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Wednesday, 9 September 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Conclusão da A1

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Hoje em dia, a A1 – a auto-estrada que liga as cidades de Lisboa e Porto, também conhecida como Auto-Estrada do Norte – é uma das mais utilizadas e mais essenciais vias rápidas em todo o País, permitindo acesso a qualquer das 'duas capitais' em matéria de poucas horas. Pode, pois, ser difícil lembrar o quão recente é a sua construção, a qual se completou apenas já em finais do século XX.

Foi, de facto, apenas há cerca de trinta e cinco anos – concretamente, a 13 de Setembro de 1991 – que aquela que viria a ser a maior auto-estrada do País viu ser concluído o seu último troço, após exactos trinta anos de construção, encurtando assim significativamente o tempo de viagem 'entre capitais' a centenas de milhares de 'alfacinhas' e 'tripeiros', bem como a tantos outros residentes de outras localidades na sua rota que se deslocassem a qualquer das cidades a negócios, ou para compromissos temporários. No quarto de século subsequente, a via rápida em causa apenas viu aumentar o número de utilizadores diários, justificando obras de alargamento e cimentando-se como principal via automóvel em Portugal – o que torna mais do que meritória esta breve menção nas nossas páginas, na iminência do trigésimo aniversário da sua conclusão e do sexagésimo do início das obras.

Saturday, 25 July 2026

Saídas ao Sábado: Vinte e Cinco Anos de Orgulho 'Gay' no Porto

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Hoje em dia, as paradas de orgulho 'gay' são eventos mais ou menos recorrentes um pouco por todo o Mundo, sobretudo no mês de Junho, oficialmente declarado 'mês do orgulho gay' (Pride Month) a nível mundial. Nos primeiros anos do Milénio, no entanto, vivia-se uma situação sócio-cultural marcadamente diferente, em que a homossexualidade era ainda vista como (na melhor das hipóteses) algo de que fazer troça e (na pior) tabu ou pecado. É, portanto, ainda mais meritório que aqui assinalemos os vinte e cinco anos de um evento abertamente homossexual e que ajudava a dar alguma visibilidade à demografia em causa – o Porto Pride, cuja edição inaugural tinha lugar, não em Junho, mas em Julho de 2001.

Embora não fosse o primeiro evento deste género em Portugal (tal honra pertence ao Arraial Pride Lisboa, ainda hoje vigente) o Porto Pride representava, ainda assim, um marco para os homossexuais portugueses, numa região onde as mentes eram ainda, regra geral, menos 'abertas' que na capital. Assim, não é de estranhar que cerca de mil portuenses aderissem a essa primeira edição - número que haveria de duplicar em anos subsequentes – e que diversas entidades comerciais decidissem também mostrar o seu apoio. De nota era, ainda, a recolha de fundos para caridade desde logo ligada ao evento, e que o acompanharia durante a década seguinte, até à última edição em 2012.

Apesar de extinto, no entanto (deixando para Lisboa a responsabilidade de representar sozinha o orgulho 'gay' nacional) o Porto Pride saldou-se ainda assim, durante o seu tempo de vida, como uma iniciativa importante para a afirmação e inclusão da comunidade homossexual em Portugal, mercendo, portanto, que se celebre condignamente nestas páginas aquele que seria o seu vigésimo-quinto aniversário.

Wednesday, 24 June 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Inauguração da Ponte de S. João

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Ao contrário de Lisboa, conhecida por ter tido, durante décadas, apenas uma ponte a atravessar o rio que a banha (pelo menos até à construção de uma segunda, em finais dos anos 90) o Porto sempre foi conhecido pela sua multitude de passadiços sobre o Rio Douro, dos quais o mais famoso é ainda hoje a Ponte D. Maria Pia, projectada por ninguém menos do que Gustave Eiffel; há exactos trinta e cinco anos, no dia de S. João do ano de 1991, esse número ver-se-ia acrescido de ainda mais uma unidade, com a inauguração da nova ponte ferroviária, que levava, também ela, o nome do santo padroeiro da Invicta.

Com origens que remontavam ao início do século XX, a Ponte de S. João era concebida para servir como a nova ponte ferroviária entre as estações de Campanhã, no Porto, e Santa Apolónia, em Lisboa, servindo assim a chamada Linha do Norte. Até àquele dia 24 de Junho de 1991, essa função havia sido desempenhada pela 'irmã' mais 'famosa' (a Ponte de D. Maria Pia) mas a nova travessia oferecia melhor integridade estrutural (tendo sido desenhada de raiz para a função em causa) e permitia ao já centenário 'quase-monumento' que substituía gozar de uma merecida 'reforma'.

Era, no entanto, no desenho que a Ponte de S. João mais diferia das congéneres pré-existentes, já que se tornava a primeira (e, ainda hoje, única) ponte sobre o Douro a não ter construção em arco, sendo feita quase exclusivamente de linhas a direito, que facilitavam o uso de estruturas reforçadas e especialmente concebidas para aguentar grandes cargas de peso (como é o caso dos comboios). E a verdade é que essa opção estrutural serviu (e bem) a infra-estrutura em causa durante as duas décadas seguintes, tendo a mesma apenas sido alvo de manutenção já em 2020. Está previsto, aliás, que o muito esperado serviço de alta velocidade passe também ele por esta ponte, o que ajuda a mostrar a confiança que os portuenses continuam a depositar na mais recente travessia sobre o Rio Douro, exactos trinta e cinco anos após a sua inauguração oficial.

Sunday, 21 June 2026

Saídas de Sábado/Domingo Desportivo: A 'Resposta' Nortenha Ao Estoril Open

NOTA: Por motivos de relevância temporal, trocaremos ambas as categorias deste fim de semana com as do próximo.

