Tuesday, 30 June 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos da Estreia de Uma Banda Tudo Menos 'Primitiva'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 29 de Junho de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A 'explosão' do pop-rock de atitude alternativa vivida em Portugal durante as décadas de 80 e 90 permitiu não só que bandas de teor mais radiofónico criassem 'hits' imortais que integrariam 'playlists' durante décadas, como também que propostas mais arrojadas e experimentais encontrassem o espaço de que necessitavam para explorar a sua sonoridade. Talvez o maior exemplo desta vertente – e uma das principais bandas experimentais da História da música portuguesa – fossem os Primitive Reason, banda multi-nacional da musicalmente fértil zona de Cascais, na Grande Lisboa, cuja ecléctica e assumida mistura de estilos fez com que causassem furor aquando do lançamento do seu álbum de estreia, que celebrou há cerca de seis semanas o seu trigésimo aniversário.

Formada em 1993 por três amigos de infância – um espanhol, um português e um britânico – e com a formação original composta também por um americano e um suíço, a banda destacou-se, desde logo, pela junção das várias influências dos seus membros num todo que poderia ser uma verdadeira 'salada de frutas' mas que, de algum modo, se afirmava coeso e apelativo. Partindo de uma base alicerçada no 'reggae' e 'ska', o quinteto adicionava-lhe doses substanciais de rock, punk e metal, bem como pitadas de 'jazz' e 'afro', criando um som distinto, inqualificável, e que não podia deixar de tornar o álbum de estreia, 'Alternative Prison' (lançado a 15 de Maio de 1996) num sucesso entre o público jovem consumidor de música, então composto sobretudo por membros da 'geração X', bem como junto da crítica, tendo mesmo sido premiado como Álbum do Ano pelo mítico jornal Blitz, então referência máxima da imprensa musical em Portugal. Temas como 'Seven-Fingered Friend' (o mais conhecido da banda, e muito lembrado também pelo seu 'videoclip') ajudavam a banda a estabelecer-se como uma das mais entusiasmantes da segunda vaga de 'pop rock' português moderno, e lançavam-nos para uma carreira que, apesar de alguns 'altos e baixos', lograria ultrapassar a marca das duas décadas.

A banda não tardou, aliás, em dar seguimento a este sucesso, com o segundo álbum, 'Tips & Shortcuts', que expandia ainda mais o leque de influências da banda (incluindo mesmo secções 'rappeadas') e que contava com uma produção muito superior à do primeiro álbum, a cargo da 'lenda' da produção discográfica nacional Marsten Bailey. Por entre tributos a NOFX e músicas cantadas pelo baterista, os Primitive Reason davam um enorme passo em frente, o qual, apesar de causar menos 'furor' que o primeiro, se afirmava tão ou mais importante para a progressão da banda.

Quando tudo parecia correr bem, no entanto, dá-se a inevitável convulsão: com a banda já radicada nos EUA, país de origem do saxofonista Mark Cain, o mesmo e outros dois membros (incluindo o vocalista Brian Jackson) abandonam a banda, deixando ao baixista Guillermo de Lara e ao baterista Jorge Felizardo o ónus de completar o terceiro álbum. Para seu crédito, o duo não desiste e, com ajuda de conhecidos da cena nova-iorquina, apresenta, em Julho de 2001, 'One Of Us', um álbum que, naturalmente, apresenta maior ênfase na vertente rock e punk do que os seus antecessores. Nos anos subsequentes, os dois elementos restantes viriam a reformular a banda, e prosseguiriam carreira, ainda que de forma bastante mais discreta, durante cerca de uma década e meia, lançando nesse período três álbuns, quatro EP's e uma colectânea, além de verem reeditados os seus dois primeiros registos.

É, pois, apenas em 2015 que se verifica a dissolução total da banda, a qual permanece extinta durante mais de dez anos antes de – por ocasião do supramencionado aniversário de 'Alternative Prison' – o trio original se juntar mais uma vez em palco, pela primeira vez desde 1998, para dois concertos comemorativos no festival Lisboa ao Vivo e no mítico Hard Club, no Porto. Fica, assim, aberta a porta para uma potencial reunião (ou, pelo menos, um reatar de carreira) para aquela que foi uma das bandas mais personalizadas e instantaneamente reconhecíveis da cena portuguesa de finais do século XX.

Monday, 29 June 2026

Sábados Aos Saltos/Domingo Divertido: As Origens de Um Produto Intemporal

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 27 e Domingo, 28 de Junho de 2026.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Apesar de, tradicionalmente, as bolas serem o epítoma do brinquedo para usar fora de portas (dados os consideráveis estragos que podem fazer à vulgar habitação moderna), os anos 80 e 90 viram surgir uma alternativa relativamente viável, que permitia aos fãs de brincadeiras com bola desfrutarem das mesmas tanto durante um Sábado aos Saltos como no decurso de um Domingo Divertido – e com o bónus acrescido de poderem, literalmente, 'jogar' com os seus personagens de ficção favoritos.~

Falamos, claro, das bolasde borracha com 'bonecos' alusivos aos mais populares desenhos animados e bandas desenhadas da época em que são fabricadas – um tipo de produto perene e que, sem surpresa, se mantém popular até aos dias de hoje, não tendo perdido qualquer tipo de relevância entre as gerações 'Z' e 'Alfa', e tendo a única mudança entre ambas sido ao nível dos desenhos e personagens. De resto, estas bolas continuam como sempre foram – coloridas, de superfície totalmente lisa (mais semelhante a um balão do que a uma bola defutebol) e disponíveis em dois tamanhos, um maior (para as brincadeiras de rua) e outro mais pequeno, capaz de caber na palma da mão, sendo este o mais indicado para jogos dentro de portas durante um Domingo de chuva (tendo, claro, cuidado para não as lançar com muita força...)

Quem hoje em dia se diverte com estas bolas pode, pois, agradecer aos fabricantes de bolas da época dos seus pais, tendo estes sido os primeiros a desfrutar deste tipo específico de bola de borracha, que se viria a tornar um marco incontornável da experiência de ser criança durante os quarenta anos seguintes e que, como tal, e mesmo não sendo um produto especificamente 'de época', merece estas breves linhas de homenagem.

