Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Qualquer português nascido ou crescido durante os anos 90 e 2000 reconhece essa era como sendo o período áureo para brindes oferecidos por produtos alimentares; das batatas fritas da Matutano aos cereais da Kellogg's e Nestlé, passando pelos ovos Kinder, pelos produtos da Panrico e até por fontes menos tradicionais (como iogurtes ou bolachas) eram inúmeras as marcas a procurar 'comprar' a atenção do público jovem através de ofertas mais ou menos extravagantes, que iam de simples cromos a figuras ou até brindes menos ortodoxos, como adereços, reflectores de bicicleta ou mesmo jogos de computador ou livros de banda desenhada. E se nem todas estas promoções atingiam o estatuto icónico gozado pelas mais memoráveis da época, algumas não se poupavam a esforços para pelo menos almejarem os seus 'quinze minutos de fama', sendo um dos melhores exemplos a colecção de que falamos neste 'post', veiculada há quase exactos trinta anos (algures em 1996) por um produto e companhia pouco usuais – o chocolate Twix, da Mars – mas que chegou a 'conquistar' os jovens portugueses aquando do seu lançamento, graças a um conceito e execução cuidados e apurados


Tratava-se de 'Spacix', nome de uma colecção de cartas tematizadas em torno de extraterrestres inspirados em motivos musicais (e com 'designs' meio 'animados' e bem interessantes), e que oferecia dois grandes pontos de interesse para as crianças e jovens da época: por um lado, o efeito lenticular, que fazia com que as imagens 'mexessem' quando a carta era manuseada de uma certa forma, e, por outro, um típico jogo de 'valores', ao estilo do das populares Super Cartas da Majora ou das posteriores colecções 'Bollykaos' e 'Dragonflash'.
A série reunia, assim, em apenas um produto três dos principais 'chamarizes' para a então jovem geração 'millennial' – um efeito visual 'fixe' (numa era em que tais 'truques' ainda não haviam sido 'abafados' pela revolução digital), a vertente coleccionista e o sempre importante aspecto competitivo, que manteve os 'putos' da época a disputar 'duelos' de 'Spacix' durante os meses posteriores ao seu lançamento. E apesar de, hoje, ser apenas mais uma colecção esquecida pela memória colectiva nostálgica nacional, a verdade é que esta série é intemporal o suficiente para poder ser relançada hoje em dia e cativar os actuais 'miúdos' das gerações Z e Alfa como, há quase exactas três décadas, fez com os seus pais e educadores, merecendo por isso ser mais lembrada pelo seu (hoje adulto) público-alvo.
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