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Friday, 10 July 2026

Sextas Com Style: Duas 'T-Shirts' Icónicas do Portugal da Viragem do Milénio

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 e 2000 em Portugal podem ser considerados uma época áurea no tocante às 't-shirts' gráficas, sobretudo no tocante a 'designs' com mensagens ligeiramente irreverentes, como as comercializadas pela Omni. NoFear ou Mad Bad - e qualquer português do sexo masculino que se encontrasse na adolescência ou em idade universitária nos anos da viragem do Milénio não poderá deixar de concordar que algumas das camisolas mais icónicas dessa época eram as que apresentavam 'listas' de diferentes códigos e expressões, a serem decifrados por quem se desse ao trabalho de ler a frente das respectivas. Destas, os expoentes máximos eram as 't-shirts' 'International Code: No Problem' (em que mãos enluvadas ao estilo desenho animado soletravam a respectiva expressão em linguagem gestual) e 'How Are You Feeling Today?', em que um boneco – conhecido ou 'genérico', dependendo das variantes – demonstrava os diferentes estados de espírito por que um ser vivo pode passar.



Do armário de juventude do autor deste 'blog' constava a primeira das duas t-shirts mostradas acima, precisamente na mesma cor e 'design'.

A razão pela qual estas duas 't-shirts' 'vestiram' tantos 'putos' da época é simples de perceber ao atentar no grafismo das mesmas, que se mostra cuidado, e com qualidade de 'banda desenhada' no tocante a detalhes e expressões; de igual modo, ao contrário de muitas das suas congéneres, nenhuma das camisolas era ofensiva ou controversa, agradando assim tanto ao público jovem mais irreverente quanto a outro que preferia exprimir a sua personalidade de forma menos agressiva. Não admira, pois, que qualquer das duas fosse tão prevalente, de Norte a Sul do País durante os primeiros anos do Novo Milénio, sendo bem provável que as fotografias que acima partilhamos tenham despertado memórias nostálgicas numa grande parcela dos leitores deste 'blog', e até, potencialmente, feito parte do seu guarda-roupa daqueles anos de adolescente...

Sunday, 15 March 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Os Anos Finais de Uma Loja Revolucionária

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 e Sábado, 15 de Março de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar de, hoje em dia, terem uma orientação mais turística, as Baixas de Lisboa e Porto eram, em tempos, conhecidas como a principal zona de concentração de lojas históricas e 'da moda', numa daquelas 'misturas' que, apesar de eclécticas, acabavam por fazer sentido e dar às duas zonas a personalidade de que hoje carecem. Um desses estabelecimentos – nascido na Baixa mais a Norte mas popularizado pela do Sul – era uma loja de roupa absolutamente revolucionária para a época em que foi criada e que, apesar de já mais 'normalizada' nos anos 90, chegou ainda a criar memórias para muitos membros da Geração X, e até alguns 'millennials' mais velhos.


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Falamos da Porfírios (ou Porfírios Contraste) a qual, após revolucionar totalmente a moda portuguesa dos anos 60 com as suas influências londrinas – sendo parcialmente responsável pela difusão da mini-saia, por exemplo – cores garridas e até desfiles de moda próprios, logrou manter-se icónica durante as décadas seguintes, tanto graças a essa estética própria como às próprias instalações, inspiradas nos clubes da capital inglesa e repletos de passagens estreitas e escuras, luzes psicadélicas e escadas em caracol, que quase faziam esquecer estar-se numa loja (um pouco como sucede, hoje em dia, com as lojas da Abercrombie & Fitch, embora os Porfírios fossem mais originais e distintos.) A loja do Porto tinha, mesmo, uma secção central com barraquinhas, cada uma com um tipo diferente de adereço, e com espaço adicional para pendurar quadros, desenhos e outras peças de arte, muitas delas feitas pelos próprios clientes, algo que ajudava a distinguir ainda mais o estabelecimento da vulgar loja de roupa da altura.


Infelizmente, como sucedeu com tantas outras lojas clássicas, históricas ou icónicas, também os Porfírios sucumbiriam à inefável marcha da 'fast fashion', sofrendo um declínio acentuado nos últimos anos do século XX e vindo a encerrar portas logo após a viragem do Milénio, em 2001. Apesar disso, a loja foi, ainda, a tempo de deixar marca nas gerações mais novas da época (mesmo que não tanta quanto nas dos seus pais) sendo ainda hoje recordada como uma das mais originais de sempre do comércio português, e merecendo bem estas linhas recordatórias, no ano em que se assinala o exacto quarto de século sobre o seu desaparecimento.