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 20 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

No último post duplo de fim-de-semana, celebrámos os trinta e cinco anos do Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, de que Portugal foi anfitrião, e que celebrava o seu aniversário no próprio dia da publicação. Para darmos atenção e ênfase a essa competição, no entanto, fomos forçados a pôr de parte uma outra, realizada no mesmo período alguns anos mais tarde, e que celebra igualmente um aniversário marcante neste ano de 2026; chega, pois, agora a hora de corrigirmos essa situação e falarmos das duas únicas edições do torneio de ténis conhecido como Porto Open ou Maia Open.


O Complexo Desportivo da Maia, onde o torneio se desenrolou.

'Resposta' nortenha ao Estoril Open, o Porto Open realizou-se em meados do mês de Junho dos anos de 1995 e 1996, tendo tido lugar, respectivamente, entre os dias 12 e 18 e entre os dias 10 e 16. Jogado, como o seu congénere sulista, em 'courts' exteriores com piso de terra batida (no caso, os do Complexo de Ténis da Maia) o torneio em causa dava aos fãs de ténis do Norte do País a ocasião de efectuarem uma Saída de Sábado para ver de perto alguns dos seus ídolos, bem como outros tenistas de um pouco por todo o Mundo. E se a edição de 1995 via os participantes espanhóis efectuar uma 'razia', disputando os títulos individual e de pares entre si e não dando hipótese a qualquer outra nação, o segundo e último (sobre o qual se acabam de completar trinta anos) foi bastante mais equilibrado neste aspecto, com tenistas argentinos e australianos nas duas finais, e uma dupla portuguesa (Emanuel Couto e Bernardo Mota) como campeã da sua categoria, naquele que era o primeiro título da carreira de ambos os tenistas.

Infelizmente, não existem na Internet actual informações sobre o porquê de este torneio ter sido retirado do 'tour' ATP após apenas dois anos, pelo que apenas podemos especular quanto ao seu precoce desaparecimento; pelo menos durante aqueles dois anos em meados da década de 90, no entanto, os entusiastas de ténis portugueses tiveram, não apenas uma, mas duas oportunidades de ver ao vivo o seu desporto favorito, e alguns dos seus melhores executantes.

Wednesday, 20 May 2026

Quartas de Quase Tudo: Vinte e Cinco Anos de um Marco Cultural Moderno

 Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Apesar de, normalmente, 'passar despercebido' literalmente ao lado de gigantes culturais europeus, Portugal não deixa, ainda assim, de ter ocasionais momentos de 'brilho' organizativo a nível internacional; da EXPO '98 ao Euro 2004 ou às Jornadas da Juventude, são vários os exemplos de eventos e iniciativas que puseram Portugal na 'mira' europeia e mundial. A estes há, ainda, que juntar uma distinção que completa este ano exactos vinte e cinco anos, e que terá deixado orgulhosa a grande maioria da população residente na metade superior do País. Isto porque, durante todo o ano de 2001, o Porto teve a honra de ser nomeada Capital Europeia da Cultura, um título que – embora 'partilhado' com Roterdão, nos Países Baixos - ajudou a rejuvenescer a 'segunda capital' de Portugal e a colocá-la nas rotas turísticas internacionais.

De facto, mais do que o sem-número de espectáculos, exposições e eventos que tiveram lugar na Cidade Invicta durante aqueles doze meses, o principal impacto do 'Porto 2001' foi a nível da recuperação arquitectónica, com muitas das fachadas da cidade a serem reabilitadas, e várias novas infraestruturas culturais a tomarem forma, com destaque para a Casa da Música, uma nova sala de espectáculos que se viria a tornar um dos epicentros da cultura portuense, e para o Centro Nacional de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação. Esta 'limpeza de cara' permitiu ao Porto demonstrar todo o seu potencial arquitectónico e, em conjunto com o apelativo programa cultural, tornou a Invicta 'chamariz' para as demografias mais cultas do turismo europeu.


A Casa da Música, principal 'símbolo' do Porto 2001.

Ainda mais significativo, no entanto, foi o reforço da identidade portuense que o evento suscitou na maioria dos naturais da cidade, sempre prontos a exibir o seu orgulho bairrista e regional, e que, durante aquele ano de 2001, tiveram ampla ocasião para o fazer, e para mostrar a turistas de vários pontos do Mundo aquilo que a sua cidade tinha para oferecer. De facto, durante todo esse período, Lisboa deixou, temporariamente, de ser o principal foco de atenção internacional do País, algo que terá, sem dúvida, deleitado os portuenses, e que torna mais que meritória esta chamada alusiva ao ano em causa, numa altura em que se celebram vinte e cinco anos sobre a publicação do Decreto-Lei que autorizava o cunho de moedas comemorativas do evento – um 'pretexto' tão bom como outro qualquer para colmatarmos, ainda que com alguns meses de atraso, essa 'lacuna' nesta nossa rubrica.

Monday, 1 December 2025

Segundas de Sucessos: Blind Zero - Três Décadas a Premir o 'Gatilho'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


O já aqui muito discutido 'boom' do pop-rock nacional de meados dos anos 90 não teve nas sonoridades mais radiofónicas o seu único expoente; embora as mesmas tenham dominado a 'cena' à época, e sejam hoje associadas com a dita, houve também muitos artistas mais alternativos que souberam 'aproveitar a onda' para se mostrarem a um público mais vasto. Foi o caso, por exemplo, dos Mão Morta, Lulu Blind, e do colectivo que abordamos esta Segunda-feira, e que logrou ter uma das mais auspiciosas carreiras de entre as bandas desta vertente menos comercial.


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Formados em 1994 em torno do vocalista Miguel Guedes, os portuenses Blind Zero posicionavam-se, inicialmente, como o 'representante' português na cena 'grunge' que, então, ainda fazia sucesso um pouco por todo o Mundo. Com esta sonoridade mais pesada e intensa gravam um EP, que esgota em apenas nove dias, e a estreia 'Trigger', ambos há exactos trinta anos. E se o primeiro destes registos se tornou item de colecção, o segundo lançaria mesmo os Blind Zero para a fama nacional, muito graças ao tema 'Recognize', que levou a que o colectivo portuense passasse a fazer parte da colecção de muitos 'roqueiros' nacionais.


