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Friday, 1 May 2026

Sextas com Style: A Segunda Vida de Um Logotipo Marcante

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A indústria do calçado portuguesa é, merecidamente, reconhecida como um dos 'ex libris' da produção nacional, sendo o sector mais bem sucedido de uma já forte indústria têxtil; não é, pois, de espantar que sejam várias as marcas de sapatos a atingir sucesso também fora de portas, por vezes até maior do que o obtido em território nacional. Mais inusitado, no entanto, é o caso de uma marca internacional que apenas obteve verdadeiro reconhecimento após ter sido adquirida por empresários portugueses, e a sua produção redireccionada para Portugal. É dessa marca que falamos esta sexta-feira.

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Originalmente fundada na cidade que lhe dá o nome, em 1994, a Fly London era 'apenas' mais uma marca falida, prestes a extinguir-se após uma desavença entre sócios, quando os empresários portugueses Fortunato Francisco e Amílcar Monyeiro descobriram um gráfico com o logotipo da marca abandonado na área comercial de um evento especializado em Dusseldorf, na Alemanha. Intrigados pelo logotipo bastante distinto, os dois futuros sócios viram potencial para algo mais, e prontamente adquiriram a marca sob a denominação comercial Kyaia - Fortunato O. Frederico & Ca Lda.

Uma vez em posse do nome, os dois novos donos da Fly London não perderam tempo em trazer toda a produção para Portugal, aproveitando os vastos recursos do País no tocante a têxtil e calçado; desde esse momento, na segunda metade dos anos 90, toda a gama da marca sai de fábricas cem por cento lusitanas, mesmo que o nome ainda continue a fazer menção à capital inglesa. E a vardade é que esta mudança ajudou a dar uma 'segunda vida' à Fly, lançando-a para três décadas de sucesso e permitindo-lhe atingir o patamar de crescimento e desenvolvimento que Fortunato e Amílcar haviam achado possível ao depararem com o cartaz de logotipo durante aquele fatídico evento alemão.

Com o crescimento, veio também a natural expansão, tanto em oferta – a marca comercializa hoje sacos, óculos e acessórios em cabedal, além dos sapatos – como internacional, estando a marca hoje presente em cinquenta e sete países, contando com mais de três mil lojas, e produzindo perto de um milhão de pares de sapatos por ano – uma 'remontada' invejável para uma marca surgida num centro nevrálgico do comércio mundial, mas que precisou procurar mais 'brandas' paragens para realmente mostrar todo o seu potencial.

Saturday, 14 February 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Quarenta Anos da Última Sapataria Tradicional

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Numa edição recente desta rubrica, falámos da 'morte lenta' das sapatarias tradicionais, tal e como existiam até aos primeiros anos do Novo Milénio; agora, chega a hora de celebrar os quarenta anos de uma das lojas que, ao mesmo tempo, precipitaram essa situação e contribuiram para a permanência do referido tipo de estabelecimento nas ruas e avenidas portuguesas, mesmo após o desaparecimento de todas as 'concorrentes'.


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Falamos, claro está, da Seaside, uma das duas cadeias de sapatarias que se inserem no espaço intermédio entre 'franchise' de centro comercial e loja mais tradicional (sendo a outra a ainda mais veterana Calçados Guimarães), e cujo conceito permanece inalterado desde o seu aparecimento em 1986 – nomeadamente, oferecer calçado de fabrico nacional (com toda a qualidade inerente a tal origem) a preços competitivos em relação às referidas sapatarias de 'grande superfície'. Uma proposta de valor que, inevitavelmente, a torna atractiva para uma vasta gama de demografias, e que contribuiu para fazer da cadeia uma das mais procuradas não só pelos pais de crianças e jovens (em busca de calçado de qualidade e em conta para os filhos) como também pelos próprios jovens, que ali encontram, por exemplo, botas em pele a preços adequados aos seus orçamentos.


Com estes factores em conta, não é, pois, de admirar que a Seaside seja, para muitos, sinónima com a compra de calçado semi-formal nas últimas três décadas (os sapatos de ténis continuavam a provir maioritariamente das lojas de desporto, ainda que a Seaside também os vendesse) e que mesmo hoje em dia, na era das compras 'online', continue a ter alguma expressão no panorama comercial do País, onde retém o estatuto de uma das poucas sapatarias verdadeiramente 'de rua' ainda existentes em localidades como a capital Lisboa. Uma rara história de sucesso a longo-prazo sem, para isso, ser necessário comprometer os princípios ou a visão de mercado, e que merece bem ser celebrada, no ano em que a cadeia em causa completa quatro décadas de vida, e parece bem posicionada para vir a completar ainda muitas mais...

Saturday, 22 November 2025

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: O Declínio das Sapatarias Tradicionais

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 21 de Novembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já muito foi dito sobre como a chegada das grandes superfícies a Portugal veio 'matar' o pequeno comércio de proximidade, uma situação que apenas agora se começa a reverter, e apenas em alguns sectores. A conjugação 'letal' de vasta oferta e baixos preços tornou impossível a muitas lojas 'tradicionais' competir com estes estabelecimentos, e causou uma baixa nos volumes de vendas que rapidamente tornou insustentável a manutenção de muitas delas, contribuindo ainda mais para a centralização de todo o comércio em supermercados, 'shoppings' e hipermercados.


