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Friday, 29 May 2026

Sextas Com Style: Cavalinho - A Grande Marca de Carteiras Nacional

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Outros paìses têm a Louis Vuitton, a Gucci, a Prada ou a Yves Saint-Laurent, e respectivas imitações; no Portugal de finais do século XX e inícios do seguinte, no entanto, a marca de carteiras indicativa de estatuto social (ou, pelo menos, codificada com o mesmo) era a Cavalinho (que não deve ser confundida com o papel do mesmo nome, produzido por uma empresa totalmente diferente). De facto, com o seu padrão distintivo – presente quer no forro, quer no exterior – as malas produzidas pela fábrica familiar de Santa Maria da Feira afirmavam-se, quase, como as equivalentes nacionais às marcas acima referidas, das quais, aliás, tiravam alguns elementos estéticos e de 'design'.


Esta associação entre um visual distinto e inconfundível e conotações com estatuto social levavam, inevitavelmente, a que grande parte da população portuguesa tivesse ou quisesse uma carteira Cavalinho – ou, à falta de 'fundos' para a aquisição da mesma, uma das imitações 'aproximadas' que proliferavam nas feiras de Norte a Sul do País; de facto, o único aspecto mais inesperado e impressionante deste ciclo foi o facto de as malas em causa não saírem de moda durante, pelo menos, duas décadas, um período áureo cerca de cinco a dez vezes maior do que o da maioria dos artigos de vestuário ou acessórios, quer à época, quer nos dias de hoje. 

Seria, efectivamente, apenas já numa fase bastante avançada do século XXI que estas carteiras se tornariam menos omnipresentes nos ombros das mulheres portuguesas, preteridas em favor de marcas estrangeiras como Michael Kors ou Bimba Y Lola; nada, no entanto, que afectasse a continuidade da marca em si, que, mesmo já longe do seu 'pico' de popularidade, prossegue até aos dias de hoje como um dos muitos exemplos de qualidade e resiliência do sector têxtil e de manufactura em Portugal, fazendo por merecer o destaque que lhe outorgamos nestas breves linhas.

Friday, 30 January 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Trinta Anos de Uma Loja Com Apelo 'Natural'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente mencionámos o facto de os anos 80 e 90 terem sido palco de um enorme esforço de sensibilização para a ecologia, e para a importância de práticas como a reciclagem, a alimentação consciente, ou a utilização, sempre que possível, de materiais naturais no tocante a vestuário e calçado. Pois bem, uma cadeia de lojas ibérica decidiu, por volta da mesma altura, fazer deste conceito a temática central do seu modelo comercial, propondo artigos que – mesmo não sendo totalmente naturais, e ainda menos artesanais – seguiam ainda assim esse princípio, quer do ponto de vista da manufactura, quer de uma perspectiva mais estética.


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Falamos da espanhola Natura, fundada em 1992 e que viu a primeira loja internacional abrir em Portugal (concretamente na cidade do Porto) quatro anos depois, celebrando a mesma, este ano, as três décadas de existência. Facilmente reconhecível pelas enormes esculturas de ursos colocadas à entrada de cada loja (que quase pareciam ursos empalhados, tão elevado era o seu grau de realismo) e pelo cheiro a 'patchouli' proveniente do interior, os estabelecimentos da cadeia propunham uma enorme variedade não só de peças de roupa, mas também – sobretudo – de artigos decorativos e têxteis para o lar. Comum a toda esta diversidade de artigos era o 'design' rústico, quase parecendo, por vezes, feito à mão, e que se coadunava perfeitamente com a proposta da própria cadeia.


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A entrada de uma das lojas modernas da cadeia, com o icónico urso à entrada.


Curiosamente, apesar da estética e proposta reflectidas no próprio nome, a Natura optou, durante mais de duas décadas, por abrir as suas lojas exclusivamente em grandes superfícies comerciais, tendo a primeira loja 'de rua' da cadeia sido, inclusivamente, motivo de menção noticiosa aquando da sua abertura em Cascais, em 2017. Hoje em dia, a cadeia conta com quase seis dezenas de lojas em Portugal (quase todas, ainda, inseridas em 'shoppings' ou armazéns comerciais) iniciando a sua terceira década de existência no nosso País como uma das integrantes da restrita gama de estabelecimentos cujo próprio nome é garantia de vendas – razão mais que suficiente para celebrarmos, ainda que talvez prematuramente, a chegada desse marco para a cadeia espanhola.

Sunday, 3 August 2025

Sextas com Style: As Capas Para Telemóvel - Elemento de Protecção e Afirmação

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 01 de Agosto de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quem tinha telemóvel nos primeiros anos desta tecnologia – ali por meados dos anos 90 – não as dispensava; afinal, era necessário proteger a todo o custo aquele novo e dispendioso objecto tecnológico especificamente concebido para ser levado para todo o lado. A solução passava, claro, por um pedaço de tecido, malha ou plástico, dentro do qual se colocava o telefone, e que podia depois, conforme o modelo, ser acoplado ao cinto ou colocado à volta do pescoço ou do pulso, ou mesmo dentro do estojo de lápis ou da mochila.


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Uma bolsa contemporânea, mas em tudo semelhante às clássicas.


Falamos, claro está, das capas de telemóvel, um dos mais icónicos adereços da segunda metade dos anos 90, e um dos poucos que era transversal a todas as demografias e estatutos sociais, ainda que em 'variantes' distintas. Os adultos, sobretudo aqueles cujas carreiras profissionais implicavam movimentações constantes ou trabalho manual, escolhiam as lendárias bolsinhas de tampa preta e frente transparente, com um gancho para prender ao cinto ou presilha das calças de ganga, normalmente na zona directamente acima do bolso; já os jovens preferiam as referidas bolsas tricotadas, muitas vezes com padrões ou desenhos apelativos, e que se podiam depois pendurar de onde se quisesse, evitando assim que o telemóvel desse um 'tombo' inesperado e se partisse ou avariasse.


