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Thursday, 29 January 2026

Quintas no Quiosque: Preservar Uma 'Visão' de Futuro

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.


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Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.


Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.

Thursday, 8 January 2026

Terças Tecnológicas: Trinta e Seis Anos de 'Magos e Guerreiros' de 8-Bits

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Como cenário eternamente popular junto de uma certa demografia mais introvertida e sedentária, não é de admirar que os mundos de fantasia de atmosfera medieval, repletos de heróis de espada e armadura, princesas e magos perversos, tenham desde sempre tido uma presença exacerbada na cultura popular, servindo de base a materiais literários, filmográficos, musicais e, claro, interactivos. De facto, a 'segunda vaga' de videojogos, iniciada em meados dos anos 80 e que dominou a década seguinte, tinha neste tipo de universo um dos seus temas mais recorrentes, a ponto de os mesmos se terem tornado um dos mais imediatos e reconhecíveis estereótipos daquela era dos jogos de computador e consola.


Uma das muitas séries a tirar partido da atmosfera muitas vezes chamada 'sword and sandal' (algo como 'espada e sandálias') era uma trilogia lançada para a Nintendo original (com um quarto capítulo 'paralelo' a surgir no Game Boy) e cujo primeiro capítulo era lançado na Europa há quase exactos trinta e seis anos, a 07 de Fevereiro de 1990. Falamos de 'Wizards & Warriors', um jogo de plataformas bem típico da época, originalmente lançado nos mercados NTSC três anos antes e que, no período subsequente, perdera o seu principal motivo de interesse – os aspectos técnicos 'à frente do seu tempo' para 1987, mas que, em 1990, constituíam já a norma vigente. O que restava era um título absolutamente característico da era em causa, sem nada que o distinguisse por aí além nem que lhe desse 'vantagem competitiva' sobre concorrentes de peso como 'Castlevania', e que parecia destinado a passar despercebido.


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No entanto, o exterior algo mediano de 'Wizards & Warriors' escondia o envolvimento de dois futuros pesos-pesados da indústria: a Acclaim, que tinha no jogo o seu primeiro título como distribuidora, e a Rare, que tantas alegrias daria aos fãs das consolas da Nintendo nas décadas subsequentes. Dois nomes que, alguns anos depois, justificariam por si só a compra de qualquer título em que se envolvessem (especialmente juntas) e que tinham aqui um início algo 'humilde'.


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O mesmo, aliás, pode ser dito da própria série 'Wizards & Warriors', que veria serem lançados mais três títulos na meia década após a saída do original. O primeiro destes seria o 'originalmente' intitulado 'Ironsword: Wizards & Warriors II', surgido menos de um ano após o original, e que se inseria no tipo de sequela 'mais do mesmo', com o herói Kuros a ter agora de reunir os quatro elementos naturais para derrotar o inimigo Malkil. Assim, e face à jogabilidade e ambientes muito semelhantes aos do antecessor, o destaque deste segundo capítulo vai mesmo para a presença, na capa, do 'galã' Fabio, bem conhecido como modelo de capa em romances 'de cordel' e que, aqui, faz a sua melhor imitação de Conan, O Bárbaro, numa capa que horrorizou os próprios criadores do jogo - cujo herói é, aliás, um cavaleiro medieval de armadura completa, e não um bárbaro musculado de tronco nu.


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O mesmo tema seria, infelizmente, mantido na capa do 'capítulo paralelo' 'Wizards & Warriors X: The Fortress of Fear' (sendo o X, neste caso, uma letra, e não um numeral romano indicador de oito capítulos 'perdidos' da saga), lançado em Novembro de 1990 em exclusivo para o Game Boy original. Como seria de esperar, este semi-'spin-off' mais não é do que uma versão simplificada e monocromática dos jogos principais, constituindo, como estes, um exemplo em tudo típico do que era a biblioteca de jogos da portátil da Nintendo à época, e sobre o qual pouco mais há a dizer.


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Ainda assim, também este titulo faria sucesso suficiente para justificar um 'capítulo final' na saga, lançado novamente para Nintendo 8-bits em Janeiro de 1993 - praticamente três anos depois do surgimento do original no mercado europeu – e que apresenta, pela primeira vez, mudanças na jogabilidade, agora mais declaradamente focada na exploração não-linear, ao estilo de 'Metroid' ou do já mencionado 'Castlevania'. Esta alteração não seria, no entanto, bem recebida, já que era implementada em detrimento dos elementos de combate, tornando o jogo algo aborrecido para quem gostava do típico molde de atacar e matar inimigos sem maiores preocupações. E apesar de o fim deixar em aberto a possibilidade de novas aventuras para Kuros, o fim da Zippo Games (também conhecida como Rare Manchester, e que fecharia portas logo após a conclusão deste jogo) vinha mesmo pôr um ponto final na sua saga de jogos – o que talvez seja para melhor, já que este tipo de aventura teria os 'dias contados' um par de anos depois, quando o advento dos 32-bits viria revolucionar e alterar para sempre o mundo dos videojogos.


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Curiosamente, no entanto 'Wizards & Warriors III: Kuros' Visions of Power' não representaria o último uso da denominação num contexto interactivo, já que em finais de 2000 (mais de uma década após o lançamento da primeira aventura do cavaleiro Kuros) um RPG em primeira pessoa 'repescaria' o título, ainda que esse fosse o único elo de ligação entre o novo título e a saga original da Acclaim e Rare. Ainda assim, é a esta que o nome fica indelevelmente ligado, apesar da pouca repercussão da mesma na cultura popular actual, exactos trinta anos após o seu início – um paradigma que, espera-se, este 'post' terá ajudado, pelo menos em parte, a rectificar...

Saturday, 25 October 2025

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: A Loja de Roupa 'Número Um' em Portugal

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 24 de Outubro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente falámos da 'fast fashion', a tendência para comercializar artigos de vestuário baratos e descartáveis que 'invadiu' Portugal algures nos anos 90, para não mais o abandonar. E apesar de as principais proponentes deste tipo de comércio no nosso País serem estrangeiras – tendo à cabeça as lojas do famoso grupo espanhol Inditex – houve também, ao longo dos anos, tentativas bem-sucedidas de criar cadeias de 'fast fashion' dentro de portas. Uma das mais famosas, e ainda hoje presente um pouco por todo o território, teve a sua génese em 1993, quando um grupo de importadores do ramo do vestuário decidiu criar a sua própria cadeia de lojas para comercializar os artigos importados, ao invés de os vender a outras companhias.


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Nascia assim a Shop One (ou, como é normalmente estilizada, Shop1One), inicialmente apenas um pequeno e discreto estabelecimento na Rua Morais Soares, ao Chile, em Lisboa, mas cujo sucesso rapidamente obrigou a uma mudança de instalações – no caso para um espaço diametralmente oposto, com três pisos, e situado na Praça do Rossio, em plena zona nobre de Lisboa. Esta loja, que ainda hoje se encontra em actividade precisamente no mesmo local, vir-se-ia a tornar a mais conhecida de entre as 'sucursais' da marca, afirmando-se até aos dias que correm como estandarte da mesma.


A Shop One não se ficaria, no entanto, pela influência regional, procurando, de forma natural, expandir a sua base de operações para fora da capital. Também naturalmente, foi a 'segunda capital' portuguesa, o Porto, a localidade escolhida para acolher a primeira loja deste processo de expansão, a qual abria em 1998. Seguir-se-iam, já no Novo Milénio, uma loja na terceira maior cidade do País, Braga, um 'outlet' na zona dos Anjos, em Lisboa (denominado Klear) e, ao longo dos mais de vinte anos seguintes, quase mais três dezenas de lojas, com uma média de mais de um novo estabelecimento por ano que faz da Shop One um dos melhores exemplos de sucesso para uma empresa de vestuário nacional – sobretudo por a marca não contar com o renome ou popularidade de concorrentes como a Mango, a Primark ou as referidas lojas do Grupo Inditex – e. por isso, bem merecedora desta presença nas nossas páginas.

Saturday, 14 September 2024

Sessão de Sexta: A 'Infernal' Morte de Jason Voorhees

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 13 de Setembro de 2024.


