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Thursday, 30 July 2026

Quintas de Quinquilharia: A 'Edição de Verão' das 'Janelas Mágicas'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos das 'Janelas Mágicas', um dos mais memoráveis brindes do Bollycao para quem era de uma certa idade em inícios dos anos 90; o que poucos saberão (ou do que poucos se recordarão) é que a Olá procurou, também ela, capitalizar sobre o sucesso daquele conceito, tendo lançado uma série protagonizada por uma das suas mascotes, no caso o rapazinho ruivo que, desde há décadas, vem sendo figura de proa do Epá.


(Crédito da imagem: OLX)

Surgiam assim, num daqueles longos e quentes Verões dos anos 90, as 'Janelas Mágicas Epá', presumivelmente oferecidas na compra do gelado, e cuja mecância era em tudo semelhante às precursoras do Bollycao: cada cartão tinha uma pequena cena que podia, depois, ser 'colorida' mediante a aplicação de um pedaço de plástico sobre a ilustração. A única diferença, conforme mencionámos, é que a colecção da Olá tinha como protagonista exclusivo o personagem licenciado da marca, que surgia em nada menos do que uma dezena e meia de situações, retratadas por meio de ilustrações detalhadas ao estilo de banda desenhada, as quais revelavam até algum esforço por parte do seu anónimo criador.

Infelizmente – talvez por ser um conceito já antes visto, ou por o Epá estar longe de ser o mais popular de entre os gelados da Olá – esta segunda colecção de 'Janelas Mágicas' ficou longe do sucesso da antecessora, constituindo hoje, sobretudo, uma curiosidade esquecida de uma época em que até o mais simples pedaço de papel oferecido na compra de alimentos conseguia surpreender e deliciar a grande maioria das crianças portuguesas e não só; numa altura do ano em que o calor aperta e os gelados vivem o seu período áureo de vendas, nada melhor, portanto, do que recordar uma das poucas instâncias em que as guloseimas veranis deram direito a brinde.

Thursday, 22 June 2023

Quintas de Quinquilharia: As 'Janelas Mágicas´ do Bollycao

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Para quem já nasceu (ou cresceu) num Mundo quase totalmente digital, os simples prazeres que deleitavam as crianças e jovens das gerações anteriores podem parecer estranhos e até caricatos; tal como a geração 'Millennial' teve dificuldade em compreender o apelo de alguns dos jogos, brinquedos e brincadeiras que encantaram os seus pais, também a actual Geração Z ficará, certamente, a ponderar qual o interesse de um pequeno bocado de cartolina com uma imagem desenhada, sobre o qual se coloca uma peça de plástico para fazer a dita imagem ganhar cor.


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As duas 'fases' do efeito (crédito da foto: Ainda Sou Do Tempo)


E, no entanto, foi essa a premissa de uma das mais memoráveis promoções do Bollycao, lançada na ponta final da década de 80 e que subsistiria até aos primeiros anos da seguinte – as 'Janelas Mágicas'. Apesar de simples ao ponto de a sua premissa ter sido explanada em uma frase do parágrafo anterior, estes brindes fizeram as delícias de toda uma geração de crianças, ainda a alguns anos de terem a sua vida mudada para sempre pelos Pega-Monstros, Tazos, Matutolas e restante panteão de brindes inesquecíveis da Matutano, Panrico, e restantes marcas explicitamente dirigidas à sua demografia.


De facto, esta foi uma das primeiras ofertas tentadas por qualquer das duas marcas, sucedendo à pioneira colecção dos 'Tous', que também aqui terá, em tempo, o seu espaço; e a verdade é que, apesar de não ter feito o mesmo sucesso (até por o seu apelo ser menos generalizado, e mais especificamente dirigido a um público infantil, ainda passível de se deixar fascinar com tais efeitos) a colecção não deixou, ainda assim, de ser icónica para um certo segmento da demografia em causa, para quem o acto de deslizar aquele bocadinho de plástico por cima da imagem monocromática e a fazer ganhar cor nunca perdia o encanto ou o fascínio.


Escusado será dizer que uma promoção nestes moldes estaria, hoje em dia, destinada ao fracasso. Se algo como os Pega-Monstros ou até os Tazos ainda poderia suscitar o interesse dos jovens de hoje, com a sua vertente competitiva e algo intemporal, este é um conceito bem mais restrito a um tempo pré-digital, em que a tecnologia ainda era algo caro, raro e definitivamente 'para adultos'; para uma geração que vê efeitos mais fascinantes do que este de cada vez que liga o telemóvel, esta oferta teria um interesse praticamente nulo. Para a geração que os antecedeu, no entanto, passava-se precisamente o oposto, sendo que ainda haverá, certamente, algumas destas 'Janelas' 'esquecidas' em gavetas de quartos de infância de Norte a Sul do País...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...