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O clássico modelo para prender ao cinto ainda existe, embora hoje em dia já sem a frente transparente.


Fosse qual fosse a variante escolhida, era raro o telemóvel que não era transportado dentro de uma destas 'bolsinhas', servindo as mesmas, inclusivamente, como símbolo do estilo pessoal e preferência estética do portador - pelo menos no caso dos jovens, para quem era tão importante ter uma bolsa de telemóvel 'fixe' quanto uma das não menos icónicas capas para a traseira do aparelho, popularizadas pelos modelos clássicos da Nokia. Assim, numa altura em que o formato dos telemóveis se tornou pouco compatível com este tipo de acessório, torna-se pertinente recordar tempos mais simples, em que a cobertura exterior de um telefone móvel era tão ou mais importante do que o modelo ou especificações do mesmo, e podia, por si só, ditar o posicionamento social de um jovem na comunidade escolar ou grupo de amigos...

Friday, 13 June 2025

Sextas com Style: Os Óculos de Aviador - 'Estilo' Intemporal

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


São, ainda hoje, um dos ícones mais imediatamente associados com a estética dos anos 80 e primeira metade dos anos 90, sobretudo se vestidos juntamente com um blusão de ganga ou cabedal; a verdade, no entanto, é que, qualquer que seja o 'look' que os acompanhe, continuam até hoje a ter um impacto visual único, que explica a sua continuada popularidade. Falamos dos óculos de aviador, o formato por excelência das décadas supramencionadas, mas que, mesmo depois da 'chegada' dos óculos escuros tipo 'visor' (os chamados, em Inglês, 'wrap-arounds') nunca deixaram de ter procura, tanto junto do público mais alternativo que sempre os favoreceu, como também por parte de uma demografia mais seguidora da moda, que não deixava de apreciar as suas qualidades intemporais.


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Tom Cruise e 'Top Gun' estiveram entre os principais responsáveis pela divulgação deste acessório na década de 80.


Popularizados na década de 80 por filmes como 'Top Gun' ou 'O Exterminador Implacável' e normalmente associados à conceituada marca Ray-Ban, estes óculos não ficavam, obviamente, limitados a apenas esse fabricante, tendo, ao longo dos anos, surgido as inevitáveis derivações, sucedâneos e 'imitações baratas', de forma a disponibilizar este acessório para todos os públicos e 'orçamentos'. Não é, pois, de surpreender que muitos jovens da época tivessem (e usassem) um par de 'aviators', ainda que esse número tenha progressivamente diminuído à medida que se aproximava o Novo Milénio, e que filmes como 'Matrix', 'Blade' ou 'Equilibrium' alteravam a estética e percepção dos óculos escuros junto do público de menor idade.


Mesmo durante esse período, no entanto, os óculos Ray-Ban e seus derivados nunca deixaram de ser associados a uma estética 'cool' e 'retro', centrada principalmente nos 'motoqueiros' (entre os quais retêm até hoje a popularidade) e nos aviadores dos quais tiravam o seu nome. Essa percepção sobrevive, aliás, até aos dias que correm, em que os 'aviators' continuam a fazer parte integrante tanto de estilos de vida como apenas de 'looks' com tendência 'vintage'; razão mais que suficiente para, nestas breves linhas, recordarmos os tempos áureos deste acessório, nos já longínquos anos anteriores à viragem do Milénio.

Saturday, 31 May 2025

Quintas ao Quilo / Sextas Com Style: Os Chupa-Chupas de Anel - Um Exemplo Perfeito de Fusão

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 29 e Sexta-feira, 30 de Abril de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre os muitos elementos apelativos para as demografias jovens (e não só), um dos mais negligenciados é o da surpresa através da dualidade – isto é, a incorporação ou integração de um produto ou serviço normalmente associado a uma área com outro de um campo completamente diferente, criando um 'híbrido' tão inesperado quanto interessante e original. Quando utilizada, no entanto, esta táctica tende a ter resultados sobremaneira positivos, como o comprova o produto de hoje.


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De facto, os chupa-chupas de anel (oficialmente conhecidos como Ring Pops) extrapolavam a sua função principal de guloseima para quase poderem servir como adereço – pelo menos enquanto duravam, já que, uma vez comidos, apenas restava a base do anel, em plástico. Durante aqueles poucos momentos, no entanto, o detentor de um destes doces quase se poderia sentir rico e poderoso, com um enorme 'cachucho' no dedo, de fazer inveja aos seus pares – e por mais do que uma razão!


Assim, e embora não tão 'geniais' ou revolucionários quanto os 'Push-Pop' (estes não se podiam guardar e comer depois da aula), os chupa-chupas de anel não deixaram, ainda assim, de marcar época entre a geração 'millennial' portuguesa, a par das 'chuchas', funcionalmente semelhantes e que aqui, em breve, terão o seu espaço. De facto, o sucesso deste produto faz pensar no porquê de este tipo de 'fusão' não ter sido mais explorada ao longo dos tempos, não só no campo dos doces ou da comida, mas também em sectores algo mais relevantes da sociedade portuguesa, e não só; afinal, se um simples doce consegue juntar com tanto sucesso duas áreas tão díspares, o que impede que o mesmo suceda com produtos mais complexos?

Saturday, 14 December 2024

Sextas Com Style (de Natal): Os Chapéus de Natal, Uma 'Moda' Relativamente Recente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-Feira, 13 de Dezembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui anteriormente mencionámos os anos 90 como a década da chegada a Portugal dos hoje ubíquos produtos baratos vindos da China, na altura veiculados sobretudo através de vendedores de rua, drogarias de bairro e lojas 'dos trezentos'. E de entre os muitos produtos que passaram a circular em massa no seio da sociedade lusitana, um deles tinha um pendor declaradamente natalício, e viria a tornar-se parte integrante da estação em território nacional.


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A sempre popular versão com luzes LED.


