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Wednesday, 13 September 2023

Quartas aos Quadradinhos: O Suplemento Público Júnior

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


No início dos anos 90, o suplemento de banda desenhada era apenas mais um dos muitos 'extras' oferecidos na compra de uma qualquer edição de fim-de-semana de um jornal português, tão comum como a inevitável revista ou o caderno de classificados. Entre os periódicos nacionais da época a contar com este tipo de suplemento contavam-se o Expresso, cujo suplemento era composto por histórias da Disney, o Diário de Notícias e ainda o Público, ambos os quais se focavam sobretudo sobre a BD franco-belga. E porque já no passado dedicámos 'posts' neste nosso blog aos dois primeiros exemplos mencionados, chega agora a altura de completar a 'trilogia' e falar do suplemento Público Júnior.


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O único vestígio deste suplemento existente na Net permite verificar a tendência mais artística das suas capas por comparação com o 'rival' BDN.


Semelhante, em conceito e estrutura, ao 'rival' BDN, do Diário de Notícias, o Público Júnior destacava-se, sobretudo, pelo grafismo, que o fazia parecer um suplemento bem mais 'adulto' do que qualquer dos dois concorrentes – o que acabava por ser uma 'faca de dois gumes', pois a falta de uma imagem de capa que atraísse a demografia-alvo podia, facilmente, redundar na ausência de interesse por parte do mesmo; ainda assim, o Público escolheu manter-se fiel à sua identidade, e as capas do suplemento raramente deixaram de ter um conceito gráfico único e distinto da concorrência.


No tocante ao conteúdo, passava-se algo semelhante, já que o Público Júnior oferecia o mesmo tipo de BD franco-belga veiculada pelo BDN, com heróis como Spirou e Fantasio, mas também outro tipo de artigos, quer de índole mais recreativa, quer mais educativa, o que o ajudava a afirmar-se como um suplemento mais completo do que o 'rival', e mais próximo de uma 'verdadeira' revista infantil, do género que, à época, fazia furor entre os jovens. De facto, apesar de, hoje em dia, se encontrar significativamente mais Esquecido Pela Net do que o concorrente – e de o mesmo ter, potencialmente, agregado a preferência das crianças e jovens da altura – pode dizer-se que o Público Júnior é, objectivamente, o melhor dos dois suplementos, o que constitui apenas mais uma razão para preservarmos a sua memória neste nosso 'blog' nostálgico.

Wednesday, 14 June 2023

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Correio Juvenil' do Clube Verbo

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui falámos, numa edição passada, de como os clubes de jovens por correspondência se popularizaram entre a juventude noventista. Da Sega e Nintendo ao grupo Auchan (através das mascotes Rik e Rok) passando pelo pioneiro Clube Amigos Disney e por um sem-fim de clubes de fãs de artistas sem afiliação corporativa, criados e geridos por jovens perfeitamente normais e anónimos, foram inúmeros os exemplos deste tipo de iniciativa surgidos durante as duas últimas décadas do século XX e primeira do seguinte.


O campo da literatura não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo sido nada menos do que duas as tentativas feitas nesse sentido por editoras populares entre a 'miudagem': o lendário Clube Caminho Fantástico, da Editorial Caminho – talvez o exemplo mais bem conseguido deste tipo de serviço – e o Clube Verbo, lançado pela editora homónima algures nos anos 80 e que, como o seu congénere, 'resistiu' até pelo menos à 'recta final' do século XX. Tal como sucedia com a maioria dos outros clubes deste tipo, cada um destes grupos tinha a sua revista própria, com passatempos, cartas e desenhos de leitores e – no caso do Correio Juvenil – também banda desenhada.


