Thursday, 30 July 2026

Quintas de Quinquilharia: A 'Edição de Verão' das 'Janelas Mágicas'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos das 'Janelas Mágicas', um dos mais memoráveis brindes do Bollycao para quem era de uma certa idade em inícios dos anos 90; o que poucos saberão (ou do que poucos se recordarão) é que a Olá procurou, também ela, capitalizar sobre o sucesso daquele conceito, tendo lançado uma série protagonizada por uma das suas mascotes, no caso o rapazinho ruivo que, desde há décadas, vem sendo figura de proa do Epá.


(Crédito da imagem: OLX)

Surgiam assim, num daqueles longos e quentes Verões dos anos 90, as 'Janelas Mágicas Epá', presumivelmente oferecidas na compra do gelado, e cuja mecância era em tudo semelhante às precursoras do Bollycao: cada cartão tinha uma pequena cena que podia, depois, ser 'colorida' mediante a aplicação de um pedaço de plástico sobre a ilustração. A única diferença, conforme mencionámos, é que a colecção da Olá tinha como protagonista exclusivo o personagem licenciado da marca, que surgia em nada menos do que uma dezena e meia de situações, retratadas por meio de ilustrações detalhadas ao estilo de banda desenhada, as quais revelavam até algum esforço por parte do seu anónimo criador.

Infelizmente – talvez por ser um conceito já antes visto, ou por o Epá estar longe de ser o mais popular de entre os gelados da Olá – esta segunda colecção de 'Janelas Mágicas' ficou longe do sucesso da antecessora, constituindo hoje, sobretudo, uma curiosidade esquecida de uma época em que até o mais simples pedaço de papel oferecido na compra de alimentos conseguia surpreender e deliciar a grande maioria das crianças portuguesas e não só; numa altura do ano em que o calor aperta e os gelados vivem o seu período áureo de vendas, nada melhor, portanto, do que recordar uma das poucas instâncias em que as guloseimas veranis deram direito a brinde.

Wednesday, 29 July 2026

Quartas aos Quadradinhos: Trinta Anos da Divulgação do Trabalho de Um Precursor

 A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A vastidão de banda desenhada de qualidade presente no mercado português de finais do século XX e inícios do seguinte poderia levar qualquer jovem da altura a esquecer que, como qualquer movimento artístico, o florescimento dos 'quadradinhos' em Portugal teve, forçosamente, de ter um ponto de partida. Felizmente, em meados da década, várias editoras fizeram sua a missão de celebrar e divulgar estes pioneiros para uma nova geração, através de álbuns como 'O Mosquito – 60 Anos' (de que falámos na última Quarta aos Quadradinhos) e o tomo de que falamos esta semana, que resgata o trabalho do 'pai' da BD nacional, Rafael Bordalo Pinheiro.


Bem conhecido pelo seu trabalho como caricaturista, e como criador do Zé Povinho (o estereótipo do português de classe trabalhadora da época), Bordalo deixou também, no entanto, a sua marca na sociedade portuguesa de finais do século XIX como criador de banda desenhada, publicada em formato de 'tiras' no jornal 'O Comércio do Porto Illustrado' ao longo de mais de uma década, entre 1892 e 1904. Eram essas bandas desenhadas que o álbum publicado em 1996 pela editora Aventura Gráfica, e simplesmente intitulado 'Bandas Desenhadas de Rafael Bordalo Pinheiro', reunía e apresentava, um século depois, às novas gerações.

Embora o trabalho de recolha e divulgação fosse louvável, no entanto, o estilo de banda desenhada praticado na época de Bordalo era (e é) demasiado diferente para poder ser apreciado fora de contexto, podendo parecer estranhamente 'chato' para leitores modernos (ainda que a qualidade artística seja inegável). Talvez por isso não se tenha ouvido falar mais extensamente desta obra da Aventura Gráfica, quer à época da sua publicação, quer nas três décadas subsequentes. Ainda assim, e conforme acima mencionámos, trata-se de um esforço mais que louvável, e que bem merece esta nota por alturas do trigésimo aniversário da sua publicação.

Tuesday, 28 July 2026

Terças Tecnológicas: Vinte e Cinco Anos de Um Jogo 'Invulgar'

NOTA: Por razões de relevância temporal, esta Terça será Tecnológica.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Os últimos anos da década de 90, e primeiros da seguinte, viram dar-se uma alteração no mundo dos videojogos, com os títulos mais simples e lineares característicos da era dos 8, 16 e 32-bits a darem lugar a jogos com narrativas mais complexas, visual cinematográfico, e jogabilidade menos directa e mais envolvente – um paradigma que apenas se viria a solidificar no quarto de século subsequente. E se títulos como 'Shenmue' ou 'Hitman' se afirmavam, desde logo, como precursores dessa tendência, seria há quase exactos vinte e cinco anos que o novo género ganharia um dos seus representantes verdadeiramente 'de peso', e que faria correr muita tinta na imprensa especializada da época.

Falamos de 'Max Payne', originalmente lançado para PC a 25 de Julho de 2001, e que misturava a estética 'policial aos quadradinhos' de 'Sin City' com o estilo cinematográfico de John Woo, o famoso efeito 'bullet time' de 'Matrix' e até elementos da mitologia nórdica, para criar um produto final em que a história quase se sobrepunha à jogabilidade. Em termos práticos, tratava-se de um jogo de acção em terceira pessoa, com elementos de evasão ao estilo 'Hitman' ou 'Metal Gear Solid', mas esse estava longe de ser o seu único factor de interesse; pelo contrário, era na ambientação e enredo cinematográficos que o jogo apostava na sua tentativa de cativar o público-alvo.


E o mínimo que se pode dizer é que esse objectivo foi amplamente atingido, já que o jogo de 2001 não só seria lançado para várias outras plataformas ao longo dos meses seguintes (a começar pela PlayStation 2, que recebia uma conversão logo nesse Inverno) mas daria também azo a uma série de sequelas e até a uma verdadeira adaptação cinematográfica, acabando por constituir efectivamente uma nova franquia – um feito notável para um título que, aquando do seu lançamento, chegava a dividir a crítica, ainda que a recepção fosse, no cômputo geral, mais do que positiva.