Falamos dos chapéus de Pai Natal, antes apenas acessíveis como parte integrante de um fato completo, mas que, nos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte, passaram a surgir em bancas de rua natalícias e lojas 'dos trezentos' e 'dos chineses' não só na sua forma original, como também em variantes alternativas, como a que incorporava efeitos LED na 'bainha' do chapéu, ou a preta com texto anti-Natal, para quem queria expressar a sua falta de espírito festivo, em vez do oposto.


Ambos estes chapéus - tal como o original - ainda são, aliás, largamente vendidos em Portugal no último mês de cada ano, e podem ser encontrados nas cabeças de uma porção significativa da população, embora sobretudo em contextos de festa privada. E embora, para as gerações 'Z' e 'Alfa', esta seja só mais uma parte da quadra natalícia, quem é mais velho sabe que a sua adopção pelos portugueses é relativamente recente, e remete à década em que tudo parece ter acontecido, e que mais indelevelmente transformou e moldou o País que hoje conhecemos.

Friday, 12 April 2024

Sextas com Style: As 'Pulseiras da Sorte' - As 'Rainhas' dos Adereços Entre a Juventude 'Millennial'

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de algo mais discretos que os seus congéneres da década de 80, os adereços de moda dos anos 90 e inícios dos 2000 não deixaram, ainda assim, de marcar época entre os 'millennials' portugueses mais velhos, tanto aqueles que activamente os usavam na vida quotidiana como os que simplesmente com eles conviviam, através de familiares, amigos ou colegas de escola. Um destes acessórios em particular – uma modesta e simples fita trabalhada em missangas e disponível em qualquer 'banquinha' de rua – fez furor entre os jovens daquela época, sobretudo (mas não só) do sexo feminino.


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O típico e clássico mostruário de 'pulseiras da sorte' visto em tantas bancas e lojas de rua nos anos de viragem do Milénio.


Falamos das famosas pulseiras tantas vezes vistas em mercados de rua, feiras de artesanato ou até lojas dos trezentos (e, mais tarde, chinesas) sob o nome de 'pulseiras da sorte brasileiras' – embora, incongruentemente, o referido texto surgisse no cartão de exposição em outras línguas, como o italiano. Distintivas pelas suas cores vivas e pelo típico padrão 'pontilhado' criado pelas missangas, estas fitas traziam também, normalmente, qualquer tipo de motivo inserido no padrão, normalmente uma bandeira brasileira ou um qualquer dizer de índole positivista, que as tornava ainda mais atractivas para a demografia-alvo, e as tornava omnipresentes, independentemente de 'tribo urbana' ou estatuto social.


De facto, esta era uma daquelas modas que transcendia grupos, sendo presença assídua nos pulsos tanto de 'betinhas' como da faixa mais 'alternativa', e até mesmo de quem não tinha dinheiro, gosto ou apetência para grandes 'estilos'. Efectivamente, no cômputo geral, só mesmo o sector gótico e 'metaleiro' mostrava uma predisposição expectavelmente menor para este acessório; de resto, eram poucas as raparigas portuguesas da época (bem como muitos rapazes) que não usavam pelo menos uma destas pulseiras, normalmente em conjunto com outras fitas (quer obtidas em festivais de Verão, quer de carácter mais religioso) e com um ou outro adereço mais elaborado.


Tal como tantos outros acessórios de que já aqui falámos, no entanto, também o ciclo de vida das pulseiras de missangas chegou, inevitavelmente, ao fim – embora ainda seja possível encontrar este tipo de adereço à venda hoje em dia, o mesmo é praticamente inexistente na cultura social da 'Geração Z', para quem as pulseiras utilizadas pelas suas mães há quase um quarto de século (quando estavam, elas mesmas, em idade adolescente) mais não serão do que uma relíquia cultural, semelhante ao que eram, para os 'millennials', as roupas e acessórios usadas pelos seus próprios progenitores. Para quem viveu aquela época, no entanto, aquela tira de pano e corda com missangas representa, mais do que uma pulseira, um artefacto de 'viagem no tempo', que os remete de volta à sua adolescência, quando uma ou mais das mesmas adornavam o seu pulso, ou o das suas colegas e amigas...

Thursday, 18 January 2024

Quintas de Quinquilharia / Sextas com Style: Os Brincos da Matutano

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Uma das mais vivas e nostálgicas memórias de qualquer português nascido entre o final da década de 70 e o início do Novo Milénio é o de enfiar a mão num pacote de batatas fritas ou outros 'snacks' da Matutano para procurar aquele icónico invólucro plástico escondido em meio aos conteúdos. Efectivamente, os brindes 'das batatas' desta época contam-se entre os melhores e mais populares de sempre em Portugal, tendo granjeado à Matutano uma impressionante série de mega-sucessos, com a qual a maioria das outras companhias alimentares da época apenas podiam sonhar: dos Pega-Monstros às Caveiras Luminosas, Tazos, Matutolas, Raspadinhas e mini-filmes, a sucursal portuguesa da Lay's gozou, durante a última década do século XX, de um toque de Midas que lhe permitiu transformar até mesmo um jogo de matemática numa 'febre' de recreio. Basicamente, durante esta época, se algo vinha dentro de um pacote de batatas, transformava-se em sucesso entre a demografia-alvo, deixando todas as outras considerações de ter qualquer importância.


E se a maioria dos brindes acima referidos foram, na medida dos possíveis, assexuados – ainda que, inevitavelmente, acabassem por apelar mais aos 'rapazes' – algures na mesma década, a Matutano decidiu dirigir uma das suas promoções, especificamente, a um público feminino, menos interessado em 'monstrinhos' e caveiras e mais voltado para a estética e moda. Fica, assim, explicada a lógica por detrás da curiosa decisão de oferecer brincos de plástico na compra de um pacote de batatas.