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Um dos sectores onde tal mais se verificou foi o do calçado. Embora ainda prolíferas nos anos 90 e 2000, também as sapatarias tradicionais não escapariam ao novo paradigma, tendo este período marcado o início de um pronunciado declínio deste tipo de loja, que as veria praticamente extinguirem-se num espaço de menos de uma década, com as poucas ainda existentes a focarem-se em marcas específicas (como a Geox ou a Camper) perdendo assim o aspecto generalista que as caracterizava. De facto, qualquer português nascido e crescido nos últimos vinte anos do Segundo Milénio se lembrará de, tal como já haviam feito os seus pais e avós, ir à pequena sapataria do bairro (ou a outra de maior renome mas iguais dimensões físicas) e escolher um novo par de sapatos ou ténis - muito provavelmente feitos em Portugal, com a qualidade que tal 'selo' ainda hoje acarreta – de entre as 'pilhas' que enchiam a loja, sempre com a ajuda de um simpático e prestável funcionário 'à moda antiga', para quem nada dava demasiado trabalho. Era uma daquelas experiências inerentes à infância e que, de tão repetida, acabava por se 'gravar' na memória, bem mais do que uma ida à anónima secção de calçado de um qualquer 'shopping'.


Infelizmente, esta tornar-se-ia a 'norma' para a compra de sapatos no século XXI, com a grande maioria das poucas lojas de desporto e sapatarias de bairro a desaparecerem, e apenas uma ou outra cadeia a continuar, ainda, a tradição do comércio de calçado de proximidade – e, nesses casos, apenas com recurso a materiais relativamente baratos ou peças de grandes marcas, com o apelo quase instantâneo que as mesmas acarretam. Uma dessas terá, aliás, aqui paulatinamente o seu espaço; por agora, no entanto, limitemo-nos a recordar a 'categoria' das sapatarias como um todo, e as memórias que a mesma traz a várias gerações de adultos portugueses.

Sunday, 3 November 2024

Sextas com Style: As Marcas Esquecidas dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 01 de Novembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 90 e 2000 em Portugal ficaram, mais do que qualquer das décadas precedentes, marcada pela divisão e estratificação da juventude em 'tribos urbanas', de forma semelhante ao que ia acontecendo um pouco por todo o Mundo. E de entre as muitas sub-culturas juvenis a surgirem no nosso País nesse período, um grupo em particular (ou classe social, pois era disso que se tratava) dividia opiniões entre os restantes 'mortais', havendo tanto quem os desprezasse como quem quisesse ser como eles: os chamados 'betos', denominação ainda hoje aplicada a jovens bem apresentados, de classe média-alta e provenientes de famílias endinheiradas. E se, hoje, este grupo se vai cada vez mais 'assimilando' em termos de estilo e postura, nos anos da viragem de milénio, passava-se precisamente o oposto, havendo um esforço concertado por parte dos 'betos' para se destacaram da restante 'maralha', sobretudo no tocante ao vestuário, onde prevaleciam camisas de marcas como Sacoor e Amarras (artigo genuíno, ao contrário do que sucedia com a maioria dos restantes jovens, que as adquiriam na feira), t-shirts Quebramar, 'sweats' da Gap ou Gant, 'pullovers' em tons pastel e, claro, os icónicos sapatos eternamente associados com esta demografia – os 'velas'.


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De facto, apesar de não serem propriedade exclusiva dos 'betos' (muitos jovens do sexo masculino tinham na gaveta um par, para ocasiões que exigissem algum apuro adicional no vestuário) era mesmo com estes que o referido calçado era mais vezes conotado, por fazer parte integrante da indumentária-padrão de um membro do grupo em causa, normalmente combinado com uns calções e pólo, e vestido sem meias. Já quem não fosse 'betinho', mas quisesse ou precisasse de vestir uns sapatos deste tipo, combiná-los-ia com umas calças de ganga de bom corte (ou calças semi-formais, embora não de fato) e um pólo ou camisa – o tipo de indumentária utilizado para eventos familiares, por exemplo. E se, tal como sucede com a maioria das peças em análise nesta secção, também os 'velas' acabaram por dar lugar a outras variantes do mesmo tipo de calçado – nomeadamente os 'moccassins' – é também inegável que, para toda uma geração de portugueses, os mesmos se afirmaram como parte icónica do processo de auto-descoberta típico da juventude, mais do que justificando a sua presença nesta secção.

Friday, 24 May 2024

Sextas com Style: As Sapatilhas de Ginástica

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre as actividades extra-curriculares disponíveis no Portugal de finais do século XX, a ginástica infantil ocupava, para grande parte da população, lugar de destaque. Ainda mais do que o 'ballet', equitação, natação, futebol ou artes marciais, era esta actividade unissexo e de claros benefícios tanto físicos como sociais que atraía muitos pais, e que rapidamente se tornava parte do quotidiano de inúmeras crianças pré-adolescentes. E quem, na infância, tenha frequentado mais do que uma única aula de ginástica, certamente se lembrará vivamente de se deslocar à loja de desporto mais próxima para adquirir as indispensáveis sapatilhas brancas ou pretas.


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De aspecto e 'design' algures entre as alpercatas, os sapatos de 'ballet' e os futuros 'best-sellers' da Vans, estas peças de calçado ofereciam muito pouco no tocante a moda ou 'style' – não se pondo sequer a hipótese de serem usadas para lá das quatro paredes do estúdio ou ginásio – mas, desde que compradas no tamanho certo (o que nem sempre era adquirido) ofereciam o conforto e mobilidade necessária para os pinos, rodas e cambalhotas da ginástica, ao mesmo tempo que ofereciam alguma protecção – embora não muita, como sem dúvida asseverará qualquer pessoa que tenha colocado mal um pé com elas vestidas.


Quando aliadas ao facto de estas peças de calçado serem infinitamente resistentes, recusando-se a 'morrer' mesmo após meses ou anos de uso semi-intensivo, estas qualidades faziam com que as sapatilhas de ginástica valessem bem o seu dinheiro – e continuem a valer, já que este tipo de sapato está longe de ter desaparecido do Portugal contemporâneo, ainda que a sua presença no mesmo seja significativamente mais reduzida do que outrora, devido à queda de popularidade da ginástica infantil em relação a outras modalidades. Ainda assim, quem tenha filhos com apetência para os saltos e cambalhotas certamente já terá dado por si a comprar pelo menos um par de sapatos deste tipo e, quiçá, a recordar um tempo em que os 'papéis' eram invertidos, e as sapatilhas eram para si...