NOTA: Por motivos de relevância, esta será novamente uma Sessão de Sexta. As Sextas com Style voltarão na próxima semana.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Um dos muitos elementos definidores da década de 80 no tocante ao cinema foram as séries de filmes de terror que, após um primeiro capítulo bem conseguido e muitas vezes inovador, entraram numa espiral descendente de infinitas sequelas, cada uma pior do que a outra, até darem um 'último suspiro' inglório, ignorados ou ridicularizados pelos mesmos fãs que tão entusiasticamente haviam acolhido o primeiro capítulo. Os exemplos deste paradigma são inúmeros, mas qualquer fã de terror da época imediatamente identificará três franquias que perfeitamente o exemplificam: 'Halloween', 'Pesadelo em Elm Street' e 'Sexta-Feira, 13'. Normalmente agrupadas numa só categoria, pelas suas semelhanças, todas as três séries possuem vilões do mais icónico que o género do terror 'slasher' ofereceu ao cinema, e todas seguiram o padrão descrito no início deste texto, vindo a ter fim já em meados dos anos 90, com filmes variavelmente péssimos, antes de serem 'revitalizadas' com 'reinícios', já no Novo Milénio. E porque esta Sexta-feira calhou, precisamente, num dia 13, nada melhor do que relembrar o único filme de Jason Voorhees produzido nos anos 90.


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Infelizmente, essa memória será, mais do que provavelmente, negativa, já que 'Jason Goes To Hell: The Final Friday' (que não parece ter sido lançado em Portugal, nem mesmo no habitual formato VHS) é universalmente considerado fraquíssimo, ainda pior do que as continuações de 'Halloween' e 'Pesadelo em Elm Street' e ao nível das últimas de 'Hellraiser' – ou seja, recomendado apenas a quem gosta da vertente mais 'noventista' dos filmes de série B de orçamento baixíssimo e feitos às 'três pancadas' para tentar fazer algum dinheiro com o nome a eles associado. Porque é isso, nem mais nem menos, que esta 'Sexta-feira Final' apresenta, com a absurda história sobre Jason Voorhees a possuir o corpo do médico legista que come o seu coração (!!!) a tirar desde logo de cena o icónico vilão (cujo corpo é destruído logo no início do filme) removendo assim o único ponto de interesse para os fãs da série! O que sobra é um 'slasher' vulgar, com enredo absurdo e realização técnica abaixo da média, que nem tão-pouco cumpre a promessa, feita pelo título, de mostrar Jason no Inferno a combater demónios, e que mais parece feito para o mercado do vídeo do que para exibição nas salas de cinema. De facto, sem a lucrativa e chamativa ligação à franquia 'Sexta-Feira 13', o filme de Adam Marcus certamente passaria despercebido – embora tal situação fosse, talvez, mais desejável do que a 'barragem' de críticas negativas (bem merecidas) de que o filme foi, e continua a ser, alvo.


Em suma, a nona (!) parte de 'Sexta-feira 13' constitui um final ainda mais inglório para Jason Voorhees do que os vividos por Freddy Krueger e Michael Myers nas suas franquias; felizmente, todos os três carismáticos assassinos veriam a sua credibilidade reinstaurada com uma série de bons filmes no século XXI – entre eles aquele em que Krueger e Voorhees se enfrentam directamente, num duelo que entusiasmou muitos fãs do género em inícios do século XXI. Quanto ao filme de 1993, o esquecimento é mesmo o destino que mais merece, e ao qual foi votado pelos fãs da franquia 'Sexta-feira 13', e do seu personagem principal.


Saturday, 8 June 2024

Saídas ao Sábado: A 'Companhia das Sandes' - O 'Outro' Grande Nome do 'Fast Food' 'Made In Portugal'

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Em 'posts' anteriores neste nosso blog, falámos tanto dos primeiros restaurantes de fast-food a abrir em Portugal como de uma das principais alternativas nacionais nesse ramo, a Telepizza; nada melhor, portanto, do que celebrar agora a outra grande companhia de comida 'para a viagem' cem por cento portuguesa, que marcou a infância e juventude dos 'millennials' portugueses tanto ou mais do que a sobredita loja de 'pizzas', e que celebrou no ano transacto trinta anos sobre o seu aparecimento.


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Uma loja ainda com o nome e 'visual' clássicos da cadeia.


Falamos, claro, da Companhia das Sandes, a 'fiel companheira' de qualquer jovem dos anos 90 ou 2000 necessitado de almoçar e parco de 'economias', que oferecia, além de alternativas mais saudáveis ao 'fast-food' tradicional, também um ambiente mais intimista do que a típica loja 'franchisada', que convidava a sentar e dar 'dois dedos de conversa' enquanto se saboreava a baguete semi-artesanal preferida. Surgida pela primeira vez em 1993, a cadeia – cuja especialidade ficava explicitada no próprio nome – gozou de sucesso quase imediato entre os jovens lusos das gerações 'X' e 'millennial', não tardando a expandir o seu raio de acção e a surgir na maioria das principais zonas comerciais frequentadas pela demografia em causa, bem como em áreas de grande concentração de escritórios ou serviços, de onde originava o outro grande tipo de clientela da Companhia. O sucesso foi tal, aliás, que permitiu inclusivamente a abertura, quatro anos depois, de uma cadeia-irmã de foco (ainda) mais saudável, denominada Loja das Sopas, de especialidade igualmente óbvia.


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Uma loja da cadeia-irmã da Companhia, ainda hoje em operação.


Tal como sucedeu com outras cadeias mais pequenas, no entanto, a Companhia das Sandes não foi capaz de resistir a longo prazo ao 'ataque' das grandes rivais internacionais, e o surgimento de cada vez mais lojas de conceito e proposta semelhantes deram a 'estocada' final no 'reinado' da marca nas zonas comerciais nacionais. Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, tal mudança de paradigma não levou à extinção total da cadeia, a qual, após um exercício de 'rebranding' que lhe tirou as Sandes do nome, 'renasceu' das cinzas com um menu mais abrangente, que ia além das tradicionais baguetes, e conseguiu encontrar o seu nicho no cada vez mais competitivo mercado da comida 'para levar'.


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Uma Companhia actual, já sem as Sandes no nome.


Hoje em dia, a agora apenas Companhia conta com mais de três dezenas de lojas, e encontra-se incorporada no grupo Starfoods, que opera também, além das duas companhias originais, cadeias especializadas em peixe e em comida italiana, afirmando-se como um dos principais grupos de restauração nacionais; uma história de sucesso bem merecida para uma marca que, nos seus primórdios, ajudou a alimentar de forma relativamente saudável e em conta inúmeros jovens em passeio pelo 'shopping' ou em intervalo de almoço da escola.

Wednesday, 13 March 2024

Terças de TV: 'A Noite da Má Língua' - Um 'Protótipo' À Frente do Seu Tempo

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 12 de Março de 2023.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A produção televisiva portuguesa pautou-se, durante os anos 90, pelo seu carácter experimental – não no sentido artístico ou 'avant-garde', mas simplesmente da perspectiva de tentativa e erro levada a cabo com vários tipos de programação, e que acabaria por revelar alguns formatos de sucesso imediato e ainda hoje vigentes, como 'talk shows' e 'reality shows'. Era, precisamente, esse o tipo de mentalidade por detrás do programa criado e lançado pela SIC há cerca de trinta anos, e que acabaria por se manter três anos no ar, bem como por encetar um inesperado regresso quase três décadas depois.


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Falamos de 'A Noite da Má Língua', o programa de literal crítica social exibido em directo às quintas-feiras, conduzido por Júlia Pinheiro (à época a porta-estandarte da apresentadora televisiva 'desbocada', a par de Teresa Guilherme) e que contava com um painel rotativo por onde passaram nomes como Miguel Esteves Cardoso, Helena Sanches Osório, Constança Cunha e Sá, Rita Blanco, Manuel Serrão ou Rui Zink que, todas as semanas, atribuíam o 'Prémio da Má Língua' a uma personalidade diferente - o que ocasionou mesmo um momento insólito, quando o cantor José Cid surgiu no programa para receber o seu prémio e quase causou uma altercação com os apresentadores. Um formato que, sem dúvida, será familiar a quem hoje assiste a programas como 'Irritações' ou '5 Para a Meia-Noite', mas que, à época, era relativamente inovador no contexto da televisão portuguesa, tendo mesmo ganho notoriedade suficiente para suscitar mesmo uma sátira por parte de Herman José (ele próprio, a dado ponto, convidado do programa) no seu 'Herman Zap', um dos muitos projectos em que o humorista embarcou nos anos pré-'Enciclopédia'.