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Em tudo semelhante em termos de 'design' – variando apenas as cores – estes brindes representavam uma clara tentativa por parte da Matutano de atingir uma demografia mais velha, nomeadamente os adolescentes; essa faixa etária, no entanto, encontrava-se demasiado preocupada com o acne para consumir o tipo de produtos que a companhia comercializava, e demasiado atenta às convenções sociais vigentes entre os jovens para ser vista a usar brincos de plástico, sem qualquer esforço estético, e que 'saíam nas batatas'. Assim, os referidos brindes terão encontrado o seu público, inevitavelmente, entre a porção feminina da demografia que ainda se interessava por Pega-Monstros, Tazos e outros brindes 'quejandos', e que experienciava assim, talvez, o seu primeiro assomo estético – um 'tiro' algo ao lado do pretendido pela Matutano, e que terá, sem dúvida, ajudado a encurtar o tempo e abrangência desta promoção, hoje algo esquecida no âmbito das conversas nostálgicas sobre brindes das batatas fritas daquela época.


Ainda assim, e apesar do relativo insucesso da promoção em relação às suas congéneres, não terá, certamente, deixado de haver quem se deliciasse com os brincos 'das batatas', e os tivesse orgulhosamente usado num qualquer dia de escola do sexto ano em que fosse importante parecer (ou sentir-se) algo mais 'crescido' do que o habitual. Para esses, aqui fica uma breve recordação da promoção mais esquecida do período áureo dos brindes da Matutano...

Thursday, 28 December 2023

Quintas de Quinquilharia: Os Acessórios Para o 'Reveillon'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


A cerimónia da passagem de ano, ou 'reveillon', é caracterizada pelo seu ambiente de festa - o qual, tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo, é, por sua vez, marcado pelo barulho, alegria e animação. No caso do Ano Novo, esta atmosfera é grandemente auxiliada por uma série de acessórios, que a festa de 31 de Dezembro partilha com outra celebração portuguesa na 'outra ponta' do Inverno, o Carnaval.


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Exemplos modernos dos acessórios em casa.


De facto, das cornetas com 'serpentinas' e 'línguas da sogra' (não confundir com o bolo do mesmo nome) a adereços como óculos e cartolas, sem esquecer as tradicionais buzinas e tampas de panela, são muitos os acessórios tradicionalmente associados ao 'reveillon', não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, os quais, como é evidente, não deixam de fazer as delícias dos mais novos, sempre prontos a aproveitar qualquer desculpa para fazer 'algazarra' e barulho - situação, aliás, que não deverá apresentar grandes mudanças nos tempos que correm, sendo essa uma daquelas características inter-geracionais que resistem a todo e qualquer aumento da digitalização. Assim, quem tiver filhos, amigos ou parentes menores a festejar consigo o 'reveillon' talvez queira 'apetrechar-se' com um bom sortido dos acessórios em causa, tal como o faziam os seus pais quando eles próprios eram da mesma idade, em finais do século XX...

Thursday, 14 September 2023

Quintas de Quinquilharia: Os 'Pins' e Crachás

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Havia-os de todas as formas, feitios e materiais – grandes, pequenos, redondos, quadrados ou moldados à forma do que pretendiam representar, em plástico ou em metal. Adornavam desde blusões de ganga a sacolas de sarja, mochilas, estojos ou quadros de cortiça como os que alguns jovens da época tinham no quarto, ou eram simplesmente preservados numa caixa, como objectos de coleccionismo, prontos a serem admirados ou orgulhosamente exibidos perante as visitas. Falamos, é claro, dos 'pins' e crachás, uma moda que, não tendo, de modo algum, tido origem nos anos 90, viveu ainda assim a sua época áurea entre finais da década de 80 e inícios da anterior.


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Exemplos de crachás redondos de plástico, predominantes em inícios dos anos 90.


De facto, foi durante esses anos que se puderam encontar, em Portugal, lojas com uma vasta oferta de 'pins', prontos a serem adquiridos e estimados por um público ávido por aumentar a sua colecção. De desenhos alusivos a bandas e capas de álbuns até frases e dizeres humorísticos ou motivacionais, passando por alguns dos mais populares personagens infantis da época ou ainda pelos sempre populares 'smileys', nas suas mais diversas configurações, eram inúmeros e para todos os gostos os estilos e 'designs' de crachá disponíveis durante a época em causa, garantindo que ninguém ficava de fora desta 'febre'.


À medida que a década de 90 avançava, no entanto, o mercado dos 'pins' e crachás sofreu algumas alterações. Os antigos crachás redondos, em plástico colorido – os chamados em inglês 'badges' – praticamente desapareceram, cedendo lugar aos 'pins' em metal moldado, vistos como menos infantis e, logo, mais 'fixes'. Concomitantemente, este tipo de Quinquilharia passou, também, a ser vendida em locais mais específicos, normalmente de índole turística ou cultural, ou a servir como brinde promocional em campanhas de 'marketing', deitando a perder alguma da criatividade exibida pelo mercado em causa na década transacta.


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Exemplos de 'pins' em metal, predominantes da segunda metade dos anos 90 em diante.


Mesmo com estas mudanças, no entanto, os 'pins' não perderam a sua popularidade, continuando a ser frequentemente vistos a decorar sacolas a tiracolo, mochilas, ou mesmo peças de roupa, tal como acontecia na sua época áurea. Este paradigma mantém-se, aliás, até aos dias que correm, fazendo dos crachás um dos poucos produtos abordados nesta secção que não saíram de moda nem viram decrescer significativamente os seus índices de popularidade. Ainda assim, quem viveu a 'época alta' deste tipo de Quinquilharia certamente sentirá a falta de alguma da originalidade e sentido estético dos 'pins' e crachás da 'sua' altura, cuja essência dificilmente voltará a ser capturada, tornando-os símbolos de uma época mais 'divertida' e inocente, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo.


 


 

Friday, 25 August 2023

Quintas de Quinquilharia: Os Adereços de Contas e Missangas

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 24 de Agosto de 2023.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


O Verão é tempo de partidas para novos destinos, de idas para casa dos avós ou dos tios, de dias na praia, de actividades desportivas no bairro e de colónias de férias - tudo situações que resultam em novas amizades, ainda que, provavelmente, apenas com a duração correspondente à das férias em questão. Ainda assim, enquanto as mesmas duram, há que cultivá-las - e, para as raparigas dos anos 90 e 2000, uma das muitas maneiras de o fazer era através da construção de colares e pulseiras com contas e missangas.