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Esses mesmos fãs terão, no entanto, tido um choque quando, logo no ano seguinte, Guedes e seus 'comparsas' surgem com uma sonoridade mais 'calcada' no 'hip-hop' do que propriamente na 'imitação' de Pearl Jam que apresentavam em 'Trigger'. O EP 'Flexogravity' era, inclusivamente, um esforço conjunto com os conterrâneos Mind Da Gap, numa 'jogada' que desassociava definitivamente os Blind Zero da cena 'rock' e 'grunge', gerando controvérsia entre os fãs mas também libertando a banda para fazer aquilo de que realmente gostava: um som de fusão, que marcaria o restante da sua carreira.


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O primeiro 'aperitivo' desse novo som surgiria, novamente, em rápida sequência com os lançamentos anteriores, tendo 1996 visto o grupo lançar um álbum ao vivo na Antena 3 (um 'marco' obrigatório para bandas 'mainstream' portuguesas da época) e articipar num concurso de jovens talentos de âmpbito europeu (que acaba mesmo por vencer com uma nova composição, 'My House') antes de, já em 1997, lançar então o sucessor 'oficial' de 'Trigger', 'Redcoast', que tem a particularidade de ter sido um dos primeiros 'CDs aumentados' ('enhanced CDs') da Europa, apresentando conteúdos multimédia quando inserido num leitor de CD-ROM. Além dessa peculiar distinção, o álbum contava ainda com a produção do famoso Mark Wilder, nos estúdios Sony de Nova Iorque, continuando o percurso declaradamente profissionalizante da banda.


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Após 'Redcoast', o alucinante ritmo de trabalho da banda abranda um pouco, tendo o grupo gravado apenas uma música em 1998, 'The Wire', e tirado os dois anos seguintes para trabalhar no seu próximo álbum, que viria a sair em 2000. Com o título 'One Silent Accident' e produção de mais um nome sonante, Don Fleming, este álbum ajudaria a 'dar o mote' para mais duas décadas de sucesso no Novo Milénio, com direito a mais oito lançamentos, concertos ao vivo na MTV (um dos quais em Milão, na festa de lançamento da MTV Portugal) e mesmo um Video Music Award para Melhor Banda Portuguesa em 2003 – uma distinção que terá, previsivelmente, deixado 'inchado' qualquer fã de 'rock' português, mesmo aqueles que só conheciam o grupo dos seus já distantes primórdios como 'grungers' 'à portuguesa'. E apesar de o último registo da banda datar já de 2017 (com um regresso a sonoridades mais 'rock', pela primeira vez em mais de duas décadas) os Blind Zero continuam 'por aí', a marcar presença e posição nos palcos nacionais, como vêem já fazendo, praticamente sem interrupções e a nível tanto nacional como internacional, há quase exactas três décadas...

Friday, 5 September 2025

Terças Tecnológicas: Quarenta Anos do Multibanco, Uma Inovação Cem Por Cento Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 02 de Setembro de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Hoje em dia, o conceito de 'levantar dinheiro' de uma Caixa Automática é um dado tão adquirido na sociedade portuguesa, que pode parecer difícil acreditar que a tecnologia apenas agora atingiu a 'meia-idade'. De facto, já em meados dos anos 80, era ainda necessário dirigir-se ao balcão de uma agência bancária e preencher 'papelada' para receber em mão notas extraídas da própria conta, o mesmo se passando com a realização de pagamentos, não só em lojas e supermercados como também a entidades, os quais chegavam, inclusivamente, a ser feitos através do hoje arcaico método do envio de cheques pelo correio – uma ideia capaz de 'arrepiar' qualquer mortal com menos de três ou quatro décadas de vida, tão habituado a este tipo de serviço automático como a qualquer outra inovação tecnológica.


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A 2 de Setembro de 1985, no entanto (exactos quarenta anos antes da data original em que este 'post' teria sido publicado) este paradigma viria a alterar-se para sempre, com o surgimento do serviço CaixAutomática, vulgarmente conhecido como Multibanco. Inicialmente disponível em apenas nove agências bancárias das duas cidades-capital (tendo a primeira surgido no ramo do Rossio do extinto Banco Nacional Ultramarino, e a segunda no igualmente desaparecido Banco Borges e Irmão da Rua do Bonjardim, no Porto), o serviço, de concepção e execução totalmente nacional, rapidamente se difundiria um pouco por todo o País, ajudando a modernizar o sistema de operações bancárias em Portugal, e a alinhá-lo com o que já se podia encontrar em diversas capitais europeias. Na altura, as máquinas apenas permitiam adquirir dinheiro e consultar o saldo, mas representavam ainda assim um considerável 'passo em frente', permitindo aos residentes de Lisboa e Porto efectuarem estas operações mesmo quando os respectivos bancos estavam fechados (ainda que, inicialmente, fossem desligadas entre a uma e as sete da manhã); os restantes serviços viriam a surgir, paulatinamente, ao longo das décadas seguintes, até a rede Multibanco (hoje com milhares de caixas) quase representar uma espécie de banco por direito próprio.


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O interface das caixas mudou muito pouco ao longo dos anos.


