Monday, 31 March 2025

Domingos Desportivos: Lendas da I Divisão - Poborsky, A 'Estrela Vermelha'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 30 de Março de 2025.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


A passagem de um jogador talentoso de um clube de média dimensão para um de maior nomeada é comum ao ponto de ser um passo esperado na carreira de qualquer atleta; menos habitual, no entanto, é ver um futebolista fazer o percurso inverso, dando um 'passo atrás' enquanto ainda vive o auge da carreira. Não sendo de todo inaudita, esta situação prima pela raridade, o que torna ainda mais surpreendente constatar que um dos seus mais famosos exemplos teve lugar em Portugal, na década de 1990.


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Isto porque, ao assinar pelo Benfica no Verão de 1997 (em plena 'era Graeme Souness') o checo Karel Poborsky trazia já honras de campeão checoslovaco (pelo Slavia Praga) e inglês (pelo Manchester United de Alex Ferguson), bem como de semi-finalista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões (pelos mesmos clubes, respectivamente) e de internacional indiscutível do seu país, tendo inclusivamente sido 'carrasco' de Portugal no icónico Euro '96, ao marcar o único golo do jogo dos quartos-de-final, uma 'chapelada' a Baía após excelente trabalho individual que ditaria o afastamento das Quinas da competição. Um palmarés mais 'decorado' que o habitual para um jogador que ingressasse no Campeonato Nacional português, e que tornava de imediato Poborsky numa das grandes 'estrelas' dessa edição da competição.


E a verdade é que, na Luz, o checo, 'tapado', em Manchester, pelo indiscutível David Beckham, viria mesmo a conseguir relançar a carreira, afirmando-se como uma das peças preponderantes dos plantéis por onde passou nas suas três épocas e meia de águia ao peito, como um dos melhores jogadores dos últimos Campeonatos do século XX, e como uma das pouquíssimas contratações acertadas feitas pelo técnico escocês durante o seu infame período ao comando dos 'encarnados'. Médio rápido e tecnicista, o checo não tardou a mostrar a sua valia, e a sua icónica 'cabeleira' aloirada tornou-se praticamente sinónima com qualquer lance de perigo criado pela equipa do Benfica durante aqueles anos finais do Segundo Milénio.


Tudo o que é bom chega ao fim, no entanto, e Poborsky, como tantos outros jogadores antes de si, viria mesmo a deixar o Benfica, já nos primeiros meses do Novo Milénio, e pouco após a 'prenda de Natal' que foi o regresso de Toni ao comando técnico do clube da Luz. O destino era ainda outro país a adicionar ao currículo, e ainda outro clube de média-grande dimensão europeia – no caso a Lazio, onde fez uma época e meia 'ao seu nível', embora optasse por não renovar contrato e, ao invés, regressar à sua República Checa natal, no caso para o 'lado oposto' da cidade de Praga, onde vestiria a camisola do Sparta, rival acérrimo do mesmíssimo Slavia onde se afirmara, cerca de uma década antes.


Uma 'traição' que, no entanto, correria bem ao jogador, que se tornaria o atleta mais bem pago da República Checa e juntaria mais dois campeonatos e uma Taça ao seu palmarés, antes de escolher abraçar o desafio de regressar ao clube que o formara, o modesto Dynamo Ceske Budejovice, onde ainda faria mais de duas dezenas e meia de aparições nas ligas secundárias checas, marcando dez golos, antes de 'pendurar' de vez as botas. Pelo meio, participaria ainda em mais três icónicos torneios internacionais, os Campeonatos Europeus de 2000 (na Bélgica e Holanda) e 2004 – esse mesmo, o realizado em Portugal, onde a sua Selecção seria eliminada pela da...Grécia – e o Campeonato Mundial de 2006, após o qual se retiraria também do futebol internacional.


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Ao contrário de muitos dos seus colegas e contemporâneos de que aqui falamos, no entanto, o checo escolheu não transitar para cargos técnicos após o encerramento de carreira (excepção feita aos dois anos que passou como director técnico da Selecção checa), preferindo dedicar-se ao trabalho de escritório (quer no seu clube formador, quer no Sindicato dos Jogadores checo) e ser lembrado pelos seus feitos em campo, e como membro de uma das melhores gerações de sempre da República Checa, tendo partilhado o campo com nomes como Pavel Nedved ou Tomás Rosicky. Em fim-de-semana de aniversário (completou cinquenta e três anos) façamos-lhe, pois, a vontade, e recordemos a sua bem-sucedida passagem por Portugal, e o estatuto icónico que adquiriu junto dos adeptos do Benfica durante a mesma.

Sunday, 30 March 2025

Sábados aos Saltos: As Bolas de Espuma - Seguras, Versáteis, Simples e Acessíveis

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 29 de Março de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Não foram exclusivas da década de 80 e 90, antes pelo contrário (aliás, continuam a existir), mas marcaram, ainda assim, a infância de muitas crianças desse tempo, tendo potencialmente estado entre os primeiros brinquedos a figurar no 'parque' ou cesto dos brinquedos de bebé, ao lado das figuras de borracha até pela sua natureza segura e incontroversa. Falamos das bolas macias, de espuma, ideais para serem atiradas ou chutadas sem risco de magoar quer a própria criança, quer quaisquer circundantes.


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Disponíveis na variante genérica (adquirível em qualquer loja de brinquedos ou drogaria) e mais elaborada (a Chicco, por exemplo, teve nos anos 80 uma linha que imitava bolas de diferentes desportos, tendo existido lá por casa uma de futebol americano/râguebi, tingida em suaves tons de azul-bebé e rosa e com um guizo dentro, que soava quando atirada) estas bolas ofereciam a mesma combinação de simplicidade e diversão de qualquer outro tipo de esférico, com o 'bónus' adicional, acima descrito, de não causarem mossa aquando do contacto com uma qualquer superfície ou até ser vivo – algo que, num brinquedo dirigido a crianças ainda sem perfeita coordenação motora, se afirma como factor essencial.


É fácil, portanto, ver como a simplicidade, versatilidade, acessibilidade e natureza segura deste tipo de brinquedo (tanto em termos de distribuição como de preço) o tornava presença frequente, senão mesmo obrigatória, no quarto de qualquer criança pequena, e mesmo em contextos como o das aulas de ginástica infantil – tendência que, aliás, se tende a manter até aos dias de hoje, comprovando a longevidade deste tipo de produto e justificando a sua presença nesta nossa rubrica.

Saturday, 29 March 2025

Sessão de Sexta: As Obras-Primas Prisonais de Frank Darabont e Stephen King

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Março de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Como um dos escritores mais populares e prolíferos da era moderna, não é de espantar que Stephen King tenha visto a grande maioria da sua obra ser adaptada ao formato cinematográfico; mais surpreendente é verificar que, apesar da qualidade invariavelmente elevada dos contos do escritor, a referida obra se pauta pela irregularidade, com quase tantos filmes 'de culto' ou declaradamente maus quanto obras-primas imortais. De facto, basta um olhar de relance à filmografia do escritor para perceber que, para cada 'Carrie', 'Shining', 'Conta Comigo', 'Misery – O Capítulo Final' ou 'It – Capítulo I' (ou mesmo um 'Cujo' ou 'Cemitério Vivo') existe um 'Potência Máxima', 'Os Estranhos' ou 'A Torre Negra'. Ainda assim, no tempo presente, o saldo geral pauta-se, ainda, pela positiva, muito por conta de filmes como os dois que abordamos nas próximas linhas – curiosamente, ambos dirigidos pelo mesmo realizador, afectos à mesma temática, considerados obras-primas do seu tempo, e com estreias nacionais separadas por exactamente cinco anos, e com 'aniversários' marcantes no início da próxima semana.


De facto, os dias 31 de Março tanto do ano de 1995 como do ano 2000 veriam chegar às salas de cinema nacionais um filme adaptado de um romance de Stephen King, ambientado numa prisão, e com interpretações merecedoras de elogios e prémios, nomeadamente Óscares (sete para um e quatro para outro, tendo ambos ganho o de Melhor Filme); primeiro 'Os Condenados de Shawshank', com Tim Robbins e Morgan Freeman, e depois 'À Espera de Um Milagre', com Tom Hanks, Sam Rockwell e o malogrado Michael Clarke Duncan. Ambos continuam, três décadas e duas décadas e meia (respectivamente) após o seu lançamento, a afirmar-se como de visualização obrigatória para fãs do género, fazendo assim por merecer as breves linhas que aqui lhes dedicamos.