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Facilmente adquríveis em todo o tipo de estabelecimentos, e a um preço irrisório, este tipo de adereço era muito popular junto dos jovens, por permitir - com a adição de um pedaço de cordel, fio ou corda - a criação de todo o tipo de acessórios de moda totalmente 'DIY' - e, como tal, significativamente mais baratos do que os comprados pré-feitos, em lojas. Não era, por isso, de todo incomum ver jovens de ambos os sexos com adereços feitos por eles mesmos nos pulsos, tornozelos ou em volta do pescoço, por vezes com padrões e 'designs' tão ou mais criativos do que os que as próprias lojas ofereciam. As missangas não eram, aliás, o único tipo de material usado para este efeito, sendo as pulseiras entrançadas e os tererés, possivelmente, ainda mais populares enquanto criações 'feitas em casa' pela demografia em causa.


Ao contrário de muitos dos produtos e acessórios de que falamos nesta secção, as pulseiras, colares e outros adereços feitos a partir de contas e missangas nunca saíram de moda, e embora a sua preponderância e prevalência entre a juventude já não seja o que outrora foi, é fácil de acreditar que as jovens da Geração Z se continuem a entreter a criar adereços e acessórios 'feitos à mão' a partir deste tipo de material, da mesma forma que o fizeram as 'millennial'...

Friday, 23 June 2023

Sextas com Style: As Mochilas de Peluche

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, em edições passadas, falámos de sacolas e mochilas escolares e de campismo, bem como dos peluches que certo sector da demografia infanto-juvenil noventista tendia a pendurar dos fechos das mesmas; nada mais justo, portanto, que completarmos este 'ciclo' da forma mais natural – abordando as mochilas que eram, elas próprias, peluches.


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Um exemplo bem típico do tipo de produto em causa.


Populares não só entre o público infantil como também entre a demografia feminina um pouco mais velha, estas mochilas surgiam, normalmente, numa de duas configurações: a de um animal genérico estilizado (normalmente um macaco, urso, cão ou até vaca) ou uma 'aproximação livre' a um personagem licenciado, como o cão dos Peanuts, Snoopy, ou a sempre popular versão Disney do Ursinho Puff. Escusado será dizer que, nestes últimos casos, o material nem sempre era oficial – aliás, havia maiores probabilidades de ser pirata do que reconhecido pela detentora dos direitos do personagem. Nada, claro, que parasse as crianças desejosas de levar às costas o seu personagem favorito, ainda que apenas 'mais ou menos' bem recriado...


Em termos da utilização em si, há que destacar que estas mochilas não o eram verdadeiramente, pelo menos não no sentido estrito; eram, antes, versões infanto-juvenis das carteiras-mochila (à época muito populares entre as mulheres mais adultas) mais passíveis de serem utilizadas para guardar Quinquilharias numa Saída de Sábado, ida de férias ou acampamento de Verão do que no regresso às aulas. Aliás, a própria configuração destas bolsas admitia esse propósito, oferecendo normalmente apenas uma bolsa central e uma outra com fecho-éclair, por oposição às 'milhentas' sub-divisões normalmente encontradas numa mochila escolar.


Ao contrário do que acontece com a maioria dos artigos que aqui abordamos, as 'mochilas de peluche' não desapareceram verdadeiramente, embora tenham, sim, decrescido de popularidade e assumido contornos visuais um pouco diferentes dos que possuíam na altura; ainda assim, é inegável que a maioria das crianças de hoje em dia prefere usar uma mochila ou mini-carteira 'declarada', relegando cada vez mais estes híbridos para o campo da memória nostálgica da geração que os viu nascer, e que ainda se recorda de ser da idade deles e adorar levar às costas o seu cão dálmata ou Ursinho Puff, com as suas bugigangas dentro...

Friday, 2 June 2023

Sextas com Style: As Mochilas 'Monte Campo'

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre os muitos elementos de moda que marcavam a diferença entre 'tribos urbanas' e ditavam níveis de popularidade e 'fixeza' entre a juventude portuguesa dos anos 90, e que entretanto se tornaram excessivamente padronizados, as mochilas estão, muitas vezes, entre os mais esquecidos. De facto, e apesar de não serem tão marcantes e memoráveis como uma t-shirt, um par de ténis, ou mesmo um boné, as 'pastas' da escola foram, para a geração hoje na casa dos trinta a quarenta anos, um adereço de moda como qualquer outro, tão merecedor de atenção e selecção aturada como qualquer peça de vestuário ou bijuteria, e tão capaz de marcar a diferença entre a admiração e o 'gozo' por parte dos colegas como qualquer deles. E ainda que tenham sido muitas as marcas a merecer a confiança da juventude durante aquela década – da Slazenger à Jansport e Eastpak – apenas uma se afirmou, verdadeiramente, como 'A' mochila de finais do século XX.


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Instantaneamente reconhecíveis pelo seu 'design' típico e diferenciado – ainda mais que o das marcas supramencionadas – as mochilas Monte Campo destinavam-se, originalmente, a ser utilizadas no contexto do campismo e caminhadas; no entanto, algures no início dos anos 90, essa trajectória sofreu um desvio, à medida que mais e mais crianças adoptavam os produtos da marca como 'pastas' para uso escolar, a ponto de, no final da década, o propósito principal da gama se encontrar já praticamente esquecido. Quanto ao factor exacto que tornava estas pastas relativamente sóbrias num produto oficialmente considerado 'fixe', talvez o mesmo se prendesse com os invulgares esquemas de cores da maioria dos modelos da marca, que tendiam a combinar uma cor mais forte com o tradicional preto, azul ou cinzento, e que iam, assim, exactamente ao encontro dos gostos estéticos da maioria dos jovens noventistas.