Friday, 26 June 2026

Sextas Com Style: Ferrache - Uma Marca Discreta Mas Bem-Sucedida

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui em diversas ocasiões tivemos oportunidade de falar da reconhecida qualidade da manufactura têxtil nacional, que não apenas a torna apetecível para a indústria mundial, mas resulta também no surgimento de inúmeras marcas 'intra-muros', a grande maioria das quais adquire merecida reputação (senão fama) junto dos consumidores nacionais; é, precisamente, de uma empresa nessa situação que falamos neste 'post'.

Fundada ainda em finais da década de 80, pela mão da família Ferreira, a Ferrache viria, ao longo das quase quatro décadas seguintes, a estabelecer-se como nome sonante do sector menos 'comercial' da roupa de mulher em Portugal, fruto da sua aposta declarada na relação entre qualidade e 'design', sem nunca perder o carácter familiar, sendo sinda hoje dirigida pelos descendentes directos de Belmira, e mantendo uma linha de produção centrada numa única fábrica com cerca de quatro dezenas de trabalhadores, muitos deles de longa data. Um modelo de pequena e média empresa, portanto, cujos valores e ética profissional justificam o continuado (ainda que propositadamente 'modesto') sucesso comercial da marca.

De facto, apesar de não ser particularmente conhecida entre os jovens (por apostar num estilo de peças mais clássico e intemporal, por oposição às 'últimas modas') a marca conseguiu não só criar como manter uma certa reputação junto de um público mais velho e profissional, e manter-se não só em actividade como próspera ao longo de trinta e sete anos – uma marca impressionante, sobretudo para uma empresa de produção totalmente portuguesa. Razão mais que suficiente, pois, para dedicarmos estas breves linhas a mais um dos muitos exemplos de sucesso da indústria têxtil nacional.

Thursday, 25 June 2026

Quintas No Quiosque: Trinta e Um Ano de Um 'Esteio' da Imprensa Tecnológica Nacional

 Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por várias vezes abordámos a enorme variedade de revistas especializadas existente nas bancas e quiosques portugueses durante o período de maior florescimento da imprensa nacional, nas décadas de 80, 90 e 2000; e, enquanto 'nicho' de interesse para um número crescente de leitores á época, a informática não podia, claro, ficar de fora desta equação. De facto, existiam não uma, mas duas revistas de referência nesse campo durante o período em causa: a PCGuia, de que já falámos nestas páginas, e a publicação que abordamos neste 'post', e sobre cujo número inaugural se celebram este mês exactos trinta e um anos.

Nascida como publicação 'paralela' à também popular revista 'Exame', a 'Exame Informática' surgia pela primeira vez nas bancas em Junho de 1995, a tempo de 'navegar' (passe a expressão) aquele que talvez fosse o período mais excitante da história da informática – o da transição do Windows 3.1 para o mais intuitivo Windows 95, e do surgimento da primeira versão primitiva e rudimentar da Internet 'de massas'. E a verdade é que a revista em causa fazia um excelente trabalho, conseguindo explicar os termos e especificações técnicas inerentes ao seu campo de especialização de uma forma simples e fácil de entender, permitindo-lhe assim a luta 'taco a taco' com a supracitada PC Guia.

Foi, aliás, também da rival que a 'Exame Informática' 'tirou' a ideia de agregar CD-ROM (mais tarde DVD-ROM) com programas e 'demos' a cada um dos seus números, tendo-se esse tornado (como no caso da concorrente) um dos principais motivos de interesse para o público-alvo, sempre sedento de novidades naquele tempo em que tudo parecia possível. Daí para a criação de um 'site', a evolução foi natural, e não demorou até o público poder consultar os conteúdos da revista também 'online'; seguiu-se a criação de uma gala para atribuição de prémios no campo da informática (uma espécie de Globos de Ouro tecnológicos) e de um programa televisivo, em parceria com a SIC, numa ascensão em flecha pouco comum para uma publicação escrita na década de 2000.

De facto, a 'Exame Informática' viria a provar-se 'dura de matar', continuando a ser lançados novos números muito depois de a maioria das publicações físicas se ter tornado exclusivamente digital, e de outras tantas (incluindo a concorrente directa) terem desaparecido; poeticamente, a revista 'morreria' a escassas semanas de completar trinta anos, tendo a última edição ido às bancas em Maio de 1995. Agora, um ano depois, cabe-nos prestar homenagem àquele que foi um dos dois 'pilares' da imprensa tecnológica nacional durante três décadas, tendo mantido informados muitos adeptos da informática que, decerto, ainda hoje lhe sentem a falta. É a eles que dedicamos estas linhas de 'aniversário' de uma publicação que não chegou a entrar na sua terceira década de vida, mas que, durante a sua existência, almejou mais do que a esmagadora maioria das suas congéneres.

Wednesday, 24 June 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Inauguração da Ponte de S. João

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Ao contrário de Lisboa, conhecida por ter tido, durante décadas, apenas uma ponte a atravessar o rio que a banha (pelo menos até à construção de uma segunda, em finais dos anos 90) o Porto sempre foi conhecido pela sua multitude de passadiços sobre o Rio Douro, dos quais o mais famoso é ainda hoje a Ponte D. Maria Pia, projectada por ninguém menos do que Gustave Eiffel; há exactos trinta e cinco anos, no dia de S. João do ano de 1991, esse número ver-se-ia acrescido de ainda mais uma unidade, com a inauguração da nova ponte ferroviária, que levava, também ela, o nome do santo padroeiro da Invicta.

Com origens que remontavam ao início do século XX, a Ponte de S. João era concebida para servir como a nova ponte ferroviária entre as estações de Campanhã, no Porto, e Santa Apolónia, em Lisboa, servindo assim a chamada Linha do Norte. Até àquele dia 24 de Junho de 1991, essa função havia sido desempenhada pela 'irmã' mais 'famosa' (a Ponte de D. Maria Pia) mas a nova travessia oferecia melhor integridade estrutural (tendo sido desenhada de raiz para a função em causa) e permitia ao já centenário 'quase-monumento' que substituía gozar de uma merecida 'reforma'.

Era, no entanto, no desenho que a Ponte de S. João mais diferia das congéneres pré-existentes, já que se tornava a primeira (e, ainda hoje, única) ponte sobre o Douro a não ter construção em arco, sendo feita quase exclusivamente de linhas a direito, que facilitavam o uso de estruturas reforçadas e especialmente concebidas para aguentar grandes cargas de peso (como é o caso dos comboios). E a verdade é que essa opção estrutural serviu (e bem) a infra-estrutura em causa durante as duas décadas seguintes, tendo a mesma apenas sido alvo de manutenção já em 2020. Está previsto, aliás, que o muito esperado serviço de alta velocidade passe também ele por esta ponte, o que ajuda a mostrar a confiança que os portuenses continuam a depositar na mais recente travessia sobre o Rio Douro, exactos trinta e cinco anos após a sua inauguração oficial.