A ligar as diversas 'eras' das máquinas CaixAutomática estão o sistema de menus (que, àparte as naturais actualizações, é ainda muito semelhante ao original) e a mascote, o simpático e já icónico cartão antropomórfico que guia o utilizador através de toda a experiência. Ao longo dos anos, foram sendo adicionadas outras tecnologias, como ecrãs 'touch' (no lugar dos igualmente icónicos teclados) e vozes digitalizadas, das quais uma acaba de ser implementada como forma de celebrar as quatro décadas de existência do serviço – um 'presente' que pode parecer menor, mas que ajuda a garantir que o Multibanco continua a inovar no seu sector, tal como tem vindo a fazer ao longo dos últimos quarenta anos. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 24 November 2024

Domingo Desportivo: A Segunda Passagem de Rui Barros Pelo Porto

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Embora a História do desporto-rei esteja repleta de jogadores que, após inícios auspiciosos em clubes menores, almejam prosseguir, consequentemente, a carreira em emblemas de maior dimensão (senão mesmo 'gigantes'), os atletas com capacidade de fazer a diferença no mesmo clube em duas ocasiões diferentes contam-se em bastante menor número. De facto, ainda que tais casos não sejam totalmente inauditos, os mesmos são, sem dúvida, suficientemente raros para que os jogadores capazes de integrar este grupo sejam merecedores de destaque. É, precisamente, o caso do futebolista a quem dedicamos as próximas linhas, um médio ofensivo 'à moda antiga' que celebra este Domingo o seu quinquagésimo-oitavo aniversário e que, há exactas trinta temporadas, regressava ao clube que o formara e lançara, para inscrever indelevelmente o seu nome na extensa lista de 'lendas' do mesmo.


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O jogador com a camisola que o consagrou no início e fim de carreira.


Regressado à Cidade Invicta já com honras de titular absoluto de Juventus e Mónaco, bem como de vencedor da última Taça UEFA da década de 80, ao serviço da 'Vecchia Signora', e finalista vencido da competição de 1991-92, pelo Mónaco (além dos títulos conquistados ao serviço do próprio Futebol Clube do Porto, na década anterior), poderia, à primeira vista, parecer que Rui Barros voltava ao Estádio das Antas já com tudo conquistado, para a proverbial 'reforma dourada'. O internacional português – então ainda a alguns meses de completar vinte e oito anos, e como tal, na flor da carreira - rapidamente desprovaria essa teoria, no entanto, mostrando, pelo contrário, ter ainda uma palavra a dizer no seio do seu clube 'do coração'. Tanto assim era que o médio-ofensivo não só conquistaria um lugar no onze inicial de um Porto fortíssimo e em plena fase hegemónica, como também se revelaria elemento crucial na até então inaudita caminhada rumo ao penta-campeonato nacional, que o Porto iniciaria logo na temporada seguinte. De facto, das seis épocas que realizou na sua segunda passagem pelo Porto, só na última (já à beira da reforma) Rui Barros perderia preponderância no plantel azul e branco, registando ainda assim dezasseis presenças ao longo da temporada 1999-2000, cujo final o veria retirar-se dos relvados, agora sim, já com tudo ganho.


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Rui Barros na função de técnico dos 'dragões'


Dada a lealdade demonstrada ao clube no qual passou mais de metade da sua carreira, não foi de todo surpreendente que, após a reforma como jogador profissional, Rui Barros tivesse sido integrado na estrutura do FC Porto, onde alternou funções de treinador adjunto e interino ao longo de mais de uma década (entre 2005 e 2016), tendo mesmo chegado a festejar a conquista da Supertaça de 2006 na condição de treinador principal da equipa sénior. Mais tarde, em 2018, o ex-fantasista dos 'dragões' assumiria o cargo de treinador das reservas do clube, cargo que ocuparia durante os três anos seguintes, antes de se trasladar para a função de olheiro, que desenvolve até hoje, não deixando de ser apropriado que um dos melhores criativos da História do clube portuense tenha, hoje, a função de descobrir novos talentos potencialmente ao seu nível – e, idealmente, com o mesmo grau de lealdade e amor à camisola por si demonstrado enquanto jogador profissional pelos dragões. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 10 November 2024

Domingo Desportivo: Sergei Ovchinnikov - O 'Agente Duplo' Que Veio do Frio

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Já aqui anteriormente falámos de alguns dos nomes constantes da restrita lista de desportistas que representaram dois ou mais clubes 'grandes' do futebol português durante os anos 90 e 2000. E se alguns destes - como Sergei Yuran, Kulkov, Edmilson, Mário Jardel, Drulovic, Zahovic, João Vieira Pinto ou Izmailov - almejariam fama e glória em ambos os emblemas em causa, no entanto, outros tantos seriam, numa fase inicial, 'ignorados', ou utilizados como opção de recurso, para depois virem finalmente a explanar o seu potencial num dos dois 'rivais' do seu primeiro clube. Foi o caso de nomes como Nuno Valente ou o jogador que celebramos hoje, no dia do seu quinquagésimo-quarto aniversário: o guarda-redes russo Sergei Ovchinnikov.


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Ovchinnikov ao serviço do primeiro dos dois 'grandes' portugueses que representou...


Chegado a Portugal no defeso de Inverno de 1997-98, Ovchinnikov aterrava em Lisboa, para representar o Benfica, já com a 'tarimba' de nada menos do que seis épocas e meia como dono e senhor da baliza do Lokomotiv de Moscovo, à época um clube de razoável dimensão no contexto europeu, bem como de 'dono' da baliza da Selecção russa, com a qual disputara o Campeonato Europeu em Inglaterra, seis meses antes. Em Lisboa, no entanto, o guardião deparava-se com um problema 'bicudo' – nomeadamente, o facto de a baliza dos 'encarnados' estar entregue ao incontornável Michel Preud'Homme, que disputa com Schmeichel o título de melhor guarda-redes a actuar em Portugal na era moderna, e cuja longevidade entre os postes da Luz é ainda hoje lendária.


Na sua primeira época fora do eixo da Europa de Leste, Ovchinnikov não iria, pois, além das nove presenças com a camisola das 'águias' lisboetas, um número que se viria a duplicar na temporada seguinte, sem que, no entanto, o guardião internacional russo se lograsse estabelecer como primeira opção da equipa da capital. Foi, pois, com naturalidade que o internacional russo procurou outros 'vôos' na época seguinte, tendo a solução passado por dar um 'passo atrás' e assinar pelo histórico Alverca – curiosamente, à época, o principal satélite do clube de onde Ovchinnikov era oriundo.