Fosse qual fosse o motivo, no entanto, a verdade é que as 'pastas' Monte Campo gozaram, mesmo, de um longo período de graça, que se estendeu até pelo menos a meados da primeira década do século XXI, e durante o qual não foram, claro está, imunes a imitações, com as lojas de bairro e barracas de feiras de Norte a Sul do País a exibirem orgulhosamente os seus modelos 'Monte Carlo' e 'Monte Branco' ao lado das calças de treino Abadas, dos chinelos Pamu e das t-shirts da Reeclock. Curiosamente, talvez pelo preço algo proibitivo dos originais, estas imitações tendiam a não ser alvo de tanto escárnio como as de outros produtos 'da moda' – o importante, muitas vezes, era mesmo ter uma mochila com aquele tipo de modelo, independentemente da marca.


Como acontece com qualquer outro adereço de moda, também as mochilas Monte Campo e respectivas imitadoras acabaram, inevitavelmente, por sair de moda (embora continuem a existir), no caso, sensivelmente ao mesmo tempo que os modelos da Jansport (a Eastpak, além de mais tardia, soube reinventar-se, e segue firme no mercado dos materiais escolares até aos dias que correm.) No entanto, para quem foi criança e adolescente entre as décadas de 80 e 2000, aquele emblema amarelado com o desenho de uma montanha continuará, para sempre, a ser o símbolo máximo de uma mochila 'estilosa' e duradoura.

Saturday, 1 April 2023

Sextas com Style: Os Relógios Flik-Flak

NOTA: Este post é correspondente a Sexta-feira, 31 de Março de 2023.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de ser um dos mais populares acessórios (ou adereços) entre a última geração de jovens e adolescentes a dispôr de horas no telemóvel, os relógios eram menos frequentes entre a faixa etária logo abaixo. Talvez por terem os horários controlados de perto pelos pais, as crianças portuguesas de finais do século XX viam menos necessidade de usar relógio, um paradigma que foi, durante a última década do Segundo Milénio, alterado por duas marcas distintas: por um lado, a Casio, com os seus popularíssimos relógios electrónicos/digitais e, por outro, pela Swatch, cuja linha infantil representava o 'Santo Graal' dos relógios para qualquer criança lusa dos anos 90.


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Isto porque os relógios Flik Flak adoptavam uma estética colorida e algo excêntrica, bem ao gosto da demografia-alvo, o que, em conjunto com as duas mascotes da marca - um casal com os mesmos nomes da linha em si, Sr. Flik e Sra. Flak - tornava estes relógios incrivelmente apelativos para o seu público-alvo. O problema, como em tantos outros casos, era o preço absolutamente proibitivo, que (apesar de reflectir a qualidade de construção típica dos relógios suíços) assegurava que apenas uma pequena percentagem das crianças e jovens lusitanas tinham o privilégio de possuir um relógio destes - o qual, escusado será dizer, os tornava motivo de inveja no recreio, mesmo tratando-se de um simples relógio analógico em plena era hegemónica dos Casio. 'Aquele' visual era simplesmente irresistível, mesmo apenas visto na montra da relojoaria, e foi, por si mesmo, suficiente para tornar estes relógios nostálgicos mesmo para quem nunca os chegou a ter.

Friday, 3 February 2023

Sextas com Style: As Gargantilhas

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Os acessórios de moda são, regra geral, parte integrante e importante da maioria dos conjuntos e 'visuais', oferecendo um complemento ou acrescento ao efeito causado pelas próprias peças de vestuário. Os anos 90 não foram, de todo, excepção a esta regra – pelo contrário, a década originou aquele que foi um dos mais populares acessórios deste tipo durante pelo menos quinze anos, as gargantilhas.


colar-choker-anos-90-colar.jpgO mais comum e popular tipo de gargantilha dos anos 90


Transversais às raparigas adolescentes dos mais diversos grupos e 'castas' sociais – embora mais frequentemente associadas aos movimentos góticos e 'alternativos' – as gargantilhas tinham como objectivo chamar a atenção para a zona do pescoço (muito mais do que os colares, por serem, regra geral, justos à pele) com os seus intrincados padrões (normalmente tribais) ou os acessórios que traziam pendurados, como pequenas cruzes ou outros motivos. Fosse qual fosse o estilo ou variante escolhida, no entanto, estes adereços ganhavam pontos pela sua versatilidade, ficando tão bem com umas calças à boca de sino, sweatshirt da GAP e socas plataforma usadas pelas 'betinhas' como com as calças largas, panamá e top de alças característicos da demografia feminina mais 'alternativa', ou até as rendas e brocados em tons de negro das 'vampiras' góticas. Talvez por isso se afrimassem como um dos mais consensuais tipos de acessório de finais do século XX e inícios do XXI, não havendo praticamente adolescente do sexo feminino que não tivesse na gaveta pelo menos uma.


Tal como sucede com muitas das outras peças aqui abordadas, no entanto, também as gargantilhas sucumbiriam ao passar do tempo, e às mudanças na moda juvenil trazidas pelos primeiros anos do século XXI; apesar de não terem nunca desaparecido completamente, estes adereços são, hoje em dia, bem menos populares do que o eram há uma geração atrás, já não se afirmando como complemento obrigatório de qualquer 'fatiota' de uma rapariga adolescente. Quem o foi naqueles anos, no entanto – ou, pelo menos, com quem elas conviveu – saberá a importância e relevância que as gargantilhas tiveram na definição da aparência diária das adolescentes daqueles anos, e perceberá por que razão as mesmas merecem lugar nesta secção 'estilosa' do nosso blog...

Friday, 2 December 2022

Sextas com Style: Os Artigos Promocionais

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Qualquer pessoa que já tenha sido jovem, ou que conviva regularmente com jovens, sabe que, por vezes, há coisas que se tornam 'moda' sem que seja possível explicar porquê – e os anos 90 não foram, certamente, excepção a esse respeito; antes pelo contrário, a década a que este blog diz respeito foi responsável por vários exemplos desta tendência, cada um mais surpreendente que o outro, das míticas meias brancas de raquetes ao assunto do blogue de hoje, os artigos de vestuário e acessórios promocionais.


