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Monday, 19 January 2026

Segundas de Séries: 'Roseira Brava' - O Lado Dramático do Alentejo

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Quis o destino que, num curioso acaso, a primeira semana do ano visse estrearem no mesmo canal nacional – a RTP 1 – com distância de exactos cinco anos, duas séries com o Alentejo como pano de fundo. A primeira era 'Alentejo Sem Lei', de 1991, um 'western spaghetti' à portuguesa (portanto, 'western açorda', como lhe chamou José Diogo Quintela no famoso segmento) com pretensões históricas, mas que sucumbia aos parcos recursos técnicos; a segunda, que trazia um registo mais sério e contemporâneo, era a telenovela portuguesa 'Roseira Brava', estreada há quase exactos trinta anos, e que abordaremos nas próximas linhas.



Gravada durante um período de cinco meses (entre Fevereiro e Julho) numa verdadeira aldeia alentejana (bem como nos estúdios da Nicolau Breyner Produções, em Vialonga) 'Roseira Brava' foi submetida a um atraso que a veria estrear apenas no ano seguinte, mesmo a tempo de competir com 'Explode Coração', na rival SIC. E se bem a produção nacional tenha (talvez inevitavelmente) perdido a 'guerra' de audiências para a congénere 'canarinha', o certo é que 'Roseira Brava' teve, ainda assim, um bom desempenho, conseguindo cativar números suficientes de audiência para justificar e cimentar a aposta da RTP em telenovelas de produção nacional.


E o facto é que, concorrência directa à parte, a produção em causa não tinha como não 'dar certo'; afinal, marcavam presença nas suas fileiras todos os 'suspeitos do costume' da televisão portuguesa da época – de Rogério Samora a Canto e Castro, José Raposo, Luís Esparteiro, Margarida Carpinteiro, Nuno Homem de Sá, Rita Salema, Virgílio Castelo, José Martinho e mesmo Simone de Oliveira, na sua estreia no mundo das telenovelas – os quais ajudavam a dar alguma dignidade ao habitual enredo cheio de reviravoltas, drama e relações interpessoais complexas e problemáticas, bem típico do género em causa. No total, foram cento e trinta episódios (os quais, curiosamente, demoraram praticamente tanto tempo a exibir como a filmar, tendo a rodagem tido lugar de Fevereiro a Julho de 1995 e a novela em si sido exibida de Janeiro a Junho do ano seguinte) que cimentavam a validade da RTP como produtora de telenovelas portuguesas naqueles anos anteriores à eventual hegemonia da TVI nesse capítulo, e que, como tal, merecem bem ser recordados neste espaço, cerca de dez dias depois de se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia em televisão.



O primeiro episódio da novela, exibido a 08 de Janeiro de 1996


 

Tuesday, 2 July 2024

Segundas de Séries: 'Residencial Tejo' (1999) - Uma Inovação Relativamente Bem-Sucedida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 01 de Julho de 2024.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui anteriormente referenciámos a década de 90 como talvez o auge da produção de humor em Portugal, com nomes tão icónicos como Nicolau Breyner, Herman José e Camilo de Oliveira a encabeçarem um sem-número de produções especiais, programas de 'sketches' e, claro, séries. E embora a maioria destas últimas surgisse num formato mais do que típico, com apenas o guião e interpretações a denotar a sua natureza humorística, uma delas, estreada na SIC algures em 1999, tentava uma abordagem ligeiramente diferente, e que vinha rendendo frutos em países como os Estados Unidos desde há já várias décadas – a gravação 'ao vivo em estúdio', frente a uma plateia, numa estratégia que permitia uma reacção orgãnica aos elementos supracitados, mais próxima da verificada numa peça de teatro ou espectáculo de revista do que da típica produção televisiva.