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Sobre 'Os Condenados de Shawshank', pouco mais há a dizer do que aquilo que tanto a imprensa especializada como o próprio público já sabe – nomeadamente, que se trata de um dos melhores filmes sobre prisões de todos os tempos, com interpretações magistrais de ambos os seus actores principais e muitos momentos memoráveis. Adaptação fiel do conto original (curiosamente, publicado na mesma compilação de onde saiu 'O Corpo', a inspiração para 'Conta Comigo', e dois outros contos que dariam ambos origem a filmes), a película de Frank Darabont narra os esforços do padeiro Andy Dufresne e do velho 'Red' Ellis para escaparem da prisão – mediante um buraco escavado por trás de um 'poster' da actriz Rita Hayworth – e dos laços de amizade que se criam entre os dois homens (e também alguns outros reclusos) como resultado da experiência modificadora que vivem. Uma temática que facilmente poderia cair no facilitismo da 'lamechice' ou da acção pseudo-profunda, mas que prefere (e bem) focar-se no aspecto humano, oferecendo uma perspectiva multifacetada que realça tanto a tragédia da vida prisonal como o humor que os próprios reclusos conseguem nela injectar. O resultado é, como já acima apontámos, um filme absolutamente essencial para qualquer cinéfilo, e que pouco ou nada envelheceu nas quase exactas três décadas desde a sua estreia.


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Não contente com uma obra-prima no seu portefólio, no entanto, Darabont voltaria a penetrar no 'filão' Stephen King cinco anos depois, para trazer ao grande ecrã um dos melhores livros do escritor, 'The Green Mile'. O resultado, que em Português se chamou 'À Espera de Um Milagre', trazia os mesmos ingredientes que haviam feito sucesso em 'Shawshank' – as interpretações marcadamente humanas, a abordagem complexa aos temas do enredo, e o foco nas pequenas situações e 'nuances' dos protagonistas – os quais, previsivelmente, voltaram a resultar num 'cozinhado apetitoso' para qualquer cinéfilo. E se, em 'Shawshank', não havia uma interpretação a destacar, por todas serem magníficas (embora tenha sido Freeman a ganhar o Óscar de Melhor Actor Principal), aqui o realce vai todinho para Michael Clarke Duncan, que, no papel do injustamente condenado John Coffey, terá feito lacrimejar em pleno cinema muitos 'homens feitos' - efeito que, aliás, continua a surtir até aos dias de hoje. E com razão, já que o seu desempenho de um personagem complexo e difícil é magistral, daquelas em que o actor se 'perde' no personagem ao ponto de fazer o espectador esquecer que se trata de um filme. Para seu crédito, o habitualmente 'canastrão' Tom Hanks e o previsivelmente excelente (e levemente tresloucado) Sam Rockwell ajudam a manter alto o nível geral de interpretação, mas é Duncan a verdadeira 'estrela', devendo a sua actuação servir, por si só, de incentivo para quem desconheça este magnífico filme, tendo-lhe merecidamente valido o Óscar de Melhor Actor Secundário na cerimónia desse ano.


Em suma, dois filmes com muito mais em comum do que apenas a data de estreia em Portugal, mas que essa e outras coincidências não poderiam deixar de 'fadar' a um 'post' conjunto, a poucos dias da data dos trigésimo e vigésimo-quinto aniversários da referida efeméride.

Friday, 28 March 2025

Quintas de Quinquilharia: As Caixas de Som - Simplicidade Clássica

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Março de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui por diversas vezes elencámos brinquedos que, apesar de aparentemente demasiado simplistas e básicos, não deixavam ainda assim de proporcionar bons momentos de diversão às crianças noventistas; neste 'post', recordamos um dos mais clássicos, e que, apesar de hoje algo esquecido, teve ainda assim algum impacto na infância da demografia afecta a este 'blog'.


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Falamos das caixas de sons – não as posteriores versões electrónicas, mas as originais, que se viravam de 'cabeça para baixo' para ouvir um assobio, o trinado de pássaros, o mugido de vacas, ou qualquer outro som, normalmente simulado de um ruído natural. Um conceito e resultado final que faria revirar os olhos de qualquer membro da Geração Alfa, ou até dos 'Z' mais novos, mas que foi suficiente para divertir, por alguns momentos, não só os 'X' e 'millennials' como as gerações que lhes deram origem.


E apesar de, nos anos 90, esta já não ser uma Quinquilharia particularmente comum nos estojos, mochilas ou bolsos das crianças e jovens nacionais – especialmente por comparação a outras que esta rubrica já abordou – a mesma estava, ainda assim, suficientemente presente no dia-a-dia das mesmas para justificar estas breves linhas na rubrica dedicada a pequenos objectos lúdicos comuns à época, e para potencialmente trazer à tona memórias nostálgicas para quem, em criança, tenha tido a oportunidade de brincar com uma.

Thursday, 27 March 2025

Quartas aos Quadradinhos: 'O Caso Da Doença Misteriosa' - Uma BD Tão Misteriosa Quanto o Seu Título

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 27 de Março de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Pela sua natureza específica a um determinado momento, as bandas desenhadas institucionais tendem a estar entre os títulos mais frequentemente Esquecidos Pela Net, com, via de regra, pouca a nenhuma informação disponível para lá da capa. Já aqui, anteriormente, abordámos um par de exemplos deste fenómeno e, neste 'post', iremos falar de mais um.


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Lançado algures nos anos 90 pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, 'O Caso da Doença Misteriosa – Um Problema Para o Dr. Truso' envolverá, presumivelmente, o titular médico, cuja missão será tentar resolver o mistério que compõe o restante título, e que, dada a entidade responsável pela edição, terá algo a ver com a vertente cardíaca. Tudo isto são, claro, ilações, já que o único elemento verdadeiramente restante desta edição (tão misteriosa como a doença a que alude) é a vibrante capa, que permite apreciar um pouco do estilo de desenho que compõe a obra, cujos traços se situam entre o abstracto ou surreal e o caricatural, com algumas aproximações a Mortadelo e Salamão na fisionomia do protagonista.


Quanto à trama ou enredo, pouco mais se sabe do que a cena mostrada pela capa, com o Dr. Truso pendurado da sua própria nave, e a pedir auxílio ao seu jovem assistente – algo que, depreende-se, ocorrerá a um qualquer ponto da aventura. Tudo o resto é mera conjectura sobre aquela que se perfila como mais uma integrante da nossa lista de publicações periódicas (ou, neste caso, institucionais) sobre as quais é praticamente impossível encontrar informações. Se algum dos nossos leitores tiver informações sobre esta publicação (como já aconteceu no passado) pedimos, pois, que as partilhem, para que esta incógnita Esquecida Pela Net passe a ser um pouco menos desconhecida e misteriosa.

Wednesday, 26 March 2025

Terças Tecnológicas: Os Jogos de 'Widget' - Tão Medianos Quanto o Material de Origem...

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 25 de Março de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Já aqui por diversas vezes nos referimos aos videojogos licenciados como forma de cimentar a popularidade de uma propriedade intelectual junto de um público infanto-juvenil. De facto, qualquer desenho animado ou banda desenhada que se prezasse teria, mais cedo ou mais tarde, direito a um qualquer tipo de lançamento electrónico, sendo a única diferença o facto de ser melhor ou pior sucedido na sua tentativa de 'angariar' novos fãs ou reter os existentes. Os jogos de que falamos neste 'post' – alusivos à série explorada na última Segunda de Séries – inserem-se, infelizmente, na metade mais negativa da escala, tendo activamente contribuído, não para estabelecer a reputação do protagonista como herói a acarinhar, mas para a prejudicar, graças a aspecto técnicos pouco cuidados e falta de inspiração em geral.


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De facto, nem 'Widget' (lançado em 1992 para a Nintendo original) nem 'Super Widget' (que chegava no ano seguinte à sucessora Super Nintendo) tentam, a algum ponto, fazer algo que os distinga das literais dezenas de jogos de plataformas (licenciados ou não) disponíveis para os dois sistemas – a menos que sejam contabilizados os diversos 'bugs' do primeiro jogo, que tanto permitiam atravessar paredes ou saltar partes de níveis como, pura e simplesmente, 'congelavam' o jogo, obrigando à reinicialização da consola, algo que sem dúvida terá 'agradado' aos fãs do alienígena roxo...


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Já 'Super Widget' nem isso tinha para o distinguir, sendo apenas e só 'mais um' jogo de plataformas baseado num desenho animado, com cenários 'fofinhos' e coloridos, coisas para coleccionar e 'trocar' por vidas ao fim de serem apanhadas cem – no caso, a inicial do herói – e, claro, poderes que permitem a Widget ser atingido mais do que uma vez antes de morrer. Curiosamente, a vertente metamorfa do herói, explorada no primeiro jogo, ficava aqui de fora, tornando 'Super Widget' recomendável apenas a quem já gostasse do personagem.


