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Sunday, 14 June 2026

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: Trinta e Cinco Anos da Consagração da Geração de Ouro

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 13 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de não se revestirem da importância normalmente dada às suas congéneres seniores, as competições internacionais de jovens não deixam, ainda assim, de proporcionar a um adepto de futebol toda a emoção inerente ao desporto-rei, com a vantagem de lhe apresentar, ao mesmo tempo, alguns dos talentos emergentes um pouco por todo o Mundo; não é, pois, de estranhar que, aquando da primeira competição internacional organizada por Portugal (e que arrancava exactos trinta e cinco anos antes da data da edição deste 'post', a 14 de Junho de 1991) fosse grande o entusiasmo entre os fãs de futebol nacionais – até por a Selecção Nacional de Esperanças ser campeã em título, tendo, assim, a oportunidade de o defender em solo nacional. Não deixa, pois, de ser irónico que Portugal tenha sido a segunda escolha para acolher o Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, tendo adquirido esse direito apenas após a anfitriã original – a Nigéria, que Portugal derrotara na final do Mundial do Catar, dois anos antes – ter sido desqualificada por falsificação de idades.

Esta mudança, no entanto, apenas tornou o desfecho final do torneio ainda mais poético, permitindo ao grupo de jovens conhecido como a Geraçãode Ouro reforçar o seu estatuto em 'casa própria', num Estádio da Luz repleto de adeptos em êxtase – muitos deles crianças que, pela primeira vez, tinham oportunidade de se deslocar a um estádio numa Saída de Sábado, não para ver o seu clube, mas para assistir a um jogo internacional, disputado por jovens pouco mais velhos do que elas próprias. E a verdade é que o espectáculo proporcionado naquela tarde de 31 de Junho não desapontou os sobreditos entusiastas de futebol, tendo a Selecção Nacional levado de vencida a sua congénere brasileira (da qual faziam parte nomes como Giovane Elber ou um lateral-esquerdo chamado Roberto Carlos) na 'lotaria' dos 'penalties', após empate a zero no final do prolongamento.

As selecções das Quinas e 'canarinha' estavam, no entanto, longe de ser as únicas com futuros nomes sonantes entre os seus escolhidos. Senão, veja-se: o melhor marcador da prova foi um tal de Sergei Cherbakov, avançado da União Soviética que viria a ser bem conhecido dos adeptos sportinguistas; na selecção sueca alinhavam o guarda-redes Magnus Hedman e o defesa Niclas Alexandersson; da Austrália faziam parte Kevin Muscat e os guarda-redes Zeljko Kalac e Mark Bosnich; o avançado de Trinidade e Tobago era um tal de Dwight Yorke, cujo futuro parceiro de ataque, Andy Cole, alinhava na selecção inglesa, ao lado da futura lenda do Tottenham, Ian Walker, e dos futurosbenfiquistas Scott Minto e Steve Harkness; no Uruguai estava Paolo Montero, futura lenda da Juventus, e na Argentina figuravam Juan Esnáider e um tal de Mauricio Pocchettino – sim, esse mesmo! A própria Selecção Nacional trazia vários nomes futuramente conhecidos, que se afirmariam como esteios dos respectivos clubes e (pelo menos em alguns casos) formariam a base da equipa sénior durante os anos seguintes - de Figo e Rui Costa a Emílio Peixe, Jorge Costa, Abel Xavier, Rui Bento, Capucho, Tulipa, Nélson ou os dois 'Joões Pintos', Vieira e Oliveira.

Naquela segunda quinzena de Junho de 1991, no entanto, nenhum destes nomes poderia sequer imaginar a futura grandeza que os esperava, sendo cada um deles apenas 'mais um' jovem talento que (ao lado de colegas destinados a carreiras mais 'anónimas') almejava à conquista do troféu mais importante do futebol jovem mundial, e entusiasmava os adeptos do seu país, tanto os presentes nos diferentes estádios de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães e Faro onde se desenrolava o certame como aqueles que apenas tinham oportunidade de assistir a partir de casa.