E se, na maioria dos casos, uma decisão deste tipo significaria o fim de uma carreira ao mais alto nível, para Ovchinnikov, esta representou precisamente o contrário; seguindo a máxima de 'dar um passo atrás para dar dois à frente', o guardião russo iniciaria em Alverca a sua 'remontada', a qual o veria afirmar-se como primeira opção para a baliza dos ribatejanos e, após uma temporada a bom nível, ser sondado por outro 'grande' português, no caso o representante nortenho, por quem assinava no primeiro defeso de Verão do século XXI. E enquanto que, em Lisboa, Ovchinnikov se vira 'tapado' por um histórico indiscutível do clube, na Cidade Invicta, o jogador não teve quaisquer problemas em se afirmar como titular da baliza azul e branca, amealhando mais de sessenta e cinco presenças pelos portistas ao longo dos dezoito meses seguintes, e conquistando uma Taça de Portugal (frente ao Sporting) e uma Supertaça (frente ao Boavista). Em falta ficou, apenas, o campeonato, que seria ganho, pela segunda vez em três anos, pelo Sporting.


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...e do segundo.


Quando tudo parecia, finalmente, ir de vento em popa para Ovchinnikov em Portugal, no entanto, eis que surge uma proposta irrecusável para voltar à 'casa-mãe', em Moscovo. O guardião não hesitou, naturalmente, em tirar partido desta oportunidade, voltando assim a ocupar o lugar que deixara vago meia década antes, o qual não voltaria a largar durante as quatro épocas e meias seguintes, até à transferência para o rival Dínamo, onde se formara e iniciara a carreira sénior, em finais dos anos 80, mas onde, desta feita, não almejou mais do que a condição de suplente. (Curiosamente, se tivesse optado por ficar no Porto, o russo teria quiçá feito parte da equipa de José Mourinho que 'tomou de assalto' as competições europeias em meados da década de 2000.) Pelo meio, ficava ainda um 'reencontro' com os portugueses, no âmbito do Euro 2004, onde beneficiaria a Selecção do seu 'país adoptivo' ao jogar a bola com a mão fora da área, acção que lhe valeu a expulsão do jogo entre Rússia e Portugal, a contar para a fase de grupos do certame.


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O momento da expulsão frente a Portugal, no Euro 2004.


Para além desta atribulada mas honrosa carreira nos relvados, Ovchinnikov faz, ainda, parte da enorme lista de ex-jogadores que enveredam por cargos técnicos após 'pendurarem as botas'. No caso do guardião russo, há a assinalar passagens pelo 'seu' Lokomotiv (como treinador de guarda-redes), pelos Dínamos de Kiev (como assistente) e Minsk (como treinador principal), pela Selecção Nacional russa (onde foi, novamente, responsável pelo treino de guarda-redes) e, mais recentemente, pelo CSKA, onde ocupou a posição principal do banco durante nada menos do que seis temporadas, entre 2014 e 2020. Desde então, o ex-futebolista parece ter-se retirado dos 'palcos' do desporto-rei, presumivelmente para 'gozar' a reforma, tendo já deixado um considerável legado em duas frentes distintas, e o seu nome impresso na História do futebol não só do seu país natal, mas também de uma pequena nação no extremo exactamente oposto da Europa. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 1 October 2023

Domingo Desportivo: Kulkov, o 'Outro' Russo Vira-Casacas

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Apesar de pouco comum – e invariavelmente vista com desagrado por adeptos do clube 'lesado' – a transição directa jogadores entre 'grandes' portugueses não deixa, ainda assim, de ser uma realidade. Mesmo deixando de parte aqueles que regressam após uma aventura falhada no estrangeiro (como Simão Sabrosa, Quaresma ou Jardel, entre outros) não é difícil nomear jogadores que passam de um dos três principais emblemas portugueses para outro, por vezes apenas 'atravessando a estrada', outras enfrentando as três horas de viagem que ligam Lisboa ao Porto. Desse lote, já abordámos, nesta mesma rubrica, nomes como Zahovic, João Pinto ou Sergei Yuran; agora, e no rescaldo de mais um 'derby' entre Benfica e Porto, chega a altura de juntar mais um nome a essa lista, pertencente a um futebolista que representou, precisamente, esses dois clubes, durante as suas respectivas fases hegemónicas nos anos 90. Falamos de Vasili Sergeyevitch Kulkov, o 'tampão' russo que, ao lado dos conterrâneos Mostovoi e Yuran, foi figura maior do Benfica de inícios daquela década, antes de se juntar a este último na viagem para Norte, para se tornar mais um dos muitos defesas 'feios, porcos e maus' daquela fase do Futebol Clube do Porto.


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O jogador com as duas camisolas com que se notabilizou em Portugal.


Chegado a Portugal com vinte e cinco anos, durante o defeso de Verão da época 1991-92, ao mesmo tempo do que o supra-mencionado Yuran e um ano antes de Mostovoi, Kulkov contava já com créditos firmados em vários clubes da sua terra natal (entre eles o 'gigante' Spartak de Moscovo) Kulkov viria a passar as quatro temporadas seguintes em Portugal, primeiro como parte importante da equipa do Benfica – que ajudaria a passar às meias-finais da Taça dos Vencedores das Taças de 1994, com dois golos memoráveis frente ao Bayer Leverkusen, num mirabolante e histórico resultado final de 4-4 – e depois ao serviço do Porto, onde passaria apenas uma época, mas celebraria o título de campeão nacional que lhe escapara durante a estadia em Lisboa. No total, seriam cerca de cento e quinze jogos (quase oitenta dos quais ao serviço do Benfica), e quinze golos, que ajudariam a tornar o polivalente defensivo (tanto jogava a 'seis' como a central) num dos mais memoráveis nomes a jogar em Portugal na altura.


