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Saturday, 6 September 2025

Quartas aos Quadradinhos: 'Zero Hora - Crise No Tempo' - Correcção Pela Destruição

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 3 de Setembro de 2015.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Na última edição desta rubrica, falámos de um dos grandes eventos da banda desenhada dos anos 90, e que viria a ter repercussões em toda a linha editorial do seu respectivo título tanto no imediato como a médio prazo; nada mais justo, portanto, do que falarmos agora de outro, com ligação directa ao mesmo – e, curiosamente, criado pela mesma editora, a qual, à época, procurava a todo o custo 'limpar' e simplificar a cronologia dos seus títulos.


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Os cinco números da mini-série. (Crédito da foto: OLX)


Falamos de 'Zero Hora – Crise No Tempo', mini-série em cinco edições cujo principal intuito era 'consertar' a cronologia do universo principal da DC, tornada bastante confusa pela não menos notável saga 'Crise Nas Infinitas Terras' ('Crisis On Infinite Earths'), publicada na década de 80. A solução encontrada para resolver os problemas criados pela introdução de um multiverso foi um evento de extinção em massa, engendrado pelo vilão Parallax (que anteriormente defendia o bem como parte dos Lanternas Verdes) após a sua cidade ter sido destruída pela luta entre Super-Homem e Apocalipse horas antes do sacrifício do primeiro para travar o monstro, relatada no especial 'A Morte do Super-Homem'. Como forma de eliminar os diversos multiversos e respectivos heróis, o ser em tempos conhecido como Hal Jordan cria uma entropia, dando origem a uma compressão temporal que envia heróis de universos alternativos para outras linhas temporais, criando uma situação caótica que cabe a um grupo restrito de heróis resolver.


Publicada em ordem descendente (ou inversa), começando no número 4 e acabando no 0, a série levou, também, a uma renumeração e recomeço das séries da maioria dos heróis envolvidos – pelo menos nos seus EUA natais, já que em Portugal, esse 'reinício' tinha sido feito aquando do final da saga da morte e renascer do Super-Homem, pouco tempo antes. Infelizmente, apesar desta oportunidade, a 'Crise No Tempo' acabou por criar ainda mais problemas, os quais só viriam a ser resolvidos literais décadas após a publicação da série, tanto nos EUA como em Portugal, onde chegou em 1996, ao mesmo tempo do que ao Brasil, e pela mão da mesma editora, a inevitável Abril.


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Exemplo dos desenhos da série. (Crédito da foto: OLX)


Caso raro para os lançamentos da referida editora, no entanto, 'Zero Hora' chegava às bancas lusas em formato americano, ou seja, A5, e com menos páginas do que uma revista normal. O 'luxo' continuava no interior, em papel ensebado e brilhante, que fazia ressaltar os excelentes desenhos, em claro contraste com o habitual 'papel higiénico de jornal' característico dos títulos 'normais' (e até, por vezes, especiais) da Abril. O resultado era uma edição apelativa e 'vistosa', que não deixou de atrair a atenção dos jovens fãs de super-heróis da época, o que terá ajudado a garantir volumes de vendas diferenciados, e apelado ao instinto 'coleccionista' dos mesmos. De facto, é bem possível que a série marque, ainda hoje, presença na colecção de alguns 'bedéfilos' nacionais, o que ainda cimenta mais o seu direito à presença nestas nossas páginas, quase três décadas após a sua publicação em Portugal.

Thursday, 18 March 2021

Quartas aos Quadradinhos: As Revistas de Super-Heróis da Abril

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A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Neste post inaugural, traçaremos o percurso da mais bem-sucedida tentativa de publicar comics americanos em terras lusas – as icónicas séries da Marvel e DC publicadas pela Editora Abril Controljornal em meados da década de 90.


Embora atravessassem, à época, mais um dos seus frequentes períodos áureos, as BDs de super-heróis não eram algo com tradição em Portugal. A maioria dos títulos disponíveis chegava às bancas diretamente do Brasil – mesma origem de outras ‘revistinhas’ icónicas, como as da Turma da Mônica – e apesar das tentativas regulares, por parte de diferentes editoras, de criar publicações deste tipo 100% nacionais, nunca nenhuma conseguiu o nível de sucesso de que gozavam as suas congéneres importadas.