No final, no entanto, seria mesmo a Selecção anfitriã a atingir a glória máxima, pondo assim um ponto final no 'conto de fadas' iniciado no Médio Oriente, dois anos antes, e inscrevendo para sempre na História do futebol português os nomes tanto das supracitadas 'estrelas' como dos seus colegas que, por vicissitudes da vida, acabariam por 'ficar pelo caminho', e construir carreiras mais discretas, se bem que não menos honrosas. Para a História fica, também, o primeiro certame futebolístico internacional organizado por Portugal, que acabava por servir como uma espécie de 'ensaio' para outro, de bastante maiores dimensões, disputado uma década e meia depois e do qual fariam ainda parte vários dos jogadores presentes no torneio de '91 – embora, infelizmente, o clímax dessa história (que se desenrolava, novamente, no estádio do Benfica, embora não exactamente no MESMO estádio do Benfica) tivesse um desfecho bem menos feliz do que o primeiro, impedindo que a Geração de Ouro se despedisse do futebol internacional da mesma forma que a ele se apresentara...

Sunday, 24 November 2024

Domingo Desportivo: A Segunda Passagem de Rui Barros Pelo Porto

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Embora a História do desporto-rei esteja repleta de jogadores que, após inícios auspiciosos em clubes menores, almejam prosseguir, consequentemente, a carreira em emblemas de maior dimensão (senão mesmo 'gigantes'), os atletas com capacidade de fazer a diferença no mesmo clube em duas ocasiões diferentes contam-se em bastante menor número. De facto, ainda que tais casos não sejam totalmente inauditos, os mesmos são, sem dúvida, suficientemente raros para que os jogadores capazes de integrar este grupo sejam merecedores de destaque. É, precisamente, o caso do futebolista a quem dedicamos as próximas linhas, um médio ofensivo 'à moda antiga' que celebra este Domingo o seu quinquagésimo-oitavo aniversário e que, há exactas trinta temporadas, regressava ao clube que o formara e lançara, para inscrever indelevelmente o seu nome na extensa lista de 'lendas' do mesmo.


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O jogador com a camisola que o consagrou no início e fim de carreira.


Regressado à Cidade Invicta já com honras de titular absoluto de Juventus e Mónaco, bem como de vencedor da última Taça UEFA da década de 80, ao serviço da 'Vecchia Signora', e finalista vencido da competição de 1991-92, pelo Mónaco (além dos títulos conquistados ao serviço do próprio Futebol Clube do Porto, na década anterior), poderia, à primeira vista, parecer que Rui Barros voltava ao Estádio das Antas já com tudo conquistado, para a proverbial 'reforma dourada'. O internacional português – então ainda a alguns meses de completar vinte e oito anos, e como tal, na flor da carreira - rapidamente desprovaria essa teoria, no entanto, mostrando, pelo contrário, ter ainda uma palavra a dizer no seio do seu clube 'do coração'. Tanto assim era que o médio-ofensivo não só conquistaria um lugar no onze inicial de um Porto fortíssimo e em plena fase hegemónica, como também se revelaria elemento crucial na até então inaudita caminhada rumo ao penta-campeonato nacional, que o Porto iniciaria logo na temporada seguinte. De facto, das seis épocas que realizou na sua segunda passagem pelo Porto, só na última (já à beira da reforma) Rui Barros perderia preponderância no plantel azul e branco, registando ainda assim dezasseis presenças ao longo da temporada 1999-2000, cujo final o veria retirar-se dos relvados, agora sim, já com tudo ganho.


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Rui Barros na função de técnico dos 'dragões'


Dada a lealdade demonstrada ao clube no qual passou mais de metade da sua carreira, não foi de todo surpreendente que, após a reforma como jogador profissional, Rui Barros tivesse sido integrado na estrutura do FC Porto, onde alternou funções de treinador adjunto e interino ao longo de mais de uma década (entre 2005 e 2016), tendo mesmo chegado a festejar a conquista da Supertaça de 2006 na condição de treinador principal da equipa sénior. Mais tarde, em 2018, o ex-fantasista dos 'dragões' assumiria o cargo de treinador das reservas do clube, cargo que ocuparia durante os três anos seguintes, antes de se trasladar para a função de olheiro, que desenvolve até hoje, não deixando de ser apropriado que um dos melhores criativos da História do clube portuense tenha, hoje, a função de descobrir novos talentos potencialmente ao seu nível – e, idealmente, com o mesmo grau de lealdade e amor à camisola por si demonstrado enquanto jogador profissional pelos dragões. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 4 June 2023