No cômputo geral, portanto, é fácil de perceber que a vertente interactiva e electrónica das aventuras de Widget se pautava pela mesma mediania (para não dizer mediocridade) do seu material de base, e de centenas de outros jogos da mesma índole, não sendo portanto de espantar que se tenha rapidamente perdido nas 'brumas do tempo'. Ainda assim, por termos já falado da série que os inspirou, apenas fica bem falar destes dois títulos, mesmo que, neste caso, muito pouco haja para dizer...


Tuesday, 25 March 2025

Segundas de Séries: 'Widget' - Um (Razoável) Produto do Seu Tempo

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 24 de Março de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui por várias vezes nos referimos aos anos 90 como a grande era da sensibilização para a ecologia, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo; e, sendo esta mensagem dirigida, sobretudo, a um público jovem, não é de admirar que a mesma surgisse frequentemente em produtos dirigidos a esta demografia, com especial ênfase nos filmes, videojogos e desenhos animados. De facto, os últimos dez anos do século XX viram surgir uma série de criações de pendor ecológico, de 'Awesome Possum', um titulo algo obscuro para Sega Mega Drive, até filmes como 'Ferngully - As Aventuras de Zack e Krysta Na Floresta Tropical', passando por programas televisivos como 'Capitão Planeta' ou o desenho animado que focamos esta segunda-feira, 'Widget'


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Criada logo nos primeiros meses da década e chegada à RTP três anos depois (um ano após a Prisvídeo a ter lançado em vídeo, com dobragem em Português do Brasil), a série em causa foca-se num pequeno alienígena roxo, capaz de se transformar nos mais diversos seres e objectos, conforme a necessidade, e cuja missão é velar pela manutenção do equilbrio ecológico da galáxia. Enviado à Terra em missão urgente pelo seu superior, o Grande Sábio, este agente juvenil não tarda a juntar-se a dois jovens habitantes do planeta, no caso dois irmãos, para o proteger das diversas ameaças ecológicas e intergalácticas que enfrenta.


Uma premissa que requeria algum tacto para não parecer forçada e 'lamechas', algo em que 'Widget' é algo mais bem-sucedido do que 'Capitão Planeta' – não que tal fosse difícil. Infelizmente, no restante, a série tem muito pouco de especial, sendo bastante típica da sua época e uma das representantes mais famosas do género do 'amigo mágico', uma espécie de versão actualizada da 'fórmula Scooby-Doo', popular duas décadas antes. Em suma, da perspectiva de um 'trintão' ou 'quarentão' nostálgico pela sua infância, será perfeitamente 'visível', mas muito pouco entusiasmante – à parte, claro está, o tema de abertura, um daqueles 'épicos' também tão típicos do período, hoje interessante sobretudo como 'cápsula' de uma certa era da animação televisiva, em que muitas séries nada mais eram do que veículos (fossem para mensagens ou brinquedos) produzidos com o menor orçamento possível, e repletos de mascotes 'fofinhas' e comercializáveis, algumas mais bem sucedidas na sua aceitação pelo público-alvo do que outras, ficando Widget nesta última categoria.



Ainda assim, a série foi bem-sucedida (ou era barata) o suficiente para ter sido repetida anos depois no Canal Panda - agora em versão legendada, por oposição à dobragem original – dando a conhecer a toda uma nova geração as mensagens ecológicas do pequeno mas poderoso guardião da galáxia a quem estas linhas são dedicadas; quem sabe, pois, não venhamos, ainda, a assistir a um segundo regresso de Widget, desta vez quiçá em 3D e criado por CGI, mesmo a tempo de ensinar à Geração Alfa como cuidar do ambiente?

Monday, 24 March 2025

Domingos Divertidos: Os Telefones de Copos - A Simplicidade Transformada Em Brinquedo

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


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Todas as crianças da era pré-digital os fizeram, ou pediram que lhos fizessem, pelo menos uma vez na vida, e todos os testaram da mesma maneira: correndo para lados opostos de uma divisão (ou tão longe quanto o fio permitisse) e tentando comunicar entre si. E apesar de a suposta capacidade de ecoarem ser, parcialmente, uma ilusão, não deixava ainda assim de se passar um Domingo Divertido, na companhia de um amigo, irmão ou primo, a brincar com esta simples mas fascinante criação.


Falamos, claro, dos telefones feitos com dois copos de plástico e um bocado de guita, que era passada por dentro de cada copo, unindo-os assim um ao outro para criar algo com a aparência de um sistema de comunicação de duas vias, ainda que de eficiência duvidosa. Nada que impedisse as engenhosas e imaginativas crianças de então, para quem o ritual acima descrito era parte integrante da diversão, com o acréscimo de ser um pretexto para poder falar mais alto, ou até gritar...


Apesar de haver, ainda, tutoriais sobre como fazer estes pseudo-telefones no Google e YouTube, este é, infelizmente, mais um daqueles conceitos que, se não caiu já na obsolescência, rapidamente o fará, já que é de duvidar que as gerações digitais achem qualquer interesse num brinquedo deste tipo. Para os seus pais, no entanto, este é mais um daqueles símbolos simples e insignificantes, mas ainda assim marcantes, de uma infância feliz, vivida numa era mais simples e despreocupada, em que algo tão simples como dois copos atados com linha eram suficientes para dar largas à imaginação...

Sunday, 23 March 2025

Saídas de Sábado: Uma História Pessoal Sobre o Dia da Árvore

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 22 de Março de 2025.


NOTA: Por motivos de relevância temporal, este Sábado será uma Saída.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


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Quem lê este nosso 'blog' há já algum tempo certamente saberá que, tirando o ocasional àparte ou exemplo, o autor do mesmo tenta, ao máximo, manter-se anónimo e impessoal, deixando que sejam as próprias memórias nostálgicas a assumir o protagonismo. No entanto, certas ocasiões pedem uma abordagem mais personalizada, e seria impossível deixar passar em claro o trigésimo aniversário de um evento ainda hoje recordado com carinho por quem redige diariamente estas linhas.


A data era 21 de Março de 1995, Dia da Árvore, e o autor cumpria os últimos meses da sua instrução primária, quando ele e as restantes crianças da sua turma de uma escola do centro de Lisboa tiveram a ocasião de plantar uma árvore no canteiro directamente à saída da sua sala de aula, e que dividia os patamares de cada sala da área de recreio. Tratava-se de um pinheiro manso, o qual se encontra ainda na mesma localização, e visível da rua, embora hoje algo obscurecido por novos edifícios construidos entre o portão traseiro da escola e a referida área de recreio. E embora tal evento já tenha, quiçá, sido esquecido pela maioria dos colegas de turma da época, não restam dúvidas de que se tratou de um momento marcante para aquele grupo de crianças de nove a dez anos, que se sentiram sem dúvida importantes graças à sua simbólica mas efectiva contribuição para a preservação da ecologia no terreno escolar; o autor, por exemplo, anotou cuidadosamente este evento no diário que então mantinha, demonstrando grande (e natural) entusiasmo com o evento.


Como esta terão, sem dúvida, existido centenas de outras histórias semelhantes de Norte a Sul de Portugal, já que – como aqui anteriormente referimos – os anos noventa representaram a época de maior esforço de sensibilização para a ecologia entre as crianças e jovens, um desiderato para o qual as iniciativas alusivas ao Dia da Árvore constituíam um pretexto perfeito. Terá, pois, havido um sem-número de turmas da instrução primária (e talvez até mais velhas) a 'pôr as mãos na massa' com acções deste tipo, tanto à época como nos trinta anos subsequentes, e a criar assim memórias duradouras ao mesmo tempo que ajudava a manter o balanço natural e a pureza do ar; nada melhor, pois, do que recordá-las, no 'rescaldo' imediato de mais um Dia da Árvore, através de uma história pessoal, aparentemente insignificante, mas bem representativa do que representava esta data nas escolas primárias nacionais de finais do século XX.

Saturday, 22 March 2025

Sextas com Style: Há Vida Para Lá da Dunas - As 'Outras' Carteiras dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 21 de Março de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui, em tempos, dedicámos uma edição desta rubrica às carteiras da Dunas, acessório obrigatório de qualquer jovem com pretensões de inclusão social em meados dos anos 90. No entanto, apesar de se afirmarem como as mais populares, estas carteiras estavam longe de deter o monopólio quer do mercado, quer das preferências infanto-juvenis; antes pelo contrário, os finais do século XX foram talvez a última era em que verdadeiramente se puderam encontrar carteiras para 'todos os gostos e feitios', tendo a maioria das crianças e jovens uma vasta gama de opções de entre as quais escolher.


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O autor deste 'blog' levou, durante pelo menos um ano, o dinheiro para o bolo na escola numa carteira idêntica à da imagem.