Saturday, 22 February 2025

Sextas com Style: Os Impermeáveis Dobráveis - Um Conceito Genial e Intemporal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Ainda hoje existem, agora num contexto mais técnico e desportivo, ligado à prática da caminhada e outras actividades de exterior; foi, no entanto, nos anos 80 e 90 que se popularizaram, então como um elemento de vestuário eminentemente prático, perfeito para 'enfiar' na carteira, mochila ou mala de férias em caso de chuva imprevista. Falamos, claro está, dos impermeáveis dobráveis em saco, parte integrante da infância e adolescência de duas gerações de portugueses, os quais, quiçá, agora os introduzam também às demografias mais jovens.


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Exemplo moderno do produto em casa.


Conceito tão genial como intemporal, estes impermeáveis nada mais eram do que plásticos finos, ao estilo 'tapa-vento', que, quando não a uso, podiam ser enrolados e colocados num 'saco' com alça, o qual, ao vestir, se transformava num bolso de practicidade algo prejudicada pela fita elástica no seu interior. Quando devidamente dobrados, no entanto, esta alça transformava-se de estorvo em elemento essencial, permitindo carregar o impermeável na mão ou até ao ombro ou à volta do pescoço à laia de carteira ou bolsa, reduzindo assim as probabilidades de o mesmo se perder – algo que as mães e pais da época não terão deixado de apreciar, especialmente aqueles cujos filhos tendiam a ser mais distraídos e deixar os mais diversos objectos para trás nos mais diversos locais, como era o caso do autor deste 'blog'.


Tal como referimos no início deste texto, os impermeáveis com elástico ainda existem, ainda mais pequenos e compactos (após dobrados) do que o eram em finais do século XX, e hoje com uma conotação mais 'séria' e adulta. Restam poucas dúvidas, no entanto, de que existam em Portugal (e não só) grande quantidade de crianças e jovens que continuam a 'encontrar' esta peça de vestuário nos respectivos 'carregos' da escola ou treino desportivo sempre que o tempo está ameno, mas a 'ameaçar' chuva...

Friday, 27 December 2024

Sextas com Style (de Natal): Os Inevitáveis Agasalhos de Natal

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Um presente de Natal ainda bem típico nos dias que correm...


Eram e são uma inevitabilidade do Natal, tanto dos anos 90 como dos dias que correm: entre presentes maiores e mais caros, lá surgia um agasalho, um par de luvas ou de meias, ou qualquer outra prenda menos 'impressionante' e de cariz mais prático. E se o 'cliché' da cultura popular dita que este tipo de oferta vem, inevitavelmente, de um parente mais distante ou idoso, a verdade é que haverá decerto muitas crianças e jovens de finais do século XX (bem como da geração actual) a recebê-la da parte dos pais ou irmãos.


A recepção, essa, tendia a ser mista: se havia crianças e jovens que compreendiam o pensamento por detrás do presente e o apreciavam como parte do 'todo' natalício, outras existiam para quem era difícil mostrar entusiasmo por um gorro ou um par de meias, em meio às consolas, jogos de tabuleiro, livros, discos e brinquedos que compunham o resto das prendas. Ainda assim, até mesmo esses terão aprendido a apreciar e até gostar dos seus agasalhos de Natal quando, num dia mais frio, os mesmos se tiverem provado eficazes na sua função de retenção de calor.


Fosse qual fosse a opinião de quem os recebia, no entanto, uma coisa era, e é, certa: enquanto houver parentes distantes, pais preocupados ou irmãos com pouco dinheiro para prendas, continuarão a surgir meias, cachecóis, luvas ou gorros no 'sapatinho' ou debaixo da árvore de Natal das gerações vindouras, tal como aconteceu no tempo dos seus pais e até avós...