Friday, 2 February 2024

Sextas com Style: As Sapatilhas da Sanjo - A Versão Nacional dos All-Star

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 80 e 90 do século passado assistiram àquele que talvez tenha sido o primeiro grande influxo de marcas estrangeiras para o nosso País. Embora os produtos importados, entre eles peças de vestuário, sempre tenham chegado a Portugal, a abertura do mercado nacional ao exterior, como consequência do fim da ditadura e posterior adesão à CEE, fez com que as importações aumentassem substancialmente de volume, e apresentou os jovens portugueses a uma série de marcas e modelos de roupa anteriormente apenas vistos em filmes ou séries de origem estrangeira, e que rapidamente se tornaram favoritos entre a demografia em causa.


Não quis isto dizer, no entanto, que as 'alternativas' nacionais ou ibéricas já existentes no mercado tenham perdido o seu espaço, pelo menos não no imediato; pelo contrário, os primeiros anos da década de 90 viam, ainda, marcas portuguesas ou espanholas conviver harmoniosamente com as suas recém-chegadas congéneres estrangeiras no guarda-fatos dos jovens portugueses. Uma dessas marcas – talvez a mais famosa e conhecida – era oriunda da zona de São João da Madeira, no Norte de Portugal (a mesma de onde saíriam, mais tarde, as não menos icónicas mochilas Monte Campo) e havia sido responsável por calçar a juventude nacional em épocas transactas, com aquilo que era, para todos os efeitos, uma versão portuguesa dos popularíssimos ténis Converse All-Star; falamos, é claro, da Sanjo, que, apesar da perda de preponderância durante o período em causa, não deixa de ser nostálgica para os membros da geração 'X' e para os 'millennials' mais velhos.


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O icónico modelo K100 da marca.


Fundada em 1933, a Sanjo rapidamente se havia estabelecido no mercado nacional como fabricante de calçado com uma relação qualidade-preço acima da média; as famosas sapatilhas de sola de borracha, em particular (material que, à época, constituía ainda uma inovação no ramo em causa), vir-se-iam a tornar sinónimas com a marca em décadas subsequentes, sendo já o calçado por excelência de grande parte da população jovem em finais dos anos 40. Pouco antes, em 1944, a Sanjo abandonara já a sua sede inicial na Companhia Nacional de Chapelaria em favor de uma fábrica própria, de onde ainda saíam as sapatilhas que os jovens das décadas de 80 e 90 envergavam no seu dia-a-dia.


Conforme referido mais acima, no entanto, a Sanjo teria dificuldade em competir com as marcas internacionais que principiavam a entrar no País após a abolição da ditadura, um paradigma que nem mesmo a sua associação a agremiações desportivas históricas, como a local Associação Desportiva Sanjoanense, viria a conseguir inverter. Assim, e apesar de muitos jovens de finais do Segundo Milénio ainda terem vestido as icónicas e inconfundíveis sapatilhas da marca, as vendas da Sanjo entrariam, durante esse período, num declínio do qual não mais recuperariam, e que culminaria na extinção da empresa, em simultâneo com a sua chapelaria irmã, em 1996.


Não terminaria aqui, no entanto, a História da Sanjo, que dedicaria a década e meia seguintes a estudos de mercado, a fim de perceber o que a juventude 'millennial' e da chamada geração 'Z' pretendia de um sapato de ténis; os conhecimentos assim adquiridos informariam, posteriormente, o regresso da marca ao mercado, no ano de 2010, com os seus familiares modelos K100 e K200. Pelo caminho, no entanto, havia ficado a produção cem por cento nacional, vendo-se a marca obrigada a exportar a produção das icónicas solas vulcanizadas para a China; este problema seria, posteriormente, ratificado com uma ligeira alteração na confecção das mesmas, que permitiu trazer o processo de manufactura de volta para solo nacional, paradigma que se mantém até aos dias de hoje.


Apesar deste ressurgimento, no entanto, seria desonesto afirmar que a Sanjo continua a ser uma referência no mercado do calçado nacional; hoje em dia, a marca vive, sobretudo, da reputação adquirida no Portugal de meados do século XX, e do reconhecimento que lhe está associado. Ainda assim, quem fez parte da última geração a usar recorrentemente as tradicionais sapatilhas da marca pode, actualmente, 'recuperar' essa parte da sua juventude numa qualquer loja de desporto ou centro comercial – o que coloca, instantaneamente, a Sanjo num patamar superior ao de tantas outras marcas da época, hoje em dia totalmente desaparecidas; e apesar de ser pouco provável que a companhia alguma vez volte a gozar dos níveis de sucesso que viveu na sua época áurea, não deixa de ser possível que essa vertente nostálgica ajude a 'alavancar' as vendas dos seus icónicos sapatos, e lhe permita manter-se em actividade durante mais alguns anos...

Saturday, 6 January 2024

Sextas com Style: As Pantufas de Animal

NOTA: Este post é respeitante a Sexta, 04 de Janeiro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 80 e 90 foram palco de uma maior diversificação no tocante a calçado infanto-juvenil, e mesmo mais adulto. Sem terem abandonado todos os modelos clássicos de décadas anteriores – como as botas ou os ténis – os fabricantes de calçado nacionais e internacionais principiaram a injectar uma maior dose de originalidade nos seus sapatos, dando azo a peças tão icónicas quanto os famosos Converse da bandeira americana. No entanto, nem todas as mudanças e inovações tinham esse nível de mediatismo – pelo contrário, muitas surgiam sem grande 'alarido', mas acabavam por se tornar parte integrante do guarda-fatos da maioria dos jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.


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pantufa_infantil_pimpolho_antiderrapante_monstrinhDois exemplos bem típicos do tipo de calçado em causa.


