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Sunday, 22 March 2026

Domingo Desportivo: O Maratonista Português 'Esquecido'

NOTA: Por motivos de relevância temporal, este Domingo será Desportivo, e o próximo, Divertido.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Quando se fala de atletismo no Portugal de finais do século XX, vêm quase imediatamente à baila nomes como Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro ou Manuela Machado, heróis Olímpicos (e não só) que ajudaram a colocar Portugal no mapa como uma nação de atletas. Em meio a todos estes nomes, no entanto, um outro passa algo despercebido, ainda que muito imerecidamente, já que também ele atingiu feitos notáveis a nível internacional.


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Falamos do amarantino António Pinto, colega de 'Selecção' dos corredores acima citados (e de muitos outros atletas) em nada menos do que quatro Jogos Olímpicos entre finais dos anos 80 e inícios do século XXI, mas que, ao contrário dos mesmos, nunca logrou conquistar quaisquer medalhas a esse nível. Pode-se argumentar, no entanto, que essa foi mesmo a única distinção que faltou ao maratonista nortenho, já que a sua restante carreira está repleta de sucessos tanto dentro como fora de portas, dos quais se destacam as três Maratonas de Londres que venceu (em 1992, 1997 e 2000, tendo subido também ao pódio em 1995, 1998 e 2001, quando ficou em terceiro), a Maratona de Berlim que conquistou em 1994 (e o terceiro lugar na mesma prova no ano seguinte), a medalha de bronze na Maratona de Paris de 1994, a vitória na categoria de dez mil metros nos Campeonatos Europeus de Atletismo de 1998 - ano em que também vence a meia-maratona de Lisboa – e o primeiro lugar no Great Scottish Run de 2000, que lhe outorgava duas vitórias em solo britânico no mesmo ano.


Uma lista de conquistas que permitia ao maratonista retirar-se da competição em 2002, já com 'tudo ganho', excepto a sempre 'esquiva' medalha olímpica, que parecia apenas pender para o lado dos colegas de equipa da Selecção Portuguesa. Ainda assim, e apesar desta lacuna, António Pinto merece ser visto e lembrado como um dos grandes maratonistas portugueses de finais do século XX, a par dos congéneres mais 'famosos'.

Sunday, 25 July 2021

Domingo Desportivo: As Olimpíadas de 96, ou, Fernanda, a Salvadora da Pátria

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


E numa altura em que tem início mais uma edição dos Jogos Olímpicos – embora, tal como o Europeu de Futebol, com um ano de atraso – nada melhor do que recordar um outro evento deste tipo, sobre o qual se celebram agora exactos 25 anos, e que celebrava ele próprio o centenário dos Jogos Olímpicos como hoje os conhecemos.


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Essa prova – a de 1996, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia, EUA - não foi especialmente memorável para o publico jovem – especialmente se comparada à de quatro anos antes, realizada em Espanha, cuja mascote teve até direito a uma série animada propria (o que, convenhamos, não é comum para um representante de um evento não especificamente dirigido a crianças.) Para o público jovem português, no entanto, talvez a situação tenha sido um pouco diferente, já que uma das atletas representantes do nosso país conseguiria ganhar a medalha máxima na sua modalidade, afirmando-se como a digna sucessora de uma outra olimpiana, do mesmo desporto, cuja carreira atingia o ocaso.


Falamos, claro, de Fernanda Ribeiro, a segunda maior velocista portuguesa, logo a seguir à mulher de quem recebeu o testemunho – Rosa Mota, claro. Em Atlanta, Fernanda foi porta-bandeira por Portugal na abertura, e não defraudou as expectativas nela colocadas, regressando dos EUA com a medalha de ouro nos 10.000 metros femininos; já Carla Sacramento, a outra esperança no campo do atletismo, foi porta-bandeira no encerramento, mas não conseguiu qualquer meta assinalável na competição em si.



A prova em que Fernanda participava, e que viria a vencer, teve transmissão em directo na RTP


Infelizmente, como Sacramento, a restante comitiva não teve, nem de perto nem de longe, um desempenho tão honroso. Dos 107 atletas, além de Fernanda, apenas o duo da vela masculina saiu de Atlanta medalhado – no caso, o Bronze na classe 470. Dois outros atletas, Luís Cunha e António Abrantes, conseguiram bons tempos nos 100 e 800m, respectivamente, mas os mesmos não foram suficientes para progredir e atingir o pódio.


No restante, umas Olimpíadas desapontantes para o comité português, em transição entre a fase Rosa Mota e Carlos Lopes e o futuro com Patrícia Mamona, Telma Rodrigues e Obikwelu. A Selecção de futebol somava resultados como 5-0 (contra…) e a maioria dos miúdos estaria certamente mais interessada na prova de basquetebol, onde uma equipa americana movida a Michael Jordan, Magic Johnson e outros que tais davam (previsivelmente) cartas, chegando com facilidade à medalha de ouro. Ainda assim, vale a pena assinalar o aniversário de quarto de século da prova – e esperar que a comitiva portuguesa (desfalcada pela primeira vez de Rosa Mota como acompanhante de honra, devido ao COVID-19, faça uma prova um pouco melhor do que então…


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...