Sunday, 3 November 2024

Sextas com Style: As Marcas Esquecidas dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 01 de Novembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 90 e 2000 em Portugal ficaram, mais do que qualquer das décadas precedentes, marcada pela divisão e estratificação da juventude em 'tribos urbanas', de forma semelhante ao que ia acontecendo um pouco por todo o Mundo. E de entre as muitas sub-culturas juvenis a surgirem no nosso País nesse período, um grupo em particular (ou classe social, pois era disso que se tratava) dividia opiniões entre os restantes 'mortais', havendo tanto quem os desprezasse como quem quisesse ser como eles: os chamados 'betos', denominação ainda hoje aplicada a jovens bem apresentados, de classe média-alta e provenientes de famílias endinheiradas. E se, hoje, este grupo se vai cada vez mais 'assimilando' em termos de estilo e postura, nos anos da viragem de milénio, passava-se precisamente o oposto, havendo um esforço concertado por parte dos 'betos' para se destacaram da restante 'maralha', sobretudo no tocante ao vestuário, onde prevaleciam camisas de marcas como Sacoor e Amarras (artigo genuíno, ao contrário do que sucedia com a maioria dos restantes jovens, que as adquiriam na feira), t-shirts Quebramar, 'sweats' da Gap ou Gant, 'pullovers' em tons pastel e, claro, os icónicos sapatos eternamente associados com esta demografia – os 'velas'.


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De facto, apesar de não serem propriedade exclusiva dos 'betos' (muitos jovens do sexo masculino tinham na gaveta um par, para ocasiões que exigissem algum apuro adicional no vestuário) era mesmo com estes que o referido calçado era mais vezes conotado, por fazer parte integrante da indumentária-padrão de um membro do grupo em causa, normalmente combinado com uns calções e pólo, e vestido sem meias. Já quem não fosse 'betinho', mas quisesse ou precisasse de vestir uns sapatos deste tipo, combiná-los-ia com umas calças de ganga de bom corte (ou calças semi-formais, embora não de fato) e um pólo ou camisa – o tipo de indumentária utilizado para eventos familiares, por exemplo. E se, tal como sucede com a maioria das peças em análise nesta secção, também os 'velas' acabaram por dar lugar a outras variantes do mesmo tipo de calçado – nomeadamente os 'moccassins' – é também inegável que, para toda uma geração de portugueses, os mesmos se afirmaram como parte icónica do processo de auto-descoberta típico da juventude, mais do que justificando a sua presença nesta secção.

Saturday, 27 July 2024

Sextas Com Style: A Amarras

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 26 de Julho de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


A natureza cíclica da moda tende a ser apercebida, sobretudo, de um contexto mais técnico, centrado em aspectos ligados à manufactura, como estilos, padrões, cortes e têxteis; no entanto, uma outra vertente deste paradigma prende-se com as marcas em si, as quais podem, no espaço de poucos anos, ir dos píncaros da popularidade ao quase total esquecimento, seja por falta de visibilidade ou, simplesmente, por as suas peças darem lugar, nas prateleiras e expositores das lojas, a artigos das suas 'sucessoras'. A marca de que falamos neste 'post' foi vítima de ambas essas situações, e, embora nunca tenha desaparecido totalmente do mercado, é hoje associada sobretudo com épocas passadas, nomeadamente com os últimos vinte anos do século XX. Falamos da Amarras, a marca pan-ibérica (as peças são criadas em Espanha mas fabricadas em Portugal) que, a partir do início dos anos 80, trouxe o mundo dos desportos náuticos para o domínio popular, através, principalmente, da sua icónica linha de 'sweat-shirts', as quais, para determinadas demografias, estão ao mesmo nível das camisas da Sacoor, das t-shirts da Quebramar ou das 'sweats' da No Fear.


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Fundada em 1978, no Bairro de Salamanca, em Madrid, Espanha (onde ainda hoje possui a sua loja principal) a Amarras logrou, durante os vinte anos seguintes, espalhar o seu símbolo por países tão distintos como o México, os EUA e, claro, Portugal, onde a concessão da manufactura das peças ajudava a facilitar a entrada e dispersão no mercado. E se a ligação à vela e ao remo conotava, de imediato, a marca com a infame sub-classe dos 'betinhos', a verdade é que nem por isso as peças da Amarras deixavam de ser desejáveis e cobiçadas de forma transversal pelas demografias jovens das gerações 'X' e 'millennial', para quem o símbolo da marca detinha alguma atractividade, ainda que sem chegar ao patamar das concorrentes acima citadas.


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A icónica 'sweatshirt' da marca, imutável até aos dias de hoje.


