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Monday, 20 April 2026

Segundas de Sucessos: Vinte Anos de Uma Estreia 'Fadada' Ao Sucesso

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


O fado (esse estilo de música tão parecido com tantos outros 'lamentos' musicais ao redor do Mundo, mas ainda assim diferente de todos eles) tem sido, ao longo dos últimos séculos, um dos principais elementos da identidade nacional, a ponto de ser um dos identificadores imediatos da 'Portugalidade' junto dos turistas. E se Amália Rodrigues continua a ser a maior referência do estilo (sobretudo junto dos sobreditos turistas) as últimas décadas têm visto outros nomes almejar um lugar na lista de 'grandes' do fado, ao lado da eterna diva e de 'companheiros' como Carlos do Carmo, tendo mesmo alguns deles conseguido cruzar a 'fronteira' radiofónica, através do uso de elementos de fado em contextos mais comerciais, bastando neste caso recordar artistas como Madredeus, Dulce Pontes, ou a cantora que serve de tema a este 'post', Mariza.


Fadoemmim.jpg


Capa do álbum de estreia da cantora.


Com a sua ascendência luso-africana (a mãe é moçambicana, e a própria artista é natural de Lourenço Marques) e mistura de fado com estilos mais modernos, Mariza posicionava-se, desde logo, como uma espécie de 'Sara Tavares do fado' – e, como esta, viria a gozar de uma longa e decorada carreira, ainda hoje vigente, e que tinha o seu início 'oficial' há exactos vinte anos (a 21 de Abril de 2001) com o lançamento de 'Fado Em Mim', o primeiro registo de originais da cantora. Surgido quase dois anos após a revelação de Mariza ao mundo musical português, ao cantar num tributo póstumo a Amália Rodrigues transmitido em directo, o disco (inicialmente rejeitado por várias editoras dado tratar-se de uma artista inexperiente e desconhecida) viria a pulverizar quase de imediato quaisquer recordes vigentes de vendas para discos de fado, movendo mais de cem mil cópias na sua primeira semana, e eventualmente chegando às cento e quarenta mil após o seu lançamento internacional. Com a sua mistura de fado e outras sonoridades que a haviam influenciado – como a soul ou o jazz – Mariza mudava assim indelevelmente o panorama 'fadístico' nacional, revitalizando o estilo e abrindo caminho a sucessoras como Carminho.



Tal era o sucesso do disco, de facto, que o mesmo seria relançado logo no ano seguinte, numa edição especial acrescida de um disco gravado ao vivo (e que causa alguma confusão nos meios cibernéticos quanto ao ano de lançamento do disco), voltando a almejar grande sucesso tanto junto do público nacional como internacional. Seria, pois, sem surpresas que a carreira de Mariza continuaria 'de vento em popa' ao longo das duas décadas seguintes, tendo-se a artista conseguido afirmar e posicionar como uma das 'porta-vozes' não só do fado como da 'Portugalidade' em geral (foi, aliás, dela um dos temas oficiais de apoio à Selecção Portuguesa aquando de uma competição internacional), posição que retém até hoje, quase exactas duas décadas após uma das estreias mais retumbantes da História da música portuguesa.

Monday, 20 March 2023

Segundas de Sucessos: Madredeus - O Fado Tornado Pop

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Regra geral, a maioria das bandas é fácil de catalogar dentro de um estilo definido, seja ele o rock, o heavy metal, o pop, a música étnica, a música clássica, ou qualquer outra das dezenas de denominações que compõem o Mundo da música moderna. Por vezes, no entanto, surge um colectivo que verdadeiramente desafia as convenções estabelecidas, ousando mesclar estilos numa mistura ecléctica que os ajuda a destacar da 'maralha' e a atrair a atenção de toda uma base de fãs. Nos anos 90, existiu em Portugal um grupo assim, cuja proposta passou por misturar o canto tradicional do nosso País, o fado, com elementos de música pop e gótica – proposta essa que os ajudou a catapultar para os mais altos vôos a que uma banda nacional pode aspirar. Falamos, é claro, dos Madredeus, o colectivo centrado em torno do guitarrista clássico Pedro Ayres de Magalhães, e cujo elemento mais distintivo, na sua fase clássica, foi a inimitável voz de Teresa Salgueiro, a qual, durante a sua permanência no grupo, se faria ouvir ao lado de artistas tão díspares quanto José Carreras e Moonspell.


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Formados ainda nos anos 80, datando o primeiro disco de 1987, seria, no entanto, na década seguinte que o colectivo baptizado com o nome de um bairro lisboeta atingiria a proeminência que se lhe conhece hoje em dia. O lançamento do segundo álbum, logo em 1990, e 'aventuras' internacionais como o concerto na exposição Europália '91 (dedicada à cultura portuguesa) ou a participação em bandas sonoras de filmes estrangeiros ajudaram a consolidar o nome do grupo não só dentro de portas como também 'lá fora', dando início à trajectória de sucesso que caracterizaria a carreira do grupo. O terceiro álbum, de 1994, já tem honras de digressão internacional e, no ano seguinte, a banda é convidada a colaborar com o cineasta Wim Wenders, que inclui temas dos Madredeus no seu 'Viagem a Lisboa', ajudando a elevar ainda mais o perfil internacional do colectivo. Já 'cá dentro', o mérito da banda era bem reconhecido, tornando-os figura de proa da cena musical nacional e motivando convites de índole tanto musical como cultural, como aquele que os levou a participar no espectáculo de abertura da Expo '98, ao lado de José Carreras, já depois de algumas alterações de formação e do lançamento de um quarto álbum, em 1997.


A ascensão do grupo não abrandaria, aliás, no Novo Milénio, que abriria com o lançamento de uma 'Antologia' e uma participação no filme 'Capitães de Abril', cada uma das quais com dois temas inéditos, e veria serem lançados, no espaço de apenas três anos, mais dois álbuns de originais, uma colectânea para o mercado brasileiro, um disco ao vivo e um de 'remixes' electrónicas – mais uma prova, caso as mesmas ainda fossem necessárias, de que o grupo havia atingido o patamar da fama e relevância. Seria, portanto, com alguma surpresa que os fãs do grupo receberiam a notícia de um 'ano sabático', em 2007, e, mais tarde, o êxodo da maioria dos membros, deixando o fundador Ayres de Magalhães e o teclista Carlos Maria Trindade como únicos representantes do nome.


Não querendo desvirtuar o mesmo com novos músicos, os dois decidem fundar um novo projecto, a Banda Cósmica, com o qual lançam três álbuns antes de decidirem mesmo 'ressuscitar' o seu grupo anterior, agora com novos músicos e a vocalista Beatriz Nunes no lugar que ficará para sempre associado a Teresa Salgueiro. Com esta nova formação, são lançados mais dois álbuns, o segundo dos quais, 'Capricho Sentimental', de 2015, é até hoje o último lançamento dos Madredeus. Qualquer que seja o futuro do grupo, no entanto, o colectivo de Pedro Ayres de Magalhães já inscreveu indelevelmente o seu nome na História da música portuguesa, e pode orgulhar-se de ser, até hoje, um dos principais nomes da mesma, tanto a nível nacional como internacional.


Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...