De facto, de logotipos dos clubes favoritos (o autor deste blog levou orgulhosamente consigo, durante alguns anos, uma dos Chicago Bulls, e antes disso uma dos Orlando Magic) aos de marcas (no caso presente, da Street Boy), passando pelas inevitáveis versões alusivas a propriedades populares (o mesmo autor trouxe consigo, durante todo o primeiro ano da escola primária, uma das Tartarugas Ninja, semelhante à que ilustra este 'post') eram inúmeras as possibilidades no tocante a comprar uma carteira, podendo cada indivíduo escolher aquela que combinava precisamente com a sua personalidade ou gostos pessoais. Mais – nem era preciso recorrer a uma loja especializada para conseguir um acessório deste tipo, já que os mesmos se encontravam com relativa facilidade, e por preços acessíveis, tanto em supermercados como em tabacarias e outros estabelecimentos semelhantes, tornando fácil mostrar o 'estilo' sem gastar muito dinheiro.


Infelizmente, a era em causa parece mesmo ter passado, sendo já raro ver carteiras deste tipo à venda no 'mundo real', e ainda menos com a variedade de estilos e motivos patente à época. Quem levou diariamente o seu dinheiro e cartões dentro de um pedaço de tecido com bolsos e dobrável, com a cara do seu personagem favorito ou o logotipo da sua marca de eleição, certamente se lembrará da importância das carteiras na estética infanto-juvenil das últimas décadas do século XX e inícios do XXI, época em que viveram o seu auge enquanto acessório de moda entre a demografia em causa, justificando assim a sua presença nesta rubrica dedicada aos estilos e estéticas de então.

Friday, 21 March 2025

Quintas ao Quilo: O Leite Com Chocolate Ucal - Um Impressionante Exemplo de Longevidade Imutável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 20 de Março de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A mudança – de logotipo, estética, características, fabrico ou mesmo composição – é um elemento tão inevitável quanto natural no ciclo de vida de qualquer produto, sendo poucos os que conseguem manter intactas todas as características acima listadas ao longo de várias décadas. Deve, pois, ser dado ainda mais valor àqueles que, efectivamente, almejam tal objectivo, como é o caso do produto alimentar ao qual dedicamos esta Quinta ao Quilo.


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Disponível até hoje em mercearias, supermercados e até hipermercados na sua forma original e clássica – em garrafa de vidro – o leite com chocolate Ucal conseguiu, de alguma forma, manter-se praticamente imutável em relação à bebida que os portugueses das gerações 'X', 'Millennial' e até anteriores consumiram. Àparte algumas (mais ou menos) subtis mudanças de logotipo – e, decerto, também de fórmula e gosto – o produto hoje adquirível em qualquer bom retalhista é praticamente o mesmo daquela época, sem quaisquer características ou 'truques' de 'marketing' adicionais.


Embora seja, pois, de lamentar o desaparecimento da variante em garrafa pequena do leite branco da marca (à época tão comum quanto o de chocolate, embora naturalmente menos popular) é, sem dúvida, de louvar o facto de o referido leite se conseguir manter tão relevante e popular como nunca, sem recurso a quaisquer mascotes, ofertas ou brindes, apenas na base do nome e da qualidade a que o mesmo é associado – uma característica que, cada vez mais, se vai perdendo no panorama comercial, e que torna o clássico leite Ucal mais do que merecedor de destaque nesta rubrica, apenas algumas semanas após termos cedido o mesmo espaço tanto ao entretanto desaparecido 'Leite do Dia' como aos outros leites em garrafa disponíveis no mercado. Ficam os votos de que a tradição se mantenha ainda por muitos anos, e que os filhos e netos das gerações 'Z' e 'Alfa' possam, ainda, deliciar-se com o mesmo leite em 'garrafinha' que os seus pais, avós e até bisavós tomaram nos seus próprios tempos de infância...

Thursday, 20 March 2025

Quartas de Quase Tudo: Os Cães de Louça, A Mais Bizarra Tendência Decorativa do Século XX

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-Feira, 19 de Março de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Quem frequentava a Feira Popular de Lisboa certamente os terá visto em exposição, e quiçá até comprado ou ganho um, ainda que, como prémios, fossem daqueles que requeriam uma combinação de esforço, dinheiro e sorte fora do alcance da maioria dos visitantes; é, mesmo, possível que os tenham tido em casa, já que constituíam uma decoração estranhamente comum entre um certo segmento da população portuguesa da altura. Falamos dos cães de loiça, aquelas estátuas algures entre a representação realista e a caricatura perturbante que marcaram as décadas de 80 e 90 em Portugal.


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Exemplo dos vários tamanhos em que estas estátuas se encontravam disponíveis. (Crédito da foto: OLX)


É pouco claro como a moda teve início, ou quem a fomentou, embora possam ser tecidas algumas conjecturas, a maioria relacionadas com figuras públicas de apelo popular; seja qual for a sua origem, no entanto, a verdade é que os cães de louça (das mais variadas raças, e alguns até com elementos de fantasia a nível do colorido ou das marcas no pêlo) marcaram mesmo época, surgindo em muitos 'halls' de entrada e salas de estar de Norte a Sul de Portugal, normalmente a 'montar guarda' a jarrões, lareiras e outros elementos da mesma índole, sem que nunca se percebesse bem a razão do seu apelo generalizado. Isto, claro está, no caso das versões em 'tamanho real', já que existiam também outras em tamanho reduzido, perfeitas para utilizar como 'bibelot' em cima da referida lareira ou na prateleira da sala.


Tal como outras modas de que aqui vimos falando, também esta desapareceu tão abruptamente e sem explicação como havia surgido, 'refém' das tendências de decoração de casas e de uma certa evolução no 'gosto' do português médio das gerações 'X' e 'Millennial' relativamente aos seus pais e avós. Ainda assim, os cães de louça perduraram tempo suficiente para serem 'homenageados' pelo comediante-cantor Rouxinol Faduncho, numa faixa gravada em 2006, e – sejamos honestos - restam poucas dúvidas de que, algures no nosso País, existam ainda um sem-número de casas com estátuas deste tipo, talvez herdadas das referidas gerações mais velhas, e destinadas a montar guarda perpétua a um qualquer canto da casa, como o vêm fazendo desde há mais de três décadas...


Tuesday, 18 March 2025

Terças de TV: Os Trapalhões na Televisão Portuguesa - Um Sucesso em Duas 'Metades'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Um dos fenómenos sociais mais pervasivos das últimas cinco décadas em Portugal – sensivelmente desde a globalização dos televisores caseiros – vem sendo a miscigenação da cultura portuguesa com a brasileira, não só através da imigração, como também da importação de produtos mediáticos daquele País. E se, hoje em dia, esse cruzamento se limita às eternas telenovelas, a um ou outro canal da TV Cabo e às revistas da Turma da Mônica, há trinta anos, o panorama de propriedades intelectuais brasileiras presentes em Portugal era bem mais vasto, com as referidas telenovelas e as bandas desenhadas da Abril e Globo à cabeça. E terá sido, precisamente, através das referidas bandas desenhadas que uma larga parcela da população nacional terá tido o primeiro contacto com um dos mais famosos produtos mediáticos saídos do país-irmão – a 'troupe' de comediantes conhecida como Os Trapalhões.



E se a referida BD da Globo tinha como foco versões infantis do quarteto, não tardaria também a que as crianças e jovens daquela época ficassem a conhecer os 'verdadeiros' Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, quando – há quase exactos trinta e um anos, em Março de 1994 – o seu programa, lendário no Brasil, chegou finalmente aos televisores nacionais, pela mão da SIC. E a verdade é que, previsivelmente, a inspirada colecção de 'sketches' cómicos de índole 'pastelona' (com alguns dichotes brejeiros à mistura) não tardou a conquistar o público-alvo, sempre aberto a tentativas de humor deste tipo – sobretudo quando se afirmavam como bem acima da média, como era o caso. Sem nunca se terem tornado um 'caso de estudo' de popularidade, como o eram no seu país natal, Os Trapalhões encontravam, assim, em Portugal uma audiência suficientemente devota e fiel para justificar a 'aventura' inédita que o quarteto encetaria logo no ano seguinte, e sobre cuja estreia se comemoram por estes dias exactas três décadas.



Falamos de 'Os Trapalhões em Portugal', a produção nacional (da própria SIC) que procurava recuperar o formato de sucesso do programa original, ao mesmo tempo que o ambientava por terras lusitanas, com os Trapalhões ainda restantes – Didi e Dedé – a contracenarem com coadjuvantes com sotaque português, em cenas típicas da vida quotidiana nacional. Uma ideia que poderia ter resultado – e que, sob algumas métricas, resultou mesmo, já que o programa fez tanto sucesso quanto o seu antecessor – mas que perdia consideravelmente pela ausência da 'outra metade' do grupo, a saber, os malogrados Mussum e Zacarias, que muitos consideravam serem as principais fontes da comédia do grupo. Com apenas Didi como verdadeiro Trapalhão (Dedé sempre desempenhou o papel de elemento mais sério do grupo) e com a presença de actores portugueses a ressalvar a diferença de abordagem e desempenho em relação aos brasileiros, o resultado era um produto algo menos fluido, e mais 'bem-comportado', do que o hilariante original da Globo.