Ao contrário de muitos outros programas abordados nestas páginas, 'A Noite da Má Língua' faz parte do 'radar' cultural da Geração Z, embora não no seu formato original. Isto porque, desde 2021, o referido programa vem sendo transmitido em formato de 'podcast', com os mesmos apresentadores da sua última encarnação televisiva – – Júlia, Rita Blanco, Manuel Serrão e Rui Zink. Um caso raro de 'regresso' que se soube adequar ao panorama actual e, como consequência, recuperar a relevância de que gozava aquando da exibição original, e captar o interesse de toda uma nova geração – a marca de um programa verdadeiramente 'à frente' do seu tempo...

Segundas de Sucessos: Hot Stuff - Quentes, Mas Não ao Rubro

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 11 de Março de 2024.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Em inícios dos anos 90, o movimento 'metálico' que timidamente despontara em Portugal em finais da década anterior começava, finalmente, a conseguir ultrapassar a 'décalage' cultural que afectou o nosso País até ao último par de anos do século XX, potenciando não só a formação de mais grupos, mas também o surgimento de 'versões nacionais' do que ia fazendo sucesso 'lá por fora' – em particular, do 'hard rock' melódico que fizera as delícias de toda uma geração de jovens americanos na década anterior, sob as denominações 'hard FM', 'hard rock melódico' ou, mais comummente, 'glam metal' ou 'hair metal'. Não tardou, pois, para que se começassem a destacar na cena nacional alguns grupos deste estilo, com dois em particular a conseguirem algum sucesso naquele início de década: os Joker, a quem já aqui dedicámos algumas linhas, e a banda que focamos no post de hoje, os Hot Stuff.


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A formação que gravou o primeiro álbum.


Formados no início da década por um grupo de brasileiros radicados na zona de Lisboa, o grupo tinha como principal ponto de destaque a presença do baterista Rodrigo Leal, filho de Roberto Leal – esse mesmo, o 'crooner' romântico-pimba que, à época, marcava presença assídua nos rádios e leitores de 'cassettes' de muitas donas de casa portuguesas. Ao lado de Rodrigo na empreitada estavam, inicialmente, o vocalista Marcelo Lários, o exoticamente denominado Solly Hazan na guitarra, e o baixista português Mário Peniche, mais tarde substituído por Márcio Zaganin, naquela que se tornava assim uma formação cem por cento brasileira. Foi este o alinhamento responsável pelo primeiro disco, 'Kind of Crime', lançado em 1993, mas que o ouvinte mais incauto poderia acreditar ser oriundo dos Estados Unidos e editado três a cinco anos antes.



Isto porque o grupo investia numa sonoridade tipicamente 'glam metal', na vertente mais melódica e 'melosa' (ao estilo Bon Jovi) ao qual acrescentavam um 'funk-rock' a fazer lembrar Extreme, numa mistura que estava ainda a alguns meses de decair totalmente de popularidade. Prova disso é que o grupo conseguiu não só assinar contrato com a ubíqua Vidisco, talvez a maior editora de música popular em Portugal durante esse período, mas também rodar não um, mas dois vídeos no 'Top +' (o tema homónimo da banda e ainda a versão 'rockalhada' para 'Informer', único hit do 'Vanilla Ice canadiano' Snow), um marco com que muitas bandas nacionais da altura apenas sonhavam.




Os dois 'clips' da banda em destaque no 'Top +'


Encorajados por esse bom começo, o grupo partia para a gravação do sempre difícil segundo disco logo no ano seguinte, agora com Mauro Coelho a cargo das vozes, mas com o quarteto 'musical' e cerne da banda ainda intacto. E dado o ano de lançamento, e o 'estado' da cena hard rock melódica nesse período, não é de surpreender que 'Things Like That' traga ainda mais acentuado o lado funk-rock do grupo, que deixava de lado as 'poses' à Bon Jovi para investir descaradamente na sonoridade que, à época, ia ainda garantindo algum sucesso a grupos como Extreme ou Aerosmith, estes últimos em plena 'segunda vida' após o sucesso de 'Pump' alguns anos antes.



Os resultados, esses, foram bem menos encorajadores que os do álbum de estreia, o que também não é de todo surpreendente, se considerarmos que o álbum em causa foi lançado já depois da ascensão e ocaso de Kurt Cobain e da restante cena 'grunge', normalmente tida como responsável pela 'morte' comercial deste tipo de rock e ascensão do rock alternativo que dominaria os 'tops' na segunda metade da década. Para os Hot Stuff, era sem dúvida o fim da linha, tendo-se o grupo dissolvido poucos meses após o lançamento do segundo registo.


Mas porque, no Mundo do rock, nada é definitivo, eis que os Hot Stuff surgiam de novo na cena 'rock' nacional em finais dos anos 2010, agora bastante menos 'estilosos' e mais grisalhos, para uma série de concertos em eventos como o Cascais RockFest e a tradicional Concentração Motard de Faro. Já no início da presente década, por alturas da comemoração do quarto de século de actividade da banda, eram lançados um registo ao vivo e uma compilação 'Best Of', que reunía dezassete temas retirados dos dois LP's do grupo, ajudando assim a apresentá-los a um público demasiado novo para ter presenciado ou tido interesse activo no grupo durante o seu breve tempo em actividade.



Actualmente, no entanto, os Hot Stuff parecem ter voltado para o 'buraco' de onde haviam saído há dez anos atrás, sendo o últimos registo de actividade do grupo, precisamente, o concerto no Cascais RockFest a 24 de Janeiro de 2020, quase exactamente dois meses antes de ser declarada a pandemia de COVID-19. Antes de ditar a 'sentença de morte' do colectivo luso-brasileiro, no entanto, há que recordar a década e meia decorrida entre a sua formação e o seu regresso; por outras palavras, quem sabe, talvez, num ano em que se assinalam três décadas sobre o lançamento de 'Things Like That' e subsequente extinção do grupo, e quando o 'rock' melódico de cariz nostálgico ganha novamente força comercial, surja, sem se 'dar por ela', um novo registo de Hot Stuff nos escaparates nacionais, pronto a conquistar toda uma nova geração de 'rockers' com gosto por sons de décadas passadas, e a fazer voltar 'material quente' aos 'tops' musicais nacionais...


Tuesday, 13 February 2024

Terças de TV: 'Ideias com História' (1993) - A História em 'Primeira Pessoa'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A ideia de aprender factos, seja sobre que assunto for, raramente é apelativa para a comum das crianças, viva ela em que era viver. Isso não impede, no entanto, que a faixa adulta da sociedade procure, ainda assim, transmitir conhecimentos relativos às mais variadas áreas, seja por meios tradicionais, seja de forma menos ortodoxa – sendo que, nesta última vertente, um dos métodos mais eficazes de captar o interesse dos mais jovens é através do chamado 'edutenimento', uma categoria de programa que incorpora o aspecto didáctico numa apresentação mais puramente lúdica, com o fito de fazer o público-alvo aprender sem 'dar por isso'. São vários os exemplos mais ou menos bem-sucedidos deste tipo de programa ao longo da História, sendo que Portugal não é excepção nesse particular, bastando recordar as históricas 'Rua Sésamo' e 'Arca de Noé', ou o posterior 'Jardim da Celeste', para perceber que havia, em Portugal, engenho e arte suficientes para criar 'edutenimento' de tanta ou mais qualidade do que o que se vinha fazendo no estrangeiro.


A esta ilustre lista há, ainda, que juntar um programa transmitido pelo segundo canal da emissora estatal há cerca de trinta anos, e que, apesar de não ser explicitamente dirigido a um público jovem, terá sem dúvida contribuído para lhe dar a conhecer uma série de figuras históricas, tanto portuguesas como internacionais, de forma divertida e cativante, e pela 'mão' daquela que era, à época, uma das figuras mais afáveis e simpáticas da programação nacional: o 'Senhor Televisão' em pessoa, Carlos Cruz, ainda a alguns anos de quase ver a sua reputação destruída no processo Casa Pia.