Um dos melhores exemplos dessa tendência, e que continua a ser encontrado em sapatarias e lojas por esse Portugal fora até aos dias de hoje, são as pantufas de 'patas' ou de 'animais', talvez uma das mais famosas peças de vestuário 'de casa' junto da geração 'millennial', e que continua a reter um charme considerável até aos dias de hoje. Isto porque, por mais idade que se tenha, a ideia de meter os pés numas enormes patas de felino (ou cabeças de cão, ou qualquer que seja o motivo que as pantufas tentam emular) nunca deixa de ser apelativo, o que explica o porquê de serem, até hoje, lançados modelos actualizados deste tipo de sapato, e invariavelmente em tamanhos para adultos – bem como o facto de se verem, ainda, muitos 'crescidos' de ambos os sexos andarem com pantufas destas em casa durante os meses de Inverno.


Apesar da contínua actualização destes modelos ano após ano, no entanto, uma falha gritante continua por colmatar – nomeadamente o facto de estes sapatos terem solas de tecido, que se 'ensopam' ao mínimo contacto com uma superfície molhada e tornam o uso da pantufa extremamente desconfortável. Não fora esse pequeno mas significativo detalhe, e decerto estas pantufas teriam atingido estatuto ainda mais lendário, e feito parte do panteão dos calçados de 'elite' de finais do século XX e inícios do seguinte.

Friday, 24 November 2023

Sextas com Style: As Botas Panama Jack, 'Celebridades' Esquecidas do Mundo do Calçado

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, em diversas ocasiões, falámos de peças de calçado relevantes ou cobiçadas pela juventude portuguesa de finais do século XX, dos ténis Airwalk, Converse ou Redley às socas de plataforma, passando pelas botas Texanas, da Timberland ou Doc Martens, No entanto, existe ainda uma lacuna nesse elenco de sapatos e sapatilhas, o qual pretendemos, nesta edição da Sexta com Style, rectificar: chegou a altura de falar das botas Panama Jack.


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Exemplo moderno do modelo clássico da marca.


Tão populares e desejadas, em inícios dos anos 90, como qualquer dos calçados acima mencionados, as botas em causa afirmaram-se como uma espécie de antecessoras das posteriores Timberland e CAT, apresentando o mesmo tipo de 'design', algures entre uma bota 'de passeio' e um modelo mais 'todo-o-terreno'. Fabricadas, até aos dias de hoje, exclusivamente em Espanha (concretamente, na região de Albacete) não foi de todo de espantar que um dos primeiros países a acolher e popularizar estas botas (poucos anos após o seu aparecimento, ainda em finais da década de 80) tenha sido, precisamente, o 'outro' país ibérico, onde surgiam normalmente combinadas com calças de ganga da Levi's e camisas aos quadrados, sendo sobretudo associadas aos sectores mais 'bem-comportados' da juventude da época – ou seja, os chamados 'betinhos'. Ainda assim, a posse de umas botas desta marca não deixava de ser um sinal de estatuto entre esse grupo, tanto quanto outras peças de calçado o eram para as demais 'tribos urbanas'.


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O tradicional símbolo bordado da marca.


Tendo em conta essa popularidade, não deixa de ser surpreendente que as botas Panama Jack tenham, praticamente, desaparecido do panorama juvenil português no espaço de apenas alguns anos, a ponto de, por alturas do final da década, terem já sido totalmente suplantados pelas supracitadas sucessoras. Apesar dessa perda de preponderância, no entanto, a marca subsiste até aos dias de hoje, agora com um público mais 'de nicho', mas com 'designs' e qualidade sensivelmente iguais aos de outrora, permitindo a quem queira 'reviver' a sua juventude, pelo menos parcialmente, voltar a adquirir um par das botas que fizeram a sua felicidade em tempos idos de há três décadas atrás...

Friday, 1 September 2023

Sextas com Style: As Galochas

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


O mês de Setembro sempre marcou, no calendário português, o fim do Verão; apesar de o regresso às aulas ainda ser, em grande medida, feito 'em t-shirt', não deixa também de ser verdade que a maioria dos jovens portugueses levava já para a escola um casaco, a fim de enfrentar as tardes mais frias. A chuva, essa, só costumava chegar mais para o final do mês, ou até em Outubro; este ano, no entanto, o Outono decidiu antecipar-se em algumas semanas, levando à situação algo caricata de, depois de uma Sexta com Style em que falámos das sandálias de praia, sob calor de quase quarenta graus, nos encontrarmos, duas semanas depois, a recordar uma peça de calçado diametralmente oposta, e indispensável nos dias de maior chuva.


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Falamos, é claro, das clássicas galochas – as botas de borracha que protegiam os pés das poças e 'rios' de água nos passeios em igual medida do que aliciavam aos saltos para dentro das mesmas – uma daquelas brincadeiras intemporais dos dias de chuva e que, seja em que altura da História fôr, dá azo à mesma reacção irritada por parte dos pais. No entanto, a verdade é que – com os pés e barrigas das pernas bem protegidos por uma ou mais camadas de borracha grossa – era mesmo bastante difícil resistir ao apelo daquelas superfícies lisas, mesmo a pedir para serem 'desfeitas'; o pior era quando a água subia demais e penetrava nas botas, contrariando assim o propósito de ter vestido as mesmas...


'Chapões' à parte, não haverá, decerto, um único 'nativo' dos anos 90 que não se recorde de ter vestido, a cada chegada do Outono, um par de sapatos deste tipo – muitas vezes a contragosto, já que os mesmos estavam longe de ser estéticos ou vistos como estando 'na moda', o que tendia a causar algum constrangimento em crianças mais velhas e, sobretudo, adolescentes. Curiosamente, esta vertente foi, em décadas subsequentes, devidamente suprida, com o aparecimento de galochas com padrões apelativos, bolas, riscas, e outros 'truques' para as deixar um pouco menos 'chatas' e incentivar ao seu uso.