Ainda assim, conforme referimos acima, 'Trapalhões em Portugal' chegou a fazer sucesso entre a juventude lusitana da época, e será ainda recordado por parte dela como um dos elementos nostálgicos da sua infância ou adolescência, merecendo assim destaque nestas nossas páginas no mês em que se completam trinta anos sobre a sua primeira emissão.


Monday, 17 March 2025

Segundas de Sucessos: 'Portugal Anos 90' - O Álbum!

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


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Sim, tecnicamente, é 'batota' incluir um álbum musical lançado em 2022 num 'blog' sobre as décadas finais do século XX; no entanto, quando esse mesmo CD traz na capa um icónico 'Walkman' amarelo, e consiste de 'clássicos' radiofónicos por grupos como Os Lunáticos, Anjos, Santamaria ou Resistência, não há como não lhe dedicar espaço nestas nossas páginas. E embora haja que reconhecer que, passado o agradável 'choque' nostálgico, o alinhamento está longe de ser perfeito – as bandas acima citadas 'repetem' na segunda metade do disco, ao mesmo tempo que artistas tão ou mais seminais, como Silence 4, Excesso, D'ArrasarSantos & Pecadores, Pedro Abrunhosa, Paulo Gonzo ou Fúria do Açúcar, entre tantos outros, ficam de fora – o projecto em si é, ainda assim, de louvar, e deverá agradar a qualquer português das gerações 'X' e 'Millennial', mesmo sem lhe encher totalmente as medidas, e falhando no essencial da sua missão de capturar uma 'Polaroid' dos 'tops' nacionais da época. Fica lançado o repto para um potencial segundo volume; entretanto, podem recordar tempos mais simples e despreocupados ouvindo a primeira colectânea no Apple Music – embora, infelizmente, ainda não no YouTube...

Sunday, 16 March 2025

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Luís Vidigal: De Elvas Para A Ribalta

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


O mundo do futebol profissional tende a dividir-se em dois tipos de jogador: os talentos natos, que se tornam estrelas e centram em si todas as atenções, e os mais utilitários, mas tão ou mais necessários para o bom funcionamento de uma equipa – os chamados jogadores de 'fato-macaco'. É de um dos mais famosos representantes nacionais deste segundo tipo – ainda hoje conhecido em 'praça pública' - que falaremos neste 'post', no fim-de-semana em que celebra cinquenta e três anos de idade.


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O jogador com algumas das camisolas que representou na carreira.


Filho 'do meio' de um quinteto de irmãos futebolistas (de um total de treze crianças!), José Luís da Cruz Vidigal viria mesmo a ter a carreira mais honrosa de entre os três, conseguindo elevar o seu futebol a um patamar que nem os dois irmãos mais velhos, Beto e Lito, nem os dois mais novos, Toni e Jorge, alguma vez viriam a almejar. Antes dos habituais 'saltos' que marcam o percurso de qualquer jogador promissor – primeiro para um 'grande' e, depois, para o estrangeiro – a trajectória do futuro internacional português, companheiro de Selecção dos membros da 'Geração de Ouro' no Euro 2000, desenrolava-se de forma exactamente análoga à dos irmãos, tendo tido início no modesto mas histórico O Elvas (do qual foi elemento-chave entre a estreia em 1992 e a saída em 1994, tendo realizado sessenta jogos) e continuado na periferia de Lisboa, novamente de amarelo e azul, embora desta feita num patamar mais alto, ao serviço do Estoril-Praia.


A estadia na Amoreira - sobre a qual se comemoram esta temporada exactas três décadas - duraria apenas uma época, mas daria ao jovem de vinte e um anos tempo mais que suficiente para explanar as suas qualidades, tendo deixado apontamentos suficientes ao longo dos vinte e sete jogos que realizou para justificar a chamada às Selecções Sub-21 e Sub-23 e suscitar o interesse de um dos 'grandes' da vizinha capital. No caso, seria o Sporting, recém-sagrado vencedor da Taça de Portugal, quem asseguraria a contratação do médio defensivo no Verão de 1995, no caso como elemento de 'apoio' a um plantel onde a sua posição estava assegurada por nada menos do que Emílio Peixe, Oceano e Carlos Xavier. E se esta concorrência 'de peso' poderia fazer crer que a estadia de Vidigal nos 'Leões' de Lisboa seria curta e inexpressiva, a verdade é que o jogador desafiou todas as expectativas, fazendo cinco épocas de leão ao peito e conseguindo mesmo afirmar-se como elemento importante dos plantéis por onde passou, numa fase que culminaria com a titularidade absoluta na época de 1999/2000, em que foi peça-chave na quebra do 'jejum' de dezoito anos do clube de Alvalade, com a conquista do Campeonato Nacional – proeza que, curiosamente, seria repetida pelo seu irmão mais novo dois anos depois!



Montagem dos melhores momentos de Vidigal no Sporting.


Como é evidente, o alto rendimento do jogador nessa época agudizou o interesse no seu perfil por parte de clubes estrangeiros, algo a que a participação na excelente campanha portuguesa no Euro 2000 veio ainda acrescer. Assim, foi sem surpresas que, nos primeiros meses do Novo Milénio, os adeptos leoninos viram o seu destruidor de jogo rumar a paragens mais apetecíveis, nomeadamente a Itália, país onde passaria os oito anos seguintes – representando sobretudo as cores do Nápoles e do Livorno, excepção feita a uma breve passagem pela Udinese - e onde acabaria mesmo por jogar durante mais um ano do que em Portugal, país ao qual só regressaria já em final de carreira, mas ainda a tempo de fazer dezassete jogos no escalão principal, com a camisola do Estrela da Amadora, fechando de forma honrosa uma bonita carreira.


Ao contrário de tantos outros jogadores já aqui abordados, no entanto – e do próprio irmão mais velho – Luís Vidigal escolheu não fazer a transição para cargos técnicos após o fim de carreira; ao invés, o antigo médio-defensivo viria a manter-se relevante na opinião pública enquanto analista desportivo, cargo que ainda hoje desempenha, podendo ser ouvido semanalmente nas transmissões televisivas de jogos do campeonato e não só, tendo o legado futebolístico do seu clã sido deixado a cargo do sobrinho, André, filho do malogrado Beto. Uma nova etapa na carreira de um nome menos fulgurante, mas não menos importante, do que outros da sua geração, e bem merecedor deste destaque no seu fim-de-semana de aniversário. Parabéns, e que conte muitos.

Saturday, 15 March 2025

Saídas de Sábado: As Lojas de Artigos Para Bebé - De Necessárias a Obsoletas

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar de, obviamente, não constituir uma saída nostálgica por razões que lhes sejam directamente relevantes, as lojas de artigos para grávidas e recém-nascidos não deixarão, ainda assim, de fazer parte da memória remota de muitos portugueses das gerações 'X' e 'Millennial', sobretudo aqueles que contem com irmãos ou irmãs mais novos. Isto porque, na era anterior ao advento dos hipermercados, 'shoppings' e outras grandes superfícies, os referidos estabelecimentos eram a principal referência no tocante à aquisição de artigos para crianças de muito tenra idade - com o limite máximo a situar-se normalmente por volta dos três anos – sendo, por isso, expectável que muitas crianças as tenham visitado, pela mão dos pais, para adquirir algo para si ou para as outras crianças da família.


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As três grandes lojas do ramo a terem actuado em Portugal.


Curiosamente, e ao contrário do que acontecia com a maioria dos outros tipos de cadeia monotemáticas, o foco destas lojas nem sequer era, necessariamente, a roupa, sendo esta apenas um dos muitos elementos ali encontrados; pelo contrário, a maioria das mães que frequentavam este tipo de estabelecimento procurava produtos difíceis de encontrar no dia-a-dia, de biberões a berços e de carrinhos a 'cangurus', aquelas transportadoras usadas de encontro ao corpo de modo a manter o bebé seguro.


Era essa vertente mais especializada que assegurava a subsistência e clientela deste tipo de lojas, e só o facto de a maioria destes produtos ter passado a estar disponíveis nas referidas grandes superfícies veio tornar redundante a presença das várias cadeias do ramo em solo português. E se a Chicco ainda se vai conseguindo aguentar – embora com um número de lojas já muito reduzido, e sobretudo localizadas em 'shoppings' – muito à base da fama enquanto marca, as outras duas grandes lojas do ramo em solo nacional (a italiana Prénatal e a britânica Mothercare) acabaram mesmo por abandonar o território português. Uma perda, decerto, para as mães lusas, que deixaram de poder desfrutar do atendimento personalizado e variedade de escolha oferecida por este tipo de estabelecimento, algo que os preços mais baixos praticados nas grandes superfícies não chegam exactamente a colmatar, e que constitui um dos elementos que mais saudades causa a quem viveu aqueles anos mais simples e 'inocentes' de finais do século XX.

