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Sunday, 12 July 2026

Domingo Desportivo: Grandes dos Pequenos - As 'Duas Carreiras' de Lito Vidigal

 Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Em tempos, dedicámos uma edição desta rubrica ao mais bem-sucedidodos irmãos Vidigal, o quarteto de futebolistas que – em maior ou menor grau – marcou o desporto-rei português durante a última década do século XX e inícios do seguinte; nada mais justo, portanto, que darmos hoje o foco ao outro nome que muitos adeptos reconhecerão ainda hoje de imediato, e que celebra este fim-de-semana cinquenta e sete anos.

Formado, tal como os irmãos, no clube da terra onde cresceu, O Elvas, Lito Vidigal (ou apenas Lito) tardou, no entanto, mais do que Luís a 'dar o salto', tendo ainda passado pelos modestos Fronteirense e Estrela de Portalegre (bem como pela equipa sénior d'O Elvas) antes de finalmente 'dar o salto' para palcos maiores, há quase exactos trinta e cinco anos, quando assinou pelo Campomaiorense, então histórico da Primeira Divisão portuguesa e a atravessar o seu período mais expressivo. E o que é certo é que Lito Vidigal veio, sem dúvida, ajudar a esse desiderato, tendo-se desde logo afirmado como peça fulcral da equipa, estatuto que manteria nas suas duas primeiras épocas, vindo, no entanto, a perder fulgor nas duas últimas, em que viu a sua participação decair para cerca de metade, embora ainda tivesse sido relativamente utilizado até à sua saída, em 1995, para reforçar outro histórico nacional, o Belenenses.

E se em Campo Maior havia feito por merecer o título de 'Grande dos Pequenos', seria no Restelo que Lito viria a cimentar esse estatuto. No total, foram sete épocas com a Cruz de Cristo ao peito, das quais apenas a primeira o veria como algo menos do que opção recorrente no plantel, tendo participado em apenas onze jogos; nas restantes, o número de partidas em que foi chamado a contribuir raramente caiu abaixo das vinte, denotando um membro, senão indiscutível, pelo menos importante no seio do plantel dos azuis lisboetas, que partilhou com nomes como João Manuel Pinto (também seu colega no Campomaiorense, e futuro 'grande' do FC Porto), Andrade, Pedro Henriques, César Peixoto ou o hoje Professor, e também histórico do clube, Neca. Foi, também, durante este período que representou a selecção de Angola, pela qual somaria dezassete internacionalizações entre 1996 e 2001.

Todos os ciclos chegam, no entanto, inevitavelmente ao fim, e também Lito Vidigal acabou, eventualmente, por deixar o clube com que se tornara sinónimo. No entanto, a aventura seguinte – nos Açores, ao serviço do Santa Clara – não lhe correria bem, tendo o defesa somado apenas seis jogos pelos insulares antes de regressar a 'casa' para terminar carreira onde a iniciara, em Elvas, na época 2003/2004

Num caso que não deixa de ser curioso, no entanto, Lito Vidigal notabilizar-se-ia mais como treinador do que como jogador, sendo cara conhecida da Primeira Divisão nacional e tendo também assumido o 'leme' de clubes em Chipre, na Grécia, em Israel e na Líbia, além de orientar a selecção do seu país-natal na Taça das Nações Africanas de 2012. Actualmente, orienta o Boavista, naquela que continua a ser uma carreira tão ou mais honrosa do que a conseguida enquanto jogador, e que – por nunca ter orientado um 'grande' nacional – lhe continua a valer o título de 'Grande dos Pequenos', embora agora fora das quatro linhas. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 16 March 2025

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Luís Vidigal: De Elvas Para A Ribalta

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


O mundo do futebol profissional tende a dividir-se em dois tipos de jogador: os talentos natos, que se tornam estrelas e centram em si todas as atenções, e os mais utilitários, mas tão ou mais necessários para o bom funcionamento de uma equipa – os chamados jogadores de 'fato-macaco'. É de um dos mais famosos representantes nacionais deste segundo tipo – ainda hoje conhecido em 'praça pública' - que falaremos neste 'post', no fim-de-semana em que celebra cinquenta e três anos de idade.