Mesmo à distância de vinte e cinco anos, e apesar de mostrar, naturalmente, a sua idade, é fácil perceber a razão por detrás do sucesso de 'Max Payne', jogo que oferecia algo ainda pouco comum à época e que, como tal, não podia deixar de cativar os fãs de videojogos que procurassem algo novo e fora do vulgar em que se 'enredar'; razão mais que suficiente para que aqui celebremos o histórico aniversário que acaba de se assinalar, e dediquemos umas breves linhas ao 'gerador' de uma franquia que viria a dominar o panorama dos jogos em terceira pessoa durante a década subsequente, e que continua a ser lembrada com afecto até aos dias que correm.

Monday, 27 July 2026

Segundas de Sucessos: Em Memória de Luís Represas (1956-2026)

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Há pouco menos de uma semana, o panorama da música portuguesa viu-se, infelizmente, deprivado de mais um dos seus grandes nomes – um músico conhecido tanto da Geração X como dos 'millennials', embora por razões diferentes, e cujo contributo para o panorama musical nacional é absolutamente inegável. Falamos de Luís Represas, o cantautor de quem já aqui anteriormente falámos 'de passagem' mas a quem nunca prestámos verdadeiramente homenagem – algo que fazemos agora, como forma de assinalar o seu falecimento, aos apenas sessenta e nove anos de idade.

Membro da geração 'construtora' do pop-rock português moderno, e contemporâneo de nomes como Tim ou Jorge Palma, além de membro fundador dos seminais Trovante, Luís Represas deixaria a sua marca de forma algo mais abertamente 'comercial' que estes, sabendo sempre envolver as suas mensagens muitas vezes contestatárias em 'embalagens' musicais acessíveis e prontas para o 'airplay' radiofónico, sempre com a sua característica e distintiva voz como elemento principal. Tendo em conta este aspecto da sua música, não deixa de ser curioso que o seu segundo maior sucesso tenha surgido em forma de dueto, no caso com o congénere cubano Pablo Milanés, com quem grava a imortal e arrepiante 'Feiticeira', demonstração cabal do poder vocal de ambos os intérpretes, e que, juntamente com o hino de solidariedade com Timor-Leste, 'Ai Timor', constitui a música mais conhecida da carreira do arista.

Com nome estabelecido ainda antes da gravação do primeiro álbum a solo, não era difícil a Luís Represas notabilizar-se no meio musical português, tendo o cantautor rapidamente adquirido um estatuto que lhe permitia apresentar programas na RTP ('A Música DosOutros', do qual já aqui anteriormente falámos), ser convidado para interpretar missas em ambiente solene, gravar retrospectivas de carreira com orquestras sinfónicas, compôr 'jingles' para campanhas de solidariedade (a contagiante 'Quero Uma Casa Deste Tamanho', gravada para uma iniciativa da Swatch em 2002) ou mesmo escrever um livro infantil! Isto, claro, além dos nove álbuns de originais e inúmeras colaborações com músicos de relevo dos PALOPS que efectuou ao longo das suas três décadas de carreira a solo, que chegaram abruptamente ao fim no passado dia 22 de Julho, menos de dois anos após o lançamento daquele que acabaria por ser o seu registo de despedida, 'MIRAGEM'. Que descanse em paz.

Domingo Desportivo: Trinta e Cinco Anos de Um Torneio Algo 'Esquecido'

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 26 de Julho de 2026.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Em inícios dos anos 90, o basquetebol ainda era um desporto de expressão mais do que modesta em Portugal, pese embora a popularidade de Carlos Lisboa – e se as equipas sénior masculinas pouca atenção atraíam, as equipas jovens ou femininas eram praticamente 'invisíveis' no contexto mediático e cultural português da época. Não deixa, pois, de ser surpreendente que o nosso País tenha sido o escolhido para acolher os campeonatos europeus de basquetebol jovem femininos de 1991, especificamente na categoria de sub-16, os quais tiveram lugar há exactos trinta e cinco anos, entre os dias 20 e 28 de Julho de 1991. Mais surpreendente ainda, no entanto, foi o facto de este torneio se ter realizado, não num dos grandes centros urbanos nacionais, mas em pequenas povoações do distrito de Aveiro, com os jogos a serem disputados em recintos das freguesias de Estarreja, Anadia e Travassô e Óis da Riberia, naquele que terá, quase certamente, sido o evento mais emocionante e de maior âmbito alguma vez realizado naquelas localidades até à data (e talvez mesmo até aos dias de hoje).

No total, foram doze as selecções naciomais a disputar o campeonato em causa, tendo as mesmas sido divididas em dois grupos de seis equipas, das quais as duas primeiras se qualificavam para as meias-finais. Infelizmente, a reduzida expressão do basquetebol jovem (e feminino) no nosso País levou a que a prestação de Portugal fosse menos do que brilhante, tendo a equipa nacional sido última classificada do Grupo A, ganho pelas equipas que viriam a disputar a final, Jugoslávia e União Soviética, tendo esta última acabado por levar para casa o seu oitavo e último título na modalidade, poucos meses antes da sua dissolução definitiva. Quanto a Portugal, tinha de contentar-se com o último lugar da competição, após ter sido derrotada pela Holanda no 'play-off' do nono lugar, e pela Roménia no 'jogo dos últimos classificados'.

Ainda assim, e apesar da pobre imagem do basquetebol juvenil e feminino que terá deixado aos países participantes (e da nula expressão mediática que adquiriu, sobretudo por comparação com o Mundial de Esperanças em futebol masculino, ocorrido semanas antes) este evento terá, sem dúvida, tido grande significado não só para as jovens participantes como também para as pequenas e normalmente pacatas povoações rurais que, de súbito, viam 'aterrar' nas suas calmas ruelas turistas e atletas de todo o Mundo, o que terá quase certamente contribuído para a micro-economia local. Assim, afigura-se mais do que justo dar-lhe destaque nestas nossas páginas, no fim-de-semana em que se completam exactos trinta e cinco anos sobre as suas meias-finais.


Saturday, 25 July 2026

Saídas ao Sábado: Vinte e Cinco Anos de Orgulho 'Gay' no Porto

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Hoje em dia, as paradas de orgulho 'gay' são eventos mais ou menos recorrentes um pouco por todo o Mundo, sobretudo no mês de Junho, oficialmente declarado 'mês do orgulho gay' (Pride Month) a nível mundial. Nos primeiros anos do Milénio, no entanto, vivia-se uma situação sócio-cultural marcadamente diferente, em que a homossexualidade era ainda vista como (na melhor das hipóteses) algo de que fazer troça e (na pior) tabu ou pecado. É, portanto, ainda mais meritório que aqui assinalemos os vinte e cinco anos de um evento abertamente homossexual e que ajudava a dar alguma visibilidade à demografia em causa – o Porto Pride, cuja edição inaugural tinha lugar, não em Junho, mas em Julho de 2001.