Friday, 14 March 2025

Sessão de Sexta: 'O Pequeno Stuart Little' - Um 'Pequeno Grande' Sucesso

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Já aqui anteriormente mencionámos os filmes com animais falantes como uma das principais tendências do cinema infantil nos anos imediatamente anteriores e imediatamente posteriores à viragem do Milénio – e cuja popularidade continua em alta, como o atesta o sucesso da trilogia 'Paddington', cujo mais recente filme foi lançado há apenas alguns meses à data deste 'post'. De facto, enquanto em tempos a 'magia' vinha das peripécias protagonizadas pelas estrelas de quatro patas, a partir dos anos 90 verificou-se uma tendência cada vez maior para guarnecer os referidos animais com vozes humanas, normalmente de celebridades que se pudessem publicitar no cartaz.


Esse paradigma foi levado ainda mais ao extremo já perto do final da década em causa, quando a 'moda' dos animais falantes foi combinada com outra – a do 'hóspede' invulgar mas amigável que deve ser mantido em segredo, muito popular na televisão americana dos anos 80 – dando origem a uma série de filmes relativamente bem sucedidos, e que terão marcado a infância de muitas crianças das duas gerações seguintes. Talvez o mais famoso exemplo desse novo género seja o filme que comemorou há pouco mais de uma semana (a 7 de Março) os vinte e cino anos da sua estreia em Portugal; e por, nessa ocasião, termos escolhido erroneamente falar de outro filme, vimos nas linhas seguintes rectificar esse erro, e celebrar o aniversário 'atrasado' de um dos filmes mais falados entre as crianças e jovens nos primeiro meses do Novo Milénio.


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Referimo-nos à primeira adaptação cinematográfica do livro infantil 'Stuart Little', concebida nos anos 40 por E. B. White, mas que o filme, talvez por questões de conveniência, actualiza para os anos 90. Já a trama-base mantém-se semelhante, seguindo as aventuras de Stuart Little, um rapaz sobredotado que faz jus ao seu apelido, tendo apenas trinta centímetros de altura e, por razões nunca explicadas, o aspecto de um rato branco, apesar de se tratar de uma criança filha de humanos - isto no livro, já que no filme, é apenas filho adoptivo dos Little, e se trata verdadeiramente de um rato falante e com inteligência humana. Em ambos os casos, Stuart deve fazer uso da sua agilidade e pensamento rápido para ultrapassar situações típicas do dia-a-dia de um ser do seu tamanho, e para manter a distância o gato da família, Snowball, cujos instintos lhe dizem que cace Stuart, pese embora saiba tratar-se de um membro da família. A fórmula perfeita para um filme de família, que balança o factor puramente estético do adorável Stuart com uma história capaz de manter cativados os elementos do público-alvo, e interpretações com a qualidade expectável de nomes como Geena Davis, Hugh Laurie, Steve Zahn, Nathan Lane, Jennifer Tilly e Michael J. Fox, que volta a dar voz a um animal, após viver o impetuoso pitbull no 'remake' de 'Regresso A Casa'.


Não admira, pois, que 'O Pequeno Stuart Little' tenha feito sucesso, senão entre os críticos especializados, pelo menos junto de quem interessava: os mais pequenos. Tanto assim que o filme viria a gerar duas sequelas (em 2002 e 2006) e uma série animada (em 2003), além dos habituais videojogos licenciados e produtos de 'merchandising'. O apelo e sucesso de Stuart foram, aliás, suficientemente continuados ao longo das duas décadas e meia seguintes para justificar a proposta de um 'reboot', em formato de série televisiva, há apenas um par de anos. Mas se esse projecto ficou em 'águas de bacalhau' – pelo menos até à data – os filmes, esses, continuam a fazer parte da 'rotação' de filmes dos canais portugueses em alturas de férias escolares e festas familiares, e a constituir excelentes alternativas para visionamento em família durante uma Sessão de Sexta, mesmo um quarto de século após a sua chegada às salas de cinema nacionais.



Spot televisivo do filme, transmitido em Julho de 2012 no canal AXN White.

Thursday, 13 March 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: A VERDADEIRA Revista Mais Misteriosa da Internet

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 13 de Março de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes abordámos produtos, programas e publicações do Portugal dos 'noventa' que, por uma razão ou outra, foram Esquecidos Pela Net, transformando-se naquilo a que normalmente se chama 'lost media' e ficando, assim, algo arredados da memória nostálgica das gerações que então cresciam e amadureciam. No entanto, grosso modo, até o mais obscuro desses produtos possibilita a escrita de algumas linhas a seu respeito, seja através de recordações e memórias pessoais, seja pelos (poucos) recursos que ainda o recordam nos meandros cibernéticos; tal não é o caso, no entanto, com a publicação de que falamos neste 'post' duplo do Anos 90, e que consegue a proeza de ser o primeiríssimo tópico a deixar o autor deste 'blog' totalmente perplexo.


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De facto, é possível que nos tenhamos precipitado ao rotular a revista 'Ultra Som' como a mais misteriosa da Internet, já que, apesar da falta de dados ou números digitalizados da mesma, era pelo menos possível discernir do que tratava pelas pistas contextuais oferecidas pela única capa disponível na Net. No caso da revista agora em análise, no entanto, nem isso é viável, já que tanto o título impossivelmente genérico como as capas mostradas no leilão OLX (mesma fonte da 'Ultra Som') não permitem mais do que uma conjectura. E se o termo 'Juvenil' utilizado como título infere a quem a revista se dirige, as capas ora desenhadas, ora feitas de colagens fotográficas não deixam claro se a mesma deve ser inserida nas Quartas aos Quadradinhos, Quintas no Quiosque, ou mesmo em ambas, à laia de uma 'Super Jovem' (publicação com a qual parece ter maiores semelhanças). Pedimos, pois, aos nossos leitores que saibam alguma coisa sobre esta revista (alô, homónimo sabe-tudo!) que nos deixem alguma pista sobre a natureza da dita-cuja; nos entrementes, no entanto, tem mesmo de ficar por aqui esta análise sobre mais um elemento ultra-Esquecido Pela Net do Portugal de finais do século XX.

Wednesday, 12 March 2025

Terças Tecnológicas: As Origens e Primórdios de 'Marvel Vs. Capcom' - Uma Saga em Vários Capítulos

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 11 de Março de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


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Na última edição desta rubrica, falámos dos primórdios de uma franquia de videojogos que, introduzida ainda nos últimos meses do século XX, viria a dominar por completo a primeira década do seguinte; nada melhor, portanto, do que dedicarmos a semana seguinte a explorar outra série iniciada em circunstâncias quase idênticas, e cujos resultados foram muito semelhantes.


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E dizemos 'quase' porque, ao contrário de 'Super Smash Bros.', a génese de 'Marvel Vs. Capcom' está, não no primeiro jogo (lançado para Dreamcast a 24 de Novembro de 1999, e para PlayStation dois meses depois, no último dia do primeiro mês do novo século e Milénio). De facto, para encontrar verdadeiramente as origens desta bem-sucedida franquia, é preciso recuar três anos, até ao lançamento inicial (para Sega Saturn) de 'X-Men: Children of the Atom', a primeira tentativa da Capcom de criar um 'beat-'em-up' tematizado em torno dos mutantes da Marvel, e que trazia já muitas das características dos jogos posteriores, como a jogabilidade rápida e ligeiramente caótica – mais parecida à dos jogos de luta da SNK que aos da Capcom – e os gráficos detalhados, quase como uma banda desenhada ou desenho animado 'em movimento'.


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Tais características granjearam ao jogo algum sucesso, sobretudo após o lançamento para PC e PlayStation, e deram azo à criação de uma sequela, que expandia o conceito do título inicial para uma situação de 'crossover' com a mais popular franquia da Capcom, sob o título 'X-Men vs Street Fighter'. Lançado na Europa exclusivamente para PlayStation (a versão para Saturn ficou confinada ao Japão) esta conversão do jogo de arcada homónimo dava ao jogador, como o próprio título indicava, a possibilidade de escolher não só de entre os mutantes, como também de entre os lutadores do 'pioneiro' dos jogos de luta um-para-um, cada um dos quais com o seu estilo de luta diferenciado e característico. Mais ainda do que em 'Children of the Atom', era aqui que ficava verdadeiramente cimentada a fórmula que, mais tarde, informaria a saga 'Marvel Vs. Capcom'.