Esses 'truques' não foram, no entanto, suficientes para fazer perdurar o apelo das galochas como calçado 'de cidade', sendo as mesmas, hoje em dia, mais frequentemente vistas em trabalhadores manuais cujos trabalhos envolvem o contacto com terra ou outras substâncias húmidas e desagradáveis, ou em crianças muito pequenas, tendo as demografias mais velhas encontrado outras soluções para fazer frente a chuvas mais fortes; para toda uma geração, no entanto, o calçado outonal por excelência serão, para sempre, aquelas botas inestéticas e meio desengonçadas, muitas vezes usadas 'à força', mas que, ao mesmo tempo, estarão sem dúvida associadas a um sem-número de bons momentos passados em brincadeiras à chuva...

Friday, 18 August 2023

Sextas com Style (de Verão): As Sandálias de Praia

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os Verões dos anos 80, 90 e 2000 eram, normalmente, sinónimos com uma série de elementos, dos gelados da Olá às visitas a parques aquáticos ou férias no Algarve. O mundo da moda tão-pouco ficava imune a este tipo de iconografia, e a cada nova época estival podia esperar ver-se nos pés dos portugueses um sapato de formato, configuração e propósito muito específicos: a clássica sandália de tiras em plástico.


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Clássico para muitos, trauma de infância para outros tantos, e símbolo do Verão de toda uma geração.


À época tão ou mais difundidas do que os chinelos em plástico, e ainda hoje sobreviventes em muitas lojas de praia, em quase todas as cores possíveis e imagináveis, estas sandálias serviam, sobretudo, o propósito de proteger os pés de impurezas e outros perigos que supostamente espreitavam tanto na areia da praia como à beira-mar, sendo, nomeadamente, recomendadas como 'escudo' contra as picadas do temível peixe-aranha. Para muitos pais de finais do século XX, no entanto, o propósito deste tipo de calçado era, sobretudo, prático, já que o mesmo era totalmente lavável e, como tal, fácil de limpar após cada ida à praia, bastando colocar o pé debaixo de qualquer chuveiro, fonte ou mangueira para lhe tirar a areia. Já muitas crianças tendiam a achar estas sandálias desconfortáveis, sobretudo devido às tiras em plástico - que queimavam e se colavam ao pé em tempo muito quente ou quando molhadas - e à fivela ajustável que, muitas vezes, deixava o sapato ou demasiado largo ou demasiado apertado, a ponto de deixar marca na pele.


Para quem conseguia ultrapassar estas pequenas inconveniências, no entanto - ou tinha a sorte de ter um pé a que o sapato coubesse sem grandes 'celeumas' - este tipo de calçado será, ainda hoje, um ícone do período de infância, talvez mesmo comprado para os respectivos filhos; para os restantes, constituirá algo mais próximo de um trauma. Seja qual for o caso, no entanto, poucos portugueses da geração 'millennial' negarão que as sandálias em causa constituem um ícone da moda estival do século XX, bem merecedor de figurar nesta nossa rubrica.

Friday, 4 August 2023

Sextas com Style: Os Protectores de Atacadores

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Talvez a principal característica dos atacadores de qualquer criança – quer tenham sido atados pela própria ou por um adulto mais experiente – é desatarem-se de forma incrivelmente frequente. A tendência dos 'putos' para se deslocarem em corrida, juntamente com o atrito advindo da maioria das suas brincadeiras, faz com que até o nó mais cuidadosamente dado acabe, inevitavelmente, por ficar lasso, deixando um par de atacadores a arrastar no chão, não só adquirindo poeira e terra como também representando um perigo iminente de queda e mazelas físicas. Assim, não é de admirar que os anos 90 tenham procurado responder a esta inevitabilidade com uma inovação tão simples quanto genial e eficaz, e que merecia ter sido mais popular entre a demografia-alvo.


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Exemplo moderno do objecto em causa.


Falamos dos protectores de atacadores, pequenas 'molas' plásticas que se colocavam por cima da zona do nó de qualquer par de atacadores, com a função de prevenir que os mesmos se desatassem com tanta facilidade como antes – um objectivo que, ainda que nem sempre totalmente conseguido, se podia considerar, grosso modo, ser atingido. E para tornar estes objectos perfeitamente utilitários um pouco menos aborrecidos e um pouco mais apelativos para o público-alvo a que almejavam, as companhias fabricantes tiveram outra ideia genial: a de moldar os mesmos em forma de animais, objectos, ou mesmo heróis da televisão ou banda desenhada (lá por casa, por exemplo, havia um das Tartarugas Ninja) tornando assim um apetrecho necessário e até algo 'totó' numa declaração de estilo e auto-actualização!


E se, hoje em dia, os protectores de atacadores já não gozam da popularidade que outrora tiveram (actualmente, este tipo de produto encontra-se sobretudo em plataformas de pequenos artistas independentes, como a Etsy) muitos terão, sem dúvida, sido os leitores deste blog que, antes de saírem para a escola ou para um Sábado aos Saltos com os amigos, puseram em cima do laço dos sapatos um animal fofinho ou a cara do seu herói favorito...


 

Friday, 7 July 2023

Sextas com Style: As Botas Timberland

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de, regra geral, uma década tender a ser referenciada como um todo (veja-se o título deste blog, por exemplo) a verdade é que um período de dez anos é mais do que suficiente para tornar o modo de vida quotidiano de uma sociedade praticamente irreconhecível. E se, em décadas transactas, essas mudanças foram mais graduais e, talvez, menos perceptíveis, os anos 90 foram, talvez, o período em que mais se verificou o oposto, ao ponto de um jovem adolescente de 1991 pouco ter a ver com um seu congénere de 1999, quer em termos de gostos mediáticos, quer de estilo de vida ou até no aspecto estético.


