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Friday, 19 July 2024

Quartas de Quase Tudo: Os Livros de Preparação Escolar de Férias

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 de Julho de 2024.


NOTA: Por motivos de relevância temporal da próxima Quarta aos Quadradinhos, a mesma será lançada na Quarta-feira, 24 de Julho. O 'post' desta semana será uma Quarta de Quase Tudo.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Embora as férias de Verão sejam, tradicionalmente, um período em que os jovens procuram relaxar e afastar-se das obrigações académicas e escolares, aproveitando o clima ameno, existe sempre quem (por iniciativa própria ou dos pais) procure adiantar-se um pouco nas matérias do ano lectivo vindouro; e se, hoje em dia, esse objectivo é conseguido sobretudo através de portais educativos existentes na Internet, na era pré-digital, em que a referida plataforma era ainda incipiente, esse 'estudo avançado' era feito, maioritariamente, através de colecções de livros didácticos complementares aos utilizados na escola, e especificamente dedicados a serem utilizados durante as férias - os quais continuam, aliás, a existir até aos dias de hoje, como alternativa para quem prefira minimizar ao máximo a exposição digital dos educandos.


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Exemplo de livro de preparação de finais dos anos 90 ou inícios de 2000.


Tão-pouco ficava este tipo de livros restrito a apenas uma editora – antes pelo contrário, quase todas as casas conhecidas pelo enfoque didáctico possuíam uma edição deste tipo, renovada anualmente, de modo a manter os exercícios actualizados com os currículos dos respectivos anos. Apesar da premissa semelhante, no entanto, nem todos estes volumes eram equiparantes, sendo alguns propositalmente mais desafiantes enquanto outros, ao procurarem amenizar a 'carga mental' dos jovens discentes no período estival, acabavam por simplificar em demasia o nível dos exercícios, criando uma imagem ilusória do que seria o ano lectivo seguinte. Havia, pois, que saber escolher a colecção ou série certa, de modo a assegurar o nível adequado e desejado de preparação aquando do regresso às aulas, em Setembro. E apesar de nem toda a gente ter nostalgia por este tipo de actividade ou livro (muito pelo contrário) vale, ainda assim, a pena recordar como era feita a 'preparação de Verão' de um estudante português na época em que a Internet 2.0 era ainda um sonho na cabeça de algum informático norte-americano. 


 

Saturday, 10 February 2024

Saídas ao Sábado (de Carnaval): As Peças de Teatro Infantis - Uma Tradição de Carnaval Perdida

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Tal como sucedia com a época do Natal, também o Carnaval em Portugal se revestia, entre a juventude de finais do século XX e inícios do seguinte, de uma série de rituais. O mais óbvio e imediato era, claro, o de se mascarar, fosse com fatos 'profissionais' alugados em lojas próprias ou de forma mais improvisada e 'feita em casa'; no entanto, também os estalinhos, serpentinas, bombinhas de mau cheiro, bisnagas e balões de água podiam ser considerados 'típicos' da festa carnavalesca lusitana, bem como a realização de 'partidas' mais ou menos maliciosas. A estes rituais havia, ainda, a acrescer um outro, relevante sobretudo para as crianças e jovens de ambientes urbanos, sobretudo os que habitavam perto de um teatro – nomeadamente, a exibição de uma peça infantil por alturas da paragem lectiva de Fevereiro.


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Versão contemporânea do tipo de peça em causa.


Muitas vezes alvo de visitas de estudo por parte das escolas locais, poucos dias antes das férias do Carnaval, estas peças adoptavam precisamente o mesmo modelo das famosas 'pantomimes' britânicas, embora trocando o Natal pelo Carnaval, talvez para salientar e ressalvar a associação entre os fatos vistosos dos actores e os envergados por grande parte da audiência. A fórmula era tão simples como eficaz, consistindo na adaptação de uma história ou lenda conhecida do público infantil, cuja narrativa original era enriquecida através de números musicais, piadas e 'achegas' ao público, ao melhor estilo do teatro de revista (que, à época, atravessava ele próprio um período áureo, tendo até direito a um programa televisivo a ele dedicado). Se tal abordagem poderia fazer torcer o nariz aos puristas, no entanto, o público-alvo em si não tinha tais pruridos, deliciando-se invariavelmente a patear e cantar 'co-me-ça, co-me-ça' antes do levantar do pano (normalmente em uníssono com todo o resto do teatro), ou a ajudar o herói a localizar o vilão, durante a inevitável cena 'interactiva' presente em toda e qualquer destas peças, e que as tornava ainda mais divertidas para quem tinha a sorte de fazer parte da audiência.