Falamos de 'Ideias com História', o programa da RTP2 cujo conceito e apresentação se assemelhavam ao de qualquer outro espaço de entrevistas da época, com a particularidade de, neste caso, os convidados serem figuras dos mais variados períodos da História, interpretados com requinte por uma série de nomes consagrados da televisão e teatro portugueses. De personagens-chave da História de Portugal, como o Padre António Vieira, Fernão Mendes Pinto ou Bocage, a 'gigantes' internacionais como Átila, o Huno, o Imperador romano Nero, Napoleão ou a Rainha Vitória, muitos e variados foram os nomes a passar pela 'cadeira' de Carlos Cruz ao longo do tempo de vida do programa, todos dispostos a revelar (mais ou menos) factos sobre a sua vida ao simpático apresentador.


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Carlos Cruz ao comando de uma emissão do programa.


Um conceito original, bem concretizado por uma equipa e elenco talentosos, e capaz, por isso, de captar o interesse das mais variadas demografias, e de, com sorte, conseguir transmitir informações sobre as figuras em causa que perdurassem para além dos cinquenta minutos de um episódio. Razões mais que suficientes para, apesar do relativo esquecimento a que foi votado pelos Internautas nostálgicos portugueses, recordarmos aqui (ainda que brevemente) esta emissão veiculada pela 'Dois' há coisa de trinta anos, e da qual resta ainda um episódio no YouTube, com o 'convidado dos convidados', que pode ser visto (ou revisto) abaixo.


Wednesday, 3 January 2024

Quartas aos Quadradinhos: 'Indiana Jones - Crónicas da Juventude' (1993) - Da Televisão Para a Página

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
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As adaptações de filmes e séries populares em banda desenhada foi um dos principais filões da banda desenhada de finais do século XX, com muitas criações audio-visuais da época a terem direito ao seu próprio álbum oficial em 'quadradinhos' - ou até mesmo a uma série completa, como no caso da colecção que abordamos nesta primeira Quarta aos Quadradinhos de 2024.


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Os primeiros dois números da série (crédito da foto: CustoJusto.pt)


Lançada em Portugal há pouco mais de trinta anos (em 1993, menos de um ano após a edição original norte-americana) pela TeleBD - 'braço' da TV Guia dedicado aos quadradinhos que também lançaria adaptações em BD das 'Tartarugas Ninja' e do 'Capitão Planeta', no mesmo período - 'Indiana Jones - Crónicas da Juventude' propunha-se servir de complemento ao programa televisivo do mesmo nome, à época em exibição no nosso país, e que viria também a justificar o lançamento de uma série de livros, por parte da Europa-América. Nos três casos, a premissa era a mesma: relatar algumas das aventuras e peripécias do arqueólogo aventureiro Henry Jones Jr. durante os seus anos de infância e adolescência, ao lado do pai, Henry Sr. (famosamente interpretado por Sean Connery em 'Indiana Jones e a Última Cruzada', segundo capítulo da trilogia cinematográfica original, também ele adaptado em BD, lançada em Portugal pela Meribérica) e de alguns outros personagens criados especificamente para a série.
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A banda desenhada não foge a este padrão, sendo que os sete volumes lançados em Portugal pela Tele BD (doze no original americano) incluem várias novas-velhas aventuras protagonizadas pelo jovem Henry e pelos seus amigos na década de 1910, nas mais diversas partes do Mundo, do Egipto ao México, África ou aos campos de batalha da I Guerra Mundial. Em todas estas localidades, 'Indy' e os seus companheiros terão de se haver com malfeitores e resolver mistérios arqueológicos antigos, bem ao estilo do que o arqueólogo de chicote e chapéu viria a fazer nos seus anos de 'crescido'. Apesar de díspares, no entanto, estas aventuras possuíam, ainda assim, um elo de ligação: o argumentista Dan Barry, que trabalharia com uma série de diferentes equipas artísticas ao longo da curta duração do título (precisamente um ano na edição original norte-americana, e apenas sete meses no caso da portuguesa). A permanência do argumentista ao longo de toda a série ajudaria a manter uma certa coesão entre os diferentes números, que compensava os estilos de desenho e arte-final algo díspares, e dava à série uma atmosfera muito própria.


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Exemplo da arte e argumento da série (crédito da imagem: CustoJusto.pt)


Ao contrário de muitos outros títulos que aqui abordamos, a razão para o fim de 'Indiana Jones - Crónicas da Juventude' (tanto em Portugal como nos EUA) é bastante óbvia, tendo o fim da série televisiva - e, subsequentemente, do interesse na mesma - assinado a 'sentença de morte' para produtos periféricos e derivados, como o é esta colecção da Dark Horse. Ainda assim, para um produto puramente motivado pelo lucro, a série em causa até consegue manter um padrão de qualidade elevado, ao nível das restantes obras da editora original, que faz com que valha bem a pena uma 'revisita' por parte dos fãs do arqueólogo e aventureiro criado por Steven Spielberg - isto, claro está, se conseguirem encontrar as edições em causa...

Tuesday, 5 December 2023

Terças de TV: 'Minas e Armadilhas' (1993) - A Versão 'Melhorada' dos 'Apanhados'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Numa edição passada desta rubrica, abordámos o programa 'Apanhados', elaborado por Joaquim Letria e transmitido pela RTP em inícios dos anos 90, concretamente até 1993. Nesse post, mencionámos que o mesmo havia constituído a última tentativa de criar uma emissão deste tipo em Portugal – uma afirmação errónea, dado ter havido pelo menos mais um programa inteiramente criado em território nacional a explorar este conceito. É dessa emissão, criada no mesmo ano em que 'Apanhados' saiu do ar (há exactas três décadas) que falaremos esta Terça-feira.


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(Crédito da foto: Enciclopédia de Cromos)


Elaborado e produzido por Manolo Bello, o 'parceiro invisível' de Joaquim Letria em 'Apanhados', e transmitido na então ainda única 'rival' privada da RTP, a SIC, 'Minas e Armadilhas' afirmava-se quase que como uma tentativa de expandir o conceito desse programa, aproximando-o mais do formato de programa de variedades clássico. De facto, embora as tradicionais 'partidas' a transeuntes insuspeitos continuassem a representar o 'cerne do programa apresentado por Júlio César, havia também espaço, ao longo dos seus cinquenta minutos de duração, para números musicais (normalmente a cargo de conjuntos de cariz tradicional, como tunas académicas e ranchos folclóricos) mini-concursos de memória com prémios em dinheiro, e, claro, bem-humoradas interacções entre o anfitrião fixo e os convidados de cada semana, os quais iam de 'drag queens' como Belle Dominique a desportistas profissionais, como a patinadora Andreia Teixeira, e até a apresentadora de programas eróticos (e antiga Miss França!) Marléne Morreau, numa mostra de ecletismo que apenas adicionava ao cariz algo anárquico e contra-cultura do programa.


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O apresentador Júlio César com uma das anfitriãs convidadas. (Crédito da foto: Enciclopédia de Cromos)


Estas pequenas mas significativas 'expansões' ao clássico formato de 'Apanhados' resultaram, aliás, em cheio, tendo 'Minas e Armadilhas' sido um dos baluartes da programação da SIC ao longo dos três anos seguintes, vindo a sair do ar apenas em 1996, quando a índole das grelhas televisivas nacionais se começava a alterar, e programas do seu tipo a perder espaço; ainda assim, há que dar ao programa as suas 'flores', e que lhe outorgar o seu estatuto como a verdadeira última tentativa de fazer um programa de 'apanhados' em Portugal – bem como, de longe, a mais bem-sucedida. Quem quiser saber porquê, basta reservar a próxima hora e ver o episódio completo que deixamos abaixo...


Wednesday, 8 November 2023

Quartas aos Quadradinhos: A BD do 'Capitão Planeta' - Uma 'Pérola' Esquecida da BD Comercial

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Em 'posts' passados deste nosso blog, falámos já de adaptações em BD de filmes ou séries animadas, da revista TV Guia, e da colecção Tele BD, que se dedicava às primeiras e era editada pela segunda; ainda mais recentemente, falámos da série 'Capitão Planeta', parte indelével da cultura popular da geração 'millennial', em Portugal e não só. Agora, chega a hora de corrigir uma desatenção de há duas semanas, e dedicar algumas linhas a uma publicação que consegue a 'proeza' de reunir os três elementos supramencionados num só álbum de seis histórias. Falamos da adaptação em BD das aventuras do super-herói ecologista, editada algures há trinta anos pela TV Guia Editora como parte da série Tele BD, até então mais conhecida por publicar as BDs das Tartarugas Ninja, e que, ao contrário das mesmas, se encontra hoje algo Esquecida Pela Net.