Um bom exemplo disto mesmo foi o calçado jovem dos anos 90. Se houve peças que atravessaram toda a década, nomeadamente os ténis 'pisa-e-brilha' ou os Converse e respectivos sucedâneos, o restante mercado sofreu profundas alterações, com constante renovação em termos de marcas, modelos e até cores populares; no espaço de apenas dez anos, os pés dos jovens portugueses passaram de envergar sapatilhas Sanjo às Redley, Skechers e Airwalk, de sandálias de plástico e chinelos 'dos trezentos' a Havaianas e das botas Doc Martens (hoje de novo em voga e que aqui terão o seu espaço) às Texanas 'em bico', Panama Jack e, acima de tudo, Timberland.


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Uma imagem que ainda faz 'babar' toda uma geração...


De facto, a recta final dos anos 90 e início da década seguinte marca a explosão em popularidade da marca americana, e sobretudo do modelo cor de crème, que – quase de um dia para o outro – passou a surgir nos pés de uma enorme parcela da juventude portuguesa, e a ser objecto de cobiça e símbolo de 'status' para a restante percentagem. Caracterizadas por terem constituído uma moda transversal a ambos os sexos – embora, entre o sexo feminino, tendessem a ser adoptada sobretudo por raparigas com um estilo mais práctico, as chamadas 'maria-rapaz' – estas botas tinham, para muitos 'putos' e adolescentes da época, o mesmo entrave de sempre: o preço proibitivo, que fazia delas item de luxo e suscitava o aparecimento no mercado 'alternativo' de um sem número de imitações e contrafacções mais ou menos convincentes, que ajudavam a 'safar' quem não tinha fundos para comprar o artigo genuíno.


O mais curioso é que, à altura da sua popularização em Portugal, esta bota já existia há várias décadas (como era, aliás, o caso também com as Doc Martens) tendo a sua demografia original sido a mesma das Martens e das não menos famosas 'biqueiras de aço': trabalhadores em profissões de índole física ou adeptos da caminhada, que precisavam de botas resistentes e duradouras. Ambas as marcas não tardaram, no entanto, a 'cair no gosto' da juventude, e por alturas da viragem do Milénio, ambas as marcas se encontravam já muito distantes do seu objectivo e público iniciais, tendo-se transformado em artigos puramente estéticos e 'da moda' – posição que, aliás, ocupam até hoje.


Mas se as Doc Martens vivem, actualmente, uma segunda vaga de popularidade, o mesmo não se pode dizer das botas 'amarelas' da Timberland, que sofreram o destino tipico de peças que se tornam demasiado populares e sofrem de sobre-exposição – ou seja, o regresso à semi-obscuridade social. Quem foi de uma certa idade entre finais dos anos 90 e meados da década seguinte, no entanto, certamente recordará a cobiça desmedida que esse artigo de calçado provocava, e a decepção ao deparar-se com o seu preço, mesmo em promoção – que, por sua vez, motivava uma visita à feira mais próxima em busca de algo que pudesse 'fazer as vezes' por um décimo do preço. Outros tempos...

Friday, 12 May 2023

Sextas com Style: As Botas Texanas

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Ter 'estilo' e parecer 'fixe' – seja junto dos amigos ou perante um potencial par romântico – sempre foi, e há de continuar a ser, um dos principais objectivos de qualquer criança ou jovem, independentemente da geração em que tenha crescido; a necessidade de afirmação e aceitação é parte integrante da conquista da identidade própria, e o aspecto fisico tem, quer se queira ou não, um papel preponderante nessa mesma jornada. E se, hoje em dia, as gerações mais jovens são bastante mais abertas à diferença e à procura de um estilo individual, a sua congénere dos anos 80, 90 e 2000 almejava precisamente ao oposto, procurando o máximo de padronização possível em termos de vestuário, calçado e apresentação em geral.


O resultado inevitável desta tendência foi uma sucessão de 'febres' ligadas a peças de roupa, cada uma mais cobiçada que a anterior pela então nova geração, das camisas da Sacoor às sweat-shirts da No Fear, Quebramar, Mad+Bad e GAP, passando pelas calças da Resina, blusões da Duffy ou t-shirts da Fiorucci. Como um dos principais elementos identificadores de qualquer estilo, o calçado não ficou, de todo, imune a este fenómeno, tendo sido também inúmeros os exemplos de sapatos altamente cobiçados por grande parte da juventude portuguesa, dos ténis pisa-e-brilha aos Airwalk, Redley e Converse, passando pelos botins, socas de plataforma, botas de biqueira de aço, e pelo tema desta Sexta com Style, as botas Texanas.


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Exemplo moderno deste tipo de peça.


Como o próprio nome dá a indicar, estas botas pretendiam emular o peculiar e emblemático estilo de calçado que continua, desde os tempos do lendário Velho Oeste, a ser utilizado pelos rancheiros da região do Texas, nos Estados Unidos: aquele tipo de bota de cano bem alto e biqueira pontiaguda, normalmente feita de pele de um qualquer animal, muitas vezes uma cobra ou crocodilo. Uma peça que, longe de ser 'para todos os gostos', tem alguns evidentes atractivos que a ajudaram a popularizar entre a juventude dos anos 90, pese embora o proibitivo preço as tornasse – para quem tinha a sorte de ter um par, claro – peças estritamente 'de festa', apenas utilizadas em ocasiões especiais, como uma ida à discoteca, e longe de se adequarem ao 'rame-rame' quotidiano da escola e dos encontros com amigos no café ou no jardim.


Tal como a maioria dos artigos que acima elencámos, também as botas Texanas acabaram, inevitavelmente, por ser 'levadas' na constante 'enxurrada' das tendências de moda, sendo já totalmente alheias à geração nascida em meados de 80, e que entrou na adolescência no final da década seguinte; os seus congéneres ligeiramente mais velhos, no entanto, certamente terão bastas memórias de tirar do armário e polir as suas Texanas, para poder 'fazer estilo' numa qualquer festa entre pares...