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Antes de lá chegarmos, no entanto, ainda uma última 'paragem', para analisar 'Marvel Super Heroes Vs. Street Fighter' – outro exclusivo para PlayStation, lançado quase exactamente seis meses antes de 'Marvel Vs. Capcom' e que é, efectivamente, o mesmo jogo, apenas com um âmbito mais restrito - nomeadamente do lado da Capcom, em que ainda só é possível escolher personagens de 'Street Fighter', enquanto que a 'equipa' Marvel se vê expandida com a presença de heróis tão icónicos como o Homem-Aranha ou o Incrível Hulk, que se tornariam favoritos de muitos jogadores nos lançamentos subsequentes.


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As características que tornariam os títulos posteriores em mega-sucessos, essas, já estavam todas lá, podendo este jogo ser considerado como uma espécie de 'tubo de ensaio' para o que se seguiria, em Novembro do mesmo ano, e durante a década subsequente, com cada nova geração de consolas a receber a sua própria versão do título em causa, que se contaria entre os mais falados (e jogados) do quarto de século seguinte, mantendo-se ainda no mercado 'em força' até aos dias de hoje – razão mais que suficiente para dedicarmos as linhas anteriores a celebrar as suas origens.

Tuesday, 11 March 2025

Segundas de Séries: 'Adultos À Força' - Uma Abordagem Mais Séria Ao Género do Drama Adolescente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 10 de Março de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


De entre os muitos géneros televisivos a florescer nos anos 90, o drama adolescente foi um dos que mais séries de sucesso gerou (a par da vertente mais cómica dirigida ao mesmo público). Encabeçado por séries como 'Beverly Hills 90210', 'Melrose Place' ou 'Dawson's Creek', este estilo de produção viu, durante os últimos anos do século XX, um sem-fim de outros representantes (entre eles a produção nacional 'Riscos') conseguir relativo sucesso entre os jovens de todo o Mundo, e catapultar para o sucesso um grande número de novas 'mini-estrelas', à semelhança do que, na década seguinte, fariam as séries de comédia do Canal Disney. Um exemplo perfeito deste fenómeno foi a série responsável por apresentar ao mundo Neve Campbell (futura estrela da franquia 'Gritos'), Jennifer Love Hewitt (também ela estrela principal de uma franquia de terror em finais do século, no caso 'Sei O Que Fizeste No Verão Passado', além de várias comédias românticas) Lacey Chabert (a icónica Gretchen Wieners de 'Giras e Terríveis') ou Matthew Fox, o futuro Jack de 'Perdidos'.


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Falamos de 'Adultos À Força' (ou 'Party Of Five', no original), a história de cinco irmãos órfãos (após a morte dos pais num acidente de viação) que são obrigados a enfrentar, prematuramente, as responsabilidades, os desafios e as agruras da vida adulta, em particular no caso dos mais velhos, Charlie (Fox) e Bailey (Scott Wolff), a quem cabe providenciar para as duas irmãs mais novas (Campbell e Chabert) e para o irmão bebé. Uma fórmula mais séria do que o habitual para o género do drama adolescente, cujo foco costumava incidir, sobretudo, sobre as relações interpessoais, romances, ou problemas com a lei, que demorou a 'carburar' (as duas primeiras temporadas tiveram audiências diametralmente opostas à boa recepção crítica de que gozaram, numa inversão da habitual tendência) mas que, uma vez 'engatada', conseguiu cativar a demografia-alvo, a ponto de ficar no ar nos seus EUA natais durante seis temporadas, entre 1994 e 2000, conseguindo mesmo afirmar-se como mais longeva do que algumas das 'concorrentes' mais famosas, e tendo até direito a uma 'actualização' em plena era 'pandémica', vinte anos após a sua conclusão, e mais de um quarto de século após a sua estreia.


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O elenco original da série.


Já em Portugal, a série teve uma 'estadia' bastante menos prolongada, mas conseguiu ainda assim granjear alguma atenção aquando da sua estreia na TVI, há exactos trinta anos, em Março de 1995 – muito por conta dos constantes 'spots' publicitários a darem conta da transmissão da mesma nos intervalos dos programas da estação de Queluz. Assim, embora consideravelmente atrás de outras séries veiculadas na mesma altura, como a supramencionada 'Beverly Hills 90210', as cómicas 'Já Tocou!' e 'Parker Lewis', ou mesmo 'O Anjo Adolescente', exibido na RTP como parte do 'Clube Disney', o programa conseguiu ainda assim ter os olhos de bastantes elementos da geração 'rasca' (os 'millennials' eram ainda algo novos para se interessarem por um drama deste tipo) colados às peripécias dos titulares 'Adultos À Força', e terá deixado memórias nostálgicas a pelo menos um segmento da população jovem da época, justificando assim estas breves linhas recordatórias por ocasião do trigésimo aniversário da sua estreia nacional.

Sunday, 9 March 2025

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: As Tendas Para Crianças - O Refúgio Perfeito Para 'Brincar Aos Campistas'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 8 de Março de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Recriar as actividades quotidianas dos adultos sempre esteve entre as formas favoritas de as crianças brincarem ao 'faz-de-conta', pelo que não surpreende que, ao longo dos anos e décadas, tenham surgido versões 'infantilizadas' dos mais diversos acessórios da vida quotidiana. Um dos muitos produtos deste tipo surgido nas duas últimas décadas do século XX foram as tendas para crianças, as quais, embora não exactamente apropriadas para um verdadeiro fim-de-semana de campismo, se afiguravam perfeitas tanto para um Sábado aos Saltos, a recriar no quintal a referida experiência, como para um Domingo Divertido, com uma pilha de livros aos quadradinhos e o fecho de correr fechado.


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Exemplo moderno do produto em causa.


Disponíveis, até aos dias de hoje, tanto em versões mais realistas como em outras que apelam mais à fantasia – com motivos de carros de bombeiros ou castelos de princesas – ou ainda na vertente típica dos filmes de índios e 'cowboys', estas tendas eram do tamanho certo para montar tanto no exterior como no chão do quarto (para quem não tinha quintal) e, quando não serviam de cenário a brincadeiras de campismo, formavam o 'abrigo' perfeito para relaxar e imaginar estar 'no seu próprio Mundo', pelo que não é de admirar que se tenham tornado (e mantido) populares entre a demografia à qual eram dirigidas.


Tal como muitos outros produtos de que aqui vimos falando, as tendas de brincar continuam disponíveis até aos dias de hoje; no entanto, por comparação à maioria dessas outras 'relíquias' nostálgicas, as mesmas gozam de muito maior popularidade, sendo fáceis de adquirir tanto em lojas físicas de algum renome como nos habituais retalhistas 'online', e permitindo às novas gerações desfrutar de, pelo menos, uma experiência intemporal e semelhante às vividas pelos seus progenitores quando tinham a mesma idade...

Saturday, 8 March 2025

Sessão de Sexta: 'Forrest Gump' (1994) - Uma Caixa de Chocolates Cinematográfica

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 7 de Março de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.



No panteão das citações de filmes que penetraram e se mantiveram na cultura popular, 'a vida é como uma caixa de chocolates – nunca sabemos o que nos vai sair' figura ao lado de 'eu vejo pessoas mortas' (de 'O Sexto Sentido'), 'eu voltarei' (de 'Exterminador Implacável 2') ou dos famosos monólogos de Samuel L. Jackson em 'Pulp Fiction' ou Marlon Brando em 'O Padrinho' como uma daquelas citações que até o cinéfilo mais distraído saberá identificar. E não é para menos, já que o filme em que figura foi um dos grandes eventos cinematográficos do ano de 1994, tendo inclusivamente arrebatado o Óscar para Melhor Filme na cerimónia do ano seguinte.


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Falamos, claro está, de 'Forrest Gump', um daqueles filmes que terá para sempre lugar cativo numa lista, senão dos melhores filmes dos anos 90, pelo menos dos mais influentes e mediáticos. Isto porque, apesar do sucesso crítico e comercial, o filme continua a dividir opiniões quase tanto quanto um 'Titanic' ou 'A Vida É Bela', com grande parte do público a considerar tratar-se de uma obra-prima, e uma minoria muito mais vocal a apontar os elogios de que é alvo como algo exagerados para aquilo que é, essencialmente, uma comédia romântica com alguns elementos mais 'ousados', mas sem nunca entrar por terrenos sequer adjacentes a um 'American Pie – A Primeira Vez', 'Um Susto de Filme' ou mesmo 'Dez Coisas Que Odeio Em Ti' – todos eles filmes que nunca teriam sequer oportunidade de competir por um Óscar, e ainda menos de ganhar.