Tuesday, 23 June 2026

Terças Tecnológicas: Um Aniversário 'Duplo' de Uma Mascote Icónica

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Um dos principais aspectos que permitiu à SEGA competir taco-a-taco com a Nintendo foi a decisão de abandonar aquela que, inicialmente, iria ser a mascote da marca (Alex Kidd) em favor do protagonista que, logo desde o seu primeiro jogo, conquistou os corações do público jovem um pouco por todo o Mundo – Sonic, o porco-espinho super-rápido e de atitude 'radical' que viria a inspirar um sem-número de 'clones' durante toda a década de 90, e que ainda hoje disputa com Super Mario o título de melhor de sempre, numa espécie de duelo Ronaldo/Messi em versão interactiva. Nada melhor, pois, do que dedicarmos um 'post' ao mais famoso personagem animal da História dos videojogos, numa semana em que, curiosamente, o mesmo celebra um duplo aniversário marcante.


Era, efectivamente, a 21 de Junho de 1991 que saía na Europa o primeiro 'Sonic The Hedgehog', um dos mais influentes e icónicos jogos de plataformas de sempre, e cuja inclusão com a própria consola que representava (a Mega Drive) ajudou a 'catapultar' as vendas daquele que era, já de si, um sistema bastante entusiasmante. De facto, o primeiro jogo de Mega Drive da maioria dos jovens europeus ter-se-à, na altura, dividido entre 'Sonic' e a não menos ubíqua ou icónica compilação 'Mega Games I', que trazia 'Italia '90', 'Hang-On' e 'Columns' num só cartucho.

Quanto ao jogo em si, pouco há a dizer – tanto a jogabilidade como a banda-sonora, o protagonista ou mesmo o vilão Dr. Robotnik dispensam apresentações, sendo difícil encontrar alguém das gerações 'X' ou 'millennial', com interesse por videojogos, que não tenha jogado pelo menos um nível deste título. Mais – tal como o seu sucessor, o primeiro 'Sonic' continua a 'aguentar-se' surpreendentemente bem trinta e cinco anos depois, e a inspirar 'remakes', novas versões (quer oficiais, quer criadas pelos fãs) e a jogabilidade e grafismo de jogos oficiais posteriores, como 'Sonic Advance' ou 'Sonic Rush'. É, pois, com naturalidade que o referido jogo 'conquista' o seu espaço oficial neste 'blog', curiosamente, já depois de termos falado da primeira sequela.

Não é apenas o título original de 'Sonic' a ter direito a celebração especial nesta penúltima semana de Julho de 2026, no entanto; um outro título da série celebra, também ele, o seu quarto de século, tendo sido propositadamente lançado para coincidir com os dez anos do lançamento americano de 'Sonic The Hedgehog'. E ainda que, na Europa, essa sincronização não seja perfeita – já que o jogo saía no Velho Continente dois dias antes de nos Estados Unidos – não deixa, ainda assim, de ser lícito 'juntar' os dois aniversários, e celebrar também aqui os vinte e cinco anos de 'Sonic Adventure 2'.

Sequela directa para um dos mais conceituados e apreciados jogos com o porco-espinho como protagonista, 'Adventure 2' tem como principal destaque o facto de ter apresentado aos fãs da série Shadow, a versão 'radical' de Sonic, que viria a dividir opiniões durante as duas décadas seguintes. Desse jogo, no entanto, já falámos aquando do nosso artigo sobre o título original, pelo que fica apenas aqui a nota relativa ao aniversário dos vinte e cinco anos da sequela, e à (pouco) curiosa sincronização de datas com o 'primeiro antecessor' – esse sim, inédito nas nossas páginas. Parabéns, pois, a ambos, e ao seu protagonista, o qual se encontra numa fase algo 'apagada' mas que tem tudo para, a seu tempo, e com a equipa certa por detrás dos seus títulos contemporâneos, voltar à 'ribalta' que ocupou naqueles anos finais do século XX...

Monday, 22 June 2026

Segundas de Séries: Trinta e Cinco Anos de Uma Mini-Série Algo 'Periférica'

 NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Segunda será de Séries.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Desde sempre 'pano para mangas' no tocante à ficção, as tribulações sentimentais e sociais da juventude nunca deixam, ainda assim, de provar ser fonte quase inesgotável de inspiração para artistas e outros criativos, sendo inúmeras as séries icónicas baseadas, parcial ou totalmente, na experiência de ser adolescente. Em Portugal, os representantes máximos deste paradigma foram, claro, os incontornáveis 'Riscos' e 'Morangos Com Açúcar'; no entanto, estas estiveram longe de ser as únicas produções nacionais com a juventude como tema central, como o prova a mini-série que serve de tema ao presente 'post', composta por quatro histórias distintas e sem outra relação que não a presença de jovens, quer como protagonistas, quer coadjuvantes.

Com o primeiro dos oito episódios (dois para cada um dos quatro 'telefilmes') a ir ao ar há exactas três décadas e meia (a 22 de Junho de 1991) 'Corações Periféricos' contava com o contributo de nomes sonantes não só da representação (do elenco fazem parte Canto e Castro, Vítor Norte ou Alexandra Lencastre) como da música, com Carlos Tê e Rui Veloso a comporem e interpretarem a música da banda que protagoniza a primeira história, e Manuel João Vieira (então dos Ena Pá 2000, e mais tarde dos Irmãos Catita) a assumir um dos papéis principais da segunda. O resultado, como não podia deixar de ser, é de considerável qualidade, não deixando de ser curioso o facto de esta mini-série se encontrar algo Esquecida Pela Net, pelo menos por comparação às congéneres supracitadas.

Ainda assim, quem é fã de ficção televisiva nacional e procura algo um pouco fora da média dos programas deste tipo pode fazer bem pior do que recordar esta ambiciosa mini-série, disponível na íntegra nos Arquivos RTP, no exacto dia em que a mesma celebra os trinta e cinco anos da transmissão do seu primeiro episódio

Sunday, 21 June 2026

Saídas de Sábado/Domingo Desportivo: A 'Resposta' Nortenha Ao Estoril Open

NOTA: Por motivos de relevância temporal, trocaremos ambas as categorias deste fim de semana com as do próximo.