Após a bem-sucedida 'traição', semelhante à do conterrâneo Yuran, Kulkov voltaria a 'casa', para alinhar no 'seu' Spartak, onde ficaria até 1997, após uma tentativa falhada de empréstimo ao Millwall, de Inglaterra, onde passaria apenas seis meses sem nunca se conseguir adaptar. Seguir-se-iam duas épocas como parte importante do plantel do Zenit de S. Petersburgo e uma passagem perfeitamente anónima pelo Krilja Sovetov, antes de o ex-internacional russo (que somou um total de 42 presenças entre URSS, CIS e Rússia propriamente dita) decidir regressar ao seu 'outro' lar, rumando novamente a paragens lusitanas para alinhar num dos satélites do seu antigo clube, o Alverca, onde 'passa' o Milénio e consegue ainda honrosas vinte presenças. Em 2001, um breve regresso ao seu país natal, para representar o desconhecido Shatura, salda-se como a última aventura de Kulkov enquanto jogador profissional, tendo o russo pendurado as botas ainda nessa mesma época.


Tal como em tantos outros casos, no entanto, a reforma não significava o fim da ligação do russo ao desporto-rei, antes pelo contrário; apenas duas épocas depois, Kulkov regressaria a Portugal como adjunto da ex-lenda do Dínamo de Kiev Anatoliy Byshovets no Marítimo, vindo depois a desempenhar a mesma função em quatro outros clubes da sua terra natal: FC Khimki, Tom Tomsk, o histórico Lokomotiv de Moscovo e, claro, o 'seu' Spartak, aqui como adjunto da equipa B. Em 2013, surge a reforma definitiva, e Kulkov 'desaparece' do Mundo do futebol até 2020, quando a notícia do seu falecimento em consequência da pandemia de COVID-19 vem entristecer adeptos do Benfica, Porto e Spartak, os três clubes em que o russo mais fez história, numa carreira repleta de 'vaivéns' entre dois países completamente díspares, mas unidos pelo facto de terem acolhido o polivalente de farta 'melena' loura e tido oportunidade de o ver explanar as suas qualidades defensivas; e, caso ainda fosse vivo, poder-se-ia mesmo ponderar se Kulkov não teria estado, este fim-de-semana, 'colado' a uma qualquer transmissão internacional, a seguir atentamente o histórico confronto entre dois dos seus três principais clubes. Que descanse em paz.

Monday, 29 August 2022

Saídas ao Sábado: As Feiras do Livro de Lisboa e Porto

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 27 de Agosto de 2022.


NOTA: Dado o carácter temporalmente relevante deste post, o Sábado aos Saltos programado foi adiado uma semana. Assim, os próximos dois Sábados serão ambos de Saltos.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Apesar da enorme diversidade de títulos de qualidade para crianças e jovens, a leitura nunca foi, e continua a não ser, um passatempo consensual entre esta demografia: no entanto, para quem gosta de ler, há um evento anual que vem, desde há décadas, constituindo um dos pontos altos do calendário de cada ano: a Feira do Livro, o tradicional certame que, durante duas semanas de cada ano, reúne num só local todas as principais editoras nacionais, cada uma numa das tradicionais e icónicas 'barraquinhas', e todas oferecendo promoções e preços exclusivos para visitantes do referido evento.


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A Feira do Livro do Porto


Com lugar, habitualmente, de finais de Maio a meados de Junho (apesar de este ano terem sido adiadas um par de meses, tendo finalmente aberto na semana que ora finda, especificamente a 25 de Agosto) as Feiras do Livro de Lisboa e Porto podem já não ter o atractivo que outrora tiveram – na de Lisboa, por exemplo, sente-se a falta das tradicionais barracas coloridas, tendo a opção por um esquema de cores uniformizado em preto e castanho retirado ao certame muito do seu 'charme' visual – mas continuam a ser ponto de passagem obrigatório, a cada Verão, para os fãs de leitura (e intelectuais em geral) das duas principais cidades do País, oferecendo uma excelente oportunidade de colmatar lacunas na biblioteca pessoal, descobrir novos títulos em negócios de ocasião ou contactar em primeira mão com autores e editores. Assim, não é de todo de admirar que ambos os eventos continuem a ter níveis de adesão bastante consideráveis por parte das respectivas populações locais – até porque a localização de cada Feira (em bonitos parques do centro de ambas as cidades) propicia, e até convida, a um passeio, mesmo que não se tenha grande interesse em livros...


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O Parque Eduardo VII, a icónica localização da Feira do Livro de Lisboa


Conforme referido, no entanto, as Feiras do Livro perderam algum do charme e individualismo de que gozavam em finais do século XX e inícios do Terceiro Milénio, seguindo hoje um formato bastante mais padronizado e, como tal, menos interessante; ainda assim, a relevância e interesse deste certame no calendário cultural português continua a justificar plenamente a sua realização, que – espera-se – continuará em anos vindouros; afinal, qualquer incentivo à leitura, principalmente entre os jovens, apenas poderá ser considerado positivo...


 

Sunday, 27 March 2022

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - O Boavista Como Viveiro de Talentos

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


O que têm em comum nomes como João Vieira Pinto, Nuno Gomes, Ricardo ou Bosingwa? Para além de terem sido alguns dos melhores jogadores nacionais de finais do século XX e inícios do XXI, todos eles emergiram do mesmo clube, um verdadeiro 'viveiro de talentos' durante a última década do Segundo Milénio: o Boavista.


Sim, o Boavista – o histórico 'segundo grande' da cidade do Porto que - antes de produzir um dos primeiros choques desportivos do novo milénio ao vencer, de forma totalmente inesperada, o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, na primeira época completa do século XXI – se afirmava como 'incubadora' de jovens futebolistas talentosos, que se 'mostravam' na equipa principal antes de, invariavelmente, partirem para mais altos vôos.