Friday, 28 April 2023

Sextas com Style: Os Ténis da Redley

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


O calçado é, regra geral, uma das melhores formas de 'datar' uma determinada moda ou estilo, sendo ainda hoje um dos principais factores a ter em contar ao tentar emular um 'look' nostálgico; a simples visão de umas socas com sola de plataforma num 'look' feminino, por exemplo, já coloca o 'outfit' algures entre finais dos anos 90 e inícios do Novo Milénio, enquanto que uns Vans aos quadrados já remetem aos últimos anos da década de 2000. Portugal não foi excepção a esta regra, tendo a moda juvenil dos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte ficado marcados por toda uma panóplia de artigos de calçado, dos mais visualmente distintos (como os ténis All-Star com a bandeira americana ou inglesa) aos mais discretos, mas nem por isso menos cobiçados, como era o caso dos ténis da Redley.


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Oriunda do Brasil, a marca surgia em Portugal ligada ao sempre popular movimento 'surf' e 'bodyboard', associação essa que ajudava a elevar consideravelmente a reputação daquilo que eram, de outro modo, umas 'sapatilhas' de lona rasas, com sola branca e normalmente de cor única, e sem nada que as distinguisse de outros sapatos semelhantes; um daqueles casos, portanto, em que a marca, e respectivo posicionamento de mercado, 'falavam mais alto' do que a estética ou os factores distintivos do artigo em si – uma situação que continua, até hoje, a ser quase paradigmática entre as demografias mais jovens.


Fosse qual fosse o seu atractivo, a verdade é que os ténis e sapatilhas da Redley, fossem com os tradicionais atacadores ou simplesmente de enfiar no pé, rapidamente se tornaram quase 'obrigatórios' entre certos sectores da juventude portuguesa de fim de século, que as ostentava orgulhosamente para inveja dos familiares, colegas e amigos. Escusado será, também, dizer que este era um daqueles casos em que sapatos em tudo semelhantes, mas de marca genérica, e ainda imitações da marca, proliferavam no mercado, sem no entanto suscitarem grande interesse – já que, neste particular, a etiqueta era mesmo o único ponto de 'interesse',


Tal como tantas outras peças e marcas de que aqui falamos, também a Redley pareceu, de um dia para o outro, desaparecer do 'radar' dos jovens portugueses, levada na constante enxurrada das tendências de moda. Para quem, um dia, cobiçou um simples sapato de pano só porque o mesmo tinha a característica etiqueta vermelha, no entanto, este post terá decerto reavivado memórias nostálgicas de tempos que já lá vão – e, como tal, cumprido a sua missão de não deixar cair no esquecimento alguns dos mais marcantes factores da vida infanto-juvenil de finais do século XX.

Friday, 15 July 2022

Sextas com Style: As Imitações de Converse All-Star

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quando se fala em peças de roupa 'intemporais', um dos primeiros exemplos que vem à cabeça de qualquer ex-jovem dos anos 90 são os inevitáveis ténis Converse All-Star. Apesar de, à época, gozarem já de várias décadas de popularidade (a qual, aliás, continua até aos dias de hoje) é mesmo com os anos 80 e 90 que este tipo de calçado tende a ser associado, até por ter sido quando gozou o seu auge de popularidade.


Tanto assim foi que quem entrasse numa das lojas generalistas 'barateiras' tão típicas dessa era da História social portuguesa encontraria a prova acabada dessa mesma popularidade - nomeadamente, imitações mais ou menos bem-feitas do artigo original. Poder-se-à, claro, argumentar que ainda hoje é possível encontrar ténis de lona a emular o estilo clássico concebido por Chuck Taylor em lojas como a Primark; a diferença reside, no entanto, no facto de essas sapatilhas copiarem o modelo 'raso' dos All-Star (isto é, sem cano) ao passo que as imitações dos 90s optavam, invariavelmente, pela variante de cano alto, a mais popular à época.


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Um exemplo contemporâneo, neste caso para bebé


E a verdade é que, à primeira vista, estes ténis mais 'genéricos' até passavam bem por All-Star genuínos – pelo menos até serem escrutinados mais a fundo. Isto porque a principal diferença entre os modelos autênticos da marca e as cópias em causa estava nos detalhes, saindo as opções mais baratas, obviamente, a perder. Por exemplo, onde os All-Star tinham uma estampa aplicada na zona do tornozelo, estes ténis tendiam a ter pedaços de borracha - muitas vezes com um desenho de uma estrela, mas em casos menos cuidados, lisos – ou até a deixar essa área vazia; de igual modo, enquanto que os All-Star têm sempre uma risca a dividir a lateral da sola ao meio, certas cópias anónimas tendiam a omiti-la, deixando a lateral da sola lisa, num modelo mais próximo da não menos icónica versão nacional dos All-Star, os Sanjo. Detalhes pequenos, mas que ajudavam a que o artigo genuíno se distinguisse das imitações baratas, servindo para informar o consumidor no momento da compra.


Ainda assim – e talvez surpreendentemente, tendo em conta a mentalidade vigente à época – havia muita gente que sabia 'ao que ia', e não se importava grandemente; isto porque, ao contrário da maioria dos artigos declaradamente de contrafacção, estas imitações de Converse All-Star tendiam a ser socialmente bem aceites entre os mais jovens, vá-se lá saber porquê. E apesar de, hoje em dia, estarem praticamente extintos (até porque os ténis populares passaram a ser de marcas como a Adidas ou a New Balance), a verdade é que quem cresceu em Portugal em finais dos anos 90 e inícios de 2000, e não dispunha de 'fundos ilimitados' para reposição de guarda-roupa, certamente se terá cruzado, pelo menos uma vez na vida, com um par de ténis destes – por aqui, por exemplo, existiram pelo menos dois duarante os anos de adolescência - e ostentado orgulhosamente o mesmo para a escola, talvez combinado com um par das não menos inevitáveis meias brancas de raquetes...