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 20 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

No último post duplo de fim-de-semana, celebrámos os trinta e cinco anos do Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, de que Portugal foi anfitrião, e que celebrava o seu aniversário no próprio dia da publicação. Para darmos atenção e ênfase a essa competição, no entanto, fomos forçados a pôr de parte uma outra, realizada no mesmo período alguns anos mais tarde, e que celebra igualmente um aniversário marcante neste ano de 2026; chega, pois, agora a hora de corrigirmos essa situação e falarmos das duas únicas edições do torneio de ténis conhecido como Porto Open ou Maia Open.


O Complexo Desportivo da Maia, onde o torneio se desenrolou.

'Resposta' nortenha ao Estoril Open, o Porto Open realizou-se em meados do mês de Junho dos anos de 1995 e 1996, tendo tido lugar, respectivamente, entre os dias 12 e 18 e entre os dias 10 e 16. Jogado, como o seu congénere sulista, em 'courts' exteriores com piso de terra batida (no caso, os do Complexo de Ténis da Maia) o torneio em causa dava aos fãs de ténis do Norte do País a ocasião de efectuarem uma Saída de Sábado para ver de perto alguns dos seus ídolos, bem como outros tenistas de um pouco por todo o Mundo. E se a edição de 1995 via os participantes espanhóis efectuar uma 'razia', disputando os títulos individual e de pares entre si e não dando hipótese a qualquer outra nação, o segundo e último (sobre o qual se acabam de completar trinta anos) foi bastante mais equilibrado neste aspecto, com tenistas argentinos e australianos nas duas finais, e uma dupla portuguesa (Emanuel Couto e Bernardo Mota) como campeã da sua categoria, naquele que era o primeiro título da carreira de ambos os tenistas.

Infelizmente, não existem na Internet actual informações sobre o porquê de este torneio ter sido retirado do 'tour' ATP após apenas dois anos, pelo que apenas podemos especular quanto ao seu precoce desaparecimento; pelo menos durante aqueles dois anos em meados da década de 90, no entanto, os entusiastas de ténis portugueses tiveram, não apenas uma, mas duas oportunidades de ver ao vivo o seu desporto favorito, e alguns dos seus melhores executantes.

Friday, 19 June 2026

Sessão de Sexta: Os Documentários dos Mundiais dos Anos 90 - Documentos de Uma Era Desaparecida

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Talvez por o futebol de onze ser um desporto maioritariamente europeu, não só o mesmo tem pouca representatividade no campo da ficção cinematográfica como o grande público tende a esquecer, ou mesmo a desconhecer, o facto de que cada competição internacional tem um documentário oficial, normalmente realizado por um documentarista natural do país onde se desenrola a prova e captado durante o evento, com o intuito de ser lançado alguns meses depois, a tempo de recordar os melhores momentos de um certame ainda relativamente fresco na memória dos adeptos. Os Mundiais dos anos 90 não foram excepção à regra neste aspecto, tendo cada um dos três realizados naquela década tido direito a um filme complementar, inserido nos moldes acima delineados – com uma notória e notável excepção.

                              


Os filmes dos Mundiais dos anos 90.

De facto, o filme alusivo ao Mundial de '94, 'Todos Os Corações do Mundo', ficava a cargo, não de um cineasta americano, mas sim brasileiro, no caso Murillo Sales. E ainda que a estrutura narrativa e tipo de edição sejam muito semelhantes tanto a '1991 – Notte Magichi' como a 'La Coupe de La Gloire', o foco fica na Selecção Brasileira (então a melhor do Mundo) por oposição à americana, que seria a escolha mais natural, visto ser a anfitriã.

                                  

Liev Schreiber e Sean Bean davam voz às versões americanas dos documentários de 1994 e 1998.

De referir ainda que, na versão americana, os documentários em causa têm, via de regra, narração a cargo de um actor famoso, com Liev Schreiber a dobrar a narração original de Antônio Grassi para o filme de 1994, e Sean Bean a 'tomar conta' desse cargo para o lançamento em língua inglesa do documentário oficial de França '98 (no filme de Itália '90, esse papel fica a cargo do actor inglês Edward Woodward). Esta escolha (por oposição à apresentação do áudio original com legendas) permitia captar mais facilmente o público internacional, e sobretudo o norte-americano, cujo interesse em ler legendas era apenas rivalizado, à época, pelo que demonstravam em relação ao desporto-rei propriamente dito.

No cômputo geral, portanto, apesar de rapidamente se terem tornado 'peças de museu' relativamente irrelevantes, os documentários oficiais dos Mundiais dos anos 90 (como, aliás, os das restantes décadas desde a criação da competição) afirmam-se, ainda assim, como honestos e relativamente interessantes documentos de uma 'era' futebolística hoje quase irreconhecível para os adeptos modernos, merecendo, por isso, ser recordados em época de 'febre' do Mundial.

Thursday, 18 June 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Brindes do França '98 em Portugal

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O Mundial de Futebol de França '98 terá, talvez, sido o que mais entusiasmo provocou por terras portuguesas – ainda que, curiosamente, a Selecção Nacional não se encontrasse entre as equipas qualificadas. Em relação aos dois certames anteriores – Itália '90 e EUA '94 – o Mundial de '98 apresentava, também, volumes bastante maiores de licenciamento, com inúmeras instâncias de 'merchandising' oficial e várias marcas mundiais a promover, naquele Verão, ligações ao torneio através dos seus brindes; Portugal não foi excepção a esta regra, tendo os jovens das gerações 'X' e – sobretudo – 'millennial' podido desfrutar de uma série de ofertas tematizadas na compra de certos produtos alimentares. Numa altura em que se disputa mais um Campeonato do Mundo – curiosamente, novamente realizado, em parte, nos Estados Unidos, tal como o de '94 – nada melhor, pois, do que recordarmos alguns dos brindes que as crianças nacionais podiam antecipar ao consumir alguns dos seus alimentos favoritos.