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Ricardo 'Coração de Leão'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Apesar de a maioria dos 'símbolos' de um clube (em qualquer modalidade) serem, tradicionalmente, oriundos das camadas de formação do mesmo, tal nem sempre é o caso; por vezes, surgem jogadores contratados de fora, já em idade sénior, mas que, ao deixarem o respectivo clube, o levam na boca e no coração, permanecendo para sempre adeptos do mesmo, e por vezes até surgindo ligados à estrutura. Os anos 90 não foram excepção neste aspecto, antes pelo contrário; só nos três 'grandes', existiam vários exemplos deste fenómeno, entre eles nomes tão icónicos como Aloísio, Nuno Gomes, João Vieira Pinto, Ivaylo Yordanov, Alberto Acosta, Krasimir Balakov e o jogador de que falamos hoje, um membro da Geração de Ouro que, apesar de até hoje merecer o apelido 'Coração de Leão', não iniciou a sua carreira nas 'escolinhas' de Alvalade, tendo chegado ao Sporting Clube de Portugal já 'homem feito', mas ainda mais do que a tempo de se tornar um ídolo e referência dentro do clube.


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O jogador com a camisola com que se notabilizou.


Falamos de Ricardo Manuel Andrade e Silva Sá Pinto – normalmente conhecido apenas pelos seus dois últimos apelidos – aquele segundo avançado de fartas sobrancelhas e penteado à 'jogador da bola', tão conhecido pela sua raça dentro de campo como pelo seu feitio complicado, eternizado no infame murro ao então Seleccionador Nacional, Artur Jorge, a 26 de Março de 1997, que lhe valeu uma suspensão de um ano de jogos internacionais.


Muito antes disso, no entanto – muito antes, aliás, de qualquer tipo de actividade internacional – Ricardo 'Coração de Leão' era uma jovem estrela em ascensão, não no centro de Lisboa, mas sim da 'outra' capital portuguesa, onde despontara para o futebol enquanto membro da formação do Futebol Clube do Porto, onde ingressara com tenros dez anos, e se notabilizara ao serviço do histórico Salgueiros, emblema onde completaria a formação e faria as suas três primeiras épocas como sénior. Corriam os primeiros anos da década de 90 (concretamente, a época 1991/92) quando um talentoso adolescente surge pela primeira vez ao serviço dos alvirubros nortenhos, dando imediatamente nas vistas pela raça e talento muito acima da média para um jogador da então II Divisão de Honra. Na época seguinte, surge a oportunidade de explanar o seu futebol no escalão principal, onde se estreia a 30 de Agosto de 1992, como suplente num jogo contra o Farense, e menos de dois anos depois, já com créditos firmados no seio da sua equipa, Sá Pinto era já peça fulcral na Selecção Nacional Sub-21 que chegaria à final do Campeonato Europeu da categoria no Verão de 1994.


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O avançado ao serviço do Salgueiros.


Tão meteórica ascensão não podia, é claro, passar despercebida a um 'grande', e é sem surpresas que os adeptos do Salgueiros se despedem de Sá Pinto imediatamente após o supracitado torneio, altura em que o jovem, ainda com apenas 22 anos, ruma à capital para assinar pelo Sporting, onde virá a passar as próximas três épocas, afirmando-se como peça progressivamente mais e mais importante dentro do colectivo; logo naquela primeira época, por exemplo, ajuda o clube a conquistar a Taça de Portugal, e posteriormente a Supertaça, no início da temporada seguinte. No total, são mais de setenta e cinco os jogos realizados pelo avançado nessa sua primeira passagem pelos 'verdes e brancos', e vinte os golos marcados – números apenas ligeiramente aquém dos conseguidos no Salgueiros no período análogo, e que lhe valem, com naturalidade, a presença regular também no 'onze' da Selecção Nacional, pelo menos até ao supracitado 'desaire' com Artur Jorge.


Tal como acontecera no seu clube original, aliás, o papel determinante do avançado no seio da sua equipa voltaria a atrair atenções alheias no defeso de Verão de 1997 – desta feita, do estrangeiro, concretamente da vizinha Espanha, próximo destino do avançado, que assina pela Real Sociedad.


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Sá Pinto na Real Sociedad.


Depois de mais três épocas de alto nível no país vizinho (apesar dos apenas seis golos, um dos quais na estreia, o avançado consegue amealhar um total de setenta partidas, afirmando-se como peça importante também no colectivo espanhol) o dealbar do Novo Milénio veria Ricardo 'Coração de Leão' regressar à 'casa adoptiva', a tempo de voltar a ser herói; desta feita, seriam seis as épocas e quase cem os jogos realizados pelo raçudo internacional português, que contribuía com catorze golos para as conquistas dos 'Leões' neste período, entre as quais se contam mais duas Supertaças e, claro, o troféu de Campeão Nacional na época 2001/2002.