Nada dura para sempre, no entanto, e foi com naturalidade que o 'ciclo' da Amarras enquanto marca notável e popular se encerrou, dando lugar, ao longo dos primeiros anos do Novo Milénio, a novas 'grifes' prontas a conquistar tanto o mercado ibérico quanto o mundial. Para uma certa parcela da sociedade portuguesa, no entanto, aquelas cordas entrançadas com as letras em Arial Bold por baixo ficarão, para sempre, ligadas a 'sweat-shirts' propositalmente largas envergadas durante encontros com amigos ao fim de um dia de praia – o tipo de memória que nenhum ciclo de popularidade poderá, jamais, apagar, e que garante a esta e outras marcas um lugar permanente no coração dos 'trintões' e 'quarentões' portugueses dos dias que correm.

Saturday, 6 January 2024

Sextas com Style: As Pantufas de Animal

NOTA: Este post é respeitante a Sexta, 04 de Janeiro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os anos 80 e 90 foram palco de uma maior diversificação no tocante a calçado infanto-juvenil, e mesmo mais adulto. Sem terem abandonado todos os modelos clássicos de décadas anteriores – como as botas ou os ténis – os fabricantes de calçado nacionais e internacionais principiaram a injectar uma maior dose de originalidade nos seus sapatos, dando azo a peças tão icónicas quanto os famosos Converse da bandeira americana. No entanto, nem todas as mudanças e inovações tinham esse nível de mediatismo – pelo contrário, muitas surgiam sem grande 'alarido', mas acabavam por se tornar parte integrante do guarda-fatos da maioria dos jovens, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.


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pantufa_infantil_pimpolho_antiderrapante_monstrinhDois exemplos bem típicos do tipo de calçado em causa.


Um dos melhores exemplos dessa tendência, e que continua a ser encontrado em sapatarias e lojas por esse Portugal fora até aos dias de hoje, são as pantufas de 'patas' ou de 'animais', talvez uma das mais famosas peças de vestuário 'de casa' junto da geração 'millennial', e que continua a reter um charme considerável até aos dias de hoje. Isto porque, por mais idade que se tenha, a ideia de meter os pés numas enormes patas de felino (ou cabeças de cão, ou qualquer que seja o motivo que as pantufas tentam emular) nunca deixa de ser apelativo, o que explica o porquê de serem, até hoje, lançados modelos actualizados deste tipo de sapato, e invariavelmente em tamanhos para adultos – bem como o facto de se verem, ainda, muitos 'crescidos' de ambos os sexos andarem com pantufas destas em casa durante os meses de Inverno.


Apesar da contínua actualização destes modelos ano após ano, no entanto, uma falha gritante continua por colmatar – nomeadamente o facto de estes sapatos terem solas de tecido, que se 'ensopam' ao mínimo contacto com uma superfície molhada e tornam o uso da pantufa extremamente desconfortável. Não fora esse pequeno mas significativo detalhe, e decerto estas pantufas teriam atingido estatuto ainda mais lendário, e feito parte do panteão dos calçados de 'elite' de finais do século XX e inícios do seguinte.

Friday, 24 November 2023

Sextas com Style: As Botas Panama Jack, 'Celebridades' Esquecidas do Mundo do Calçado

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, em diversas ocasiões, falámos de peças de calçado relevantes ou cobiçadas pela juventude portuguesa de finais do século XX, dos ténis Airwalk, Converse ou Redley às socas de plataforma, passando pelas botas Texanas, da Timberland ou Doc Martens, No entanto, existe ainda uma lacuna nesse elenco de sapatos e sapatilhas, o qual pretendemos, nesta edição da Sexta com Style, rectificar: chegou a altura de falar das botas Panama Jack.


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Exemplo moderno do modelo clássico da marca.


Tão populares e desejadas, em inícios dos anos 90, como qualquer dos calçados acima mencionados, as botas em causa afirmaram-se como uma espécie de antecessoras das posteriores Timberland e CAT, apresentando o mesmo tipo de 'design', algures entre uma bota 'de passeio' e um modelo mais 'todo-o-terreno'. Fabricadas, até aos dias de hoje, exclusivamente em Espanha (concretamente, na região de Albacete) não foi de todo de espantar que um dos primeiros países a acolher e popularizar estas botas (poucos anos após o seu aparecimento, ainda em finais da década de 80) tenha sido, precisamente, o 'outro' país ibérico, onde surgiam normalmente combinadas com calças de ganga da Levi's e camisas aos quadrados, sendo sobretudo associadas aos sectores mais 'bem-comportados' da juventude da época – ou seja, os chamados 'betinhos'. Ainda assim, a posse de umas botas desta marca não deixava de ser um sinal de estatuto entre esse grupo, tanto quanto outras peças de calçado o eram para as demais 'tribos urbanas'.