                      

Os 'posters' dos Golden Grahams, o melhor dos três conjuntos de brindes oferecidos pelos cereais da Nestlé

Curiosamente, foram relativamente poucas as marcas a aderir à 'febre' do Mundial por terras portuguesas, com a Nestlé a destacar-se como a única companhia de produtos de supermercado a verdadeiramente tematizar os seus brindes em torno do certame; a marca francesa não fazia por menos, no entanto, e oferecia três conjuntos distintos de brindes nos seus populares cereais de pequeno-almoço – uma colecção de vinte e três cromos Panini com o Nesquik (a qual era totalmente separada da caderneta oficial lançada pela mesma companhia), uma série de oito apitos coloridos com o Chocapic, e uma colecção de 'posters' estilizados e artísticos com os Golden Grahams. Das três, era naturalmente a última que se destacava, não só por ser um brinde maior e mais 'perene', mas também pelo 'design' dos 'posters',que não podia deixar de agradar a qualquer jovem adepto daquela época.


O quase inacreditável conjunto de brindes do Happy Meal da McDonald's.

Até mesmo os referidos cartazes empalideciam, no entanto, face à proposta da McDonald's para aquelas semanas de futebol; incluída no popular Happy Meal oferecido pelo restaurante, a promoção alusiva a França '98 oferecia aos pequenos clientes um de quatro objectos, qualquer dos quais no limiar do que se pode considerar uma 'Quinquilharia'. Senão veja-se: o conjunto incluía uma bola, um papagaio de papel, um disco 'frisbee', e a 'estrela da companhia', um relógio de pulso, o qual já se pode considerar extravasar a categoria em causa. Mesmo para a McDonald's, esta era uma promoção marcadamente generosa, que terá, decerto, feito as delícias de quem consumia do restaurante (o que, no Verão de 1998, não era, infelizmente, o caso com o autor deste 'blog', que, a cerca de um mês de fazer treze anos, teria adorado ganhar qualquer dos brindes acima elencados).

Uma oferta variada e relativamente entusiasmante, portanto (embora com clara vantagem para uma das companhias envolvidas) que ajudava os jovens entusiastas de futebol a entrarem (ainda mais) no espírito da competição internacional em curso – a qual se viria, aliás, a afirmar como uma das mais entusiasmantes da era moderna, um pouco à semelhança dos brindes que suscitara e inspirara, por terras nacionais e não só...

Wednesday, 17 June 2026

Quartas Aos Quadradinhos: Trinta Anos de Um 'Fenómeno' Artístico no Entroncamento

 A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de, a nível nacional, ter pouca expressividade, a banda desenhada portuguesa gozava de diversos 'núcleos', em diferentes zonas do País, onde a criatividade fluía, e a concentração de artistas e argumentistas de BD emergentes era acima da média e fora do comum para a realidade nacional. Um desses núcleos, centrado numa localidade algo insólita, lograva mesmo, há exactos trinta anos, lançar uma compilação dos maiores talentos da sua área.

Publicado e divulgado pelo Notícias do Entroncamento - principal jornal da vila ribatejana com o mesmo nome – e com o inspirado e 'bem apanhado' nome de 'Entroncamentos de BD', o álbum em causa, publicado em finais de Junho de 1996, agregava as contribuições dos seus diferentes colaboradores em torno de um tema central – os famosos 'fenónmenos do Entroncamento', o conjunto de lendas urbanas relativas a frutas, legumes e animais de dimensões, coloração ou comportamento insólitos que, desde os anos 50, dominam o folclore da região. A edição lograva, assim, manter próximas de 'casa' as raízes de um projecto cuja ambição derradeira era divulgar o 'viveiro' de talentos 'bedéfilos' que então despontava na região.

E ainda que o álbum em causa nunca lograsse o nível de visibilidade desejado – ficando-se pelo âmbito local, e encontrando-se hoje algo 'Esquecido Pela Net' – há, ainda assim, que louvar a ambição e determinação dos organizadores do projecto, M. A. L. S. (editor de banda desenhada do Notícias) e Geraldo Lino, que bem merecem que o seu esforço seja recordado e relembrado, exactos trinta anos após a edição daquele que é, ainda hoje, o principal tomo agregador da produção de banda desenhada na região.

Tuesday, 16 June 2026

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um 'Crime' Não Exactamente 'Perfeito'...

NOTA: Por motivos de relevância temporal dos 'posts' desta e da próxima semana, esta Terça será de TV, e a próxima Tecnológica.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre todos os tipos de personagens de ficção, os espiões e ladrões de alto nível estão entre aqueles que melhor conseguem manter um apelo intemporal, e agradar às sucessivas gerações nascidas e crescidas desde o advento da rádio e televisão. Não é, pois, de admirar que um concurso que permitisse aos seus concorrentes 'encarnar' este tipo de indivíduo fosse considerado com 'pernas para andar' no Portugal de inícios dos anos 2000; nascia assim 'O Crime Perfeito', veiculado pela RTP há quase exactos vinte e cinco anos, a partir de 19 de Junho de 2001.


O apresentador e actor Afonso Vilela

A premissa do programa, algo mais complexa do que o habitual em concursos de horário nobre, propunha a cada grupo de três participantes tentar infiltrar-se nas chamadas 'Torres Gemini' (um nome que adquiriria uma conotação totalmente diferente meros dias após a final do programa, quando seria cometido um tipo completamente diferente de crime envolvendo torres gémeas) e desactivar os seus sistemas de segurança, por forma a perpetrar aquilo que o título insinua. Para tal, os concorrentes tinham de enfrentar uma série de provas e desafios, todas com um tempo-limite de três minutos e margem para dois erros, após os quais soava um alarme e o concorrente em causa era eliminado daquela prova, devendo passar à próxima. Os três melhores concorrentes no cômputo geral passavam, depois, a uma grande final (disputada no dia 8 de Setembro) onde estava em jogo um prémio de quase quatro milhões de escudos – cerca de vinte mil euros actuais. Esta última emissão pode, aliás, ser recordada na íntegra no YouTube, por cortesia de um dos concorrentes, Marco Amaral.


A finalíssima do concurso, transmitida a 8 de Setembro de 2001.

Apesar de não ser aparente, à primeira vista, a razão para o seu falhanço – talvez o conceito fosse demasiado complexo ou dispendioso, ou as provas demasiado rebuscadas – a verdade é que a ambiciosa tentativa da RTP de basear um concurso no filme com Grace Jones não foi além de uma única temporada, encontrando-se hoje, mesmo, algo Esquecido Pela Net. Numa altura em que se celebram os vinte e cinco anos sobre a primeira emissão do programa em causa, no entanto, nunca é demais recordar um conceito que tinha tudo para vingar, mas acabou por passar despercebido por entre a 'mutação' televisiva de inícios do século XXI em Portugal.