Feitos suficientes para, apesar de não ter acabado a carreira no Sporting (fez ainda uma época na Bélgica, ao serviço do Standard Liége), Sá Pinto merecer a consideração e o carinho dos adeptos leoninos, para os quais se tornou ídolo, e que – aquando da inevitável transição para o cargo de treinador, no início da década de 2010 – o receberam de braços abertos, ainda que a sua inexperiência na função o tenha impedido de alterar os destinos do clube do coração, então numa fase difícil em termos de resultados. Nada, no entanto, que tenha travado ou prejudicado a carreira de Ricardo enquanto treinador, que subsiste até hoje, contando já com passagens por clubes como o Red Star Belgrado, Belenenses, Sporting Clube de Braga, Gaziantep, Vasco da Gama, Moreirense e duas passagens pelo Atromitos, da Grécia, entre outros clubes de menor expressão.


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Sá Pinto o treinador.


Para quem seguia o Campeonato Nacional durante a última década do século XX, no entanto, não é aquele 'senhor' de 'fatinho' que o nome Sá Pinto invoca, mas sim o intratável segundo avançado que foi ídolo por onde passou, deu uma 'murraça' no Seleccionador Nacional por o ter deixado de fora de um jogo, e 'comia a relva' sempre que entrava em campo – fosse ao serviço do Salgueiros, aos dezanove anos, ainda como Cara (Des)conhecida do futebol português, ou do Standard Liége, aos trinta e quatro, enquanto internacional de créditos firmados. Uma figura inimitável, portanto, e que, pesem embora algumas controvérsias, se afirmou como exemplo de muitas das características que se pedem a um jogador de futebol de topo.

Sunday, 29 January 2023

Domingo Desportivo: Lendas do Futebol Mundial - Romário, o Pequeno Grande Goleador

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Cada época da História contemporânea teve, e continua a ter, os seus desportistas lendários, não tendo os anos 90 sido excepção a esta regra. Pelo contrário, não faltaram às crianças e jovens daquela época nomes para admirar dentro do Mundo do desporto, dos inevitáveis futebolistas a condutores de Fórmula 1 ou exímios praticantes de outras modalidades, como as atletas Rosa Mota e Fernanda Ribeiro ou os basquetebolistas da NBA (e, dentro de portas, também Carlos Lisboa).


No entanto, apesar desta diversidade, é inegável que o futebol centrava, naquela época como agora, a maioria das atenções, e produzia os mais exaltados ídolos, quer dentro de portas, quer a nível mais global – e, destes últimos, um dos mais destacados durante aquela década foi o homem que hoje completa cinquenta e sete anos de idade, e que muitos adultos hoje na casa dos 'trintas' e 'quarentas' se habituaram a ver 'fuzilar' redes de balizas um pouco por todo o Mundo: Romário de Souza Faria (vulgarmente conhecido apenas pelo seu primeiro nome), um dos mais prolíficos atacantes da História do futebol moderno e que, durante a primeira metade da década, foi esteio de uma das melhores selecções nacionais de sempre.


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Uma imagem que se tornou comum entre os adeptos dos anos 90.


Nascido, como tantos outros seus compatriotas, nos bairros pobres do Rio de Janeiro, Romário destacou-se desde tenra idade pelo seu invulgar talento, tendo sido recrutado pelo Vasco da Gama em 1981, aos catorze anos, após ter brilhado no seu clube local, o Olaria, na época anterior. A estreia profissional, essa, deu-se quatro anos depois, a meio da década de 80, lançando uma carreira que excederia todas e quaisquer expectativas; com uma média de golos por jogo mirabolante, Romário rapidamente se encontrou em trajectória ascendente, não tendo o tão cobiçado 'salto' europeu (objectivo máximo de qualquer futebolista brasileiro) tardado a surgir – apenas três anos após o seu primeiro jogo como sénior, e com já mais de oitenta golos marcados ao serviço do Vasco, Romário seria o escolhido para reforçar o ataque do PSV Eindhoven, do campeonato holandês.


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O jogador no clube que o notabilizou a nível europeu.


