verdadeiro clássico intemporal – a lendária 'Arca de Noé' – não é menos verdade que, em redor desse ícone da televisão nacional noventista se perfilavam uma série de outros programas que, apesar de menos memoráveis, não deixaram ainda assim de proporcionar suficientes bons momentos ao seu público-alvo para merecerem uma menção nestas nossas páginas. É o caso do programa que recordamos esta Terça-feira, o qual comemora este mês os exactos trinta anos sobre a sua estreia, em Fevereiro de 1995.


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Produzido pela portuense Miragem e exibido pela RTP, 'Gugu Dadá' tinha, em relação aos seus congéneres, a particularidade de se destinar a um público (ainda) mais novo – como, aliás, era dado a entender não só pelo título como também pelo logotipo criado a partir de cubos; de facto, enquanto a maioria dos concursos infantis da época eram dirigidos a crianças em idade de instrução primária ou preparatória, 'Gugu Dadá' era, literalmente, um programa para bebés. Isto porque o conceito central do concurso postulava que nenhum dos concorrentes infantis poderia ter mais de quatro anos, fazendo com que os participantes fossem, invariavelmente, crianças muito pequenas, ainda em idade de desenvolvimento cognitivo, psicomotor, pessoal e social.


E porque não se poderia pedir a bebés nesta etapa do crescimento que respondessem a perguntas ou cumprissem o tipo de prova habitual nestes concursos, o regulamento do programa previa também a presença de um adulto em cada uma das 'equipas', cuja função era guiar a criança através dos requisitos da competição – uma oportunidade 'de ouro' para criar laços com os filhos ou familiares, embora haja lugar a questões sobre se um programa transmitido a nível nacional será o melhor local para esse tipo de experiência partilhada e de entrosamento. Felizmente, no final, todos ganhavam, levando para casa um certificado de participação e um saco de brinquedos da Tomy (marca infantil então em alta) incluindo um expressamente escolhido pela própria criança, proporcionando-lhe assim uma experiência tão divertida como gratificante, e colocando o ênfase na diversão e brincadeira, por oposição à competição – apesar de, novamente, haver razões para ponderar quanto ao efeito do ambiente de um estúdio de televisão no humor e saúde mental de crianças tão pequenas.


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O apresentador José Jorge Duarte. (Crédito das fotos: Desenhos Animados Anos 90)


Talvez por essas e outras questões éticas o programa apresentado pelo sempre carismático José Jorge Duarte (à época figura inescapável do panorama televisivo nacional, por conta do sucesso d''A Hora do Lecas' e de outro concurso infantil de relativo sucesso, 'Tal Pai, Tal Filho') apenas tenha logrado chegar às duas dezenas e meia de episódios, após os quais caiu no relativo esquecimento até o advento da Internet o vir 'resgatar' da obscuridade. E é nesse sentido que o Anos 90 procura, também, deixar a sua contribuição para o 'arquivo' de fontes sobre este concurso que, apesar de hoje algo obscuro, apresenta interesse suficiente para, à distância de quase exactos trinta anos, merecer ainda algumas linhas a si alusivas.

Monday, 3 February 2025

Segundas de Sucessos: 'Caixinha de Sonhos - Canções Infantis' - Qualidade Em Domínio Público

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


As colectâneas de músicas populares ou de domínio público interpretadas por artistas ou grupos anónimos têm, desde sempre, representado uma forma fácil e em conta de fazer dinheiro, através da combinação vencedora entre a intemporalidade dos repertórios e a ausência de quaisquer encargos monetários, àparte os da própria produção e edição dos discos; e, sendo pródigo neste tipo de canção, não é de estranhar que o mercado infanto-juvenil tenha, também ele, visto surgirem ao longo dos tempos inúmeros exemplos de colectâneas deste género, algumas mais cuidadas e com tentativas de preservação histórica e cultural, e outras mais declaradamente oportunistas, muitas vezes tendo como base e 'cara' um fenómeno então popular entre a demografia-alvo. Como tantas vezes sucede, no entanto, é no meio que está a virtude – e é, também, no meio que se situa o disco de que falaremos em mais esta Segunda de Sucessos.


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Lançado algures há trinta anos (embora o dia e mês sejam incertos) pela inevitável Vidisco, 'Caixinha de Sonhos – Canções Infantis' encaixa-se perfeitamente na descrição feita no início deste texto, apresentando duas dezenas daquele tipo de temas que qualquer criança aprende 'por osmose' entre amigos, na escola ou como 'ladainha' para brincadeiras tradicionais de rua ou jogos de 'palminhas'. Ou mais precisamente, três quartos do disco são compostos deste tipo de material, ficando o último reservado para temas então em alta entre a demografia-alvo - desde os genéricos de abertura de 'Pippi das Meias Altas' ou 'Vickie o Viking' até ao clássico de José Barata Moura, 'Joana Come A Papa'. O denominador comum entre estas duas vertentes é o virtual anonimato dos intérpretes, com mais de metade dos temas a ficarem a cargo de um grupo conhecido apenas como Carossel da Petizada, e os restantes a serem interpretados por cantoras (todas mulheres) e conjuntos cujos únicos outros créditos são outros discos deste mesmo tipo.


Um produto bem típico do seu género, portanto (e bem clássico, apesar do grafismo pseudo-psicadélico, bem indicativo da época de edição do trabalho) mas nem por isso menos bem conseguido ou capaz de cativar o seu público-alvo, sempre disposto a cantar, dançar e desfrutar destas 'cançonetas' clássicas, e ao qual a capa em moldes 'Photoshop sob o efeito de LSD, tão mau que é bom' não poderia deixar de agradar. É bem provável, aliás, que o mesmo se passe, ainda, com os jovens das actuais gerações Z e Alfa – ainda que, neste caso, a falta de imagens a acompanhar se possa revelar um obstáculo... Ainda assim, uma colectânea mais que meritória para partilhar com os filhos pequenos, e lhes proporcionar os mesmos momentos de que as suas mães e pais desfrutaram, trinta anos antes, com exactamente a mesma banda-sonora...