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O tradicional símbolo bordado da marca.


Tendo em conta essa popularidade, não deixa de ser surpreendente que as botas Panama Jack tenham, praticamente, desaparecido do panorama juvenil português no espaço de apenas alguns anos, a ponto de, por alturas do final da década, terem já sido totalmente suplantados pelas supracitadas sucessoras. Apesar dessa perda de preponderância, no entanto, a marca subsiste até aos dias de hoje, agora com um público mais 'de nicho', mas com 'designs' e qualidade sensivelmente iguais aos de outrora, permitindo a quem queira 'reviver' a sua juventude, pelo menos parcialmente, voltar a adquirir um par das botas que fizeram a sua felicidade em tempos idos de há três décadas atrás...

Friday, 18 August 2023

Sextas com Style (de Verão): As Sandálias de Praia

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os Verões dos anos 80, 90 e 2000 eram, normalmente, sinónimos com uma série de elementos, dos gelados da Olá às visitas a parques aquáticos ou férias no Algarve. O mundo da moda tão-pouco ficava imune a este tipo de iconografia, e a cada nova época estival podia esperar ver-se nos pés dos portugueses um sapato de formato, configuração e propósito muito específicos: a clássica sandália de tiras em plástico.


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Clássico para muitos, trauma de infância para outros tantos, e símbolo do Verão de toda uma geração.


À época tão ou mais difundidas do que os chinelos em plástico, e ainda hoje sobreviventes em muitas lojas de praia, em quase todas as cores possíveis e imagináveis, estas sandálias serviam, sobretudo, o propósito de proteger os pés de impurezas e outros perigos que supostamente espreitavam tanto na areia da praia como à beira-mar, sendo, nomeadamente, recomendadas como 'escudo' contra as picadas do temível peixe-aranha. Para muitos pais de finais do século XX, no entanto, o propósito deste tipo de calçado era, sobretudo, prático, já que o mesmo era totalmente lavável e, como tal, fácil de limpar após cada ida à praia, bastando colocar o pé debaixo de qualquer chuveiro, fonte ou mangueira para lhe tirar a areia. Já muitas crianças tendiam a achar estas sandálias desconfortáveis, sobretudo devido às tiras em plástico - que queimavam e se colavam ao pé em tempo muito quente ou quando molhadas - e à fivela ajustável que, muitas vezes, deixava o sapato ou demasiado largo ou demasiado apertado, a ponto de deixar marca na pele.


Para quem conseguia ultrapassar estas pequenas inconveniências, no entanto - ou tinha a sorte de ter um pé a que o sapato coubesse sem grandes 'celeumas' - este tipo de calçado será, ainda hoje, um ícone do período de infância, talvez mesmo comprado para os respectivos filhos; para os restantes, constituirá algo mais próximo de um trauma. Seja qual for o caso, no entanto, poucos portugueses da geração 'millennial' negarão que as sandálias em causa constituem um ícone da moda estival do século XX, bem merecedor de figurar nesta nossa rubrica.

Friday, 17 March 2023

Sextas com Style: As Jardineiras

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Mesmo sendo um dos artigos de vestuário mais intemporais e universais alguma vez criados, as calças de ganga não são, ainda assim, imunes a flutuações e variações derivadas da moda – antes pelo contrário. Para além dos cortes, que mudam consoante as tendências da estação, também o próprio formato das calças 'entra e sai' de moda, sendo relativamente fácil identificar a era temporal de um par de 'jeans' apenas com base neste mesmo elemento. E se os finais da década de 90 e inícios da seguinte foram a era por excelência das calças largas e à boca de sino, os anos anteriores viram surgir e popularizar-se um outro tipo de 'jeans': as icónicas jardineiras.