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De facto, este é daqueles álbuns sobre os quais se encontra pouquíssima informação, e muita dela contraditória ou incompleta; a própria data de edição é incerta, e os artistas responsáveis pelas histórias contidas no volume são completamente diferentes segundo a fonte que se consulte – presume-se que por cada uma das seis ter equipas criativas diferentes. Os nomes que se conhecem, graças a listagens diversas do volume através da Web, são perfeitamente desconhecidos: uma fonte fala nuns tais de Barry Dutter e Jim Salicrup, enquanto outra menciona Pat Broderick e José Delbo, todos (presumivelmente) artistas 'a soldo' cuja ética e orgulho não estavam, ainda, acima da criação deste tipo de material puramente comercial e sem grande margem criativa.


Isto porque, previsivelmente, as histórias deste volume pouco diferem das aventuras televisivas do Capitão e da sua equipa de ajudantes adolescentes, os Planetários, destinando-se o mesmo, puramente, a servir como complemento ao produto principal, e a tentar extrair mais uns 'cobres' de uma franquia que os próprios criadores sabiam ter um tempo de vida limitado; nesse aspecto, 'Capitão Planeta e os Planetários' (o livro) cumpre bem a sua missão, mostrando, inclusivamente, algum cuidado nos traços, que fazem lembrar as produções da DC Comics da altura.


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Exemplo da arte do volume (Fonte: Tradestories.pt)


No seu âmago, no entanto, este é um livro sem qualquer hipótese (ou intenção) de perdurar no famosamente curto espectro de atenção do seu público-alvo, o que pode explicar a razão pela qual se encontra, hoje, maioritariamente reduzido a uma capa em bases de dados de BD, ao invés de ser lembrado como outras grandes produções da época; quando até mesmo um fanático de 'quadradinhos' (e, enquanto espectador do programa, parte da demografia-alvo) como o autor deste blog nunca ouviu falar do livro em causa, está tudo dito sobre o seu impacto cultural na juventude portuguesa da época... Ainda assim, vale recordar mais esta 'pérola' da BD comercial, que só poderia mesmo ter saído durante a década de 90, no auge da era de ouro dos desenhos animados e da sensibilização para a ecologia, e antes de a Devir ter 'habituado mal' os jovens portugueses no tocante a banda desenhada de qualidade...

Tuesday, 31 October 2023

Terças de TV: 'Casos de Polícia' - Informação e Sensacionalismo Num Só Programa

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


O sensacionalismo vende. Esta é uma máxima pela qual qualquer profissional de marketing, publicidade ou entretenimento se rege, e que foi adoptada e 'tomada a peito' por ambas as televisões privadas portuguesas a dado ponto da década de 90; e se, no caso da TVI, essa abordagem só se viria a verificar já nos últimos anos do século XX, a pioneira SIC 'abraçou-a' logo à partida, e fez dela um dos seus principais factores distintivos em relação à mais sóbria RTP. De facto, as primeiras grelhas do canal de Carnaxide continham, desde logo, uma série de programas destinados a apelar ao português médio – não o citadino, mas sim o habitante de meios mais suburbanos ou rurais, que fazia da televisão o seu principal veículo de escapismo, ao mesmo tempo que nela procurava conteúdos que fossem de encontro aos seus interesse; a SIC soube colocar-se precisamente nessa intersecção, e programas como o Buereré e Big Show SIC destacavam-se pela estética e ritmo deliberadamente exagerados, e raramente vistos em programas da RTP.


Paralelamente a este tipo de conteúdos, no entanto, havia uma série de outros que, apesar de aparentemente mais sérios, acabavam também por apelar aos instintos mais básicos do ser humano, nomeadamente a necessidade de experienciar a miséria alheia, um dos principais catalistas de programas como 'Ponto de Encontro', 'O Juiz Decide', ou a emissão de que falamos neste post, e sobre cuja estreia se celebraram este mês exactos trinta anos.


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Tratava-se de 'Casos de Polícia', um suposto magazine noticioso cuja ênfase, como o próprio nome indicava, estava no elemento criminal, nomeadamente o residente em zonas periféricas ou de habitação social. E se o objectivo declarado do programa era dar a conhecer casos de interesse humano e diferentes realidades sociais existentes no País, a verdade é que tudo acabava por descambar para uma espécie de versão portuguesa do programa americano 'Cops', em que o grande interesse estava mesmo no 'sururu' e nas confrontações entre agentes da autoridade e meliantes – ou, à falta dos mesmos, na vida trágica e carenciada dos focados. O elemento informativo era, no entanto, recuperado pelos comentários do bem conhecido Francisco Moita Flores, que, em parceria com João Nabais, oferecia a típica visão mais avisada sobre cada um dos casos apresentados.


O resultado era um híbrido de Telejornal e programa sensacionalista (um pouco á semelhança do actual 'Rua Segura', da TVI) que, apesar de não ser especificamente dirigido a jovens, acabava por fazer parte daquele lote de programas que os mesmos consumiam através dos adultos do seu agregado familiar, acabando por formar parte da sua memória nostálgica. E ainda que esta emissão não tenha tido o mesmo impacto sobre a geração 'millennial' de alguns dos outros acima mencionados, vale ainda assim bem a pena recordá-la neste último dia do mês em que celebra o seu trigésimo aniversário.




Excerto e 'spot' publicitário do programa.

Tuesday, 17 October 2023

Terças de TV: 'Gladiadores Americanos' - Uns 'Jogos Sem Fronteiras' Com Estética WWF

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


As décadas de 80 e 90 foram palco de um estranho sub-género de concurso televisivo, em que as provas eram mais focadas na habilidade física do que intelectual, consistindo muitas vezes de corridas de obstáculos ou confrontos de cariz quasi-desportivo, cujo mais famoso exemplo são os icónicos 'Jogos Sem Fronteiras'. Já aqui falámos, numa ocasião anterior, de um desses programas, o mítico 'Jogo do Ganso', produzido em Espanha e transmitido pela TVI, e, em tempo, aqui falaremos dos referidos 'Jogos' e da variante japonesa, 'Takeshi's Castle', conhecido em Portugal pelo insólito título de 'Nunca Digas Banzai'; esta semana, no entanto, a nossa atenção recairá sobre a versão americana deste tipo de programa, que cativou a atenção dos jovens portugueses aquando da sua transmissão na SIC, há exactos trinta anos.


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No ar nos seus EUA natais desde finais da década anterior, 'Gladiadores Americanos' tinha, já, o seu formato (um cruzamento entre o conceito dos supramencionados 'Jogos Sem Fronteiras' e a estética da luta-livre americana) mais do que bem definido quando, em 1993, atravessou o Atlântico para apresentar aos jovens lusitanos os 'guerreiros' titulares – todos musculados, com fatos de 'lycra' justos e nomes como Blade e Hawk, bem ao estilo do que faziam a WWF e WCW – e as mirabolantes provas a que os mesmos submetiam os concorrentes, algumas das quais (como a da 'justa' sobre plataformas oscilantes) chegaram a entrar no imaginário da cultura pop norte-americana.


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A prova mais célebre do programa


E apesar de o programa não ter tido, em Portugal, o mesmo sucesso de que gozava no seu país natal (onde teve direito a seis temporadas, além de um breve retorno em 2008) o mesmo não deixou, ainda assim, de marcar época na TV portuguesa, muito graças ao comentário do icónico, António Macedo – o qual, como Tarzan Taborda no programa da WWF  transmitido pela RTP na mesma época, ajudava a dar um colorido especial à emissão, com o seu entusiasmo e expressões características.


Mesmo sem este 'bónus' acrescido da locução de Macedo, no entanto, 'Gladiadores Americanos' era tudo o que um jovem da altura poderia querer de um programa deste tipo, com provas frenéticas e fisicamente intensas, e personagens que simbolizavam o ideal de perfeição da época, e que ajudavam a disfarçar o facto de o próprio conceito do programa ser injusto; afinal, toda a competição se centrava em torno de disputas físicas entre jovens perfeitamente normais e atletas profissionais com físicos 'de ginásio', e a quem havia sido dito que não refreassem os seus esforços! Ainda assim, acabava sempre por haver quem se conseguisse superiorizar aos 'empregados' do programa, e almejar a tão cobiçada vitória final, num daqueles desfechos de 'David Contra Golias' que nunca deixam de ser satisfatórios.