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Duas capas do suplemento, ambas alusivas à mesma história de Tintim


De facto, a revista veiculada pelo Clube Verbo destacava-se da 'concorrência' por se inserir no mesmo segmento de publicações 'oficiais' como 'Tintim', 'Spirou' e 'Selecções BD', bem como de suplementos vinculados a jornais e revistas, como o 'BDN' ou o suplemento juvenil do Expresso, ao reunir e editar em 'tranches' histórias de alguns dos autores mais clássicos do mundo da banda desenhada, com destaque para Hergé e Carl Barks, ilustrador principal da era de Ouro da BD da Disney, do qual foram veiculadas duas histórias entre os números 74 e 89, cada uma delas dividida em oito partes: do número 74 ao 81 foi editado 'O Sofá Expresso', de Donald e sobrinhos, e do 82 ao 89 'O Deus do Vulcão', com Mickey e Pateta. Os restantes (poucos) recursos actualmente existentes sobre esta revista mostram imagens de 'O Caranguejo das Tenazes de Ouro', aventura de Tintim passada no Médio Oriente, e sugerem terem sido publicadas histórias de outros autores franco-belgas menos conhecidos.


O facto, no entanto, é que o clube da Difusão Verbo foi um pouco 'Esquecido Pela Net', o que acaba por ser uma pena, já que parece tratar-se, como o Caminho Fantástico, de um exemplo particularmente bem conseguido do formato de clube de jovens por assinatura ou correspondência; cabe assim, como sempre, a este nosso 'blog' a função de recordar este clube, a sua revista, e as excelentes histórias nela publicadas, para que quem fez parte possa recordar, e quem não conhecia possa passar a estar a par...

Wednesday, 14 July 2021

Quartas aos Quadradinhos: O Suplemento de Banda Desenhada Disney do Jornal Expresso

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Depois de termos feito das revistas Disney da Abril Morumbi o tema de uma das primeiras edições das Quartas aos Quadradinhos, voltamos hoje a falar dos mais famosos personagens de banda desenhada de sempre, desta vez para abordar um tema que, na altura, abordámos mas não aprofundámos: a presença dos mesmos em contextos externos ao das revistas que periodicamente chegavam às bancas.


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O primeiro fascículo do suplemento, datado de 1991


Especificamente, vamos hoje falar do singelamente chamado ‘suplemento Expresso Abril Jovem’, uma adição auto-explicativa ao popular semanário durante a primeira metade dos anos 90, e que, como o nome indica, almejava trazer a banda desenhada da Disney a um público (ainda) mais alargado, que talvez não prestasse atenção à secção de BD do quiosque ou papelaria local, mas que potencialmente se interessaria se as histórias viessem inseridas no seu jornal do costume.


A verdade é que, qualquer que fosse a motivação por trás desta iniciativa, a mesma resultou em cheio; a inserção destes fascículos no semanário de referência em Portugal não só dava aos mais jovens algo para ler enquanto os pais assimilavam o jornal em si, mas também lhes dava uma razão para convencerem os pais a tornar a compra do mesmo regular, caso ainda não o fosse – afinal, uma iniciativa deste tipo não pode deixar de apelar à vertente ‘coleccionista’ inata a todas as crianças.


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Uma edição comemorativa do aniversário da Gibiteca, com o popular personagem Biquinho


Quanto às histórias incluídas nestes fascículos, em nada diferiam das que se podiam encontrar, semanal ou quinzenalmente, nas revistas publicadas nas bancas. Não havia, aqui, lugar à publicação de histórias mais clássicas ou raras – eram, pura e simplesmente, as típicas histórias Disney que todos conheciam e de que todos gostavam. E se, de uma perspectiva adulta, esta característica pode parecer algo desapontante, a verdade é que as crianças da época não lhe atribuíram tanta importância; afinal, o que interessava era ter que ler, e que de preferência não fosse repetido…


Com ou sem novidades, no entanto, a verdade é que este suplemento foi popular o suficiente para continuar a formar parte integrante do semanário durante vários anos; no entanto, a sua natureza algo simplista fez, também, com que acabasse por desaparecer sem grande alarido, e sem que muita gente se desse conta. Ainda assim, uma iniciativa louvável, e que abriu caminho a outras (e ainda melhores) iniciativas conjuntas entre jornais e editoras de banda desenhada, nas décadas seguintes. Só isso já justificaria a existência deste suplemento – isto, claro, se mais justificações fossem necessárias…

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...