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Ainda hoje utilizadas pelas suas demografias original (as crianças pequenas, os trabalhadores manuais e as mulheres grávidas) as jardineiras tornaram-se, nos anos 90, parte do 'estilo' de um outro sector da sociedade – nomeadamente, a das adolescentes do sexo feminino, que as incorporaram nos seus 'looks' mais casuais e desportivos, e fizeram delas um dos mais icónicos símbolos da moda dos anos 90, sendo que quem foi da idade certa durante a última década do século XX e primeiros anos do Novo Milénio certamente se lembrará de ter usado (ou visto as familiares ou colegas de turma usar) calças deste tipo, normalmente com uma das alças (ou até ambas) desabotoadas e a pender pelas costas abaixo, e combinadas com ténis All-Star, Airwalk ou até socas plataforma.


O atractivo deste tipo de calças era, aliás, óbvio, já que as mesmas aliavam a versatilidade à practicidade e conforto (visto muitos dos modelos serem 'largueirões', eliminando a principal razão de queixa de muitos relativamente às gangas), podendo ser usadas numa grande variedade de situações informais ou semi-informais sem nunca parecerem deslocadas ou de alguma forma impróprias – desde que o artigo em causa fosse de bom corte e estivesse bem tratado, bem entendido.


Tal como a maioria das outras modas que abordámos em edições passadas desta rubrica, também as jardineiras tiveram a sua época, sendo hoje codificadas como elemento de um estilo declaradamente 'vintage', e especificamente associado aos anos 90. A tendência cíclica da moda dita, no entanto, que estas icónicas calças de ganga venham, num futuro muito próximo, a estar novamente 'na moda', e a conquistar o coração de toda uma nova vaga de adolescentes; até lá, o espírito das jardineiras continuará a ser perpetuado pelos públicos para que foram originalmente concebidas...

Friday, 7 October 2022

Sextas com Style: 'Aquela' T-Shirt dos Anjinhos da Fiorucci

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Desde o início desta rubrica, temos vindo a recordar artigos que marcaram época na moda infanto-juvenil e adolescente dos anos 90, das bolsinhas para trocos às 'sweats' da Gap, Quebramar, No Fear e Mad = Bad, camisas da Sacoor, fatos de treino de cores berrantes (ou daqueles com calças às riscas), blusões da Duffy, ou simples meias brancas com raquetes, entre muitos outros.; esta semana, chega a vez de abordar um item que, apesar de mais esquecido do que qualquer dos atrás mencionados (ou de outros aos quais chegaremos, como as calças Levi's) não deixou, ainda assim, de fazer sucesso entre o público feminino português (adolescente e não só) da primeira metade da década.


AngelsTee_White_Product.jpgFalamos da clássica t-shirt dos dois 'anjinhos', lançada pela, até então, pouco expressiva marca italiana Fiorucci, e que teve sem dúvida papel preponderante na popularização da mesma junto das portuguesas, ainda que apenas temporariamente, já que, por alturas de meados da década, já ninguém vestia ou se lembrava desta peça. Ainda assim, apesar de significativamente menos intemporal do que qualquer dos artigos citados no início deste texto, esta camisola, cuja estampa se limitava a apresentar duas anjinhas querubins, uma loira e uma morena, por cima do nome da marca, não deixou de ter um impacto e popularidade consideráveis durante os seus 'cinco minutos de fama' – tanto assim que é possível, hoje em dia, encontrar diversas variações e variantes sobre o tema, tanto de responsabilidade da própria Fiorucci como, presumivelmente, de índole menos oficial (como se assume ser o caso daquela variação que mostra as duas anjinhas de óculos escuros, como que a tentar demonstrar a atitude 'radical' com a qual a última década do século XX é, ainda hoje, conotada.


E apesar de não haver muito mais a dizer sobre esta simples t-shirt de algodão estampada, hoje algo esquecida no contexto da moda portuguesa dos anos 90 (apesar de ainda ser comercializada em larga escala pela própria Fiorucci, talvez para tentar capitalizar sobre a actual propensão social para a nostalgia), a verdade é que a mesma acabou mesmo por marcar época entre certo segmento da sociedade portuguesa, merecendo por isso as breves linhas que lhe acabam de ser dedicadas.

Friday, 15 July 2022

Sextas com Style: As Imitações de Converse All-Star

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quando se fala em peças de roupa 'intemporais', um dos primeiros exemplos que vem à cabeça de qualquer ex-jovem dos anos 90 são os inevitáveis ténis Converse All-Star. Apesar de, à época, gozarem já de várias décadas de popularidade (a qual, aliás, continua até aos dias de hoje) é mesmo com os anos 80 e 90 que este tipo de calçado tende a ser associado, até por ter sido quando gozou o seu auge de popularidade.