Friday, 6 May 2022

Sextas com Style: Os Chinelos de Borracha de Anime

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Há coisas que não se explicam – e nos anos 90, houve MUITAS coisas que não se explicavam, a maioria delas no mundo da moda. Senão vejamos: foi esta a década dos fatos de treino de cores garridas, das meias de raquetes, das bolsinhas de trocos, e das peças de vestuário de que hoje falamos, os chinelos de praia com sola grossa e bonecos 'anime' na tira.


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Essencialmente isto, mas mais mal feito


Sim, antes de os chinelos deste tipo se tornarem, quase exclusivamente, em imitações mais ou menos bem feitas de modelos da Nike ou Adidas – incluindo-se nessa lista, também, os modelos infantis - os fabricantes de calçado tinham 'rédea solta' para dar largas à imaginação e criar sapatos um pouco mais imaginativos, sobretudo quando direccionados à população mais jovem; e, para muitos desses mesmos produtores, o conceito de 'dar largas à imaginação' passou por criar um 'template' de chinelo, o qual sofria, posteriormente, alterações apenas ligeiras, sobretudo ligadas ao padrão.


Quem foi de uma certa idade na viragem da década de 80 para a seguinte, e frequentou lojas de artigos de praia, certamente tem uma imagem mental bastante clara deste tipo de chinelo: base grossa, em borracha, de cor uniforme (normalmente preto ou azul-escuro) e tira branca decorada com personagens de 'anime', fossem licenciados (por aqui, recorda-se vagamente um modelo com desenhos do Capitão Falcão) ou retirados da imaginação de um qualquer ilustrador. Um sapato declaradamente e desavergonhadamente feio (para além de não ser especialmente barato) mas que explorava, e bem, o fascínio das crianças da época por tudo o que tivesse padrões inspirados em desenhos animados – e que, apesar de não se poder considerar ter sido uma 'febre', ainda era visto com alguma regularidade nos pés de uma determinada demografia da juventude portuguesa.


Felizmente, tal como os outros 'atentados à moda' descritos no início deste post, também estes chinelos acabaram por cair em desuso, ou pelo menos desaparecer das prateleiras das lojas de praia; enquanto existiram na consciência popular, no entanto, não deixaram de se afirmar como mais uma prova cabal de que 'gostos não se discutem', sobretudo os da juventude...

Saturday, 4 September 2021

Sextas com Style: Os Ténis Airwalk

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 03 de Setembro de 2021.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


 O final dos anos 90 e início do novo milénio marcou a chegada do estilo alternativo a Portugal. Claro que já tinha havido, em décadas anteriores e até na que nos concerne, outros movimentos de contra-cultura, como o gótico e o ‘grunge’; no entanto, foi mesmo a partir da segunda metade da última década do século XX que aquilo que é hoje entendido como movimento ‘alternativo’ se introduziu e cimentou entre a juventude portuguesa. De súbito, já não eram apenas os chamados ‘freaks’ a usar botas coloridas, calças largas, sacolas de sarja a tiracolo e cabelos de cores estranhas – pelo contrário, tais arroubos visuais eram agora a norma, pelo menos entre uma fatia da população jovem nacional.


Um dos mais memoráveis ícones desse movimento, e um dos mais utilizados por aqueles que queriam ser alternativos sem grandes ‘aventuras’, eram os ténis Airwalk. Originalmente conotados com o movimento ‘skater’ norte-americano – outra ‘febre’ que tomou Portugal de assalto por volta dessa altura, graças à popularidade do punk-pop e dos jogos de Tony Hawk – estes sapatos rapidamente se tornaram parte da indumentária diária de milhares de jovens por todo o país, e alvo de cobiça de outros tantos, que não tinham oportunidade ou fundos para adquirirem o seu próprio par.


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Para além da razão óbvia – a marca, e a popularidade entre a ‘malta’ jovem – estes ténis tinham a seu favor um visual verdadeiramente apelativo, maioritariamente construído sobre tons de castanho, preto e cinzento, mas que conseguia transformar essas cores normalmente algo ‘chatas’ em algo vibrante e apelativo para o seu público-alvo, através de um design cuidado e que justificava o alto preço de venda da maioria dos artigos das suas linhas. Foi precisamente o ‘cool factor’ exsudado pelo tradicional estilo de design da Airwalk que fez destes ténis parte integrante e obrigatória da indumentária ‘teen’ alternativa de finais dos 90, a par das calças largas, boné ao contrário (de preferência vermelho) e t-shirt também largueirona, idealmente com qualquer tipo de dizer contestatário ou ofensivo, bem ao estilo dos ídolos da cena ‘punk’ e ‘nu-metal’.


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Um dos modelos mais clássicos do período clássico da marca


Hoje em dia, e apesar de ainda existirem, os ténis Airwalk foram suplantados nas preferências dos jovens por outras marcas mais ‘in’ e ‘cool’, como a New Balance e a renascida Adidas. No entanto, para uma determinada parte da população portuguesa que cresceu durante os anos 90, estes sapatos (a par dos lendários Vans aos quadradinhos e dos Skechers, que, pasme-se, são considerados sapatos para idosos em certos países da Europa!) permanecerão, ainda e sempre, como símbolo de uma época bem mais inocente do que a actual, em que os ‘raps’ indignados de uns Limp Bizkit ou o humor juvenil de uns Blink-182 serviam de banda sonora para os intervalos da escola e sessões de convívio com os amigos, sempre vestidos a rigor com o último grito da moda alternativa – do qual os Airwalk faziam, definitivamente, parte integrante…


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...