Tal como tantos outros hábitos e tradições de que aqui vimos falando, no entanto, também as peças de teatro infantis por alturas do Carnaval acabaram por decrescer em relevância e frequência, sendo, hoje em dia, bastante mais raras e esporádicas do que o eram há coisa de trinta anos; quem, na sua altura, assistiu a um destes espectáculos, no entanto, certamente concordará que os mesmos constituíam uma excelente e memorável Saída de Sábado na época do Carnaval, e talvez até tenha pena de que esta tradição se tenha perdido antes de os seus filhos terem idade para a conhecer, e gozar de uma experiência semelhante à vivida pelos seus pais quando tinham a mesma idade...

Tuesday, 22 August 2023

Terças de TV - 'Férias Grandes': A Ideia Certa Na Época (do Ano) Errada

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Os chamados 'programas de Verão' - aquelas transmissões, normalmente ao vivo e a partir de pequenas povoações do Portugal rural, que combinam números musicais e de comédia com entrevistas, concursos e interacções com o público - são, normalmente, o único tipo de programa que o cidadão Português moderno consegue ser 'persuadido' a ver, pelo seu carácter leve, a permitir 'desligar os neurónios', como é apanágio da estação. E apesar de a RTP não ser, de todo, alheia a este tipo de conteúdo, há um exacto quarto de século, a emissora estatal decidiu apostar em algo um pouco diferente (e mais culto) do que vinha sendo proposto pelas 'concorrentes' privadas - nomeadamente, um programa de entrevistas ambientado, não no habitual estúdio de gravação, mas nas praias de eleição de cada convidado.


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Apresentado por Margarida Pinto Correia, 'Férias Grandes' (cujo título sugeria, erroneamente, algo um pouco mais juvenil) contabilizou um total de oito episódios, cada um dedicado a um único entrevistado, sendo os mesmos retirados de um meio um pouco mais 'erudito' do que o habitual para um programa estival. De facto, o único nome 'expectável' neste contexto talvez fosse o da comediante popular (e popular comediante) Ana Bola; de resto, os convidados iam de músicos ligados ao pop-rock nacional, como Luís Represas, Rui Reininho e José Cid, ao maestro António Vitorino de Almeida, Fátima Lopes (a estilista, não a apresentadora sua homónima, estrela da 'concorrente' de Carnaxide na mesma época), Eugénia Melo e Castro ou Rosa Lobato Faria. Cada um destes nomes partilhava com a apresentadora, ao longo do episódio, memórias da sua praia favorita (actual ou de infância) à mistura com outros temas relevantes, num formato com um público-alvo muito definido e que, provavelmente, não teria a televisão ligada para o presenciar.


Assim, não é de admirar que 'Férias Grandes' não tenha voltado para uma segunda época estival, estando hoje largamente ausente da memória colectiva nacional sobre o final do século XX - o que não deixa de ser uma pena, já que, em qualquer outra época do ano, o formato tinha tudo para resultar, encontrar a sua audiência, e ir além da mão-cheia e meia de episódios. Tal e como foi lançado, no entanto, o programa de Margarida Pinto Correia constitui, um quarto de século após a sua estreia, uma mera 'nota de rodapé' na História dos Verões televisivos portugueses, bem como um caso de estudo sobre as razões pelas quais não é boa ideia lançar um programa de índole cultural em plena época alta...

Saturday, 8 April 2023

Saídas ao Sábado: As Férias da Páscoa dos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Há trinta anos atrás, quando a geração que lê este blog era criança ou adolescente, o fim-de-semana que ora se assinala marcava, para eles, não só a festa da Páscoa como também um evento quase tão importante: o ponto médio das férias de Primavera, as quais levavam normalmente o mesmo nome do feriado religioso. Era altura de expôr, na escola, os desenhos primorosamente pintados de ovinhos e coelhinhos (e aquele do aluno criativo - ou espertinho - que dava o seu próprio toque à ilustração com um esquema de cores rocambolesco) e de deixar as aulas durante duas semanas (mesmo tempo das férias do Natal, mais uma semana que as anteriores, do Carnaval) para ir 'encher a barriga' de ovos de chocolate junto da família, fosse em casa ou num qualquer destino de férias.