Embora não fosse o primeiro evento deste género em Portugal (tal honra pertence ao Arraial Pride Lisboa, ainda hoje vigente) o Porto Pride representava, ainda assim, um marco para os homossexuais portugueses, numa região onde as mentes eram ainda, regra geral, menos 'abertas' que na capital. Assim, não é de estranhar que cerca de mil portuenses aderissem a essa primeira edição - número que haveria de duplicar em anos subsequentes – e que diversas entidades comerciais decidissem também mostrar o seu apoio. De nota era, ainda, a recolha de fundos para caridade desde logo ligada ao evento, e que o acompanharia durante a década seguinte, até à última edição em 2012.

Apesar de extinto, no entanto (deixando para Lisboa a responsabilidade de representar sozinha o orgulho 'gay' nacional) o Porto Pride saldou-se ainda assim, durante o seu tempo de vida, como uma iniciativa importante para a afirmação e inclusão da comunidade homossexual em Portugal, mercendo, portanto, que se celebre condignamente nestas páginas aquele que seria o seu vigésimo-quinto aniversário.

Sessão de Sexta: Trinta Anos de Uma Cópia Bem Feita

 NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Sexta, haverá Sessão, e a próxima será com Style.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Os filmes em que uma ou mais crianças estabelecem laços de amizade com um animal fora do comum – que têm, posteriormente, de salvar de um qualquer perigo – são um filão lucrativo desde o início da História do cinema, e atravessavam em finais do século XX uma época áurea, com clássicos infanto-juvenis como 'Libertem Willy', 'Voando P'ra Casa', ou o filme de que falamos esta Sexta, poucos dias antes de se celebrarem exactas três décadas sobre a sua estreia em Portugal, e que, apesar de menos bem-sucedido que os seus pares, terá ainda assim logrado entreter o público jovem da altura, e certamente criado memórias nostálgicas no seio do mesmo.

Baseado numa antiga série televisiva do mesmo nome, 'Flipper' aterrava nas salas de cinema nacionais a 26 de Julho de 1996, trazendo como principal atractivos um golfinho capaz de acrobacias mirabolantes – chamariz imediato para qualquer criança – e a presença de Paul Hogan, então ainda em alta graças ao sucesso dos filmes de 'Crocodilo Dundee'. Como inevitável presença 'jovem' ao lado do veterano pseudo-australiano encontrava-se um dos mais promissores jovens actores da época, já detentor de algum nome graças a filmes como 'O Bom Filho' (ao lado de outra 'mini-estrela' da época, Macaulay Culkin) ou 'Huckleberry Finn'. O seu nome? Elijah Wood, ainda a pouco mais de meia década de se tornar nome conhecido de toda a população cinéfila como protagonista principal de uma certa trilogia de fantasia épica. Aqui, surge no papel do adolescente que, ao lado do tio Hogan, tem de salvar as águas onde nada Flipper, o golfinho, de poluição causada por residentes locais sem escrúpulos.

Uma história já mais que 'batida' (e que parece saída de um episódio de 'Capitão Planeta') mas que servia bem o propósito do filme – o de criar uma 'cópia' de 'Libertem Willy' com um animal ligeiramente mais simpático; e, nesse particular, não se pode dizer que o filme seja de todo mal-conseguido. O problema é que, num mundo em que 'Libertem Willy' ia já na primeira sequela, torna-se ainda mais aparente que 'Flipper' é apenas um 'seguidor' relativamente fiel, razão pela qual talvez não tenha ficado na memória colectiva dos 'Millennials' portugueses (e do resto do Mundo) da mesma forma que os filmes supracitados (além de passar bastante menos vezes na televisão...) Ainda assim, é apenas justo lembrar aquela que é mais uma boa produção infanto-juvenil da década de 90, no fim-de-semana em que a mesma celebra os trinta anos da sua estreia em Portugal.



Friday, 24 July 2026

Quintas ao Quilo: Trinta Anos do Gelado Mais 'Estranho' de Sempre em Portugal

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 23 de Julho de 2026.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Regra geral, apesar de a Olá 'estrear' todos os anos vários novos gelados, os mesmos tendem a ser relativamente 'padrão', com os habituais sabores e texturas, apenas alicerçados em novos formatos e conceitos. No entanto, há exactos trinta anos – no Verão de 1996 – a magnata dos gelados lançaria aquele que permanece, até hoje, um dos mais originais gelados alguma vez comercializados em Portugal.


O cartaz da Olá de 1996, com o Chis na fila de baixo.

'Fadado' a aparição única no icónico cartaz anual, o Chis estendia a sua alusão a queijo para lá da mascote e da aparência do gelado ('esburacado' como uma fatia de queijo suíço) e procurava que o mesmo evocasse, verdadeiramente, o sabor do queijo – algo que, à primeira vista, parece impossível, mas que a companhia quase conseguiu levar a cabo com este gelado. De facto, o sabor do Chis era diferente do de qualquer outra guloseima gelada, e, aliado à textura cremosa, fazia verdadeiramente pensar em queijo, algo que terá, sem dúvida, 'afastado' tantos jovens portugueses do gelado quantos os que atraiu (entre os quais se conta o autor deste 'blog', cuja principal memória deste gelado foi a de o mesmo lhe ter derretido nas mãos e na t-shirt.)

Foi, pois, sem surpresas que o Chis se 'despediu' das arcas frigoríficas nacionais no final da mesma estação em que fizera a sua estreia, deixando a quem com ele conviveu uma vaga memória de um gelado invulgar, e cuja existência será certamente difícil de acreditar para quem não 'estava lá' naquele Verão de há três décadas atrás. Para esses, fica acima a prova visual...

Thursday, 23 July 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta Anos de um 'Susto' Para a Política Portuguesa

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 22 de Julho de 2026.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Numa edição anterior desta rubrica, recordámos o Presidente da República Portuguesa indigitado há três décadas atrás, Jorge Sampaio, na altura para marcar o seu falecimento; agora, vários meses depois, voltamos a fazer-lhe referência, desta vez no contexto de uma efeméride única na democracia portuguesa, sobre a qual se assinalam dentro de poucos dias exactos trinta anos.