Apesar desta junção de factores bem apelativos, no entanto, 'Gladiadores Americanos' nunca foi tão bem-sucedido que justificasse a produção de uma versão portuguesa, como havia já acontecido em outros países; no entanto, quem chegou a acompanhar aquela transmissão dobrada e adaptada dos primórdios da SIC certamente guardará, ainda hoje, a memória daqueles homens e mulheres musculosos a lutar com paus de borracha sobre uma plataforma oscilante, ao som da voz característica de Jorge Perestrelo...



Publicidade ao programa exibida na SIC à época da transmissão do mesmo.


 

Monday, 18 September 2023

Segundas de Sucesso: Trinta Anos do Concerto de Bon Jovi em Alvalade (11/09/93)

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Hoje em dia, um grande concerto dado por um artista de renome internacional num palco com destaque não é, de todo, novidade para os melómanos portugueses, já que os cada vez mais incontáveis festivais de Verão ajudam, a cada ano, a colocar Portugal no 'mapa' musical mundial. Esta é, no entanto, uma situação relativamente recente, sendo que mesmo a maioria dos membros da geração 'millennial' se lembra de uma época da História em que havia menos de uma mão-cheia de concertos verdadeiramente 'grandes' por ano, normalmente dados em estádios, o equivalente da altura aos grandes pavilhões e palcos exteriores de hoje; e porque uma dessas raras ocasiões teve lugar há quase exactos trinta anos, a 11 de Setembro de 1993, iremos esta semana dedicar-lhe algumas linhas, depois de um erro de cálculo ter feito com que ignorássemos involuntariamente a efeméride na data do seu verdadeiro aniversário. Mais vale tarde do que nunca, no entanto, pelo que recordemos a passagem dos 'gigantes' Bon Jovi pelo Estádio de Alvalade, naquele fim de verão de há três décadas atrás.


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O vocalista durante o concerto em causa.


Em 'estado de graça' após uma sequência de álbuns extremamente bem-sucedidos, o quinteto oriundo de Nova Jérsia aterrava no nosso País pela segunda de seis vezes para promover o seu à época mais recente álbum, 'Keep The Faith', lançado em finais do ano anterior e que liderava inclusivamente, naquela segunda semana de Setembro de 1993, as tabelas de vendas fonográficas portuguesas. E porque a passagem anterior datava já de 1989 (altura em que promoviam, no velhinho Dramático de Cascais, o também excelente 'New Jersey' - que, curiosamente, completa também  esta semana, a 19 de Setembro, exactos trinta e cinco anos sobre o seu lançamento) era compreensível a considerável excitação dos fãs quanto ao regresso da banda – uns porque não tinham tido ensejo de os ver quatro anos antes, outros porque queriam voltar a vibrar com os 'hinos' do grupo, ou simplesmente admirar os atributos físicos do vocalista e líder, um dos mais famosos e destacados 'sex-symbols' juvenis da década. Prova desse mesmo entusiasmo eram os diversos concursos radiofónicos alusivos ao concerto, e que permitiriam a alguns 'sortudos' visitar os bastidores da actuação e conhecer em primeira mão a banda.


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O grupo promovia, à época, o álbum 'Keep the Faith', que liderava as tabelas fonográficas portuguesas naquele mês de Setembro de 1993.


UHF e Billy Idol – eles mesmos nomes destacados das respectivas cenas musicais – tinham naquela noite a ingrata tarefa de 'aquecer' um público a quem interessavam, sobretudo, os cabeças de cartaz; e a verdade é que, quando finalmente subiram ao palco, Jon e companhia não desiludiram, pondo em cena um espectáculo memorável, cujo ponto alto via Bon Jovi empunhar uma bandeira 'luso-americana', que depois atiraria para o público, num daqueles 'truques de palco' tão 'batidos' quanto eficazes. O alinhamento era, também ele, de luxo, dando previsível ênfase ao álbum mais recente, mas não esquecendo as 'malhas' do passado, e abrindo mesmo espaço a alguns 'covers' bem clássicos, de nomes como Jimi Hendrix. Foram quase exactas duas horas (incluindo dois 'encores') e mais de uma dezena e meia de temas de 'hard rock' radiofónico, daquele que, tendo já os dias contados, ainda ia subsistindo na era pós-Nirvana, muito por conta de grupos como os Bon Jovi, e espectáculos como os daquela noite em Alvalade.


A banda norte-americana ainda voltaria, aliás, uma segunda vez ao nosso País (e ao Estádio de Alvalade) durante a década de 90, pouco menos de dois anos depois, durante a turnê de 'These Days'; seguir-se-iam, já no Novo Milénio, mais três concertos, em 2008, 2011, e 2013, sempre no Parque da Bela Vista, em Lisboa, palco do famoso Rock In Rio. No entanto, para os fãs portugueses de uma certa idade, é aquela actuação em 1993 que fica na memória,sendo hoje considerada como um dos melhores concertos ao vivo da época. E para que essa mesma faixa demográfica possa recordar essa grande noite, e quem era, à época, demasiado novo para ir a concertos possa 'sentir' um pouco do que ali se passou, deixamos abaixo o concerto integral, com os cumprimentos do YouTube. Vejam, portanto (ou revejam), e tirem as vossas próprias ilações...


Monday, 14 August 2023

Domingos Divertidos: 'Piloto Piruetas' - Mais Brinquedo do Que Jogo

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 13 de Agosto de 2023.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Embora o campo da tecnologia seja, normalmente, aquele de que mais se fala no que toca a evolução e inovação em finais do século XX, este está longe de ser o único exemplo do fenómeno. Na realidade, a referida evolução foi transversal, tendo-se verificado mudanças mais ou menos declaradas até mesmo em campos tão pouco óbvios como o dos jogos de tabuleiro e de mesa. Edições passadas desta rubrica versaram já sobre jogos como Mauzão, Crocodilo no Dentista e Zé Estica-o-Braço, que representaram uma mudança de 'estilo' no tocante a jogos deste tipo; esta semana, chega a altura de falar de mais um exemplo desta tendência, que procurava combinar o novo paradigma com alguns elementos dos jogos de tabuleiro mais clássicos e que fez, igualmente, algum sucesso entre as crianças e jovens da época.


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Lançado pela MB e distribuído pela inevitável Concentra, 'Piloto Piruetas' surgia nas prateleiras portuguesas há exactos trinta anos, para não mais as abandonar, sendo um daqueles jogos que se continuam a vender até aos dias de hoje; e, olhando para o produto em si, não é difícil de perceber porquê, já que o 'grosso' do brinquedo consiste de um mecanismo do qual pende o titular piloto, e mediante o qual é possível fazê-lo dar voltas tresloucadas que fazem jus ao seu nome. Na caixa vêem, também, cartas relativas às galinhas que o jogador deve 'proteger' do incauto piloto, mas não terá sido apenas lá em casa que a principal diversão consistia em fazer o personagem dar voltas infindas sobre o seu mecanismo, ignorando toda e qualquer vertente competitiva e até mesmo as supostas regras do jogo. Será, aliás, esse mesmo factor que terá permitido ao Piloto sobreviver durante um período substancialmente mais longo que o de alguns dos seus congéneres, já que até mesmo a 'geração iPad' dificilmente resiste a algo em que possa mexer com as mãos; e, nesse aspecto, Piloto Piruetas constitui um sucesso retumbante - mesmo que, como jogo, nem sempre seja tão eficaz...


 

Sunday, 13 August 2023

Saídas ao Sábado (de Verão): Trinta Anos do Caso Aquaparque

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 12 de Agosto de 2023.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


No início dos anos 90, os parques aquáticos eram um dos mais populares destinos de Verão para as crianças e jovens portugueses, até pelo factor de proximidade, que permitia ir passar o dia a uma instalação deste tipo e voltar a tempo do jantar. Há quase exactos trinta anos, no entanto, essa tendência viria, abruptamente, a mudar, por conta de um grave acidente ocorrido num parque aquático em Lisboa.


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O Aquaparque do Restelo, em Lisboa, palco da tragédia.