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Falamos de 'Residencial Tejo', cuja premissa – pai e filha saloios 'aterrados' na capital e a braços com a gestão de uma pensão – reunía vários elementos muito apreciados do público português, aliando um foco na ainda hoje extensa classe popular provinciana, com personagens perfeitamente balanceadas entre os toques caricaturais e a verosimilhança, a um estilo de humor fácil, ligeiro e de 'escola' tipicamente portuguesa, que havia já assegurado o sucesso de várias outras séries no decurso da mesma década, e haveria ainda de impulsionar muitas mais. Junte-se a isso um elenco perfeitamente capaz de dar vida às respectivas personagens - encabeçado por Anna Paula, Canto e Castro (ele que acumularia ainda, durante mais alguns meses, o papel de professor de Tonecas na icónica adaptação televisiva dos textos de Oliveira Cosme) António Vitorino D'Almeida (numa rara incursão pelo universo dramático) e Maria do Céu Guerra, naquele que se tornaria o seu papel mais icónico, o da campónia protagonista Seição – e estava dado o mote para três temporadas de relativo sucesso, embora não tão longevo ou memorável como o de séries semi-contemporâneas como 'Camilo & Filho, Lda.' 'Major Alvega' ou as próprias 'Lições do Tonecas'.


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Maria do Céu Guerra, no seu papel mais marcante como Seição, responsável pela residencial homónima da série.


Ainda assim, e apesar das críticas de que foi alvo por parte do eminente analista de televisão Eduardo Cintra Torres – que considerou a premissa pouco realista por sugerir uma miscigenação pouco conflituosa entre classes sociais muito distintas – 'Residencial Tejo' teve, obviamente, suficiente aceitação por parte do público nacional da viragem do Milénio para se manter no ar durante vários anos, o que – embora hoje se encontre algo esquecida no vasto 'baú' de séries de humor suas contemporâneas – não deixa de lhe outorgar um merecido lugar entre as páginas deste nosso 'blog'.


Monday, 10 April 2023

Segundas de Séries: 'Major Alvega' (1998) - O Ressuscitar de Um Herói

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Apesar de as suas origens se encontrarem na banda desenhada britânica (é, aliás, piloto da Royal Air Force) o herói de guerra conhecido em Portugal como Major Alvega (de seu nome original Battler Britton, o que torna a sua nacionalidade ainda mais evidente) sempre gozou de enorme sucesso no nosso país, muito graças à sua publicação em revistas tão icónicas como 'Cavaleiro Andante' e 'O Falcão', além do seu título próprio; e apesar de a maioria das suas aventuras ter surgido no nosso país durante as décadas de 60 e 70, a última surgiu apenas em 1987, pelo que, uma década depois, o herói continuava a gozar de suficiente popularidade e memorabilidade entre a geração de jovens mais velhos para justificar a transição das páginas desenhadas para o grande ecrã, agora numa produção declaradamente nacional, sem qualquer envolvimento do seu suposto país de origem.


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Estreada há quase exactamente vinte e cinco anos (a 4 de Abril de 1998), 'Major Alvega' - a série - trazia Ricardo Carriço no papel do titular piloto da RAF, de seu nome completo Jaime Eduardo de Cook e Alvega, e contava no elenco secundário com alguns dos mais populares nomes da televisão, dos quais se destacavam Henrique Canto e Castro (conhecido dos jovens da época como a voz do Bocas) no papel do superior de Alvega, Sir Hugh Dowding, e nada mais nada menos do que o ícone jornalístico Fernando Pessa, no papel do narrador! Estes e outros nomes surgiam combinados com cenários animados, numa inovação técnica até então única na televisão portuguesa (àparte alguns usos muito simples e primitivos em 'sketches' humorísticos de Herman José, entre outros) e que ficou para a posteridade como principal ponto distintivo da série, que ficou, de outro modo, algo esquecida pela nostalgia dos portugueses da época.


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Exemplo da inusitada combinação de técnicas da série.


Ainda assim, por altura da sua exibição, o programa fez relativo sucesso - suficiente, pelo menos, para justificar uma segunda temporada, exibida já nos primeiros meses do Novo Milénio. E a verdade é que, apesar de não se tratar, de forma alguma, de um título de primeira linha no cômputo geral das séries televisivas de finais do século XX, esta adaptação televisiva de um idolatrado herói de décadas passadas merece, mesmo assim, a distinção de algumas linhas por alturas do seu vigésimo-quinto aniversário.



Montagem de cenas da primeira temporada da série.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...