Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.
A indústria do calçado portuguesa é, merecidamente, reconhecida como um dos 'ex libris' da produção nacional, sendo o sector mais bem sucedido de uma já forte indústria têxtil; não é, pois, de espantar que sejam várias as marcas de sapatos a atingir sucesso também fora de portas, por vezes até maior do que o obtido em território nacional. Mais inusitado, no entanto, é o caso de uma marca internacional que apenas obteve verdadeiro reconhecimento após ter sido adquirida por empresários portugueses, e a sua produção redireccionada para Portugal. É dessa marca que falamos esta sexta-feira.

Originalmente fundada na cidade que lhe dá o nome, em 1994, a Fly London era 'apenas' mais uma marca falida, prestes a extinguir-se após uma desavença entre sócios, quando os empresários portugueses Fortunato Francisco e Amílcar Monyeiro descobriram um gráfico com o logotipo da marca abandonado na área comercial de um evento especializado em Dusseldorf, na Alemanha. Intrigados pelo logotipo bastante distinto, os dois futuros sócios viram potencial para algo mais, e prontamente adquiriram a marca sob a denominação comercial Kyaia - Fortunato O. Frederico & Ca Lda.
Uma vez em posse do nome, os dois novos donos da Fly London não perderam tempo em trazer toda a produção para Portugal, aproveitando os vastos recursos do País no tocante a têxtil e calçado; desde esse momento, na segunda metade dos anos 90, toda a gama da marca sai de fábricas cem por cento lusitanas, mesmo que o nome ainda continue a fazer menção à capital inglesa. E a vardade é que esta mudança ajudou a dar uma 'segunda vida' à Fly, lançando-a para três décadas de sucesso e permitindo-lhe atingir o patamar de crescimento e desenvolvimento que Fortunato e Amílcar haviam achado possível ao depararem com o cartaz de logotipo durante aquele fatídico evento alemão.
Com o crescimento, veio também a natural expansão, tanto em oferta – a marca comercializa hoje sacos, óculos e acessórios em cabedal, além dos sapatos – como internacional, estando a marca hoje presente em cinquenta e sete países, contando com mais de três mil lojas, e produzindo perto de um milhão de pares de sapatos por ano – uma 'remontada' invejável para uma marca surgida num centro nevrálgico do comércio mundial, mas que precisou procurar mais 'brandas' paragens para realmente mostrar todo o seu potencial.
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