Tanto assim foi que quem entrasse numa das lojas generalistas 'barateiras' tão típicas dessa era da História social portuguesa encontraria a prova acabada dessa mesma popularidade - nomeadamente, imitações mais ou menos bem-feitas do artigo original. Poder-se-à, claro, argumentar que ainda hoje é possível encontrar ténis de lona a emular o estilo clássico concebido por Chuck Taylor em lojas como a Primark; a diferença reside, no entanto, no facto de essas sapatilhas copiarem o modelo 'raso' dos All-Star (isto é, sem cano) ao passo que as imitações dos 90s optavam, invariavelmente, pela variante de cano alto, a mais popular à época.


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Um exemplo contemporâneo, neste caso para bebé


E a verdade é que, à primeira vista, estes ténis mais 'genéricos' até passavam bem por All-Star genuínos – pelo menos até serem escrutinados mais a fundo. Isto porque a principal diferença entre os modelos autênticos da marca e as cópias em causa estava nos detalhes, saindo as opções mais baratas, obviamente, a perder. Por exemplo, onde os All-Star tinham uma estampa aplicada na zona do tornozelo, estes ténis tendiam a ter pedaços de borracha - muitas vezes com um desenho de uma estrela, mas em casos menos cuidados, lisos – ou até a deixar essa área vazia; de igual modo, enquanto que os All-Star têm sempre uma risca a dividir a lateral da sola ao meio, certas cópias anónimas tendiam a omiti-la, deixando a lateral da sola lisa, num modelo mais próximo da não menos icónica versão nacional dos All-Star, os Sanjo. Detalhes pequenos, mas que ajudavam a que o artigo genuíno se distinguisse das imitações baratas, servindo para informar o consumidor no momento da compra.


Ainda assim – e talvez surpreendentemente, tendo em conta a mentalidade vigente à época – havia muita gente que sabia 'ao que ia', e não se importava grandemente; isto porque, ao contrário da maioria dos artigos declaradamente de contrafacção, estas imitações de Converse All-Star tendiam a ser socialmente bem aceites entre os mais jovens, vá-se lá saber porquê. E apesar de, hoje em dia, estarem praticamente extintos (até porque os ténis populares passaram a ser de marcas como a Adidas ou a New Balance), a verdade é que quem cresceu em Portugal em finais dos anos 90 e inícios de 2000, e não dispunha de 'fundos ilimitados' para reposição de guarda-roupa, certamente se terá cruzado, pelo menos uma vez na vida, com um par de ténis destes – por aqui, por exemplo, existiram pelo menos dois duarante os anos de adolescência - e ostentado orgulhosamente o mesmo para a escola, talvez combinado com um par das não menos inevitáveis meias brancas de raquetes...

Sunday, 10 April 2022

Sextas com Style: As Calças Largas

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 08 de Abril de 2022.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já anteriormente aqui se discutiu o impacto que o movimento alternativo - quer na vertente 'rock', quer 'hip-hop' - teve sobre a juventude portuguesa de finais do segundo milénio; e um dos aspectos mais visíveis dessa mesma influência era a forma de vestir, um dos principais identificadores externos do 'estilo' a que se pertencia. E enquanto os 'betinhos' tinham as 'sweats' da Gap, as camisas Sacoor, os pólos de 'rugby', os sapatos de vela, os blusões da Duffy e as calças à boca de sino, os 'dreads' tinham os panamás às florzinhas (aos quais paulatinamente chegaremos), os bonés de equipas desportivas, os ténis Airwalk, as 'sweats' de marcas de surf e skate, e aquela que era literalmente a 'alternativa' às calças à boca de sino: as calças largas.