E rapidamente se constatou que a veia goleadora do atacante não se limitava ao 'Brasileirão', tendo Romário logrado apontar uma centena de golos nas cinco épocas em que representou os neerlandeses, e sido parte fulcral da conquista de três títulos de campeão nacional durante o mesmo período; uma marca que, naturalmente, conduziu a novo 'salto' na carreira. Desta vez, o destino era Barcelona, em Espanha, onde o brasileiro teria a honra de integrar um dos mais fortes plantéis do futebol mundial da época, ao lado de outro 'enorme' avançado da época, Hristo Stoichkov, e de nomes como Michael Laudrup ou Ronald Koeman. Mesmo em meio a tal 'chuva de estrelas', no entanto, Romário continuou a destacar-se, conseguindo trinta e quatro golos nos quarenta e seis jogos que realizou pelos 'blaugrana' entre 1993 e 1995, trinta dos quais na sua primeira época, incluindo um 'hat-trick' contra os 'eternos rivais' do Real Madrid, e uma 'cueca' ao 'enorme' Peter Schmeichel (mais tarde guardião do Sporting campeão nacional da época 99/2000) em pleno Old Trafford. Actuações como estas, e como as que realiou ao serviço da 'canarinha' no Mundial de 1994, valeram-lhe inclusivamente o merecido prémio FIFA de Jogador do Ano relativo a 1994. Este 'estado de graça' viria, no entanto, a terminar abruptamente logo em Janeiro do ano seguinte, quando um desentendimento com o técnico Johan Cruyff veria Romário abandonar o Barcelona e (numa decisão surpreendente) regressar ao Brasil, agora para representar o Flamengo.


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Romário durante a sua curta e frustrante passagem pelo Valência.


Sessenta golos em outros tantos jogos rapidamente lhe valeram, no entanto, o regresso a Espanha, para vestir a camisola do Valência. No entanto, pela primeira vez na sua carreira, Romário viria a não se afirmar num clube, fazendo apenas onze partidas pelos espanhóis (em que marcaria cinco golos) antes de voltar ao clube de onde recentemente saíra, agora por empréstimo, a fim de jogar com mais regularidade e manter os índices físicos em alta na preparação para o Mundial de França '98 – torneio que, ironicamente, viria a falhar por lesão muscular. Apesar deste relativo 'falhanço' no regresso a Espanha, no entanto, no Brasileirão, os golos continuariam a surgir em catadupa: vinte e dois em vinte e um jogos pelo Flamengo em 1997, e trinta e quatro em sessenta e cinco partidas na época seguinte.


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No Flamengo, o 'Baixinho' voltou a fazer o que melhor sabia.


O novo Milénjo veria Romário voltar à casa que o vira 'nascer' para o futebol, qual filho pródigo, e contribuir com quase oitenta golos para as campanhas de 2000/2001 e 2001/2002 do Vasco da Gama. Seguiu-se novo regresso ao 'Flu' (com passagem breve e pouco memorável pelo Al-Sadd, do Qatar) antes do retorno ao Vasco, ainda a tempo de marcar trinta e cinco tentos em cinquenta jogos na época 2005/2006. Já a nível internacional, a carreira do 'Baixinho' corria menos bem, tendo o mesmo sido deixado de fora do plantel da 'Canarinha' para a Copa América de 2001 e para o Mundial de 2002, por problemas disciplinares.


Apesar destes reveses, no entanto, os anos pareciam não passar pelo avançado o qual, aos quase quarenta anos, continuava a ser o mesmo goleador de classe mundial que se revelara ao mundo três décadas antes; de facto, até ao final de carreira em 2009, aos quarenta e três anos (!!), Romário representaria, ainda, quatro clubes, dois no estrangeiro (o Miami FC, da Major League Soccer norte-americana, e o Adelaide United, da Austrália, por empréstimo deste último) e dois dentro de portas: o seu Vasco do coração, ao qual regressaria pela quarta vez em 2007 (ainda a tempo de marcar treze golos em quinze jogos) e o América do Rio de Janeiro, pelo qual faria uma única partida, a sua última como jogador profissional. Um ponto final estranhamente discreto para um dos nomes 'de monta' do futebol noventista, dono de uma carreira que, em vários pontos, tocara as estrelas.