Era, efectivamente, a 27 de Julho de 1996 que, pela primeira e última vez na História da política portuguesa, se fazia um pedido de impedimento temporário a um Presidente da República. A razão para tal requerimento era a segunda operação cardíaca de Jorge Sampaio desde a sua tomada de posse, que levantava receios relativamente à saúde do dirigente máximo português e levava a que o Tribunal Constitucional apontasse o entretanto também já falecido António Almeida Santos, Presidente da Assembleia da República, como substituto interino de Sampaio, durante o período de recuperação deste último. E embora o Presidente eleito viesse a recuperar, e liderar ainda o País durante muitos e bons anos, os primeiros meses do seu mandato inicial não deixam de ficar marcados por este acontecimento tão único quanto insólito, que não podíamos deixar de recordar poucos dias antes de sobre ele se assinalarem exactas três décadas.

Tuesday, 21 July 2026

Terças Tecnológicas: Vinte e Cinco Anos de um 'Gran Turismo' de Nova Geração

 A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Já aqui anteriormente falámos tanto da série 'Gran Turismo' – talvez a mais revolucionária de sempre no sector dos 'jogos de automóveis' – como da PlayStation 2, líder de mercado da sua geração e ainda hoje uma das mais bem-sucedidas consolas de videojogos de sempre. Pois bem, chega agora a altura de celebrar os vinte e cinco anos do momento em que, a 20 de Julho de 2001, esses dois ícones da trajectória da Sony no sector interactivo se encontravam finalmente, com o lançamento no mercado europeu de 'Gran Turismo 3 – A-Spec' para a 128-bits da companhia japonesa.

E visto a proposta de 'Gran Turismo' ser, desde o primeiro momento, a junção de qualidade com quantidade, não é de espantar que este terceiro capítulo voltasse a apresentar uma vasta gama de pistas e desafios a superar, ao mesmo tempo que tirava proveito das novas capacidades gráficas ao seu dispôr para voltar a criar gráficos 'de assombrar', outro elemento característico da franquia. Mais desapontante era, no entanto, o número de viaturas disponíveis, reduzida para menos de um terço relativamente às inacreditáveis seiscentas e cinquenta (!!) presentes no segundo jogo da série.

Nada, no entanto, que impedisse 'GT3' de se tornar o mais bem-sucedido jogo da saga, o mais bem-sucedido título exclusivo da Sony para PlayStation 2, e o segundo título mais vendido de toda a vasta biblioteca da consola, superado apenas pelo mítico 'Grand Theft Auto: San Andreas'. O sucesso seria tal, de facto, que o título teria direito a uma 'versão condensada' ou 'mini-sequela', 'Gran Turismo Concept', no ano seguinte, como forma de colmatar a espera por 'Gran Turismo 4'. Apenas mais uma razão para dedicarmos algumas linhas àquele que foi o último título da saga lançado dentro do nosso intervalo temporal, meras vinte e quatro horas após se ter celebrado um quarto de século sobre o seu lançamento na Europa.

Monday, 20 July 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos do Primeiro 'Casamento' de Miguel Guilherme e Rita Blanco

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por várias vezes falámos da era de ouro que a comédia televisiva portuguesa atravessava na segunda metade dos anos 90, sendo muitas e boas as opções disponíveis para fãs de humor. Há quase exactos trinta anos (a 15 de Julho de 1996) a oferta neste campo tornava-se ainda mais vasta, com a estreia na SIC de mais uma das dezenas de séries humorísticas com elencos consagrados e premissas prometedoras que, apesar de acabarem por não passar de uma única temporada, chegavam ainda assim a conseguir entreter quem as sintonizava.

Falamos, neste caso, de 'Sai da Minha Vida', proposta encabeçada por Miguel Guilherme e Rita Blanco, no papel de um casal divorciado (décadas antes de 'serem casados' em 'Conta-me Como Foi') cujas desavenças e peripécias servem de 'motor' para os catorze episódios exibidos. Como coadjuvantes – e como era apanágio deste tipo de emissão – surgem uma série de nomes de 'luxo' do humor português da época, como Rita Salema, Luís Aleluia (a poucos meses de se 'transformar' no icónico 'Tonecas') e Adriano Luz, os quais ajudam a configurar uma proposta bem típica do período televisivo português em causa, e que, sem ser tão lembrado como outros programas da mesma época (como o referido 'Tonecas' ou 'Malucos do Riso') merece, ainda assim, uma breve 'chamada' nas páginas deste nosso blog, uma semana após se completarem três décadas sobre a sua primeira emissão.

Saturday, 18 July 2026

Sextas Com Style/Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os Últimos Anos dos Bibes e Batas

NOTA: Por razões de relevância temporal, esta Sexta será com Style, e a Sessão será na próxima.

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 17 de Julho e Domingo, 19 de Julho de 2026.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Apesar de, hoje em dia, o seu uso se encontrar reduzido aos infantários e jardins de infância, durante as últimas décadas do século XX, era ainda relativamente comum ver crianças pequenas – em Portugal e não só – vestidas com uma bata ou bibe por cima da roupa enquanto brincavam em casa, ou até mesmo na rua. O que tão-pouco era de estranhar, já que a geração 'millennial' foi a última a passar mais tempo fora do que dentro de portas, e as referidas vestes protectoras permitiam 'localizar' quaisquer manchas, sujidades ou até mesmo rasgões adquiridos no decurso de um Sábado aos Saltos ou de um Domingo Divertido; tintas, terra, relva, líquidos, comida...tudo ficava à superfície do bibe ou da bata, permitindo salvaguardar e poupar as roupas que se encontravam por baixo, ou até mesmo dispensá-las, já que a maioria das batas e bibes disponíveis eram compridos o suficiente para taparem a criança quase por completo. Não era, pois, surpreendente que os pais de crianças ainda demasiado novas para 'refilarem' ou se importarem com o que vestiam fizessem amplo uso deste tipo de roupa protectora.

Conforme mencionámos acima, no entanto, os bibes e batas caíram em desuso no contexto da utilização 'privada', talvez por evocarem épocas e eras menos saudosas da História recente de Portugal; no entanto, quem tenha filhos num jardim de infância ou jardim-escola certamente ainda os vestirá diariamente, pela manhã, com aquela que se tornou a 'farda' oficial de muitos destes tipos de estabelecimento, pelas exactas razões acima elencadas; e, enquanto o faz, talvez se lembre de quando, com a mesma idade, corria pela vida com um deles vestido...