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Sim, durante um período de dois ou três anos, no final do século XX, um dos items mais desejados pela maioria dos jovens de tendência mais 'alternativa' foram calças de corte propositalmente largo (as bases das pernas tapavam, idealmente, todo o topo dos ténis), cujos bolsos se estendiam quase até aos joelhos (ou à base do rabo, no caso dos bolsos de trás), acomodando sem problemas um 'walkman' ou 'discman', uma consola portátil, ou até algo como um livro, uma barra de chocolate ou uma sanduiche. Fosse na vertente ganga (sempre com as tradicionais costuras brancas, que não deveriam faltar num item deste tipo) fosse no ainda mais popular formato 'chino' (cinzento ou, preferencialmente, bege ou cor de creme), de corte masculino ou feminino, as calças deste tipo eram parte indispensável do vestuário tanto de quem era 'dread', como de quem queria ser; e quem não tinha (e não tinha dinheiro para comprar) um par, 'caçava com gato', isto é, comprava simplesmente um par de calças normal, vários tamanhos acima, e apertava-o na cintura para que servisse. O importante era que o efeito visual fosse o correcto...


Como tantas das peças de que aqui falamos (incluindo o seu indispensável complemento, os ténis de 'skate', e as 'rivais' boca de sino) as calças de formato largo acabaram, com o passar dos anos, por voltar ao seu reduto mais 'de nicho', tanto na sociedade portuguesa, como um pouco por todo o Mundo; quem 'lá esteve', no entanto, não esquece o impacto que essa vestimenta teve numa parte significativa da população jovem nacional da época, para quem era (mais um) elemento-chave de identificação e 'localização' social...

Friday, 4 February 2022

Sextas com Style: As Camisas da Sacoor

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Todos as quisemos. Muitos as tivemos. Lisas, às riscas ou aos quadrados, com o 'boneco' bordado nas costas, em grande, ou apenas em pequeno à frente, lá estavam elas orgulhosamente penduradas em qualquer feira de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 onde houvesse bancas de roupa – ou não fosse essa, precisamente, uma das épocas de ouro da contrafacção têxtil. As autênticas, essas, apenas estavam ao alcance de alguns, sendo um dos 'ex-libris' dos chamados 'betinhos', que – evidentemente – nunca seriam vistos com uma daquelas 'da feira'.


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A dada altura dos 90, isto foi símbolo de status entre os adolescentes portugueses - e não só. (Crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)


Falamos, é claro, das lendárias camisas da Sacoor, até hoje, o único item de vestuário associado à marca lisboeta (inicialmente conhecida como Modas Belize) por toda uma geração de ex-crianças e jovens portugueses. Isto porque, durante um determinado momento acima mencionado, as referidas camisas (autênticas ou bem copiadas o suficiente para 'colarem') foram uma das peças de roupa mais desejadas pela população jovem nacional, ao mesmo nível das camisolas da No Fear, alguns anos antes, ou das contemporâneas sweat-shirts da Gap, pólos de rugby, blusões da Duffy e t-shirts da Quebramar. Pura e simplesmente TODA a gente queria ter uma – isto, claro, se já não a tivesse no armário.


E a verdade é que o sucesso desta camisa (que baralhou Nuno Markl ao ponto de este lhe dedicar toda uma rubrica da sua Caderneta de Cromos) não é difícil de explicar, pelo menos entre o público mais jovem; para além do conhecido efeito 'toda-a-gente-tem' habitual entre esta faixa etária, as referidas camisas conseguiam um excelente balanço entre o 'estilo' que todos queríamos ter naquela idade e uma certa irreverência que muitos também procuravam nas suas roupas do dia-a-dia – aqui representada pelo ratinho 'cartoon', de expressão amalucada, que não podia deixar de parecer apelativo a um público que (por muito adulto que quisesse ser, ou parecer) ainda alguns anos antes seguia as aventuras de personagens como este nos desenhos animados televisivos.


Fosse qual fosse o motivo por detrás da popularidade desenfreada destas camisas durante os últimos anos do século XX e os primeiros do anterior, a mesma é inegável. Por muito distante que estivesse (e esteja) do restante catálogo da Sacoor Brothers, esta camisa (nas suas diversas variantes) continua a ser um dos maiores sucessos de sempre para a marca de Malik, Moez, Rahim e Salim Sacoor. E mesmo tendo o seu momento de glória sido efémero – como tende a acontecer com a maioria das modas relativas a vestuário, sobretudo as dirigidas aos mais jovens – a verdade é que o 'ratinho da Sacoor' se revelou icónico o suficiente para, ainda hoje, mais de duas décadas depois do seu auge, as camisas onde orgulhosamente corria e saltava continuarem a ser tema de conversa sempre que o assunto é a nostalgia pelos anos 90 e 2000. Nada mau para um ratinho anafado...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...