Penduradas as botas, Romário escolheu seguir, não a carreira de treinador escolhida por tantos dos seus contemporâneos, mas uma bastante mais inesperada: a de político. O 'Baixinho' tornou-se deputado e, mais tarde, Senador do Congresso brasileiro pelo Partido Socialista (de Lula), tendo passado a 'fuzilar' com a língua, em vez de com os pés. O seu alvo mais notável, a este respeito, talvez tenha sido o Mundial de 2014, realizado no seu país natal, e sobre o qual procurou denunciar os problemas de corrupção e lavagem de dinheiro em torno do evento. Mais tarde, o 'Baixinho' viria a trocar de 'lado' político, juntando-se primeiro ao partido Podemos, do qual foi presidente, e mais tarde aos Liberais de Jair Bolsonaro, ao qual chegou a declarar publicamente o seu apoio. Uma mancha, dirão alguns, na carreira de um homem que, apesar de alguns problemas derivados de uma forte personalidade, foi, e mereceu ser, idolo de muitos durante os seus anos áureos nos relvados mundiais. Parabéns, 'Baixinho'!

Sunday, 24 July 2022

Domingo Desportivo: Lendas do Campeonato Nacional - Aloísio, o Verdadeiro 'Super-Dragão'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


Quando se fala dos campeonatos portugueses da década de 90, há alguns nomes que vêem imediatamente à baila, seja pelo talento invulgar, pela falta do mesmo, ou simplesmente por parecerem já fazer parte da 'mobília' no início de cada nova época. Nesta nova rubrica, o Portugal Anos 90 propõe-se recordar as carreiras de algumas dessas Lendas do Campeonato Nacional.


E para começar, nada melhor do que recordar um nome que será lembrado com saudade ou com antagonismo (dependendo do clube do coração) pela maioria dos adeptos que ainda recordem esses tempos: Aloísio Pires Alves, 'centralão' do FC Porto conhecido por ser – a par de Jorge Costa ou Paulinho Santos - uma das principais caras daquelas equipas extremamente físicas que os 'Dragões' apresentavam no início da década, e um dos últimos resistentes das mesmas (a par do referido Jorge Costa) a sobreviver à transição para o 'novo' Porto europeu, no virar do milénio.


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O central com a camisola com que se tornou sinónimo


Nascido em Pelotas, Rio Grande do Sul, a 16 de Agosto de 1983, Aloísio iniciou a sua carreira profissional dezanove anos depois, ao serviço do Internacional de Porto Alegre, onde permaneceria seis épocas e realizaria mais de cem jogos, ajudando a equipa a conquistar três campeonatos estaduais, bem como a atingir uma inédita segunda posição na Série A brasileira (então conhecida como Copa União) em 1987.


A preponderância que assumia no seio da equipa gaúcha, bem como o elevado nível exibicional que mantinha, acabaram eventualmente por propiciar o sonho de qualquer jogador sul-americano, nomeadamente, o de se transferir para um grande clube europeu. No caso de Aloísio, foi o Barcelona quem mostrou interesse, acabando mesmo por assinar contrato com o jogador no início da época 1988/89. Surpreendentemente (ou talvez não), Aloísio conseguiu corresponder às expectativas associadas a tal transferência, encontrando o seu espaço no Barça dos anos pré-'dream team', pelo qual alinhou um total de 48 vezes ao longo de duas épocas, uma das quais na final da Taça dos Campeões Europeus (hoje, Liga dos Campeões) da época 1988/89, que terminaria com o triunfo dos 'blaugrana' frente à Sampdoria por 2-0. As suas boas exibições ao serviço dos catalães valer-lhe-iam ainda, nessa mesma época, a chamada à Selecção Nacional brasileira, pela qual realizaria seis jogos, a juntar aos quatro que já lograra ao serviço dos Sub-20, ainda nos tempos do Internacional.


Apesar de se afirmar como parte importante da equipa catalã em ambas as épocas em que alinhou com o seu escudo, no entanto, Aloísio viria mesmo a embarcar em nova aventura a tempo da época 1990/91, galgando as montanhas transmontanas para assinar pelo Futebol Clube do Porto, então em fase dominante no contexto do Campeonato Nacional da I Divisão. Do resto, reza a história: no total, foram onze épocas (mais de metade da carreira total do brasileiro) e quase quinhentos jogos oficiais ao serviço dos 'Dragões', ao longo dos quais conquistou dezanove títulos (incluindo um penta-campeonato, louvor que partilha com apenas cinco outros jogadores em toda a História do clube), formou parte integrante de uma fortíssima defesa portista nos primeiros anos da década, alinhou em pelo menos 28 dos trinta e poucos jogos do campeonato em todas as épocas à excepção da última, e conquistou um lugar como figura maior não só da 'mística' portista, como dos campeonatos da década de 90 como um todo - o que torna mais que merecida a sua inclusão na lista de Lendas do Campeonato Nacional daquela época, e a honra de inaugurar mais esta nova rubrica do nosso blog.