Thursday, 16 July 2026

Quartas Aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: Os 30 Anos da Edição Comemorativa de 60 Anos de um Jornal com 90 Anos

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 16 de Julho de 2026.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Apesar de nesta rubrica nos focarmos no 'boom' da banda desenhada em Portugal em finais do século XX, a verdade é que o meio tinha já, à época, uma tradição secular no nosso País, tendo naturalmente 'descendido' das populares caricaturas de jornal ainda nos tempos da monarquia. A primeira grande 'expansão', no entanto, deu-se já no primeiro quarto do século passado, quando as 'histórias aos quadradinhos' verdadeiramente se popularizaram entre a juventude, dando azo a toda uma série de publicações especializadas, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. E, de entre os periódicos nacionais deste campo, um deles ganhou destaque suficiente para motivar a publicação de um álbum comemorativo dos sessenta anos sobre o seu aparecimento: 'O Mosquito', jornal que – entre outros – acolheu trabalhos de Eduardo Teixeira Coelho (nome sinónimo com a publicação) e JoséRuy, que começou como leitor (com apenas cinco anos) e terminou como colaborador, naquele que talvez seja o melhor atestado à longevidade da revista.

Editado por Carlos Costa e publicado algures em 1996 pelas Edições Época de Ouro, responsáveis por uma série de outros álbuns no mesmo período, 'O Mosquito – 60º Aniversário' é precisamente aquilo que se poderia esperar de uma edição deste tipo – uma compilação de algumas das melhores BD's publicadas durante o tempo de vida do jornal, em luxuosa edição de 'capa dura', capaz de satisfazer não só os saudosos leitores do periódico durante o seu tempo de vida como também de captar o interesse da então nova geração, a fim de lhe apresentar heróis e autores de banda desenhada clássicos mas que lhe eram, até então, desconhecidos. Não admira, pois, que se trate hoje de uma edição rara, vendida por valores exorbitantes por alfarrabistas – e, como tal, bem merecedora de destaque nestas nossas páginas, no ano em que completa trinta anos de existência, e em que o periódico que a inspirou completaria noventa...

Tuesday, 14 July 2026

Terças de TV: Os Trinta e Um Anos do Primeiro 'Reality Show' de Um Cantor

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No início dos anos 90, quando os 'talk shows' eram um género ainda relativamente inexplorado na televisão portuguesa, não era de todo invulgar ou estranho ver ser dado a uma personalidade de outro campo do entretenimento o seu próprio 'tempo de antena' enquanto anfitrião de um programa de entrevistas e variedades; o próprio Herman José fazia, nesta altura, a transição para esse género, ao mesmo tempo que Fátima Lopes cimentava os trâmites do que viria a ser o padrão do mesmo para as três décadas seguintes. Em meio a tudo isto, e ainda antes de Marco Paulo se aventurar nesta área, um outro cantor popular tomava as rédeas da sua própria emissão homónima, cujo primeiro episódio estreava há quase exactos trinta e um anos (a 13 de Julho de 1995).


Falamos de Roberto Leal, o luso-brasileiro que fez carreira algures entre a música romântica e o género 'pimba', 'derretendo' os corações de boa parte de Portugal durante as décadas de 80 e 90, e que, em 1995, se encontrava ainda suficientemente 'em alta' para a proposta em causa não ser tão arriscada como se poderia esperar – até por o foco ser, naturalmente, colocado na música, com os convidados a inserirem-se quase totalmente nesse campo. O formato, esse, era o habitual, com entrevistas um-para-um e, em cada programa, até dois interlúdios musicais, a cargo de um dos três convidados – os quais, para crédito da RTP, não se inseriam todos no género popular comercial, havendo lugar a artistas de fado e grupos de música tradicional, entre outros.

A verdade, no entanto, é que, apesar do 'nome sonante' ao leme, e do gabarito dos convidados, 'Roberto Leal' (o programa) nunca conseguiu captar a sua audiência, talvez pela disparidade entre o meio musical do apresentador e o dos convidados, muitos deles surpreendentemente 'eruditos' para o tipo de emissão em causa, e quiçá desfasados do que o público fã de Leal procurava ver; ou talvez o interesse por este tipo de programa, simplesmente, não fosse muito. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que a experiência 'Roberto Leal' durou escassos três meses no ar, datando a última emissão de 19 de Outubro; não se pode, no entanto, culpar a RTP, que via num programa deste tipo todos os ingredientes para o sucesso, o qual, infelizmente, acabaria por nunca se materializar. Ainda assim, vale a pena recordar esta espécie de 'ensaio geral' para o posterior programa de Marco Paulo, menos de vinte e quatro horas após se terem assinalado os trinta e um anos da sua primeira emissão.

Monday, 13 July 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos do Verão da 'Macarena'

 Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quando se pensa na cena radiofónica e musical do Verão de 1996 em Portugal (e, para dizer a verdade, um pouco por todo o Mundo) vem imediatamente à cabeça uma série de movimentos ainda hoje relevantes e instantaneamente reconhecíveis, até mesmo por quem ainda não era nascido quando todos os imitavam. Sim, a época estival de há exactos trinta anos foi o ponto alto – cultural e socialmente – da icónica dança da 'Macarena' e, por arrasto, da música a que a mesma estava associada.

O que poucos sabiam à época – e talvez nem mesmo saibam agora – é que a versão da 'Macarena' ao som da qual toda uma geração dançou não é a original, nem mesmo a primeira remistura; trata-se, isso sim, da segunda revisão da música, que adiciona letras em inglês e a famosa coreografia àquilo que era, originalmente, um tema de pura música latina, conduzido por guitarras flamencas e com um ritmo lento e contemplativo – precisamente o oposto da versão que 'rebentou' à escala mundial anos depois, e cujo impacto cultural pode ser resumido pela imagem de políticos norte-americanos a executar os inconfundíveis movimentos de braços durante um congresso, frente a inúmeras câmaras de televisão.

E a verdade é que, sem a adição dessa sequência de gestos, é possível que o sucesso de 'Macarena' tivesse ficado confinado apenas a Espanha ou, quanto muito, à Península Ibérica – ainda que uma versão 'falsa' tivesse já penetrado em solo canadiano, executada não pelos intérpretes originais, Los Del Rio, mas por Los Del...Mar. A coreografia, e a 'febre' gerada pela mesma, asseguraram, no entanto, a maior longevidade da música, que continuava a ser ouvida (e dançada) mais de um ano e meio após o seu lançamento, quase chegando também a ser o tema do Verão de 1997 – um feito notável numa era em que os 'hits' radiofónicos tinham, normalmente, um 'tempo de vida' de apenas alguns meses. Por isso, e por ainda hoje ser um dos grandes identificadores culturais da geração 'Millennial' e da ponta final do século XX, a 'Macarena', e respectiva dança, não podiam passar em claro nas páginas deste 'blog' nostálgico, numa altura em que se celebram os trinta anos do seu 'pico' de relevância e popularidade em Portugal. E de certeza que, só de ler estas linhas, haverá já gente a executar a coreografia, em plena sala ou quarto, ao som silencioso da música que toca na sua cabeça...