Monday, 15 June 2026

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos de Um Retrato Fiel de Uma 'Vida' Desaparecida

 Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por diversas vezes falámos de séries de ficção nacionais dos anos 90, um período em que esse mercado em particular vivia uma era de ouro – a qual se viria, com naturalidade, a estender até inícios da década de 2000, como bem o prova o programa sobre o qual nos debruçamos esta Segunda-feira, quase exactos vinte e cinco anos após a sua estreia, a 16 de Junho de 2001.

Tendo por detrás uma equipa técnica de luxo – com José Jorge Letria e Guilherme Leite na equipa de argumentistas, e uma banda-sonora composta pelo ícone Vitorino – 'Estação da Minha Vida' partia, desde logo, de uma posição vantajosa, que era ainda reforçada pelo tema, praticamente irresistível para a maioria dos espectadores nacionais, da vida bucólica e 'mansa' de uma aldeia do interior a braços com os desafios da modernização – nomeadamente, a temida 'actualização' da titular estação de comboios, a qual serve também de lar ao chefe dos comboios, Horácio (interpretado pelo próprio Guilherme Leite), e à sua mulher. É, pois, em torno deste conflito central que se desenrolam os treze episódios da série, os quais, claro está, deixam também espaço a outros enredos, conflitos, paixonetas e outros elementos inerentes à condição humana.

Apesar da qualidade dos intervenientes e do tema 'feito à medida' para conquistar corações, no entanto, 'Estação da Minha Vida' não logrou ir além de uma única temporada de treze episódios, que se traduziu em pouco mais de seis semanas de emissões diárias nas noites da RTP1. O vigésimo-quinto aniversário da primeira dessas treze meias-horas talvez seja, no entanto, o pretexto ideal para revisitar e reavaliar esta série – quanto mais não seja para recordar uma sociedade rural portuguesa em vias de extinção, retrata através da 'lente' dramática e levemente cómica de Letria, Guilherme Leite e seus restantes 'comparsas'...

Sunday, 14 June 2026

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: Trinta e Cinco Anos da Consagração da Geração de Ouro

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 13 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de não se revestirem da importância normalmente dada às suas congéneres seniores, as competições internacionais de jovens não deixam, ainda assim, de proporcionar a um adepto de futebol toda a emoção inerente ao desporto-rei, com a vantagem de lhe apresentar, ao mesmo tempo, alguns dos talentos emergentes um pouco por todo o Mundo; não é, pois, de estranhar que, aquando da primeira competição internacional organizada por Portugal (e que arrancava exactos trinta e cinco anos antes da data da edição deste 'post', a 14 de Junho de 1991) fosse grande o entusiasmo entre os fãs de futebol nacionais – até por a Selecção Nacional de Esperanças ser campeã em título, tendo, assim, a oportunidade de o defender em solo nacional. Não deixa, pois, de ser irónico que Portugal tenha sido a segunda escolha para acolher o Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, tendo adquirido esse direito apenas após a anfitriã original – a Nigéria, que Portugal derrotara na final do Mundial do Catar, dois anos antes – ter sido desqualificada por falsificação de idades.

Esta mudança, no entanto, apenas tornou o desfecho final do torneio ainda mais poético, permitindo ao grupo de jovens conhecido como a Geraçãode Ouro reforçar o seu estatuto em 'casa própria', num Estádio da Luz repleto de adeptos em êxtase – muitos deles crianças que, pela primeira vez, tinham oportunidade de se deslocar a um estádio numa Saída de Sábado, não para ver o seu clube, mas para assistir a um jogo internacional, disputado por jovens pouco mais velhos do que elas próprias. E a verdade é que o espectáculo proporcionado naquela tarde de 31 de Junho não desapontou os sobreditos entusiastas de futebol, tendo a Selecção Nacional levado de vencida a sua congénere brasileira (da qual faziam parte nomes como Giovane Elber ou um lateral-esquerdo chamado Roberto Carlos) na 'lotaria' dos 'penalties', após empate a zero no final do prolongamento.

As selecções das Quinas e 'canarinha' estavam, no entanto, longe de ser as únicas com futuros nomes sonantes entre os seus escolhidos. Senão, veja-se: o melhor marcador da prova foi um tal de Sergei Cherbakov, avançado da União Soviética que viria a ser bem conhecido dos adeptos sportinguistas; na selecção sueca alinhavam o guarda-redes Magnus Hedman e o defesa Niclas Alexandersson; da Austrália faziam parte Kevin Muscat e os guarda-redes Zeljko Kalac e Mark Bosnich; o avançado de Trinidade e Tobago era um tal de Dwight Yorke, cujo futuro parceiro de ataque, Andy Cole, alinhava na selecção inglesa, ao lado da futura lenda do Tottenham, Ian Walker, e dos futurosbenfiquistas Scott Minto e Steve Harkness; no Uruguai estava Paolo Montero, futura lenda da Juventus, e na Argentina figuravam Juan Esnáider e um tal de Mauricio Pocchettino – sim, esse mesmo! A própria Selecção Nacional trazia vários nomes futuramente conhecidos, que se afirmariam como esteios dos respectivos clubes e (pelo menos em alguns casos) formariam a base da equipa sénior durante os anos seguintes - de Figo e Rui Costa a Emílio Peixe, Jorge Costa, Abel Xavier, Rui Bento, Capucho, Tulipa, Nélson ou os dois 'Joões Pintos', Vieira e Oliveira.

Naquela segunda quinzena de Junho de 1991, no entanto, nenhum destes nomes poderia sequer imaginar a futura grandeza que os esperava, sendo cada um deles apenas 'mais um' jovem talento que (ao lado de colegas destinados a carreiras mais 'anónimas') almejava à conquista do troféu mais importante do futebol jovem mundial, e entusiasmava os adeptos do seu país, tanto os presentes nos diferentes estádios de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães e Faro onde se desenrolava o certame como aqueles que apenas tinham oportunidade de assistir a partir de casa.