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Uma das muitas revistas de super-heróis importadas do Brasil à época


Esta situação viria a alterar-se por volta do ano de 1995, quando a Abril Controljornal (antes Abril Morumbi) decide mais uma vez arriscar na criação de revistas de BD de super-heróis 100% nacionais. Seguindo a máxima que diz que ‘em equipa que ganha não se mexe’, a editora optou, sensatamente, por não arriscar demasiado no formato ou conteúdo destes novos comics, mantendo o mesmo formato pequeno das edições sul-americanas (o chamado ‘formatinho’) e limitando-se a ‘aportuguesar’ os textos para eliminar os ‘brasileirismos’. Esta táctica, que permitia reduzir o custo das revistas de modo a que fossem acessíveis a bolsos mais jovens, rapidamente começou a surtir efeito, com as BDs portuguesas a ‘expulsarem’ as brasileiras das bancas quase por completo, iniciando um período de aproximadamente três anos de hegemonia da Abril no mercado dos super-heróis.


Durante estes anos (sensivelmente de 1995 até 1998) a editora investiu numa selecção dos mais populares títulos americanos, publicando indiscriminadamente as principais propriedades da Marvel (Homem-Aranha, X-Men e Wolverine) e da DC (Super-Homem, Batman e Liga da Justiça.)  A receção extremamente positiva que estes títulos receberam permitiu, até, que a Abril expandisse o seu raio de ação a publicações de cariz temático ou especial - como ‘Origens dos Super-Heróis Marvel’, que republicava histórias da chamada silver age - ou a séries menos conhecidas ou populares, como o universo 2099 da Marvel ou o impagável Superboy, da DC. Foi, até, criada uma revista totalmente dedicada a este tipo de lançamentos, a criativamente intitulada 'Heróis' - uma espécie de parente (muito) pobre da referência norte-americana (e brasileira) Wizard, de conteúdo muito mais básico e virado a um público muito mais jovem. Ainda assim, o título conseguiu algum sucesso enquanto durou, sobretudo devido ao preço 'simpático' para os bolsos do público-alvo.


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Número inaugural da revista 'Heróis'


As razões para este sucesso são fáceis de explicar – apesar de algumas falhas (como a permanência de formas gramaticais ‘abrasileiradas’ em quase todos os números de quase todas as revistas), a Abril teve a sorte de conseguir material da última grande fase dos comics americanos à época. Da Marvel foram publicadas, por exemplo, as sagas Venom e Carnage do Homem-Aranha e a fase original da X-Force; da DC, surgiram, entre outras, a ‘storyline’ em que Bruce Wayne é paralisado por Bane e substituído por um Batman mais jovem e futurista, e a mítica e icónica saga da morte (e retorno) do Super-Homem. Mesmo com as supramencionadas falhas – na tradução e não só – este material era suficientemente forte para atrair o público-alvo, gerando vendas consistentemente altas para a editora durante os primeiros dois anos de publicação das revistas.


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Dois dos especiais da saga 'A Morte e o Regresso do Super-Homem'


O ano de 1998 não foi, no entanto, tão prolífico para a editora, que viu o interesse nos seus comics diminuir consideravelmente – e, com ele, as vendas. Assim, ainda nesse mesmo ano, aquele que havia sido o argonauta dos ‘quadradinhos’ de super-heróis portugueses suspendia a publicação de todas as suas revistas, voltando a deixar os fanboys lusitanos à mercê de importações americanas proibitivamente caras e difíceis de encontrar, ou na melhor das hipóteses, números antigos comprados a alfarrabistas. Voltavam os ‘anos negros’…


Demoraria apenas um ano, no entanto, até esta situação se voltar a alterar, e os heróis americanos (embora apenas os da Marvel) voltarem às bancas portuguesas - desta vez pela mão de uma editora com muito melhor reputação entre os geeks, e cujo trabalho foi, objetivamente, muito melhor e mais cuidado que o da Abril - e gerarem uma nova vaga de interesse nos comics americanos em Portugal. Mas dessa falaremos noutra ocasião – até porque a verdade é que, mesmo com todos os seus defeitos, as revistas aos quadradinhos da Marvel e DC publicadas pela Abril marcaram uma época, e constituíram o primeiro contacto de muitos futuros fanboys com os icónicos heróis e vilões da BD norte-americana. E vocês? Contavam-se entre este número? Se sim, qual o vosso herói favorito? (Daqui, sempre foi e sempre será o inimitável Homem-Aranha.) Digam de vossa justiça nos comentários!

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...