Não que 'Forrest Gump' não fosse merecedor das nomeações que conquistou; o filme é tecnicamente bem executado, e Tom Hanks tem uma interpretação de relevo no papel do simplório mas bem intencionado personagem titular, cujas necessidades especiais deixa evidentes, sem que a sua actuação alguma vez pareça insultuosa (à semelhança do que, no ano anterior, fizera Leonardo DiCaprio em 'Gilbert Grape', filme onde roubara a cena ao protagonista Johnny Depp, no papel do seu irmão mais novo). O que torna a experiência ligeiramente mais frustrante e mundana, no entanto, é o facto de o livro em que o filme se baseia, da autoria de Winston Groom e lançado em 1986, trazer uma trama muito mais adequada a uma longa-metragem do que a efectivamente apresentada pelo filme, com Forrest a viver uma série de peripécias adicionais que envolvem viagens ao espaço, cenas de fuga ao lado de Raquel Welch e de um gorila, e estadias sazonais em ilhas do Pacífico habitadas por tribos canibais – todas as quais se traduziriam maravilhosamente para um meio áudio-visual, e, em conjunção com os cuidados aspectos técnicos, teriam tornado o filme numa comédia surreal de 'primeira apanha', por oposição ao romance com leves toques de hmor situacional que Robert Zemeckis efectivamente levou ao grande ecrã.


Ainda assim, talvez essa abordagem tenha mesmo sido a mais apropriada para apelar a uma demografia o mais vasta possível, sendo que os episódios adicionais acima descritos teriam tornado 'Forrest Gump', o filme, numa experiência destinada a um público bem mais 'de nicho'; e a verdade é que, sob essa perspectiva, e para quem não leu o livro, o que de facto se vê ao longo das duas horas constitui um produto muito acima da média para um filme de grande orçamento de meados dos anos 90. Fica a ideia, no entanto, de que, como sucessor da obra-prima 'A Lista de Schindler' nos anais da História dos Óscares – e com 'adversários' como 'Os Condenados de Shawshank', 'Quatro Casamentos e Um Funeral' e o supracitado 'Pulp Fiction' – o filme em si fica um pouco aquém da sua reputação, que lhe valeu inclusivamente a inclusão na biblioteca cinematográfica do Congresso norte-americano, bem como um 'remake' oficial indiano, produzido em Bollywood em 2022. Essas distinções são, no entanto, mais que suficientes para justificar a sua inclusão nesta nossa rubrica sobre os mais memoráveis e influentes filmes de finais do século XX – uma descrição em que, goste-se ou não do facto, 'Forrest Gump' não deixa de encaixar perfeitamente.


Quintas de Quinquilharia: Os Blocos de Notas com Motivos - A Forma Mais 'Chique' de Escrever aos Amigos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 6 de Março de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Faziam parte da colecção de quinquilharias de qualquer criança ou jovem de finais do século XX, embora muita vezes acabassem por raramente ser usados, e servissem sobretudo para ser admirados, enquanto esperavam 'aquela' ocasião especial. Falamos dos blocos de notas com desenhos como pano de fundo das páginas, sobre os quais nos debruçaremos nas linhas seguintes.


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Exemplo moderno do produto em causa.


Normalmente em formato 'de bolso', e destinados a servir como 'bloco de cabeceira' ao lado do telefone ou em cima da secretária, eram facilmente adquiríveis em qualquer boa papelaria ou tabacaria, com uma enorme variedade de motivos, desde padrões como flores ou espirais até bonecos 'genéricos', ou mesmo, em ocasiões mais raras, personagens licenciados, como Hello Kitty; por vezes, chegavam mesmo a ser levemente perfumados, o que ainda acrescia mais ao estatuto 'super-especial', e os tornava pouco adequados a anotar números de telefone ou moradas. Talvez por isso a maioria dos jovens os tirasse da gaveta apenas para mandar mensagens aos amigos ou 'paixonetas', para fazer listas de interesse pessoal, ou para admirar os motivos que adornavam as páginas, fazendo com que apenas um bloco chegasse a durar vários anos.


Apesar deste uso 'religiosamente' regrado, no entanto – e apesar de raramente saírem da gaveta das quinquilharias – pelo menos um destes blocos fará, certamente, parte das memórias remotas de qualquer português das gerações 'X' e 'millennial', as últimas para quem este tipo de produto fez sentido, antes de tudo passar a poder ser guardado no telemóvel, relegando os blocos com motivos de fundo para a pilha de produtos obsoletos que as demografias mais novas dificilmente voltarão a usar...

Friday, 7 March 2025

Quartas de Quase Tudo: A Fundação do Bloco de Esquerda, O Elemento 'Jovem' da Política Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-Feira, 5 de Março de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A política portuguesa era, nos anos 90, ainda mais bipartida do que o é hoje em dia, com o Partido Socialista e o Partido Social Democrata a monopolizarem e dividirem quase por igual a base eleitoral, e o CDS-PP e o PCP a desempenharem papéis tão periféricos quanto os que têm hoje em dia. Há quase exactos vinte e seis anos, no entanto – em Fevereiro de 1999 – tudo isso viria a mudar, com a introdução no panorama político nacional de uma nova força, praticamente trabalhada para 'cair no gosto' da população mais jovem (sobretudo a de pensamento menos conservador) e lhe oferecer uma alternativa aos mesmos dois partidos de sempre na hora de 'votar de cruz'. É esse partido – ainda hoje existente, mas já longe da força que outrora teve – que recordamos neste 'post', numa altura em que Portugal se debate, mais uma vez, com a perspectiva de uma crise política e de eleições.


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Falamos, é claro, do Bloco de Esquerda, o qual, como o nome indica, resulta de uma coligação de pequenos partidos de ideologia comunista, marxista e trotskista praticamente sem expressão, que conseguiram assim uma muito maior visibilidade e, consequentemente, uma plataforma parlamentar bastante mais alargada do que de outra forma teriam – situada, no espectro político, apenas muito ligeiramente à 'direita' do Partido Comunista, com o qual partilhavam a preocupação pelos direitos dos trabalhadores, em torno dos quais assentava a sua ideologia. Na verdade, a nova coligação quase podia ser vista como uma 'versão jovem' do PCP, menos estagnada e presa a ideais e ideologias Abrilistas, e mais focada em problemas do dia-a-dia, muitos dos quais relevantes para a demografia mais jovem, e que lhe valeram a atenção da mesma – algo que o BE não fazia quaisquer pretensões de ignorar, com a sua ideologia abertamente a favor da legalização da marijuana, as campanhas baseadas em banda desenhada institucional, e o apoio declarado de artistas como os Da Weasel.


Foi, aliás, esta atitude mais 'descontraída' e de mente aberta que posicionou o Bloco como o 'partido jovem' do Portugal da viragem do Milénio, não apenas em tempo de vida, mas também no tocante à ideologia e valores; no fundo, uma espécie de precursora da Iniciativa Liberal, mas situada no pólo oposto do espectro – onde a IL é vista, hoje em dia, como um partido de 'betinhos', o BE atraía, sobretudo, jovens no extremo mais 'alternativo' da sociedade, mais politizados e com gostos e hábitos culturais diversos do do cidadão comum. Tal associação levou, por sua vez, a que o novo partido não fosse, de início, levado tão a sério como talvez fosse desejável, embora esta situação rapidamente se tenha resolvido, e de forma positiva, com o Bloco de Esquerda a encontrar e ocupar confortavelmente o seu espaço no panorama político português, sobretudo após a ascensão de Francisco Louçã como líder – uma personalidade carismática e que, apesar de decididamente 'maduro', por vezes, quase parecia um dos jovens que constituíam o eleitorado do seu partido. Seria, aliás, sob a sua alçada que o BE partiria para mais de uma década de sucesso político, em que conseguiu suplantar partidos bastante mais históricos e enraizados, e tornar-se a terceira força política no País, atrás dos dois 'suspeitos do costume'.


Infelizmente, mais de um quarto de século volvido sobre a sua fundação, a situação do Bloco é diametralmente oposta, tendo não só perdido a posição no 'pódio' político – para o Chega!, de André Ventura – mas também muita da força que outrora apresentara, por culpa de ideologias confusas e diluídas, que procuram continuar a agradar a uma demografia jovem, mas ficam longe do sucesso dos primeiros anos do partido. É, assim, a referida Iniciativa quem hoje mais atrai o voto jovem, com o BE a ser pouco mais do que uma sombra da coligação fundada nos últimos meses do século XX, e a não passar de mais um conjunto de vozes redundantes no panorama nacional; um 'fim anunciado' algo triste para um partido que, à data da sua fundação e durante os anos seguintes, pareceu representar uma alternativa verdadeiramente viável à dicotomia que tem vindo a reger e 'orquestrar' a democracia liberal portuguesa desde a sua instauração, a 25 de Abril de 1974.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...