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De facto, apesar de ocorrer com menos frequência do que nas férias do Verão (ou 'férias grandes') ou mesmo do que no Natal, havia quem não deixasse de aproveitar a Páscoa para rumar a outro destino que não apenas a casa de todos os dias, ou o lar de familiares próximos, sendo os locais escolhidos os do costume naqueles idos de finais do século XX, desde a casa dos primos no campo até locais de maior destaque, como estâncias de férias ou pontos turísticos no estrangeiro. Fosse qual fosse o destino, no entanto, algumas coisas nunca mudavam: havia sempre chocolates quase à discrição (fossem ovos, amêndoas ou qualquer outro dos doces tradicionais da época) e quem era crente não deixava de ir à missa, mesmo que esta tivesse de ser ouvida em Francês.


Ao contrário da maioria dos assuntos que abordamos neste nosso blog, este período do ano sofreu muito poucas alterações desde aqueles tempos; os destinos turísticos hoje são outros, e é possível falar com familiares sem necessariamente ter que os visitar (graças aos telemóveis e a plataformas como o Zoom e Skype), mas os aspectos-base das férias da Páscoa dos jovens de hoje em dia são, de um modo geral, os mesmos que fizeram os seus pais ansiar por esta época do ano, e sentir-lhe a falta quando ela terminava, e que farão, decerto, a próxima geração sentir-se da mesma maneira sempre que o calendário chega a finais de Março ou inícios de Abril...

Saturday, 14 January 2023

Saídas ao Sábado: As Férias 'Na Neve'

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


O início do mês de Janeiro assinala, tradicionalmente, o regresso às aulas para o segundo período do ano lectivo; e, como qualquer volta à escola, também esta altura do ano tem como ritual quase obrigatório (entre muitos outros) a 'gabarolice' sobre as férias. E se a primeira 'rentrée', em Setembro, oferece amplas oportunidades para se compararem experiências de férias de Verão, este período pós-natalício traz o 'bónus' adicional de essas mesmas comparações terem como objecto um dos mais invejáveis de todos os tipos de férias para as crianças dos anos 90, logo a seguir à visita à Eurodisney: as idas 'para a neve'.


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O sonho de qualquer criança portuguesa dos 'noventas'.


Embora a inveja quanto a este tipo de intervalo lectivo não se estendesse (nem estenda) a todo o país – afinal de contas, para quem já vive em zonas montanhosas ou frias, a queda de neve é uma experiência perfeitamente normal, e até, muitas vezes, causadora de dificuldades – não havia nos anos 90 criança ou jovem de áreas citadinas ou situadas mais a Sul que não desejasse ardentemente poder passar as férias do Natal numa das muitas estâncias da Serra da Estrela, a aprender a esquiar ou simplesmente a desfrutar das potencialidades do clima mais frio; de facto, a popularidade deste tipo de férias era, à época, de tal monta que a Serra da Estrela serviu mesmo de pano de fundo a um dos melhores títulos da lendária Colecção Uma Aventura.


Mais afortunados ainda eram aqueles que tinham a oportunidade de não só ir 'para a neve', como de o fazer no estrangeiro, numa das muitas cadeiras montanhosas do Norte de Espanha ou Andorra, ou mesmo em locais como a Suíça. Isto porque, apesar de não diferirem grandemente das passadas em Portugal, estas férias tinham o atractivo adicional da viagem para outro país, outro dos grandes motivos de inveja para a juventude de uma era onde as viagens e o turismo estavam, ainda, longe da acessibilidade e facilidade que apresentam hoje em dia, fazendo de cada deslocação mais 'demorada' ou distante uma experiência memorável para quem tinha ainda pouca idade. E apesar de, hoje em dia, todo esse processo ser bastante menos fascinante – e de as 'férias na neve' serem, hoje, bastante menos apetecíveis ou até apregoadas do que o eram à época – estamos em crer que a possibilidade de passar o Natal a esquiar na Serra da Estrela não terá perdido totalmente o seu apelo junto dos mais novos...

Wednesday, 6 April 2022

Quartas de Quase Tudo (de Páscoa): A Páscoa nas Escolas Primárias dos Anos 90

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Na última edição desta rubrica, falámos de uma das instâncias mais desagradáveis da vida escolar dos anos 90, nomeadamente a inspecção aos piolhos; para contra-balancear esse post, esta semana, vamos falar de uma das mais agradáveis: a chegada das férias da Páscoa.


desenhos-para-colorir-da-pascoa-feliz-pascoa.jpgUm desenho para pintar bem típico da época


E se os principais atractivos da época natalícia eram os presentes, a boa comida e o tempo passado em família (isto sem contar com a inevitável ida ao hipermercado), já a Páscoa 'conquistava' os corações dos mais novos com uma mistura de chocolate (o 'rei' das guloseimas), bom tempo (QUASE sempre...), brincadeiras como a caça aos ovos e, claro, também a oportunidade de celebrar junto da família o feriado, quer de forma religiosa, quer laica.


Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que as férias da Páscoa causavam, na mente de uma criança em idade de instrução primária, um alvoroço tão grande quanto as do Natal, e apenas excedido pelas férias grandes; por este motivo, poucos eram os docentes que procuravam ensinar matéria nova no final do segundo período, preferindo as habituais actividades de trabalhos manuais relacionadas com a Páscoa, ou a pintura de desenhos, sempre tão do gosto dos mais novos – sendo, em ambos os casos, os motivos voltados à festa da Primavera, com coelhinhos e ovos à cabeça. Os mais sortudos poderiam, até, esperar um pacotinho de amêndoas doces na sua carteira nos últimos dias antes das férias...


E embora nas escolas 'dos grandes' este 'feeling' se perdesse um pouco – entre testes de fim de período e o 'stress' de saber as notas – a verdade é que, para os estudantes primários dos anos 90 (e talvez também um pouco hoje em dia) a Páscoa era uma época de sensações especiais, combinando a alegria da Primavera com a de duas semanas de férias que se esperam cheias de chocolates e tempo passado em família – uma combinação que, espera-se, essas mesmas ex-crianças tentem, hoje, transmitir aos respectivos filhos...


Feliz Páscoa, caros leitores!

Saturday, 26 February 2022

Saídas ao Sábado / Sábados aos Saltos: O Carnaval

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


Sim, leram bem – o 'post' de hoje é uma combinação estilo '2-em-1' dos nossos dois tipos de posts de Sábado. Isto porque a festa que se celebra deste fim-de-semana até à próxima quarta-feira – o Carnaval – envolve tanto Saídas (para que o Mundo possa ver a nossa bela fatiota de máscara) e Saltos (ou não fosse esta, em anos 'normais', uma semana de férias da escola, em que o tempo parece interminável.) Falemos, pois, do modo característico como esta festa era celebrada em Portugal nos anos 90, e de tudo aquilo que, em criança, lhe tendia a estar associado.


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E começamos, precisamente, pelo factor mais comummente associado ao Carnaval – as máscaras. Enquanto que hoje estas se cingem quase exclusivamente a propriedades intelectuais populares – não se pode ser 'apenas' uma princesa, tem de se ser uma princesa DISNEY, de preferência a Elsa – nos anos 90, havia ainda uma mistura saudável entre este tipo de fatos (com destaque para as Tartarugas Ninja, Homem-Aranha, Super-Homem e Power Rangers) e os mais 'clássicos' disfarces de cowboy, princesa, palhaço, monstro, ou o que mais se conseguisse imaginar sem ter que gastar muito dinheiro.


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O disfarce de Tartaruga Ninja era um dos mais populares nos anos 90


No entanto, mesmo com esta vasta gama de disfarces à disposição, havia um que suplantava todos os outros, senão em popularidade, pelo menos em frequência: o de Zorro. Não havia, à época, praticamente nenhum Carnaval em que não se vissem pelo menos uns dois ou três Zorros, fosse na rua, na escola ou no clube desportivo. A popularidade do herói mascarado era tão indisputável quanto inexplicável, já que o mesmo estava ainda a alguns anos do seu 'renascimento' às mãos de Antonio Banderas, e era apenas vagamente conhecido da maioria das crianças; a verdade, no entanto, é que – vá-se lá saber porquê... - a sua característica roupagem era mesmo uma das escolhas mais populares no que tocava a fatos de máscara.


Os fatos completos não eram, no entanto, a única opção no tocante a disfarces de Carnaval; pelo contrário, a maioria das crianças via-se mesmo restrita às chamadas 'caraças', aquelas máscaras de cara completa, com elástico, que se podiam comprar em qualquer drogaria, loja de brinquedos ou até dos trezentos, por um preço relativamente acessível – o que ajudava, talvez, a explicar a popularidade. Curiosamente, estas máscaras eram perfeitamente bem aceites entre o normalmente hiper-crítico público infantil, e embora um fato fosse mais admirado e invejado, a criança que se disfarçava apenas com uma máscara não seria alvo da chacota dos colegas, como se poderia talvez pensar, tornando-as uma boa alternativa para quem tinha menos dinheiro.