Sunday, 12 July 2026

Domingo Desportivo: Grandes dos Pequenos - As 'Duas Carreiras' de Lito Vidigal

 Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Em tempos, dedicámos uma edição desta rubrica ao mais bem-sucedidodos irmãos Vidigal, o quarteto de futebolistas que – em maior ou menor grau – marcou o desporto-rei português durante a última década do século XX e inícios do seguinte; nada mais justo, portanto, que darmos hoje o foco ao outro nome que muitos adeptos reconhecerão ainda hoje de imediato, e que celebra este fim-de-semana cinquenta e sete anos.

Formado, tal como os irmãos, no clube da terra onde cresceu, O Elvas, Lito Vidigal (ou apenas Lito) tardou, no entanto, mais do que Luís a 'dar o salto', tendo ainda passado pelos modestos Fronteirense e Estrela de Portalegre (bem como pela equipa sénior d'O Elvas) antes de finalmente 'dar o salto' para palcos maiores, há quase exactos trinta e cinco anos, quando assinou pelo Campomaiorense, então histórico da Primeira Divisão portuguesa e a atravessar o seu período mais expressivo. E o que é certo é que Lito Vidigal veio, sem dúvida, ajudar a esse desiderato, tendo-se desde logo afirmado como peça fulcral da equipa, estatuto que manteria nas suas duas primeiras épocas, vindo, no entanto, a perder fulgor nas duas últimas, em que viu a sua participação decair para cerca de metade, embora ainda tivesse sido relativamente utilizado até à sua saída, em 1995, para reforçar outro histórico nacional, o Belenenses.

E se em Campo Maior havia feito por merecer o título de 'Grande dos Pequenos', seria no Restelo que Lito viria a cimentar esse estatuto. No total, foram sete épocas com a Cruz de Cristo ao peito, das quais apenas a primeira o veria como algo menos do que opção recorrente no plantel, tendo participado em apenas onze jogos; nas restantes, o número de partidas em que foi chamado a contribuir raramente caiu abaixo das vinte, denotando um membro, senão indiscutível, pelo menos importante no seio do plantel dos azuis lisboetas, que partilhou com nomes como João Manuel Pinto (também seu colega no Campomaiorense, e futuro 'grande' do FC Porto), Andrade, Pedro Henriques, César Peixoto ou o hoje Professor, e também histórico do clube, Neca. Foi, também, durante este período que representou a selecção de Angola, pela qual somaria dezassete internacionalizações entre 1996 e 2001.

Todos os ciclos chegam, no entanto, inevitavelmente ao fim, e também Lito Vidigal acabou, eventualmente, por deixar o clube com que se tornara sinónimo. No entanto, a aventura seguinte – nos Açores, ao serviço do Santa Clara – não lhe correria bem, tendo o defesa somado apenas seis jogos pelos insulares antes de regressar a 'casa' para terminar carreira onde a iniciara, em Elvas, na época 2003/2004

Num caso que não deixa de ser curioso, no entanto, Lito Vidigal notabilizar-se-ia mais como treinador do que como jogador, sendo cara conhecida da Primeira Divisão nacional e tendo também assumido o 'leme' de clubes em Chipre, na Grécia, em Israel e na Líbia, além de orientar a selecção do seu país-natal na Taça das Nações Africanas de 2012. Actualmente, orienta o Boavista, naquela que continua a ser uma carreira tão ou mais honrosa do que a conseguida enquanto jogador, e que – por nunca ter orientado um 'grande' nacional – lhe continua a valer o título de 'Grande dos Pequenos', embora agora fora das quatro linhas. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Saturday, 11 July 2026

Saídas de Sábado: Trinta Anos de 'Bons Dias'

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui, em tempos, falámos do aparecimento dos primeiros hipermercados em Portugal, os quais vieram revolucionar por completo a forma de fazer compras no País, influenciando directamente as abordagens estratégicas, preçários e até horários das lojas mais tradicionais, subitamente ameaçadas por estes novos competidores. E, há cerca de trinta anos (em 1996) essa situação apenas se agravou ainda mais, quando um dos 'gigantes' das grandes superfícies, o Grupo Sonae, decidiu criar uma solução de comércio de proximidade, para rivalizar com cadeias de supermercados locais estabelecidas, nomeadamente o Pingo Doce, o Minipreço e o espanhol Dia. Nascia assim o Modelo Bonjour, que se valia da denominação já existente desde os anos 80 como forma de diferenciar as suas lojas do 'primo' de maiores dimensões – uma distinção que se manteria em vigor durante os primeiros quinze anos de vida da cadeia, tantos quantos leva a actual designação de Continente Bom Dia.

E a verdade é que, apesar da prevalência das referidas cadeias nos bairros e povoações portuguesas, o Modelo Bonjour não tardou a afirmar-se como uma 'terceira opção' bem válida, com preços competitivos e uma boa selecção de produtos – embora, claro, menor que a dos supermercados da 'cadeia-mãe' Continente. Assim, na mesma altura em que o Pingo Doce lançava a sua própria grande superfície – o histórico e entretanto malogrado Feira Nova – o Grupo Sonae fazia o 'caminho inverso' com ainda maior sucesso, provando-se capaz de 'cavar' um lugar para si próprio no mercado de proximidade, onde ainda hoje se mantém, quase exactas três décadas após a abertura da primeira loja, ainda e sempre desejando aos seus clientes um 'Bom Dia', agora em bom Português...

Friday, 10 July 2026

Sextas Com Style: Duas 'T-Shirts' Icónicas do Portugal da Viragem do Milénio

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 e 2000 em Portugal podem ser considerados uma época áurea no tocante às 't-shirts' gráficas, sobretudo no tocante a 'designs' com mensagens ligeiramente irreverentes, como as comercializadas pela OmniNoFear ou Mad Bad - e qualquer português do sexo masculino que se encontrasse na adolescência ou em idade universitária nos anos da viragem do Milénio não poderá deixar de concordar que algumas das camisolas mais icónicas dessa época eram as que apresentavam 'listas' de diferentes códigos e expressões, a serem decifrados por quem se desse ao trabalho de ler a frente das respectivas. Destas, os expoentes máximos eram as 't-shirts' 'International Code: No Problem' (em que mãos enluvadas ao estilo desenho animado soletravam a respectiva expressão em linguagem gestual) e 'How Are You Feeling Today?', em que um boneco – conhecido ou 'genérico', dependendo das variantes – demonstrava os diferentes estados de espírito por que um ser vivo pode passar.