Destes, talvez o mais notável tenha sido um jovem loiro e de baixa estatura, descrito pelo então Seleccionador Nacional sub-20, Carlos Queiroz, como tímido e de falas mansas, mas que dentro de campo se afirmava como um líder, graças à sua técnica apurada, raça, classe e talento.


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João Pinto, aqui ao serviço do clube pelo qual se celebrizou


Falamos, claro, de João Vieira Pinto, cujas duas primeiras passagens pela equipa principal do clube onde se formara (em 1988-89, ainda com idade júnior, e novamente em 1991-92, já depois da revalidação do título mundial de sub-20 e de uma bem-sucedida temporada em Espanha) se saldaram num total de 51 jogos e 12 golos – números bem distantes dos que viria a conseguir mais tarde, enquanto estrela absoluta e campeão por ambos os rivais da capital, mas já indicativos do talento que 'morava' naquele corpo franzino. Melhor, mesmo após a afirmação, JVP nunca esqueceu as suas origens, regressando uma terceira vez ao Boavista, já em final de carreira, mas ainda a tempo de fazer duas épocas em grande nível, contribuindo com 57 jogos e 11 golos, uma marca muito semelhante às que conseguira enquanto jovem talento dos axadrezados. E embora não tenha terminado carreira na casa que o viu nascer (foi mais acima, em Braga) o talentoso avançado continua, ainda assim, a merecer o seu estatuto como lenda do clube nortenho.


Mas embora João Pinto seja a 'estrela' mais imediatamente associada ao Boavista, existiu outro nome cuja carreira rivaliza com a do franzino criativo, tendo partido da mesma casa-mãe: Nuno Miguel Soares Pereira Ribeiro, mundialmente conhecido pelo seu apelido-alcunha, Nuno Gomes.


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Tendo, como JVP, feito a sua formação no clube axadrezado, o avançado chegou a alinhar na equipa principal do clube do Bessa durante três épocas – nas quais participou em 79 jogos, marcando 23 golos – antes de chamar a atenção do Benfica, clube com o qual é inevitavelmente (e merecidamente) associado, e do qual se tornaria histórico. Pelos encarnados, foram quase 300 partidas ao longo de 12 épocas (divididas em duas passagens, separadas por uma aventura de duas épocas em Itália, ao serviço da Fiorentina) que lhe valeriam lugar cativo na Selecção Nacional portuguesa, pela qual marcou golos importantes e memoráveis em competições como o Euro 2000 (cinco golos, incluindo um 'bis' à Turquia e o golo da confirmação da 'remontada' e vitória contra a Inglaterra) ou Euro 2004, onde marcou o golo da vitória sobre a Espanha. E embora a sua carreira tenha terminado de forma discreta – com passagens por Braga e Inglaterra, no Blackburn Rovers – é difícil negar a Nuno Gomes o estatuto de segundo maior nome alguma vez saído das escolas do Boavista.


E se os dois primeiros dessa restrita lista são avançados, o terceiro joga no extremo exactamente oposto do campo – à baliza.


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Já terão adivinhado tratar-se de Ricardo, o futuro guarda-redes titular do Sporting e da Selecção Nacional, que começou a carreira profissional como suplente do eterno William Andem, histórico máximo do clube durante a década de 90, com quem se bateria pela titularidade durante as sete épocas seguintes. E apesar de William ser o nome mais associado com a baliza do Boavista durante o referido período, seria com Ricardo entre os postes que a agremiação do Bessa conquistaria o referido campeonato, em 2000-2001.


O resto da história é bem conhecido, tendo o atleta cuja carreira se iniciara no modesto Montijo granjeado um lugar na mesma Selecção Nacional onde figuravam Nuno Gomes e João Vieira Pinto, bem como uma transferência para os 'leões' de Lisboa, ao serviço dos quais disputaria quase 120 partidas, ao longo de quatro anos. Do Sporting, saiu para o Betis, onde apenas se conseguiu afirmar na primeira das três épocas que passou com o clube, naquilo que se pode considerar uma aposta, infelizmente, gorada; a partir desse ponto, a carreira do guardião entrou em ciclo descendente, tendo terminado de forma ainda mais discreta que a de Nuno Gomes, com passagens anónimas pelo Leicester City, de Inglaterra, Vitória de Setúbal e Olhanense, onde viria a 'pendurar as botas' em 2014, tendo já granjeado um merecido estatuto como um dos melhores guardiões portugueses da era moderna, e mais um talento a emergir do relvado do Bessa.


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Já no novo milénio, o Boavista veria, ainda, um último produto das suas escolas noventistas despontar para o mundo do futebol: José Bosingwa, lateral-direito que se viria a tornar indiscutível do 'vizinho' FC Porto, bem como da Selecção Nacional pós-Geração de Ouro, antes de emigrar para o estrangeiro, primeiro para Inglaterra (onde continuaria a brilhar de azul, e sob a tutela de José Mourinho, agora ao serviço do Chelsea), depois para a Escócia, para representar o Q. P. R., e finalmente para a Turquia, onde terminaria a carreira após três épocas no Trabzonspor. E embora a sua passagem pelo clube axadrezado tenha sido bem mais discreta do que a dos nomes anteriormente mencionados, o lateral merece, ainda assim, uma referência quando o assunto são talentos saídos da 'fábrica' do Bessa durante a década de 90.


E embora a hegemonia do Boavista neste particular não tenha sobrevivido à viragem do milénio, uma coisa é certa: o clube axadrezado pode, com toda a legitimidade, gabar-se de ter, durante os últimos anos do século XX, produzido e oferecido ao futebol mundial um naipe de grandes nomes, que honrarariam subsequentemente o nome do seu clube formador numa miríade de grandes palcos, tanto nacionais como internacionais.