No final, no entanto, seria mesmo a Selecção anfitriã a atingir a glória máxima, pondo assim um ponto final no 'conto de fadas' iniciado no Médio Oriente, dois anos antes, e inscrevendo para sempre na História do futebol português os nomes tanto das supracitadas 'estrelas' como dos seus colegas que, por vicissitudes da vida, acabariam por 'ficar pelo caminho', e construir carreiras mais discretas, se bem que não menos honrosas. Para a História fica, também, o primeiro certame futebolístico internacional organizado por Portugal, que acabava por servir como uma espécie de 'ensaio' para outro, de bastante maiores dimensões, disputado uma década e meia depois e do qual fariam ainda parte vários dos jogadores presentes no torneio de '91 – embora, infelizmente, o clímax dessa história (que se desenrolava, novamente, no estádio do Benfica, embora não exactamente no MESMO estádio do Benfica) tivesse um desfecho bem menos feliz do que o primeiro, impedindo que a Geração de Ouro se despedisse do futebol internacional da mesma forma que a ele se apresentara...

Friday, 12 June 2026

Sextas Com Style: A Marca Mais 'Italiana' da Moda Portuguesa

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Já aqui em ocasiões passadas falámos de marcas de calças de ganga cem por cento nacionais e que, com a sua combinação da qualidade reconhecida ao nosso têxtil com uma abordagem descontraída e juvenil ao 'marketing' e publicidade, conseguiram alguma tracção entre o seu público-alvo; chega, agora, a hora de juntar mais um elemento a essa lista, e falar de uma marca surgida há exactos trinta e cinco anos, e que, surpreendentemente, logrou manter o seu renome e popularidade até aos dias de hoje.

Falamos da Tiffosi, um dos 'ramos' da empresa de vestuário Cofemel que, desde 1991, tem vindo a 'enganar' gerações de portugueses com o seu nome inspirado na palavra italiana para designar adeptos de Fórmula1. O que não engana, no entanto, é a qualidade das suas peças, seja das icónicas calças de ganga ou das 't-shirts' e 'sweatshirts' também comercializadas sob a mesma designação. Longe de serem artigos 'da moda', as peças da Tiffosi possuem, no entanto, uma qualidade intemporal que as torna atractivas para sucessivas gerações, cada uma das quais se encarrega, depois, de 'apresentar' a marca à seguinte (a Tiffosi fica apenas atrás da Zara no tocante a volumes de vendas no sector do vestuário infantil em Portugal), perpetuando um ciclo que se vem mantendo há já três décadas e meia, e que ajudou a colocar a Tiffosi entre as trezentas empresas mais bem-sucedidas em Portugal, bem como a projectar o nome da marca para o estrangeiro. No total, chegaram a ser setenta as lojas da Tiffosi distribuídas de Norte a Sul do País, muitas das quais se mantêm abertas até aos dias de hoje, agora sob a égide do Grupo Vila Nova, novo proprietário das marcas da Cofemel.

No cômputo geral, pode-se, portanto, considerar a Tiffosi como mais um dos muitos casos de sucesso empresarial no sector do retalho surgidos em Portugal durante a década de 90 - com a ressalva de, ao contrário de várias das suas congéneres (e à semelhança de outras tantas) esse bom desempenho se manter até aos dias de hoje, tornando a marca de 'jeans' pseudo-italiana numa das mais intemporais da actual moda jovem nacional.

Thursday, 11 June 2026

Quintas Ao Quilo: Os Doritos - Mais Uma Aposta Ganha Para A Matutano

 Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de, hoje em dia, serem comercializados separadamente, os Doritos eram, nos anos 90, uma das mais populares gamas da Matutano. De facto, apesar de surgidos apenas em meados da década, os icónicos triângulos de milho importados da cozinha fronteiriça mexi-americana não tardaram a conquistar o seu lugar no coração dos jovens, a par de gamas bem 'estabelecidas' como Ruffles ou Cheetos, numa relação que se mantém intacta passados quase trinta anos.

O sabor Tex-Mex é ainda hoje o mais popular da gama

Inicialmente comercializados em apenas dois sabores – Original e Tex-Mex, ainda hoje entre os mais populares da gama – os Doritos distinguiam-se por, apesar de semelhantes em textura e sabor aos Fritos, constituírem uma alternativa mais 'picante' aos mesmos, o que, aliado ao visual e 'marketing' algures entre o 'radical' e o 'cibernético', não podia deixar de agradar aos jovens daqueles primeiros anos da era digital.

Nem tudo era perfeito, no entanto – ao contrário da esmagadora maioria das outras gamas da Matutano (incluindo os supramencionados Fritos) os Doritos não traziam, pelo menos numa fase inicial, quaisquer brindes, não podendo assim usufruir do principal motivo para as crianças e jovens comprarem batatas e 'snacks' fritos; numa fase posterior, a nova gama seria, também ela, incluída nas icónicas promoções da Matutano, passando a estar oficialmente 'integrada' no acervo da marca, da qual apenas se desvincularia já em anos recentes. Para quem viveu em tempo real aqueles primeiros anos dos Doritos, no entanto, a marca continuará indelevelmente ligada à 'magnata' ibérica das batatas fritas, no contexto da qual se afirmava como uma das opções mais 'adultas', mas ainda assim capaz de agradar à principal demografia consumidora dos produtos da mesma – a qual, provavelmente, vê hoje em dia os seus filhos viver a mesma experiência com a versão 'actual' do icónico 'snack' que eles próprios viram surgir no mercado nacional, há já três décadas atrás...

Wednesday, 10 June 2026

Quartas de Quase Tudo: O 'Último Recurso' Para a Renault Portuguesa

 Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Apesar de o seu 'ex-libris' ser a indústria têxtil e de calçado, Portugal tem, ao longo das décadas, brilhado com relativo fulgor também em outras áreas da manufactura, como é o caso do sector automóvel, onde é ainda hoje um dos países de referência, não admirando, portanto, que diversas marcas automóveis tenham eleito Portugal como uma das suas bases de operações no que toca à linha de montagem de veículos. Uma dessas marcas foi a Renault, cuja fábrica era uma das principais agregadoras de emprego no altamente industrializado distrito de Setúbal nos anos 80; no entanto, à entrada para a última década do século XX, as instalações da fabricante francesa encontravam-se em riscos de fechar, com a própria empresa envolvida em litígio com o Estado e quase meia centena de postos de trabalho em risco - uma situação que apenas se viria a resolver mediante um acordo celebrado há quase exactas três décadas, após mais de três anos de negociações.


