Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.
Já aqui por diversas vezes falámos do poderio do 'marketing' e publicidade em tornar algo intrinsecamente corriqueiro na 'moda' mais desejada entre determinados segmentos da sociedade, sobretudo as demografias mais jovens. O produto alimentar de que falamos nesta Quinta ao Quilo é, ainda, mais uma prova desse paradigma, tendo beneficiado não de uma, mas de duas campanhas publicitárias que o tornaram memoráveis para as gerações 'X' e 'millennial' portuguesas.
Isto porque, no seu âmago, as espanholas Chiquilín mais não eram do que simples bolachas de manteiga – saborosas, sim, mas longe de se afirmarem como algo revolucionário ou até de se destacarem particularmente entre diversas concorrentes (como as bolachas de manteiga da portuguesa Triunfo, com o seu icónico pacote amarelo). As amanteigadas da Artiach tinham, no entanto, um 'trunfo na manga' - ou melhor, dois, já que à campanha de inícios dos anos 90 se seguiu outra, ainda mais lembrada, no final da década; assim, enquanto que os portugueses da 'Geração X' e os 'millennials' mais velhos estarão, neste momento, a cantarolar a música que acompanhava o primeiro anúncio, em que mãos retiravam gradualmente bolachas de um prato ao som do contagiante 'jingle', os mais novos terão em mente o anúncio tematizado em torno de um intervalo da escola, que pontificava nas televisões portuguesas nos últimos meses do Segundo Milénio.
Fosse qual fosse o anúncio ou era em que tomaram contacto com as Chiquilín, no entanto, as crianças e jovens daquela época ficavam, invariavelmente, com vontade de experimentar, ou voltar a comer, as bolachas em causa o quanto antes, o que apenas elogia o trabalho das equipas de publicidade da Artiach. De facto, sem esses mesmos anúncios, é possível que as Chiquilín nem chegassem a aparecer nestas páginas, enquanto que, com eles, acabam de suscitar vários parágrafos banhados de nostalgia – o que, por si só, constitui um exemplo acabado de bom 'marketing' em acção.
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