Do armário de juventude do autor deste 'blog' constava a primeira das duas t-shirts mostradas acima, precisamente na mesma cor e 'design'.

A razão pela qual estas duas 't-shirts' 'vestiram' tantos 'putos' da época é simples de perceber ao atentar no grafismo das mesmas, que se mostra cuidado, e com qualidade de 'banda desenhada' no tocante a detalhes e expressões; de igual modo, ao contrário de muitas das suas congéneres, nenhuma das camisolas era ofensiva ou controversa, agradando assim tanto ao público jovem mais irreverente quanto a outro que preferia exprimir a sua personalidade de forma menos agressiva. Não admira, pois, que qualquer das duas fosse tão prevalente, de Norte a Sul do País durante os primeiros anos do Novo Milénio, sendo bem provável que as fotografias que acima partilhamos tenham despertado memórias nostálgicas numa grande parcela dos leitores deste 'blog', e até, potencialmente, feito parte do seu guarda-roupa daqueles anos de adolescente...

Thursday, 9 July 2026

Quintas de Quinquilharia: O Brinde 'Mágico' da Chupa Chups

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Entre os muitos aspectos capazes de fascinar as demografias mais jovens, os truques de magia sempre gozaram de um estatuto relativamente elevado. Até o mais simples dos truques ou ilusões de óptica é capaz de deleitar uma criança ou jovem, e a perene popularidade das caixas demagia entre as gerações pré-digitais comprovava que, para os jovens daquele tempo, ser capaz de 'enganar', eles próprios, os amigos ou familiares revestia-se também de alguma importância. Não é, pois, de admirar que, quando uma companhia alimentar decidiu oferecer uma Quinquilharia baseada numa simples ilusão de óptica, o público-alvo tenha aderido com relativo entusiasmo, criando um dos mais bizarros produtos promocionais de finais do século XX.

Falamos da caixa Magic Pop da Chupa Chups, uma simples 'gaveta' com fundo falso onde se podia guardar um chupa-chupa e, com algumas 'palavras mágicas' e recurso ao referido alçapão, fazê-lo desaparecer e reaparecer ante os olhos estupefactos dos pares; um truque de uma simplicidade extrema, mas cujo mero conceito (e a respectiva associação a um campo invulgar, como o dos produtos alimentares) o tornava, por si só, meritório da atenção da demografia infanto-juvenil da época. E apesar do impacto relativamente curto que esta atracção teve aquando da sua chegada a Portugal há cerca de trinta anos, algures em 1996, a verdade é que se tratou de uma promoção original e diferenciada dos habituais cromos ou bugigangas de cartão oferecidas nas batatas fritas ou no Bollycao, o que lhe outorga um merecido lugar nesta rubrica dedicada aos melhores brindes oferecidos por produtos portugueses em finais do século XX e inícios do seguinte.


Wednesday, 8 July 2026

Quartas de Quase Tudo: Vinte e Cinco Anos da Descriminalização das Drogas - Uma Medida Controversa Mas Bem-Sucedida

 Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Nota do PS sobre a efeméride em causa.

A par da SIDA – à expansão da qual esteve, aliás, intimamente ligado – o consumo de drogas foi, talvez, o maior flagelo no Portugal de finais do século XX. Entradas no País no período pós-25 de Abril, as substâncias psicotrópicas vir-se-iam, rapidamente, a tornar corriqueiras entre as demografias mais jovens em território nacional, destruindo (e levando) milhares de vidas e motivando um forte ênfase na sensibilização das crianças e adolescentes da geração 'millennial', no sentido de impedir que seguissem o mesmo caminho dos seus pares mais velhos (a qual chegou mesmo a render um clássico da literatura infanto-juvenil da época). Ao mesmo tempo, eram aplicadas tanto a traficantes quanto a consumidores penas pesadas, incluindo de prisão, numa tentativa de travar 'mercados ao ar livre' bem conhecidos, como o do Casal Ventoso, em Lisboa; nada, no entanto, parecia resultar, e o número de toxicodependentes e vítimas do 'vício' continuava, em finais da década, exponencialmente elevado.

Foi então que o Governo de António Guterres decidiu levar a cabo uma medida inovadora, e pioneira em todo o Mundo: a descriminalização das drogas. Mediante lei entrada em vigor há quase exactos vinte e cinco anos (a 1 de Julho de 2001) os consumidores de drogas deixavam de enfrentar sanções de encarceramento, e passavam, em vez disso, a ser conduzidos a centros de tratamento e reabilitação, sendo agora os traficantes os únicos em risco de prisão. Imediatamente se levantaram vozes de discórdia, que postulavam (com algum fundamento) que esta medida faria disparar ainda mais os níveis de consumo, e tornaria Portugal num 'paraíso das drogas'; o efeito sentido foi, no entanto, precisamente o contrário, com o número de toxicodependentes e os tabus em torno das drogas a diminuírem, deixando, por exemplo, de se ver nas ruas das cidades nacionais tão grande número dos famosos 'arrumadores de carros', em busca de uns 'trocos' para alimentar a dependência.

Apenas esta medida não vinha, claro está, resolver por si só aquele que é um problema complexo e de dimensão global; no entanto, com a medida em causa, o Governo português vinha minorar substancialmente um problema que se agravava a cada dia, e que, apesar de muito longe de extinto, se encontra, pelo menos, mais controlado no Portugal dos dias que correm. Só por isso, já valeria a pena celebrar (embora, acidentalmente, com uma semana de atraso) mais esta efeméride marcante da política portuguesa dos anos da viragem de Milénio.

Tuesday, 7 July 2026

Terças Tecnológicas: Os Jogos de 'Toy Story' - Típicos, Mas Cuidados

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Na última Sessão de Sexta, falámos dos dois primeiros filmes da série 'Toy Story', que apresentou ao Mundo a companhia de animação Pixar, hoje uma das maiores do panorama cinematográfico infanto-juvenil; e porque nenhum filme infantil que se preze passa sem artigos de 'merchandising' a si alusivos (incluindo, claro está, videojogos oficiais) nada melhor do que nos debruçarmos agora sobre os títulos electrónicos interactivos relacionados a cada uma dessas duas longas-metragens.