Nem só de máscaras e disfarces, no entanto, vivia o Carnaval – e, aqui, há que falar da enorme panóplia de acessórios associados à celebração desta festa pelas crianças e jovens, que ajudava a dar vigência à expressão 'BRINCAR ao Carnaval'. À época, a gama de diversões de Carnaval ia das mais inócuas - como as serpentinas que se penduravam das grades da janela ou varanda e que acabavam invariavelmente na rua, a dar trabalho aos lixeiros – às irritantes (como os martelinhos, as pistolas de água ou os balões de água atirados de andares altos para quem passava cá em baixo) ou activamente perigosas, como os inenarráveis estalinhos ou as sempre populares pistolas de fulminantes. Alguns destes acessórios tinham uma ligação mais óbvia ao Carnaval que outros, mas a verdade é que todos eles fizeram parte da infância de qualquer português que tenha celebrado esta festa nos anos 90 – senão a título próprio, pelo menos manuseados por alguém nas proximidades.


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Alguns dos mais populares brinquedos do Carnaval português dos anos 90


No cômputo geral, todos estes elementos – as máscaras, as partidas, os brinquedos, até mesmo as férias da escola - contribuíam para moldar a experiência do Carnaval português dos anos 90; e embora, hoje, as regras mais apertadas de segurança tenham tornado esta festa significativamente diferente, quem a viveu nos anos 90 certamente nunca vai esquecer as emoções, sensações e brincadeiras daquela última semana de Fevereiro. Feliz Carnaval!

Monday, 6 September 2021

Saídas ao Sábado (de Verão): As Colónias de Férias

NOTA: Este post é relativo a Sábado, 04 de Setembro de 2021.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


E naquela que talvez seja a última Saída de Sábado do Verão, nada melhor do que recordar algo que fazia – e, felizmente, continua a fazer – parte do quotidiano de muitas crianças durante esta época do ano: as colónias ou campos de férias.


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Uma cena típica de uma iniciativa deste tipo.


À época – como nos dias de hoje – estas dividiam-se, essencialmente, em dois tipos distintos. Por um lado, havia as do tipo ‘férias desportivas’, em que as crianças participavam diariamente, durante um determinado período de tempo, mas que não implicavam qualquer tipo de deslocação aparte a chegada ao local onde as mesmas se desenrolavam; por outro, havia as colónias de férias propriamente ditas, que – essas sim – representavam uma ou duas semanas longe de casa, invariavelmente num ambiente controlado e especialmente preparado para o efeito, e sob supervisão adequada. Qualquer das duas terá, sem dúvida, deixado óptimas e duradouras memórias a quem delas tenha disfrutado, bem como uma vontade de proporcionar aos próprios filhos o mesmo tipo de experiência, para que também eles se possam familiarizar com o sentimento muito próprio que tais actividades criavam entre os participantes.


Parte integrante desse mesmo sentimento eram, sem dúvida, os programas de actividades, cuidadosamente elaborados pelos responsáveis pela supervisão das crianças – os chamados animadores, ou monitores, jovens não muito mais velhos do que os próprios participantes, mas a quem cabia o papel, não tanto de pais, como de irmãos mais velhos. Num ambiente sempre descontraído e natural, estes jovens eram, além de responsáveis pelo planeamento e dinamização de jogos e actividades, também os principais responsáveis por assegurar que as coisas nunca ‘descambavam’, e que uma certa ordem era mantida entre as crianças, sem nunca se imiscuir entre elas e o ambiente divertido que uma colónia de férias idealmente proporciona. E apesar de ser preciso algum esforço da parte dos pais para confiar os seus filhos a estes (muitas vezes) ainda adolescentes, a verdade é que a maioria deles cumpria com brio o seu trabalho, ajudando a fazer daquele período de férias algo ainda mais inesquecível.


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Outra cena bem típica deste tipo de actividade.


Em suma, fosse através da escola, da Junta de Freguesia, da paróquia ou de uma entidade privada (normalmente o local de trabalho dos pais) as colónias de férias eram – e são – locais de criação de memórias por excelência, proporcionando a um jovem tudo aquilo que ele ou ela espera dos seus meses de Verão, de jogos a amizades indeléveis e até alguns ‘namoricos’, sempre muito controlados, claro… Por isso mesmo, e numa altura em que o Verão se vai encerrando, estes espaços mais do que merecem a presença neste blog, cujo fim, afinal de contas, é precisamente enaltecer e homenagear os melhores momentos da infância e adolescência…

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...