Corria a tarde de 27 de Julho de 1993 quando a vida dos familiares de Cristina Caldas, de nove anos, seria, irremediavelmente, virada do avesso; dois dias depois, o mesmo aconteceria com a família de Frederico Duarte, da mesma idade. Ambas as crianças foram dadas como desaparecidas precisamente no mesmo local - o popular Aquaparque, na zona do Restelo, em Lisboa - e foi no decurso das buscas ao local que o triste fim das duas foi revelado: ao ser esvaziada a piscina da atracção 'Ribeirão', os corpos foram encontrados nas tubagens, as quais se encontravam totalmente desprotegidas, tendo as crianças sido sugadas pela força hidráulica e ficado 'entaladas'. Mais curioso era o facto de a grelha de um dos dois tubos de sucção responsáveis pela tragédia ter sido reposta, sem que, ainda hoje, se saiba por quem.
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O caso levou, evidentemente, a fortes protestos contra a instalação do Restelo - conhecida a partir de então como 'Aquaparque da Morte' (onde uma pequena multidão causou desacatos, obrigando a intervenção policial) e, por extensão, a outros parques semelhantes, como o Ondaparque, localizado do outro lado do rio Tejo, e tão ou mais popular que o Aquaparque. Mas se esse ainda se manteria activo durante mais alguns anos (acabando, no entanto, também por morrer) o Aquaparque não sobreviveu ao escândalo, encerrando portas de forma permanente poucas semanas depois, com os donos envolvidos num processo judicial relativo a homicídio por negligência, que se arrastaria durante sete anos, e que os pais das duas crianças viriam a ganhar.


De referir que, mesmo antes do acidente, o Aquaparque era já alvo de controvérsias, com fontes como a revista Pro-Teste a apontarem a falta de segurança das atracções do parque e atitude negligente dos monitores e salva-vidas, além da sujidade e falta de condições da instalação. Ainda assim, o Aquaparque não deixava de atrair entusiastas dos escorregas aquáticos da região de Lisboa - isto, claro está, até àqueles três dias fatidicos, que mudaram a irreversivelmente a percepção do público português sobre os parques aquáticos, e terão deixado muitos jovens da altura com uma sensação de alívio por não lhes ter sucedido algo semelhante. Foi há trinta anos, mas a memória viverá para sempre na mente de quem era de uma idade aproximada à das vítimas e presenciou o caso através dos Telejornais - e que tem, também, o dever de não deixar que o caso caia no esquecimento, para que o mesmo continue a servir como exemplo cautelar para as gerações vindouras...

Tuesday, 4 July 2023

Terças Tecnológicas: Trinta Anos de 'Encarta'

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Hoje em dia, a pesquisa de informação de teor enciclopédico por computador é praticamente sinónima com um nome: Wikipédia. Apesar de nem sempre se provar cem por cento fidedigna, a 'enciclopédia grátis' oferece informação detalhada sobre tantos e tão variados temas que fomenta piadas sobre algo não existir se não tiver uma entrada na Wikipédia. Antes do advento da Internet, no entanto – nos idos dos 90, quando os computadores ainda eram caros e a 'autoestrada da informação' pouco mais do que um conceito futurista – a transmissão de informação por via digital fazia-se, sobretudo, através de enciclopédias interactivas em CD-ROM; e, destas, a mais famosa era a da Microsoft, sobre a génese da qual se celebraram este ano (mais concretamente a 22 de Março último) exactas três décadas.


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Denominada 'Encarta', e inicialmente baseada nas enciclopédias físicas da Funk & Wagnall's, esta base de dados virtual permitia aos utilizadores não só lerem informação escrita sobre uma série de temas mais ou menos eruditos, mas também ver imagens e (mais importante) vídeos sobre os temas em causa – algo que as enciclopédias 'em livro' não permitiam, e que alguns anos antes teria sido impensável. Para as crianças e jovens da era pré-digital, residia aqui o grande atractivo da enciclopédia virtual da Microsoft, e não faltava quem passasse largos minutos a procurar artigos com vídeo no menu principal da aplicação, e a olhar 'embasbacado' para aqueles poucos segundos de imagens granuladas e 'pixeladas' que, à época, eram tecnologia 'de ponta' no campo da informática comercial caseira.


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O interface inicial da primeira edição da enciclopédia, que permitia verificar quais os artigos complementados com vídeos.


A junção desta componente interactiva com a cuidada e bem estruturada informação escrita (mais tarde acrescida de conteúdos oriundos de enciclopédias da Collier's e MacMillan, tendo a Britannica recusado a parceira) fizeram com que os diversos volumes da 'Encarta' se afirmassem como um sucesso – especialmente depois de o preço de cada edição descer dos absurdos quatrocentos dólares iniciais para cerca de cem, e de CD-ROMs da enciclopédia começarem a ser oferecidos gratuitamente na compra de computadores (como foi o caso lá por casa, em finais de 1994). Dentro em breve, eram poucos os lares que não dispunham de pelo menos um volume da 'Encarta', que era publicada em nada menos do que oito línguas, entre elas o Português, o que a ajudava a ganhar ainda mais tracção entre o público jovem de pendor mais 'intelectual'.


Inevitavelmente, no entanto, o advento da Internet veio tornar obsoleto o conceito da 'Encarta', que ainda sobreviveu à primeira década do Novo Milénio, inaugurando inclusivamente uma versão 'online', disponível mediante assinatura, mas que viria mesmo a ser descontinuada em 2009, quando recursos gratuitos como a Wikipédia se viriam mesmo a revelar demasiado pujantes para que um formato como a 'Encarta' lhes conseguisse fazer frente. Ainda assim, a enciclopédia virtual da Microsoft (sobretudo os seus primeiros volumes) não deixou de gerar memórias nostálgicas à única geração de crianças e jovens a ter acesso generalizado a computadores, mas não à Internet – uma conjuntura sobejamente propícia a um lançamento deste género, e que ajudou a fazer da 'Encarta' parte memorável da experiência informática caseira da década de 90, bem merecedora de homenagem no ano em que se completam trinta anos sobre o seu primeiro volume.

Tuesday, 25 April 2023

Terças Tecnológicas: A Mega CD - Um Passo Maior Que As Pernas

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


A década de 90 viu nascer muitas, senão a maioria, das mais icónicas consolas de videojogos de sempre. Da Mega Drive (lançada ainda nos anos 80, mas que teve na década seguinte o seu período áureo) à Super Nintendo, e da Playstation à Nintendo 64, passando pelo Game Boy original e Color, foram muitos e bons os sistemas que puseram os 'putos' de finais do século XX colados a um ecrã durante horas, a tentar passar 'aquele' nível 'daquele' jogo, ou a competir com os amigos em sempre acirrados duelos interactivos. Nem tudo foram, no entanto, rosas no campo dos jogos electrónicos durante aquela década, tendo havido também alguns 'falhanços' de monta a registar – um dos mais conhecidos dos quais completa este mês trinta anos, fazendo desta a altura perfeita para recordar a sua curta e azarada vida comercial.


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Falamos da Mega CD, a tentativa falhada da Sega de criar um 'add-on' para a Mega Drive que a tornasse compatível com o formato mais 'na berra' à época, o CD-ROM – dois anos antes de sequer se falar na Sega Saturn, mas numa altura em que a eterna rival Nintendo anunciava uma parceria com a Sony para criar algo idêntico para a Super Nintendo, algo que nunca viria a materializar-se. Escusado será dizer que este ambicioso projecto representou um considerável desafio tecnológico para a Sega, requerendo mudanças no 'hardware' da Mega Drive (com a adição de um segundo CPU, capaz de suportar as velocidades de processamento requeridas pelo novo acessório) que viriam a encarecer sobremaneira a produção da Mega CD, fazendo com que a mesma tivesse um custo exorbitante também para o consumidor.


Não deixa, portanto, de ser surpreendente que o acessório tenha, inicialmente, sido bem recebido pelos diferentes mercados de teste, incluindo o relativamente diminuto mercado japonês, onde a Mega Drive (ou Genesis, como é conhecida nas regiões NTSC) tinha uma implantação relativamente reduzida. No caso da Europa, onde a Mega CD era acompanhado por três jogos (incluindo uma compilação de títulos da Mega Drive) já é mais fácil perceber o atractivo deste acessório, mas torna-se ainda assim difícil justificar o elevadíssimo preço, sobretudo tendo em conta o valor do dinheiro em 1993!