Não estamos, entenda-se, a referir-nos a 'merchandising' - oficial ou pirata - de uma qualquer propriedade intelectual – falamos, antes, daqueles produtos cuja função era, descarada e declaradamente, fazer publicidade a um qualquer produto ou serviço, da t-shirt oferecida pela garagem local à que se ganhava como 'prémio de participação' num qualquer concurso de uma grande marca, passando pelo supra-sumos desta tendência, o chapéu-de-chuva às riscas com um qualquer logotipo impresso nos 'gomos' brancos.


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Quem nunca teve ou quis um destes?


Para quem não viveu a época, é difícil explicar porque, e até que ponto, este acessório se tornou popular entre os jovens de uma certa idade; quem lá esteve, e ostentou com orgulho um destes chapéus (ou quis, mais que tudo, ter um) certamente se recorda de os mesmos terem, inclusivamente, mais valor do que um chapéu-de-chuva comprado na loja, mesmo que o dito-cujo ostentasse personagens de desenhos animados ou banda desenhada! Um verdadeiro mistério, que nem as três décadas subsequentes foram capazes de resolver.


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Parte da colecção do ano passado da Zara. Sim, a sério.


Mais – a vaga nostálgica que se vem abatendo sobre a geração agora na casa dos trinta a quarenta anos já se estendeu a este tipo de produtos, réplicas dos quais começam a surgir como parte integrante das novas colecções de grandes cadeias de 'fast fashion'; e ainda que os referidos guarda-chuvas ainda não tenham voltado 'à berra', certamente não tardará já muito até que algum 'iluminado' tente cobrar por um chapéu preto e branco a dizer 'Dunlop' – e, provavelmente, consiga vendê-lo a algum trintão nostálgico que se lembre de ter tido um quase exactamente igual ali por volta dos dez ou onze anos...

Friday, 4 November 2022

Sextas com Style: As Sacolas de Sarja

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de não ter tido na moda jovem dos anos 90 a mesma influência que o chamado estilo 'betinho', o movimento alternativo não deixou, ainda assim, de moldar significativamente o aspecto de um qualquer pátio de escola secundária portuguesa dos anos 90 e 2000, respondendo aos pólos de rugby, socas plataforma, calças à boca de sino, camisas da Sacoor e 'sweatshirts' da Gap ou Quebramar com tendências próprias, como as calças largas, as botas Doc Martens ou de biqueira de aço, os bonés para trás ou para o lado, as trancinhas conhecidas como 'tererés' ou o acessório de que falamos neste 'post', as bolsas a tiracolo em sarja.


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Exemplo moderno do acessório discutido nas linhas abaixo.


Populares entre os então chamados 'freaks' pela sua aparência militar e potencial de customização – era, aliás, quase obrigatório decorá-las com 'patches', 'pins' ou até desenhos ou dedicatórias dos amigos – esta mistura das tradicionais carteiras das 'betinhas' com as mochilas que qualquer 'puto' da escola carrega diariamente às costas dispunha de uma alça ajustável, mas esta acabava por ser uma característica quase redundante, já que qualquer aluno do secundário ou da universidade que se prezasse as usava o mais descaídas possível, normalmente ao nível dos joelhos (e, quase sempre, atravessadas a tiracolo, ainda que no caso das raparigas pudessem também ser usadas penduradas.)


Apesar do seu apelo aparentemente intemporal, no entanto, estas sacolas acabaram mesmo por cair em desuso após a primeira década do Novo Milénio, tendo gradualmente vindo a ser substituídas pelas suas congéneres em cabedal, borracha ou plástico, ou ainda pelos sacos de pano, sobretudo entre o sector universitário; ainda assim, este acessório não deixou de marcar época junto do segmento mais alternativo da geração que atingiu a adolescência em finais dos anos 90 e inícios de 2000; aliás, estamos em crer que, após ler este post, já deverá ter havido quem tenha ido buscar a sua à garagem ou ao fundo do armário, para mostrar aos filhos ou, simplesmente, recordar os seus tempos de jovem....

Friday, 21 October 2022

Sextas com Style: As Carteiras da Dunas

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre os muitos acessórios considerados 'indispensáveis' pela juventude portuguesa da viragem de milénio e entretanto caídos em desuso, as carteiras com velcro podem ser consideradas um dos principais; e, de entre os muitos tipos de carteira deste tipo disponíveis no mercado de então – cujos motivos iam desde as Tartarugas Ninja até marcas como a Street Boy – havia um que se destacava acima de todos os outros, sendo activamente cobiçado por qualquer jovem que pretendesse assinalar, sem margem para quaisquer dúvidas, a passagem à idade adulta.


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O design inovador  e a tradicional localização da marca no interior eram duas das principais características destes acessórios


Falamos, claro, das míticas carteiras da Dunas, uma marca que, aparentemente, se especializava neste tipo de acessório, dado o seu logotipo nunca ter sido visto nas habituais t-shirts ou sweatshirts, mas apenas e exclusivamente no interior dos seus porta-moedas e carteiras, nos quais representava um símbolo não só de qualidade, mas também de estatuto – tanto assim que a maioria dos jovens lusos da época nem sequer se importava com o facto de a presença do referido logotipo retirar 'área útil' à carteira, já que a contrapartida valia bem esse pequeno sacrifício.


O 'factor popularidade' não era, no entanto, a única motivação para todo e qualquer adolescente da ponta final da década de 90 e inícios da seguinte querer uma destas carteiras; as próprias características que lhes conferiam essa popularidade tinham, também, uma palavra a dizer, nomeadamente os padrões 'radicais' inspirados na cultura do 'surf' e 'bodyboard', que as tornavam escolha frequente entre os jovens com preferência por este tipo de vestuário, e artigo 'aspiracional' para os restantes. A qualidade das próprias carteiras, que eram feitas de material grosso e tinham algum 'peso', mesmo vazias, era também incentivo à compra, até por parte dos pais, embora não justificasse totalmente o preço algo elevado a que as mesmas eram comercializadas.


