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Sunday, 26 March 2023

Domingo Desportivo: Grandes dos 'Pequenos' - R'Ched Mounir

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Regra geral, no futebol moderno, as posições defensivas tendem a ter menor projecção e atenção mediática do que as atacantes; ainda assim, um defesa de categoria acima da média é bem capaz de deixar memórias e saudades entre os adeptos dos clubes que o viram brilhar. É o caso, por exemplo, de nomes como John Terry, Carles Puyol ou Paolo Maldini, a nível internacional, ou, no campeonato português, de André Cruz, Paulo Madeira, Jorge Costa, Fernando Couto, Jorge Andrade ou Ricardo Carvalho, entre outros.


Numa categoria inferior à dos supracitados, mas ainda assim merecedor do título de 'histórico' do futebol português, encontra-se o jogador que homenageamos esta semana, no dia em que completa cinquenta e três anos; trata-se de R'Ched Mounir, central marroquino que se tornou presença frequente nas cadernetas da Panini da segunda metade dos anos 90 ao serviço da Académica e que, pelas várias épocas de serviços prestados à mesma, merece a nomeação como 'Grande dos Pequenos' do campeonato português.


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Contratado pelos 'Estudantes' ao Ittihad Tanger (onde já completava a sua terceira época) no início da temporada 1996/97, R'Ched Laroussi Mounir não tardou em afirmar-se como figura de proa do clube coimbrão, 'pegando de estaca' logo na primeira época, durante a qual participou em vinte e quatro dos jogos realizados pela Académica; nas temporadas seguintes, estes números seriam ainda mais expressivos, sendo apenas na sua última época de preto e branco (a primeira do Novo Milénio) que Mounir deixaria de ser titular quase indiscutível no esteio da defesa academista, tendo ainda assim logrado realizar quinze jogos (um pouco menos de metade do total do campeonato da época) antes de se despedir dos coimbrões e regressar ao clube que o vira 'nascer' para o desporto.


Duraria apenas uma época essa segunda estadia de Mounir em Marrocos , no entanto, sendo que a época 2002/2003 o veria regressar a Portugal, para representar outro 'histórico', o Leça de Serifo e companhia. Aí, o marroquino voltaria a ser titular e peça importante da estratégia do clube nortenho, naquela que seria a sua última temporada a um nível mais alto, já que as épocas seguintes o veriam 'cair' para os escalões amadores do futebol luso, ao serviço de emblemas como o Sertanense, Sourense (onde passou três épocas, o período mais longo ao serviço de um clube desde os tempos da Académica), Eirense, Nogueirense e Marmeleira, onde viria a 'pendurar as chuteiras' sem a pompa e circunstância de que muitos dos seus contemporâneos gozavam.


Ainda assim, as cinco épocas passadas em Coimbra, num dos períodos mais memoráveis dos 'Estudantes', bem como a sua presença não só nas referidas cadernetas de cromos como também em jogos como o 'Elifoot 2', fizeram do defesa marroquino um verdadeiro 'Grande dos Pequenos', bem merecedor desta pequena homenagem por alturas do seu quinquagésimo-terceiro aniversário. Parabéns, Mounir!

Sunday, 26 June 2022

Domingo Desportivo: Os Grandes dos 'Pequenos' - Serifo

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


Hoje em dia, é raro encontrar um profissional de futebol que tenha feito toda a sua carreira no mesmo clube; a conjuntura actual, em que o futebol é tanto um negócio como um desporto e os clubes são tanto marcas como agremiações, é pouco propícia a este tipo de situação. Nos anos 90, no entanto, o desporto-rei era, ainda, um mundo algo mais 'puro' e inocente, e jogadores como Puyol e Paul Scholes preferiam tornar-se símbolos do clube onde militavam do que simplesmente ir atrás do próximo contrato milionário.


Não era, no entanto, apenas no escalão mais alto do futebol que tais situações ocorriam, muito pelo contrário; de facto, era longe das luzes da ribalta, num modesto clube de reputação local do campeonato português, que se podia encontrar um dos melhores exemplos de dedicação a um só clube da altura, verdadeiramente merecedor do epíteto de 'Grande dos Pequenos'.


Falamos do guineense Serifo Cassamá, vulgarmente conhecido apenas pelo seu primeiro nome, e que desenvolveu toda a sua carreira profissional numa única agremiação, onde passou umas impressionantes (por qualquer bitola!) DEZASSEIS temporadas, de finais dos anos 80 até meados da primeira década do século XXI, seguindo o clube das divisões distritais até à principal e, em seguida, também no sentido inverso.


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O emblema em causa era o histórico Leça FC, no qual Serifo ingressou no início da época 1987/88, com apenas vinte anos, após ter feito a formação no local Sport Bissau e Benfica. À época, o clube militava, ainda, na então denominada III Divisão (mais tarde II Divisão B), onde permaneceria durante mais cinco temporadas, até conseguir a promoção à então II Divisão de Honra no final da época 1992/93. Daí à promoção à I Divisão, passar-se-iam apenas duas épocas - coincidentemente as duas primeiras em que Serifo, verdadeiramente, se impôs na equipa, realizando 31 jogos e marcando 8 golos em 1993/94, e 15 jogos (um golo) na temporada seguinte.


A preponderância do médio no meio-campo dos leceiros permaneceria, aliás, intacta durante as três temporadas do clube no principal escalão nacional, tendo sempre realizado mais de vinte jogos por temporada (29 na última época do Leça na divisão de topo, 1997/98) e contribuído com três golos na temporada 96/97 e mais três na seguinte.


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Serifo, nos tempos de Primeira Divisão, em duelo com um jogador que conseguiria o triplo da sua fama, com um terço do seu brio profissional


Os esforços do médio não foram, no entanto, suficientes para evitar a descida de divisão, que apenas foi agravada, em épocas subsequentes, por problemas financeiros, que culminaram num escândalo de corrupção e desvio de fundos. Nada, no entanto, que afectasse a lealdade de Serifo ao clube, tendo o guineense permanecido no plantel da agremiação nortenha até à temporada 2003/04 (a sua última como profissional) e sido quase sempre parte importante do plantel da equipa – um verdadeiro exemplo de amor a um clube, que rende (merecidamente) ao ex-médio do Leça a presença nesta rubrica, e o epíteto que a mesma depreende; de facto, a carreira de Serifo ilustra o significado da expressão 'Grande dos Pequenos', devendo o guineense (que, recentemente, chegou a fazer parangonas por ter andado, literalmente, desaparecido!) servir de exemplo de brio profissional a qualquer jovem que dê os seus primeiros passos como profissional num clube pequeno, e pondere as suas opções de carreira.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...