Sunday, 2 February 2025

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: As Lojas de Desporto de Bairro - Mais Uma Conveniência Desaparecida do Comércio Local Nacional

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 1 de Fevereiro de 2025.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


A chegada a Portugal das grandes superfícies, em meados da década de 90, veio confinar a uma presença cada vez mais esporádica certos tipos de lojas do chamado comércio local, anteriormente muito mais prolíficas e omnipresentes na vida quotidiana dos cidadãos nacionais. Foi assim com as drogarias e mercearias tradicionais (as segundas das quais aqui terão em breve o seu espaço) com as lojas de brinquedos e discos, com os videoclubes e com o tipo de estabelecimento que abordamos neste 'post' duplo de fim-de-semana: as lojas de desporto de bairro.


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De facto, onde hoje a Decathlon e a Sport Zone são as principais referências no tocante à compra de equipamento desportivo especializado (daquele que dificilmente se encontraria num hipermercado), há cerca de três décadas, esse mesmo nicho era do domínio praticamente exclusivo de lojas mais pequenas, altamente especializadas, e existentes em praticamente todas as localidades e bairros mais urbanos do País, muitas vezes como parte de uma pequena galeria comercial. Ali se podiam comprar desde produtos mais básicos, como ténis, chuteiras, sapatilhas de ginástica, calções, meias ou camisolas de futebol (quer genéricas quer, por vezes, alusivas a clubes específicos) até outros bem mais especializados, como canas de pesca, ou mesmo troféus 'genéricos' para atribuição em competições e eventos de pequenos clubes ou agremiações. E apesar de, por comparação às referidas grandes superfícies, os preços serem, necessariamente, inflacionados, tal diferença acabava por se justificar dado o atendimento personalizado e atencioso, 'à moda antiga', de que cada cliente era alvo.


Tal como sucedeu com os restantes tipos de loja mencionados no início deste texto, no entanto, também as pequenas lojas de desporto de bairro se foram vendo ficar cada vez mais irrelevantes e perder boa parte da sua clientela, para quem os preços mais baixos das novas lojas em cadeia tinham um atractivo irresistível. Assim, embora este tipo de loja não esteja, ainda, totalmente extinto (ainda que seja apenas uma questão de tempo até que tal suceda) os poucos estabelecimentos ainda restantes sobrevivem, acima de tudo, graças a uma capacidade de resistência acima da média, misturada com um pouco de sorte; uma pena, já que os equipamentos desportivos para modalidades e actividades extra-curriculares continuam a ser um dos campos em que o comércio de proximidade não só tem razão de ser como apresenta claras vantagens em relação ao actual paradigma de compras 'online' ou em grandes superfícies.

Saturday, 1 February 2025

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de 'Beleza Americana' (1999) - Um Clássico do Cinema Psicológico

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


A psique humana, com as suas diversas 'nuances' e desvios, sempre serviu como uma das melhores fontes para material artístico – fosse ele literário, musical ou cinematográfico – não tendo o final do século XX sido, de todo, excepção a esta regra. Antes pelo contrário, só no mundo do cinema, a última década do Segundo Milénio viu serem produzidos uma série de clássicos dentro do género do 'thriller' psicológico, de 'Se7en – Sete Pecados Mortais' a 'Clube de Combate'. 'Conhece Joe Black?' ou ao filme que abordamos nesta Sessão de Sexta, no final da semana em que se comemoram os vinte e cinco anos da sua estreia nas salas de cinema portuguesas, a 28 de Janeiro de 2000.


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Com a sua complexa e difícil temática em torno da obsessão e de outros impulsos menos desejáveis do subconsciente humano, 'Beleza Americana' está longe de ser o tipo de filme que apele à juventude, normalmente mais virada para tramas de acção, ficção científica ou comédia; no entanto, a presença da bela Mena Suvari – à época em alta entre a demografia juvenil, após a sua participação em 'American Pie – A Primeira Vez' – como parte de uma dupla de protagonistas adolescentes levou muitos menores de idade às salas de cinema para ver a longa-metragem de estreia do hoje conceituado Sam Mendes, acabando os mesmos por ter uma experiência, quiçá, algo distinta do esperado.


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Mira Sorvino e Kevin Spacey na cena mais icónica do filme.


Ainda assim, apesar da primeira impressão algo 'enganosa', qualquer pessoa que tenha visto 'Beleza Americana' terá pouco que apontar à reputação do filme, que merece largamente os elogios críticos que então lhe foram dispensados, bem como os galardões que amealhou – a saber, três Globos de Ouro (incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento) e nada menos do que seis Óscares, incluindo as três categorias principais – Melhor Filme, Actor e Actriz – e ainda as relativas à cinematografia, música e edição de imagem, o que, na era pré-'Senhor dos Anéis', representava um consenso e domínio crítico poucas vezes visto em tais cerimónias.


Não é, pois, de espantar que a película de Mendes se tenha rapidamente afirmado como um dos muitos 'clássicos' estreados num dos melhores anos da História do cinema moderno – um estatuto que continua a merecer mesmo após um quarto de século, e um sem-número de mudanças no paradigma cinematográfico, talvez pela ausência de efeitos especiais e outros 'truques' que acelerem o seu envelhecimento, ou talvez apenas pela qualidade de execução que apresenta em todos os seus aspectos. Um candidato mais que merecedor, portanto, a uma das nossas 'celebrações' retrospectivas, poucos dias após o vigésimo-quinto aniversário da sua estreia nacional.


Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...