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Aloísio com os quatro uniformes da sua carreira

Sunday, 16 January 2022

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Rui Costa no Fafe

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Um dos maiores paradoxos do futebol, quer actualmente quer em décadas transactas, prende-se com o facto de, por vezes, jogadores que se revelam como talentos invulgares terem de passar incontáveis temporadas em situação de empréstimo durante os seus anos formativos. É claro que, por vezes, existem nomes que contrariam esta tendência, principalmente desde o dealbar do futebol moderno – basta lembrarmo-nos de Luís Figo, João Moutinho, Renato Sanches, Francisco Conceição ou, claro, Cristiano Ronaldo – mas, para cada um destes exemplos, continua a haver um sem-fim de nomes que deixam os adeptos a pensar em como é possível que os clubes não tenham visto, de imediato, o potencial dos jogadores – nomes como Deco, Miguel Veloso, João Palhinha, ou o homem de que falamos hoje, Rui Costa.


Produto das escolinhas do Benfica, e considerado pela lenda Eusébio como grande promessa para o futuro, Rui Manuel César Costa parecia, à entrada para a sua primeira época como sénior, no dealbar da década de 90, uma escolha natural para a promoção ao plantel principal do clube onde crescera para o futebol – especialmente tendo em conta que o médio tinha feito parte da Selecção portuguesa que havia conquistado o título de campeão mundial de sub-20, em Riade, no ano transacto. Terá, portanto, sido com alguma surpresa que os adeptos benfiquistas viram a jovem promessa de 18 anos rumar ao Grupo Desportivo de Fafe, num dos tais empréstimos por uma época que indicam que, apesar de o clube principal ainda contar com o jogador para o futuro, existem primeiro algumas arestas a lapidar.


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Foto de arquivo que mostra Rui Costa integrado no plantel do Fafe, aqui em treino (Crédito da foto: MaisFutebol)


E o mínimo que se pode dizer é que Rui Costa alisou definitivamente quaisquer 'cantos' pontiagudos que ainda pudessem existir durante a sua temporada na equipa nortenha em 1990-91, tendo-se afirmado como parte indiscutível da equipa (entre aulas de código e visitar ao clube de vídeo, foram 38 jogos, tendo o médio ainda contribuído com seis golos) e crescido o suficiente como futebolista para, aquando do seu regresso à casa-mãe (já com o título de Campeão Mundial de Sub-21, obtido novamente em Riade e no qual Rui Costa teve papel decisivo, ao marcar o 'penalty' que decidiu a final) ser integrado nos trabalhos da equipa principal, da qual apenas sairia para protagonizar uma das primeiras grandes transferências do futebol português moderno, ao rumar à Fiorentina, de Itália, em contra de 1 milhão e 200 mil escudos, o equivalente actual a seis milhões de euros. Pelo caminho ficavam uma Taça de Portugal, ganha ao Boavista por 5-2 em 1992/93, o título máximo de campeão nacional, obtido na época seguinte, sob o comando do não menos lendário Toni, e uma dupla de meio-campo ainda hoje tida pelos adeptos benfiquistas como uma das melhores de sempre, ao lado de João Vieira Pinto.


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De Fafe, Rui Costa 'voaria' para a ribalta do futebol mundial (Crédito da foto: FotoArte/MaisFutebol)


No futuro estava, claro, mais de uma década em Itália, ao serviço da Fiorentina e AC Milão, que lhe valeria a alcunha de 'Il Maestro', outros tantos anos como 'motor' de uma Selecção Portuguesa 'movida' a Geração de Ouro, e, finalmente, um regresso ao Benfica, que acolheu de braços abertos o seu filho pródigo e, após o término natural da carreira deste, o integrou nos quadros do clube que o formara para o futebol, onde ainda hoje milita. Prova concreta de que a previsão de Eusébio, quase quatro décadas antes, estava correcta, e de que Rui Costa era mesmo um dos 'especiais' do futebol moderno – mesmo que esse talento tenha, por uma época pelo menos, andado perdido nos 'batatais' da Segunda Divisão nacional de inícios dos anos 90...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...