Showing posts with label animais exóticos. Show all posts
Showing posts with label animais exóticos. Show all posts

Thursday, 3 April 2025

Quartas de Quase Tudo: Os Grilos Em Cativeiro - Mais Um Caso de Crueldade Por Ignorância

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-Feira, 2 de Abril de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Em tempos, falámos neste 'blog' da apetência dos jovens portugueses por animais exóticos durante a última década do século XX, e do risco e crueldade acidental que esse gosto acarretava. Se as iguanas e araras eram a face mais visível do sofrimento desse tipo de animal, no entanto, outro havia cuja 'adopção' (inevitavelmente temporária) se poderia também considerar quase uma 'pena de morte', por motivos de infeliz ignorância de quem o levava para casa.


celular359.jpg


Falamos dos grilos, vendidos na Primavera de Norte a Sul de Portugal, em pitorescas e multi-coloridas gaiolas que não deixavam de atrair o 'olho' sempre atento da pequenada (e, em muitas ocasiões, apanhados pelos próprios jovens na natureza circundante). O problema, no entanto, era o mesmo que, à época, assolava os peixes 'betta' – nomeadamente, o desconhecimento dos requerimentos mínimos para cuidar de um animal destes, o que levava muitos 'donos' a deixarem os pobres insectos na mesma gaiola onde haviam sido adquiridos, e que mal permitiam ao animal mexer-se. O resultado era a inevitável redução, a breve trecho, do número de grilos em cativeiro, e consequente desgosto do jovem proprietário, que decerto antevira um período de pelo menos alguns meses com o seu novo animal de estimação.


Felizmente, este é mais um caso em que as novas sensibilidades para com as necessidades dos animais nutriram resultados, já que o comércio de grilos em cativeiro rapidamente se reduziu, estando hoje 'arredado' do Portugal moderno, e subsistindo apenas em locais como a China. Uma vitória clara para a ecologia e os direitos dos animais, e para a sobrevivência dos grilos enquanto espécie, que ninguém porá em causa ou contestará, por mais atractivas que fossem aquelas 'gaiolinhas' da infância...

Saturday, 18 December 2021

Saídas ao Sábado (de Natal): Os Circos de Natal dos Anos 90

NOTA: Normalmente, hoje seria Sábado de Saltos: no entanto, dada a relevância temporal deste post, iremos excepcionalmente ter duas Saídas seguidas. Desfrutem!


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


A época natalícia mudou substancialmente desde os anos 90, com medidas como a redução dos anúncios dirigidos a crianças e o quase desaparecimento dos tradicionais catálogos de brinquedos dos supermercados; no entanto, uma coisa com que qualquer criança ou jovem ainda pode contar por volta desta época do ano é com a chegada de um ou mais circos aos arredores de qualquer cidade ou povoação de suficiente relevância. Para a maioria dos artistas circenses, o Natal continua a ser a principal 'galinha dos ovos de ouro', pelo que não é de admirar que os espectáculos apresentados nesta época sejam ainda mais 'de gala' do que é habitual.


transferir.jpg


Nos anos 90, esta tendência era ainda mais exacerbada do que o é hoje em dia, com certos circos a terem honras de transmissão televisiva, e muitos a constituirem o destino de uma das últimas visitas de estudo das escolas primárias antes do fim do primeiro período - isto já sem falar das também frequentes distribuições de bilhetes por parte das grandes empresas, algumas das quais chegavam mesmo a organizar sessões especiais apenas para as famílias dos seus empregados. Em suma, os circos eram 'coisa séria', tão simbólicos do Natal infanto-juvenil nacional como o bolo-rei, a saída para ver as luzes ou a peregrinação à secção de brinquedos do hipermercado, para efeitos de prospecção.


É claro que, tal como acontece com outras experiências, como as idas à feira ou a própria saída para ver as iluminações, a ida ao circo assumia caracteristicas diferentes em ambiente citadino ou mais rural. Enquanto que as crianças da cidade podiam normalmente escolher entre os circos Vítor Hugo Cardinali e Chen - bem como as suas diversas 'sucursais' e circos associados - os habitantes de localidades mais pequenas acabavam forçosamente (e naturalmente) por ir ao que 'assentava arraiais' mais perto de sua casa. No demais, no entanto, a experiência não diferia por aí além, começando normalmente já na parte de fora do circo - onde, com sorte, se podiam admirar animais exóticos, numa altura em que os mesmos ainda não haviam sido banidos dos especáculos circenses - e continuava no interior da tenda, onde, além dos referidos animais, se podiam admirar os feitos dos mais diversos tipos de acrobatas, trapezistas, contorcionistas e, claro, os icónicos palhaços, a quem ninguém ficava indiferente - ou se adorava, ou se odiava, pelas mais diversas razões.