Quando aliado à lendariamente diminuta biblioteca de jogos (um problema partilhado com o 'outro' 'add-on' para a Mega Drive, o não menos infame 32X), este factor levou a que o entusiasmo em torno do novo acessório 'esfriasse' rapidamente, tendo as vendas declinado a tal ponto que, pouco mais de seis meses após o seu lançamento na Europa, a Sega deixava de aceitar propostas de jogos para a consola, e, a partir de 1995, virava todas as suas atenções e esforços para um novo projecto, o qual teria no CD-ROM a sua base de armazenamento de raiz; e a verdade é que, apesar de muito melhor sucedida do que esta antecessora (o que, convenhamos, não era difícil) essa consola teria um percurso não menos 'azarado' que aqui exploraremos em outra ocasião. Quanto à Mega CD, exactos trinta anos após o seu lançamento na Europa, a mesma continua, ainda hoje, a constituir um exemplo acabado de uma ideia demasiado ambiciosa para os recursos disponíveis, e que poderia (e deveria) ter sido melhor explorada pela sua casa-mãe.

Tuesday, 7 March 2023

Terças de TV: Os 'Apanhados'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Apesar de exacerbada na era digital, com a crescente preponderância dos conteúdos curtos e de impacto, o conceito de 'rir da desgraça alheia' (no fundo, rir DE alguém em vez de COM alguém) é um daqueles instintos ancestrais da espécie humana cuja génese se perde no tempo. Há algo de catártico em ver alguém que não o próprio falhar em toda a linha, ser enganado, ou simplesmente fazer algo de pouco avisado e sofrer as inevitáveis consequências – uma sensação hoje lucrativamente explorada por plataformas como o YouTube e o TikTok, mas que já em finais do século XX era aproveitada pelo meio audio-visual então vigente, a televisão. De facto, foram inúmeros os programas dedicados a exibir momentos embaraçosos da espécie humana a fazer furor ao redor do Mundo, fossem eles compilações de vídeos caseiros involuntariamente humorísticos, 'à la' 'Isto Só Vídeo', ou o outro formato extremamente popular neste campo, o dos eternos 'apanhados'.


De facto, ao contrário do que as gerações mais novas possam pensar, a ideia de 'partidas filmadas' levadas a cabo em público não foi inventada pelos 'influencers' do YouTube; antes pelo contrário, várias décadas antes de a plataforma sequer ser fundada, já as emissoras e produtoras televisivas de todo o Mundo desenvolviam esse conceito a nível profissional, criando um sem-número de programas de enorme sucesso, com destaque para o original 'Candid Camera', apresentado por Dom DeLuise (então um nome em alta) e que chegou a ser transmitido no nosso País em versão legendada.


No entanto, a chegada do anafado comediante às televisões lusas não foi, de todo, o primeiro contacto dos espectadores portugueses com o formato em causa; pelo contrário, em meados dos anos 90 haviam já sido quatro as tentativas de criar um 'Candid Camera' português. O primeiro a tentar, ainda em inícios da década de 80, foi Joaquim Letria, que baptizou o programa com o mesmo nome do jornal que então dirigia, o entretanto desaparecido Tal & Qual; nos anos subsequentes, surgiriam (e desapareceriam) mais três programas deste tipo, sempre com Joaquim Letria por detrás, o último dos quais comemora esta semana (a 8 de Março) os exactos trinta anos, não da primeira, mas da ÚLTIMA transmissão da sua série original – altura ideal, portanto, para nos debruçarmos sobre ele.


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Trata-se do singelamente intitulado 'Apanhados', estreado na RTP1 a 14 de Setembro de 1992, e que conquistou de imediato o seu público-alvo, com a sua enorme variedade de 'partidas', algumas bastante criativas, e que nunca deixavam de suscitar a quem nelas 'caía' reacções de embaraço, por vezes exagerado, que eram o principal motivo de interesse do programa, e o momento mais esperado por todos os que o viam. Algumas destas partidas tornaram-se mesmo icónicas para uma certa geração de portugueses, como a do manequim vivo que assustava os clientes de uma loja com o seu movimento repentino e inesperado. E apesar de as verdadeiras estrelas serem os incautos e anónimos transeuntes, não pode ainda deixar de ser referido o envolvimento de vários actores futuramente conhecidos, entre ele Guilherme Leite, que rapidamente se tornaria uma das grandes personalidades da televisão em Portugal.


Apesar do enorme sucesso, um desentendimento entre Joaquim Letria e o criador das partidas, Manolo Bello – bem como a irritação do primeiro por ser conotado, só e apenas, com este tipo de conteúdos, e por o mesmo estar a ofuscar a sua carreira como comunicador – ditaria o fim prematuro do mesmo, pelo menos na sua 'encarnação' de 1992-93; isto porque o programa voltaria para mais treze episódios pouco mais de dois anos depois, agora já sem o envolvimento de Letria e da responsabilidade única de Manolo Bello, e novamente com o envolvimento de actores em ascensão, que se tornariam nomes conhecidos em anos vindouros.


Curiosamente, com excepção do referido 'Candid Camera' de Dom DeLuise, a segunda série dos 'Apanhados' foi a última instância de conteúdos deste tipo na televisão portuguesa, que se encontrava, à época, em fase de fluxo. E a verdade é que, se um programa nestes moldes se encaixava perfeitamente na oferta televisiva de 1992, já fazia menos sentido em meados da década, e pareceria quase caricato na programação do virar do Milénio; assim, talvez tenha mesmo sido melhor para o programa sair 'em alta' da mente dos portugueses, permitindo-lhe ser, hoje, recordado com carinho e nostalgia pela mesma geração que, tivesse o mesmo continuado indefinidamente, talvez se tivesse rapidamente cansado dele...


NOTA: As duas séries dos 'Apanhados' estão disponíveis, na íntegra, nos Arquivos RTP. Abaixo fica, também, um dos episódios do programa, partilhado no YouTube em duas partes.



Wednesday, 18 January 2023

Quartas de Quase Tudo; As Agendas Disney

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


O período de Natal e o início do ano seguinte eram, por razões óbvias, a altura do ano por excelência para o lançamento e comercialização de agendas – que, neste caso, se referiam não àqueles livrinhos de couro recheados de papel pautado onde se anotavam números de telefone e moradas antes do advento dos 'smartphones', mas sim a verdadeiros tomos encadernados, dirigidos a um público infanto-juvenil, e que combinavam essa vertente com outros conteúdos de interesse para a demografia-alvo, como receitas, passatempos, curiosidades, ou espaços onde anotar os desejos e ambições para o novo ano. E se a rainha indisputada deste tipo de publicação era 'A Minha Agenda', o esforço anual da RTP cujo principal ponto de interesse era o lendário anúncio, também não deixou de haver um ou outro 'concorrente' esporádico, determinado a retirar a 'coroa' à publicação da emissora estadual.


Destes, um dos principais (e que não deixa de ser surpreendente nunca ter almejado mais altos vôos) foram as agendas Disney – volumes em tudo semelhantes a 'A Minha Agenda', mas com o atractivo extra de contarem com a presença (totalmente legal e licenciada) das mais populares personagens de banda desenhada da Disney. Assim, conteúdos que de outra forma teriam de ter sido decorados com desenhos ou motivos genéricos passavam a ter como 'anfitriões' o Tio Patinhas, o Rato Mickey, e as restantes (e bem conhecidas) personagens com que as crianças portuguesas conviviam sempre que abriam uma revista aos quadradinhos da época.


Infelizmente, este é mais um daqueles casos em que o produto em questão foi totalmente Esquecido Pela Net, não havendo mesmo rasto de qualquer dos (pelo menos dois) volumes lançados (relativos aos anos de 1992 e 93) em sites como o OLX. Assim, e perante a impossibilidade de retirar imagens dos nossos exemplares pessoais (há muito arrumados numa de entre muitas caixas com conteúdos semelhantes) vemo-nos forçados a publicar, pela segunda vez, um 'post' sem quaisquer imagens.


Ainda assim, e numa altura do ano em que a maioria das crianças tinha, ainda, motivação para utilizar activamente este tipo de volumes, não queríamos deixar passar em branco este 'conccrrente' d''A Minha Agenda', cujo insucesso é tão difícil de perceber quanto o seu desaparecimento total da consciência nostálgica colectiva portuguesa – algo que pode parecer inimaginável para um produto com uma licença tão popular quanto a dos Estúdios Walt Disney, mas que, no caso destas agendas, é absolutamente verídico...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...