Era, de facto, apenas a 04 de Junho de 1996 que o Governo português e a sede da Renault, em França, chegariam a acordo quanto ao futuro da fábrica de Setúbal, mediante uma transacção que rendia ao Estado onze milhões de 'contos' (ou onze mil milhões de escudos), relativos à sua participação social na empresa francesa, e que via a mesma ceder posse da fábrica por uma fracção do seu verdadeiro custo, mediante o compromisso do Governo em retirar a queixa vigente no Tribunal Internacional de Justiça. Do acordo fazia ainda parte uma verba de três milhões de 'contos', destinada a precaver quaisquer despedimentos resultantes do processo de venda da fábrica, rendendo ao Estado português um total de mais de quinze mil milhões de escudos e libertando-o, ao mesmo tempo, das responsabilidades para com a construtora francesa.

Apesar do bom termo das negociações, no entanto, este acordo não seria suficiente para salvar a fábrica a longo prazo, acabando a mesma – à falta de novos investidores, e face ao prejuízo em que vinha operando – por fechar alguns anos depois, dando lugar à Sociedade de Desenvolvimento da Indústria Automóvel (SODIA) que até hoje ocupa as instalações. Ainda assim, nunca é demais recordar uma acção positiva e proactiva do governo de António Guterres em prole da indústria portuguesa, numa altura em que acabam de se celebrar trinta anos sobre esta efeméride aparentemente menor, mas revestida de alguma importância, da política portuguesa dos anos 90.

Tuesday, 9 June 2026

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos da Primeira Noite de 'Sorte Grande'

 Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Uma das mais peculiares e, ao mesmo tempo, perenes facetas da televisão portuguesa da era pré-Internet (e dos primeiros anos de difusão da mesma) eram os programas destinados, apenas e só, a dar a conhecer o resultado das lotarias nacionais. Do mais famoso destes – o 'Toto-Sorteio', que colocava grande parte da juventude da altura transfixa frente ao televisor a ver rodar as 'bolinhas' com os números – já aqui falámos numa ocasião anterior; no entanto, vários anos após o mesmo deixar de ir ao ar, a RTP viria a 'ressuscitar' o formato para divulgar os números de um outro sorteio, num programa que fazia a sua estreia nas ondas televisivas nacionais há quase exactos vinte e cinco anos.


Era, efectivamente, a 11 de Junho de 2001 que 'Sorte Grande' surgia, pela primeira vez, nos ecrãs nacionais. Apresentado pela veterana Serenella Andrade – uma daquelas caras, à época, sempre bem-vindas na sala de estar do português médio – o programa apresentava um formato muito semelhante ao do seu antecessor, sendo o foco quase exclusivamente colocado nos números da Lotaria Nacional e do Loto 2, com muito poucos 'adornos'. Por ser relativo a um dos jogos com maior participação em Portugal, não é, tão-pouco, de admirar que o programa tenha gozado de relativa longevidade, passando quase dois anos no ar até ser integrado como um dos segmentos do 'Passa Palavra', de Nicolau Breyner, a partir de Abril de 2003.

Tão-pouco surpreende o facto de os programas de lotaria, com praticamente o mesmo formato, terem continuado a ser produzidos até à presente década; o misto de interesse humano com um conceito relativamente simples e de baixos custos de produção faz deste tipo de emissão ideal como 'tapa-buracos' na grelha televisiva da emissora estadual, apesar de o estatuto central de que a mesma se revestia até inícios do século XXI se encontrar já fortemente diluído. Quanto a 'Sorte Grande', foi um digno sucessor de 'Toto-Sorteio', e justifica plenamente uma breve menção, quando faltam apenas dois dias para se celebrar o quarto de século sobre a sua primeira emissão.







Monday, 8 June 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos do Verão das 'Crianças' Italianas

 Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quando se fala de músicas icónicas para as gerações 'X' e 'millennial' portuguesas, é impossível não recordar os 'hits de Verão' que, anualmente, punham as crianças de Norte a Sul do País a dançar, e lançavam os respectivos autores para a 'ribalta' – pelo menos temporariamente, até serem substituídos pelo próximo artista ou grupo com uma batida dançável e um refrão cativante. Os exemplos são inúmeros, quase todos dentro do género do 'Europop' (Whigfield, Aqua, Vengaboys, Lou Bega, Las Ketchup) embora, aqui e ali, houvesse espaço a um ou outro 'intruso', fosse ele uma dança como a Macarena, um grupo como Spice Girls, Backstreet Boys, Santamaria ou Excesso, um grupo de comédia como os Mamonas Assassinas, Mercurioucromos ou Lunáticos, uma 'importação' brasileira como Iran Costa, Daniela Mercury ou Netinho, um grupo de 'rap' com um 'hit' acidental, um cantor romântico, um 'fusionista' jazz como PedroAbrunhosa ou um artista de pendor mais electrónico, como os Bomfunk MC's de 'Freestyler', os Eiffel 65 de 'Blue (Da-Ba-Dee)' ou o italiano que, há exactos trinta anos, lançava o disco que viria a conter o grande êxito do Verão de 1996.

Embora aquando do seu lançamento, a 07 de Junho de 1996, 'Dreamland' (álbum de estreia do DJ Roberto Contini, conhecido profissionalmente como Robert Miles) fosse já no seu terceiro single, a vasta maioria do público internacional (no qual se incluíam as crianças portuguesas) conhecia-o, apenas e só, pela primeira faixa do álbum, que havia também sido o seu primeiro single alguns meses antes. Ainda hoje, perguntar a qualquer elemento da última vaga da Geração X ou da primeira dos 'millennial' por 'Children' é activar uma daquelas memórias dormentes, pronta a ser desperta no momento certo; da boca dos mesmos sairá assim, quase certamente, uma aproximação honesta quanto-baste do icónico 'riff' de piano que guiava o único 'hit' do italiano, e ao som do qual todo o jovem lusitano terá dançado repetidas vezes naquele Verão de 1996.

Infelizmente, como sucedia com a maioria destes artistas (com honrosas excepções) Robert Miles era remetido ao esquecimento tão rapidamente como surgira, uma vez findo o Verão e, com ele, o apelo de 'Children'. À distância de trinta anos, no entanto, é inegável que se trata de um excelente exemplo do peculiar sub-género de electrónica que florescia no Sul da Europa à época, bem merecedora de uma rápida 'escutadela' de 'aniversário', a qual, sem dúvida, remeterá toda uma geração a dias de Verão passados à beira da piscina, com a 'malha' de Miles como banda-sonora...

Férias

O Anos 90 vai de férias de Agosto. Vemo-nos em Setembro, com os mesmos conteúdos nostálgicos de sempre. Até lá!