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O jogador com algumas das camisolas que representou na carreira.


Filho 'do meio' de um quinteto de irmãos futebolistas (de um total de treze crianças!), José Luís da Cruz Vidigal viria mesmo a ter a carreira mais honrosa de entre os três, conseguindo elevar o seu futebol a um patamar que nem os dois irmãos mais velhos, Beto e Lito, nem os dois mais novos, Toni e Jorge, alguma vez viriam a almejar. Antes dos habituais 'saltos' que marcam o percurso de qualquer jogador promissor – primeiro para um 'grande' e, depois, para o estrangeiro – a trajectória do futuro internacional português, companheiro de Selecção dos membros da 'Geração de Ouro' no Euro 2000, desenrolava-se de forma exactamente análoga à dos irmãos, tendo tido início no modesto mas histórico O Elvas (do qual foi elemento-chave entre a estreia em 1992 e a saída em 1994, tendo realizado sessenta jogos) e continuado na periferia de Lisboa, novamente de amarelo e azul, embora desta feita num patamar mais alto, ao serviço do Estoril-Praia.


A estadia na Amoreira - sobre a qual se comemoram esta temporada exactas três décadas - duraria apenas uma época, mas daria ao jovem de vinte e um anos tempo mais que suficiente para explanar as suas qualidades, tendo deixado apontamentos suficientes ao longo dos vinte e sete jogos que realizou para justificar a chamada às Selecções Sub-21 e Sub-23 e suscitar o interesse de um dos 'grandes' da vizinha capital. No caso, seria o Sporting, recém-sagrado vencedor da Taça de Portugal, quem asseguraria a contratação do médio defensivo no Verão de 1995, no caso como elemento de 'apoio' a um plantel onde a sua posição estava assegurada por nada menos do que Emílio Peixe, Oceano e Carlos Xavier. E se esta concorrência 'de peso' poderia fazer crer que a estadia de Vidigal nos 'Leões' de Lisboa seria curta e inexpressiva, a verdade é que o jogador desafiou todas as expectativas, fazendo cinco épocas de leão ao peito e conseguindo mesmo afirmar-se como elemento importante dos plantéis por onde passou, numa fase que culminaria com a titularidade absoluta na época de 1999/2000, em que foi peça-chave na quebra do 'jejum' de dezoito anos do clube de Alvalade, com a conquista do Campeonato Nacional – proeza que, curiosamente, seria repetida pelo seu irmão mais novo dois anos depois!



Montagem dos melhores momentos de Vidigal no Sporting.


Como é evidente, o alto rendimento do jogador nessa época agudizou o interesse no seu perfil por parte de clubes estrangeiros, algo a que a participação na excelente campanha portuguesa no Euro 2000 veio ainda acrescer. Assim, foi sem surpresas que, nos primeiros meses do Novo Milénio, os adeptos leoninos viram o seu destruidor de jogo rumar a paragens mais apetecíveis, nomeadamente a Itália, país onde passaria os oito anos seguintes – representando sobretudo as cores do Nápoles e do Livorno, excepção feita a uma breve passagem pela Udinese - e onde acabaria mesmo por jogar durante mais um ano do que em Portugal, país ao qual só regressaria já em final de carreira, mas ainda a tempo de fazer dezassete jogos no escalão principal, com a camisola do Estrela da Amadora, fechando de forma honrosa uma bonita carreira.


Ao contrário de tantos outros jogadores já aqui abordados, no entanto – e do próprio irmão mais velho – Luís Vidigal escolheu não fazer a transição para cargos técnicos após o fim de carreira; ao invés, o antigo médio-defensivo viria a manter-se relevante na opinião pública enquanto analista desportivo, cargo que ainda hoje desempenha, podendo ser ouvido semanalmente nas transmissões televisivas de jogos do campeonato e não só, tendo o legado futebolístico do seu clã sido deixado a cargo do sobrinho, André, filho do malogrado Beto. Uma nova etapa na carreira de um nome menos fulgurante, mas não menos importante, do que outros da sua geração, e bem merecedor deste destaque no seu fim-de-semana de aniversário. Parabéns, e que conte muitos.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...