Comecemos, pois, por analisar o jogo oficial do primeiro 'Toy Story', lançado no mercado europeu há quase exactos trinta anos – no Verão de 1996 – para as consolas líderes de mercado da altura: Mega Drive, Super Nintendo e Game Boy (tendo a versão para Windows ficado do outro lado do oceano). E apesar de desenvolvidas por companhias diferentes – Tiertex para o título portátil, Disney Interactive para o de Windows, e Traveller's Tales para os outros dois – todas as versões se inseriam, grosso-modo, nos mesmos moldes de jogo de plataformas bem típico da época, com o protagonista Woody a atravessar níveis horizontais, da esquerda para a direita, usando o seu cordão de fala para atordoar inimigos e ascender a áreas fora do alcance, e ocasionalmente conduzindo o carro telecomandado de Andy ou percorrendo a labiríntica máquina de garra para salvar os pequenos extra-terrestres nela residentes, a caminho do confronto final com um 'inimigo-chefe'. Nada que destacasse o jogo de dezenas de outros disponíveis para as consolas da altura – não fossem os gráficos com efeito 3D (apesar de bidimensionais) e a utilização de modelos e animações do próprio filme, que revestem o título da qualidade e riqueza de detalhes típica dos jogos da Disney da época.


O mesmo, aliás, se pode dizer de 'Toy Story 2 – Buzz Lightyear to the Rescue', um jogo de aventura e plataformas 3D em tudo típico do mercado da sua época (foi lançado na Europa no ano 2000) mas que cativa pela qualidade dos gráficos, animações e sonoplastia, que remetem ao ambiente da franquia cinematográfica. Lançado, mais uma vez, para as consolas 'topo de gama' da época (PlayStation, Nintendo64 e Dreamcast) bem como, por razões desconhecidas, para computadores Macintosh (apesar de a versão Windows ter, mais uma vez, ficado restrita ao mercado norte-americano) o jogo é, como o seu predecessor, emblemático de uma 'era de ouro' para os jogos de video da Disney, a qual lançava, nos anos finais do Segundo Milénjo e inícios do seguinte, uma série de jogos de aventura licenciados capazes de 'encher as medidas' aos jogadores mais novos. De referir que este título teve, também, a inevitável e obrigatória versão 'portátil', para Game Boy Color, a qual – sem qualquer surpresa – tomava a forma de um jogo de plataformas 3D típico do 'hardware' em causa.

Apesar de não 'rebentarem a escala' nem surpreenderem por aí além, portanto, os jogos alusivos aos dois primeiros filmes da saga 'Toy Story' afirmam-se, ainda assim, como excelentes exemplos do seu tipo de videojogo, merecendo um lugar tanto na memória nostálgica dos jovens da época (portugueses e não só) como nas páginas deste 'blog', poucos dias após termos feito menção aos filmes que os inspiraram, e numa altura em que se prevê a sua inclusão numa compilação a ser lançada para as consolas de nova geração – prova cabal do lugar que ambos conseguiram conquistar na cultura popular nos anos desde o seu lançamento.

Monday, 6 July 2026

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos de Uma Série 'Mágica'

 Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Os anos 90 ficaram marcados, entre outras tendências televisivas, pelo grande número de séries dirigidas a um público juvenil e adolescente, tanto no campo da comédia (com 'Já Tocou!' e 'ParkerLewis' à cabeça) como numa vertente mais séria, representada por 'Beverly Hills 90210', 'Melrose Place', 'Teen Angel', 'Adultos À Força' ou pela nacional 'Riscos'; e dado os fenómenos sobrenaturais – e respectivas 'personagens' – serem, também eles, um tema perpetuamente 'em voga' junto da demografia em causa, foi com naturalidade que os adolescentes 'X' e 'millennial' viram surgir, na segunda metade da década, vários programas que combinavam os dois aspectos. E se, neste campo em particular, a representação 'séria' ficava a cargo de 'Buffy, A Caçadora de Vampiros' e 'Charmed – As Feiticeiras', no tocante à vertente mais cómica, existia apenas um nome praticamente sinónimo com o estilo: 'Sabrina, a Bruxinha Adolescente'.

Criada e originalmente transmitida nos EUA em 1996, e baseada numa obscura personagem de banda desenhada da Archie Comics, a série em causa trazia Melissa Joan Hart no papel da titular Sabrina, uma adolescente que, ao completar dezasseis anos, descobre ser descendente de bruxas, e ter, ela própria, poderes sobrenaturais, que atrapalham as suas tentativas de viver a existência normal de uma adolescente norte-americana da época. Em conjunto com as tias, Hilda e Zelda, e com o gato Salem (na verdade um feiticeiro amaldiçoado, cujo pendor para o sarcasmo o torna o melhor personagem da série) cabe agora à jovem balancear estas duas facetas da sua vida, e as peripécias que as mesmas causam - uma premissa de 'peixe fora de água' praticamente perfeita, e interpretada na perfeição por Hart (uma jovem absolutamente normal em termos físicos, que permitia ao público-alvo rever-se e identificar-se com a personagem de Sabrina) e por um elenco secundário igualmente forte, que fizeram da série um sucesso imediato e lhe 'renderam' cinco temporadas, as últimas das quais já no Novo Milénio.

Curiosamente, seria apenas depois de terminada a transmissão de 'Sabrina' nos seus EUA natais que a série chegaria a Portugal, tendo a bruxinha loira 'pousado' pela primeira vez nos finais de tarde da RTP2 há pouco mais de vinte e cinco anos, no segundo dia do mês de Julho de 2001. E se, no seu país de origem, Hart tinha já o benefício de ser conhecida pelo seu projecto anterior, 'Clarissa Explains It All', para os jovens portugueses, era este o primeiro contacto com a actriz, a qual ficou, pois, para sempre associada na mente de toda uma geração ao papel de Sabrina.

E a verdade é que, tal como sucedera com os seus congéneres americanos anos antes, também os jovens portugueses 'simpatizaram' com a bruxinha adolescente, demonstrando níveis razoáveis de interesse durante a estadia da mesma no ar, e permitindo-lhe inscrever-se no lote de boas comédias exibidas pela RTP2 no mesmo período (embora a grande maioria das restantes tivesse um cariz mais adulto). Razão mais que suficiente para celebrarmos (ainda que com alguns dias de atraso) o quarto de século sobre o primeiro de muitos 'feitiços' que Sabrina lançaria sobre os jovens portugueses...

Férias

O Anos 90 vai de férias de Agosto. Vemo-nos em Setembro, com os mesmos conteúdos nostálgicos de sempre. Até lá!