Juntamente com as tradicionais (e pouco saudáveis) comidas - como o algodão-doce ou as pipocas - estes elementos ajudavam a criar uma Saída de Sábado de Natal que muitos ex-jovens dos anos 90 ainda hoje relembram com saudade, e procuram na medida do possível transmitir aos seus filhos, para que a magia do circo de Natal possa perdurar para as novas gerações...

Thursday, 10 June 2021

Quartas de Quase Tudo: A 'Moda' dos Animais Exóticos

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 9 de Junho de 2021.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...


…como é o caso dos animais de estimação exóticos.


apreensao_aves_arara-1.jpg


Vocês também fariam esta cara, se só tivessem este espaço para viver...


Pois é, neste post abordamos um tópico um pouco mais sério, e que, felizmente, viu grandes avanços serem feitos desde a ‘nossa’ época – o dos espécimes exóticos vendidos como animais de companhia. E não, não estamos apenas a falar dos peixinhos de água quente tropicais, ou dos cães de raças estranhas; falamos, antes, daquele tipo de animais que nunca deveria ter sido comercializado para este fim, seja por requerer um tipo de tratamento muito específico, seja por não ser, de todo, adequado à vida num quarto de criança.


E se é verdade que em Portugal esta ‘moda’ não chegou a ser tão nociva quanto em outros países – nunca ninguém em Portugal tentou criar tigres ou chimpanzés como animais de casa, como ainda ocorre nos Estados Unidos – também não deixa de ser necessário lembrar o breve período em meados dos anos 90 em que muitas crianças recebiam animais como iguanas, araras ou esquilos (do tipo Tico e Teco, mas ainda assim um animal pouco recomendado a iniciantes) dos quais, na maioria das vezes, não sabiam nem estavam habilitados a cuidar. As iguanas eram particularmente populares, e juntamente com as araras e papagaios, eram presença regular em lojas de animais que vendessem animais vivos por esse país fora; escusado será dizer que muitas delas acabavam, rapidamente, nas mãos de quem as soubesse verdadeiramente cuidar…


8818f6513cf0b550a9681ef2f8f16ab7.jpg


Não parece de todo o animal de companhia ideal, mas nós achávamos que era...


De facto, não só com as iguanas como com outras espécies, os resultados inevitáveis desta ‘moda’ infeliz eram a morte prematura do animal, o abandono ou cedência do mesmo, ou – na melhor das hipóteses – apenas a multiplicação daquilo que deveriam ser um ou dois animais em largas dezenas (por aqui, evitou-se por pouco uma situação assim, com esquilos que, supostamente, seriam ambos fêmeas…)


Capa-Post.jpg


Outro erro muito comum era ter Inseparáveis-de-Fischer sozinhos numa gaiola quando, como o nome indica, estes pássaros definham se não tiverem um par


Felizmente, esta foi uma tendência que, em Portugal, pouco durou; após alguns (poucos) anos, a criança portuguesa média voltou a cingir-se aos tradicionais cães, gatos, pássaros, peixes e ‘hamsters’ ou porquinhos-da-Índia, deixando os animais mais incomuns para os ‘especialistas’ no assunto (e há que ressalvar que mesmo estes animais menos controversos exigem, muitas vezes, que se saiba o que se está a fazer!) Ao contrário de outros países, onde a tendência ainda perdura (como os EUA ou o Reino Unido, onde as lojas de animais chegam a vender pequenos macacos, por exemplo), a ‘febre’ dos animais exóticos passou rápido a Portugal – e ainda bem!


Mesmo assim, nunca é demais relembrar esse curto período de tempo em que muitos de nós tiveram, ou quiseram ter, animais que não fazíamos ideia sobre como tratar – quanto mais não seja, para aprendermos com os nossos erros, e evitarmos que os nossos filhos venham, no futuro, a cometê-los novamente…


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...