No entanto, tal como tantos artigos que abordamos, nesta rubrica e não só, também as carteiras Dunas foram vítimas daquele estranho fenómeno que fazia com que produtos mega-populares entre os jovens 'desaparecessem de cena' quase de um dia para o outro, sem se dar por ela; foi, precisamente, o que se passou com estes acessórios, os quais passaram de omnipresentes a raramente vistos nos pátios das escolas portuguesas, e acabaram mesmo por ser esquecidos por grande parte da população que, durante o seu 'reino', as cobiçou ou orgulhosamente ostentou. Assim, a comunidade nostálgica 'online' afirma-se, mais uma vez, como principal 'guardiã da memória' deste produto que marcou a infância e adolescência de tantos portugueses crescidos durante os anos 90...

Saturday, 27 November 2021

Sextas com Style: As Bolsinhas para Trocos dos Anos 90

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Uma das mais perenes e transversais características das sociedades ocidentais modernas é a tendência para ridicularizar as tendências mais populares de décadas anteriores. A atitude 'qual era a deles?' abrange desde comportamentos a termos de linguagem (o chamado 'calão'), iniciativas culturais (como filmes, séries ou arte) e, claro, roupas e adereços visuais, talvez o alvo mais fácil de entre os citados.


E ainda que não seja de todo descabido dizer que muitos destes aspectos não merecem o desdém que lhes é reservado (sendo, pura e simplesmente, produtos de um tempo muito diferente) outros há que verdadeiramente suscitam a pergunta 'como é que isto era permitido?' - como é o caso do 'item' que hoje abordamos.


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Uma imagem que deverá evocar muitas memórias


As bolsinhas para trocos de pôr à cintura (as famosas 'fanny packs' dos norte-americanos) nunca foram um paradigma de estilo; aliás, nem sequer foram alguma vez desenhados para o ser. Embora existissem bolsas deste tipo fabricadas pelas grandes marcas da altura, nem mesmo estas tinham a audácia de tentar vender o referido adereço como algo mais do que um produto puramente prático – um sítio para quem não tinha carteira de alças pôr as moedas, notas e cartões, quer à solta, quer no respectivo porta-moedas ou carteira (no sentido de receptáculo de dinheiro e cartões.) As mesmas não eram, de todo, comercializadas como um indicador de moda, ou mesmo algo desejável – e, no entanto, foi exactamente nisso que se tornaram, um pouco por todo o Mundo durante os anos 90.


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Estes acessórios eram tão populares que até celebridades como The Rock se deixavam fotografar com elas


Portugal não foi excepção a esta regra, sendo que nos primeiros anos da década, em particular, não havia membro de uma determinada faixa etária que não exibisse orgulhosamente a sua bolsinha de trocos a tiracolo (algumas de padrão bem 'anos 90'), sem que a mesma o tornasse objecto de ridículo – antes pelo contrário. E enquanto os membros mais velhos dessa mesma demografia utilizavam este acessório da maneira correcta, para os mais novos (com menor acesso a dinheiro e ainda muito jovens para usar carteira) o mesmo transformava-se, muitas vezes, num repositório do tipo de quinquilharias de que aqui falamos por vezes às quintas feiras – coisas como berlindes, bolinhas saltitonas, bolas de sabão, Tazos, Matutolas, Pega-Monstros, cartas, cromos, pastilhas, chupa-chupas, bolachas, chocolates ou até figuras de acção, se a bolsa fosse grande o suficiente.


De facto, apesar de do ponto de vista da moda serem mais do que questionáveis, estes acessórios afiguravam-se como uma excelente maneira de transportar este tipo de pequeno objecto que era (e é) parte tão integrante da vida das crianças em idade pré-adolescente; e o mínimo que se pode dizer é que quem foi desta idade nos anos 90 tirou o máximo partido da sua 'bolsinha'...


Claro que uma moda tão 'parola' como esta não podia ter grande longevidade, e menos de uma década depois de terem sido consideradas o supra-sumos da moda, as bolsinhas para trocos tinham sido relegadas a motivo de chacota, e substituídas, no caso do sexo masculino, por um 'item' algo mais aceitável, embora hoje também alvo de ridículo – as bolsas a tiracolo, vulgo 'pochettes'. No entanto, aqueles anos loucos em que as 'fanny packs' foram universalmente aceites como acessórios desejáveis ainda hoje fazem parte da consciência colectiva – e com bom motivo. Afinal de contas, 'qual era a nossa' em usar aquelas coisas?!

Saturday, 23 October 2021

Sextas com Style: O Regresso da No Fear

Uma das nossas primeiras Sextas com Style de sempre aqui no blog recordou as icónicas sweat-shirts da No Fear que todos usámos em meados dos anos 90; pois bem, a marca preferida de todo o miúdo de dez anos daquela época está de volta, e logo com uma colaboração 'em grande' – nada mais, nada menos do que com a conhecidíssima e super-popular cadeia de lojas H&M.


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Aquela que é a segunda colaboração da marca com um 'franchise' de vestuário e acessórios – após a tímida tentativa de regresso há alguns anos, em parceria com a inglesa Sports Direct – irá ter um âmbito global, e colocar o inconfundível logotipo dos anos 90 numa vasta selecção de produtos comercializados pela marca, conforme noticiado no próprio site internacional da H&M.


Como blog sempre atento às questões de revivalismo dos anos 90, não podíamos obviamente deixar passar em branco esta oportunidade, tendo a agradecer à Maria Ana – autora do nosso blog irmão, o Lookout – por nos ter dado a conhecer esta informação. Quanto aos nossos restantes leitores, agora é a oportunidade de comprar aquela 'sweat' que queriam mas não tiveram em pequenos – afinal, um quarto de século não tornou a roupa da No Fear menos 'fixe', antes pelo contrário...



 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...