Sunday, 13 February 2022

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Pedro Emanuel

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


O Futebol Clube do Porto 'conquistador' da Europa – aquela equipa treinada por José Mourinho, e da qual o mesmo levaria vários elementos consigo ao transitar para os ingleses do Chelsea – tinha na defesa um dos seus grandes esteios. A linha mais recuada do clube do Norte nesses anos de glória de inícios do século XXI contava com o histórico do clube, Jorge Costa, e ainda vários nomes que se tornariam indiscutíveis da Selecção Portuguesa pós-Geração de Ouro - Paulo Ferreira (à direita), Nuno Valente (a esquerda) e ao centro Ricardo Carvalho, todos os quais seguiriam o seu treinador rumo a Inglaterra. No meio de todas estas estrelas passadas e futuras, mais discreto mas não menos importante, alinhava um 'centralão' que, embora não tendo tido a mesma boa fortuna dos seus companheiros de defesa, conseguiu, ainda assim, tornar-se um nome histórico dos Dragões.


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Falamos de Pedro Emanuel, um produto da prolífica escola do Boavista de finais dos anos 80 e inícios de 90 – que também deu ao mundo futebolístico nomes como João Vieira Pinto, Jorge Couto, Nuno Gomes, Ricardo, Litos ou Frechaut, os três últimos colegas de equipa de Emanuel aquando do seu regresso a 'casa' – que viria a fazer carreira entre os dois clubes da Cidade Invicta, contabilizando mais de cem jogos por cada um deles (no Boavista, ficou a um jogo de completar 150) e assumindo-se como peça importante na 'fase áurea' de ambos.


O que muitos adeptos talvez não saibam é que – à semelhança dos colegas de equipa Deco e Nuno Valente – Pedro Emanuel passou várias épocas a 'pagar dividendos' nas divisões inferiores antes de 'dar o salto' para a ribalta; no caso, foram três os clubes 'menores' representados em outras tantas épocas, curiosamente sempre com números extremamente semelhantes – cerca de 30 jogos (29 no Marco, 31 na Ovarense e 28 no Penafiel) e exactamente dois golos por cada uma das equipas.


Talvez tenha sido esta consistência que levou os olheiros do Boavista, numa jogada que faria corar o Sporting da era moderna, a repararem novamente no jovem que haviam dispensado da sua academia anos antes, voltando Emanuel a ser contratado pelos axadrezados no início da época 1996/97, quando ainda contava apenas vinte e um anos, e, como tal, apresentava ainda enorme margem de progressão, que acabaria mesmo por demonstrar – a restante carreira do atleta foi já descrita em parágrafos anteriores.


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O jogador durante o seu período no Boavista


Quando se retirou do futebol competitivo para se dedicar à função de treinador, Pedro Emanuel era (justamente) considerado uma 'lenda' do Futebol Clube do Porto; um nome, talvez, ofuscado pela 'constelação' que o rodeava, mas que não deixou, ainda assim, de ter papel preponderante nos triunfos e conquistas de um dos melhores períodos da História do clube nortenho – algo com que talvez nem sonhasse quando, ainda adolescente, envergava briosamente os emblemas de uma série de clubes das divisões amadoras...

Thursday, 24 June 2021

Quartas de Quase Tudo: Especial Europeu - Os Matraquilhos

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 23 de Junho de 2021.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...


…como é o caso dos matraquilhos.


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Complemento perene de cafés, pastelarias e ‘tascas’ por esse Portugal afora, os matraquilhos não são um passatempo exclusivamente nacional (foram, aliás, inventados em Espanha, mais concretamente na Galiza) mas para quem seja mais desapercebido, quase pode parecer ser esse o caso. Afinal, ainda hoje, mais de três quartos de século após terem sido patenteados, os matraquilhos ou ‘matrecos’ marcam presença em estabelecimentos de refeições leves, acampamentos, colónias de férias, salões de jogos, e onde mais couber uma mesa.


E se muitos países estrangeiros se contentam com ter aquelas mesas básicas, com bonecos azuis sem feições a defrontar bonecos laranjas sem feições, nós portugueses não fazemos por menos – os nossos jogadores de mesa de ‘matrecos’ surgem, inevitavelmente, vestidos a rigor com os equipamentos do Sporting, Benfica ou Porto.


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Podia-se fazer uma 'jogatana' numa mesa destas? Podia, mas não era a mesma coisa...


De igual modo, enquanto no estrangeiro se vão popularizando as horríveis mesas modernas de plástico, em Portugal continuamos apegados às nossas históricas e maravilhosas criações em madeira, tão sólidas e resistentes como intemporais, sempre com aquele ar de quem já foi usado por gerações de jogadores, e estará lá para ser utilizada por várias gerações mais…


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Mesa de 'matrecos' que se preze simula um 'derby'. E quanto mais gastos os jogadores, melhor...


Enfim, apesar de serem de origem galega, os ‘matrecos’ foram-se, ao longo das suas décadas de existência no nosso país, transformando numa experiência bem ‘portuguesa’ – não só no aspecto e envolvência, como na própria forma de jogar (certos países, por exemplo, não respeitam a Regra Sagrada; no Reino Unido, as roletas não só valem, como são mais abusadas do que um Hadouken num jogo de Street Fighter.)


No entanto, a verdade é que este jogo tão simples quanto viciante – seja a dois ou, preferencialmente, a quatro jogadores – é popular o suficiente a nível internacional para justificar a existência, por exemplo, de (múltiplos!) videojogos de ‘simulação’; isto já sem contar, é claro, com as mesas em formato miniatura que todos nós queríamos ter no quarto nos idos de 90 (por aqui, havia uma, muito apreciada.) Enfim, um jogo intemporal, que atravessa gerações, e que, em tempos de euforia futebolística como os que se vivem nestas duas ou três semanas do Verão de 2021, merece bem a homenagem retrospectiva!

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...